ESPIRITISMO, BASE PARA
TRANSFORMAÇÃO DOS PARLAMENTOS TEOLÓGICOS EM ACADEMIAS DE ESPIRITUALIDADE
Podemos afirmar com tranqüilidade que o Espiritismo é uma religião até
porque Kardec afirmou que no sentido filosófico o Espiritismo é uma religião,
pois que a doutrina é baseada nos laços da fraternidade e da comunhão de
pensamentos e não em uma simples convenção, mas sobre a mais sólida das bases:
as próprias leis da Natureza.
O Gênio de Lyon assevera que para muitos a religião é incompatível com os
conceitos espíritas posto que o termo religião é inseparável da noção de culto,
e evoca unicamente uma idéia de forma, com o que o Espiritismo não guarda
qualquer relação. Se se tivesse proclamado uma religião, o público nele não
veria senão uma nova versão dos princípios fundamentados em questão de fé, uma
hierarquia sacerdotal com seus convencionalismos, cerimônias e privilégios; não
o distinguiria das idéias de misticismo e dos enganos contra os quais se está
freqüentemente bem instruído.
Não apresentando nenhuma das características de uma religião, no sentido
usual da palavra, o Espiritismo não pode, nem deve querer um título que trará
inevitavelmente mal-entendido. Estando aí o motivo que ela se coloca
simplesmente como uma doutrina filosófica e moral.
Importante considerar que a grande diferença entre o Espiritismo e as religiões outras é que estas normalmente interpretam o Senhor da Vida como um ser supremo, criador de tudo o que existe, porém com características humanas (antropomorfismo). Filosoficamente a Doutrina Espírita O descreve como "a Inteligência Suprema, Causa Primária de todas as coisas” tendo como atributos “a Eternidade, a Imutabilidade, a Imaterialidade, a Unicidade, a Onipotência e a Soberana Justiça e Bondade” o que evidentemente exclui qualquer caráter antropomórfico.
Outra diferença básica encontra-se na forma pela qual a Doutrina Espírita
entende que a busca de Deus deve ser realizada sem regras pré-estabelecidas ou
da satisfação de cultos formais e demonstrações de várias ordens e sim pelo
amor ao próximo. No meio espírita, não se dá importância as
práticas de batismo, crisma, comunhão, confissão; participação em cultos
exóticos, rituais, cerimônias; realização de gestos corporais; recitação de
fórmulas e rezas; adoração de imagens e objetos diversos; promessas,
penitências, jejuns etc...
Os Espíritos explicam que a comunhão da criatura ao Criador se faz
basicamente pela coerência de sua conduta a determinados códigos morais e as
medidas de ordem exterior sendo tidas como impróprias e, portanto,
inorpoturnas.
São também diferentes as propostas de Kardec
quanto as questões de ordem moral. O Espiritismo
destaca algumas como de grande importância, sobretudo aquelas sugeridas por
Jesus, e que se baseiam no amor ao próximo. Já as religiões tradicionais
tendem, a não destacar com tanta importância estas e sim as que tem força de
norma evangélica, chegando a acrescentar ou retirar partes de acordo com seus
interesses. Cabe destacar o modo como tais acréscimos e supressões são
justificadas, muitas vezes baseadas apenas na fé, o crer com fim em si mesmo.
Atualmente o cristianismo moderno "justifica" as normas morais
que propõe, evocando à autoridade desse ou daquele
indivíduo ou instituição; são dogmas, portanto artigos de fé a serem aceitos
sem exame. Refletindo sobre a lógica da
vida, chegará o dia que os estudiosos de Allan Kardec
serão auxiliares preciosos na transformação dos parlamentos teológicos em
academias de espiritualidade. Até porque o Espiritismo baseia seus preceitos
éticos no conhecimento alcançado cientificamente pelos homens ao longo da
existência ilimitada (reencarnações), conjugado ao desejo maior de todos que é
a felicidade. Nos conceitos espíritas não há espaço para dogmas e injunções
dogmáticos, porém, exclusivamente investigação livre e racional dos fatos.
A missão do Espiritismo consiste precisamente em nos esclarecer sobre a
imortalidade, a comunicação dos “mortos”, a reencarnação, a habitabilidade em
outros planetas.
É a realidade que nos aparece, pois que são os próprios seres de além-túmulo que nos vêm descrever a situação em que se acham, relatar o que fazem, permitindo que nós possamos assistir, a todas as vicissitudes da nova vida que lá praticam, mostrando-nos pela mediunidade, o caminho inevitável que nos está destinado, de acordo com as nossas obras.
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