A IGREJA NÃO CONDENOU A REENCARNAÇÃOJosé Reis Chaves
Os teólogos do Cristianismo
Primitivo eram em Teologia o que eram em Astronomia os astrônomos daquela
época. E esse é um problema grave para os teólogos da pós-modernidade, seus
herdeiros.
Um concílio ecumênico abrange todos
os bispos da Igreja. Já um sínodo reúne apenas um certo número de bispos, como
o Sínodo de Constantinopla (543) convocado pelo imperador Justiniano. Conta-se
que a sua esposa Teodora, o teria influenciado na sua posição contrária à
reencarnação. Seja essa história verdadeira ou não, ela não muda os fatos
históricos sobre a reencarnação no Cristianismo.
Justiniano considerava-se maior
teólogo do que Vírgílio, o bispo de Roma de sua
época, que não era ainda um papa, pois só mais tarde é que os bispos da Capital
Roma tornaram-se papas. O imperador Justiniano foi também quem convocou o
Concílio Ecumênico de Constantinopla (553), para tratar de supostas doutrinas
heréticas nestorianas de Teodoro Mopsueste,
mas que foram aprovadas pelo “papa” Virgílio (Jean Prieur,
“O Mistério do Eterno Retorno,”pág. 128, Ed.Best Seller, 1996). No Sínodo
(543), 10 anos, portanto, antes do Concílio Ecumênico de Constantinopla (553),
foi condenada a doutrina de Orígenes da preexistência da alma (existência da
alma ou espírito antes da concepção do corpo), o que implicava a condenação da
reencarnação, pois esta não existe sem a preexistência da alma. Mas essa
condenação de 3 a 2 pelo Sínodo de 543 só teve um valor regional, e não
universal para toda a Igreja, como acontece num concílio ecumênico. Porém,
Justiniano fez juntar aos cânones do 5º Concílio Ecumênico de Constantinopla
(553) documentos do Sínodo de 543.
Destarte, entendeu-se, erroneamente, que a preexistência e a
reencarnação foram condenadas pela Igreja, em conseqüência do que cerca de um
milhão de cristãos reencarnacionistas foram mortos no
Oriente Médio (Paul Brunton, “Idéias em
Perspectivas”, pág. 118, Ed. Pensamento, e nosso livro “A Reencarnação Segundo
a Bíblia e a Ciência”).
E, assim, se houve a propalada
condenação da reencarnação pela Igreja, é porque ela existia no Cristianismo
Primitivo. Mas, como vimos, o que houve foi uma fraude de Justiniano. Portanto,
os católicos estão livres para continuarem crendo ou não na reencarnação!
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