Os momentos de Fertilização e de Concepção são
os mesmos?
Tomamos
conhecimento, através de notícia de TV, que foi implantado um embrião
resultante de fertilização “in vitro” e que esse “embrião” deu origem a 3
(três) bebês. Fomos confirmar
a notícia na internet
e dela destacamos:
“A mãe dos trigêmeos, Alisson
Penn, 31, foi inseminada com apenas um embrião por fertilização in vitro,
disse o Dr. Victor Klein, especialista em partos múltiplos e gravidez de alto
risco, que conduziu a operação. O embrião dividiu-se pela metade e uma das
partes dividiu-se novamente, disse o médico.
"Esta é a
primeira vez na história do país, pelo que sabemos, em que de apenas um embrião
inseminado nascem trigêmeos", disse Klein. Na maioria das vezes, se
colocam dois ou três embriões, explicou.”
Como se
vê, são univitelinos, pois resultaram de apenas um “embrião” implantado,
conforme a notícia. Nesse caso (univitelinos), a dedução lógica é a de que o
“embrião”, no ato da sua implantação, ainda não havia completado o seu estágio
de desenvolvimento como embrião, para, então, poder ser considerado como início
de vida de um ser humano; logo, deve
ser tido, apenas, como um início de um “projeto” de vida animal, já que, até
aí, como só foi implantado um embrião, só poderia haver um único espírito
(alma) ligado ao que poderia ser considerado “corpo”, no sentido de ser humano.
Entretanto, segundo a notícia, houve uma bipartição e uma das partes dela
resultante também se bipartiu. Logo, a conclusão que se pode tirar daí é que:
a) o espírito se dividiu em dois e, após, uma de suas duas partes se
subdividiu, para acompanhar a divisão e a subdivisão embrionárias; ou b) o
“embrião” ainda não era um embrião em condições de abrigar um espírito (alma).
Quanto
à hipótese “a”, as religiões a consideram impossível, tendo em vista que todas
elas são unânimes em afirmar a unicidade do espírito. Já quanto à “b”, embora
seja a mais lógica, as religiões dogmáticas não a admitiriam, pois, no caso
aqui enfocado, contraria o dogma da união do espírito (alma) ao “corpo”, o que,
segundo elas, se dá no momento da concepção.
A ser
verdadeira a ocorrência do fato, na forma noticiada, só podemos deduzir que o
momento da ocorrência da fertilização não é o mesmo que o da concepção,
considerado como o da junção dos dois (espírito e corpo) que, ao que parece,
até esse fato, era confundido com o momento da fertilização.
O da
fertilização a Ciência já o constatou como sendo a fase em que as células
passam a se dividir, já que até esse momento não se sabe se o óvulo foi fertilizado
ou não; caberá a ela, ainda, identificar o momento em que as células completam
o seu “trabalho” de configuração do embrião e começam o de formação dos órgãos e
sistemas do corpo humano.
Nesse
caso, só aí (início da formação dos órgãos e sistemas) devemos considerar que
poderá haver uma possibilidade de vida humana a ser protegida como tal, pois é
sabido que, no estágio de pré-configuraçấo, ainda há o risco desse
aglomerado organizado de células não ser aceito pelo organismo da mãe.
Alguém
poderá argumentar que a união se dá desde a concepção. Ora, o que estamos
tentando mostrar aqui, como nova hipótese, é justamente o fato de que
fertilização é uma coisa e concepção é outra; apenas eram confundidos os seus
momentos de ocorrência, por desconhecimento do grande público, talvez, não por
culpa da Ciência, mas, quem sabe, por interesses de alguns setores da sociedade
visando manter esse tipo de conhecimento fora do alcance do povo; claro está,
se o fato aqui posto realmente tiver ocorrido na forma descrita na notícia. O
que pode acontecer é que haja uma vinculação dos espíritos (os três, no caso
daqui) entre si, bem como ao(s) possível(eis) corpo(s) decorrente(s) do
aglomerado organizado de células, ainda não transformado em embrião ou embriões
propriamente ditos. No caso da fertilização “in vitro”, entendemos que os
espíritos (o leitor poderá até rir) fiquem de prontidão – como os soldados
no quartel – até o momento da “concepção”, o que só se dará após o “embrião”
“pegar”, em relação àqueles que serão destinados ao processo de implante. Veja
o leitor que, enquanto o “embrião” não “pegar”, não há que se falar em
concepção, sob pena de se dizer que cônjuges, médicos e equipes, participaram
de um aborto, caso um dos “embriões” implantados não “pegue” (no caso um crime
doloso, já que todos os “envolvidos” têm conhecimento do risco contra a “vida”,
se aceito o entendimento de que nesses “embriões já há vida humana). Quanto aos
óvulos fecundados, que ficam no cilindro criogênico, entendemos que os demais
espíritos participantes desse processo - como “convocados” ou como
“voluntários” - serão liberados.
Queremos
deixar claro que não discordamos do entendimento de que o espírito se liga ao
embrião no momento da concepção. O que pretendemos mostrar aqui é a
possibilidade de que, com o fato ocorrido (se verdadeira a sua ocorrência),
deixa de existir o entendimento de que a fertilização e a concepção ocorrem no
mesmo momento; isso porque, enquanto não houver implante do óvulo fertilizado e
ele tenha prosperado, simplesmente não haverá concepção. A persistir o
entendimento atual, o que estará ilegal será a fertilização humana in vitro,
se não forem implantados todos os óvulos fertilizados, pois, em relação aos não
implantados, estar-se-á condenando-os “à morte”, se descartados, ou à “prisão
perpétua”, no caso de serem depositados em cilindros criogênicos. O leitor
poderá até pensar que estamos brincando com coisa séria; mas o Código Penal
terá que ser modificado para criar novas figuras penais no sentido de se punir
pela “morte” ou pela manutenção desses “embriões” em “cárcere privado”, ainda
que não passem, nessa fase de desenvolvimento, de um mero aglomerado organizado
de células. Quanto à utilização de embriões congelados, a concepção só
acontecerá após dias, meses e até anos, do momento da fertilização do óvulo.
Assim, entendemos, fica clara a distinção entre o momento da fertilização e o
da concepção; ou não? Já quanto
às pesquisas com células tronco, entendemos que não se pode falar que há uma ligação magnética do espírito com a
parte física; o que pode haver é uma emissão
magnética por parte dos espíritos que participam das pesquisas, como a exercida
pelo espírito encarnante, numa encarnação normal, emissão magnética essa que
será absorvida e depois suprida pelo organismo receptor das células tronco, da
mesma forma – numa comparação grotesca – que um automóvel absorve a energia de
uma outra bateria quando cai a da sua, o suficiente para fazer girar o motor e
o seu alternador poder fornecer a energia a ele necessária, daí para a frente.
Hoje há até cabos para esse tipo de operação; inclusive em estacionamentos
organizados existe “kit” com bateria e cabo, de que nos beneficiamos certa vez,
cuja lembrança nos motivou fazer essa comparação.
Analisando,
também, à luz da Doutrina Espírita, vejamos a questão 344 de O Livro dos
Espíritos:
“344. Em que momento a alma se une ao corpo?
A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do
nascimento. Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar
certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai
apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o
recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos
de Deus.”
Entretanto, não devemos nos esquecer que, em “A
Gênese”, Cap. I – 55 – final, é dito taxativamente:
“Caminhando
de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se
novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer,
ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a
aceitará”.
Assim sendo, como esse fato dos trigêmeos demonstra
que a Ciência, no decorrer das pesquisas até aqui realizadas, chegou a uma
conclusão de que a fertilização é uma etapa da formação embrionária, a exemplo,
no nosso entender, da de elaboração da fundação de um edifício (fundação essa
que se completa no momento em que está apta para receber a parte da estrutura,
pois só a partir daí é que se vê que essa obra se transformará em um edifício –
antes é u’a mera suposição), podemos deduzir que o “embrião” ainda não estava
formado. Assim, a partir do fato aqui em foco, podemos afirmar que, no período
que começa no momento da fertilização in vitro, passa pela divisão em
dois e pela subdivisão de uma das metades do “embrião” implantado em mais dois
- e vai até pouco antes da formatação dos embriões propriamente ditos, isto é,
antes do instante em que as células começam a se especializar para darem início
à formação dos respectivos órgãos - não há que se falar em concepção, já que só
a partir desse instante é que, no nosso entender, o embrião passa a ter
condições de “receber” o espírito ou alma, conforme a terminologia de cada
religião, pois só a partir daí é que, para nós, começou a vida dos seres
humanos deles resultantes, sob pena de admitir-se, também, a conseqüente
divisão do espírito em dois e, em seguida, a subdivisão de uma de suas metades
em mais dois, para dar origem ao terceiro ser humano; ressaltamos, se verídico
o fato ocorrido na forma aqui relatada.
Como se vê, também sob a visão da Doutrina
Espírita, não pode haver qualquer afirmação no sentido de que, nesse estágio de
desenvolvimento da parte física daquilo que, futuramente, poderá se transformar
em vida humana, já exista um ser humano na acepção da palavra, uma vez que,
repetimos, ainda nessa fase de propagação celular, esse aglomerado organizado
de células, pode ser objeto de não aceitação pelo
organismo materno. Caso alguém pretenda usar como respaldo de seu ponto de
vista que, já nessa fase, haja vida humana, lembramos que estaremos,
fatalmente, sob o ponto de vista religioso, aceitando a subdivisão do espírito,
pois, de um só “embrião”, nasceram três seres humanos - cada um portador de um
espírito. Consequentemente, se aceito o momento da fertilização como sendo o
mesmo da concepção, estará sendo admitida, automaticamente, a divisão do
espírito, repetimos.
Suponhamos, agora, que, em relação
ao caso aqui enfocado, alguém argumente: como o espírito é quem preside a
formação do corpo, não teriam, no momento da fecundação, sido ligados os três
espíritos ao óvulo, cuja conseqüência foi exatamente a formação dos três
corpos?
Na nossa
lógica, argumentamos que não, pois, se o núcleo da célula (ovo) ainda não se
havia dividido em dois, nenhuma de suas duas metades se bipartido, como
poderiam os três espíritos se ligar a alguma coisa não individualizada? E como
fica a lei da Física de que mais de um corpo (e perispírito é corpo) não pode
ocupar o mesmo lugar no espaço? Logo, a dedução lógica será no sentido de que
os espíritos, no caso, só se ligaram aos respectivos embriões após o processo
de formatação de cada um deles (ver nota 1).
Continuemos.
Agora,
em virtude desse fato, entendemos que caberá às religiões esperar o resultado
das pesquisas científicas para, então, fixar as suas novas diretrizes, não
devendo ser esquecido o episódio ocorrido na primeira metade do século XVII
entre Galileo Galilei e a “santa” inquisição, do conhecimento de todos, quanto
ao fato de que a Terra girava em torno do Sol e não ao contrário, como afirmava
a “santíssima” Igreja, em relação ao qual ela só reconheceu oficialmente a
razão da Ciência poucos anos atrás.
Enquanto
a Ciência não apresentar novos resultados, devemos entender que as pesquisas
com células tronco devem continuar, sob pena de sermos, mais adiante, acoimados
espiritualmente por entravar o progresso, motivo da reencarnação, para os que
acreditam nela, preparando-nos para aceitá-los se, realmente, isso vier a
ocorrer.
Além do
mais, não devemos nos esquecer de que a denominação “células tronco” talvez
tenha sido dada com o sentido figurado de que, embora fazendo parte da “árvore”
chamada corpo humano, delas se originam todas as demais células que formam os
órgãos do corpo humano; daí, talvez, a adoção dessa terminologia, que
consideramos não apropriada, mas que a aceitamos por falta de capacidade
técnica de conseguir uma melhor. Isso porque o tronco da árvore, a exemplo do
tronco humano, já é parte integrante do corpo (árvore), enquanto as células
chamadas de “células tronco”, na minha lógica, não; apenas dão origem a outras
células que, por sua vez, dão origem àquelas que formarão os órgãos do corpo
humano. Mesmo assim, arriscamo-nos a sugerir: “células matriz”, “células fonte”
ou “células curinga”, já que a Ciência descobriu que, quando elas sấo
implantadas em um órgấo, “assumem” as funções das células que o formaram
originariamente. Conseqüentemente, só podemos deduzir que, em decorrência desse
fato, essas células tronco ainda nấo haviam atingido o estágio de
especializaçấo na formaçấo dos órgãos e sistemas do corpo humano.
Logo,
no caso de fertilização in vitro, enquanto
o “embrião” não for implantado, não se pode falar em concepção, pois, embora
exista o princípio vital (comum a todos os seres vivos) nesse aglomerado
organizado de células, não há o que podemos chamar de princípio espiritual, que
só aflora nessa fase e, ao que conseguimos depreender, só com a participação da
energia magnética do espírito materno, já que não há gestação fora do corpo que
servirá de mãe. O leitor poderá até dizer que estamos sofismando; mas é o que
achamos lógico...
Estávamos
desenvolvendo o nosso raciocínio quando começou a passar o programa “Campos
Opostos”, no Canal Rural, onde estavam debatendo, exatamente esse assunto, o
ex-Procurador Geral da República, Dr. Cláudio Fonteles e o médico Dr. Darcísio
Perondi, Deputado Federal (PMDB-RS), tendo o Dr. Fonteles dito, naquele momento,
que caberia ao STF decidir o momento a partir do qual passará a “haver vida
humana”. Com todo o respeito ao Dr. Fonteles e seguindo o entendimento aqui
exposto, discordamos desse seu ponto de vista, pois caberá ao STF decidir no
sentido de que não pode haver vida humana enquanto as células não concluírem a
formatação do embrião - instante em que começa a formação dos órgãos do corpo
humano – o que é bem diferente, ou enquanto ele não for implantado. Isso porque
falta o devido conhecimento técnico aos Senhores Ministros. Logo, essa
definição (instante em que começa a vida humana) caberá aos cientistas
pesquisadores do assunto, mediante a identificação do instante em que as
células passam a formar os órgãos. Aí, sim, com base no novo patamar de
conhecimento científico, essa dúvida (há, ou não, vida) estará afastada e a
decisão do STF continuará correta. Acontece que os Srs. Ministros apenas
decidiram pela constitucionalidade dos dispositivos da lei que prevêem as
pesquisas com as células tronco,, sabiamente, sem analisar o aspecto do início da
vida humana, início esse cuja definição, se couber ao homem, será de
competência dos pesquisadores.
Por
outro lado, embora respeitemos todas as religiões, esclarecemos que não
entendemos certas idiossincrasias relativamente a sexo, reprodução, limitação
de natalidade, proibição de uso de contraceptivos, principalmente quando
portadas por pessoas que nunca constituíram família ou mantiveram
relacionamento sentimental com pessoas do sexo oposto em caráter oficial, diga-se
de passagem, e vêm ditar regras de procedimento em matéria científica, sem
qualquer apoio técnico ou de vivência a respeito do assunto, mas com base,
apenas, em dogmas.
Antes
que digam que também não temos conhecimento técnico sobre o assunto objeto da
notícia, o que é verdade, explicamos que expendemos o nosso ponto de vista
apenas sob o aspecto lógico, partindo da premissa de que de um só “embrião”
implantado nasceram três bebês idênticos, o que nos levou a deduzir que o
“embrião” implantado ainda não havia atingido o seu completo desenvolvimento,
pois se dividiu em dois e uma de suas metades se subdividiu em mais dois. Logo,
repetimos, vai caber aos pesquisadores, e apenas a eles, definir (com a margem
de segurança necessária) até que momento o aglomerado organizado de células
ainda não atingiu o estágio de embrião propriamente dito, estágio esse que,
repetimos, só poderá ser definido pelos pesquisadores do assunto, para não
incidirmos no mesmo erro do geocentrismo.
Feitas
essas observações, sob o ponto de vista material, tentemos, agora, observar sob
o aspecto transcendente, valendo para todas as religiões, inclusive as
dogmáticas.
Como
todos nós sabemos, Deus é onipotente porque é onisciente e onipresente. Logo, o
progresso existe porque Ele assim o permite, pois sabe o que pode, ou não, ser
feito pelo homem, no trajeto da evolução do seu ser.
Em
função disso, perguntamos àqueles que dizem que Deus cria o espírito no momento
da concepção e que, até agora, era considerado como coincidindo com o da fertilização:
como fica a concepção no caso da fertilização in vitro? Continua sendo no mesmo da fertilização? Se sim, o lógico
será deduzir-se que Deus, nesse caso, ficará na dependência da vontade dos
participantes do processo de implante do “embrião” para que o espírito por Ele
criado possa adquirir a condição de ser humano; portanto, Deus deixa de ser
onipotente porque, nesse caso, vai depender da vontade da criatura e não da
Dele, Criador. Se se considerar que a concepção também pode ocorrer quando do
implante, Deus deixa de ser infalível, porque teve que mudar uma lei em função
da vontade do homem, passando a existir dois momentos de concepção: - na
fertilização, quando o embrião resultar de uma cópula natural; ou - no
implante, quando resultante de fertilização in
vitro. Será que Deus seria menos inteligente do que o homem e criar duas causas
para obtenção do mesmo efeito?
Já se a concepção for aceita como
ocorrendo no momento do início da formação dos órgãos no embrião, e no útero materno, uma vez que não há
gestação de um embrião animal fora de um ventre materno, Deus permanecerá sendo
infalível. E não venham os dogmáticos dizer que Deus, por tudo poder, vai mudar
uma de Suas leis... Isso porque, como Ele é onipotente - por ser onisciente e
onipresente - Ele deveria saber que, um dia, o homem chegaria a esse estágio de
evolução e já criaria uma lei que também atendesse à situação a que hoje chegamos.
Não seria mais lógico? Logo, é muito mais fácil entender dessa maneira e passar
a aceitar a concepção como ocorrendo no início da formação dos órgãos no útero
materno, do que tentar “retirar” a infalibilidade de Deus, por mero capricho
humano, para não se revogar um dogma.
Logo,
se o homem já chegou a esse ponto de descobertas científicas, sobre o processo
de vida física, é porque Deus o permitiu; ou vamos voltar à “Idade Média” e
dizer que isso é “coisa do diabo”?! Mais: se o implante de um único embrião
resultou em trigêmeos, devemos entender que, com esse fato, Deus está
“indicando” que o caminho seguido pelos pesquisadores, até o momento, está na
direção correta e “mostrando” que o espírito só poderá unir-se a esse
aglomerado organizado de células no momento em que ficar delineado o arcabouço
do embrião humano no útero materno e começar a formação dos órgãos de um novo
ser humano; mesmo porque, até hoje, ao que sabemos, ninguém conseguiu, mediante
a fertilização in vitro, a gestação
de um ser vivo animal fora de um útero materno, ainda que tendo conhecimento da
composição e da função de todos os nutrientes necessários ao crescimento físico
do aglomerado organizado de células chamado de “embrião”. Tanto isso é verdade
que é necessária a utilizaçấo de “mấes de aluguel” quando a
“mấe” do óvulo nấo pode “gestar” o filho. Desculpe-nos o leitor
pelo neologismo.
Conseqüentemente,
sendo Deus onipresente, onisciente e onipotente, jamais Ele iria permitir ao
homem chegar a esse patamar de conhecimento da vida se não fosse para o
progresso da humanidade como um todo; ou o homem é mais cioso da ética e da
moral do que Deus? Vejamos o exemplo da energia nuclear, que foi execrada por
causa da bomba atômica e hoje está sendo utilizada em benefício da humanidade.
Logo, não é a coisa em si que é prejudicial, mas, sim, o uso ou a destinação
que a ela se dá; e isso não é motivo para que se impeça o progresso. Basta
serem previamente estabelecidas regras de procedimento para a continuação das
pesquisas com as, para nós, impropriamente denominadas “células tronco”. Assim,
obedecendo às regras estabelecidas, repetimos, caberá aos pesquisadores
identificar, com a margem de segurança necessária, o momento em que o
aglomerado organizado de células ainda não tiver atingido o delineamento de
embrião. Portanto, devemos pedir a Deus para dar iluminação aos pesquisadores
para que eles continuem no caminho certo, como até agora, mantendo os
princípios de ética que devem nortear todas as atividades humanas, dentro do
livre arbítrio de cada um.
Entretanto,
isso não quer dizer que não mantenhamos uma atenção maior sobre o andamento
desse tipo de pesquisa e a utilização dos seus resultados, face aos riscos
decorrentes de uma aplicação não ética por parte dos pesquisadores ou dos que
se apossarem dos conhecimentos destes.
Nota:
1. Sugerimos a leitura do Cap. 13 do Livro Missionários da Luz, de André Luiz,
psicografado por Francisco Cândido Xavier, para maiores esclarecimentos sobre o
assunto, inclusive visando nos corrigir, caso tenhamos nos enganado em nosso entendimento,
já que visamos, apenas, o progresso dentro dos princípios éticos e, por
conseqüência, cristãos.
JOÃO FRAZÃO DE MEDEIROS LIMA