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Na União Soviética,
um jovem de 19 anos, recém formado em medicina, começou a encontrar
muita dificuldade para exercer sua profissão, devido à severa
fiscalização imposta pelo governo do seu país, por
causa disso, resolve mudar para Nova York.
No dia em que deveria
viajar para os E.U.A., sofreu um acidente automobilístico, quando
esperava, na calçada, um táxi para conduzi-lo ao aeroporto,
foi atingido por um carro desgovernado. Morte súbita foi a conseqüência,
pelo menos foi o que pensaram ter acontecido. E agiram conforme o recomendado
para casos como esse, levando o corpo diretamente para o necrotério,
onde deveria permanecer por três dias, prazo necessário para
se fazer uma autópsia, segundo a legislação local, nos
casos de morte súbita.
Permaneceu congelado,
no necrotério, por todo esse período. Mesmo nessas condições
percebeu que, num certo momento, estava em seu quarto, chegou a sentir o
cheiro de sua casa e até a suavidade do lençol de sua cama
ele constatou. Viu a sua mulher deitada no sofá, chorando inconsolável,
por não aceitar, de forma alguma. Entretanto ele sentiu que o choro
de sua mulher não foi pela sua perda, mas chorava inconformada por
ter ficado viúva tão jovem.
Não teve nenhuma
noção do tempo que passou neste estado. Só sentiu-se
mal quando os médicos foram lavar o seu corpo com água morna,
afim de que descongelasse, para então iniciar o trabalho de autópsia.
Foi aí que sentiu uma força estranha puxando-o de volta ao
seu corpo. Isso lhe causou um certo constrangimento, pois não tinha
a mínima vontade de voltar para aquele corpo. Naquele estado, a única
coisa que sentia era como se tivesse pulado numa piscina de água
bem gelada.
No exato momento que
os médicos estavam prontos para realizar os procedimentos que o caso
requeria, quando pegaram no bisturi para iniciar o corte em seu peito ele
abriu os olhos, fato que, como era de se esperar, causou enorme espanto
aos médicos à sua volta. Imediatamente o examinaram e constatou-se
que suas pupilas estavam normais. Levaram-no às pressas para o interior
do hospital afim de que pudesse receber os cuidados médicos necessários.
Permaneceu em tratamento por alguns meses até que finalmente se recuperou
completamente.
Esse acontecimento o
fez a ter a certeza absoluta que a morte não existe e isso foi fundamental
para que mudasse completamente sua maneira de viver. A primeira coisa que
fez foi largar a medicina, dedicando-se ao estudo de Teologia. Tornou-se
religioso dedicado e, inclusive, passou a pregar em sua Igreja.
Este fato é um dos muitos casos recentemente pesquisados sobre
as experiências de pessoas que passaram por alguma situação
em que tiveram uma paralisação completa dos órgãos
vitais, foram, portanto, declaradas clinicamente mortas pelos médicos
que as examinaram. Muitas não percebem absolutamente nada no período
em que se encontraram “desligadas”, mas outras contaram o que aconteceu
com elas naquele momento.
Supomos que os que passam por uma situação dessas ficam
em coma, como então perceberam fatos acontecidos quando estavam completamente
“apagadas”? E no caso que relatamos, do jovem que foi congelado, será
que os neurônios desse jovem não se congelaram também?
Então, como ocorreu o funcionamento do seu cérebro? Será
que um cérebro congelado é capaz de funcionar?
Nós podemos dizer que, na verdade, tudo isso não passa
de coisas percebidas pelo próprio espírito, que não
necessita dos órgãos físicos para a percepção
das coisas. Um fato muito comum que podemos citar é o de pessoas que
perderam um dos membros do corpo, como por exemplo braços ou pernas,
e continuaram a sentir dor neste membro “fantasma”, se é que podemos
assim dizer. Pessoalmente conhecemos uma pessoa que era vidente, mas que
era fisicamente cego. Muitas das suas percepções foram confirmadas
por outros videntes que enxergavam muito bem, pois não tinham nenhuma
deficiência visual, atestando, dessa forma, a faculdade de vidente
que possuía.
É óbvio
que alguém poderá querer dizer que tudo é produto do
inconsciente. Se dermos a esse inconsciente o nome de espírito, tudo
bem. Se não, queremos ver quem vai nos trazer uma prova científica
contrária ao que estamos afirmando. Quem se habilita a ser congelado
por uns três dias para servir de cobaia para se fazer um teste? É
a pergunta que fazemos primeiro aos materialistas, para depois a dirigirmos
especialmente a alguns parapsicólogos que vivem se oferecendo para
provar que o espírito não pode perceber e nem realizar mais
nada, já que não possui corpo.
Embora o que agora vamos questionar não tem nada a ver com
o assunto proposto no título desse nosso texto, mas como se diz popularmente,
uma coisa leva a outra. Já que houve percepção durante
o momento que a pessoa estava “na geladeira” e, se disso aceitarmos, que
o espírito sobreviva à morte do corpo, como queremos concluir,
por que não poderia se comunicar telepaticamente com uma pessoa viva,
uma vez que a linguagem dos espíritos é a do pensamento? Por
que também não poderia exercer uma influência em outro
corpo, para, por exemplo, trazer sua mensagem, tendo em vista que, quando
vivo, era exatamente isso que fazia com o seu próprio corpo físico?
Questões que levantamos, cujas respostas, para nós seriam
completamente positivas, que explicariam a possibilidade da comunicação
entre os dois planos de vida.
Paulo da Silva Neto
Sobrinho
Mar/2003.
(Publicado no Jornal
Espírita, novembro de 2003, nº 339 – FEESP, pág. 11).