O PERISPÍRITO

Pesquisa e texto de cabeçalho: por Elio Mollo

Abaixo textos extraídos dos livros da codificação Espírita mencionados no final de cada um.
 

 

MOLDE DO CORPO FÍSICO

Outra questão polêmica é se o pe­rispírito é o molde do corpo físico. Analisando detidamente  a questão à luz da  Codificação Espírita feita por Kardec,  chegaremos a conclusão  que  o  perispírito não é o molde, modelo  ou  forma do corpo físico. É, sim, o princípio diretor da vida organizada, o elemento de aglutinação, de organiza­ção da matéria obediente às leis bioló­gicas e ao comando do Espírito. Cita­remos apenas três passagens das obras de Allan Kardec para demonstrarmos o que foi acima exposto:

 

"A  Gênese" - cap. XI - 11:

 

"Para ser mais exato, é preciso di­zer  que é o próprio espírito que molda o seu envoltório e o apropria às suas novas necessidades; aperfeiçoa-o e lhe desenvolve e completa o or­ganismo, à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas fa­culdades; numa palavra, talha-o de acordo com sua inteligência."

 

"A Gênese" - cap.  XI - 18:

 

"Quando o Espírito tem de encar­nar num corpo em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, o liga ao gérmen que o atrai por uma força irresistível desde o momento da concepção. Sob a influência do prin­cípio vito-material do gérmen, o pe­rispírito, que possui certas proprie­dades da matéria,  se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde o poder dizer-se que o Espíri­to, por intermédio de seu perispírito se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra...:" No desencarne ocorre exata­mente o contrário: o perispírito se des­prende molécula a molécula, conforme se unira e ao Espírito é restituída  a  li­berdade.  Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo e sim, a morte do corpo é que determina a partida do Espírito.

 

Finalmente, em "O Livro dos Espí­ritos, pergunta n. 356":   

 

P- "Entre os natimortos alguns ha­verá que não tenham sido destinados à encarnação de Espíritos?"

R- "Alguns há, efetivamente a cujos corpos nunca nenhum Espírito esteve destinado. Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças só  vêm por seus pais."

 

Pergunta n. 356-A:

P- "Pode chegar a termo de nas­cimento um ser dessa natureza?"

R- "Algumas vezes, mas não vive."

 

Ora, se existem corpos físicos aos quais nunca nenhum Espírito esteve destinado, obviamente não havendo Espírito, não haveria perispírito para servirem de modelos. E como consegui­ram as células se multiplicarem e da­rem ao final uma conformação humana a esse corpo físico se não havia o pe­rispírito para servir de molde? Isso nos leva à conclusão de que o perispírito não é o molde ou forma do corpo hu­mano.

 

O molde, a forma ou modelo se en­contra nos fatores genéticos e hereditá­rios de cada ser, herdados do material genético doado pelos seus pais. "O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. "O Livro do Espíritos, perg. 207  e ainda em João 3:6, Jesus disse: "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito."

 

Enfatizamos ainda que o Espírito se utiliza do perispírito como um laço fluídico para se ligar ao corpo em for­mação, corpo este que se desenvolve conforme os fatores genéticos e heredi­tários de cada ser herdado, como já foi dito, do material genético doado pelos seus pais. ("A Gênese", cap. XI - item 18).

 

Sendo o Espírito o arquiteto e con­dicionador do seu corpo de manifesta­ção, juntamente com as Leis Naturais, não há que se falar que o perispírito seja o molde do corpo físico e, sim, ser o perispírito, em cada encarnação, que se modela para o corpo físico.

 

Textos extraídos das obras da codificação e que foram utilizados na matéria O PERISPÍRITO.

136. A alma independe do princípio vital?

“O corpo não é mais do que envoltório, repetimo-lo constantemente.”

 

136a) - Pode o corpo existir sem a alma?

Pode; entretanto, desde que cessa a vida do corpo, a alma o abandona. Antes do nascimento, ainda não há união definitiva entre a alma e o corpo; enquanto que, depois dessa união se haver estabelecido, a morte do corpo rompe os laços que o prendem à alma e esta o abandona. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica.”

 

136b) - Que seria o nosso corpo, se não tivesse alma?

Simples massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um homem.”

 

203. Transmitem os pais aos filhos uma parcela de suas almas, ou se limitam a lhes dar a vida animal a que, mais tarde, outra alma vem adicionar a vida moral?

“Dão-lhes apenas a vida animal, pois que a alma é indivisível. Um pai obtuso pode ter filhos inteligentes e vice-versa.”

 

207. Freqüentemente, os pais transmitem aos filhos a parecença física. Transmitirão também alguma parecença moral?

Não, que diferentes são as almas ou Espíritos de uns e outros. O corpo deriva do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. Entre os descendentes das raças apenas há consangüinidade.”

 

207a) - Donde se originam as parecenças morais que costuma haver entre pais e filhos?

“É que uns e outros são Espíritos simpáticos, que reciprocamente se atraíram pela analogia dos pendores.”

 

217. E do caráter físico de suas existências pretéritas conserva o Espírito traços nas suas existências posteriores?

“O novo corpo que ele toma nenhuma relação tem com o que foi anteriormente destruído. Entretanto, o Espírito se reflete no corpo. Sem dúvida que este é unicamente matéria, porém, nada obstante, se modela pelas capacidades do Espírito, que lhe imprime certo cunho, sobretudo ao rosto, pelo que é verdadeiro dizer-se que os olhos são o espelho da alma, isto é, que o semblante do indivíduo lhe reflete de modo particular a alma. Assim é que uma pessoa excessivamente feia, quando nela habita um Espírito bom, criterioso, humanitário, tem qualquer coisa que agrada, ao passo que há rostos belíssimos que nenhuma impressão te causam, que até chegam a inspirar-te repulsão. Poderias supor que somente corpos bem moldados servem de envoltório aos mais perfeitos Espíritos, quando o certo é que todos os dias deparas com homens de bem, sob um exterior disforme. Sem que haja pronunciada parecença, a semelhança dos gostos e das inclinações pode, portanto, dar lugar ao que se chama “um ar de família.”

 

NOTA DE ALLAN KARDEC: Nenhuma relação essencial guardando o corpo que a alma toma numa encarnação com o de que se revestiu em encarnação anterior, visto que aquele lhe pode vir de procedência muito diversa da deste, fora absurdo pretender-se que, numa série de existências, haja uma semelhança que é inteiramente fortuita. Todavia, as qualidades do Espírito freqüentemente modificam os órgãos que lhe servem para as manifestações e lhe imprimem ao semblante físico e até ao conjunto de suas maneiras um cunho especial. É assim que, sob um envoltório corporal da mais humilde aparência, se pode deparar a expressão da grandeza e da dignidade, enquanto sob um envoltório de aspecto senhoril se percebe freqüentemente a da baixeza e da ignomínia. Não é pouco freqüente observar-se que certas pessoas, elevando-se da mais ínfima posição, tomam sem esforços os hábitos e as maneiras da alta sociedade. Parece que elas aí vêm a achar-se de novo no seu elemento. Outras, contrariamente, apesar do nascimento e da educação, se mostram sempre deslocadas em tal meio. De que modo se há de explicar esse fato, senão como reflexo daquilo que o Espírito foi antes?

 

257 (...)

O perispírito é o laço que à matéria do corpo prende o Espírito, que o tira do meio ambiente, do fluido universal. Contém ao mesmo tempo da eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria inerte. Poder-se-ia dizer que é a quintessência da matéria. É o princípio da vida orgânica, porém, não o da vida intelectual, que reside no Espírito.

 

344. Em que momento a alma se une ao corpo?

A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus.”

 

351. No intervalo que medeia da concepção ao nascimento, goza o Espírito de todas as suas faculdades?

Mais ou menos, conforme o ponto, em que se ache, dessa fase, porquanto ainda não está encarnado, mas apenas ligado. A partir do instante da concepção, começa o Espírito tomado de perturbação, que o adverte de que lhe soou o momento de começar nova existência corpórea. Essa perturbação cresce de contínuo até ao nascimento, Nesse intervalo, seu estado é quase idêntico ao de um Espírito encarnado durante o sono. À medida que a hora do nascimento se aproxima, suas idéias se apagam, assim como a lembrança do passado, do qual deixa de ter consciência na condição, de homem, logo que entra na vida. Essa lembrança, porém, lhe volta pouco a pouco ao retornar ao estado de Espírito.”

 

353. Não sendo completa a união do Espírito ao corpo, não estando definitivamente consumada, senão depois do nascimento, poder-se-á considerar o feto como dotado de alma?

“O Espírito que o vai animar existe, de certo modo, fora dele. O feto não tem pois, propriamente falando, uma alma, visto que a encarnação está apenas em via de operar-se. Acha-se, entretanto, ligado à alma que virá a possuir.”

 

355. Há, de fato, como o indica a Ciência, crianças que já no seio materno não são vitais? Com que fim ocorre isso?

“Freqüentemente isso se dá e Deus o permite como prova, quer para os pais do nascituro, quer para o Espírito designado a tomar lugar entre os vivos.”

 

356. Entre os natimortos alguns haverá que não tenham sido destinados à encarnação de Espíritos?

Alguns há, efetivamente, a cujos corpos nunca nenhum Espírito esteve destinado. Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças então só vêm por seus pais.”

 

356a) - Pode chegar a termo de nascimento um ser dessa natureza?

Algumas vezes; mas não vive.”

 

356b) - Segue-se daí que toda criança que vive após o nascimento tem forçosamente encarnado em si um Espírito?

“Que seria ela, se assim não acontecesse? Não seria um ser humano.”

(O Livro dos Espíritos - qs. 136a, 136b, 203, 207, 217,  257 (§ 2), 344, 351, 353, 355, 356, 356a e 356b  - obra codificada por Allan Kardec)

 

56. Ele tem a forma humana e, quando nos aparece, é geralmente com a que revestia o Espírito na condição de encarnado. Daí se poderia supor que o perispírito, separado de todas as partes do corpo, se modela, de certa maneira, por este e lhe conserva o tipo; entretanto, não parece que seja assim. Com pequenas diferenças quanto às particularidades e exceção feita das modificações orgânicas exigidas pelo meio em o qual o ser tem que viver, a forma humana se nos depara entre os habitantes de todos os globos. Pelo menos, é o que dizem os Espíritos. Essa igualmente a forma de todos os Espíritos não encarnados, que só têm o perispírito; a com que, em todos os tempos, se representaram os anjos, ou Espíritos puros. Devemos concluir de tudo isto que a forma humana é a forma tipo de todos os seres humanos, seja qual foro grau de evolução em que se achem. Mas a matéria sutil do perispírito não possui a tenacidade, nem a rigidez da matéria compacta do corpo; é, se assim nos podemos exprimir, flexível e expansível, donde resulta que a forma que toma, conquanto decalcada na do corpo, não é absoluta, amolga-se([1]) à vontade do Espírito, que lhe pode dar a aparência que entenda, ao passo que o invólucro sólido lhe oferece invencível resistência. Livre desse obstáculo que o comprimia, o perispírito se dilata ou contrai, se transforma: presta-se, numa palavra, a todas as metamorfoses, de acordo com a vontade que sobre ele atua. Por efeito dessa propriedade do seu envoltório fluídico, é que o Espírito que quer dar-se a conhecer pode, em sendo necessário, tomar a aparência exata que tinha quando vivo, até mesmo com os acidentes corporais que possam constituir sinais para o reconhecerem Os Espíritos, portanto, são, como se vê, seres semelhantes a nós, constituindo, ao nosso derredor, toda urna população, invisível no estado normal. Dizemos - no estado normal, porque, conforme veremos, essa invisibilidade nada tem de absoluta.

O Livro dos Médiuns - 2a parte, cap. I, item 56 - obra codificada por Allan Kardec

 

11. - Para ser mais exato, é preciso dizer que é o próprio Espírito que modela o seu envoltório e o apropria às suas novas necessidades; aperfeiçoa-o e lhe desenvolve e completa o organismo, à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades; numa palavra, talha-o de acordo com a sua inteligência. Deus lhe fornece os materiais; cabe-lhe a ele empregá-los. É assim que as raças adiantadas têm um organismo ou, se quiserem, um aparelhamento cerebral mais aperfeiçoado do que as raças primitivas. Desse modo igualmente se explica o cunho especial que o caráter do Espírito imprime aos traços da fisionomia e às linhas do corpo. (Cap. VIII, no 7: Da alma da Terra.)

 

7. – (...) O desenvolvimento orgânico está sempre em relação com o desenvolvimento do princípio intelectual. O organismo se completa à medida que se multiplicam as faculdades da alma. A escala orgânica acompanha constantemente, em todos os seres, a progressão da inteligência, desde o pólipo até o homem, e não podia ser de outro modo, pois que a alma precisa de um instrumento apropriado à importância das funções que lhe compete desempenhar.

A Gênese- cap. VIII – item 7 - obra codificada por Allan Kardec

 

18. - Quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, o liga ao gérmen que o atraí por uma força irresistível, desde o momento da concepção. A medida que o gérmen se desenvolve, o laço se encurta. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde o poder dizer-se que o Espírito, por intermédio do seu perispírito, se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra. Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união; nasce então o ser para a vida exterior. Por um efeito contrário, a união do perispírito e da matéria carnal, que se efetuara sob a influência do princípio vital do gérmen, cessa, desde que esse princípio deixa de atuar, em conseqüência da desorganização do corpo. Mantida que era por uma força atuante, tal união se desfaz, logo que essa força deixa de atuar. Então, o perispírito se desprende, molécula a molécula, conforme se unira, e ao Espírito é restituída a liberdade. Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo; esta é que determina a partida do Espírito. Dado que, um instante após a morte, completa é a integração do Espírito; que suas faculdades adquirem até maior poder de penetração, ao passo que o princípio de vida se acha extinto no corpo, provado evidentemente fica que são distintos o princípio vital e o princípio espiritual.

A Gênese- cap. XI – itens 11 e 18 - obra codificada por Allan Kardec

 

Voltemos ao assunto. Por sua natureza fluídica, essencialmente móvel e elástica, se assim se pode dizer, como agente direto do Espírito, o perispírito é posto em ação e projeta raios pela vontade do Espírito. Por esses raios ele serve à transmissão do pensamento, porque, de certa forma, está animado pelo pensamento do Espírito. Sendo o perispírito o laço que une o Espírito ao corpo, é por seu intermédio que o Espírito transmite aos órgãos, não a vida vegetativa, mas os movimentos que exprimem a sua vontade; é, também, por seu intermédio que as sensações do corpo são transmitidas ao Espírito. Destruído o corpo sólido pela morte, o Espírito não age mais e não percebe mais senão por seu corpo fluídico, ou perispírito. Por isso age mais facilmente e percebe melhor, desde que o corpo é um entrave. Tudo isto é ainda resultado da observação. Suponhamos agora duas pessoas próximas, cada qual envolvida por sua atmosfera perispirital. Deixem passar o neologismo. Esses dois fluidos põem-se em contato e se penetram. Se forem de natureza simpática, interpenetram-se; se de natureza antipática, repelem-se e os indivíduos sentirão uma espécie de mal-estar, sem se darem conta; se, ao contrário, forem movidos por sentimentos de benevolência, terão um pensamento benevolente, que atrai. É por isso que duas pessoas se compreendem e se adivinham sem falar. Um certo que por vezes diz que a pessoa que defrontamos é animada por tal ou qual sentimento. Ora, esse certo que é a expansão do fluido perispirital da pessoa em contato conosco, espécie de fio elétrico condutor do pensamento. Desde logo compreende-se que os Espíritos, cujo envoltório fluídico é como mais livre do que no estado de encarnação, não necessitam de sons articulados para se entenderem.

Revista Espírita (Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec), Ano V, dezembro de  1862, pág. 358, EDICEL.

 

6. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

Novo Testamento, João, 3:6.

 

Outra fonte de pesquisa:  ATUALIDADE DE ALLAN KARDEC «O Perispírito», 1a edição, Editora Brasbiblos, 1986 de Rubens P. Meira;



([1]) AMOLGAR, Deformar, deprimindo. Acomodar, conformar, ajustar. Obrigar, forçar. Ceder, Render-se. Derrotar, vencer. (Dicionário Melhoramentos)

 

 

 

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