Homossexualidade na Visão Espírita
“A homossexualidade, também hoje
chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no
conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão
afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação
fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases
materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação”
(Xavier) Espírito Emmanuel ([1])
Introdução
Ainda nos dias de hoje este tema gera muita polêmica em nosso meio, surgindo naturais divergências de opiniões, quando esse assunto entra na pauta das discussões de nós, os espíritas. Intransigência, intolerância e falta de compreensão é o que se vê quase como regra geral, pois a maioria de nós ainda não conseguiu vislumbrar que existe o outro lado da moeda. Falta a muitos a capacidade de ver essas pessoas como irmãos em doloroso estágio evolutivo. Não percebem que o sofrimento deles, quando há, é tanto que, em alguns casos, tiram-lhes a vontade de viver. Quantos, propositadamente, não abandonaram a vestimenta carnal, como fuga ao insuportável preconceito de que sofrem? E os que se isolam, entre quatro paredes, para evitar o contato com a sociedade que os repele como se estivesse diante de uma doença altamente contagiosa.
Como ouvimos várias pessoas dizendo que Kardec não fala nada sobre o assunto, esse foi o motivo que nos incentivou a primeiro pesquisá-lo em suas obras, queríamos ver qual seria mesmo a realidade. Embora muitos, com certeza, não saibam que, mesmo sem falar especificamente sobre esse assunto, ele disse algo a esse respeito. Entretanto, como a maioria de nós espíritas só lê, no máximo, o tal do “Pentateuco” kardequiano, dificilmente irá se encontrar a opinião do codificador do Espiritismo, pois somente na Revista Espírita, que não é considerado parte dele, é que Kardec faz uma abordagem ao tema.
Opinião
de Kardec
Em janeiro de 1866, na Revista Espírita, quando analisa o assunto “As mulheres têm uma alma?”, ele disse o seguinte:
[...]
As almas ou Espíritos não têm sexo. As afeições que as une nada têm de
carnal, e, por isto mesmo, são mais duráveis, porque são fundadas sobre uma
simpatia real, e não são subordinadas às vicissitudes da matéria.
[...]
Os sexos não existem senão no organismo; são necessários à reprodução
dos seres materiais; mas os Espíritos, sendo a criação de Deus, não se
reproduzem uns pelos outros, é por isto que os sexos seriam inúteis no mundo
espiritual.
Os Espíritos progridem pelo trabalho que realizam e as provas que têm
que suportar, como o operário em sua arte pelo trabalho que faz. Essas provas e
esses trabalhos variam segundo a sua posição social. Os Espíritos devendo
progredir em tudo e adquirir todos os conhecimentos, cada um é chamado a
concorrer aos diversos trabalhos e a suportar os diferentes gêneros de provas;
é por isto que renascem alternativamente como ricos ou pobres, senhores ou
servidores operários do pensamento ou da matéria.
Assim se encontra fundado, sobre as próprias leis da Natureza, o
princípio da igualdade, uma vez que o grande da véspera pode ser o pequeno do
dia de amanhã, e reciprocamente. Deste princípio decorre o da fraternidade, uma
vez que, nas relações sociais, reencontramos antigos conhecimentos, e que no
infeliz que nos estende a mão pode se encontrar um parente ou um amigo.
É no mesmo objetivo que os Espíritos se encarnam nos diferentes sexos;
tal que foi um homem poderá renascer mulher, e tal que foi mulher poderá
renascer homem, a fim de cumprir os deveres de cada uma dessas posições, e
delas suportar as provas.
A Natureza fez o sexo feminino mais frágil do que o outro, porque os
deveres que lhe incumbem não exigem uma igual força muscular e seriam mesmo
incompatíveis com a rudeza masculina. Nele a delicadeza das formas e a fineza
das sensações são admiravelmente apropriadas aos cuidados da maternidade. Aos
homens e às mulheres são, pois, dados deveres especiais, igualmente importantes
na ordem das coisas; são dois elementos que se completam um pelo outro.
O Espírito encarnado
sofrendo a influência do organismo, seu caráter se modifica segundo as
circunstâncias e se dobra às necessidades e aos cuidados que lhe impõem esse
mesmo organismo. Essa influência não se apaga imediatamente depois da
destruição do envoltório material, do mesmo modo que não se perdem
instantaneamente os gostos e os hábitos terrestres; depois, pode ocorrer que o
Espírito percorra uma série de existências num mesmo sexo, o que faz que,
durante muito tempo, ele possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de
homem ou de mulher do qual a marca permaneceu nele. Não é senão o que ocorre a
um certo grau de adiantamento e de desmaterialização que a influência da
matéria se apaga completamente, e com ela o caráter dos sexos. Aqueles que se
apresentam a nós como homens ou como mulheres, é para lembrar a existência na
qual nós os conhecemos.
Agora vem o principal do texto, em que fala exatamente do assunto que, no momento, estamos tratando:
Se essa influência
repercute da vida corpórea à vida espiritual, ocorre o mesmo quando o Espírito
passa da vida espiritual à vida corpórea. Numa nova encarnação, ele trará o
caráter e as inclinações que tinha como Espírito; se for avançado, fará um
homem avançado; se for atrasado, fará um homem atrasado. Mudando de sexo,
poderá, pois, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos,
as tendências e o caráter inerentes ao sexo que acaba de deixar. Assim se
explicam certas anomalias aparentes que se notam no caráter de certos homens e
de certas mulheres. (KARDEC, 1993, p. 3-4).
Foi-nos necessário colocar o texto um pouco mais longo, pois do contrário a idéia de Kardec poderia não ficar bem clara. O pensamento dele não deixa nenhuma margem à dúvida: “assim se explicam certas anomalias aparentes que se notam no caráter de certos homens e de certas mulheres”. Ora, se ele fala em “anomalias aparentes” é porque admitia tais situações como dentro da normalidade, o que em outras palavras, poderíamos dizer as tratou como sendo coisas completamente naturais.
Opinião
de autores espíritas
Dr. Hernani de Guimarães Andrade, foi, segundo julgamos, quando encarnado entre nós, o maior pesquisador brasileiro sobre o assunto reencarnação. Podemos ver sua opinião, a respeito do assunto em foco, em seus livros Espírito, Perispírito e Alma e Você e a Reencarnação, nos quais dedicou um capítulo ao tema. Vejamos o que coloca neste último:
Por que
Reencarnação?
Em outubro de 1969, tomamos contacto com o primeiro caso de
reencarnação por nós investigados, a pedido do Dr. Ian Stevenson. Daí em diante
passamos a levantar e a investigar outros mais, por nossa própria iniciativa.
Desse modo, em 1972, já nos encontrávamos familiarizados com essa área de
pesquisa.
A leitura de diversas obras versando sobre a reencarnação e suas pesquisas científicas consolidou ainda mais a
nossa crença de que, talvez, a reencarnação fosse uma das causas do homossexualismo, se não a única. Entre
os autores que consultáramos figuraram: Muller (1970), Banerjee (1964, 1965) e
Stevenson (1966).
Mas, naquela ocasião, não era só a explicação das causas do
homossexualismo que visávamos descobrir. Na realidade, esperávamos obter também
mais uma fonte de evidência de apoio à idéia da reencarnação. O plano inicial
era, partindo da investigação por meio da regressão de memória, chegar à causa
do comportamento homossexual do paciente. Seria uma explicação do
homossexualismo e, ao mesmo tempo, uma evidência da reencarnação.
Outro ponto importante era fornecido pela pesquisa direta de casos de
reencarnação efetuados por nós, com evidências da possibilidade de troca de
sexos, e sustentados em base de relatos de casos semelhantes de outros
investigadores.
Tudo apontava em direção à validade da nossa hipótese de trabalho. Em
suma, a nossa suspeita de que a troca de sexo de uma encarnação para outra talvez
fosse, em certas circunstâncias, a principal causa do homossexualismo, mas não
a única, especialmente a do transexualismo
parecia emergir cada vez mais clara.
Existem três modalidades de homossexuais
Para que o leitor ainda
pouco familiarizado com a questão do homossexualismo, lembramos que,
basicamente, distinguem-se três modalidades de homossexuais:
1 – O homossexual genérico,
cuja característica fundamental é a atração sexual por pessoas do mesmo sexo. O
homossexual possui o impulso erótico dirigido para indivíduos de seu próprio
sexo.
No heterossexual esse impulso parece não depender exclusivamente da carga hormônica no organismo. O
indivíduo castrado geralmente perde o apetite sexual, mas não muda a direção da
atração pelo outro sexo.
No homossexual, embora muitos deles possuam órgãos sexuais normais, bem
como cargas hormonais suficientes e com atividade sexual normal, verifica-se a
impulsão erótica em direção aos indivíduos do mesmo sexo. Nestes casos, o
homossexualismo pode ter-se desenvolvido em razão de outros fatores que não a
troca de sexo proveniente da reencarnação. Tais fatores podem ser os familiares
e educacionais. Há também os circunstanciais, resultantes de situações
especiais como, por exemplo, promiscuidade em cárceres, internatos, conventos,
comunidades místico-religiosas, iniciações em seitas esdrúxulas, etc. etc.
Os homossexuais podem
formar pares (casais) em que um deles exerce o papel ativo nas relações
sexuais. No caso do sexo masculino, esta diferenciação torna-se mais definida.
2 – O travesti é aquele indivíduo que procura assumir a aparência dos de
sexo oposto. Nem todo travesti é sistematicamente homossexual, assim como nem
todo homossexual é obrigatoriamente travesti.
3 – O transexual é a modalidade mais típica do homossexualismo. Neste
caso, o indivíduo se sente uma pessoa de determinado sexo, ocupando um corpo
físico do sexo oposto; uma mulher em um corpo masculino, ou um homem em um
corpo feminino.
O transexual sugere fortemente a intervenção da reencarnação em sua
ocorrência.
No transexual podem ocorrer alterações inatas fisiológicas e
cromossômicas. Permitimo-nos deixar sem comentário esse aspecto, para não
estender excessivamente o presente capítulo.
“Sankhârâ” e homossexualismo
Finalizando esse capítulo,
pedimos licença para transcrever parte do Cap. X, do livro Espírito, Perispírito e Alma.
“...A realidade do Sankhârâ”, revela nos casos que sugerem
reencarnação, favorece a hipótese de que pelo menos o transexualismo seja
motivado por uma herança reencarnatória. Neste caso, se um indivíduo, que se
reencarnou reiteradas vezes com um determinado sexo, vem a renascer com um sexo
oposto, ele provavelmente sofrerá problemas do gênero transexualismo. Pelo
menos há grande possibilidade de isto ocorrer.
A troca de sexo de uma encarnação
para outra pode não ser exclusivamente a causa do homossexualismo, pois vários
fatores educacionais poderiam contribuir para despertar no indivíduo as
tendências sepultadas nas profundezas do seu inconsciente espiritual. Deve
ter-se em conta, também, outras variáveis que possam influir na equação que
define o homossexualismo em função do “Sankhârâ”. Assim, por exemplo, apontamos
duas imediatamente evidentes: 1) o tempo que o indivíduo passou desencarnado
(intermissão); 2) o número de vezes que ele renasceu e viveu tendo um
determinado sexo. A intermissão muito prolongada apaga muitos “Sankhârâs”,
especialmente aqueles que poderiam gerar as “birthmarks” resultantes de
ferimentos, malformações, moléstias graves, etc. É possível que as fontes
características sexuais se atenuem com uma demorada intermissão. Por outro
lado, a reiterada repetição de um mesmo tipo de sexo pode contribuir para
acentuar as tendências do indivíduo a determinado comportamento sexual. Se, em
sucessivos renascimentos, ele alternou os sexos, talvez seu comportamento
sexual venha a depender sobretudo da educação recebida durante a infância e
juventude. Isto porque ele é portador aproximadamente de igual carga de
sexualidade masculina e feminina. Talvez seja este o motivo pelo qual o número
de homossexuais parece aumentar à medida que o meio social se torna mais
tolerante e menos repressivo. Os indivíduos com maior tendência em relação a um
dado comportamento sexual e que poderiam proceder normalmente, serão
estimulados pelas facilidades do meio social a mudar de atitude. Antigamente a
educação muito rígida e repressiva contribuía para enquadrar o indivíduo
ambisséxuo, em seu sexo natural. (Andrade, 1984, pp. 227-229)”. (Andrade, 2002,
p. 113-117)
As colocações do Dr. Hernani, além de coerentes, são bem sensatas, não fugindo ao que Kardec disse; embora, em nenhum desses seus dois livros, ele tenha citado a conclusão a que chegara o codificador do Espiritismo, fato esse que, diga-se de passagem, também percebemos em todos os escritores espíritas que trataram dessa matéria. Parecendo-nos que eles ignoravam essa posição de Kardec.
Vejamos a opinião de um médico psiquiatra sobre o assunto. Trata-se do Dr. Roberto Lúcio Vieira de Souza, Vice-Presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil, para o triênio 2007/2009, atualmente (2008) exerce a função de Assessor de Pesquisas da AMEMG – Associação Médico Espírita de Minas Gerais, num artigo intitulado A Visão Espírita da Homossexualidade, publicado na Revista Cristã de Espiritismo, no qual faz interessantes colocações a respeito das causas desse tipo de comportamento. Vejamos:
[...]
tentamos classificar, do ponto de vista doutrinário, as causas da
homossexualidade em: morais, educacionais, obsessivas e psiquiátricas.
Causas morais
No campo das causas morais, encontramos aquelas criaturas que abusaram
das faculdades genésicas tanto da posição masculina como da feminina,
arruinando a vida de outros indivíduos, destruindo uniões e lares diversos.
Elas são induzidas a procurarem uma nova posição ao reencarnarem, em corpos
físicos opostos às suas estruturas psicológicas, a fim de que possam aprender,
em regime de prisão, a reajustarem seus próprios sentimentos.
Encontramos também aqueles que persistem nessas práticas por uma busca
hedonista, sem maior compromisso com a vida, que reencarnam assim na tentativa
de retratarem suas posições em nova chance de resgate. São espíritos rebeldes,
pertinazes em seus erros, que encontram na questão da inversão sexual uma
oportunidade para o refazimento de suas vidas, na qual a lei divina lhes coloca
diante de situações semelhantes ao passado de faltas, cobrando-lhes posturas
mais éticas perante si e o outro.
Causas educacionais
As causas educacionais podem ser agrupadas em atávicas e atuais. A
atávica é resultado de vivências repetitivas dos espíritos em culturas e
comunidades onde a prática homossexual seria aceita e até estimulada, como na
Grécia antiga e em certas tribos indígenas, ou nas sociedades culturais e
religiosas que segregavam ou segregam seus membros, facilitando esse
comportamento nas criaturas. Assim, ao reencarnarem em um local onde o
homossexualismo não fosse mais aceito como prática livre, esbarrariam em sua
condição viciosa.
Já dentro das atuais, temos aquelas causas advindas dos defeitos de
educação nos lares, onde o comprometimento dos afetos já estaria presente
anteriormente, em que as paixões deterioradas do passado tendem a levar pais e
parentes ascendentes a estimularem posturas psicológicas e sexuais inversas ao
seu estado físico em seus descendentes, sem que necessariamente ocorressem
comportamentos ostensivamente incestuosos. Encontramos também os casos de pais
contrariados em seus desejos quanto ao sexo do rebento, levando-o a uma
condição inversa do de seu sexo físico ou aqueles dos quais a entidade
reencarnante, ao perceber esse desejo inconsciente dos pais, busca se adaptar
patologicamente a essa situação durante o processo de gestação.
Outra causa está na presença de segmentos atuais da sociedade e da
cultura estimulando esse tipo de conduta, quando uma linguagem mais política e
sem qualquer comprometimento ético, através dos vários meios de comunicação de
massa, estimula e condiciona as criaturas a acreditarem que essas vivências
seriam uma postura natural, dependendo unicamente da escolha realizada pelo
indivíduo. Esse posicionamento vai de encontro a uma visão social mais ampla,
que continua atribuindo ao homossexualismo uma condição de marginalidade,
mantendo um processo de segregação social e associando a ele outras posturas
marginalizadas, como o abuso das drogas e a prostituição, agravando ainda mais
a situação daqueles que optaram por esse caminho sexual.
Causas obsessivas
Entre esse tipo de causa, podemos citar os casos em que parceiros do
passado delituoso, em processos homossexuais ou vivências heterossexuais
pervertidas, reencontram-se em condição de ódio ou paixão doentia, estimulando
uma postura homossexual no encarnado como objetivo de atender o desencarnado em
seus anseios viciosos ou de levar sua vítima para uma situação constrangedora e
de intenso sofrimento. Esses desencarnados poderiam estar em uma condição
mental de homossexualidade ou não, induzindo o encarnado em um projeto de total
desestruturação íntima e social.
O processo obsessivo não precisa necessariamente ter sua origem em uma
encarnação anterior. Ocorre que, nos casos de uma obsessão atual, os parceiros
da vivência patológica participam de opções de vida viciosas, onde geralmente o
encarnado invigilante busca posições mentais sexualmente pervertidas ou locais
nos quais esses comportamentos são socialmente aceitos, condicionando-se a
essas práticas.
Uma outra situação possível, oriunda de um processo obsessivo, seria
aquela na qual um espírito obsediando um encarnado em posição sexual inversa à
sua, enfermado por uma interação intensa e duradoura, passa a sentir prazer
sexual semelhante à sua vítima, pervertendo-se nesse campo e se condicionando a
uma vivência homossexual em uma próxima encarnação. Nesses casos, a situação
obsessiva teria existido em uma encarnação anterior e a homossexualidade seria
a desdita daquele que teria sido o algoz naquela vivência. Seria o famoso caso
em que “o tiro saiu pela culatra”.
Causas psiquiátricas
São causas que reúnem casos nos quais a criatura, presa a um processo
de deficiência mental ou de desestruturação psicótica, vê-se com a crítica
comprometida, permitindo-se condutas sexuais das mais diversas, sem
necessariamente existir uma escolha do objeto de desejo ou compreensão da
condição moral. São relações homossexuais sem necessariamente representarem
opções de homossexualidade. Resultam de um passado delituoso em outras áreas
que influenciam a criatura nos vários setores de sua vida.
No campo da psicopatologia, encontramos ainda os transtornos
psicopáticos, nos quais as criaturas se posicionam em uma condição de
amoralidade e imoralidade, optando por uma vida de prazeres sem limites, não se
constrangendo na busca do hedonismo por nenhum motivo, estimulando a
homossexualidade em si e nas criaturas psiquicamente influenciáveis.
De maneira especial, temos
os processos gerados por vivências traumáticas na infância, quando a criança
seduzida sexualmente por um de seus ascendentes familiares viu-se condicionada
por ele a adotar um comportamento sexual invertido (como, por exemplo, um pai que
utiliza sexualmente um filho) ou, então, quando o jogo de sedução e perversão
realizado por parentes de sexos opostos provoca uma situação de ódio intenso,
levando a criança ou o jovem a fazer uma opção pela homossexualidade como forma
de rejeitar aquela vivência. (SOUZA, 2003?, p. 40-45).
Essas causas, identificadas pelo Dr. Roberto, dão, pelo menos para nós, uma dimensão totalmente diferente da simplicidade com que muitos querem ter da opção sexual de uma pessoa. Como vimos, existem fatores que, fugindo totalmente ao controle do indivíduo encarnado, poderão influir nessa questão, daí, segundo pensamos, a homossexualidade não deveria ser vista como “coisa pervertida”, cujos praticantes a fazem por lhes faltar o senso moral.
Não poderíamos esquecer da Federação Espírita Brasileira, isso para se ter uma opinião “oficial” sobre o tema. Leiamos o que consta do “Perguntas e Respostas” no seu site:
O que a Doutrina Espírita
diz sobre a homossexualidade?
[...]
Segundo o
pensamento espírita, o homossexual é um espírito que enfrenta momento de
provação, e que deve estar vigilante para que saia vitorioso, em vez de agravar
os seus débitos perante a lei divina. Mas o que é estar de acordo com a lei
divina? A resposta foi dada por Jesus: Fazer aos outros todo o bem que
gostaríamos que nos fizessem. Certamente que isso se manifesta também em nossos
relacionamentos afetivos, através de gestos de respeito e carinho por aqueles
seres com quem nos relacionamos. Então, o equilíbrio sexual (que se manifesta
por um comportamento que não é promíscuo e nem desrespeitoso para com os
sentimentos alheios) é caminho seguro tanto para homossexuais como para
heterossexuais.
Todos nós
somos seres em busca do equilíbrio espiritual. A maior parte de nós traz graves
comprometimentos no que diz respeito no campo sexual. O Espírito Emmanuel, em
sua obra "Vida e Sexo", psicografada por Chico Xavier, nos informa
que, quase sempre, os que chegam no além-túmulo, sexualmente desequilibrados,
depois de longas perturbações, renascem no mundo tolerando moléstias
insidiosas, ou em condição homossexual, amargando pesadas provas como
conseqüência dos excessos que cometeram no passado.
Depreende-se,
portanto, que os homossexuais são Espíritos que podem ter cometido abusos
sexuais em sexo diferente do atual, respondendo, tal comportamento no passado,
pela atual atração que sente por pessoas do mesmo sexo, devendo resistir a
esses apelos instintivos em prol do seu aperfeiçoamento moral.
[...]
A
recomendação do Espiritismo para o respeito e a compreensão para com os irmãos
que transitam em condições sexuais inversivas (homossexualismo), ocorre em
função do sentimento de fraternidade ou caridade que deve presidir o
relacionamento humano, mas igualmente pelo fato de que nenhum de nós tem
autoridade suficiente para condenar quem quer que seja, pois todos temos
dificuldades morais e/ou materiais graves que precisam de educação. A esse
respeito, Emmanuel finaliza o livro Vida e Sexo com a seguinte recomendação:
"Diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for
e como for, colocai-vos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as
vossas tendências mais íntimas e, após verificardes se estais em condições de
censurar alguém, escutai no âmago da consciência, o apelo inolvidável do Cristo:
Amai-vos uns aos outros como eu vos amei".
[...]
Para o
homossexual, há necessidade intransferível de vivência equilibrada no campo
sexual a fim de encontrar a harmonia para as futuras reencarnações. Tanto o
homossexual como o heterossexual devem buscar a sua reforma interior, não
cedendo aos arrastamentos provocados pelos impulsos instintivos e sensuais.
Ensinam-nos os espíritos que a energia sexual é criação divina e que o sexo em
bases de amor e carinho, respeito e atenção pelo sentimento alheio, é força
maravilhosa.
[...]
A Doutrina Espírita não
condena o homossexual. Ao contrário, recomenda que tenhamos para com ele todo o
respeito, a consideração e o carinho, uma vez que é um espírito que atravessa
momento difícil (até mesmo tormentoso) em que necessita promover a sua
edificação moral, através de uma conduta sexual equilibrada. O que não é lícito
ao hetero, também não pode ser ao homossexual. Para ambos, os abusos, tais como
as orgias, o sadomasoquismo, a necrofilia, a pedofilia e outros, são práticas que
comprometem o equilíbrio no manuseio das forças genésicas e são contrárias às
leis naturais, dando uso aos órgãos sexuais de maneira diversa do que recomenda
a sua natureza. (www.febnet.org.br).
Alguns escritores espíritas não se alinham à idéia de se atribuir, para alguns casos, que a prática do homossexualismo possa ter como causa a mudança de sexo entre uma encarnação e outra é bom deixar isso registrado.
Fora as opiniões acima, ainda podemos trazer, para reforçar essa idéia, o que encontramos no livro Ação e Reação, ditado por André Luiz, através da psicografia do sempre saudoso Chico Xavier. Leiamos:
(...) Considerando-se que
o sexo, na essência, é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo
mental do ser, é natural que o Espírito acentuadamente feminino se demore
séculos e séculos nas linhas evolutivas da mulher, e que o Espírito
marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem.
Contudo, em muitas ocasiões, quando o homem tiraniza a mulher, furtando-lhe os
direitos e cometendo abusos, em nome de sua pretensa superioridade,
desorganiza-se ele próprio a tal ponto que, inconsciente e desequilibrado, é
conduzido pelos agentes da Lei Divina a renascimento doloroso, em corpo
feminino, para que, no extremo desconforto íntimo, aprenda a venerar na mulher
sua irmã e companheira, filha e mãe, diante de Deus, ocorrendo idêntica
situação à mulher criminosa que, depois de arrastar o homem à devassidão e à
delinqüência, cria para si mesma terrível alienação mental para além do sepulcro,
requisitando, quase sempre, a internação em corpo masculino, a fim de que, nas
teias do infortúnio de sua emotividade, saiba edificar no seu ser o respeito
que deve ao homem, perante o Senhor. Nessa definição, porém, não incluímos os
grandes corações e os belos caracteres que, em muitas circunstâncias,
reencarnam em corpos que lhes não correspondem aos mais recônditos sentimentos,
posição solicitada por eles próprios, no intuito de operarem com mais segurança
e valor, não só o acrisolamento moral de si mesmos, como também a execução de
tarefas especializadas, através de estágios perigosos de solidão, em favor do
campo social terrestre que se lhes vale da renúncia construtiva para acelerar o
passo no entendimento da vida e no progresso espiritual. (XAVIER, 1987a, p.
209).
Opinião de quem viveu o
problema
Vamos transcrever um trecho do artigo publicado na Revista de Espiritismo (nº 39, abr-mai-jun/1998), do autor Luiz de Almeida, disponibilizado pelo site Portal do Espírito. Leiamos:
Para melhor entendermos o
drama da homossexualidade, citamos depoimentos de dois espíritos (2). Isso
porque poderão contribuir para esclarecer certas partes desta tendência.
CASO 1: Eu fui lésbica. Dentro do meu corpo de mulher,
sentia-me um homem. Desde pequena, os meus pendores foram todos masculinos.
Menina, e os meus companheiros de peraltagem eram os meninos, tanto que minha
mãe repetia: Não sei a quem me saiu a Laurinha; é peralta como um menino, está
sempre no meio deles; coisa feia. E assim era: em qualquer reunião raramente me
encontrava entre minhas amiguinhas. Porém, nos grupos de rapazes, lá estava eu,
não como mulher, mas como homem, que intimamente me parecia ser.
Veio-me a menstruação;
sofri horrores que se repetiam mês após mês. Completei 15 anos. Eu era bonita de
rosto, conquanto desgraciosa de corpo. E os meus pais chamaram-me em
particular:
— De agora em diante,
evita estar tanto entre os moços; tens coleguinhas... porquê isso?
— Mas, mamãe, não gosto
das conversas delas, de vestidos, de modas, de sapatos, de batons, de
penteados, de namoradinhos. Eu, por mim, cortaria os meus cabelos como homem, e
vestiria calças.
A minha resposta
desgostou-os. Mudei: apaixonava-me facilmente por meninas e mulheres casadas.
Deliciava-me freqüentar o vestiário de meu clube; contemplando aqueles corpos
nus, lavando-se, esfregando-se, enxugando-se, muitas vezes, surpreendia-me
exclamando: Ah, se eu fosse homem! Viciei uma prima; além do prazer que ela me
proporcionava, dava-me a sensação de ser verdadeiramente um homem. Descobriram-me,
e passei a ser vigiada. Evitam-me. O meu pai tratava-me com rispidez.
Uma fria solidão
envolvia-me. Mesmo assim, casei-me. Não lhes descreverei o horror do sofrimento
íntimo que senti na minha noite de núpcias; foi pasmoso. O meu esposo tinha-me
nos braços e acariciava um corpo de mulher, dentro do qual se escondia o
espírito de um homem. E durante as carícias, enlaçada pelo meu marido, que me
abraçava e me beijava, quantas vezes tive ímpetos de repeli-lo e gritar: Eu
também sou um homem! Jamais ele o percebeu; fui-lhe fiel até ao fim. A nossa
união durou 15 anos; não tivemos filhos.
O meu marido enviuvou, e
contraiu segundas núpcias, desta vez com uma autêntica mulher, de corpo e alma.
Desencarnado, compreendi o porquê dessa encarnação como mulher; porque eu, um
espírito masculino, fora embutido — sim, embutido é o termo certo —, num corpo
feminino. Por quatro encarnações consecutivas, eu erigira o sexo como o supremo
fim de um homem. A mulher para mim era um objeto, um mero instrumento de
prazer, de gozo. Quando uma me saciava, atirava-a para um canto qualquer, e
servia-me de outra. Jamais lhes respeitava a dignidade. Jamais as reconhecera
como mães, esposas, irmãs. E nos intervalos de minhas encarnações, em vez de me
corrigir, freqüentando as escolas correcionais da Espiritualidade, para o que
não me faltaram convites, associava-me a hordas maléficas, cujo escopo era
implantar o domínio do sexo. Até que, por ordem superior, encaminharam-me de
forma compulsória aos engenheiros maternais, que me agrilhoaram a um corpo
feminino a fim de que eu aprendesse a valorizar a mulher. Felizmente tão
dolorosa experiência valeu-me.
Corrigi-me. Não só aprendi
a valorizar a mulher como a divinizá-la no seu papel de mãe, de esposa, de
irmã. Voltei à minha forma masculina. Trabalho agora no sector de socorro aos
náufragos do sexo. Quando soar a hora, tornarei à Terra no corpo de homem
normal, e saberei respeitar a mulher no altar sagrado do casamento. Claro que o
meu carma não será tranqüilo, e as vicissitudes que por certo virão, em que
pese gerar aflições, serão lições valiosas. E ao depararem com homens e
mulheres transviados do sexo, compaixão, muita compaixão para com eles.
CASO 2: Eu fui uma prostituta em seis encarnações
sucessivas. A primeira foi num navio pirata. Apanharam-me numa razia contra
nossa cidadezinha na orla do Mediterrâneo; com o saque e outros cativos,
embarcaram-me numa caravela. Eu era jovem e bonita. Um dia, o comandante
atraiu-me para o seu camarote. Percebi-lhe a intenção. Eu já tinha os meus planos,
e antes que ele tomasse a iniciativa, adiantei-me: Saiba que sou uma virgem.
Quanto dá por minha virgindade? Dirigiu-se a uma das arcas ao pé do leito,
abriu-a; estava cheia de jóias preciosas, produto de pilhagens. Colocou um
punhado delas sobre a mesinha à minha frente. É pouco, disse-lhe com firmeza.
Mergulhou ambas as mãos na arca, e pô-las sobre as primeiras. É o bastante.
Ainda por muitas vezes lhe
arranquei peças de valor. Logo que o notei farto de mim, entreguei-me aos
outros marujos, a troco de ouro, que todos possuíam. Desembarquei em porto
europeu, rica, e dediquei-me ao meretrício de alto luxo.
Vejo-me agora reencarnada
na França, na época do I Império. Sou dama da corte. E, para obter honrarias,
jóias, luxo, prostitui-me não abertamente, mas entregando-me aos cortesãos que
servissem aos meus intentos.
A terceira reencarnação
foi em Portugal. Casei-me com um caixeiro modesto em pequena cidade portuguesa.
Abandonei-o e transferi-me para Lisboa, onde montei casa de tolerância,
desgraçando mocinhas ingênuas, e desencaminhando pais de família.
Na minha quarta
reencarnação, ainda em Portugal, não me sujeitando a uma pobreza digna, tão
logo me emancipei, comercializei o meu corpo. E, por isso, a minha mãe finou-se
de desgosto. Como cobra venenosa, atraía a mocidade da nobreza, sugando-lhe
impiedosamente os haveres e até a honra, em luxuoso prostíbulo no Rio de
Janeiro, no tempo do império.
Na minha quinta
reencarnação, no início do século XX, ainda no Rio, aos 14 anos já me envolvia
no meretrício. De nada me adiantavam os intervalos de minhas reencarnações. Não
dava ouvidos a espíritos benévolos que me queriam afastar dessa vida imunda.
Endurecida no vício, filiava-me a grupos de obsessores sexuais, e praticava
desatinos vampirescos com encarnados que aceitavam minhas sugestões.
Até que engenheiros
maternais decidiram aplicar-me a corrigenda cabível. Estudaram minuciosamente o
meu passado, submeteram-me a rigoroso exame psíquico, e concluíram que só havia
um remédio para mim, posto que amargo: reencarnar em corpo masculino, tantas
vezes quantas as necessárias. A petição seguiu para instância superior e foi
aprovada.
E eu, mulher, espírito
essencialmente feminino, reencarnei-me em corpo de homem, no Rio de Janeiro,
como quarto e último filho de um casal da classe média, remediados.
Hoje sei dos motivos que
teve este casal para me receber como filho; porém, não vem ao caso mencioná-lo.
Bem cedo começaram os meus martírios. Eu adorava brincar com meninas, evitava
os meninos. Na escola ouvia os ditérios dos colegas; e ao ir ao quadro dar a
lição, a classe ria-se ante o meu andar feminil. Durante o recreio,
escondia-me. Com a idade, mais se acentuou minha inclinação feminina: parava
diante das vitrinas de modas e das de jóias, e extasiava-me a admirar os vestidos,
os sapatos, as meias, os colares, os brincos, os braceletes, tudo, enfim que
pertencesse à toilette da mulher. Por vezes, ansiava ir à cabeleireira
maquiar-me, e a custo reprimia-me. O meu pai não me aceitava; os meus irmãos
detestavam-me e repeliam-me; a minha mãe, pobrezinha, era o meu único refúgio.
Consolava-me, acariciava-me, infundia-me ânimo, abraçava-me.
A solidão embrulhou-me no
seu pesado manto. Certa vez, atraído por um homem, fui com ele ao seu
apartamento. O horror, o nojo que isto me causou vós não podeis imaginar. Quis
tornar-me seu amante; tive dificuldades em livrar-me dele. Para vós terdes uma
idéia do meu suplício de espírito feminino num corpo masculino, faço uma
comparação: havia outrora um instrumento de tortura, que consistia numa caixa
de ferro, mais ou menos no formato de um homem, em cuja porta, do lado de
dentro, se engastavam punhais. O condenado era encaixado nessa caixa, e nela
ficava por dias e dias à espera que o carrasco recebesse ordem de fechar a
porta, quando era trespassado pelas lâminas. Todavia, raramente o corpo do
condenado se amoldava à caixa; e então os verdugos o ajustavam à força naquele
aparelho, no qual com corpo horrivelmente comprimido, aguardava o fechar da
porta, cessando o seu tormento. O condenado à tortura da máscara era mais feliz
do que eu: o sofrimento dele durava poucos dias; o meu durou 68 anos, que se
arrastaram como uma eternidade.
Jamais me passou pela
cabeça a idéia do suicídio, ou de me prostituir, felizmente. Agüentei firme o
rojão, como se diz popularmente.
Uma tarde, de volta a
casa, um grupinho de estudantes vadios pôs-se a chacotear-me. Para fugir deles,
entrei na primeira porta que vi aberta; subi pequena escada, e achei-me num
vasto salão; muitas pessoas lá estavam; sentei-me entre elas. Era a Federação
Espírita Brasileira. Explicaram-me e entendi que o acaso não existe, e o fato
de ali entrar é porque por certo encontraria lenitivo. Passei a freqüentar
aquela casa, onde conquistei muitos amigos e amigas. Os passes e a água
fluidificada fizeram-me muito bem, e assim a minha solidão foi suavizada.
Eu não trabalhava; tive
vários empregos, mas na ocasião, o meu problema não era tolerado como hoje em
dia (embora seja uma tolerância falsa e aparente) sendo despedido de todos.
Quem sempre me socorria e socorreu foi a minha mãe, fornecendo-me algum
dinheiro. Os meus irmãos casaram-se; os meus pais desencarnaram. Envelheci.
Vivi penosamente de
minguado benefício que me tocou por herança. Fui morar num telheiro, mal
transformado em quarto, no fundo do quintal da casa de um dos meus irmãos, com
ordem expressa de não me mostrar a visitas fossem quem fossem. Proibiram-me de
ter intimidades com os meus sobrinhos. Mais tarde, recolheram-me a um asilo,
onde desencarnei.
Acordei, não sei depois de
quanto tempo, em um quarto hospitalar. Tão logo me mexi na cama acorreu uma
enfermeira gentil que me disse:
— Tudo bem, minha irmã,
não se impressione!
— Irmã?... murmurei
arregalando os olhos. Ela não me respondeu, mas ajeitou-me a coberta, sorrindo.
Hoje estou plenamente
integrada nos meus predicados femininos.
Regenerei-me. Faço parte
do Grupo de Socorros das Servas de Maria Madalena, que se dedica ao
reerguimento das infelizes que resvalam pelo abismo escuro da prostituição.
(2) - Extraído do Boletim
Eletrônico n.º 258 de 1997 do GEAE (Grupo de Estudos Avançados de Espiritismo).
(ALMEIDA, 1998, Internet).
Esses dois depoimentos representam muito bem o drama íntimo de muitos que, na prática de sua sexualidade, optam por parceiro do mesmo sexo. Como exemplos devem nos levam a refletir sobre esse assunto, de forma a entendermos que a maioria vivencia insuperável conflito interno. Percebemos que, como já foi evidenciado anteriormente, em alguns casos, não há escolha deliberada, os indivíduos são levados a essa pratica por fatores que fogem completamente ao seu controle.
A Ciência busca uma explicação
Com o materialismo ainda dominando o meio científico (até quando?), acreditamos que, a continuar seguindo por esse caminho, dificilmente se encontrará as causas que efetivamente venham explicar a homossexualidade. Vejamos uma interessante reportagem sobre uma pesquisa científica que busca identificar o que fisicamente tem o homossexual de diferente das pessoas que, no ponto de vista usual, seriam normais:
Homem gay
tem cérebro feminino, comprova estudo
Da mesma maneira, cérebro de lésbica parece o de um homem
heterossexual.
Estudo dá as provas mais sólidas de que a orientação sexual é
característica biológica.
Marília
Juste
Do G1, em São Paulo
O cérebro de um homem gay é mais parecido com o de uma mulher do que
com o de um homem heterossexual. É o que mostra um estudo feito na Suécia e
divulgado nesta segunda-feira (16), que revelou as provas mais sólidas até hoje
de que a sexualidade não é uma opção, mas uma característica biológica.

A
equipe de Ivanka Savic, do Instituto Karolinska, mostrou, com a ajuda da
ressonância magnética, que o tamanho e a forma do cérebro variam de acordo com
a orientação sexual. O cérebro de um homem gay parece o de uma mulher hétero –
com os dois hemisférios mais ou menos do mesmo tamanho. O de uma lésbica, no
entanto, parece o de um homem hétero – pois os dois têm o lado direito um pouco
maior que o esquerdo.
Trabalhos anteriores já tinham detectado uma diferença na atividade
cerebral, mas eles analisaram apenas a resposta sexual dos indivíduos. Por
exemplo, na hora de ver um rosto atraente. Esse tipo de coisa, afirma Savic,
pode ter sido “aprendida” ao longo dos anos. Por isso, a pesquisadora preferiu
estudar parâmetros fixos, como o tamanho e a forma do cérebro, que se mantêm os
mesmos desde o nascimento.
A equipe também analisou o fluxo de sangue na amígdala, a área do
cérebro que controla o aprendizado emocional, o humor e a agressividade.
Novamente, o padrão masculino homossexual correspondeu ao feminino
heterossexual e vice-versa.
Ao todo, o grupo estudou
90 participantes (25 heterossexuais e 20 gays de cada um dos sexos). Os
resultados foram apresentados na edição desta semana da revista da Academia
Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a “PNAS”. (JUSTE, 2008, internet)
Pode ser que essa pesquisa leve alguns cientistas a achar que conseguiram o feito de provar que o físico é a origem desse comportamento; mas, se isso acontecer, diremos que estão comemorando vitória antes do tempo, uma vez que, ainda aqui, não prevalece a matéria sobre o espírito. Nós, os espíritas, sabemos que esse, usando uma das funções do seu perispírito, é que modela o próprio corpo físico, portanto, a causa do que se está constatando nestes exames, com o uso da ressonância magnética, é puramente espiritual.
Conclusão
Tentamos fazer um levantamento sobre o assunto em pauta, procurando dar, a você leitor, instrumentos para uma possível reavaliação do que, sem ter um detalhamento maior, poderia estar pensando sobre isso.
Considerando que os Espíritos não têm sexo, podemos concluir que o impulso sexual reside no próprio espírito, sendo o corpo físico apenas o veículo de sua instrumentalização. Assim, não seria absurdo dizermos que ao reencarnar o Espírito traz dentro de si as duas polaridades sexuais, daí ser necessário rever conceitos sobre o homossexualismo entre os seres humanos.
Apesar de que isso para muitos não parece natural, advogamos ser, pela razão de que podemos encontrar esse tipo de comportamento entre os animais, embora suas causas possam ser absolutamente diferentes das que poderíamos atribuir aos seres humanos. O que defendemos é que se há essa ocorrência entre os animais não vemos porque taxar como perversão todos os casos de homossexualismo que acontecem entre nós, os humanos. E definindo, o que é natural é tudo aquilo em que não há trabalho ou intervenção do homem. Além desse significado o Aurélio ainda nos indica: inato, ingênito, congênito. Se uma pessoa já trás de nascença alguma tendência para a prática homossexual, por que então crucificá-lo, já que a própria natureza, conjugada ou não com a lei de causa e efeito ou com a do progresso, é a origem do seu problema?
Há quem diga, que não devemos nos comparar aos animais, entretanto, em algumas situações não há como fugir disso. Os animais, comem, dormem, fazem sexo, e inúmeras outras coisas que nós os humanos também fazemos, é por isso, que enxergamos isso como coisa da natureza. O que não significa dizer que os que assim se comportam não devam se esforçar para reverter o quadro e, especialmente, para não cair na promiscuidade, apenas não vemos nenhum motivo para se ter qualquer tipo de preconceito contra as pessoas que assim agem.
Ana Paula Corradini, numa reportagem na Revista dos Curiosos, intitulada Eu quero é sexo!, a certa altura, coloca:
O prazer
homossexual
Outro comportamento
registrado entre os bonobos é o das relações homossexuais: as fêmeas adultas
enroscam pernas e braços ao redor uma das outras e esfregam suas genitais,
emitindo ruídos de contentamento. Os machos penduram-se em galhos e friccionam
os pênis eretos. O lesbianismo já foi constatado em onze espécies, mas o
homossexualismo não é só notado em primatas. Ele existe entre golfinhos,
zebras, gaivotas, pingüins, felinos e até baleias. Muitos estudiosos afirmavam
que isso só poderia acontecer em uma situação de confinamento, como entre dois
pingüins machos que, por ventura, fossem colocados a sós em uma jaula no
zoológico. No entanto, a conduta ocorre também na natureza, mesmo em bandos em
que há machos para todas as fêmeas e vice-versa. Ainda não existe um consenso
para explicar o porquê dessa opção. “Os animais não se tornam homossexuais por
falta de parceiros, mas pela alternativa de se obter prazer”, afirma Eduardo
Cunha Farias (...) O homossexualismo no reino animal passou a ser discutido
mais abertamente após o lançamento do livro Biological Exuberance – Animal
Homosexuality and Natural Diversity (Exuberância Biológica – Homossexualidade
Animal e Diversidade Natural), do biólogo norte-americano Bruce Begamihl, em
1999. O autor descreveu casos de homossexualismo entre 450 espécies, em sua
maioria mamíferos e aves. (CORRADINI, 2003, p. 50).
Está aí a comprovação desse acontecimento na natureza, o que, para nós, justifica a mudança de atitude em relação ao modo como tratamos os homossexuais que existem no nosso meio.
Por outro lado, também gostaríamos de saber dos que alimentam preconceitos contra eles se também o teriam pelos heterossexuais que, em atividades sexuais viciosas, fazem sexo até mesmo com animais, fato que todos sabemos que acontece, mas fingimos de peixe morto.
Muitos advogam que, na tradicional prática sexual entre um homem e mulher, há troca de energias, para fazer disso uma arma contra as relações homossexuais. Não duvidamos que numa relação sexual há troca de energias entre os parceiros de sexo oposto – um homem e uma mulher; mas perguntamos: porventura isso ocorrerá em todas as situações? Mesmo no caso, por exemplo, de que um dos dois a pratique por prostituição? Será que poderia, também, haver essa troca de energias, quando um casal, saindo do hábito tradicional, resolve praticar o sexo oral ou o anal? E aqui, por acreditar que aquilo que podemos encontrar na natureza é perfeitamente natural, afirmamos então, que: a prática do sexo oral e anal, entre os casais, como não a encontramos na natureza, obviamente, para nós, não se trata de uma coisa natural. Embora, também não vamos dizer que seja imoral. Por outro lado, não poderia um homem viciar sua mulher na prática sexual anal de tal forma que, na encarnação seguinte ela, mesmo vestindo um corpo físico masculino, mantenha seu impulso sexual canalizado para essa zona erógena, agindo assim como homossexual? Nesse caso de quem seria a culpa?
Para demonstrar que nem todos discriminam, e que, graças a Deus, muitos não admitem esse preconceito, apenas buscam respeitar a opção pessoal de cada um, o que não significa, necessariamente, concordar com tais práticas, traremos à nossa pesquisa opiniões de pessoas assim:
André Luiz (Espírito):
(...) Empenhou-se a repetir que na Crosta Planetária os temais sexuais são
levados em conta, na base dos sinais físicos que diferenciam o homem da mulher
e vice-versa; no entanto, ponderou que isso não define a realidade integral,
porquanto, regendo esses marcos, permanece um Espírito imortal, com idade às
vezes multimilenária, encerrando consigo a soma de experiências complexas, o
que obriga a própria Ciência terrena a proclamar, presentemente, que
masculinidade e feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana,
do ponto de vista psicológico. Homens e mulheres, em espírito, apresentam certa
percentagem mais ou menos elevada de característicos viris ou feminis em cada
indivíduo, o que não assegura possibilidade de comportamento íntimo normal para
todos, segundo a conceituação de normalidade que a maioria dos homens
estabeleceu para o meio social.
Tendo Neves formulado consulta sobre os homossexuais, Félix demonstrou
que inúmeros Espíritos reencarnam em condições inversivas, seja no domínio de
lides expiatórias ou em obediência a tarefas específicas, que exigem duras
disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam. Referiu
ainda que homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, como são
suscetíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em
certos campos de manifestação, aditando que a alma reencarna, nessa ou naquela
circunstância, para melhorar e aperfeiçoar-se e nunca sob a destinação do mal,
o que nos constrange a reconhecer que os delitos, sejam quais sejam, em
quaisquer posições, correm por nossa conta. À vista disso, destacou que nos
foros da Justiça Divina, em todos os distritos da Espiritualidade Superior, as
personalidades humanas tachadas por anormais são consideradas tão carentes de proteção
quanto as outras que desfrutam a existência garantida pelas regalias da
normalidade, segundo a opinião dos homens, observando-se que as faltas
cometidas pelas pessoas de psiquismo julgado anormal são examinadas no mesmo
critério aplicado às culpas de pessoas tidas por normais, notando-se, ainda,
que em muitos casos, os desatinos das pessoas supostas normais são
consideravelmente agravados, por menos justificáveis perante acomodações e
primazias que usufruem, no clima estável da maioria.
E à ligeira pergunta que
arrisquei sobre preceitos e preconceitos vigentes na Terra, no que tange ao
assunto, Félix ponderou, respeitoso, que os homens não podem efetivamente
alterar, de chofre, as leis morais em que se regem, sob pena de precipitar a
Humanidade na dissolução, entendendo-se que os Espíritos ainda ignorantes ou
animalizados, por enquanto em maioria no seio de todas as nações terrestres,
estão invariavelmente decididos a usurpar liberalidades prematuras para
converter os valores sublimes do amor em criminalidade e devassidão.
Acrescentou, no entanto, que no mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto
em condições normais quanto em condições julgadas anormais, serão tratados em
pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana, reparando-se as injustiças
assacadas, há séculos, contra aqueles que renascem sofrendo particularidades
anômalas, porquanto a perseguição e a crueldade com que são batidos pela
sociedade humana lhes impedem ou dificultam a execução dos encargos que trazem
à existência física, quando não fazem deles criaturas hipócritas, com
necessidade de mentir incessantemente para viver, sob o Sol que a Bondade
Divina acendeu em benefício de todos. (XAVIER, 1987b, p. 272-274).
Camilo (Espírito):
Provenientes dos recônditos da alma, onde se alocam reminiscências de
desrespeito e de crimes hediondos, cometidos contra as leis morais que são
presentes nas consciências humanas, ou, por outro lado, decorrentes de
processos educacionais deletérios que se apoiaram em inclinações morais
deficitárias, ainda não suficientemente amadurecidas para a verdadeira
liberdade, os dramas homossexuais têm lugar na intimidade das criaturas,
largamente.
Motivados, ainda, por terríveis programas obsessivos, que antigos
inimigos desencarnados engendram por vingança ou, ainda, decorrentes de
perturbações psiquiátricas não devidamente diagnosticadas, explodem quadros
homossexuais, aqui e acolá.
A situação vem se tornando tão comum que, ao largo do tempo, vem sendo
admitida como terceiro sexo ou como opção normal daqueles que assim almejam
viver.
Desembocam no estuário dos conflitos da homossexualidade infindáveis
gravames assinalados nos arquivos extra-cerebrais,
provenientes de passadas reencarnações, quando o abuso do próprio corpo e dos
corpos alheios, a agressão à própria constituição emocional e às constituições
alheias determinaram os torturantes quadros de agora, na esfera da sexualidade.
Ninguém suponha que tais conflitos não se estendam do mesmo modo, nas
esferas heterossexuais, uma vez que os Espíritos que se movimentam sobre a
Terra, com poucas exceções, carregam complexos problemas na área sexual,
carecendo reestruturar-se, renovar-se, a fim de valorizar tão sublime fonte de
estesias que a Divindade ensejou as Suas criaturas com o objetivo feliz, na
cooperação junto à obra Universal.
O fenômeno homossexualismo, em si mesmo, impõe aos que por ele estão
assinalados, um regime de imperiosas disciplinas em sentido amplo, capazes de
ensejar à alma, se atendidas, bênção de venturas crescentes a projetarem luzes
de paz, de harmonia para o amanhã.
Quem disse que será crime ou pecado que um homem a outro homem ame?
Onde a condenação para o amor e o afeto entre as mulheres?
O amor, devidamente compreendido, é a energia que nos diviniza, é o
traço que nos liga ao Criador, impulsionando-nos a espalhar a Sua vontade pelo
Universo.
Não cogitamos aqui desse arremedo de amor com que o vulgo resolveu
apelidar as práticas carnais do sexo, mas cogitamos desse Amor que é o próprio
Deus, que faz com que na sexualidade a criatura humana se torne co-criadora com
o seu Criador.
O drama que se instala nas vidas terrenas é que não estão aptos aos
indivíduos a vivenciarem o Amor que sensibiliza a alma, que imprime sentimentos
de renúncias felizes, que enleva, que renova, forjando saúde e plasmando vida
plena.
Amar jamais será desaconselhável seja entre quem for. Não obstante, o
homossexual não necessitará mergulhar nos pântanos da pederastia, tampouco as
homossexuais carecerão perder-se nos viscos do lesbianismo, nas voragens da
relação carnal.
Se um companheiro ou uma companheira percebe em si as inclinações
homossexuais, que procure identificar nisso os gritos da expiação, induzindo à
educação para que a vida seja vitoriosa.
O amor, o entendimento, a
prestação de serviços, a comunhão idealística, tudo isso contribuirá para a
gradativa liberdade do ser. (TEIXEIRA, 1993, p. 73-75). (grifos do original).
Chico Xavier (Espírita):
em resposta às perguntas: como encara o espiritismo o problema da
homossexualidade? Qual a melhor atitude da sociedade frente a essa ocorrência?
- “Acreditamos que o tempo e a compreensão humana traçarão normas
sociais susceptíveis de tranqüilizar quantos se vinculam a semelhante segmento
da comunidade, assegurando-se-lhes a benção do trabalho com o respeito devido a
todos os filhos de Deus (...) Até que isso se concretize, não vejo qualquer
motivo para críticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com os
nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver
claramente iguais às tendências heterossexuais que assinalam a maioria das
criaturas humanas”.
“Em minhas noções de
dignidade do espírito, não consigo entender por que razão esse ou aquele
preconceito social impedirá certo número de pessoas de trabalhar e de serem
úteis à vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço
características psicológicas e fisiológicas diferentes da maioria. (...) Nunca
vi mães e pais, conscientes da elevada missão que a Divina Providência lhes
delega, desprezarem um filho porque haja nascido cego ou mutilado. Seria humana
e justa a nossa conduta em padrões de menosprezo e desconsideração, perante os
nossos irmãos que nascem com dificuldades psicológicas?”. (ALMEIDA, 1998,
Internet).
Drauzio Varella (Espiritualista):
“... O espectro da sexualidade humana é amplo e de alta complexidade, no
entanto, vai dos heterossexuais empedernidos aos que não têm o mínimo interesse
pelo sexo oposto. Entre os dois extremos, em gradações variadas entre a hetero
e a homossexualidade, oscilam os menos ortodoxos”.
“Como o presente não nos faz crer que essa ordem natural vá se
modificar, por que é tão difícil aceitarmos a riqueza da biodiversidade sexual
de nossa espécie? Por que insistimos no preconceito contra um fato biológico
inerente à condição humana?”.
“Em contraposição ao
comportamento adotado em sociedade, a sexualidade humana não é questão de opção
individual, como muitos gostariam que fosse, ela simplesmente se impõe a cada
um de nós. Simplesmente é!”. (www.drauziovarella.com.br).
Hernani Guimarães de Andrade (Espírita): O homossexualismo
não deve, pois, ser classificado como uma psicopatia ou como um comportamento
merecedor de discriminação ou medidas repressivas. O homossexual, especialmente
o “transexual”, merece toda a nossa compreensão e ajuda, para que ele possa
vencer sua luta de adaptação ao novo sexo adquirido com o renascimento. Alguns
homossexuais poderão ser reorientados, de maneira a se comportarem normalmente
dentro dos padrões impostos pelo meio social. Entretanto, igual reorientação é
necessária aos que se dizem normais para que se compenetrem da necessidade de
respeitar e aceitar fraternalmente os homossexuais. (ANDRADE, 1984, p.
228-229).
Joana de Angelis (Espírito):
Outro fator que merece análise é o da identidade sexual. Há jovens que logo
definem e aceitam a sua natureza essencial, masculina ou feminina. Nessa
oportunidade surgem os conflitos mais fortes do transexualismo e do
homossexualismo, alguns deles como resultado de fatores genéticos, trabalhados
pelo Espírito na constituição do corpo através da reencarnação, que se utilizou
do perispírito para a modelagem da forma orgânica, outros como efeito da
conduta familiar ou social, e, outros mais, ainda, pela necessidade de ser
trabalhada a sexualidade como diretriz preponderante para a aquisição de
recursos mais elevados e difíceis de serem conquistados.
Quando essa identidade sexual é prematura, o adolescente sofre de um
efeito apenas biológico, sem preparação psicológica para o comportamento algo
estressante. Quando atrasada, reações igualmente psicológicas podem levar a uma
hostilidade ao próprio corpo como ao dos outros.
A identificação sexual do
indivíduo equilibrado faz-se definir quando se harmonizam a expressão biológica
– anatômica – com a psicológica, expressando-se de forma natural e progressiva,
sem os choques da incerteza ou da incapacidade comportamental diante da
realidade do fenômeno sexual. (FRANCO, 2000, p. 70-71).
José Herculano Pires (Espírita): “os casos de
homossexualismo adquirido, não-congênito ou constitucional, de classificação
psiquiátrica, decorrem de fatores educacionais mal dirigidos ou de influências
diversas, posteriores ao nascimento, que dão motivo à sintonia do paciente com
espíritos obsessores vampirescos. O problema sexual é extremamente melindroso,
pois tanto o homem quanto a mulher dispõem de tendências de ambos os sexos,
podendo cair aos desvios provocados por excitação de após nascimento” (PIRES, 1987,
p. 141).
Leonel (Espírito): - E nada disso é errado?
- Tudo está certo na criação de Deus, e
todas as coisas que existem no mundo trabalham em favor de nosso crescimento. A
vida dispõe de muitos métodos para nos auxiliar, cabendo a nós optar por
aqueles que mais se adaptam a nossos propósitos.
- Não poderíamos chamar o homossexualismo de doença? - Não é
uma doença. É claro que há um redirecionamento na energia que gera o
desejo sexual, e a causa desse redirecionamento está associada às experiências
que cada um precisa viver. Homens e mulheres são seres de dupla polaridade,
onde vai predominar, energeticamente, o pólo que é próprio de seu sexo,
permanecendo o outro em estado latente e germinal. Mas ninguém é só masculino
ou só feminino. Todos nascemos dotados dessa duplicidade de forças, e é preciso
que elas estejam em harmonia. Tudo em nós, como no universo, se manifesta em
dualidade. Se temos um ponto masculino, havemos de possuir o contraponto
feminino, e vice-versa, o que é nosso equilíbrio e nos auxilia na utilização
saudável dessas duas forças. Há homens heterossexuais que são extremamente
femininos, assim como há homossexuais de atitudes pronunciadamente masculinas.
E daí? Ambas as energias estão lá, na mesma proporção, embora vibrando em
intensidades diferentes em cada um. A vida coloca diante de nós situações que desafiam
nosso feminino e nosso masculino, e o desejo sexual é uma delas. Se um homem
se sente atraído por outro homem, é claro que algo de seu feminino vibra mais
nesse momento, porque ele tem essa polaridade dentro dele, só que não tão
latente. Por outro lado, na relação em família, por exemplo, pode ser o
sustento do lar, não só financeira como emocionalmente, "segurando a
barra" de todo mundo, como se diz por aí. Nesse momento, o feminino, que
vibra com mais intensidade no desejo sexual, cede lugar ao masculino, que
precisa se sobrepor para garantir a subsistência. - Fábio fez breve pausa e
concluiu: - Mas o que conta verdadeiramente para o espírito é a forma como o
ser humano se conduz diante da vida, porque só aqueles que já aprenderam a
abrir o coração para o amor é que são capazes de vivenciar todas essas
experiências com dignidade e respeito. (CASTRO, 2004, p. 337-338).
Luiz Gasparetto (Espiritualista): Quando a sociedade
estabeleceu um modelo de normalidade, criou uma guerra antropológica com a natureza
humana.
A diversidade natural é real e em torno dela age a funcionalidade da
ecologia, que trabalha em favor do progresso de todos.
Cada um de nós é único, com um temperamento original relativo às
necessidades essenciais do progresso pessoal e coletivo. Quem resolve seguir o
modelo se ilude bloqueando a expressão de sua alma, criando insegurança,
doença, desilusão e sofrimento.
Os iludidos dão mais importância às aparências do que à verdade, que
prioriza os valores eternos do espírito.
Servos do mundo, sofrem o mundo.
Em razão disso, quem assume sua verdade e age de acordo com os valores
da Vida, mesmo enfrentando o preconceito e pagando O PREÇO DE SER DIFERENTE[2],
passa credibilidade, obtém respeito e se realiza.
Porém os escravos do preconceito estão se candidatando no futuro a
experimentar as mesmas experiências que criticam, a fim de aprender conviver
com as diferenças.
FRATERNIDADE é o resultado
da capacidade de apreciar as diferenças. (GASPARETTO, 2004).
Richard Simonetti (Espírita): ao responder à questão: Ele [o
homossexual] pode ser acolhido como colaborador do Centro Espírita, trabalhar
como médium, por exemplo?, diz: Condenável qualquer discriminação. Não há
porque vedar-lhe essa possibilidade, a não ser que esteja envolvido em
relacionamento promíscuos. Essa mesma restrição estende-se ao heterossexual. A
promiscuidade, herança das tendências à poligamia que ainda caracterizam o ser
humano, inspirando o comportamento irresponsável, é incompatível com as
atividades espirituais. (SIMONETTI, 2001, p. 124).
Poderemos ainda deixar para uma reflexão individual, a
ser feita por cada um de nós, o seguinte:
Suponhamos que vivêssemos num país onde, por
determinação superior, tivéssemos que, por um longo tempo, abrigar em nossa
casa uma pessoa, cuja escolha deveríamos fazer entre duas que nos seriam
indicadas. Apresentam-nos, então, para essa escolha, um assassino psicopata e
um homossexual. Perguntamos: qual dos dois você escolheria para viver sob seu
teto durante o tempo estabelecido?
Suponhamos, também, que tivéssemos uma criança pequena
que demonstrasse tendências homossexuais, cuja causa poderia ser a viciação por
outras pessoas mais velhas, como por exemplo, o uso indiscriminado de
supositórios como medicamento para problemas de “ar preso”, que veio despertar
nela o prazer na região anal, o quê faríamos diante dessa realidade?
Suponhamos, ainda, que entre os nossos filhos atuais
ou que viéssemos a ter no futuro, houvesse um deles, que, por alguma razão que
desconhecemos, resolvesse, durante a festa de seu aniversário de 18 anos,
assumir publicamente, diante de todos os convidados, sua homossexualidade. Qual
seria a nossa atitude diante deste bombástico fato? Iríamos tratar esse filho
com o mesmo preconceito que temos para com os que não se ligam a nós pelos
laços da consangüinidade?
Uma hipótese abordada pelo Dr. Roberto Lúcio, com a
qual concordamos plenamente, é que, em algumas situações, a causa da
homossexualidade poderia ser por indução psíquica dos próprios pais, quando
desejando ardentemente que o seu futuro rebento seja de um sexo diferente
daquele que a vontade de Deus determinou, acabam implantando no psiquismo desse
feto o desejo de seus pais. Assim, após o seu nascimento poderá, consciente ou
inconscientemente, agir para realizar tal desejo, passando a ser apenas na
esfera psíquica aquela criança, cujo sexo foi objeto do sonho dos pais.
Somente quando nos colocamos na mesma situação do
outro é que poderemos avaliar o que ele poderia estar passando, daí a razão de
colocarmos essas situações para a nossa reflexão, esperando que cada um possa
ter a capacidade de considerar tais hipóteses, na expectativa de, se for o
caso, mudar seu pensamento diante da homossexualidade dos que jornadeiam
conosco em busca da própria evolução moral e espiritual. Oportuno não
esquecermos de que “... nenhuma coisa é de si mesmo imunda senão para aquele
que a tem por imunda, para este é imunda”. (Rm 14,14).
O texto já estava por nós encerrado, mas um amigo após
analisá-lo, pediu ao seu guia para opinar sobre esse assunto. Essa mensagem,
novíssima, vem arrematar tudo o que já foi dito, quanto ao preconceito, que,
com a devida permissão dele, estamos incluindo agora ao final. Trata-se do
nosso amigo advogado Raimundo de Moura Rego Filho, médium, espírita atuante na
cidade do Rio de Janeiro, que nos enviou, por e-mail, o seguinte:
Hermes,
por sentir-te por perto penso que me poderias dar um esclarecimento sobre o
tema que hora estudo e do qual, preciso dar uma opinião ao autor da matéria de
estudo.
Seria possível que me explicasses sobre as causas do homossexualismo?
Estariam essas causas ligadas à reencarnação, com elemento fulcro, desse
acometimento?
Responde Hermes:
Amado meu:
Temas como este, tão discutidos e por vezes tão insistentemente
associados somente aos nossos quereres ou visões mais íntimas, têm mais das
vezes, afastado irmãos de ideal espírita não só da Casa Espírita, mas de todo o
entendimento que, haurido da doutrina Espírita, poderia ajudar a que eles
fossem mais bem compreendidos, e por isso mesmo, tratados com mais respeito,
amor e tolerância.
O mais importante em qualquer caso, querido, é o entendimento fraterno
do problema, e a recondução do paciente adoecido, ao caminho do recomeço.
Ora, o que se vê, é a tônica da intolerância, do desrespeito, e por
vezes os ataques e achaques mal intencionados, oriundos das assertivas, sempre
baseadas no desconhecimento doutrinário, ou reforçadas pelo preconceito para
com essas pessoas. São nossos irmãos em Cristo, são também eles, o nosso
elemento de melhora e ascensão espiritual, ao sabermos com eles conversar, de
modo doutrinário, correto e adeso às Leis do amor, da Caridade e do Progresso.
Sem esses elementos, não se reeduca, não se ensina, em suma não se faz
Espiritismo.
Quantos já não terão sentido o gosto do amargo fel do desprezo, o
escárnio, as palavras duras com que muitos se manifestam e lhes dirigem?
Quanta dor, sofrimento e humilhação, já não haverão de ter passado?
Estes, também, são nossos irmãos, meu filho.
Se voltarmos olhos ao episódio da “adúltera”, encontraremos não a
condenação do Rabi, mas o julgamento sensato e amoroso que a indicou o caminho
da regeneração.
Tal é assim para com esse caso em específico. Remeter-se o homem de
hoje, ainda cheio de preconceitos, (e isso dos dois lados), aqueles que querem
descobrir tão somente as causas, sem atacar os irmãos em provação, e daqueles
por quem chegam as palavras mais duras, mais distantes, tanto do conhecimento
sobre o tema, quanto da formação doutrinária, descambando para os apupos e para
os acicates, brandindo seus chicotes idiomáticos como se estivessem isentos de
erros, a tema tão importante e tão controverso, seria pedir não a descoberta do
remédio, mas que se estabelecesse a discórdia afastante, o cisma, a cizânia,
todos os desvarios a que a pouca moral humana possa encaminhar alguns irmãos,
por vezes em maior desalinho do que o próprio Homossexual. Como se os Heteros
formassem a nação dos eleitos, dos corretos e dos infalíveis, quanta empáfia,
quanto desamor. Notas como o Evangelho, bem estudado e conhecido faz falta a
essas pessoas?
Por não terem alteados os patamares morais, a ponto de entenderem o
Evangelho, não entendem as premissas da doutrina Espírita.
Por não se reconfigurarem, persistindo também, nas próprias mazelas
morais que já lhe são de conhecimento, tornam-se míopes aos ensinos que a
própria doutrina oferece, e que lhes indicaria o caminho para a resposta que,
ao que nos é permitido saber e dizer distaria, ainda para um próximo período
reencarnatório, este já sob outra vibração, mais sutil e elevada, remetendo os
ideais do Amor Crístico e da Fraternidade, à maior celeridade no cumprimento da
Lei do Progresso.
Faze, então, teus amigos e tu mesmo, da experiência transitória nesta
existência, caminho para um aprendizado mais amplo e dignificante ao espírito,
para que no porvir, possam todos ajudar, sob o olhar do Cristo, a todos os
doentes, da alma e do Corpo.
Até lá, amado meu, ora por eles, por estes nossos irmãos que tanto
sofrem escondidamente, não os diminuam ou discriminem, esclareçam! Posto que já
sofrem deveras, neste período de dor sob o qual passam suas existências, no
hoje.
Amor e Paz,
Hermes.
Rio, 14 de outubro de 2004.
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Outubro/2004
(Revisado e ampliado em jul/2008).
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[1] Citado por
Dr. Hernani, no cap. IX do livro Você e a Reencarnação.
[2] Título do
livro cujo romance que aborda este tema.