Os centros espíritas  são “ilhas” porque suas práticas não se adaptam ao continente kardeciano

(03/06/2006)

 

Sabemos que a Doutrina Espírita é pura e incorruptível, porém  o movimento espírita, a organização dos homens para praticá-la e divulgá-la é suscetível dos graves prejuízos que dificultaram a ação do cristianismo oficial. Isso se observa nas muitas diretorias das casas espíritas que se mantêm sob uma incômoda e rígida hierarquia (aquela do aqui mando e quero ser obedecido) . Dirigentes encharcados de prepotências pelo cargo e vazios de consciência sobre os lídimos encargos . Destarte, permanecem infinitamente longe da  prática evangélica, inventando um “Espiritismo” estranho ao projeto de Kardec.

Como não se pode imaginar o espírita com duas condutas divergentes: a conduta do homem e a conduta do espírita, também não se pode imaginar o movimento espírita ora acontecendo segundo os preceitos espíritas, ora segundo outro preceitos duvidosos, aceitos equivocadamente no seu contexto em nome da tolerância piegas.

Kardec é único. Espiritismo também, por conseguinte. Allan Kardec sempre preconizou a unidade doutrinária. Não há o menor espaço para compor com outras idéias, que não sejam ou convergentes e em uníssono com as suas, ou reflexos luminíferos destas. Unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a fortaleza inexpugnável do Espiritismo. Por isso necessita ser  o nosso lema, o nosso norte, a nossa bandeira.

Muitas vezes os Centros Espíritas, viram ilhas de isolamento por falta de estudo sério, aprofundado e metodizado da Doutrina, donde surgem inúmeras interpretações equivocadas sobre os seus postulados, em prejuízo da verdade doutrinária. Se abraçamos o Espiritismo por rota de crescimento espiritual não podemos negar-lhe fidelidade. Porém é a lamentável falta de fidelidade aos conceitos e princípios do Espiritismo que são difundidos de forma truculenta por dirigentes ignorantes que têm isolado as casas espíritas, tornando-as ilhadas e  desérticas de consolação!...

O compromisso do Centro Espírita e dos dirigentes é com a Doutrina Espírita. A adoção de teorias e práticas exóticas, ou não afinadas com a simplicidade e pureza dos trabalhos espíritas, comprometem o objetivo da Casa Espírita e desorienta seus freqüentadores e assistidos. Quando citamos a palavra pureza os “vanguardistas de plantão” arregalam os olhos o coçam as orelhas exclamando: AH! Lá vem esse purista!! Mas cabe salientar que André Luiz em Conduta Espírita não deixa margem para dúvidas sobre isso, senão vejamos: "A PUREZA DA PRÁTICA DA DOUTRINA ESPÍRITA DEVE SER PRESERVADA A TODO CUSTO".[1]

Infelizmente, o despreparo e os atavismos de muitos indivíduos que colaboram de boa vontade nas fileiras espíritas fazem com que certas práticas pouco condizentes com a pureza doutrinária se implantem em diversas instituições, e acabem mesmo divulgadas em palestras, livros e periódicos ditos espíritas. Quem compreende essa situação deve trabalhar para modificá-la. Mas a via para isso é a do esclarecimento, do estudo, do convencimento pela razão e pelo amor, jamais pelos anátemas.

Para os mais apressados, a pureza doutrinária é a defesa intransigente dos postulados espíritas, sem maior observância das normas evangélicas; para os não menos afoitos, é a rígida igualdade de tipos de comportamentos, sem a devida consideração aos níveis diferenciados de evolução em que estagiam as pessoas. Sabemos que o excesso de rigor na defesa doutrinária pode levar a graves erros, se enredarmos pelas trilhas do fundamentalismo injustificável, posto que redundará em divisão inaceitável, em face dos impositivos da fraternidade. Mas se tivermos que nos equivocar que seja com atitudes e jamais por omissão. Nesse tópico veio-me à mente (como estranha moral) porém sublime advertência cristã:  “NÃO PENSEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA.” [2]

Os espíritas não somos proibidos de nada, mas sabemos que deveremos arcar com a responsabilidade por todos os atos, conscientes, de desequilíbrio que praticarmos. Que teremos que reconstruir o que destruirmos, respondermos pelo mal praticado e harmonizarmos o que desarmonizarmos, etc. Não podemos fingir que tudo está em ordem e harmônico às mil maravilhas , que somos sublimes cristãos.   Em verdade existem inúmeras práticas  não compatíveis com o projeto doutrinário que por isso urge sejam combatidas à exaustão por que nas pequenas concessões é que vamos desestruturando o edifício kardeciano e descaracterizando o projeto da Terceira Revelação. Por isso, é óbvio que estejamos atentos contra ideologias estranhas aos objetivos espíritas, em nome da mais legítima fraternidade, até porque:.QUEM AVISA AMIGO É!!!

O Espiritismo não aceita donos da verdade até porque a espiritualidade e Kardec ensinam que a Revelação Espírita é progressiva e não está completa em parte alguma. Mas nem precisamos fazer um esforço descomunal para cientificarmos que são raros os centros espíritas que podem se dar ao luxo de praticar a mediunidade na sua mais pura acepção. Muito melhor e mais prudente seria que os núcleos e grupos espíritas imaturos intensificassem as reuniões de leitura, meditação e comentários racionais para as conclusões seguras , fugindo de um inoportuno e prematuro intercâmbio com as forças do além. Até porque prática mediúnica sem uma robusta base cultural e moral será inevitavelmente uma  incursão permanente no mundo das sombras.

Observamos pesarosamente aqui na Capital do País exóticas práticas sem base de universalidade, ou seja só se pratica pelas plagas candangas. Por isso, insistimos e temos publicado no “meu site” o tema sobre centros espíritas  que propõem aplicações de luzes coloridas (cromoterapias) para higienizar auras humanas e curar (acreditem!!!): azia, cálculo renal, coceiras, dores de dente, gripes, soluços em crianças, verminose, frieiras Se não bastasse recomenda-se até carvãoterapia (?!) para neutralizar "maus-olhados" nesse sentido, segundo crêem é só colocar um pedaço de tora de carvão debaixo da cama e estaremos imunes do grande flagelo da humanidade - o "olho comprido".  Não satisfeitos ainda têm aqueles que engarrafam obsessores.

Difunde-se por aqui (DF) a coqueluche da moda: uma tal de desobsessão por  corrente mentoeletromagnética (sic), com as mais extravagantes proposições. Há as cansativas, piramidetarapias, gatoterapia (um conhecido meu tem pelo menos cinco gatos em casa) cristalterapias, apometrias e mais uma dezena de terapias bizarras isso sem esquecermos que na mística Brasília se aplica até passes magnéticos nas paredes dos centros para “descontaminá-las”. Há casa espírita por aqui que evoca “ET” para um contato(!?) Parece ficção de minha parte , porém não tenho capacidade para tanta imaginação.

E para entronizar-se essas práticas evoca-se personalidades importantes como Eurípedes Barsanulso. Existem também por aqui movimentos como Ubaldismo, Ramatismo, Ecletismo, Armondismo. É bom recordar que essas não são propostas espíritas, apenas espiritualistas, portanto, os seus  defensores seriam mais lógicos se excluíssem e alterassem o termo espírita dos seus estatutos. Isso é mais racional e mais honesto!!!

A explicação para esses absurdos  é a  ausência de estudo criterioso da doutrina que remete esses líderes ao abismo do personalismo e do melindre. Na fascinação esses dirigentes e médiuns perdem contato com o bom senso e se tornam intransigentes na defesa dos seus rituais particulares sempre distantes da fé raciocinada. Portanto, as confusões doutrinárias são lançadas pelos médiuns e dirigentes orgulhosos que divulgam idéias absurdas como se fossem princípios espíritas, e sempre aceitando revelações não comprovadas e nesses desajustes criam os seus “espiritismos” especiais com  grave prejuízo aos ditames doutrinários.

Conhecemos outras práticas estranhíssimas ao projeto espírita, a saber: dirigentes promovendo casamentos, crismas,batizados, velórios (tudo no salão de palestras) além das sempre “justificadas” rifas e tômbolas nos centros, festival da caridade, tribuna para a propaganda político-partidária, preces cantadas. Isso para não aprofundar nos inoportunos trabalhos de passes com bocejos, toques, ofegações, choques anímicos (?) , estalação dos dedos,  palmas,  diagnósticos pela “vidência: sobre doenças e obsessoes etc...Dias atrás entrei numa certa Federação Espírita (fora de Brasília) e observei vários cartazes convidando para cursos e palestras sobre a “kundaline” , a força da "mandala" etc....Ufa!!!!!!!

Para entendermos a mediunidade em seus conceitos básicos temos que separar o fenômeno em si da Doutrina Espírita e definirmos o aspecto fenomênico apenas por matéria de observação e Espiritismo como a luz que esclarece os fatos. Em todos os pontos da Terra existem manifestações medianímicas, elas não ocorrem somente nos núcleos espíritas. Por isso, na sua interpretação podemos assegurar que no atual estágio espírita os fenômenos não são prioritários a questão fenomênica é secundária, não mais constitui ponto de partida para o atual objetivo do Espiritismo na Terra..

Destarte, para evitarmos determinadas práticas perfeitamente dispensáveis em nome do Espiritismo, entendamos que prática de fidelidade aos preceitos kardecianos é processo de aprendizagem com responsabilidade nas bases da dignidade cristã, sem quaisquer laivos de fanatismo, tendente a impossibilitar discussão sadia em torno de questões controversas , porém não olvidemos que espírita-cristão deve ser o nosso caráter, ainda mesmo nos sintamos em reajuste, depois da queda.  Espírita-cristão deve ser a nossa conduta, ainda mesmo que estejamos em duras experiências. Espírita-cristão deve ser o nome do nosso nome, ainda mesmo respiremos em aflitivos combates conosco mesmo.  Espírita-cristão deve ser o claro adjetivo de nossa instituição, ainda mesmo que, por isso, nos faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres.

 

 

 

 

Jorge Hessen
E-Mail: jorgehessen@gmail.com

Site: http://meuwebsite.com.br/jorgehessen

 

 

 



[1] Xavier, Francisco Cândido. Conduta Espírita, ditada pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2005

[2] (Mateus, 10; 34 a 36)

 

 

 

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