João Batista é mesmo o Elias?
“Não se deve aceitar qualquer idéia que nos vem dos livros, da tradição, da autoridade da Igreja, nenhuma deve ser aceita a não ser que resista a um exame rigoroso” (DESCARTES)
“A
verdade não conhece mistérios, nem dogmas, nem milagres. A necessidade
de enganar, de iludir faz parte sempre dos mesmos mistérios, dogmas e milagres”.
(MELO, M. C.)
“O
que é preciso, ao homem que reflete,
é alguma coisa que fale à sua inteligência”. (KARDEC A.)
1.- Introdução
Pelo
fato de não aceitarem
a reencarnação, muitas pessoas têm defendido a tese
de que João Batista não
seja Elias reencarnado. Evidentemente, partem de
uma interpretação pessoal
completamente associada
ao dogmatismo religioso
em que vivem,
resultando em algo que
pouco ou nada
tem a ver com os textos
bíblicos.
Faremos um
estudo para ver qual
é a realidade, esperando responder à pergunta
inicial, mas, como
sempre, em relação
a esses, de quem falamos,
não alimentamos a mínima
pretensão de demovê-los de suas idéias
com o que resultar
desse estudo. A única
coisa que irá modificar-lhes o pensamento
é, por ironia do próprio
destino, só mesmo
a reencarnação, já que
ela é uma lei natural
que não pergunta
a ninguém se nela crê ou
não, para que
lhe sujeite e se cumpra o “é necessário nascer de novo”.
2.- Passagens bíblicas para análise
O povo
hebreu esperava confiante
a volta de Elias com base
numa profecia do Antigo
Testamento, que
afirma sobre o seu retorno.
Leiamo-la:
“Vejam!
Estou mandando o meu mensageiro para preparar o caminho à minha frente. De repente, vai chegar ao seu Templo o Senhor que vocês procuram, o mensageiro da Aliança que vocês desejam. Olhem! Ele vem! - diz Javé dos exércitos”.
(Ml 3,1)
Mais
à frente esse mensageiro
é identificado pelo profeta
Malaquias, que, segundo
pudemos levantar, viveu cerca
de 400 anos a.C (Bíblia
Sagrada, Barsa, Dicionário Prático,
p. 165):
“Lembrem-se
da Lei do meu servo Moisés, que eu mesmo lhe dei no monte Horeb, estatutos e normas para todo o
Israel. Vejam! Eu
mandarei a vocês o profeta
Elias, antes que venha o grandioso e terrível Dia de Javé. Ele há de fazer que o coração dos pais voltem para os filhos e o coração dos filhos para os pais; e assim, quando eu vier, não condenarei o país à destruição total”. (Ml
3,22-24) [].
O passo
seguinte é quando, no
tempo de Herodes, rei
da Judéia, um sacerdote chamado
Zacarias recebe a visita de um
anjo, que lhe
anuncia que sua mulher
Izabel, apesar de estéril,
daria a luz a uma criança,
cujo nome deveria ser
João. (Lc 1,5-13). Descrevendo essa criança, o anjo
Gabriel declara a Zacarias:
“...
ele vai ser grande diante do Senhor. Ele não beberá vinho, nem bebida fermentada e, desde o ventre materno, ficará cheio do Espírito Santo. Ele
reconduzirá muitos do povo de
Israel ao Senhor seu Deus. Caminhará à frente deles, com o espírito e o poder de
Elias, a fim de converter os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos,
preparando para o Senhor um povo bem disposto”. (Lc 1, 14-18)
Afirmando que
a criança virá “com o espírito e o poder de Elias”,
se usa da linguagem
de época, para confirmar que
aquela criança seria o espírito
de Elias reencarnado. Isso se confirma quando,
na seqüência, é dito “a fim de converter os corações dos pais aos filhos”, exatamente
como disse Malaquias na profecia
que anteriormente
citamos (Ml 3,22-24), na qual também
afirma categoricamente que Elias haveria de voltar:
“eu mandarei a
vocês o profeta
Elias”
No dia
em que o menino
foi levado para ser
circuncidado, Zacarias, mudo por
castigo imposto pelo
anjo, escreve, numa tábua,
o nome que deveria ser
dado a seu filho:
João, uma vez que
queriam dar-lhe o mesmo nome
do pai ou de algum
parente. Logo após,
Zacarias profetiza dizendo várias coisas (Lc
1,67-79), e dentre elas
destacamos:
“...
E a você, menino,
chamarão profeta do Altíssimo, porque irá à frente do Senhor, para preparar-lhe os caminhos, anunciando ao seu povo a salvação e perdão dos pecados”.
(v.76-77).
Isso
confirma, primeiro a profecia anterior
de Malaquias e segundo o que
o anjo Gabriel havia dito
a Zacarias, como para não
pairar dúvidas de quem
era aquele menino,
embora, nos dias
de hoje, há os que, por
puro dogmatismo, não
enxergam isso.
Na narrativa,
em que se relata o início
da pregação de João Batista,
lemos:
“...
E João percorria toda a região do rio Jordão, pregando o batismo de conversão para o perdão dos pecados, conforme está escrito no livro do profeta
Isaías: ‘Esta é voz daquele que grita no deserto:
preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas. Todo vale será aterrado, toda a montanha e colina serão aplainadas; as estradas curvas
ficarão retas, e os caminhos esburacados serão nivelados. E todo homem verá a salvação de Deus’” (Lc 3,1-6).
Relaciona-se, portanto,
João a mais uma passagem
aceita como sendo uma profecia
a respeito da vinda
do mensageiro.
Mais
à frente, João Batista
é preso por Herodes, que
da prisão envia seus discípulos
a Jesus. Logo após esse
encontro de Jesus com
os discípulos de João, ele,
o Mestre, em se referindo
à “voz que clama no deserto” diz:
“O
que é que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? O que vocês foram ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas aqueles que vestem roupas finas moram em palácios de reis. Então, o que é que vocês foram ver? Um profeta? Eu lhes afirmo que sim: alguém que é mais do que um profeta. É
de João que a Escritura diz: 'Eis que eu
envio o meu mensageiro à
tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti'. Eu garanto a vocês: de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino do Céu é maior do que ele. Desde os dias de
João Batista até agora, o Reino do Céu sofre violência, e são os violentos que procuram
tomá-lo. De fato, todos os Profetas e a Lei
profetizaram até João. E
se vocês o
quiserem aceitar,
João é Elias que devia
vir. Quem tem ouvidos, ouça”.
(Mt 11,7-14).
Na afirmação
de que “é de
João que a Escritura
diz”, Jesus está relacionando João Batista exatamente
à profecia de Malaquias a respeito
do envio do mensageiro (Ml 3,1), identificado pelo
próprio profeta como
sendo Elias (Ml 3,22-24).
Há aqui
uma frase que nunca
vimos ninguém comentar; entretanto,
ela é muito singular.
Estamos falando da frase: “Desde os dias de João Batista até agora”, expressão
que, por lógica,
só faria sentido se
João Batista não
fosse contemporâneo de Jesus. Mas
acreditamos que é realmente
disso que Jesus, de forma indireta,
está afirmando o que, em
outras palavras, poderia
ser dito assim:
“Desde os dias de
Elias até agora”, já
que na seqüência ele
arremata claramente que
João é Elias, aquele mesmo
que havia de vir. Na certeza
de que muitos não
acreditariam, completa: “quem tem ouvidos, ouça”, ou
seja, quem quiser acreditar que
acredite: João Batista é mesmo
o Elias reencarnado. Vale observar que
Jesus nunca impôs sua
maneira de pensar a ninguém,
exemplo que muitos
não se preocupam e nem
fazem questão de seguir, principalmente
aqueles que tentam incutir
na cabeça dos outros suas
interpretações pessoais
dos textos bíblicos;
seriam eles os falsos
profetas de quem
Jesus sempre falava? Em
Mt 7,21-23 ele nos dá
algumas pistas sobre quem
seriam estes falsos profetas:
usariam o nome dele para: (1) profetizar;
(2) expulsar demônios e (3) fazer
muitos milagres. Será
que é deles que
estamos falando? Fica a resposta por
sua conta caro
leitor.
Como
explicar que João Batista
seja o maior de todos
os homens, mas que
no Reino do Céu ele
é o menor, senão na
possibilidade de evolução individual
de cada um de nós?
Se isso não for verdade,
haveremos de, forçosamente, acreditar
que Deus age com
parcialidade, contrariando a afirmação de que “Deus não faz acepção de pessoas”
(At 10,34), o que faria de Sua
justiça uma justiça por
demais humana, privilegiando
algumas pessoas em detrimento
de outras.
Em
outra passagem Jesus volta
novamente a afirmar sobre
João ser Elias. Ei-la:
“Seis dias depois, Jesus
tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisso lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra, e disse a Jesus: ‘Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias’. Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra, e da nuvem saiu uma voz que dizia: ‘Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz’. Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito assustados, e caíram com o rosto por terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: ‘Levantem-se, e não tenham medo’. Os discípulos
ergueram os olhos, e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes: ‘Não contem a ninguém essa visão, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos’. Os discípulos de
Jesus lhe perguntaram: ‘O que querem dizer os doutores da Lei, quando falam que Elias deve vir antes?’ Jesus
respondeu: ‘Elias vem para colocar tudo em ordem. Mas eu digo a vocês: Elias
já veio, e eles não o
reconheceram. Fizeram com ele tudo o que quiseram. E o Filho do Homem será
maltratado por eles do mesmo modo’. Então os discípulos
compreenderam que
Jesus falava de João Batista”. (Mt 17,1-13).
Transcrevemos
a passagem por completo
para podermos melhor
explicá-la. Os espíritos Moisés e Elias aparecem
no monte Tabor e conversam com
Jesus, fato que
Pedro, Tiago e João testemunham (e ainda dizem que
os mortos não se
comunicam). Os discípulos, lembrando-se das profecias
a respeito da volta
de Elias, ficam intrigados, daí pensaram: se Elias está aqui,
então como nas Escrituras
se diz que ele
voltaria? Em conseqüência
pedem uma explicação a Jesus: “O que querem dizer os doutores da Lei, quando falam que Elias deve vir antes?”. A
resposta de Jesus sobre
isso é categórica: “Elias já veio, e eles não o reconheceram”. Fato que
se explica porque o espírito
que animou Elias estava reencarnado como
João Batista, razão pela
qual nem todos
o reconheceram. É por isso
que no texto consta “eles”,
os doutores da Lei, e
não “ninguém”, que
abrangeria o desconhecimento por
parte de todo mundo,
inclusive, por parte
dos apóstolos, de que
João era Elias. Quanto
aos apóstolos, pelos menos
Pedro, Tiago e João – eles queriam, apenas,
essa confirmação por parte
de Jesus, pois já supunham que
João era mesmo Elias.
Será
interessante vermos essa passagem pela
narrativa de Marcos,
leiamo-la:
E Jesus dizia: "Eu garanto a vocês: alguns dos que estão aqui, não morrerão sem ter visto o Reino de Deus chegar com poder." Seis dias depois, Jesus
tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas, como nenhuma lavadeira no mundo as poderia alvejar.
Apareceram-lhes Elias e Moisés, que
conversavam com Jesus. Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: "Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias."
Pedro não sabia o que dizer, pois eles estavam com muito medo. Então desceu uma nuvem e os cobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: "Este é o meu Filho amado.
Escutem o que ele
diz!" E, de repente, eles olharam em volta e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles. Ao descerem da montanha, Jesus recomendou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse
ressuscitado dos mortos. Eles
observaram a recomendação e se
perguntavam o que
queria dizer "ressuscitar dos mortos". Os discípulos
perguntaram a Jesus: "Por que os doutores da Lei dizem que antes deve vir Elias?"
Jesus respondeu: "Antes vem Elias para colocar tudo em ordem. Mas, como dizem as Escrituras, o Filho do Homem deve sofrer muito e ser rejeitado. Eu, porém, digo a vocês: Elias já veio e fizeram com ele tudo o que queriam, exatamente como as Escrituras falaram a respeito dele" (Mc 9, 1-13).
Será
que o “ressuscitar dos mortos”
aí equivale a reencarnar? Os discípulos
discutiam sobre o que
queria dizer “ressuscitar dos mortos”
e, ao que parece, não
chegaram a um denominador
comum, assim,
querendo um esclarecimento, perguntam a Jesus sobre
a volta de Elias. Obviamente se estavam
conversando sobre ressurreição
dos mortos e nessa conversa sai o
nome de Elias, é porque,
certamente, tinham Elias como
morto e não como
um arrebatado.
Embora
tudo isso quanto
colocamos até aqui,
seja claro aos que não
estão encabrestados por sua
liderança religiosa, ainda
vão continuar aparecendo dogmáticos
com argumentos contrários
a essa verdade bíblica, colocando Jesus como
mentiroso, já que
foi Ele quem disse que
João era Elias, e não
nós os Espíritas, fato
que não há como
contestar.
Falta-nos
ainda fazer uma análise
da passagem que
relata a morte de João Batista; é
o que faremos agora, mas
primeiro leiamo-la:
Então Herodes
prometeu com juramento que lhe daria tudo o que ela pedisse.
Pressionada pela mãe, ela disse: "Dê-me aqui, num prato, a cabeça de
João Batista." O rei ficou triste, mas por causa do juramento na frente dos convidados,
ordenou que atendessem o pedido dela, e
mandou cortar a cabeça de
João na prisão. Depois a cabeça foi levada num prato, foi entregue à moça, e esta
a levou para a sua mãe. (Mt 14,7-11).
Considerando que
a reencarnação está diretamente associada
à lei da causa e efeito,
vulgarmente denominada de carma,
a morte de João Batista é mais
um fato que
se ajusta ao nosso conjunto
de provas, pois ele
morreu exatamente da mesma
forma que, quando
estava encarnado como
Elias, fez perecer os sacerdotes
de Baal: teve a cabeça cortada.
Vejamos o relato:
“Então Elias
disse a eles: ‘Agarrem os profetas de Baal. Não deixem escapar nenhum’. E eles os agarraram. Elias fez os profetas de
Baal descer até o riacho
Quison, e aí os
degolou”. (1Rs 18,40).
“Acab contou a Jezabel o que Elias tinha feito e como tinha matado a fio de espada todos os profetas”. (1Rs 19,1).
E para
que ninguém diga que
a lei de causa e efeito
não é bíblica, como
ao gosto dos dogmáticos,
apresentamos para sustentação do nosso
entendimento as seguintes
passagens:
“Pelo que eu sei, os que cultivam injustiça e semeiam miséria, são esses que as colhem”.
(Jó 4,8)
“Jesus
respondeu: ‘Eu garanto a vocês: quem comete o
pecado, é escravo do pecado’”. (Jo 8,34)
“Jesus,
porém, lhe disse:
‘Guarde a espada na bainha. Pois todos os que usam a espada, pela espada morrerão’”. (Mt 26,52)
“Não se
iludam,pois com Deus não se brinca: cada um colherá aquilo