É A BÍBLIA A PALAVRA DE DEUS?
José Reis Chaves
 
 
Foram os rabinos, sacerdotes judeus, que criaram esta conhecida e respeitada frase: “A Bíblia é a Palavra de  Deus”.E ela o é, no sentido de ser uma mensagem divina de salvação para nós, mas não no de ser Deus mesmo que a tenha escrito e de ser ela infalível.Porém, era com essa última   conotação que  a via o Judaísmo, tendo os sacerdotes  católicos a herdado, assim,  "ipsis litteris", dos judeus. E o Protestantismo, por sua vez, seguiu também  o Catolicismo. 
             
Com efeito, com  essa idéia  de ser a Bíblia  a Palavra de Deus, e,  ipso facto, de ser ela infalível, chegou-se facilmente, no decorrer dos séculos, a uma espécie de divinização dela, se é que nos podemos expressar assim. 
               
Mas, no fundo de tudo isso, estava subjacente o egoísmo dos sacerdotes e líderes religiosos, que queriam ser acatados em seus ensinamentos. Foram vítimas do que todos nós seres humanos o somos, isto é,  do nosso ego.  Enquanto nosso Eu  Interior quer  progredir, ir em  frente, espiritualmente falando, ele  tenta, por todos os meios,  obstaculizá-lo. 
 
Daí ter dito Jesus que quem quisesse ser seu discípulo, teria que renunciar-se a si mesmo. Vítima  dele, São Paulo disse: “Quero fazer uma coisa, e acabo fazendo outra contrária àquela que eu queria fazer.” E as igrejas quase nada falam sobre isso, justamente porque seus líderes são também vítimas de seu ego, na verdade, o maior diabo de nossas vidas, embora  eles não saibam disso ou façam de conta que não o saibem. 
                
Ora, a  Bíblia não poderia deixar de receber essas influências maléficas dos seus autores, humanos que eram. Ademais,  inspiração não é ditado  e  anjo não é infalível. Aliás, nem Jesus o é. Ele disse que somente o Pai sabe quando será o final dos tempos. 
                  
Ela é, pois, como a fonte, que pode jorrar água limpa. Mas esta pode  contaminar-se  com as impurezas da adutora, dos encanamentos que a conduzem,  bem como com  as  da caixa d’água. E ela recebeu emendas para ser adaptada às decisões  teológicas dos Concílios. Assim, interpolações aqui, cortes ali, e adulterações das suas traduções sempre aconteceram. Ademais, durante séculos, os textos, em sua maioria, só existiam oralmente. E, para complicar mais as coisas – embora essa não tenha sido sua intenção -,  Lutero, de uma só vez, tirou dela 7 livros. Ela tem,  pois, ouro, mas tem também cascalho! 
                
Devido à  exigüidade de nosso espaço, vamos limitar-nos a apresentar aqui apenas  um exemplo de erros bíblicos:  Para São Mateus, em l, l6, Jacó é o avô paterno de Jesus. Já para São Lucas, 3, 23,  é Heli. Ora, se Deus é onisciente,   infalível, jamais poderia cometer um errinho só, sequer. E, como a Bíblia tem  erros, disso se infere que  não podemos atribuir a Deus  a sua autoria,  dizendo,  que ela é literalmente a Palavra de Deus, o que poderia ser  uma forma de bibliolatria. 
            
A verdade é que muitos, embora o façam inconscientemente, esquecem-se de que  devemos amar a Deus sobre  todas as coisas, sim, inclusive  sobre a Bíblia! 

 

 

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