O FUTURO DO ESPIRITISMO NA ERA DA INFORMÁTICA
Jorge Hessen
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://meuwebsite.com.br/jorgehessen
Lembra
Kardec: “Uma publicidade em larga escala, feita nos jornais de maior circulação, levaria ao mundo inteiro, até às localidades mais distantes, o
conhecimento das idéias espíritas, despertaria o desejo de aprofundá-las e,
multiplicando-lhes os adeptos, imporia silêncio aos detratores, que logo teriam
de ceder, diante do ascendente da opinião geral.”[1](grifamos)Divulgação em grande escala
se consegue hoje através da Internet, conhecida como a maior rede de
computadores do mundo, que permite trocar informações dos mais variados assuntos,
enviar mensagens, conversar com milhões de pessoas ou apenas ler as informações
de qualquer parte do planeta. Em face disso, cremos que ela tem o papel mais
importante na divulgação do Espiritismo contemporâneo, até porque “recordemos
que o Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade - a caridade
da sua própria divulgação.” [2]
Na era da cibernética, da
robótica “vivemos épocas limítrofes na
qual toda a antiga ordem das representações e dos saberes oscila para dar lugar
a imaginários, modos de conhecimento e estilos de regulação social ainda poucos
estabilizados. Vivemos um destes raros momentos em que, a partir de uma nova
configuração técnica, quer dizer, de uma nova relação com o cosmos, um novo
estilo de humanidade é inventado.”[3]
Há quem compare um microcomputador ao médium, através do qual recebemos
mensagens, sem que vejamos quem enviou a mensagem. Com um grau de interferência
infinitamente menor que o médium humano, transmitindo assim mais fielmente as
mensagens. Razão pelo qual é importante analisar as “mensagens” que recebemos,
pois se queremos conhecer a pessoa que nos escreve, necessitamos analisar o seu
conteúdo. Uma vez que se“a divulgação na internet deve ser livre,
porém aqueles que querem divulgar o Espiritismo devem ter a consciência da
responsabilidade, procurando sempre saber as finalidades da divulgação e as
suas conseqüências, porque a Internet não é só livre, ela é abrangente. Ela
atinge proporções globais, colocando o Espiritismo face a face com outras
realidades.”[4]
É fato que através do
computador não se é possível receber um abraço fraterno, podemos, porém,
receber uma palavra amiga. Recordando que com o acelerado progresso tecnológico
já é possível se obter comunicações audiovisuais o que sem dúvida vai aproximar
ainda mais as pessoas. Cada um de nós, do conforto de nossos lares, pode enviar
uma palavra amiga, disponibilizar as atividades do seu centro, integrar-se em
grupo de estudo e de discussão, ouvir palestras edificantes e até conversar
face a face através do computador com pessoas que precisam ser reconfortadas.
O pessimista e crítico
contumaz lembra da exclusão digital, o que é uma realidade, mas e no futuro?
Cremos que no porvir ter internet em casa será tão comum quanto ter uma
geladeira, uma televisão ou mesmo um telefone.
Existem inúmeros grupos de
estudo e discussões sobre temas espíritas na Internet com um conteúdo
magnífico. Não há dúvida que este é um excelente caminho, especialmente pelo
fato de atingir lugares, e até outros países, onde o Espiritismo ainda é quase
desconhecido. Cremos que os espíritas precisam se acostumar com isto, porque a
próxima geração dominará esta linguagem e, se nós soubermos usá-la, temos um
grande auxiliar do nosso trabalho, tanto para troca de idéias e textos como
para pesquisa.
É importante lembrar que o
Espiritismo é uma doutrina aberta aos avanços científicos, portanto, as
transformações sociais, as mudanças no panorama dos conhecimentos gerais do
homem não as podem estagnar, não as podem fechar-se em um pétreo corpo ortodoxo.
A rigor a Internet é um foro de discussão, de ligação entre todos que se
dedicam ao estudo da doutrina, a pesquisa de suas novas fronteiras e a
aplicação dos conhecimentos já firmados. “A
Internet elimina as barreiras físicas e estabelece a ligação que permite que as
notícias corram rapidamente o mundo, que novas idéias sejam apresentadas e
debatidas, que exemplos sejam conhecidos e seguidos, que resultados sejam
checados e validados. Nela estamos todos próximos, todos em condição de
conhecer o que se passa nos vários cantos deste nosso
mundo.”[5]
Óbvio que nessa nova
tecnologia de informação se corre o perigo de qualquer pessoa falar em nome do
Espiritismo, deturpando os seus conceitos, contudo problemas surgem em qualquer
veículo de difusão doutrinária. Por mais que "instituíssemos"
mecanismos de proteção, sempre haveria possibilidades de os ultrapassar. “Com o tempo as pessoas vão saber distinguir
o joio do trigo. Não devemos ter medo da Internet, como a Inquisição teve medo
dos livros. Tal como Kardec devemos aprender a enfrentar as investidas, sempre
com a intenção de procurar a verdade e de esclarecer.”[6]
Precisamos confiar na força
da mensagem virtual como meio poderoso de divulgação espírita. Cremos que em
poucos anos a Internet vai ser a maior via de intercâmbio do movimento espírita. Por isso ,Kardec já mencionava que “dois elementos hão de concorrer para o
progresso do Espiritismo: o estabelecimento teórico da Doutrina e os meios de a popularizar.”[7]
(grifamos)
“Desde a popularização do rádio - inventado por Marconi, em 1895 e
disseminado em grande parte do mundo até as décadas de 30 e 40 -, da TV - por
John Baird, 1925, e disseminada no Brasil a partir dos anos 50 e da Internet, a
partir da década de 90 – com a criação dos sistemas de rede (web)- creditada a
Tim Berners Lee-, o nível de informação das pessoas aumentou consideravelmente.
Mesmo aqueles considerados ignorantes na sociedade atual detêm um volume de
informação muito maior que há algumas décadas.”[8]
Em termos espíritas, isso pode proporcionar um aprofundamento sobre a Doutrina
por parte daqueles que já se dizem adeptos e também atrair outros que têm
alguma informação sobre o caráter conceitual do Espiritismo.
A Internet permitirá um
contato mais rico com a monumental obra espírita. Onde se é possível elaborar
cursos interativos, por exemplo, uma discussão da obra de André Luiz, apontando
links[9]
relevantes entre os deferentes textos, e com comentários feitos por autores
reconhecidos.
Os livros de referência
poderão ser disponibilizados em hipertexto[10],
em versões de fácil consulta. Relatos específicos deverão ser colecionados e
indexados para pesquisa rápida. Tudo isso poderá ser feito, de forma totalmente
voluntária e colaborativa, usando para isso não apenas os recursos técnicos da
rede, mas também a sua estrutura social, que foge de todos os parâmetros
tradicionais.
Vai ser através da Internet
que vão ser possíveis os estímulos de fraternidade entre as diversas
instituições espíritas em nível mundial. “E
é através da Internet que vai nascer um novo momento para o movimento, a
diretriz dada por Ismael: Se Paulo teve
que ir de cidade em cidade divulgar a boa nova, hoje a Providência dá-nos a
oportunidade de estarmos no conforto da nossa casa e espalhar a boa nova aos
quatro cantos do planeta.” [11]
Nosso irmão Divaldo expõe
sua emoção ante a Internet quando diz: "comovo-me diante deste excelente recurso que
diminui distância, ainda mais por sentir participando deste nosso convívio
alguns benfeitores espirituais que estão a todos nos envolvendo em ondas de paz
e vibrações de saúde, entre os quais os Espíritos Eurípedes Barsanulfo, Cairbar
Schutel, Joanna de Ângelis e Vinícius, igualmente felizes, abençoando a
tecnologia e a informática utilizadas para o bem”[12]
É importante ressaltar o
problema da credibilidade que poderá ser resolvido e atacado de inúmeras
formas, seja através da tecnologia, seja através da divulgação. Mas também é
imperioso refletir que: a ausência de informações claras da Doutrina Espírita
na Internet, abre sem dúvida, espaço para que outros tipos de
informação enganosas sejam espalhados pela rede. Este é um risco muito
maior do que qualquer outro que possa ser assumido através da livre publicação
do material espírita. Nesse tópico ressalte-se que é tecnicamente possível
disponibilizar toda literatura espírita em meios eletrônicos.
Diante disso, como garantir
que o material postado seja legítimo? Como evitar que surjam cópias falsas, ou
apenas mal editadas, por aí? Ambas as questões são importantes e relevantes,
para que possamos entender como aplicar a Internet corretamente ao ambiente
espírita. Neste caso, a vigília equilibrada é fundamental, para atingir uma abordagem balanceada, que possa explorar plenamente a
tecnologia que temos disponível, e concomitantemente se proteja os
objetivos maiores do trabalho que está sendo desenvolvido em nome da Terceira
Revelação.
FONTES DE REFERÊNCIA:
[1] Kardec ,Allan. Obras Póstumas-Projeto 1868, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001
[2] Xavier, Francisco Cândido. Estude e Viva, Ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. 40.
[3] Pierre Lévy – As tecnologias da Inteligência - O futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 2004.
[4] Artigo de Sérgio e Carlos Alberto Iglesia Bernardo. “Sobre o Espiritismo e a Internet”, publicado no Boletim GEAE Número 280 de 17 de Fevereiro de 1998.
[5] Artigo de Carlos Alberto Iglesia Bernardo. Espiritismo e a internet, publicado no Boletim GEAE Número 282 de 3 de março de 1998.
[6] Entrevista de Sérgio Freitas. Internet: O Centro Espírita Virtual, publicado na Revista de Espiritismo nº. 33 Outubro/Dezembro 1996. (Sérgio Freitas, licenciado em Engenharia Informática pela Universidade Federal de Uberlândia, é Mestre em Ciência da Computadorização pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Porto Alegre). É colaborador do Centro Espírita Perdão e Caridade, de Lisboa).
[7] Kardec, Allan. Obras Póstumas-Projeto 1868, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.
[8] Ana Paula da Silva O Espiritismo frente ao Homem da “Sociedade da Informação” Palestra apresentada no Instituto de Cultura Espírita de Piracicaba (ICEP) em 23/10/03Jornalista; mestranda em Jornalismo na ECA/USP.
[9] LINK: significa um acesso eletrônico, seja por meio de imagens ou palavras, que permite a conexão a outras telas de um mesmo Site.
[10] Poderíamos adotar como noção de hipertexto assim, o conjunto de informações textuais, podendo estar combinadas com imagens (animadas ou fixas) e sons, organizadas de forma a permitir uma leitura (ou navegação) não linear, baseada em indexações e associações de idéias e conceitos, sob a forma de links. Os links agem como portas virtuais que abrem caminhos para outras informações.
[11] Cf. Sérgio Freitas publicado na Revista de Espiritismo nº. 33 Outubro/Dezembro 1996
[12] Divaldo Pereira Franco, em palestra virtual realizada dia 17/03/2000
[Ir para a página inicial - se estiver DENTRO DO SITE]
[Ir para a página inicial - se estiver FORA DO SITE]