Amor, salvação e obras
Em toda Bíblia, não há melhor síntese para a nossa chamada salvação, do que aquela descrita no último julgamento que teremos depois da morte (Mateus 25,31-46), onde Jesus fala-nos simbolicamente, que somente se assentará à direita de um rei (lado representativo do bem, do bom, do certo), aqueles que agirem com benevolência quanto ao seu próximo.
Jesus pautou seus ensinamentos no amor fraternal e na humildade.
Ele narra-nos que serão venturosos os que forem pobres pelo Espírito, puros de coração, brandos, pacíficos e misericordiosos (Mateus 5,3 e 5; 7-9). Menciona também, que temos de amar ao próximo como a nós mesmos (Mateus 22,39), fazer aos outros o mesmo que quereríamos para nós (Mateus 7,12), amar aos inimigos (Mateus 5,44), perdoar indefinidamente (Mateus 18,21-22), praticar o bem sem ostentação (Mateus 6,1-2) e julgarmo-nos antes e ao invés de fazê-lo aos outros (Mateus 7,5).
O Divino Nazareno, mostra-nos em suas palavras, que o amor, é "condição sinequanon" para que obtenhamos grandes venturas.
O Mandamento Maior (Mateus 22,37-40) concita-nos a fazermos o bem. Afinal de contas, quem realmente ama a Deus acima de tudo, reconhece que todos os dias foram feitos iguais para servirem ao homem, ama ao próximo como a si mesmo, honra pai e mãe, não mata, não comete adultério, não levanta falso testemunho e não cobiça coisa alguma de quem quer que seja. O Meigo Mestre Galileu estava correto, quando asseverou ao fariseu orgulhoso, que amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, é um mandamento que resume admiravelmente toda a lei de Moisés e tudo o que disseram os profetas.
Paulo demonstra que compreendera exatamente os dizeres do Cristo, ao afirmar que mesmo se ele falasse com os anjos, se conhecesse toda a ciência, se conseguisse transportar os montes, se repartisse os seus bens ou fosse queimado; trocando em miúdos: se tudo fizesse, mas não tivesse o amor dentro de si, não adiantaria nada ( 1 Coríntios 13,1-7). E conclui revelando-nos que o amor é superior à fé e à esperança (1 Coríntios 13,13).
Assim, deduzimos tranqüilamente que a nossa chamada salvação, facilmente pode ser alcançada. Esta depende unicamente de nós, bastando que os atos que fizermos baseiem-se no amor (Tito 3,14).
Não seremos julgados segundo nossas obras? (Mateus 16,27) Então?
Hugo Alvarenga Novaes
Fonte: Publicado no jornal “O Tempo”, de Belo Horizonte, no dia 23 de Maio de 2007.
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