Para atuar na matéria, o Espírito precisa de matéria. Como já foi dito, em virtude de sua natureza etérea, o Espírito, propriamente dito, não pode atuar sobre a matéria grosseira sem um intermediário que o ligue a essa matéria. Esse intermediário, que nós chamamos de perispírito, nos faculta a chave de todos os fenômenos espíritas de ordem material. Portanto, o perispírito é o órgão de manifestação utilizado pelo Espírito nas comunicações com o plano dos espíritos encarnados.
“A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.
“Há no homem três coisas:
1°, o corpo
ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2°, a alma
ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo;
3°, o laço
que prende a alma ao corpo, princípio
intermediário entre a matéria e o Espírito.
“
“Tem assim o
homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos
instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.
“
“O laço ou perispírito, que
prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório
semimaterial.“
“A morte é a
destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que
lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém
que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no
fenômeno das aparições.
“O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato. “
(O Livro dos Espíritos - Introdução - obra codificada por Allan Kardec).
93. O Espírito,
propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está
sempre envolto numa substância qualquer?
“Envolve-o uma
substância vaporosa para os teus olhos, mas ainda
bastante grosseira para nós; assaz vaporosa,
entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde
queira.”
NOTA DE A. KARDEC - Envolvendo o gérmen de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de envoltório ao Espírito propriamente dito.
94. De onde tira o
Espírito o seu invólucro semimaterial?
“Do fluido universal de cada
globo, razão por
que não é idêntico em todos os mundos. Passando de um mundo a outro, o
Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa.”
(O Livro dos Espíritos - qs. 93 e 94 - obra codificada por Allan Kardec)
249. Percebe os
sons?
“Sim, percebe mesmo sons
imperceptíveis para os vossos sentidos
obtusos.”
249a) - No Espírito, a
faculdade de ouvir está em todo ele, como a de
ver?
“Todas as percepções constituem atributos do Espírito e
lhe são inerentes ao ser. Quando o reveste um corpo material, elas só lhe chegam
pelo conduto dos órgãos. Deixam, porém, de estar localizadas, em se
achando ele na condição de Espírito livre.”
(O Livro dos Espíritos - qs. 249 e 249a - obra codificada por Allan Kardec)
257. O corpo é o instrumento da dor. Se não é a causa primária desta é, pelo menos, a causa imediata. A alma tem a percepção da dor: essa percepção é o efeito. A lembrança que da dor a alma conserva pode ser muito penosa, mas não pode ter ação física. De fato, nem o frio, nem o calor são capazes de desorganizar os tecidos da alma, que não é suscetível de congelar-se, nem de queimar-se. Não vemos todos os dias a recordação ou a apreensão de um mal físico produzirem o efeito desse mal, como se real fora? Não as vemos até causar a morte? Toda gente sabe que aqueles a quem se amputou um membro costumam sentir dor no membro que lhes falta. Certo que aí não está a sede, ou, sequer, o ponto de partida da dor. O que há, apenas, é que o cérebro guardou desta a impressão. Lícito, portanto, será admitir-se que coisa análoga ocorra nos sofrimentos do Espírito após a morte. Um estudo aprofundado do perispírito, que tão importante papel desempenha em todos os fenômenos espíritas; nas aparições vaporosas ou tangíveis; no estado em que o Espírito vem a encontrar-se por ocasião da morte; na idéia, que tão freqüentemente manifesta, de que ainda está vivo; nas situações tão comoventes que nos revelam os dos suicidas, dos supliciados, dos que se deixaram absorver pelos gozos materiais; e inúmeros outros fatos, muita luz lançaram sobre esta questão, dando lugar a explicações que passamos a resumir.
O
perispírito é o laço que à matéria do corpo prende o Espírito, que o tira do
meio ambiente, do fluido universal. Contém
ao mesmo tempo da eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da
matéria inerte. Poder-se-ia dizer que é a
quintessência da matéria. É o princípio da vida orgânica, porém, não o da
vida intelectual, que reside no Espírito. É, além disso, o agente das
sensações exteriores. No corpo, os órgãos, servindo-lhes de condutos,
localizam essas sensações. Destruído o corpo, elas se tornam gerais. Daí o
Espírito não dizer que sofre mais da cabeça do que dos pés, ou vice-versa.
Não se confundam, porém, as sensações do perispírito, que se tornou
independente, com as do corpo. Estas últimas só por termo de comparação as
podemos tomar e não por analogia. Liberto do corpo, o Espírito pode sofrer,
mas esse sofrimento não é corporal, embora não seja exclusivamente moral,
como o remorso, pois que ele se queixa de frio e calor. Também não sofre
mais no inverno do que no verão: temo-los visto atravessar chamas, sem
experimentarem qualquer dor. Nenhuma impressão lhes causa, conseguintemente,
a temperatura. A dor que sentem não é, pois, uma dor física propriamente
dita: é um vago sentimento íntimo, que o próprio Espírito nem sempre
compreende bem, precisamente porque a dor não se acha localizada e porque
não a produzem agentes exteriores; é mais uma reminiscência do que uma
realidade, reminiscência, porém, igualmente penosa. Algumas vezes,
entretanto, há mais do que isso, como vamos ver.
(O Livro dos Espíritos – item 257 (Ensaio Teórico sobre a sensação nos Espíritos) - § 1 e 2 - obra codificada por Allan Kardec)
54. Numerosas observações e fatos irrecusáveis, de que mais tarde falaremos, levaram à conseqüência de que há no homem três componentes:
1º, a alma,
ou Espírito, princípio inteligente, onde tem sua sede o senso moral;
2º, o corpo,
invólucro grosseiro, material, de que ele se revestiu temporariamente, em
cumprimento de certos desígnios providenciais;
3º,
o perispírito, envoltório fluídico,
semimaterial, que serve de ligação entre a alma e
o corpo.
A morte é a destruição, ou, antes, a desagregação do envoltório grosseiro, do invólucro que a alma abandona. O outro se desliga deste e acompanha a alma que, assim, fica sempre com um envoltório. Este último, ainda que fluídico, etéreo, vaporoso, invisível, para nós, em seu estado normal, não deixa de ser matéria, embora até ao presente não tenhamos podido assenhorear-nos dela e submetê-la à análise.
Esse segundo invólucro da alma, ou perispírito, existe, pois, durante a vida corpórea; é o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe e pelo qual transmite sua vontade ao exterior e atua sobre os órgãos do corpo. Para nos servirmos de uma comparação material, diremos que é o fio elétrico condutor, que serve para a recepção e a transmissão do pensamento; é, em suma, esse agente misterioso, imperceptível, conhecido pelo nome de fluido nervoso, que desempenha tão grande papel na economia orgânica e que ainda não se leva muito em conta nos fenômenos fisiológicos e patológicos.
Tomando em consideração apenas o elemento material ponderável, a Medicina, na apreciação dos fatos, se priva de uma causa incessante de ação. Não cabe, aqui, porém, o exame desta questão. Somente faremos notar que no conhecimento do perispírito está a chave de inúmeros problemas até hoje insolúveis.
O perispírito não constitui uma dessas hipóteses de que a ciência costuma valer-se, para a explicação de um fato. Sua existência não foi apenas revelada pelos Espíritos, resulta de observações, como teremos ocasião de demonstrar. Por ora e por nos não anteciparmos, no tocante aos fatos que havemos de relatar, limitar-nos-emos a dizer que, quer durante a sua união com o corpo, quer depois de separar-se deste, a alma nunca está desligada do seu perispírito.
O Livro dos Médiuns - 2a parte, cap. I, item 54 - obra codificada por Allan Kardec
58. A natureza íntima do Espírito propriamente dito, isto é, do ser pensante, desconhecemo-la por completo. Apenas pelos seus atos ele se nos revela e seus atos não nos podem impressionar os sentidos, a não ser por um intermediário material. O Espírito precisa, pois, de matéria, para atuar sobre a matéria. Tem por instrumento direto de sua ação o perispírito, como o homem tem o corpo. Ora, o perispírito é matéria, conforme acabamos de ver. Depois, serve-lhe também de agente intermediário o fluido universal, espécie de veículo sobre que ele atua, como nós atuamos sobre o ar, para obter determinados efeitos, por meio da dilatação, da compressão, da propulsão, ou das vibrações. Considerada deste modo, facilmente se concebe a ação do Espírito sobre a matéria. Compreende-se, desde então, que todos os efeitos que daí resultam cabem na ordem dos fatos naturais e nada têm de maravilhosos. Só pareceram sobrenaturais, porque se lhes não conhecia a causa. Conhecida esta, desaparece o maravilhoso e essa causa se inclui toda nas propriedades semimateriais do perispírito. E uma ordem nova de fatos que uma nova lei vem explicar e dos quais, dentro de algum tempo, ninguém mais se admirará como ninguém se admira hoje de se corresponder com outra pessoa, a grande distância, em alguns minutos, por meio da eletricidade.
O Livro dos Médiuns - 2a parte, cap. I, item 58 - obra codificada por Allan Kardec
IX. Será com
os seus próprios membros, de certo modo solidificados, que os Espíritos
levantam a mesa?
"Esta
resposta ainda não te levará até onde desejas. Quando, sob as vossas mãos,
uma mesa se move, o Espírito haure no fluido universal o que é necessário
para lhe dar uma vida factícia. Assim preparada a mesa, o Espírito a atrai e
move sob a influência do fluido que de si mesmo desprende, por efeito da sua
vontade. Quando quer pôr em movimento uma massa por demais pesada para suas
forças, chama em seu auxílio outros Espíritos, cujas condições sejam
idênticas às suas. Em virtude da sua natureza etérea, o Espírito,
propriamente dito, não pode atuar sobre a matéria grosseira, sem
intermediário, isto é, sem o elemento que o liga à matéria. Esse elemento, que constitui o que chamais perispírito,
vos faculta a chave de todos os fenômenos espíritas de ordem
material. Julgo ter-me explicado muito
claramente, para ser compreendido."
NOTA. Chamamos a atenção para a seguinte frase, primeira da resposta acima: Esta resposta AINDA te não levará até onde desejas.
O Livro dos Médiuns - 2a parte, cap. IV, item 74 – q. IX - obra codificada por Allan Kardec
25ª Toda gente tem
aptidão para ver os Espíritos?
"Durante o sono, todos têm; em estado de vigília, não. Durante o sono, a alma vê sem intermediário; no estado de vigília, acha-se sempre mais ou menos influenciada pelos órgãos. Daí vem não serem totalmente idênticas as condições nos dois casos."
26ª De que depende, para
o homem, a faculdade de ver os Espíritos, em estado de vigília?
"Depende da organização física. Reside na maior ou menor facilidade que tem o fluido do vidente para se combinar com o do Espírito. Assim, não basta que o Espírito queira mostrar-se, é preciso também que encontre a necessária aptidão na pessoa a quem deseje fazer-se visível."
26aa)
Pode essa faculdade desenvolver-se pelo exercício?
"Pode, como todas as outras faculdades; mas, pertence ao número daquelas com relação às quais é melhor que se espere o desenvolvimento natural, do que provocá-lo, para não sobreexcitar a imaginação. A de ver os Espíritos, em geral e permanentemente, constitui uma faculdade excepcional e não está nas condições normais do homem."
O Livro dos Médiuns - 2a parte, cap. VI, item 100 – qs. 25a , 26a e 26a a - obra codificada por Allan Kardec
109. O perispírito, como se vê, é o princípio de todas as manifestações. O conhecimento dele foi a chave da explicação de uma imensidade de fenômenos e permitiu que a ciência espírita desse largo passo, fazendo-a enveredar por nova senda, tirando-lhe todo o cunho de maravilhosa. Dos próprios Espíritos, porquanto notai bem que foram eles que nos ensinaram o caminho, tivemos a explicação da ação do Espírito sobre a matéria, do movimento dos corpos inertes, dos ruídos e das aparições. Aí encontraremos ainda a de muitos outros fenômenos que examinaremos antes de passarmos ao estudo das comunicações propriamente ditas. Tanto melhor as compreenderemos, quanto mais conhecedores nos acharmos das causas primárias. Quem haja compreendido bem aquele princípio, facilmente, por si mesmo, o aplicará aos diversos fatos que se lhe possam oferecer à observação.
O Livro dos Médiuns - 2a parte, cap. VI, item 109 - obra codificada por Allan Kardec
203. O desejo natural de todo aspirante a médium é o de poder
confabular com os Espíritos das pessoas que lhe são caras; deve, porém,
moderara sua impaciência, porquanto a comunicação com determinado Espírito
apresenta muitas vezes dificuldades materiais que a tornam impossível ao
principiante. Para que um Espírito possa
comunicar-se, preciso é que haja entre ele e o médium relações fluídicas,
que nem sempre se estabelecem instantaneamente.
Só à medida que a faculdade se desenvolve, é que o médium adquire pouco a
pouco a aptidão necessária para pôr-se em comunicação com o Espírito que se
apresente. Pode dar-se, pois, que aquele com quem o médium deseje
comunicar-se, não esteja em condições propícias a fazê-lo, embora se ache
presente, como também pode acontecer que não tenha possibilidade, nem
permissão para acudir ao chamado que lhe é dirigido. Convém, por isso, que
no começo ninguém se obstine em chamar determinado Espírito, com exclusão de
qualquer outro, pois amiúde sucede não ser com esse que as relações
fluídicas se estabelecem mais facilmente, por maior que seja a simpatia que
lhe vote o encarnado. Antes, pois, de pensar em obter comunicações de tal ou
tal Espírito, importa que o aspirante leve a efeito o desenvolvimento da sua
faculdade, para o que deve fazer um apelo geral e dirigir-se principalmente
ao seu anjo guardião.
Não há, para esse fim, nenhuma fórmula sacramental. Quem quer que pretenda indicar alguma pode ser tachado, sem receio, de impostor, visto que para os Espíritos a forma nada vale. Contudo, a evocação deve sempre ser feita em nome de Deus. Poder-se- á fazê-la nos termos seguintes, ou outros equivalentes: Rogo a Deus Todo-Poderoso que permita venha um bom Espírito comunicar-se comigo e fazer-me escrever; peço também ao meu anjo de guarda se digne de me assistir e de afastar os maus Espíritos. Formulada a súplica, é esperar que um Espírito se manifeste, fazendo escrever alguma coisa. Pode acontecer venha aquele que o impetrante deseja, como pode ocorrer também venha um Espírito desconhecido ou o anjo de guarda. Qualquer que ele seja, em todo caso, dar-se-á conhecer, escrevendo o seu nome. Mas, então apresenta-se a questão da identidade, uma das que mais experiência requerem, por isso que poucos principiantes haverá que não estejam expostos a ser enganados. Dela trataremos adiante, em capítulo especial.
Quando queira chamar determinados Espíritos, é essencial que o médium comece por se dirigir somente aos que ele sabe serem bons e simpáticos e que podem ter motivo para acudir ao apelo, como parentes, ou amigos.
Neste caso, a evocação pode ser formulada assim: Em nome de
Deus Todo-Poderoso peço que tal Espírito se comunique comigo, ou então: Peço
a Deus Todo-Poderoso permita que tal Espírito se comunique comigo; ou
qualquer outra fórmula que corresponda ao mesmo pensamento. Não é menos
necessário que as primeiras perguntas sejam concebidas de tal sorte que as
respostas possam ser dadas por um sim ou um não, como por exemplo: Estas aí?
Queres responder-me? Podes fazer-me escrever? etc. Mais tarde essa precaução
se torna inútil. No princípio, trata-se de estabelecer assim uma relação. O
essencial é que a pergunta não seja fútil, não diga respeito a coisas de
interesse particular e, sobretudo, seja a expressão de um sentimento de
benevolência e simpatia para com o Espírito a quem é dirigida. (Veja-se
adiante o capítulo especial sobre as Evocações.)
O Livro dos Médiuns - 2a parte, cap. XVII, item 203 - obra codificada por Allan Kardec
209. No médium aprendiz, a fé não é a condição rigorosa; sem dúvida lhe secunda os esforços, mas não é indispensável; a pureza de intenção, o desejo e a boa-vontade bastam. Têm-se visto pessoas inteiramente incrédulas ficarem espantadas de escrever a seu mau grado, enquanto que crentes sinceros não o conseguem, o que prova que esta faculdade se prende a uma disposição orgânica.
O Livro dos Médiuns - 2a parte, cap. XVII, item 209 - obra codificada por Allan Kardec
4ª Não pode o Espírito que se afasta ser substituído e, neste
caso, não se conceberia a suspensão da faculdade?
"Espíritos não faltam, que outra coisa não desejam senão
comunicar-se e que, portanto, estão sempre prontos a substituir os que se
afastam; mas, quando o que abandona o médium é um Espírito bom, pode suceder
que o seu afastamento seja apenas temporário, para privá-lo, durante certo
tempo, de toda comunicação, a fim de lhe provar que a sua faculdade não depende dele médium e que, assim, razão não há para dela se vangloriar. Essa
impossibilidade temporária também serve para dar ao médium a prova de que
ele escreve sob uma influência estranha, pois, de outro modo, não haveria
intermitências."
"Em suma, a interrupção da faculdade nem sempre é uma punição; demonstra às vezes a solicitude do Espírito para com o médium, a quem consagra afeição, tendo por objetivo proporcionar-lhe um repouso material de que o julgou necessitado, caso em que não permite que outros Espíritos o substituam."
O Livro dos Médiuns - 2a parte, cap. XVII, item 220 – q. 4a - obra codificada por Allan Kardec
236. (...)
"Há um princípio que, estou certo, todos os espíritas admitem,
é que os semelhantes atuam com seus semelhantes e como seus semelhantes.
Ora, quais são os semelhantes dos Espíritos,
senão os Espíritos, encarnados ou não? Será
preciso que vo-lo repitamos incessantemente? Pois bem! repeti-lo-ei ainda:
o vosso perispírito e o nosso procedem do
mesmo meio, são de natureza idêntica, são, numa palavra,
semelhantes. Possuem uma propriedade de assimilação mais ou menos
desenvolvida, de magnetização mais ou menos vigorosa, que nos permite a nós,
Espíritos desencarnados e encamados, pormo-nos muito pronta e facilmente em
comunicação. Enfim, o que é peculiar aos médiuns, o que é da essência mesma da
individualidade deles, é uma afinidade especial e, ao mesmo tempo, uma força
de expansão particular, que lhes suprimem toda refratariedade e estabelecem,
entre eles e nós, uma espécie de corrente, uma espécie de fusão, que nos
facilita as comunicações. E, em suma, essa
refratariedade da matéria que se opõe ao desenvolvimento da mediunidade, na
maior parte dos que não são médiuns.
O Livro dos Médiuns - 2a parte, cap. XXII, item 236 - § 5 - obra codificada por Allan Kardec
7. - O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é um dos
mais importantes produtos do fluido cósmico;
é uma condensação desse fluido em torno de
um foco de inteligência ou alma. Já vimos que
também o corpo carnal tem seu princípio de origem nesse mesmo fluido
condensado e transformado em matéria tangível. No perispírito, a
transformação molecular se opera diferentemente, porquanto o fluido conserva
a sua imponderabilidade e suas qualidades etéreas. O corpo perispirítico e o
corpo carnal têm pois origem no mesmo elemento primitivo; ambos são matéria,
ainda que em dois estados diferentes.
A Gênese- cap. XIV - item 7 - obra codificada por Allan
Kardec