Algumas pessoas acham
erroneamente, que Deus poderia ter amaldiçoado o ser humano com a dor do parto,
com o trabalho etc. (Gêneses 3,16-19).
Não pensam porém, que o Criador
seria incapaz de praguejar sobre sua própria criação.
É inconcebível atribuir-se ao
Altíssimo profunda pequenez moral, capaz de fazer imprecações a quem quer que
seja. Mesmo porque vimos que Ele é misericordioso, piedoso, longânimo e grande
em benignidade (Salmos 103,8).
Se Jesus ensinou ao apóstolo
Pedro a perdoar setenta vezes sete (Mateus 18,21-22), ou seja, indefinidamente;
se Cristo, que era reconhecidamente bom, não aceitou este título, apenas conferindo-o
a Deus (Mateus 19,17; Marcos 10,18; Lucas 18,19); considerando também que o
Nazareno é o tipo mais perfeito que o Criador tem oferecido ao homem para lhe
servir de guia e modelo, deduzimos que nesse encadeamento lógico de idéias o
qual vimos anteriormente, o Altíssimo não nos concederia alguém que nos
ensinasse fatos inverossímeis.
Além de tudo isso, observamos
em Romanos 8,14 o seguinte texto bíblico: ‘Porque todos os que são guiados pelo
Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.”
Se geralmente um pai terrestre
não deseja que nada de ruim aconteça à sua prole, que dirá então Deus, que tem
a bondade em um nível muito superior a do ser humano.
Penso sim, que devemos ter fé
em Deus, mas uma fé raciocinada, não cega, aquela que impede que nós vejamos as
coisas mais óbvias, as quais são fatos cristalinos que estão diante de nós.
Hugo Alvarenga Novaes.
Fonte: Publicado no jornal
Estado de Minas, caderno Espaço do leitor, 11/06/2007.