Sobrevivência do Espírito

 

 

            No dia 06/03/03 a rede de televisão SBT apresentou no programa SBT Repórter, vários casos de EQM – Experiência de Quase Morte. Um deles, em particular, nos chamou a atenção, pois, segundo acreditamos, por ele estamos conseguindo mais uma prova da sobrevivência do espírito. Prova tal, que poucos conseguirão contestar.

            O caso foi mais ou menos assim:

Na União Soviética, um jovem de 19 anos, recém formado em medicina, começou a encontrar muita dificuldade para exercer sua profissão, devido à severa fiscalização imposta pelo governo do seu país, por causa disso, resolve mudar para Nova York.

No dia em que deveria viajar para os E.U.A., sofreu um acidente automobilístico, quando esperava, na calçada, um táxi para conduzi-lo ao aeroporto, foi atingido por um carro desgovernado. Morte súbita foi a conseqüência, pelo menos foi o que pensaram ter acontecido. E agiram conforme o recomendado para casos como esse, levando o corpo diretamente para o necrotério, onde deveria permanecer por três dias, prazo necessário para se fazer uma autópsia, segundo a legislação local, nos casos de morte súbita.

Permaneceu congelado, no necrotério, por todo esse período. Mesmo nessas condições percebeu que, num certo momento, estava em seu quarto, chegou a sentir o cheiro de sua casa e até a suavidade do lençol de sua cama ele constatou. Viu a sua mulher deitada no sofá, chorando inconsolável, por não aceitar, de forma alguma. Entretanto ele sentiu que o choro de sua mulher não foi pela sua perda, mas chorava inconformada por ter ficado viúva tão jovem.

Não teve nenhuma noção do tempo que passou neste estado. Só sentiu-se mal quando os médicos foram lavar o seu corpo com água morna, afim de que descongelasse, para então iniciar o trabalho de autópsia. Foi aí que sentiu uma força estranha puxando-o de volta ao seu corpo. Isso lhe causou um certo constrangimento, pois não tinha a mínima vontade de voltar para aquele corpo. Naquele estado, a única coisa que sentia era como se tivesse pulado numa piscina de água bem gelada.

No exato momento que os médicos estavam prontos para realizar os procedimentos que o caso requeria, quando pegaram no bisturi para iniciar o corte em seu peito ele abriu os olhos, fato que, como era de se esperar, causou enorme espanto aos médicos à sua volta. Imediatamente o examinaram e constatou-se que suas pupilas estavam normais. Levaram-no às pressas para o interior do hospital afim de que pudesse receber os cuidados médicos necessários. Permaneceu em tratamento por alguns meses até que finalmente se recuperou completamente.

Esse acontecimento o fez a ter a certeza absoluta que a morte não existe e isso foi fundamental para que mudasse completamente sua maneira de viver. A primeira coisa que fez foi largar a medicina, dedicando-se ao estudo de Teologia. Tornou-se religioso dedicado e, inclusive, passou a pregar em sua Igreja.

            Este fato é um dos muitos casos recentemente pesquisados sobre as experiências de pessoas que passaram por alguma situação em que tiveram uma paralisação completa dos órgãos vitais, foram, portanto, declaradas clinicamente mortas pelos médicos que as examinaram. Muitas não percebem absolutamente nada no período em que se encontraram “desligadas”, mas outras contaram o que aconteceu com elas naquele momento.

            Supomos que os que passam por uma situação dessas ficam em coma, como então perceberam fatos acontecidos quando estavam completamente “apagadas”? E no caso que relatamos, do jovem que foi congelado, será que os neurônios desse jovem não se congelaram também? Então, como ocorreu o funcionamento do seu cérebro? Será que um cérebro congelado é capaz de funcionar?

            Nós podemos dizer que, na verdade, tudo isso não passa de coisas percebidas pelo próprio espírito, que não necessita dos órgãos físicos para a percepção das coisas. Um fato muito comum que podemos citar é o de pessoas que perderam um dos membros do corpo, como por exemplo braços ou pernas, e continuaram a sentir dor neste membro “fantasma”, se é que podemos assim dizer. Pessoalmente conhecemos uma pessoa que era vidente, mas que era fisicamente cego. Muitas das suas percepções foram confirmadas por outros videntes que enxergavam muito bem, pois não tinham nenhuma deficiência visual, atestando, dessa forma, a faculdade de vidente que possuía.

É óbvio que alguém poderá querer dizer que tudo é produto do inconsciente. Se dermos a esse inconsciente o nome de espírito, tudo bem. Se não, queremos ver quem vai nos trazer uma prova científica contrária ao que estamos afirmando. Quem se habilita a ser congelado por uns três dias para servir de cobaia para se fazer um teste? É a pergunta que fazemos primeiro aos materialistas, para depois a dirigirmos especialmente a alguns parapsicólogos que vivem se oferecendo para provar que o espírito não pode perceber e nem realizar mais nada, já que não possui corpo.

            Embora o que agora vamos questionar não tem nada a ver com o assunto proposto no título desse nosso texto, mas como se diz popularmente, uma coisa leva a outra. Já que houve percepção durante o momento que a pessoa estava “na geladeira” e, se disso aceitarmos, que o espírito sobreviva à morte do corpo, como queremos concluir, por que não poderia se comunicar telepaticamente com uma pessoa viva, uma vez que a linguagem dos espíritos é a do pensamento? Por que também não poderia exercer uma influência em outro corpo, para, por exemplo, trazer sua mensagem, tendo em vista que, quando vivo, era exatamente isso que fazia com o seu próprio corpo físico? Questões que levantamos, cujas respostas, para nós seriam completamente positivas, que explicariam a possibilidade da comunicação entre os dois planos de vida.

 

 

 

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Mar/2003.

 

(Publicado no Jornal Espírita, novembro de 2003, nº 339 – FEESP, pág. 11).

 

 

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