Espírito de Verdade, quem seria ele?

“É o Espírito da Verdade, que o mundo... não o vê nem o conhece; mas vós o conhecereis... Voltarei a vós”. (Jesus, em João 14,17-18).

I – Introdução

A resposta a essa pergunta é um assunto ainda polêmico no meio Espírita. Para uns o Espírito de Verdade é Jesus; outros dizem que não, e completando há ainda os que não se preocupam nem um pouco com a sua identificação, é a turma do tanto faz. Embora esse assunto não seja objeto de grande destaque na mídia espírita, chama-nos a atenção ser ele objeto de tantas discussões, pois, a essa altura do campeonato - praticamente um século e meio de Doutrina -, nós, os Espíritas, já deveríamos ter plena certeza de quem, realmente, assinara nas obras da Codificação, usando este codinome.

Assim sendo, iremos trazer nossa contribuição, na condição de ser apenas um estudioso, para, quem sabe, se não resolver de uma vez por todas a questão, pelo menos indicar um caminho que nos leve a deduzir claramente quem seria o Espírito de Verdade.

Esclarecemos, logo de início, que não temos a pretensão de refutar nenhum artigo escrito sobre o assunto. E reafirmamos que queremos apenas contribuir para elucidar essa questão.

II – Seria uma comunidade de Espíritos?

Tendo em vista que muitos o consideram como sendo uma plêiade de Espíritos, é necessário, já de início, definirmos este ponto. Encontramos, na Revista Espírita, algumas comunicações nas quais nos fundamentaremos para responder a este quesito.

Perguntou-se ao Espírito Jobard:

Vedes os Espíritos que estão aqui convosco? - R. Eu vejo sobretudo Lázaro e Erasto; depois, mais distante, o Espírito de Verdade, planando no espaço; depois, uma multidão de Espíritos amigos que vos cercam, apressados e benevolentes. (Revista Espírita 1862, p. 75).

Ao Espírito Sanson, se fez a seguinte pergunta:

Não vedes outros Espíritos? - R. Perdão; o Espírito de Verdade, Santo Agostinho, Lamennais, Sonnet, São Paulo, Luís e outros amigos que evocais, estão sempre em vossas sessões. (Revista Espírita 1862, p. 175).

Numa comunicação de Lacordaire, lemos:

Era preciso, aliás, completar o que não havia podido dizer então, porque não teria sido compreendido. Foi porque uma multidão de Espíritos de todas as ordens, sob a direção do Espírito de Verdade, veio em todas as partes do mundo e em todos os povos, revelar as leis do mundo espiritual, das quais Jesus havia adiado o ensinamento, e lançar, pelo Espiritismo, os fundamentos da nova ordem social. Quando todas as bases lhe forem postas, então virá o Messias que deverá coroar o edifício e presidir à reorganização com a ajuda dos elementos que terão sido preparados. (Revista Espírita 1868, p. 47).

Pela informação desses três Espíritos, podemos concluir que não se trata de uma coletividade, mas que o Espírito de Verdade é, sem receio, uma individualidade. Mas sigamos em frente. Devemos, para dissipar as possíveis dúvidas, trazer o testemunho do próprio Kardec, que, analisando uma comunicação de um determinado espírito, assim a explicou:

O Espírito que ditou a comunicação acima é, pois, muito absoluto no que concerne a qualificação de santo, e não está na verdade dizendo que os Espíritos Superiores se dizem simplesmente Espíritos de verdade, qualificação que não seria senão um orgulho mascarado sob um outro nome, e que poderia induzir em erro se tomado ao pé da letra, porque ninguém pode se gabar de possuir a verdade absoluta, não mais do que a santidade absoluta. A qualificação de Espírito de Verdade não pertence senão a um e pode ser considerado como nome próprio; ela é especificada no Evangelho. De resto, esse Espírito se comunica raramente, e somente em circunstâncias especiais; deve-se manter em guarda contra aqueles que se apoderam indevidamente desse título: são fáceis de se reconhecer, pela prolixidade e pela vulgaridade de sua linguagem. (Revista Espírita 1866, p. 222).

Não restando, portanto, a nós mais dúvida quanto a não ser uma coletividade, uma vez que as informações nos apontam para identificá-lo como sendo mesmo uma individualidade. Inclusive, da recomendação de que “deve-se manter em guarda contra aqueles que se apoderam indevidamente desse título”, podemos perceber que se trata de algum Espírito de elevada hierarquia que não se manifestava de forma rotineira, e dele já se tinha uma idéia do estilo de linguagem longe da prolixidade e da vulgaridade.

Levando-se em conta que Kardec disse que a qualificação do Espírito de Verdade encontra-se especificada no Evangelho, seguiremos sua orientação, e, um pouco mais à frente, iremos ver o que lá poderemos encontrar sobre isso.

III – Seria o próprio Jesus o Consolador?

Vejamos esta passagem de João:

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja eternamente convosco, o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros. Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as cousas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”. (João 14,15-18 e 26).

Por ter dito que enviaria outro Consolador, devemos concluir, com Kardec, que o Consolador não é Jesus. Entretanto, a passagem bíblica dá a entender que ele é o Espírito de Verdade, fato que vem causando uma certa confusão para se identificar quem realmente ele seja, se apenas a tomarmos como referência. Kardec é quem vai nos esclarecer isso, pois, para ele, são duas coisas distintas.

Em A Gênese, cap. XVII, item 39, encontramos o seguinte:

Qual deverá ser esse Enviado? Dizendo: “Pedirei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador”, Jesus claramente indica que esse Consolador não seria ele, pois, do contrário, dissera: “Voltarei a completar o que vos tenho ensinado”. Não só tal não disse, como acrescentou: A fim de que fique eternamente convosco e ele estará em vós. Esta proposição não poderia referir-se a uma individualidade encarnada, visto que não poderia ficar eternamente conosco, nem, ainda menos, estar em nós; compreendemo-la, porém, muito bem com referência a uma doutrina, a qual, com efeito, quando a tenhamos assimilado, poderá estar eternamente em nós. O Consolador é, pois, segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora, cujo inspirador há de ser o Espírito de Verdade. (KARDEC, A Gênese, FEB, 2007, p. 441).

Assim, Kardec, reafirmando o que ele já havia dito alhures, relaciona o Consolador a uma doutrina soberanamente consoladora, qual seja, o Espiritismo, cujo inspirador foi o Espírito de Verdade. Portanto, fica claro, para nós, que Kardec separa uma coisa da outra, o que nos leva a concluir que o Espírito de Verdade não é o Consolador, o qual foi identificado por ele mesmo como sendo o Espiritismo. O que fica ainda mais nítido com estas duas outras falas dele:

Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, item 4, p. 135).

... reconhece-se que o Espiritismo realiza todas as promessas do Cristo a respeito do Consolador anunciado. Ora, como é o Espírito de Verdade quem preside ao grande movimento da regeneração, a promessa do seu advento se encontra realizada, porque, de fato, é ele o verdadeiro Consolador. (A Gênese, item 42, IDE, p. 31).

Caracteriza, portanto, o Espiritismo como sendo o Consolador prometido, ao qual lhe atribui a realização da promessa de Jesus do seu envio, o que mostra claramente a separação que fazia entre Espírito de Verdade e o Consolador.

Nessa última fala, ao dizer no final que “é ele o verdadeiro Consolador”, o “é ele” a que Kardec aqui está se referindo é o Espiritismo e não o Espírito de Verdade; ressaltamos, para que não se venha confundi-los no entendimento desse texto. Para confirmar esse nosso entendimento, vejamos esta outra fala de Kardec, contida em O Evangelho Segundo o Espiritismo (p. 134): “O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade”. Comparando essa fala com a que acima é dita “a promessa do seu advento se encontra realizada, porque, pelo fato, é ele o verdadeiro Consolador”, percebemos que nessa última frase o “seu advento” está se referindo ao Espiritismo, o que pode ser conferido com o que foi colocado na primeira frase. Assim, s.m.j., o “é ele” se relaciona à expressão “seu advento”, o que, por conseguinte, nos remete ao Espiritismo.

Podemos observar que, nessa passagem bíblica mencionada, Jesus diz “voltarei para vós”, profecia que se realizou quando da implantação do Espiritismo, isso ficará claro quando conseguirmos identificar quem usou o nome de Espírito de Verdade.

IV – Quando ele aparece pela primeira vez?

No dia 24 de março de 1856, Kardec estava, em seu escritório, escrevendo um texto sobre os Espíritos e suas manifestações, quando, por várias vezes, ouviu repetidas batidas, cuja causa não logrou sucesso em encontrar. No dia seguinte, ou seja, 25 de março, era dia de sessão na casa do Sr. Baudin. Lá, Kardec interroga ao Espírito Z (Zéfiro) sobre a origem das batidas. Acontecimento que consta do livro Obras Póstumas (p. 304-306), da seguinte forma:

Pergunta - Ouvistes, sem dúvida, o relato que acabo de fazer; poderíeis dizer-me qual a causa daquelas pancadas que se fizeram ouvir com tanta persistência?

Resposta - Era teu Espírito Familiar.

P. - Com que fim foi ele bater daquele modo?

R. - Queria comunicar-se contigo.

P. - Poderíeis dizer-me quem é ele?

R. - Podes perguntar-lhe a ele mesmo, pois que está aqui.

P. - Meu Espírito familiar, quem quer que tu sejas, agradeço-te o me teres vindo visitar. Consentirás em dizer-me quem és?

R. - Para ti, chamar-me-ei A Verdade e todos os meses, aqui, durante um quarto de hora, estarei à tua disposição.

Antes da última pergunta, Kardec colocou a seguinte nota:

Nessa época, ainda se não fazia distinção nenhuma entre as diversas categorias de Espíritos simpáticos. Dava-se-lhes a todos a denominação de Espíritos familiares.

Indagando sobre o porquê das batidas, teve como resposta que havia um erro no que estava, naquela ocasião, escrevendo, fato que depois se confirmou.

Voltando às perguntas, continua Kardec:

P. - O nome Verdade, que adotaste, constitui uma alusão à verdade que eu procuro?

R. - Talvez; pelo menos, é um guia que te protegerá e ajudará.

P. - Poderei evocar-te em minha casa?

R. - Sim, para te assistir pelo pensamento; mas, para respostas escritas em tua casa, só daqui a muito tempo poderás obtê-las.

P. - Terás animado na Terra alguma personagem conhecida?

R. - Já te disse que, para ti, sou a Verdade; isto, para ti, quer dizer discrição: nada mais saberás a respeito.

Em nota acrescida às respostas obtidas do Espírito de Verdade, realizada na casa do Sr. Baudin, a 09 de abril de 1856, Kardec, nos informa (p. 307):

A proteção desse Espírito, cuja superioridade eu então estava longe de imaginar, jamais, de fato, me faltou. A sua solicitude e a dos bons Espíritos que agiam sob suas ordens, se manifestou em todas as circunstâncias de minha vida, quer a me remover dificuldades materiais, quer a me facilitar a execução dos meus trabalhos, quer, enfim, a me preservar dos efeitos da malignidade dos meus antagonistas, que foram sempre reduzidos à impotência. (...).

Isso nos deixa bem claro que Kardec ficou sabendo quem era o Espírito de Verdade, visto ele confessar que estava longe de supor a sua superioridade, o que nos leva a concluir que deveria ser alguém de extraordinário valor, pois, se não fosse um Espírito de elevada categoria, teria dito o seu nome sem maiores reservas. Por outro lado, foi um Espírito que esteve encarnado entre nós, ou seja, que era conhecido; caso contrário não se poderia supor a sua elevada evolução.

Algumas objeções têm-se feito quanto a essa superioridade, quando relacionada ao Espírito de Verdade, tendo em vista, principalmente, dois pontos: que dar pancadas não seria coisa que um Espírito superior faria, pois estaria se rebaixando, caso o fizesse; e também por ter sido tratado de Espírito familiar.

Para o primeiro ponto podemos encontrar uma explicação do próprio Kardec, em O Livro dos Médiuns, segunda parte - Cap. XI, item 145 (p. 198-199):

Resta-nos destruir um erro assaz espalhado: o de confundirem-se com os Espíritos batedores todos os Espíritos que se comunicam por meio de pancadas. A tiptologia constitui um meio de comunicação como qualquer outro, e que não é, mais do que o da escrita, ou da palavra, indigno dos Espíritos elevados. Todos os Espíritos, bons ou maus, podem servir-se dele, como dos diversos outros existentes. O que caracteriza os Espíritos superiores é a elevação das idéias e não o instrumento de que se utilizem para exprimi-las. Sem dúvida, eles preferem os meios mais cômodos e, sobretudo, mais rápidos; mas, na falta de lápis e de papel, não escrupulizarão de valer-se da vulgar mesa falante e a prova disso é que, por esse meio, se obtém os mais sublimes ditados. (...)

Assim, pois, nem todos os Espíritos que se manifestam por pancadas são batedores. Este qualificativo deve ser reservado para os que, poderíamos chamar de batedores de profissão e que, por este meio, se deleitam em pregar partidas, para divertimentos de umas tantas pessoas, em aborrecer com as suas importunações... Acrescentemos que, além de agirem quase sempre por conta própria, também são amiúde instrumentos de que lançam mão os Espíritos superiores, quando querem produzir efeitos materiais.

Portanto, o que importa não é o meio pelo qual uma mensagem foi dada, mas tão-somente o seu conteúdo. Agora, quanto ao segundo ponto, ou seja, de ter sido identificado como um Espírito familiar, temos também a explicação de Kardec de que, na época, não se fazia nenhuma distinção entre as diversas categorias de Espíritos simpáticos. Eram todos genericamente chamados de Espíritos familiares, conforme já mencionamos anteriormente.

Assim, o Espírito de Verdade se apresentou a Kardec e, por motivo de discrição, não disse absolutamente nada sobre si mesmo. Aliás, “muita discrição” é também uma atitude que Ele recomendou ao Codificador (Obras Póstumas, 2006, p. 313).

É importante observar que isso aconteceu antes do lançamento de O Livro dos Espíritos; porém, se Kardec tivesse dito quem realmente Ele era e divulgado tal coisa, será que, hoje em dia, estaríamos falando sobre o Espiritismo? Considerando que ainda não estamos nos fins dos tempos, época em que, segundo crêem alguns, deverá acontecer a parusia, alguém aceitaria, sem maiores reservas, que seria verdadeira a sua identidade, ou acreditaria na revelação desse Espírito? Feito isso, teria o Espiritismo sobrevivido? Sua sobrevivência se deve ao fato de que, no princípio, Kardec sempre procurou ressaltar o aspecto científico da Doutrina. E isso não foi, porque quis, mas, certamente, por atender orientação do Espírito de Verdade. De certa forma, foi essa a opinião de Herculano Pires, que nos disse: “Kardec teve de agir com prudência na divulgação do Espiritismo, para que a reação violenta e fanática das religiões não asfixiasse no berço a nova mundividência que nascia das pesquisas mediúnicas” (PIRES, 1990, p. 13).

Em 9 de agosto de 1863, Kardec, prestes a lançar o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, fica sabendo o real objetivo do Espiritismo:

Aproxima-se a hora em que te será necessário apresentar o Espiritismo qual ele é, mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Aproxima-se a hora em que, à face do céu e da Terra, terás de proclamar que o Espiritismo é a única tradição verdadeiramente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana. (Obras Póstumas, p. 340).

Se o Espiritismo é a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo, não há como não aceitá-lo como uma religião, que, segundo o acima colocado, foi para o que veio.

Poucos dias depois, a 14 de setembro de 1863, Kardec recebe mais uma mensagem, da qual ressaltamos o seguinte trecho:

(...) Nossa ação, sobretudo a do Espírito de Verdade, é constante ao teu derredor e tal que não a podes negar. (...) Com esta obra, o edifício começa a se livrar dos seus andaimes e já se lhe pode a cúpula a desenhar-se no horizonte. (Obras Póstumas, p. 341).

Fica demonstrada de forma explícita a ação do Espírito de Verdade sobre Kardec, que também O reconhecia como seu guia espiritual, fato que podemos confirmar em seus escritos publicados na Revista Espírita 1861 (p. 356):

Sim, senhores, este fato é não só característico, mas é providencial. Eis, a este respeito, o que me dizia ainda ontem, antes da sessão, o meu guia espiritual: o Espírito de Verdade.

Estranham algumas pessoas essa afirmativa de Kardec de que o Espírito de Verdade era seu guia espiritual. E aqui temos mais um bom motivo para que ele não se identificasse claramente como sendo Jesus, porquanto iriam ridicularizar tanto o Espiritismo quanto a ele, que, na melhor das hipóteses, seria taxado de mais um louco, entre milhares, que se dizem em contato com Jesus. Entretanto, a darmos crédito ao que Emmanuel afirma sobre o Codificador, essa possibilidade é bem real. Vejamos:

Um dos mais lúcidos discípulos do Cristo baixa ao planeta, compenetrado de sua missão consoladora, e, dois meses antes de Napoleão Bonaparte sagrar-se imperador, obrigando o Papa Pio VII a coroá-lo na igreja de Notre Dame, em Paris, nascia Allan Kardec, aos 3 de outubro de 1804, com a sagrada missão de abrir caminho ao Espiritismo, a grande voz do Consolador prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus Cristo. (XAVIER, 1987, p. 194).

Emmanuel não deixa por menos, qualificando Kardec como “um dos mais lúcidos discípulos do Cristo”, fato que o coloca à altura da nobre missão que recebeu para trazer ao mundo a nova revelação, presidida pelo próprio Cristo.

Particularmente, acreditamos que esta condição de guia se relaciona ao período em que Kardec assumiu a missão de codificar a Doutrina Espírita, seguindo as orientações dos Espíritos Superiores, ou seja, um guia específico, que o ajudaria a cumprir essa missão. Ficamos curioso para saber quem teria sido Kardec, numa reencarnação passada, para que o Espírito de Verdade o chamasse de meu apóstolo (KARDEC, 1990, p. 137).

Se, porventura, Kardec houver mesmo sido o reformador checo Jan Huss, em nova roupagem (INCONTRI, 2004, p. 22-24) ou talvez, quem sabe, o ressurgimento do antigo precursor, João Batista (ALEIXO, 2001, p. 40-41), teremos que nele ver, em qualquer das hipóteses, um missionário cujas reencarnações estariam relacionadas à missão de anunciar e/ou restabelecer a revelação divina aos homens.

Em janeiro de 1862, Kardec publica na Revista Espírita um artigo intitulado “Ensaio sobre a interpretação da doutrina dos anjos decaídos”, sobre o qual houve várias mensagens dos espíritos. Dentre elas, destacamos uma recebida em Haia (Holanda), cujo teor é:

Sobre este artigo não tenho senão poucas palavras a dizer, senão que é sublime de verdade; nada há a acrescentar, nada a suprimir; bem felizes aqueles que unirem fé a essas belas palavras, aqueles que aceitarão esta Doutrina escrita por Kardec. Kardec é o homem eleito por Deus para instrução do homem desde o presente; são palavras inspiradas pelos Espíritos do bem, Espíritos muito superiores. Acrescentai-lhe fé; lede, estudai toda esta Doutrina: é um conselho que vos dou. (Revista Espírita 1862, p. 115).

Aqui temos a informação de que Kardec foi “o homem eleito por Deus para instrução do homem”, e além disso, a da afirmação “para te assistir pelo pensamento”, podemos deduzir que o codificador era um médium de intuição, fato que poderemos também corroborar com suas próprias palavras:

Sem ter nenhuma das qualidades exteriores da mediunidade efetiva, não contestamos em sermos assistidos em nossos trabalhos pelos Espíritos, porque temos deles provas muito evidentes para disto duvidar, o que devemos, sem dúvida, à nossa boa vontade, e o que é dado a cada um de merecer. Além das idéias que reconhecemos nos serem sugeridas, é notável que os assuntos de estudo e observação, em uma palavra, tudo o que pode ser útil à realização da obra, nos chega sempre a propósito, - em outros tempos eu teria dito: como por encantamento -, de sorte que os materiais e os documentos do trabalho jamais nos fazem falta. Se temos que tratar de um assunto, estamos certos de que, sem pedi-lo, os elementos necessários à sua elaboração nos são fornecidos, e isto por meios que nada têm senão de muito natural, mas que são, sem dúvida, provocados por colaboradores invisíveis, como tantas coisas que o mundo atribui ao acaso. (Revista Espírita 1867, p. 274). (grifo nosso)

Um pouco mais à frente, em agosto de 1863, numa mensagem a respeito da publicação da Imitação do Evangelho, entre outras coisas, foi dito a Kardec:

... Ao te escolherem, os Espíritos conheciam a solidez das tuas convicções e sabiam que a tua fé, qual muro de aço, resistiria a todos os ataques.

Entretanto, amigo, se a tua coragem ainda não desfaleceu sob a tarefa tão pesada que aceitaste, fica sabendo bem que foste feliz até ao presente, mas que é chegada a hora das dificuldades. Sim, caro Mestre, prepara-se a grande batalha; o fanatismo e a intolerância, exacerbados pelo bom êxito da tua propaganda, vão atacar-te e aos teus com armas envenenadas. Prepara-te para a luta. Tenho, porém, fé em ti, como tens fé em nós, e sei que a tua fé é das que transportam montanhas e fazem caminhar por sobre as águas. Coragem, pois, e que a tua obra se complete. Conta conosco e conta, sobretudo, com a grande alma do Mestre de todos, que te protege de modo tão particular. (Obras Póstumas, p. 340-341).

Nesta mensagem confirma-se que Kardec recebia uma proteção “de modo tão particular” de Jesus, designado como “Mestre de todos”, o que vem corroborar tudo quanto estamos citando a seu respeito em relação a ele ser uma pessoa especial, que o qualificava para a missão de trazer ao mundo a terceira revelação divina.

Além disso, podemos ainda citar do Espírito de Verdade: “As grandes missões só aos homens de escol são confiadas e Deus mesmo os coloca, sem que eles o procurem, no meio e na posição em que possam prestar concurso eficaz” (O Livro dos Médiuns, FEB, 2007, p. 488), o que nos permite, objetivamente, qualificar Kardec como um homem de escol.

Mas estaríamos, segundo alguns poderão supor, diante de uma outra dificuldade, qual seja: Jesus poderia se manifestar? Não vemos nenhum problema nisso, desde que não o mantenhamos no pedestal em que foi colocado, quando o transformaram num Deus, retirando-lhe a sua condição humana, da qual nunca negou ser. É certo, pois nós, os espíritas, disso não duvidamos, que Ele é realmente um Espírito puro, e nessa condição, segundo a classificação dos Espíritos feita por Kardec, Jesus pode perfeitamente se comunicar, o que pode ser corroborado pelo fato acontecido na estrada de Damasco, quando Ele aparece a Paulo de Tarso (At 9,5), questionando-lhe sobre a sua perseguição.

Quanto à natureza de Cristo, Kardec, até o mês de setembro de 1867, não quis entrar em detalhes, argumentando:

... uma solução prematura, qualquer que ela seja, encontraria muita oposição de parte a parte, e afastaria do Espiritismo mais partidários do que ela lhe daria; eis por que a prudência nos faz o dever nos abstermos de toda polêmica sobre esse assunto, até que estejamos seguros de poder colocar o pé sobre um terreno sólido. (Revista Espírita 1867, p. 272).

E dentro desta mesma prudência é que vemos o porquê de Kardec não ter dito claramente também que Jesus era o Espírito de Verdade.

Considerando que, para Deus, “mil anos são como um dia” (2Pe 3,8), então podemos dizer que “o nosso guia e modelo” esteve encarnado aqui entre nós há apenas dois dias, situação essa que julgamos muito mais complicada do que Jesus se manifestar a um ser humano.

V – A quem esse nome poderia qualificar?

Mas, afinal, a quem poderíamos qualificar com o codinome a Verdade? De onde podemos tirar algo para relacionar com ele? Se o Espiritismo, conforme sustentam os Espíritos superiores, é o Cristianismo redivivo, só podemos encontrar alguma coisa no Evangelho, o que, convém lembrar, também foi sugestão de Kardec para que, assim, procedêssemos.

Fizemos uma pesquisa, na qual procuramos eliminar as passagens comuns entre os evangelistas e, como resultado, encontramos Jesus empregando, por sessenta vezes, a expressão “Em verdade vos digo”, quantidade que reportamos bem significativa.

Podemos enumerar mais duas outras passagens para demonstrar a importância que Ele dava à palavra verdade. Primeira: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (João 14,6). No desdobramento da parte inicial desse versículo, teremos os três epítetos a que Jesus se atribui: “Eu sou o Caminho. Eu sou a Verdade. Eu sou a Vida”. Será que por aqui já não daria para identificarmos quem poderia se denominar a Verdade? Segunda: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8,32) que, se a colocássemos dessa forma: “E conhecereis a Jesus, e Jesus vos libertará”, ficaria plenamente inteligível e, além disso, poderia perfeitamente ser aplicada.

Essas passagens nos levam a concluir também que Jesus é, de fato, o Espírito de Verdade, pois estariam nelas as razões de ter usado o nome: a Verdade.

E colocamos a seguinte pergunta: Algum Espírito superior teria a insensatez ou vaidade de usar o codinome a Verdade, sabendo que poderíamos relacioná-lo a Jesus? Impossível, pois a elevação que tais Espíritos atingiram não lhes permitiria dizer coisas dúbias que induziriam as pessoas a pensar coisas equivocadas, principalmente em se tratando de levar alguém a confundi-los com Jesus.

VI – O que os Espíritos disseram?

Na Revista Espírita 1861 (p. 169), destacamos um trecho da carta do Sr. Roustaing, de Bordeaux, a Kardec:

Agradeço com alegria e humildade esses divinos mensageiros por terem vindo nos ensinar que o Cristo está em missão sobre a Terra, para a propagação e o sucesso do Espiritismo, essa terceira explosão da bondade divina, para cumprir esta palavra final do Evangelho: ‘Unum ovile et unus pastor’, por terem vindo nos dizer: ‘Não temais nada! O Cristo (chamado por eles Espírito de Verdade), a Verdade é o primeiro e o mais santo missionário das idéias espíritas’. Estas palavras me tocaram vivamente, e me perguntava: ‘Mas onde está, pois, o Cristo em Missão na Terra?’ A Verdade comanda, segundo a expressão do Espírito de Marius, bispo das primeiras idades da Igreja, essa falange de Espíritos enviados por Deus em missão sobre a Terra, para a propagação e o sucesso do Espiritismo.

Assim, Roustaing diz a Kardec que os Espíritos com os quais ele tinha relação diziam ser o Cristo aquele a quem chamavam de o Espírito de Verdade. Julgamos importante essa informação por ela ter vindo de fora do círculo ao qual o Codificador estava vinculado.

Vejamos agora algumas comunicações de Espíritos relacionados à Codificação Espírita:

Em 20 de janeiro de 1860, de Chateaubriand:

Sois guiados pelo verdadeiro Gênio do Cristianismo, eu vos disse; é porque o próprio Cristo preside aos trabalhos de toda natureza que estão em vias de cumprimento para abrir a era de renovação e de aperfeiçoamento que vos predizem os vossos guias espirituais. (...) (Revista Espírita 1860, p. 62).

Em 19 de setembro de 1861, de Erasto aos Espíritas lionenses:

Não poderíeis crer o quanto nos é doce e agradável presidir ao vosso banquete, onde o rico e o artesão se acotovelam bebendo fraternalmente; onde o judeu, o católico e o protestante podem se sentar na mesma comunhão pascal. Não poderíeis crer o quanto estou orgulhoso em distribuir, a todos e a cada um, os elogios e os encorajamentos que o Espírito de Verdade, nosso mestre bem-amado, me ordenou conceder às vossas piedosas coortes (...). (Revista Espírita 1861, p. 305).

Em 14 de outubro de 1861, Kardec lê a mensagem de Erasto aos Espíritas de Bordeaux:

Sei o quanto vossa fé em Deus é profunda, e quão fervorosos adeptos sois da nova revelação; é por isso que vos digo, em toda a efusão de minha ternura por vós, estaria desolado, estaríamos todos desolados, nós que somos, sob a direção do Espírito de Verdade, os iniciadores do Espiritismo na França, se a concórdia das quais destes, até este dia, provas brilhantes viessem a desaparecer de vosso meio. (...) Devo vos fazer ouvir uma voz tanto mais severa, meus bem-amados, quanto o Espírito de Verdade, mestre de nós todos, espera mais de vós. (Revista Espírita 1861, p. 348/350).

Em 21 de novembro de 1862, de Antoine (Espírito que foi o pai de Kardec):

Aquele, diz-se, que tiver resistido a essas tristes tentações, pode não esperar a mudança dos decretos de Deus, os quais são imutáveis, mas contar com a benevolência sincera e afetuosa do Espírito de Verdade, o Filho de Deus, o qual saberá, de maneira incomparável, inundar sua alma da felicidade de compreender o Espírito de justiça perfeita e de bondade infinita, e, por conseqüência, salvaguardá-lo de toda nova armadilha semelhante. (Revista Espírita 1862, p. 343).

Em 17 de setembro de 1863, de São José:

Compreendei bem que quanto mais conduzirdes os homens a vos imitar, mais o conjunto de vossas preces terá poder. Tomai os homens pela mão, e conduzi-os no verdadeiro caminho onde engrossarão a vossa falange. Pregai a boa doutrina, a doutrina de Jesus, a que o próprio Divino Mestre ensina em suas comunicações, que não fazem senão repetir e confirmar a doutrina dos Evangelhos. Aqueles que viverem verão coisas admiráveis, eu vo-lo digo. (Revista Espírita 1863, p. 365-366).

Em Paris, 1863, de Erasto:

Eis, meus filhos, a verdadeira lei do Espiritismo, a verdadeira conquista de um futuro próximo. Caminhai, pois, em vosso caminho, imperturbavelmente, sem vos preocupar com as zombarias de uns e amor-próprio ferido de outros. Estamos e ficaremos convosco, sob a égide do Espírito de Verdade, meu senhor e o vosso. (Revista Espírita 1868, p. 51).

Ressaltamos as expressões: “nosso Mestre bem-amado”, “Mestre de nós todos”, “o Filho de Deus”, “Divino Mestre” e “Meu senhor e o vosso”; a quem poderemos dar esses títulos? Isso mesmo; só existe um ser a quem podemos aplicá-los, que não é outro senão o próprio Jesus. Isso fica claro se compararmos a expressão “nosso Mestre bem-amado”, usada por Erasto para designar o Espírito de Verdade, com uma outra, que consta de sua mensagem recebida em abril de 1862, na qual ele atribui essa mesma expressão a Cristo (Revista Espirita 1862, p. 111). Poderemos, ainda, para reforçar, usar da fala de São José que disse taxativamente que “o próprio Divino Mestre ensina em suas comunicações”, o que, também, nos dá certeza de que Ele se manifestava, acabando com as dúvidas sobre essa possibilidade.

Merecem atenção especial as que são citadas por Erasto, pois sabendo da sua efetiva participação nas obras da codificação com várias orientações e instruções, como se poderão ver em O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Médiuns e na Revista Espírita, deveríamos levar em conta o que ele nos informa. Esse Espírito, citado pelo codificador como “sábio” (KARDEC, O Livro dos Médiuns, FEB, 2007, p. 129), “cujas comunicações todas trazem o cunho incontestável de profundeza e lógica (KARDEC, O Livro dos Médiuns, FEB, 2007, p. 124), era considerado por Kardec, em relação a outros espíritos, como sendo “muito mais instruído do ponto de vista teórico” (KARDEC, O Livro dos Médiuns, FEB, 2007, p. 129). Assim, não há o que se discutir sobre o que ele aqui fala a respeito do Espírito de Verdade, pois se o que ele diz não serve neste ponto, também não servirá nos outros.

Em janeiro de 1864, junto à Sociedade Espírita de Paris, lemos nas instruções do Espírito Hahnemann:

... cada um procurará, pela melhoria de sua conduta, adquirir esse direito que o Espírito de Verdade, que dirige este globo, conferirá quando for merecido. (Revista Espírita 1864, p. 16).

A quem cabe a direção do nosso globo? Segundo nos informam os Espíritos, a Jesus; assim, via de conseqüência, não há como negar que é Ele o Espírito de Verdade.

Em 5 de janeiro de 1866, de Sonnez:

1866, possas tu, pelos anos a vir, ser essa estrela luminosa que conduziu os reis magos para a manjedoura de um humilde filho do povo; vinham prestar homenagem à encarnação que deveria representar, no sentido mais amplo, o Espírito de Verdade, essa luz benfazeja que transformou a humanidade. Por esta criança tudo foi compreendido! Foi bem ela que eternizou a graça da simplicidade, da caridade, da benevolência, do amor e da liberdade. (Revista Espírita 1867, p. 58).

Nessa comunicação a relação de Jesus como sendo o Espírito de Verdade é direta, sem meio termo, o que poderá, caso não haja preconceito ou cristalização de opinião, dissipar todas as possíveis dúvidas quanto a esse fato.

Em 30 de janeiro de 1866, de Inocente (em vida, arcebispo de Táurida):

[...] A Alemanha assiste, como em todos os tempos, à emigração de seus habitantes às centenas de milhares, o que não faz honra aos seus governos; o Papa, príncipe temporal, espalha o erro pelo mundo, em vez do Espírito de Verdade, de que ele se constituiu o emblema artificial. [...] (KARDEC, Obras Póstumas, FEB, 206, p. 346).

Considerando que o Papa é visto pelos líderes católicos como o “Vigário do Filho de Deus”, ou seja, de Jesus, a citação acima, em se referindo ao Espírito de Verdade, leva-nos à conclusão de que se fala da mesma personalidade.

Em 11 de março de 1867, numa mensagem sobre a regeneração da humanidade, cuja assinatura consta simplesmente Um Espírito:

... Coragem! O que foi predito pelo Cristo deve-se realizar. Nesses tempos de aspiração à verdade, a luz que ilumina todo homem vindo a este mundo, bilha de novo sobre vós; perseverai na luta, sede firmes e desconfiai das armadilhas que vos são estendidas; ficai ligados a esta bandeira onde vós haveis escrito: Fora da caridade não há salvação, e depois esperai, porque aquele que recebeu a missão de vos regenerar retorna, e ele disse: Bem-aventurados aqueles que conhecerem o meu novo nome! (Revista Espírita 1868, p. 96).

Fala-se claramente do retorno de Cristo, com a missão de regenerar os homens, agora com um novo nome, que, por tudo quanto está sendo colocado nessa pesquisa, só pode ser o Espírito de Verdade.

No Círculo Cristiano Espiritista de Lérida (Espanha), em meados de 1873, encontramos duas mensagens.

A primeira foi assinada por S. Paulo:

Ensinai aos que não têm fé as excelentes e doces verdades do Espiritismo que o bom Senhor vos concedeu por seus enviados, porque a Verdade se aproxima e é necessário que os enviados lhe preparem o caminho.

Em verdade vos digo: que o Cristo já recebeu a palavra de Deus – já desceu da região de luz – e está entre vós. (PELLÍCER, 1982, p. 121).

Dizendo que a Verdade se aproxima e depois afirmando que o Cristo está entre vós, a relação entre um e outro é evidente demais para não considerá-la.

A outra, por S. Luís Gonzaga:

Preparai-vos, não durmais; porque, em vossos dias, o Espírito da Verdade virá, com seus eleitos, operar a mais importante das renovações que a Humanidade jamais tem presenciado e admirado”. (PELLÍCER, 1982, p. 132).

Embora aqui a identidade do Espírito de Verdade não tenha sido revelada, não podemos deixar de relacioná-la a alguém a quem poderá aplicar-se a expressão “com seus eleitos”. Esse alguém, sem nenhuma impropriedade, não é outro senão o próprio Jesus.

E, mais recentemente, poderemos colocar do livro Missionários da Luz (p. 99) a explicação do espírito Alexandre a André Luiz:

- Mediunidade - prosseguiu ele, arrebatando-nos os corações - constitui meio de comunicação; e o próprio Jesus nos afirma: ‘eu sou a porta... se alguém entrar por mim será salvo e entrará, sairá e achará pastagens!’ Por que audácia incompreensível imaginais a realização sublime sem vos afeiçoardes ao Espírito de Ve