O perispírito é o organismo que personaliza e individualiza o Espírito e o identifica quanto à aparência. A alma após a morte jamais perde sua individualidade. Ela comprova essa individualidade, apesar de não mais possuir o corpo material, através de um fluido que lhe é próprio, haurido na atmosfera do seu planeta e que guarda a aparência de sua última encarnação: seu perispírito. Através dele que um ser abstrato como é o Espírito, se torna um ser concreto, definido e apreensível pelo pensamento.
150. A alma, após a morte,
conserva a sua individualidade?
“Sim;
jamais a perde. Que seria ela, se não a
conservasse?”
a) - Como comprova a alma a sua
individualidade, uma vez que não tem mais corpo
material?
“Continua a ter um fluido que lhe é próprio, haurido na
atmosfera do seu planeta, e que guarda a aparência de sua última encarnação:
seu perispírito.”
b) - A alma nada leva consigo
deste mundo?
“Nada, a não ser a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor, lembrança cheia de doçura ou de amargor, conforme o uso que ela fez da vida. Quanto mais pura for, melhor compreenderá a futilidade do que deixa na Terra.”
(O Livro dos Espíritos - qs. 150, a e b - obra codificada por Allan Kardec)
284. Como podem os Espíritos,
não tendo corpo, comprovar suas individualidades e distinguir-se dos outros
seres espirituais que os rodeiam?
“Comprovam suas individualidades pelo perispírito, que os torna distinguíveis uns dos outros, como faz o corpo entre os homens.”
(O Livro dos Espíritos - q. 284 - obra codificada por Allan Kardec)
17. - O Espiritismo ensina de que maneira
se opera a união do Espírito com o corpo, na encarnação.
Pela sua essência espiritual, o Espírito é um ser
indefinido, abstrato, que não pode ter ação direta sobre a matéria,
sendo-lhe indispensável um intermediário, que é o envoltório fluídico, o
qual, de certo modo, faz parte integrante dele. É semimaterial esse
envoltório, isto é, pertence à matéria pela sua origem e à espiritualidade
pela sua natureza etérea. Como toda matéria, ele é extraído do fluido
cósmico universal que, nessa circunstância, sofre unia modificação especial.
Esse envoltório, denominado perispírito, faz
de um ser abstrato, do Espírito, um ser concreto, definido, apreensível pelo
pensamento. Torna-o apto a atuar sobre a
matéria tangível, conforme se dá com todos os fluidos imponderáveis, que
são, como se sabe, os mais poderosos motores.
O fluido perispirítico constitui, pois, o
traço de união entre o Espírito e a matéria. Enquanto aquele se acha unido
ao corpo, serve-lhe ele de veículo ao pensamento, para transmitir o
movimento às diversas partes do organismo, as quais atuam sob a impulsão da
sua vontade e para fazer que repercutam no Espírito as sensações que os
agentes exteriores produzam. Servem-lhe de fios condutores os nervos como,
no telégrafo, ao fluido elétrico serve de condutor o fio
metálico.
A Gênese - Encarnação dos Espíritos - cap. XI item 17 - obra codificada por Allan Kardec
9. Quando a alma está ligada ao corpo, durante a vida, tem duplo envoltório: um pesado e grosseiro e perecível, que é o corpo; o outro fluídico, leve e indestrutível, chamado perispírito.
10. Existem, portanto, no homem, três elementos essenciais:
1o . A alma ou Espírito, princípio inteligente onde residem o pensamento, a vontade e o senso moral;
2o . O corpo, envoltório material que põe o Espírito em relação com o mundo exterior;
3o. O perispírito, invólucro fluídico, leve, imponderável, servindo de liame e de intermediário entre o Espírito e o Corpo.”
14. A união da alma, do perispírito, e do corpo material constitui o homem. A alma e o perispírito separados do corpo
constituem a ser a que chamamos Espírito.
NOTA DE ALLAN KARDEC:
·
A alma é assim um ser
simples;
·
O Espírito um ser duplo, e
·
O homem um ser
triplo.
Seria portanto mais exato
reservar a palavra alma para
designar o princípio inteligente, e a palavra Espírito para o ser semimaterial
formado desse princípio e do corpo fluídico. Mas como não se pode conceber o
princípio inteligente sem
ligação material, as palavras alma e Espírito são, no uso comum,
indiferentemente empregadas uma pela outra; é a figura que consiste em tomar
a parte pelo todo, da mesma forma que se diz que uma cidade é habitada por
tantas almas, uma vila composta de tantas casas; porém, filosoficamente é
essencial fazer-se a diferença.
O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec).
...As palavras alma e Espírito, posto que sinônimos e
empregados indiferentemente, não exprimem exatamente a mesma idéia. A alma é, a bem dizer, o princípio
inteligente, imperceptível e indefinido como o pensamento. No estado dos
nossos conhecimentos, não podemos concebê-lo isolado da matéria de maneira
absoluta. Posto que formado de matéria sutil, o perispírito, dele faz um ser
limitado, definido e circunscrito a sua individualidade espiritual. De onde
se pode formular esta proposição:
A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o HOMEM;
A alma e o perispírito separados do corpo
constituem o ser chamado ESPÍRITO.
Nas manifestações espíritas não
é, pois, a alma que se apresenta só; esta sempre revestida de seu envoltório fluídico; esse
envoltório é o necessário
intermediário, através do qual ela age sobre a matéria compacta. Nas
aparições não é a alma que se
vê, mas o perispírito; do mesmo
modo que quando se vê um homem vê-se seu corpo, mas não o pensamento, a força, o princípio que o faz
agir.
Em
resumo,
·
A alma é um ser simples,
primitivo;
·
O Espírito o ser duplo
e
·
O homem o ser triplo.
Se se confundir o homem com
roupas, teremos um ser quádruplo. Na circunstância de que se trata, o
vocábulo Espírito é o que melhor
corresponde à coisa expressa. Pelo pensamento representa-se um Espírito, mas não se representa uma
alma.
Revista Espírita (Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec), Ano VII, maio de 1864, pág. 138 e 139 - EDICEL.
Os retratos do Sr. Adrien, entretanto, nem sempre são infalíveis. Nisto, como em toda a ciência, quando se apresenta uma anomalia, é necessário procurar-lhe a causa, pois a causa de exceção freqüentemente confirma a regra geral. Para compreender este fato não devemos perder de vista quanto já dissemos sobre a forma aparente dos Espíritos. Esta forma depende do perispírito, cuja natureza, essencialmente flexível, se presta a todas as modificações que lhe queira dar o Espírito. Deixando o envoltório material, o Espírito leva consigo o seu invólucro etéreo, que constitui uma outra espécie de corpo. Em seu estado normal, tem este corpo uma forma humana, mas não calcada traço a traço sobre aquele que ficou, principalmente quando foi deixado há algum tempo. Nos primeiros instantes que se seguem a morte e enquanto existe um laço entre duas existências, maior é a similitude; esta, porém, apaga-se à medida que se opera o desprendimento e que o Espírito se torna mais estranho ao seu envoltório. (...)
Revista Espírita (Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec), Ano II, janeiro de 1859, pág. 8 - EDICEL.
Sabemos que os Espíritos são revestidos de
um envoltório vaporoso, que lhes forma um verdadeiro corpo fluídico, ao qual
damos o nome de perispírito, e cujos elementos são tirados do fluido
universal ou cósmico, princípio de todas as coisas. Quando o Espírito se une
ao corpo, aí vive com seu perispírito, que serve de ligação entre o Espírito
propriamente dito, e a matéria corpórea: é o intermediário das sensações
percebidas pelo Espírito. Mas esse perispírito não é confinado no corpo,
como numa caixa. Por sua natureza fluídica, ele irradia exteriormente e
forma em torno do corpo uma espécie de atmosfera, como o vapor que dele se
desprende. Mas o vapor que se desprende de um corpo malsão é igualmente
malsão, acre e nauseabundo, o que infecta o ar dos lugares onde se reúnem
muitas pessoas malsãs. Assim como esse vapor impregnado das qualidades do
corpo, o perispírito é impregnado das qualidades, ou seja do pensamento do
Espírito e irradia tais qualidades em torno do
corpo.
Agora outro parênteses para responder uma objeção
oposta por alguns à teoria dada pelo Espiritismo do estado da alma.
Acusam-no de materializar a alma, ao passo que conforme à religião, a alma é
puramente imaterial. Como a maior parte das outras, esta objeção provém de
um estudo incompleto e superficial. Jamais o Espiritismo definiu a natureza
da alma, que escapa as nossas investigações. Não diz que o perispírito
constitua a alma: o vocábulo perispírito diz positivamente o contrário, pois
especifica um envoltório em torno do Espírito. Que a diz respeito o
O LIVRO DOS ESPÍRITOS? “Há no homem três coisas:
1º . A alma ou Espírito, princípio
inteligente;
2º . O corpo, envoltório
material;
3º . O perispírito,
envoltório fluídico semimaterial, servindo de laço entre o Espírito e o
Corpo.”
E porque, com a morte do corpo, a alma conserva o seu
envoltório fluídico, não está dito que tal envoltório e a alma sejam uma só
e a mesma coisa, pois que o corpo não é único com a roupa ou alma não é una
com o corpo. A Doutrina Espírita nada tira à imaterialidade da alma: apenas
lhe dá dois invólucros, em vez de um, durante a vida corpórea e só um após a
morte do corpo, o que é, não uma hipótese,
mas um resultado da observação. E é com o auxílio desse envoltório que
melhor se compreende a sua individualidade e melhor se explica a sua ação
sobre a matéria.
Revista Espírita (Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec), Ano V, dezembro de 1862, pág. 357, EDICEL.
As almas ou Espíritos não tem sexo. As afeições que os unem nada tem de carnal e, por isto mesmo, são mais duráveis, porque fundadas numa simpatia real e não subordinadas às vicissitudes da matéria.
As almas se encarnam, isto é, revestem temporariamente um envoltório carnal, para elas semelhante a uma pesada vestimenta, de que a morte as desembaraça. Este envoltório material, pondo-as em contato com o mundo material, nesse estados elas concorrem ao progresso material do mundo que habitam; a atividade que são obrigadas a desenvolver, quer para a conservação da vida, quer à procura do bem-estar, auxilia-lhes o avanço intelectual e moral. A cada encarnação a alma chega mais desenvolvida; trás novas idéias e os conhecimentos adquiridos nas existências anteriores. Assim se efetua o progresso dos povos; os homens civilizados de hoje são os mesmos que viveram na idade média e nos tempos de barbárie, e progrediram; os que viverem os séculos futuros serão os de hoje, porém ainda mais adiantados intelectualmente e moralmente.
Os sexos só existem no organismo. São necessários à reprodução dos seres materiais. Mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão por que os sexos seriam inúteis no mundo espiritual.
Revista Espírita (Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec), Ano IX, janeiro de 1866, págs. 2 e 3, EDICEL.
Quando Luísa B... vê pessoas vivas, desaparecem as devastações do tempo e se se perdeu algum membro, para ela ele ainda subsiste; a forma corpórea é integralmente reproduzida pelo fluido nervoso. Se ela visse simplesmente o corpo, vê-lo-ia tal qual é; o que ela vê é o envoltório fluídico; o corpo material pode ser amputado; o perispírito não o é; o que aqui se designa por fluido nervoso não é, senão, o fluido perispirital.
... O que ela vê é a alma revestida de seu corpo fluídico ou perispírito. (...)
Revista Espírita (Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec), Ano IX, janeiro de 1866, pág. 23, EDICEL.