DIFERENÇAS
ENTRE
PANTEÍSMO
E ESPIRITISMO
Pesquisa
e diagramação:
Elio Mollo
Fontes indicadas no próprio texto
PANTEÍSMO
PANTEÍSMO,
filos. Sistema filosófico que identifica Deus com o mundo.
Identifica o Criador com a criação, concebendo-os como um só todo. São
várias as espécies de panteísmo, de acordo com o tipo de identidade que
se estabeleça entre Deus e o cosmos. Assim, Deus se confunde com a
alma do mundo, no panteísmo estóico; com o Uno absoluto do
qual emanam a alma e a inteligência formadora do mundo, no panteísmo de
Plotino; com a Substância única cujos modos são as almas e os corpos, no
panteísmo de Spinoza; e com o Espírito absoluto, onde o desenvolvimento
dialético de Idéia se completa. Para Saisset, o panteísmo toma por
princípio a consubstancialidade eterna e necessária do finito e do
infinito, de Deus e da natureza. Há sempre um fator comum a todas as
concepções panteísta, ou seja: Deus é o Todo, ou O todo é Deus.
Extraído da Enciclopédia PAPE
PANTEíSMO,
s.m. - Pan + teísmo - Fil. Sistema filosófico que identifica Deus e o
Mundo, isto é, que considera Deus a universidade dos seres, o conjunto
de tudo aquilo que existe. Cf. Panteísmo. / Loc. s. Panteísmo
cosmológico. Doutrina que considera o Universo e Deus como sendo
identicamente o mesmo ser. / Panteísmo místico. Aquele que considera a
massa total das coisas como um ser do qual o real e o ideal, o subjetivo
e o objetivo, são como que os dois pólos opostos. / Panteísmo
ontológico. Aquele que reconhece apenas a substância eterna; espinosismo.
/ Panteísmo psicológico. Sistema que considera Deus a alma do Mundo, o
qual seria o corpo da divindade.
Extraído da Nova Enciclopédia de
Pesquisa Fase.
DIFERENÇAS ENTRE A DOUTRINA PANTEÍSTA E A DOUTRINA
ESPÍRITA
Texto extraído de "O LIVRO DOS
ESPÍRITOS" — Livro Primeiro, cap. I, II, III e IV obra
codificada por Allan Kardec
Considerar as perguntas como
sendo feitas por A. Kardec, e as respostas dadas pelos Espíritos Superiores
através de médiuns.
P.— Deus é um ser distinto, ou
seria, segundo a opinião de alguns, a resultante de todas as forças e de
todas as inteligências do Universo, reunidas?
R. — Se assim fosse, Deus não existiria, porque
seria efeito e não causa; ele não pode ser, ao mesmo tempo, uma coisa e
outra.
Deus existe, não o podeis duvidar, e isso é o
essencial. Acreditai que vos digo e não queirais ir além. Não vos percais
num labirinto, de onde não poderíeis sair. Isso não vos tornaria melhores,
mas talvez um pouco mais orgulhosos, porque acreditaríeis saber, quando na
realidade nada saberíeis. Deixai, pois, de lado, todos esses sistemas;
tendes que vos desembaraçar de muitas coisas que vos tocam mais diretamente.
Isto vos será mais útil do que querer penetrar o impenetrável.
P. — Que pensar da opinião
segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos
do Universo, seriam partes da Divindade e constituiriam, pelo seu conjunto,
a própria Divindade; ou seja, que pensar da Doutrina Panteísta?
R. — Não podendo ser Deus, o homem quer pelo
menos ser uma parte de Deus.
P. — Os que professam esta
doutrina pretendem nela encontrar a demonstração de alguns dos atributos de
Deus. Sendo os mundos infinitos, Deus é, por isso mesmo, infinito; o vácuo
ou o nada não existindo em parte alguma, Deus está em toda parte; Deus
estando em toda a parte, pois que tudo é parte integrante de Deus, dá a
todos os fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente. O que se pode
opor a este raciocínio?
R. — A razão. Refleti maduramente e não vos será
difícil reconhecer-lhe o absurdo.
NOTA DE KARDEC - Esta doutrina faz de
Deus um ser material que, embora dotado de inteligência suprema, seria em
ponto grande aquilo que somos em ponto pequeno. Ora, a matéria se
transformando sem cessar, Deus, nesse caso, não teria nenhuma estabilidade e
estaria sujeito a todas as vicissitudes e mesmo a todas as necessidades da
humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a
imutabilidade. As propriedades da matéria não podem ligar-se a idéia de
Deus, sem que o rebaixemos em nosso pensamento, e todas as sutilezas do
sofisma não conseguirão resolver o problema da sua natureza íntima. Não
sabemos tudo o que ele é, mas sabemos aquilo que não pode ser, e este
sistema (panteísta) está em contradição com as suas propriedades mais
essenciais, pois confunde o criador com a criatura, precisamente como se
quiséssemos que uma máquina engenhosa fosse parte integrante do mecânico que
a concebeu.
A inteligência de Deus se revela nas suas obras,
como a de um pintor no seu quadro; mas as obras de Deus não são o próprio
Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.
DEUS SEGUNDO A DOUTRINA ESPÍRITA
·
Deus é a inteligência
suprema, causa primária de todas as coisas.
·
Deus é infinito nas suas
perfeições, mas o infinito é uma abstração; dizer que Deus é o infinito é
tomar o atributo de uma coisa por ela mesma, definir uma coisa, ainda não
conhecida, por outra que também não é.
·
Para crer em Deus é
suficiente lançar os olhos às obras da Criação. O Universo existe; ele tem
portanto, uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo o
efeito tem uma causa e avançar que o nada pode trazer alguma coisa.
·
Se o sentimento da
existência de um ser supremo não fosse mais que o produto de um ensinamento,
não seria universal e nem existiria, como as noções científicas, senão entre
os que tivessem podido receber esse ensinamento.
·
Atribuir a formação
primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito
pela causa, pois essas propriedades são em si mesmas um efeito, que deve ter
uma causa.
·
A harmonia que regula as
forças do Universo revela combinações e fins determinados, e por isso mesmo
um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso seria uma falta
de senso, porque o acaso é cego e não pode produzir efeitos inteligentes. Um
acaso inteligente já não seria acaso.
·
Julga-se o poder de uma
inteligência pelas suas obras. Como nenhum ser humano pode criar o que a
Natureza produz, a causa primária há de estar numa inteligência superior à
Humanidade.
·
Sejam quais forem os
prodígios realizados pela inteligência humana, esta inteligência tem também
uma causa primária. É a inteligência superior a causa primária de todas as
coisas, qualquer que seja o nome pelo qual o homem a designe.
·
A
inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza
íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem o confunde muitas vezes
com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida que o seu
senso moral se desenvolve, seu pensamento penetra melhor o fundo das coisas,
e ele faz então, a seu respeito, uma idéia mais justa e mais conforme com a
boa razão, embora sempre incompleta.
___
1.
DEUS É ETERNO. Se Ele tivesse tido um
começo, teria saido do nada, ou, então, teria sido criado por um ser
anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos ao infinito e à
eternidade.
2.
É
IMUTÁVEL. Se Ele estivesse sujeito a
mudanças as leis que regem o Universo não teriam
estabilidade.
3.
É
IMATERIAL. Quer dizer, sua natureza
difere de tudo o que chamamos matéria, pois de outra forma Ele não seria
imutável, estando sujeito às transformações da
matéria.
4.
É
ÚNICO. Se houvesse muitos Deuses, não
haveria unidade de vistas nem poder na organização do
Universo.
5.
É
TODO-PODEROSO. Porque é único. Se não
tivesse o poder-soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa
quanto Ele, que assim não teria feito todas as coisas. E aquelas que Ele não
tivesse feito seriam obra de um outro Deus.
6.
É SOBERANAMENTE JUSTO E BOM.
A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores como nas
maiores coisas, e esta sabedoria não nos permite duvidar da sua justiça nem
da sua bondade.
no livro "O
ESPIRITISMO NA SUA MAIS SIMPLES EXPRESSÃO"
de Allan Kardec
1.
Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.
2.
Deus é eterno, único, imaterial, imutável, onipotente, soberanamente justo e
bom. É infinito em todas as suas perfeições, porque se supuséssemos
imperfeito um só de seus atributos. Ele deixaria de ser Deus.
3.
Deus criou a matéria que constitui os mundos; criou também seres
inteligentes que denominamos Espíritos, encarregados de administrar os
mundos materiais de acordo com as leis imutáveis da criação, e que por sua
natureza são suscetíveis de perfeição. Aperfeiçoando-se, aproxima-se da
Divindade.
no livro "A GÊNESE" de Allan
Kardec cap. II
·
DEUS NÃO SE MOSTRA, MAS AFIRMA-SE MEDIANTE SUAS
OBRAS.
ainda:
·
PARA COMPREENDER DEUS AINDA NOS FALTA O SENTIDO
QUE NÃO SE ADQUIRE SENÃO PELA COMPLETA DEPURAÇÃO DO ESPÍRITO.
no livro "Atualidade
de Allan Kardec <O PERISPíRITO>" de Rubens P. Meira encontramos o seguinte:
Þ
"O
Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência sem o
Espiritismo se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas
Leis da matéria; Ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e
comprovação."
Allan Kardec - no
livro "A GÊNESE".
Após esta breve introdução a
este capítulo, vamos procurar situar nossa mente em um ponto qualquer do
Universo, e ao mesmo tempo voltarmos a um passado remotíssimo e imaginar os
primeiros instantes da Criação.
O Universo abrange a infinidade
dos mundos, de planetas, de sois, de sistemas, que vemos e que não vemos, os
quais se movem no Espaço infinito. Allan Kardec, quando da codificação da
Doutrina Espírita, perguntou, se o Universo foi criado, ou se o mesmo
existia, desde toda a Eternidade, como Deus. Ao que os Espíritos
responderam: "É fora de dúvida que ele não pode ter-se feito a sí mesmo. Se
existisse como Deus, de toda a eternidade, não seria obra de Deus. Assim
existindo Deus de toda a eternidade, Deus também criou e cria desde toda a
Eternidade, pois sempre que procuramos com os nossos estreitos sentidos,
imaginar os supostos limites da Criação, sempre haverá além desse limite uma
eternidade."
Para compreendermos melhor a
grandeza da ação divina, bem como a sua perpetuidade, lembremo-nos sempre,
de que Deus é o Sol dos seres, a Luz do Universo, em suma a própria Lei.
Dessa forma, o universo nascido
de Deus, remonta infinitamente, às eras, que não podemos imaginar, dada à
nossa pouca percepção, do "FIAT LUX", do faça-se a luz, do início. É assim
que podemos compreender que a criação é perpétua, e que o começo das coisas,
então, remonta à Deus, o Supremo Criador.
Para tanto é de suma importância
a análise profunda da pergunta nº 1, do O Livro dos Espíritos,
e conseqüentemente a sua resposta. Kardec não perguntou quem é
Deus?, ou o que é Deus?, e sim, que é Deus?. Existem profundas
diferenças na análise da pergunta. E sua resposta é taxativa: SUPREMA
INTELIGÊNCIA, causa PRIMARIA DE TODAS AS COISAS.
Vemos então, que há um Fluido
Cósmico, o plasma Divino, que é a Matéria Cósmica Primitiva.
Passando esta matéria cósmica
primitiva, por várias metamorfoses, presididas por forças e leis, emanadas
da Lei Suprema, quais sejam: gravitação, coesão, afinidade, magnetismo,
eletricidade ativa, forças essas que são eternas e universais como a
criação, transformou-se em imensa Nebulosa, ou seja em Massa Estelar ainda
em vias de condensação, ou ainda, no Universo em Formação, em expansão. E é
dessa forma que podemos anotar que, essa nebulosa em que vivemos nos ângulos
mais variados, foi com toda razão afirmada por Paulo em Atos, cap. 17. Vers.
28, que, "Em Deus nos movemos e existimos". Tudo partindo de uma
Lei. A Lei de Deus. Ele é a grande Alma que está no centro do Universo.
Desse centro ele irradia e atrai, sendo tudo; o princípio e suas
manifestações. Eis como Ele pode ser, embora inconcebível, realmente
Onipotente.
COMPLEMENTO
RINO CURTI no livro Espiritismo e
Reforma Intima
1.
Desde os tempos mais remotos a matéria sempre foi entendida como o
princípio constitutivo dos corpos. Já a noção de alma teve vários
significados. Para os espiritualistas "é um ser moral independente da
matéria e que conserva a sua individualidade após a morte" (O
Livro dos Espíritos, na Introdução). Para os espíritas
existem os espíritos, os desencarnados, designados em O Livro
dos Espíritos pergunta 76, como os seres inteligentes da
criação; e, por alma, entendem um espírito encarnado, tendo o corpo por
invólucro.
A divindade era entendida, pelo
primitivo, como um poder adquirido pelos mortos, superior aos poderes dos
homens e que os tornaria capazes de realizar os fenômenos da natureza e
tudo que ele não compreendia.
Já no Politeísmo (crença de
muitos deuses), este poder era tido como exclusividade dos deuses, conforme
explicado na Cosmogonia mitológica. Diz esta que, no começo era o "CAOS",
pura extensão com MATÉRIA EXISTENTE DESDE TODA A ETERNIDADE. Em um certo
momento ter-se-iam originado a Terra e o Amor. A terra teria criado o céu e,
da união de ambos, teriam surgido os outros seres, ao acaso, e
desordenadamente. Dentre estes surge Zeus, o ordenador do Universo, que
instaura a ordem de forma definitiva. (Abril Cultural - Mitologia cap. I)
2.
A idéia de um Deus único não podia aparecer no homem, senão como resultado
do desenvolvimento de suas idéias. Incapaz, na sua ignorância, de conceber
um ser imaterial, sem forma determinada, agindo sobre a matéria, ele lhe
havia dado os atributos da natureza corpórea, ou seja, uma forma e uma
figura... (O Livro dos Espíritos pergunta 667).
Uma concepção antropomórfica, isto é, um Deus com forma humana.
Formaram-se várias noções de
Deus, ao longo do tempo, de caráter religioso e filosófico (Nicola Abbagnano
- Dizionario di Filosofia, Verbete: "Dio";
Heinrich Freis - Dicionário de Teologia - vol. 1º—
Verbete: Deus; Denis Huisman e André Bergez - Compêndio Moderno
de Filosofia. Vol. II: O Conhecimento,
cap. XVIII), atribuindo-lhe todas, em comum, duas qualificações
fundamentais: a de causa e de bem. As principais podem ser classificadas em
dois grupos: o teísta e o panteísta (André Bergez - Compêndio
Moderno de Filosofia, Vol. II: O Conhecimento, Cap. XVIII).
O Teísmo filia-se à noção
bíblica - Deus, Criador de tudo que existe e superior à Criação, tendo
criado A PARTIR DO NADA (Bíblia Sagrada edição
Abril Cultural, Gênesis I, e Heinrich Freis — Dicionário de
Teologia —Vol. 1º — Verbete: Criação).
A noção é antropomórfica, como
também o é a de Criador, descrita com "verbos de caráter artesanal... Na
criação do homem, Deus aparece como um ceramista... Mesmo na Bíblia,
entretanto, estas não são as únicas noções de Deus e de Criador" (Heinrich
Freis — Dicionário de Teologia — Vol. 1º —
Verbete: Criação).
3.
O panteísmo filia-se à noção hinduista — a de Deus constituindo o
Universo."— Se Deus é infinito — dizem — ele não pode criar um mundo que lhe
seja exterior, pois, por definição, nada pode ser acrescentado ao
infinito... Se Deus houvesse criado algo fora de si, ele não teria sido a
totalidade, a absoluta Infinidade. O Universo, portanto, está em Deus e não
fora dele. Deus é imanente ao Universo." (Denis Huisman e André Bergez —
Compêndio Moderno de Filosofia. vol. II: O
Conhecimento.)
4.
O Espiritismo situa estas noções
no Livro dos Espíritos, colocando em primeiro
lugar a noção de Deus, no Cap. I, como causa última de todas as coisas (o
princípio das causas, seu fundamento) [O Livro dos Espíritos,
A. Kardec, pergs. 1 e 4]. Em segundo lugar, põe a definição de infinito como
o faz a matemática, isto é, como algo que não pode ser abarcado pelo homem —
o desconhecido [O Livro dos Espíritos, perg. 2].
(*)
(*)Dentro desta noção, dizer, por exemplo, que o
Universo é infinito, é dizer que o homem, até o momento, não tem elementos
para determinar-lhe limites. Por mais que imagine pontos distantes, o
Universo se lhe afigura como estendendo-se sempre mais além. E esta é a
visão teológica como o é também a oferecida pela Astronomia do telescópio,
anterior à Astrofísica: uma visão ilimitada e estática. Hoje, pela
Astrofísica, o Universo se nos apresenta dinâmico, em expansão, portanto
limitado, o que reforça a idéia de um Criador exterior e superior a
concordância do Espiritismo com a Ciência.
Elimina do conceito teísta o
conteúdo antropomórfico, isto é, a forma humana de Deus (L. dos
Esp. pergs. 10 e 11), dizendo que o homem não pode compreender
a natureza íntima de Deus porque, para tanto, lhe falta um sentido.
Diz, porém que podemos
compreender-lhe algumas das perfeições (L. dos Esp.
pergs. 12 e 13). Refuta o Panteísmo e invalida as especulações metafísicas
acerca da existência de Deus, dizendo no Livro dos Espíritos,
perg. 14: “... não queirais ir além. Não vos percais num labirinto de onde
não podereis sair. Isto não vos tornaria melhores, mas talvez um pouco mais
orgulhoso, porque, pois acreditaríeis saber, quando na realidade nada
saberíeis. Deixai, pois, de lado todos esses sistemas;... Isto vos será mais
útil do que querer penetrar no que é impenetrável". (Aliás o
abandono dos sistemas, hoje, é feito pela própria
Filosofia.)
No cap. II de O
Livro dos Espíritos, A. Kardec aborda o conhecimento acerca do
princípio das coisas. Cientificamente, o princípio seja que se o entenda
como começo, ou como fundamento, está fora do âmbito do observável tanto
sensorial como mediúnico. Diz-se no L. dos Esp. perg, 17:
- "É dado ao homem conhecer o
princípio das coisas?
- R. — Não. Deus não permite que tudo seja
revelado ao homem aqui na Terra".
A seguir fala da matéria como
principio constituinte de todas as coisas. Para a Mitologia ele preexiste a
tudo e aos próprios deuses. Para o Materialismo é o único princípio
existente; para outros não foi criado por Deus e existe com Ele toda a
eternidade. Cabe então a pergunta formulada por Kardec em O L.
dos Esp. de nº21:
-"A matéria existe desde toda a
eternidade, como Deus, ou foi criada por ele num certo momento?
- R. — "Só Deus sabe... Deus jamais esteve
inativo."
Isto é, não conhecemos nem a
essência, porque nos falta um sentido, nem a origem, porque o tempo é
infinito-desconhecido na sua totalidade. E, diante das diversas definições
que se pretende dar da matéria, responde na perg. 22 de O L. dos
Esp.:
"...a matéria existe em estados que nem
conheceis."
Daí a impossibilidade de o homem
defini-la ou conceituá-la.
Sugere, porém, uma definição:
Perg. 22a de O L.
dos Esp. — "Que definição podeis dar na matéria?, ao qual os
Espíritos Superiores respondem: —
"A matéria é o liame que escraviza o
espírito." e na perg.
23 A. Kardec pergunta aos Espíritos Superiores: — "O que é o Espírito?
A noção é nova. Não há conceito
de espírito no teísmo, no sentido que o Espiritismo lhe dá. A alma, para o
Catolicismo, é criada no ato da concepção. Após a morte, como pessoa ela é
incompleta. Não tem sensações. Daí o dogma da ressurreição, no fim dos
tempos, significando o ressurgimento de todos os homens, cada um
reconstituído em virtude de cada alma retomar seu corpo. Não há a noção de
espírito, como ser inteligente, desencarnado, individualizado, pessoa
completa, e muito menos a de espírito como principio. Esta é uma noção que
surge na Filosofia do século XVII e que o Espiritismo assume, embora de
forma peculiar. A pergunta 23:
O que é o Espírito?
(Espírito elementar fazendo abstração do
perispírito = Alma)*
Respondem os Espíritos
Superiores:
- "O princípio inteligente do Universo."
E o afirma distinto da matéria
na pergunta 25:
-
"O espírito é independente da matéria, ou não é mais
do que uma propriedade desta...?
-
"Um e outra são
distintos..." — é a
resposta.
E atesta serem estes os únicos
dois princípios gerais que constituem todos os seres do Universo e que, por
sua vez, são criados. Não no sentido mitológico, como concepção artesanal
humana, mas no sentido de resultantes da ação das causas, de que Deus é o
princípio, causas estas que conhecemos em parte e que poderemos conhecer
sempre mais pela ciência, de forma teórico-experimental (A Gênese de A.
Kardec, cap. IV).
Lê-se em O L. dos
Esp., Introdução, nº IV: — "Deus... criou o Universo, que
compreende todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.”
O Livro dos Espíritos, perg. 27:
- "Haveria, assim, dois
elementos gerais no Universo: a matéria e o espírito?”
Resposta dos Espíritos:
—"Sim, e acima de ambos, Deus, o Criador, o Pai
de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe,
a trindade universal."
Isto é exterior e superior ao
mundo, dizer "acima"; princípio do bem, ao qualificá-lo de Pai: e
colocando-o no âmbito do nosso alcance ao enunciar: —
"Essas três coisas..."
— uma vez que nada podemos afirmar sobre suas essências e suas origens.
A noção de Criador adquire
significado diferente da do bíblico. Não tem qualquer conteúdo relacionado
às atividades humanas. Aponta tão-somente um Princípio causador, sem que
possamos divisar-lhe a essência, nem o começo, ou o fim, ou a forma de
atuar. Nem poderemos pensar diversamente, diante do quadro que a Ciência
hoje nos apresenta; no qual se configuram, dentro de um ângulo reduzido como
o é do alcance, 10 bilhões de galáxias, contendo, cada uma 200 bilhões de
estrelas, uma das quais é o nosso Sol. Nem poderíamos fazê-lo, porque "Se a
Religião se nega a avançar com a Ciência, esta avançará sozinha" (Gênese de
A. Kardec, Cap. IV, nº9).
Que Deus jamais tenha estado
inativo, coaduna as noções de eternidade e imutabilidade com a idéia que
fazemos das causas. Por exemplo, quando dizemos que o calor é causa de
dilatação dos corpos, subentende-se também que sequer podemos imaginar não
tenha sido assim alguma vez.
Encerrando o Subcapítulo:
Espírito e Matéria, do Cap. II
de O Livro dos Espíritos, comentário após perg.
28, assim conclui Kardec:
— "Um fato patente domina todas
as hipóteses: vemos matéria sem inteligência e um princípio inteligente
independente da matéria. A origem e a conexão dessas duas coisas nos são
desconhecidas. Que elas tenham ou não uma fonte comum e os pontos de contato
necessários; que a inteligência tenha existência própria, ou que seja uma
propriedade, um efeito; que ela seja, mesmo, segundo a opinião de alguns,
uma emanação da Divindade-, é o que ignoramos. Elas nos aparecem distintas,
e é por isso que as consideramos formando dois princípios constituintes do
Universo. Vemos, acima de tudo isso, uma inteligência que domina todas as
outras, que as governa, que delas se distingue por atributos essenciais: é a
esta inteligência suprema que chamamos Deus." (Os grifos são nossos).
* Ver in O que é o
Espiritismo, Cap. II, item 9, 10 e 14 - obra codificada por
Allan Kardec, e também in Revista Espírita (Jornal
de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec), Ano VII,
maio de 1864, pág. 138 e 139 - EDICEL - Nota em azul por E.
Mollo
Não existe
efeito sem causa. Assim, para todo efeito deve haver uma causa. E, para
todo o efeito inteligente também deve ter uma causa inteligente. E, se o
Universo compreende um conjunto de efeitos inteligentes, logo, a causa
que os produz e inteligente nesta mesma proporção. Assim, a essa causa
chamamos DEUS.
E. Mollo
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