CORREMOS RISCOS AO TRABALHAR NO SERVIÇO DE DESOBSESSÃO?

 

De: "Roberto” <xxxxxxx@terra.com.br>

Para: <apologia_gae@yahoo.com.br>

Assunto: DÚVIDA: CORREMOS RISCOS AO TRABALHAR NO SERVIÇO DE DESOBSESSÃO?

Data: Fri, 24 Nov 2006 11:15:55 -0200

 

Queridos amigos, tomei contato com seu site já há algum tempo, através do Paulo da Silva Neto Sobrinho, de quem recebo sempre os novos textos.

Tenho uma dúvida, e gostaria que os amigos me ajudassem.

Freqüento um centro espírita onde há o trabalho de desobsessão.

Por muitas vezes, tenho ouvido o palestrante dizer que aqueles que trabalham em desobsessão correm riscos, pois os obsessores podem se voltar contra nós.

Em minha opinião, todos corremos riscos sim, mas não por trabalhar em desobsessão, mas sim por ainda sermos imperfeitos.

Em vista dessa imperfeição sim, teremos a influencia daqueles que chegam até nós pelas "nossas portas abertas", e somente por elas, e mais: seremos obsidiados na medida certa de nossos erros (como disse o Cristo, cada um vai ter que pagar até o último ceitil), mas nada além disso!!! A cada um segundo suas obras!!!

Acredito mais, que ao trabalhar na caridade (penso que o trabalho de desobsessão é uma caridade) estamos nos reformando moralmente, e esta é uma das principais condições de nos melhorarmos e deixarmos, paulatinamente, de estar ao alcance dos irmãos desencarnados que desejam vingança.

Tenho fé no Cristo, que indicou ser o AMOR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO NOSSO PRÓXIMO COMO A NOS MESMOS o maior mandamento.

Tenho convicção de, ao trabalharmos na desobsessão estamos nos redimindo e não conseguindo novas provas como também não estaremos à mercê desses desafortunados irmãos, que ainda não conseguiram ver a luz do perdão.

Não digo com isto, que estamos, somente por trabalhar na desobsessão, livres da influência espiritual de obsessores. Lógico que não.

Eles chegarão a nós, e também acredito que por permissão de Deus (como consta no Livro dos Espíritos) como Seus instrumentos:

PERGUNTA 466

Por que Deus permite que Espíritos nos excitem ao mal?

– Os Espíritos imperfeitos são instrumentos que servem para pôr à prova a fé e a constância dos homens na prática do bem. Vós, como Espíritos, deveis progredir na ciência do infinito, e por isso passais pelas provas do mal para atingir o bem. Nossa missão é vos colocar no bom caminho e, quando as más influências agem sobre vós, é que as atraístes pelo desejo do mal, porque os Espíritos inferiores vêm vos auxiliar no mal, quando tendes a vontade de praticá-lo; eles não podem vos ajudar no mal senão quando quereis o mal.

Se sois inclinados ao homicídio, pois bem! Tereis uma multidão de Espíritos que alimentarão esse pensamento em vós. Mas tereis também outros Espíritos que se empenharão para vos influenciar ao bem, o que faz restabelecer o equilíbrio e vos deixa o comando dos vossos atos.

É assim que Deus deixa à nossa consciência a escolha do caminho que devemos seguir e a liberdade de ceder a uma ou outra das influências contrárias que se exercem sobre nós.

 

No Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 12 item 6, temos:

Os inimigos do mundo invisível manifestam sua maldade pelas obsessões e subjugações às quais tantas pessoas estão sujeitas e que são algumas das várias provas da vida, contribuindo para o adiantamento do homem no globo terrestre

Se não houvesse homens maus na Terra, não haveria Espíritos maus ao seu redor.

O Espiritismo vem provar que esses demônios são apenas almas de homens perversos que ainda não se livraram dos instintos materiais, e que somente se pode pacificá-los sacrificando-se o ódio que possuem, por meio da caridade; que a caridade não tem apenas o efeito de impedi-los de fazer o mal, mas também de conduzi-los ao caminho do bem e contribuir para sua salvação.

No extraordinário DIALOGO COM AS SOMBRAS, de Hermínio Miranda, vamos encontrar:

 

Pág.

§

Texto

78

4

Nada de temores infundados. Sofremos apenas aquilo que está nos nossos compromissos espirituais, e não em decorrência do trabalho de desobsessão.

110

6,7

ninguém sofre por acaso, dado que não há reparos dolorosos como forma de punição aos inocentes.

117

1

Ademais, é preciso lembrar que o reajuste nunca é desproporcional à gravidade da pena, e a pena é sempre compatível com o grau de consciência com o qual praticamos a falta. Não que Deus nos castigue, como um Pai severo e frio, mas é que a nossa consciência exige de nós a reparação, mesmo porque a lei universal, código sagrado que aviltamos, nos coloca à mercê da cobrança. A cada falta cometida, assinamos uma promissória inexorável, que um dia vencerá e nos será apresentada para resgate. Se tivermos acumulado a moeda limpa do serviço ao próximo, teremos com que pagar; caso contrário, não resta alternativa senão a dor, e podemos estar certos de que não faltarão cobradores, que se apresentarão como instrumento da justiça divina, ávidos ante a oportunidade de se vingarem, ou simplesmente de darem azo às suas frustrações lamentáveis

119

2

Somente nos expomos ao resgate, pela dor ou pelo amor, na medida em que erramos . A extensão do resgate e sua profundidade guardam precisa relação com a gravidade da falta cometida, pois a lei não cobra senão o necessário para o reajuste e o reequilíbrio das forças universais desrespeitadas pelo nosso livre-arbítrio. Somos livres para errar e somos forçados a resgatar.

 

Fiz extensa pesquisa, leio muito, e não encontro qualquer obra que me diga que sofreremos obsessão em virtude de estarmos trabalhando na obra do Cristo. Sofreremos sim, em virtude de nossas imperfeições, mas até estas se amenizarão pelo trabalho na Caridade e no Amor ao Próximo.

 

Gostaria muito de receber uma resposta dos amigos e sei que ela será de muita utilidade para que, cada vez mais eu me sustente no meu ainda ínfimo, mas sincero trabalho cristão.

 

ROBERTO

 

 

1ª Resposta:

 

Olá Roberto,

 

Também já ouvi argumentos desse tipo. E ouvi outros ainda: "o trabalho mediúnico dentro da casa espírita é melhor porque lá estamos mais protegidos dos espíritos obsessores". Isso é um erro lamentável e infantil, que pode ter por conseqüência o afrouxamento do controle de tudo o que vem por parte dos espíritos e abrir caminho para uma obsessão coletiva.

 

Ninguém está protegido dentro do centro. Quer se proteger de obsessões? Estude bastante (principalmente a obra kardequiana), persevere no bem, e principalmente debata seus pontos de vista com outras pessoas, não com o intuito de somente aceitar o que lhe é dito, mas com o intuito de ouvir e ponderar o valor das divergências, que pode ajudá-lo a formar convicção sólida.

 

O centro não está protegido de espíritos obsessores, mas as pessoas, individualmente podem estar. Que adianta ter ao seu lado um espírito mentiroso, se você não acredita mais em mentiras? Que adianta ter ao lado um espírito lhe inspirando o mal, se você só busca o bem? Eu vou lhe dizer que estamos sob ataque obsessivo o tempo todo. Posso dizer até que atualmente sofro influência obsessiva, pelos caracteres de algumas idéias que me passam pela cabeça e que eu repudio. Pode ser um simples pensamento, é verdade, mas também pode ser uma influência perniciosa tentando me conquistar. Nesse caso específico, eu digo que ela não precisa sair de perto de mim, pois não me oferece nenhum perigo, pois não lhe dou ouvidos. Ao contrário, quando percebo esse tipo de influência, procuro fazer mentalmente aquela prece que consta no Evangelho Segundo o Espiritismo, pelos espíritos obsessores. É incrível, mas eu percebo que a influência diminui.

 

Mas no passado eu já sofri influências que me exaltavam a vaidade, a minha pretensa importância no meu meio, pretensos importantes trabalhos ou missões a desempenhar, etc... e eu cedia por fraqueza moral. Mas depois, com o estudo, entendi que sou apenas mais um no movimento geral, que não tenho mais importância que ninguém em especial e que se porventura eu vier a falhar, outro me substitui e faz o que deixei de fazer e que, o único prejudicado se eu falhar serei eu mesmo, que terei que algum dia recomeçar, etc... Não precisei ir a nenhum centro de desobsessão para perceber isso. Só um pouco de estudo. Será que essa influência ainda me persegue? Que importa? Eu não lhe dou mais ouvidos. Acho que esse é o caminho.

 

Concluindo, não precisa ficar com medo de influência obsessiva porque você provavelmente já está sob uma. Fortaleça as suas convicções que você evitará os seus efeitos nefastos. Deus não quer nos livrar das obsessões. Ele quer que sejamos fortes para resistirmos a elas por nós mesmos.

 

Um abraço.

 

Rafael Gasparini Moreira

 

2º Resposta:

 

Oi, Roberto,

 

Por coincidência, a nossa reunião de estudo sobre a mediunidade de hoje, tratou dessa temática.

 

Neste estudo estamos utilizando o material do Grupo Projeto Manoel Philomeno.

 

O interessante é que, recorrendo a obras auxiliares, como as de André Luiz, podemos verificar, que quando atuamos em reunião mediúnica, pode ocorrer de determinados obsessores estarem focando em determinados médiuns do grupo para afastá-lo dos trabalhos, aumentando um pouco o risco.

 

Porém não da maneira convencional, como a conhecemos, mas estimulando nossa vaidade, nossa sexualidade, focando familiares que não tenham contato com a doutrina.

 

O risco existe, por isso é aconselhável o exercício da mediunidade em um centro, onde os médiuns e o dirigente possam estar fornecendo um auxilio ao médium que passar por esse problema, já que sozinho, torna-se mais dificultoso a solução do problema.

 

Daí, ser fundamental um grupo de estudos paralelo a reunião mediúnica. Já que nem todos estão no mesmo nível de entendimento e um estudo pode vir a ampliar os horizontes do grupo com relação à mediunidade.

 

Somente com o constante estudo e a reforma íntima, estes problemas podem ser contornados, como o Rafael bem exemplificou.

 

Abraços,

 

Douglas Camilo

 

3ª Resposta:

 

Caro Roberto,

 

Você está certíssimo em suas conclusões.

 

Somente acrescento que, pelo fato de estarmos trabalhando com a desobsessão, compramos briga com três espécies de espíritos: os inimigos do Bem, que estão contra qualquer um que se dedique a fazer o BEM, os inimigos do espiritismo, por nossa movimentação no esclarecimento dos espíritos obsessores (que muitas vezes o são por falta de orientação adequada) e os inimigos da pessoa auxiliada. Este simples fato pode nos trazer alguns transtornos espirituais. No entanto, sabemos que nada nos atinge se não for para o nosso aprimoramento.

 

E, como você mesmo disse, temos o atenuante de estarmos trabalhando pelo Bem e somos protegidos. Não nos esqueçamos de que se por um lado fazemos inimigos, do outro fazemos os amigos, os espíritos que trabalham pelo Bem, pelo Espiritismo e os que cuidam da pessoa obsedada. A Balança se faz igual nos dois lados. O fiel dessa balança somos nós mesmos, que tenderemos para um ou para outro lado. Que cederemos a uma ou outra influência.

 

Finalizando, sempre escuto uma frase no centro em que trabalho: "Não se atiram pedras em árvores que não dão frutos". Portanto, se no trabalho de desobsessão o grupo sentir que estão aumentando a pressão dos espíritos obsessores, finquem mais ainda o pé no trabalho, pois saberão que estão no caminho certo. Se não estiverem fazendo diferença, desequilibrando os obsessores, conseguindo o amparo e libertação das pessoas, não haveria nenhum ataque. Os espíritos não perderiam seu tempo em tentar desarticular um trabalho infrutífero... Então, que venham os obsessores! Estejam preparados intimamente para recebê-los, pois se estão no trabalho com o coração e a mente voltados para a realização do Bem, o ataque será feroz. Mas se o Cristo é por nós, quem será contra?

 

Muita fé a você e a seu grupo. Tenham a confiança que se espíritos obsessores chegam até vocês é porque o grupo tem capacidade de recebê-los com muito carinho e amor.

 

Desejo a vocês que a espiritualidade amiga faça um lindo trabalho através de seu grupo.

 

Abraços fraternais

 

Alicia Caldas

 

4ª Resposta:

 

Roberto,

 

A essa altura já deve ter recebido alguns e-mails de membros do GAE, agora vamos dar-lhe a nossa opinião pessoal.

 

Segundo o que pensamos, você está coberto de razão, a obsessão é por conta de nossa imperfeição, não por trabalhar na reunião de desobsessão.

 

Sempre estamos às voltas com ameaças feitas por determinados espíritos, nesses casos lhes respondemos: O que você diz que vai acontecer só acontecerá se houver permissão de Deus, obviamente, caso eu tenha algum compromisso a resgatar perante suas leis.

 

Não há o que temer, pois só sofreremos por esse motivo.

 

Não sabemos se lemos ou ouvimos um conto mais ou menos assim:

 

“Um médium espírita muito dedicado, sofreu um acidente em seu trabalho, teve um de seus dedos cortados por uma serra elétrica. Os amigos logo questionaram que como os espíritos deixaram isso acontecer com ele, até que esse médium assumiu essa idéia, e intimamente, ficava-se a questionar. Sua resposta não tardou a chegar. Na reunião mediúnica que se seguiu, depois de todas as manifestações o mentor da casa se aproximou de um outro médium e lhe disse: Meu irmão, não seja ingrato, pois a verdade é que na sua programação espiritual estava prevista que perderia todo o seu braço, mas por conta do que tem feito a favor do próximo, mereceu a nossa ajuda, cujo resultado foi a perda de um dedo. Mais tivesse feito, para que não acontecesse nada, infelizmente, o muito que acha que fez, ainda foi pouco para "queimar" todo o seu carma”.

 

É assim que vemos os trabalhos citados por você. O trabalhador dever estar consciente que estaremos às voltas com três classes de espíritos que poderão nos prejudicar, caso estejamos na mesma faixa vibracional deles: os inimigos da causa espírita, os que não estão satisfeitos com os resultados da reunião mediúnica e os obsessores das pessoas as quais são levados os nomes para ajuda. Cabe a nós orar e vigiar, que é a nossa proteção, os espíritos superiores nos ajudarão certamente, mas jamais nos livrarão daqueles aos quais nós buscamos a sintonia, quer de forma consciente ou não.

 

 

Abraços

 

Paulo Neto

 

 

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