Fenômenos TCI Revivem “Hydesville”
Jorge Hessen/Brasília
Altivo Ferreira, diretor da FEB, informa que “A Transcomunicação Instrumental vem repetir,
nos tempos atuais, o que representou para o mundo a fenomenologia de
Hydesville, no estado de Nova York, nos idos de 1848, que culminaram com a
chegada do Consolador prometido pelo Cristo à Humanidade”.[1]
O tribuno Divaldo Franco remete-nos aos dias
gloriosos de Allan Kardec ao dizer “à época do Codificador, a Transcomunicação estava presente nas
primeiras mensagens através da mesa pé-de-galo, ou depois, na pequena cesta de
vime, ou de outros fenômenos, pela manifestação das mensagens fixadas em
ardósia, sem contato humano.”[2]
Realmente, o professor Hyppolyte-Léon-Denizart
Rivail em maio de 1855, tomou conhecimento de mesas que respondiam com
batidas a perguntas feitas aos "Espíritos". “O gênio de Lyon viu aí que havia um poder inteligente por trás desse
mini-poltergeist" (segundo o pesquisador Hernani Guimarães Andrade). O
método está muito aquém da técnica contemporânea, mas o princípio de conversar
com entidades sem a boca e os ouvidos do médium está todo aí.”[3]
Indubitavelmente foi Allan Kardec que interpretou esse belo fenômeno, desde seu
início quando codificou a Doutrina Espírita, revelando e confirmando a
imortalidade da alma.
Naquela época, os instrumentos para a
Transcomunicação foram principalmente as “mesas girantes”, entre outros. Com o
avanço tecnológico, os Espíritos têm utilizado os equipamentos eletrônicos
disponíveis da atualidade para se comunicarem, como a televisão, gravadores,
telefones, computadores e chapas fotográficas sensíveis em câmaras de alta
velocidade. É o fenômeno de transcomunicação Instrumental, por definição, a
utilização de instrumentos eletrônicos para o intercâmbio com a vida
além-túmulo.[4]
O Livro dos Espíritos,
questão nº 934 registra, “Tendes, porém,
uma consolação em poderdes comunicar-vos com os vossos amigos pelos meios que vos
estão ao alcance, enquanto não dispondes
de outros mais diretos e mais acessíveis aos vossos sentidos."[5]
(grifamos) Destarte, os grandes
gênios da humanidade estão a um apertar da tecla de aparelho de gravação e são
a chave mestra para abertura dos pórticos dos mistérios da vida espiritual. “Com eles estão os segredos do tempo, do
espaço, da História, da ciência, da filosofia.” [6] Eles possuem o archote capaz de nos
iluminar a caminhada entre as duas estações densas de nossas indagações
transcendentais: de onde viemos e para
onde vamos?
“Extraordinárias descobertas descortinam novos e grandiosos horizontes aos conhecimentos humanos”.[7] Embora pareça uma novidade para muitos, a rigor, a pesquisa de TCI já tem mais de 100 anos. Segundo os pesquisadores, Thomas Edson, teria sido o primeiro a cogitar da possibilidade de contactar os mortos, quando disse que se ele conseguisse criar um aparelho sutil o suficiente para que pudesse ser manipulado pelos que já partiram, o intercâmbio ocorreria. Porém, só com o advento da Eletrônica é que os contatos interdimensionais começaram a se firmar, ou seja, a partir dos anos 50. E foi em junho de 1956, em Estocolmo, que um homem dedicado a gravar pássaros, Friederich Jürguenson, gravou pela primeira vez uma voz do Além-Túmulo. “As suas experiências ensejaram ao grande pesquisador Raudive dar prosseguimento. Mas nessa época, já o grande engenheiro Meek tentava nos EUA realizar esse admirável trabalho, utilizando o Spiricom.[8] Através de três gerações sucessiva e tentativa de Spiricom, eles lograram gravar vozes atribuídas inclusive a Charles Richet, o pai da metapsíquica humana”.[9]
“Há uma preocupação em saber se a TCI se tornará reconhecida pela
ciência, contudo, é da natureza humana a característica de combater, contestar,
reagir e esse processo é natural, levando ao conhecimento de todos sobre esses
fenômenos, sendo inexistente negar-lhe a legitimidade dos fatos comprovados”.[10]
As religiões já vêm afirmando que se vive depois da morte há mais de 5.000
anos, mas a ciência não tem prestado muita atenção. “Quem sabe, se ao invés disso ser dito sob teor religioso, mas
comprovado como uma verdade científica, tenhamos a disseminação efetiva dessa
realidade – cujo resultado, imaginamos, será o de trazer mais responsabilidade
para o Homem, enfim, novos rumos para a Humanidade”.[11]
Atualmente por ser a comunicabilidade interdimensional uma
realidade, cremos que no porvir não muito distante a Ciência oficial passará a
se defrontar com a realidade do Espírito, devidamente comprovado em laboratório.
Até porque “Químicos e físicos, geômetras e matemáticos, erguidos à condição de
investigadores da verdade, são hoje, sem o desejarem, sacerdotes do Espírito,
porque, como conseqüência de seus porfiados estudos, o materialismo e o ateísmo
serão compelidos a desaparecer, por falta de matéria, a base que lhes
assegurava as especulações negativistas”[12]
A parte científica do
Espiritismo abarca áreas como a pesquisa de casos de Poltergeist, Reencarnação,
E.Q.M., Visões em Leito de Morte, Telepatia, Clarividência, Regressões à Vidas
Passadas etc... e embora todos esses fenômenos sejam fartos de evidências,
carece de documentação para sair da categoria de metaciência. A
Transcomunicação Instrumental é um segmento rico em possibilidades no
levantamento de provas a favor da realidade da sobrevivência pós-morte, além de
evidenciar a comunicabilidade.
Para
chegar ao que é hoje, a Doutrina teve de caminhar dos Estados Unidos para o
México, daí para a Escócia e depois à Inglaterra, até chegar às mesas girantes
de Paris, em 1853. Como disse Allan Kardec, na Revista Espírita de maio de
1864, os fenômenos surgiram primeiro nos EUA como de efeitos físicos porque
estavam na índole daquele povo. Quando penetraram na França, que era o berço da
cultura universal de então, mudaram as características do fenômeno, de efeitos
físicos para efeitos inteligentes. “No
Brasil, temos quase um século e meio de convivência com os fenômenos de efeitos
inteligentes. Não precisamos mais de materialização de Espíritos, movimentação
de objetos à distância, escrita direta etc. e outros tipos de fenômenos para
nos convencer de coisa alguma. Os Centros Espíritas trabalham basicamente com o
fenômeno inteligente, que busca a transformação moral da humanidade”.[13]
Os
fenômenos de hydesville provocaram um rebuliço geral, atraindo a atenção de
pesquisadores, da Imprensa e dos religiosos. Com o avanço da Cibernética e da
Informática, os Espíritos estão buscando outros caminhos para provocar os
mesmos resultados. No entanto, é extremamente importante lembrarmos que “O Centro Espírita tem sua função, como pólo
difusor doutrinário e posto de socorro ao semelhante. Não se pode negar a
validade das experiências de transcomunicação, como também não se pode negar os
resultados obtidos pela TVP (Terapia de Vidas Passadas), pois seria o mesmo que
negar a reencarnação. Mas nem uma nem outra são finalidades do Centro. A TVP é
para a clínica médica especializada, assim como a TCI é um trabalho para
pesquisadores”.[14]
Procuramos
sempre evitar relacionar a TCI com o Espiritismo especificamente. Isso porque ,
pela sua natureza, a TCI é uma "tecnologia científica" que surgiu
independentemente de qualquer atitude ou base religiosa. Ela poderá ter
implicações religiosas apenas nos seus efeitos.
A TCI unicamente funcionará como uma evidência de apoio à hipótese da
sobrevivência após a morte física e à comunicabilidade com o plano espiritual.
Este aspecto é comum a todas as religiões espiritualistas.
Recordamos que o Papa João Paulo II, em 1983, disse: "O diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo".[15] Posteriormente, em novembro de 98, dirigindo-se a peregrinos em Roma, conforme transmitido pela Rádio Vaticano, João Paulo II novamente afirmou: "Não se deve pensar que a vida depois da morte começa no Dia do Juízo Final. Condições muito particulares existem depois da morte natural. É uma fase de transição. Enquanto o corpo se dissolve, os componentes espirituais prosseguem vivos. Esse elemento espiritual é formado pela própria consciência e seu livre-arbítrio. O homem existe sem o corpo físico".[16]
O Padre François Charles
Antoine Brune dedica-se a estudos dos fenômenos de TCI. Brune declara que “O após vida existe e nós podemos nos
comunicar com aqueles que chamamos de mortos”.[17]
Autor dos livros "Os Mortos nos Falam" e "Linha Direta do
Além", François Brune ainda esclarece: “Escrevi
estes livros para tentar derrubar o espesso muro de silêncio, de incompreensão,
de ostracismo, erigido pela maior parte dos meios intelectuais do ocidente.
Para eles, dissertar sobre a eternidade é tolerável; dizer que se pode entrar
em comunicação com ela é considerado insuportável.(...) Eu quero mostrar que a vida continua, que há
Deus que nos ama, que nos espera e que o único valor da vida é o amor. Quero
mostrar que a vida depois da morte depende de nossa vida neste mundo".[18]
[1] Entrevista com Altivo Ferreira Fonte: Jornal Alavanca - Meses Novembro-Dezembro - 1997
[2]Depoimento de Divaldo P. Franco no programa "Espiritismo Via Satélite", dia 02/11/97, disponível,em http://www.consciesp.org.br >acessado em 23/1/2005
[3] Disponível em < www.espiritismogi.com.br> acessado em 12/11/2005
[4] Leia Ponte Entre o Aqui e o Além, de Hildegard Shäffer (Ed. Pensamento), que tudo está descrito com detalhes, incluindo as técnicas.
[5] Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB 2001, perg 934.
[6] Disponível em < www.espiritismogi.com.br> acessado em 02/11/2005
[7] Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, Cap. 1.
[8] Spiricom é um vocábulo formado pela contração de duas palavras do inglês; spirit e comunication. Ela serve para designar um sistema eletrônico que possibilita a comunicação verbal, direta e em dois sentidos, com os Espíritos de pessoas já falecidas
[9] Depoimento de Divaldo P. Franco no programa "Espiritismo Via Satélite", dia 02/11/97, disponível,em http://www.consciesp.org.br >acessado em 23/1/2005
[10] Atualidade do Pensamento
Espírita – Pelo Espírito Vianna de Carvalho – Divaldo P. Franco.
[11] Associação Nacional de Transcomunicadores(ANT),disponível em < http://grupopas.com.br/artigos.asp>acessado em 22/10/2005
[12] Idem Cap. 4
[13] Entrevista com Hernani Guimarães Andrade Fonte: Revista de Espiritismo N. 26 - 1995
[14] Entrevista com Altivo Ferreira Fonte: Jornal Alavanca - Meses Novembro-Dezembro - 1997
[15] Consciência espírita www.consciesp.org.br, Disponível em< http://www.guia.heu.nom.br/t_c_i_.htm
>acessado em 11/10/2005
[16] Idem
[17] Brune, François. Os mortos nos Falam, Sobradinho, DF: Edicel, 1991, 1 ª edição
[18] Idem
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