Jesus não é Deus?
Entre vários atributos que
caracterizam a divindade, encontramos a imutabilidade, o que
significa que Deus não muda nunca. Entendimento fácil de assimilar, uma vez que se Deus mudar de atitude ou algo que tenha feito, Ele não teria
agido com perfeição, o que seria contrário a essa sua natureza. O fato de Deus ter poder para mudar não implica
que irá agir dessa forma, pois acima disso
está a sua perfeição e só muda quem não fez o que queria ou o que fez não tenha
ficado a contento.
Atribuem a Jesus o status de ser o próprio Deus encarnado aqui na Terra, apesar Dele, segundo Davi, não caber no templo (1Rs
8,27), coube dentro de um corpo humano, mas
deixemos à vontade os que
acreditam nisso.
Segundo uma passagem do Evangelho Jesus
teria dito “não vim destruir a Lei, mas cumpri-la” (Mt 5,17), mas será que agiu mesmo dessa forma?
Vejamos que em Lv
20,10 se ordena que sejam punidos com a morte os que
cometessem adultério, mas ao
apresentarem a Jesus uma mulher
surpreendida em adultério
questionando-O se deveriam apedrejá-la como manda essa Lei,
responde: “aquele que estiver
sem pecado atire a
primeira pedra” (Jo
8,7), numa evidente sugestão que não se
deveria cumprir a Lei. Mas se antes havia dito que teria
vindo para cumprir a Lei, como é que ficamos
diante dessa contradição?
Pior ainda quando
aceitamos que Jesus seja mesmo o próprio Deus, pois aí Ele está
mudando de atitude apesar de que teria
sido dito que “... eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3,6). Sem falar que Jesus, em várias oportunidades, se
colocou com vindo para cumprir a vontade daquele
que o enviou, deixando bem claro sua completa submissão à vontade de Deus, sempre se
colocou com um enviado,
demonstrando uma subordinação a alguém que Lhe era superior.
Mas para explicar essa questão temos que nos debruçar nos registros históricos para
percebermos que a divinização de Jesus foi uma necessidade teológica, uma vez que,
copiando dos povos pagãos,
decidiram que Deus também teria que ser
representado por uma trindade. Absurdo teológico que, por mais que
queiram, não conseguem dar a isso uma única explicação lógica e razoável,
partindo para o “mistério”, como a famosa “saída pela tangente”.
Não estamos
aqui para “destronar” a
Jesus, mas para restabelecer o lugar em que Ele sempre se
colocou, pois assim é mais fácil ou melhor é possível
seguirmos seu exemplo, caso contrário,
ficaremos numa situação insustentável de não termos as mínimas condições de fazer o que Ele mesmo afirma
podermos fazer: “tudo o que eu fiz vós podeis fazer e até maiores” (Jo 14,12).
“Meu Pai e vosso Pai”, “meu Deus e vosso Deus” são expressões que usou o tempo todo, o que
significa que nos têm no mesmo plano que Ele, ou seja,
somos irmãos. A Ele devemos
recorrer, como o nosso irmão maior, quando as dificuldades da vida nos pesam nos ombros. “Vinde a mim, vós que estais
cansados e sobrecarregados, pois eu vos aliviarei” (Mt 11,28) é sua promessa a todos nós, espíritos em evolução, independente de qual rótulo religioso
possamos estar abrigados.
Aos que
acreditam nas inúmeras profecias a respeito de
Jesus, contidas no Antigo Testamento, fica mais difícil argumentar, pois elas dão conta que Deus
enviaria um mensageiro, não que viria pessoalmente à Terra.
Obviamente esses nossos argumentos podem não convencer a todos, mas os que, porventura, não vierem
a aceitá-los, que, então, nos
demonstrem com boa lógica que isso não é absurdo: Deus desce
do céu, se encarna como Jesus, que morre
na cruz como vítima
oferecida a Ele mesmo para expiação de nossos pecados (sic).
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Mai/2005.