A mediunidade
na Bíblia
Eu participo de um
grupo de estudo da doutrina Espírita, chamado REDE, Reunião de estudo da
Doutrina Espírita, é um pequeno grupo de pessoas que se reúnem semanalmente no
condomínio em que moramos. Na semana passada eu fui escalada para falar sobre
Mediunidade na Bíblia.
Imprimi alguns textos muito
esclarecedores do Paulo da Silva Neto Sobrinho e dei uma revisada nos capítulos
correspondentes do livro “Analisando as traduções Bíblicas” de Severino
Celestino da Silva.
Os
artigos do Paulo que estudei foram os seguintes: Manifestações espirituais na
Bíblia e Comunicações com os mortos na Bíblia. Li também o artigo: A
Mediunidade, da antiguidade aos dias atuais de Warwick Mota.
O tempo que
dispunha para a palestra era muito curto por isso fui obrigada a resumir muito
toda a excelente informação que levantei nesta pesquisa. Gostaria que os
autores dos textos originais me perdoassem pela mutilação que fiz. Mas, como
muita gente é ligada em informação telegráfica, acredito que esse resumo possa
ser útil em alguma circunstância.
Vamos ao assunto em questão: A
mediunidade na Bíblia.
A
mediunidade é uma faculdade natural que existiu durante toda a história da
humanidade. Trata-se da capacidade de perceber, em qualquer grau, a influência
dos Espíritos. Existem relatos de fenômenos mediúnicos no antigo Egito, na
Pérsia, Síria, Grécia e em Roma.
Os
médiuns, aqueles que tem o dom da mediunidade, foram chamados das mais diversas
formas durante o correr da história. Pítons, oráculos, magos, sacerdotes e até
de feiticeiros. Eram consultados para as mais tolas decisões e muitas vezes
viviam profissionalmente desse dom. Foram conselheiros de Reis e dirigentes de
grupos religiosos poderosos.
Na
Idade Média, muitos médiuns foram queimados vivos nas fogueiras da inquisição
sob a acusação de bruxaria, o exemplo mais conhecido é da guerreira francesa
Joana D’arc.
É interessante observarmos
que na própria história bíblica, história do povo hebreu, está documentada a
mudança do substantivo que era usado para designar o indivíduo portador do dom
da mediunidade. Inicialmente eram conhecidos como videntes. Mais tarde, aqueles
que permitiam o contato do mundo físico com o mundo espiritual, foram
conhecidos como profetas.
“Antigamente em Israel,
todos que iam consultar Iahvéh assim diziam:
Vinde vamos ter com o vidente (roêh);
por que aquele que hoje se chama profeta (navi),
se chamava outrora
vidente(roêh).”“.
I Samuel 9,9
O termo profeta é derivado do
grego prophétes que significa alguém que fala diante dos outros, no idioma
hebraico o termo têm um significado mais amplo: aquele que anuncia.
Em inúmeras passagens
Bíblicas os profetas dialogam com anjos, ou os vêem. Anjo no idioma hebraico
tem o sentido de mensageiro. Então vemos que os profetas viam ou ouviam os
mensageiros de Deus.
Isso, em linguagem
contemporânea traduz-se por: médiuns que vêem ou ouvem Espíritos. Espíritos
esses que, muitas vezes, são realmente mensageiros da Luz Divina, outras vezes
não. São responsáveis pela transmissão, para o mundo físico, dos ensinamentos
Divinos necessários à redenção da alma humana.
Na Bíblia encontramos
documentados vários tipos de mediunidade, citaremos apenas alguns exemplos como
ilustração. Mediunidade de audiência, Noé, Gênesis 6,13; mediunidade de
clariaudiência, Abrahão, Gênesis 12; mediunidade de vidência e audiência, Agar,
Gênesis 16, 7-12; mediunidade e materialização, Abrahão, Gênesis 18,1-3 e Jacob
32, 23-33; mediunidade onírica, Jacob, Gênesis 28,10-19; mediunidade de efeito
físico (voz direta), Êxodo 3, 1-22.
Existe
uma corrente de pensamento no meio cristão tradicional que defende a tese de
que Moisés teria condenado a mediunidade ou os médiuns. Teria ainda condenado a
comunicação com os Espíritos. Isso não é o que efetivamente encontramos no
texto bíblico.
Moisés saiu e disse ao povo as palavras de Iahweh.
Em seguida reuniu setenta anciãos dentre o povo e os colocou ao
redor da Tenda. Iahweh desceu na Nuvem.
Falou-lhe e tomou do
Espírito que repousava sobre ele e o colocou nos setenta anciãos.
Quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; porém,
nunca mais o fizeram.
Dois homens haviam permanecido no acampamento:
um deles se chamava Eldad e o outro Medad.
O Espírito repousou sobre eles; ainda que não
tivessem vindo à Tenda, estavam entre os inscritos.
Puseram-se a profetizar no acampamento.
Um jovem correu e foi anunciar a Moisés:
“Eis que
Eldad e Medad”, disse ele, “estão profetizando no acampamento”. Josué, filho de
Nun, que desde a sua infância servia a Moisés, tomou a palavra e disse:
“Moisés, meu senhor, proíbe-os!”
Respondeu-lhe Moisés:
“Estás ciumento por minha causa?
Oxalá
todo o povo de Iahweh fosse profeta, dando-lhe Iahweh o seu Espírito!”
A seguir Moisés voltou ao acampamento e com ele
os anciãos de Israel.
Observem ainda a história bíblica abaixo transcrita:
Samuel tinha morrido.
Todo o Israel participara dos
funerais, e o enterraram em Ramá, sua cidade.
De outro lado, Saul tinha expulsado do país os
necromantes e adivinhos.
Os filisteus se concentraram e
acamparam em Sunam. Saul reuniu todo o Israel e acamparam em Gelboé.
Quando viu o acampamento dos
filisteus, Saul teve medo e começou a tremer. Consultou a Javé, porém Javé não
lhe respondeu, nem por sonhos, nem pela sorte, nem pelos profetas.
Então Saul disse a seus servos:
"Procurem uma necromante, para que eu faça uma consulta".
Os servos responderam: "Há
uma necromante em Endor".
Saul se disfarçou, vestiu roupa
de outro, e à noite, acompanhado de dois homens, foi encontrar-se com a mulher.
Saul disse a ela: "Quero
que você me adivinhe o futuro, evocando os mortos.
Faça aparecer a pessoa que eu
lhe disser”.
A mulher, porém, respondeu:
"Você sabe o que fez Saul, expulsando do país os necromantes e adivinhos.
Por que está armando uma
cilada, para eu ser morta?
" Então Saul jurou por
Javé:
"Pela vida de Javé, nenhum
mal vai lhe acontecer por causa disso".
A mulher perguntou:
"Quem você quer que eu
chame?
" Saul respondeu:
"Chame Samuel”.
Quando a mulher viu Samuel
aparecer, deu um grito e falou para Saul:
"Por que você me enganou?
Você é Saul!
" O rei a tranqüilizou:
"Não tenha medo.
O que você está vendo?" A
mulher respondeu:
"Vejo um espírito subindo
da terra".
Saul perguntou: "Qual é a
aparência dele?" A mulher respondeu:
"É a de um ancião que
sobe, vestido com um manto".
Então Saul compreendeu que era
Samuel, e se prostrou com o rosto por terra. Samuel perguntou a Saul: "Por
que você me chamou, perturbando o meu descanso?"
Saul respondeu:
"É que estou em situação desesperadora:
os filisteus estão guerreando
contra mim.
Deus se afastou de mim e não me responde mais,
nem pelos profetas, nem por sonhos.
Por isso, eu vim chamar você, para que me diga
o que devo fazer”.
Samuel respondeu: "Por que
você veio me consultar, se Javé se afastou de você e se tornou seu inimigo?
Javé fez com você o que já lhe
foi anunciado por mim: tirou de você a realeza e a entregou para Davi.
Porque você não obedeceu a Javé
e não executou o ardor da ira dele contra Amalec.
É por isso que Javé hoje trata
você desse modo.
E Javé vai entregar aos filisteus tanto você,
como seu povo Israel.
Amanhã mesmo, você e seus
filhos estarão comigo, e o acampamento de Israel também: Javé o entregará nas
mãos dos filisteus”.
Alegam os mesmos cristãos
tradicionais que o senhor determinou que Saul fosse morto por ter consultado a
pitonisa. Não é o que o texto claramente afirma. Neste texto o Espírito de
Samuel deixa claro que Saul foi morto por não ter obedecido a ordem divina de
executar Amalec.
Eclesiástico é um dos livros que não foram
aceitos pelos reformistas, por isso consta apenas das Bíblias católicas. Neste
livro, no capítulo 46, versículo 23,
encontramos a confirmação de que efetivamente Samuel se manifestou
naquela oportunidade, como Espírito, vindo das “profundezas da terra”. O texto
bíblico vai além disso, ele comprova e ressalta a importância do fato que a
predição do Espírito Samuel foi cumprida.
Mesmo Depois de morrer Samuel profetizou,
anunciou ao rei o seu fim;
Do seio da terra ele elevou a sua voz para profetizar,
para apagar a iniqüidade do povo.
Eclesiástico 46,23
Outras traduções assim traduzem o mesmo versículo:
Depois
disso, adormeceu e apareceu ao rei,
e
lhe mostrou seu fim (próximo);
levantou a sua voz do seio da terra para
profetizar a destruição da impiedade do povo.
Eclesiástico 46,23.
Nesta
época os hebreus criam que os espíritos habitavam as profundezas da terra, o
sheol, que algumas vezes foi traduzido como inferno, por isso usavam a
expressão: fazer subir.
O rigor e a disciplina
exigidos de um médium, para que este seja capaz de manter-se em sintonia com as
esferas superiores, permanentemente ocupadas com o exercício do bem, foram bem
exemplificados pelo Mestre Jesus. Especialmente, no episódio da transfiguração,
quando ele recebeu apoio e orientação dos Espíritos de Elias e Moisés. O
recolhimento, o respeito e a prece foram os recursos usados pelo mestre para
contatar os profetas já desencarnados.
Seis dias depois,
Jesus tomou consigo Pedro,
os irmãos Tiago e João,
e os levou a um lugar à parte,
sobre uma alta montanha.
E se transfigurou diante deles:
o seu rosto brilhou como o sol,
e as suas roupas ficaram
brancas como a luz.
Nisso lhes apareceram Moisés e Elias,
conversando com Jesus.
Então Pedro tomou a palavra, e disse a Jesus:
"Senhor, é bom
ficarmos aqui.
Se quiseres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti,
outra para Moisés, e outra para Elias.
" Pedro ainda estava falando,
quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra,
e da nuvem saiu uma voz
que dizia:
"Este é o meu Filho
amado, que muito me agrada.
Escutem o que ele diz.
" Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito
assustados,
e caíram com o rosto por
terra.
Jesus se aproximou, tocou neles e disse:
"Levantem-se, e não tenham medo.
" Os discípulos ergueram os olhos,
e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus.
Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes:
"Não contem a ninguém essa visão,
até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos".
Mateus 17,1-9
Outro
trecho que é impressionante pela clareza com que se refere á mediunidade é o
alerta de João, em sua primeira Epístola, trata-se de uma advertência
extremamente importante e atual.
Amados, não creiais a todo
Espírito,
mas provai se os espíritos
são de Deus,
porque já muitos falsos profetas se têm
levantado no mundo.
Muitos
outros exemplos de mediunidade profética e de cura são encontrados tanto no Novo
quanto no Velho Testamento. Entre os ensinamentos de cristo encontramos o
estímulo para a prática responsável e caridosa da mediunidade.
O
livro, “Atos dos Apóstolos” que relata a história do Cristianismo primitivo,
têm inúmeras passagens referentes aos fenômenos mediúnicos, a mais clara e
espetacular delas relata o dia de Pentecostes.
E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo,
as quais pousaram sobre cada um deles.
E todos foram cheios do Espírito Santo,
e começaram a falar noutras
línguas,
conforme o Espírito Santo
lhes concedia que falassem.
Atos dos apóstolos 1,3-4.
No capítulo 6 de Atos dos
Apóstolos, versículo 8, Estevão é descrito como cheio de fé e poder. E por
isso, fazia prodígios diante do povo.
A libertação de Pedro
da prisão é organizada por um Anjo do Senhor que nada mais é que um espírito
superior materializado. Ele o conduz pelos obstáculos e pelos guardas sem que
haja qualquer dificuldade. Chega a libertá-lo das correntes que o prendiam. A
clareza deste trecho é emocionante.
E eis que sobreveio o anjo do Senhor,
e resplandeceu uma luz na prisão;
e, tocando a Pedro na
ilharga, o despertou, dizendo:
Levanta-te depressa. E caíram-lhe das mãos as cadeias.
Atos dos Apóstolos12, 7
Como nosso tempo é curto somos obrigados a
encerrar esse estudo. A análise de outros trechos das escrituras seria muito
engrandecedora, pois reforçaria os exemplos citados neste breve resumo e nos
faria admirar ainda mais a sabedoria e as revelações contidas em relatos tão
antigos.
Podemos concluir
que só não admitem como mediunidade os fenômenos descritos acima, aqueles que
se recusam a aceitar que um vocábulo novo pode ter um significado mais preciso
para descrição de um fato ou objeto. Esse novo vocábulo, criado por Allan
Kardec, descreve perfeitamente o que aconteceu nos tempos bíblicos e o que
continua acontecendo.
As revelações não
foram suspensas. A misericórdia Divina continua existindo e nos confortando através
das mensagens que chegam do além, por intermédio dos profetas modernos, os
médiuns.
O conhecimento
atual permite que desmistifiquemos o papel desses intermediários e que os
vejamos como são realmente. Humanos, falíveis, dotados de um dom que pode ser
usado adequadamente ou pode ser desperdiçado no exercício da leviandade. Assim,
não corremos o risco de nos iludirmos com falsas mensagens. As mensagens de
origem Divina são sempre brandas, úteis e benéficas. A razão é o instrumento a
ser usado nessa crítica.
Giselle Fachetti Machado.
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