FILHO UNIGÊNITO DE DEUS
José Reis Chaves
O Nazareno se denominou o Filho do Homem, isto é, o ser
humano mais importante de todos os tempos. Ele se intitulou também Filho de
Deus. E sempre afirmava que Deus era Pai Dele e de todos nós. Mas nunca disse
que Ele era Deus e o único Filho de Deus.
A expressão “Filho Unigênito de Deus” não seria, pois, uma
das interpolações bíblicas? Realmente, essa expressão é contraditória, pois ela
contradiz o que Jesus deixou muito claro para nós nos seus Evangelhos: Ele e todos
nós somos filhos do Deus Único. E Paulo confirmou-o: “O próprio Espírito
testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”(Rm
8,16). Como, pois, Cristo poderia ser o “Filho Unigênito” ou “Único” de Deus? O
filólogo Ètienne Dolet
morreu enforcado e queimado em Paris, em 1546, porque disse que a frase correta
seria: “Jesus Cristo é Filho do Deus único”.
No Concílio de Nicéia (325), Constantino e o bispo Ósio usaram a expressão grega “Homoousios”
(de mesma substância), para dizer que J. Cristo era da mesma substância divina,
sendo, portanto, Deus. Mas, todos nós, em espírito, somos também da mesma
substância divina, como já o afirmava Tertuliano no
3º século. Stº Atanásio defendia a tese “Homoiousios” (de substância semelhante). Já Ário, apoiado pelo bispo Eusébio de Nicomédia,
apresentou a proposta “Anomoios” (de substância
diferente). Constantino queria que Jesus fosse Deus, como o eram considerados
os deuses pagãos, com o que o Cristianismo seria mais forte e,
conseqüentemente, o Império Romano seria também mais forte e mais unido. E a
tese do poderoso Constantino tornou-se vitoriosa no citado Concílio de Nicéia
(325). Mas depois disso, o Cristianismo nunca mais teve paz. E hoje, a maioria
dos teólogos do mundo é ariana, exceto os da ortodoxia cristã (nosso livro “A
Face Oculta das Religiões”, págs. 66 e 173).
Os teólogos justificaram essa doutrina estranha da
divinização de Jesus, colocando no Credo a seguinte expressão sobre Jesus
Cristo: “gerado, não criado”. Mas, se foi gerado, Cristo não existia antes de
ser gerado pelo Pai. Logo, Ele não é Deus, pois Deus é eterno!
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