MATEUS 11.14 — Jesus disse que João Batista era Elias reencarnado?
Lemos no site http://www.hermeneutica.com.br/estudos/mateus11_14.html, sob igual título,
matéria onde se afirma que João, o batista, não foi Elias reencarnado. No final
do referido texto é informado que ele foi extraído do Livro "Respostas às Seitas - Um Manual Popular Sobre
as Interpretações Equivocadas das Seitas" - Norman L. Geisler e Ron Rhodes.
Inicialmente, esclarecemos que as partes constantes do texto sob
comentário foram transcritas do original mediante a utilização das teclas
“ctrl+c” e “ctrl+v” e estão sombreadas.
Referida matéria começa assim:
MATEUS 11.14 — Jesus disse que João
Batista era Elias reencarnado?
A MÁ INTERPRETAÇÃO: Jesus refere-se aqui a João Batista como
"o Elias que havia de vir" (confira Mt 17.12; Mc 9.11-13). Mas uma
vez que Elias havia morrido há muitos séculos antes dessa ocasião, alguns
reencarnacionistas têm alegado que João deve ter sido uma reencarnação de
Elias.
Pedimos a atenção para a afirmação dos autores da matéria de que “Elias
havia morrido há muitos séculos antes dessa ocasião...” Isso porque mais
adiante eles afirmam, novamente, em outro tópico, que Elias “já havia vivido e
morrido” e noutro eles dizem “...pois ele não morreu. Ele foi tomado e levado
ao céu do mesmo modo que Enoque, que "não viu a morte" (2 Rs 2.11;
conf. Hb. 11.5).” Afinal: Elias morreu ou não?...
Vamos aos nossos comentários.
Como o leitor poderá notar, os autores da matéria, ao citarem “Mateus
11.14”, transcrevendo parcialmente o versículo, na parte que não poderá
interferir no entendimento por eles pretendido no texto sob comentário,
demonstram a intenção de deslocar de João para Elias o núcleo do fato por eles
enfocado. E isso pode ser verificado facilmente pela leitura de Mateus
11:13-15, onde consta:
“13 Porque todos os
profetas e a lei profetizaram até João. 14 E, se quereis dar crédito, é este o
Elias que havia de vir. 15 Quem tem ouvidos para ouvir ouça.”
Veja o leitor que Jesus afirma que João é Elias e ainda enfatiza no
versículo 15: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça”.
Seguindo, ainda, a sugestão dos autores fomos conferir o que consta em
Mateus 17.12 e Marcos 9.11-13 e constatamos que referidos textos se referem ao
diálogo de Jesus com seus discípulos Pedro, Tiago e João, logo após o fenômeno
da transfiguração, em que o Mestre afirma a eles que Elias já veio e não o
reconheceram. Mas, o interessante nessas duas citações é que os autores, na
citação relativa a Mateus, apenas mencionam o versículo 12 (o penúltimo da
narrativa do dialogo), em que é dito que Elias já havia vindo, e
“esqueceram-se” de citar o versículo seguinte (13), onde é dito: “Então
entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista”. Aqui, fazemos
uma perguntinha: Será que é pelo fato do que nele está dito que os autores se
“esqueceram“ de citá-lo?
Ora, se os autores não hesitam em omitir textos para chegarem a uma
interpretação que lhes convém, como podem pretender alegar que o entendimento
dos reencarnacionistas decorre de má interpretação? Nesse caso, perguntamos: E
o entendimento deles, a respeito do assunto, decorre de má interpretação ou de
má-fé?
E os autores continuam:
CORRIGINDO A MÁ INTERPRETAÇÃO: Existem
muitas razões pelas quais esse verso não oferece qualquer suporte à visão
oriental, ou da Nova Era, sobre a reencarnação.
Mesmo que fosse possível mostrar essa passagem como uma
referência a Elias ter reencarnado em João Batista, ainda se trataria de uma
reencarnação muito diferente daquela que é pregada pelas seitas da Nova Era: 1)
Se isso fosse verdade, seria uma reencarnação única, e não seguiria o modelo de
reencarnações infindáveis como pregado pelas religiões orientais; 2) Se isso
fosse verdade, teria ocorrido no contexto teísta e não na visão panteísta de
mundo; 3) Não haveria o conceito de karma, através do qual essas seitas dizem
que uma pessoa se reencarna para ser punida pelo que aconteceu em uma
existência prévia. Ora, dificilmente o fato de retornar como o maior profeta
que precedeu Jesus teria sido um castigo para Elias (Mt 11.11).
Contudo, não é necessário entender essa passagem como uma
reencarnação literal de Elias. Existem várias indicações no próprio texto de
que ela significa simplesmente que João ministrou no espírito e poder de Elias.
Em primeiro lugar, João e Elias não tiveram o mesmo ser — eles tiveram a mesma
função. Jesus não estava ensinando que João Batista fosse literalmente Elias,
mas apenas que ele veio "no espírito e virtude de Elias" (Lc 1.17),
com o fim de dar continuidade ao ministério profético de Elias.
Nesse bloco, na primeira parte, os autores dizem existir muitas razões
para afirmar que Mt. 11.14 “não oferece
qualquer suporte à visão oriental, ou da Nova Era, sobre a reencarnação.”;
entretanto, não apresentam uma “razão” sequer.
Já na segunda parte, ainda que não admitam explicitamente a
reencarnação, parece que, implicitamente, os autores a admitem, pois, ao
apresentarem suas “razões”, dizem: “Mesmo
que fosse possível mostrar essa passagem como uma referência a Elias ter
reencarnado em João Batista, ainda se
trataria de uma reencarnação muito diferente daquela que é pregada pelas
seitas da Nova Era:”, complementando:
“1)
Se isso fosse verdade, seria uma reencarnação única, e não seguiria o modelo de
reencarnações infindáveis como pregado pelas religiões orientais;”
Com relação ao item acima, embora possa parecer irreverente o que vamos
dizer, não resistimos; em nosso tempo de criança, quando alguém negava ter
praticado algum ato igual àquele que já houvera praticado antes, os mais velhos
diziam: “cesteiro que faz um cesto faz um cento”. Logo, se houve uma
reencarnação, por que não pode haver a possibilidade de novas, já que decorre
de uma ação criativa de Deus? Aí vem a dúvida: será que Deus seria tão
esbanjador para criar uma coisa para aplicação única, enquanto os exemplos
estão aí de que tudo o que Ele criou se repete? Como exemplo, tomemos o dia, a
noite e o ano (Gn 1:5-14); o resto, pela repetição destes, semana, mês, século
etc., foi invenção do homem, visando medir o tempo. Assim, como os próprios
autores admitem a possibilidade da reencarnação, ainda que uma só vez, como
eles mesmos podem pretender afirmar que não existe reencarnação? Como podemos
ver, para eles tudo vale em defesa dos dogmas e, também, dos interesses
sectários, coisas que os espíritas não praticam e nem aprovam.
2)
Se isso fosse verdade, teria ocorrido no contexto teísta e não na visão
panteísta de mundo;
Com relação a esse item, devemos, primeiramente, recorrer ao nosso amigo
dicionário para ver os verdadeiros sentidos dos adjetivos “teísta” e
“panteísta” e dos respectivos substantivos a que eles se relacionam; vejamos o
que consta na Enciclopédia Koogan-Houaiss Digital:
TEÍSTA adj. Relativo ao teísmo. / — S.m. Partidário
do teísmo.
TEÍSMO s.m. Doutrina que afirma a existência pessoal
de Deus e sua ação providencial no mundo.
PANTEÍSTA adj. Que diz respeito ao panteísmo. / -
s.m. e s.f. Partidário do panteísmo..
PANTEÍSMO s.m. Crença de que Deus e todo o universo
são uma única e mesma coisa e que Deus não existe como um espírito separado.
Como o leitor poderá notar, “o contexto” teísta, aqui utilizado pelos
autores, está no sentido de que Deus é uma “pessoa”,
enquanto a “visão” panteísta está no sentido de que Deus é tudo o que está no
universo.
Daí, perguntamos: ONDE É QUE O FATO DE DEUS SER UMA PESSOA (contexto
teísta) OU ESTAR EM TODO O UNIVERSO (visão panteísta), PODERÁ INTERFERIR NA
EXISTÊNCIA OU NÃO DA REENCARNAÇÃO?
Aqui, aplica-se muito bem o que dizia nosso antigo comandante de
esquadrilha, na EPCAR, em Barbacena: “explica mas não justifica”...
3)
Não haveria o conceito de karma, através do qual essas seitas dizem que uma
pessoa se reencarna para ser punida pelo que aconteceu em uma existência
prévia. Ora, dificilmente o fato de retornar como o maior profeta que precedeu
Jesus teria sido um castigo para Elias (Mt 11.11).”
Pelo que
os autores disseram nesse tópico, eles estão querendo levar o leitor a um
entendimento de que só existe carma negativo, isto é, que só se aplica a lei do
carma, como se fora um castigo. Entretanto, o carma tanto pode ser negativo
(castigo) quanto positivo (prêmio). Vejamos o que diz o dicionário:
Carma
– Rubrica: filosofia, religião. no hinduísmo e no
budismo, lei que afirma a sujeição humana à causalidade moral, de tal forma que
toda ação (boa ou má) gera uma reação que retorna com a mesma qualidade e
intensidade a quem a realizou, nesta ou em encarnação futura...
Primeiramente,
é preciso deixar claro que a finalidade da reencarnação é o progresso do
Espírito e não a punição dele; é a mesma coisa que o processo de educação
adotado pelas escolas, indo do jardim-de-infância até o curso superior,
mestrado, doutorado etc., não sendo a promoção ao grau seguinte um prêmio, nem
a reprovação um castigo; cada um recebe o que merece ou, biblicamente dizendo:
“a cada um de acordo com suas obras” (Mt 16,27); aproveita-a o Espírito para
tentar quitar seus débitos perante a justiça divina, o que é bem diferente.
Mas, para esclarecer àqueles que pensam como os autores, vamos considerar que o
carma tanto se aplica a um castigo como a um prêmio; vai depender só do
comportamento que o indivíduo tiver na sua existência terrena. Assim,
contrariando o ponto de vista dos autores, podemos concluir que o carma tanto se
aplica a um castigo como a um prêmio; dependerá apenas dos atos praticados pelo
espírito em encarnações anteriores.
Para
comprovarmos a nossa afirmação dentro do contexto bíblico, vamos recorrer ao
que diz um dos textos relativos a Elias que, para nós, confirma a aplicação da
hipótese do carma positivo, contrariando o ponto de vista dos autores.
1Reis
18:40 informa que Elias degolou os profetas de Baal, no riacho de Quisom, num
total de 450, nos termos do disposto no
versículo 22 desse mesmo capítulo 18, o que confirma a dedução dos autores no
sentido de que ”dificilmente o fato de
retornar como o maior profeta que precedeu Jesus teria sido um castigo para
Elias”, já que a pessoa que
pratica um ato desse jaez – degolar 450 pessoas – dificilmente poderia
ter sido portadora de um espírito superior ao da pessoa considerada como sua
reencarnação, no caso João. Entretanto,
os autores estão certos apenas em decorrência da constatação desse ato
praticado por Elias, pois o espírito que encarnou como Elias também deveria ter
seus méritos para vir reencarnado como aquele que os autores do texto sob
comentário consideram como o maior profeta que precedeu Jesus. Isso porque
Deus, através do profeta Malaquias, disse: ”Eis
que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do
SENHOR”. (Ml 4:5 ou 3:22 conforme a versão) E Deus não enviaria um
espírito para desempenhar a função de maior profeta que antecedeu Jesus, se
esse espírito não tivesse mérito suficiente para tal. E mais: cotejando-se esse
versículo com Mt 11:10, verificar-se-á que o que é dito neste nada mais é do
que a confirmação da profecia de Malaquias. E o próprio Jesus faz essa
afirmação no versículo 14 do mesmo Capítulo 11 de Mateus. Logo, qualquer
hipótese que se levante visando contrariar o entendimento de que João é Elias,
fatalmente implicará na absurda conclusão de que Deus nos enganou, já que
prometeu enviar Elias e enviou outro profeta, e de que Jesus mentiu, pois
afirmou que João é Elias, enquanto os autores afirmam o contrário. Nesse caso,
a razão estará com os autores ou com Jesus? Responda quem quiser e puder.
Para
complementar nosso entendimento sobre esse tópico, vamos transcrever o texto de
Mt 11.11, citado como justificativa do ponto de vista por eles defendido: “11
Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do
que João, o Batista; mas aquele que é o
menor no reino dos céus é maior do que ele.” (destacamos) Pelo que pudemos
deduzir desse texto, os autores estão utilizando um grande sofisma,
referindo-se à lei do carma, que eles tanto condenam, para justificar que ”dificilmente o fato de retornar como o maior
profeta que precedeu Jesus teria sido um castigo para Elias.” Ora, a afirmação de Jesus, objeto do nosso
destaque na transcrição acima, ”o
menor no reino dos céus é maior do que ele”[João], contraria totalmente a afirmação dos autores, já que, segundo o ponto de vista
por eles defendido, o espírito que encarnou como Elias não seria superior ao
que reencarnou como João, o que coincide com o nosso entendimento, pois ambos,
Elias e João, são reencarnação do mesmo espírito e, por conseguinte, um não
pode ser maior do que o outro. Entretanto, como Elias foi enviado por Deus,
conforme prometido em Malaquias, e como os próprios autores afirmam que ele,
Elias, “foi tomado e levado ao
céu do mesmo modo que Enoque, que 'não viu a morte' (2 Rs 2.11; conf. Hb.
11.5)”, fatalmente, Elias teria que ter vindo do céu;
portanto, como veio de lá (reino dos céus), e conforme o raciocínio dos
autores, obrigatoriamente teria que ser superior a João, de acordo, repetimos,
com o ponto de vista deles; isto, em decorrência das palavras de Jesus em
Mateus 11:11. E como para os dogmáticos não existe o impossível para Deus, muito menos deverá existir o dificilmente. Logo, pelo próprio
raciocínio dos autores, poder-se-á concluir que Elias teria sido superior a
João, justificando como um castigo a reencarnação de Elias como João, de acordo
com o ponto de vista dos autores, repetimos mais uma vez.
Assim, com relação a esse tópico, podemos afirmar que a comprovação da
lei do carma, aventada pelos autores, que preferimos chamá-la de lei de causa e
efeito, ou lei de ação e reação, se dá com a reencarnação, como João, do mesmo
espírito que anteriormente reencarnou como Elias, tanto sob o aspecto de carma
positivo (nascendo como o maior profeta que precedeu Jesus), como também sob o
aspecto de carma negativo (morrendo degolado, porque matou degolando). E não
vale alegar-se, no caso, que o “olho por olho, dente por dente” foi abolido por
Jesus, com o que, em princípio, até poderíamos concordar; apenas discordamos em
função do momento, pois o próprio Jesus diz em Lucas 16:16 que “A lei e os
profetas vigoraram até João”. Não é muita coincidência vigorar até João...?!
Logo, desculpe-nos pela repetição, a
reencarnação de Elias como João, e sua
morte por degolação, é o exemplo típico da lei do carma ou, como
preferimos, da lei de causa e efeito, ou, ainda, da lei de ação e reação, já
que a sua vinda, e vida, novamente como profeta (agora como o maior que
precedeu Jesus, nas palavras dos próprios autores) foi um prêmio e a sua morte
por degolação foi um castigo; esta última coincidindo com o ponto de vista dos
autores, que só admitem o carma negativo. Assim, insistimos, a reencarnação de Elias
como João, pelo que se vê dos textos bíblicos, é o exemplo típico da incidência
simultânea da lei do carma (lei de causa e efeito ou lei de ação e reação),
tanto sob o aspecto positivo - prêmio, quanto sob o aspecto negativo – castigo,
ou o famoso bateu levou.
Vamos, agora, à última parte desse bloco. Dizem os autores:
Contudo,
não é necessário entender essa passagem como uma reencarnação literal de Elias.
Existem várias indicações no próprio texto de que ela significa simplesmente
que João ministrou no espírito e poder de Elias. Em primeiro lugar, João e
Elias não tiveram o mesmo ser — eles tiveram a mesma função. Jesus não estava
ensinando que João Batista fosse literalmente Elias, mas apenas que ele veio
"no espírito e virtude de Elias" (Lc 1.17), com o fim de dar
continuidade ao ministério profético de Elias.
Apesar dos autores dizerem no início desta última parte que “não é necessário entender essa passagem
como uma reencarnação literal de Elias.”, informando eles que no próprio
texto existem várias indicações de que essa passagem significa que “João ministrou no espírito e poder de
Elias.”, vamos considerar que eles pretenderam dizer que João exerceu
função idêntica à de Elias, função essa que seria a de profeta. Isso porque
eles afirmam que “João e Elias não
tiveram o mesmo ser — eles tiveram a
mesma função.” (negrito nosso) Ora, é aqui que, para nós, está a falha na
interpretação deles, em virtude da inversão do foco, já que “O espírito é o que
vivifica, a carne para nada aproveita”. (Jo 6:63) Aceitando-se o que dizem os
autores, de que “João e Elias não tiveram
o mesmo ser” a dedução a que
se chega é que o corpo é que dá vida ao espírito, contrariando, portanto, a
Bíblia e, por conseqüência, a palavra de Deus, conforme os bibliólatras a
consideram. Em seguida, eles afirmam que “Jesus
não estava ensinando que João Batista fosse literalmente Elias, mas apenas que
ele veio “no espírito e virtude de Elias” (Lc 1.17), com o fim de dar
continuidade ao ministério profético de Elias.” Como eles utilizam bastante
as palavras “literal” e “literalmente”, perguntamos: Jesus, ao dizer em Mateus
11: “13 Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. 14 E, se
quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. 15 Quem tem ouvidos para
ouvir ouça.”, literalmente Ele disse o que? Ou será necessário dizermos que
Jesus, literalmente, afirma que João
é Elias?
E eles continuam “corrigindo” a má
interpretação, segundo eles:
Em
segundo lugar, os discípulos de Jesus compreenderam que Ele estava falando a
respeito de João Batista, uma vez que Elias apareceu no monte da transfiguração
(Mt 17.10-13). Como o profeta nessa ocasião já havia vivido e morrido, e uma
vez que Elias ainda possuía o mesmo nome e a sua própria consciência, é óbvio
que Elias não havia reencarnado em João Batista.
Em terceiro lugar, Elias não se enquadra
no modelo proposto pelos defensores da reencarnação, pois ele não morreu. Ele
foi tomado e levado ao céu do mesmo modo que Enoque, que "não viu a
morte" (2 Rs 2.11; conf. Hb. 11.5). De acordo com a crença tradicional das
seitas a respeito da reencarnação, uma pessoa precisa primeiramente morrer
antes que possa ser reencarnada em outro corpo.
Com relação a esse bloco, pedimos a atenção do leitor para o fato dos
autores se contradizerem, já que, no primeiro desses dois tópicos, informam que
Elias morreu; já no segundo, afirmam que Elias não morreu e que “Ele foi tomado
e levado ao céu do mesmo modo que Enoque”...
Afinal, Elias morreu ou não morreu?!
Para não ficarmos só na contradição, vamos às suas alegações, tópico a
tópico.
Quanto ao primeiro, fazemos a seguinte indagação: por que os discípulos
de Jesus, presentes no momento da ocorrência do fenômeno da transfiguração,
compreenderam que Jesus lhes falara a respeito de João Batista? Respondemos: simplesmente
porque eles acreditavam na reencarnação, só que com outro nome – ressurreição.
Quanto à sua parte final, em que os autores afirmam, de modo capcioso, que “o profeta nessa ocasião já havia vivido e
morrido, e uma vez que Elias ainda possuía o mesmo nome e a sua própria
consciência, é óbvio que Elias não havia reencarnado em João Batista.”,
temos a esclarecer que essa colocação só seria válida se João ainda estivesse
vivo no momento da transfiguração, pois, nesse caso, o espírito não poderia
estar, ao mesmo tempo, encarnado como João e desencarnado como Elias; não é
claro? Logo, só nessa hipótese (João ainda vivo) é que o entendimento dos
autores poderia estar correto. Além do mais, como, no caso, o espírito é o
mesmo, tanto ele poderia apresentar-se como Elias quanto como João ou como
qualquer personagem que ele tenha se encarnado anteriormente.
Já em relação ao segundo tópico, cabe-nos fazer um esclarecimento quanto
ao que os autores afirmam que Elias não morreu e que “Ele foi tomado e levado
ao céu”...: ao que parece, Elias era dado a se movimentar de um lado para
outro, repentinamente, como se pode ver dos diálogos entre Obadias (ou Abdias,
conforme a versão) e Elias, quando do encontro dos dois, e entre os filhos dos
profetas e Eliseu após o arrebatamento de Elias, respectivamente narrados em
1Reis 18:7-12 e 2Reis 2:11-16; em 1Reis 18:12 é dito: “E poderia ser que,
apartando-me eu de ti, o Espírito do Senhor te tomasse, não sei para onde, e,
vindo eu a dar as novas a Acabe, e não te achando ele, me mataria; porém eu,
teu servo, temo ao Senhor desde a minha mocidade.”; e em 2Reis 2:16: “E
disseram-lhe: Eis que com teus servos há cinqüenta homens valentes: ora
deixa-os ir para buscar a teu senhor; pode ser que o elevasse o Espírito do
Senhor, e o lançasse nalgum dos montes, ou nalgum dos vales. Porém ele disse:
Não os envieis.” Como podemos ver, se em relação a Elias o fenômeno dos
“arrebatamentos” não ocorresse com freqüência não teria havido narração dessas
duas passagens, principalmente a de 1Reis 18:12, em que Obadias teme seja Elias
arrebatado (levado para outro local); é apenas uma questão de lógica; não é?
Ainda quanto ao fato de que Elias não morreu: pelo que nos consta, Deus jamais
criou alguma coisa inútil ou injusta, pois até seu filho unigênito não
escapou da morte. Assim, alegar que outros teriam dela escapado, como se
pretende em relação a Elias, mesmo este sendo profeta, é querer trazer Deus ao
baixo nível dos humanos; não é?! E não vale a alegação de que “são mistérios de
Deus”...
Por último, mais uma vez pedimos a atenção do leitor para o fato de que
no primeiro tópico deste bloco, e no primeiro tópico da matéria aqui enfocada,
os autores afirmam que Elias morreu. Ora, se para tentar alegar a ocorrência de
uma “má interpretação” por parte dos reencarnacionistas eles, por duas vezes,
afirmam que Elias morreu, como, do segundo tópico deste bloco, eles dizem que
Elias não morreu?! Como o leitor poderá notar, não se trata de má interpretação
dos reencarnacionistas mas, sim, de possível má-fé deles, autores. Desculpe-nos
pelo cacófato.
Em quarto lugar,
essa passagem deve ser compreendida à luz dos ensinos claros das Escrituras,
que são contrários à reencarnação. Hebreus 9.27, por exemplo, declara: "E,
como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o
juízo" (confira Jo 9.2).
É impressionante como os anti-reencarnacionistas procuram arranjar
desculpas (porque não se pode chamar esse tipo de afirmação de argumento), para
combater a existência da reencarnação, a ponto de utilizarem uma única passagem
(Hb 9:27) contida em um texto cujo autor nem se sabe o nome e acima de tudo
mentiroso, pois, enquanto nessa passagem é dito que só se morre uma vez,
existem três outras nos Evangelhos contradizendo-a e mostrando duas mortes de
cada uma das três pessoas ressuscitadas a seguir mencionadas: o filho da viúva
de Naim; a filha de Jairo e Lázaro... Além do mais, pretendem contrapor esse
texto de autoria desconhecida a um outro cujo autor é, “apenas”, o filho
unigênito de Deus, que diz, com todos os “efes e erres”, em Mateus 11:13-15:
“13 Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. 14 E, se quereis
dar crédito, é este o Elias que havia de vir. 15 Quem tem ouvidos para ouvir
ouça.” Nesse ponto, preferimos concordar com o que diz Jesus, do que aceitar o
entendimento de quem diz que Jesus quis dizer isso ou aquilo. Será que o leitor
também não concorda conosco? Além do mais, como sabemos, o corpo é que morre e
não o espírito, pois, se assim não fosse, não haveria essa discordância quanto
ao fato de haver ou não ressurreição, no sentido em que hoje ela é entendida –
reencarnação. Isso porque, quando se morre, o corpo se decompõe nos elementos
químicos que o formaram e o mantiveram durante o período em que servia como
habitação do espírito na dimensão em que vivemos, enquanto o espírito (o eterno
estudante) permanece “vivinho da silva” para continuar seu aprendizado, de
encarnação em encarnação, repetindo algumas experiências e vivenciando novas,
como um aluno que passa de ano e deixa matérias em recuperação (ou
dependência). E aqui, achamos, cabe perfeitamente o “vindo, depois disso, o
juízo“, para serem avaliadas quais as matérias (tarefas) que, parcial ou
totalmente, foram superadas, as que necessitam, total ou parcialmente, ser
repetidas e as novas que podem ser assumidas em futuras encarnações.
Ainda, por sugestão dos autores, fomos conferir o que diz Jo 9:2, e lá
constatamos:
“2 Perguntaram-lhe seus discípulos: Mestre,
quem pecou para que este homem nascesse cego, ele ou seus pais?“, passagem essa
relativa à cura do cego de nascença. Ora, para nós, espíritas, essa passagem é
justamente uma das que nos induzem a acreditar na existência da reencarnação,
já que, para que uma pessoa possa ter nascido cega por causa de um pecado
cometido por ela, obrigatoriamente essa pessoa terá que ter vivido antes, para
ter cometido o pecado que a ela se atribui. Embora a resposta de Jesus seja
importante para demonstrar que há vidas (encarnações) que podem servir de
exemplo, como nesse caso, em que o espírito vem como voluntário em uma missão
relevante, o mais importante para uma interpretação lógica sobre o assunto é a
pergunta; isso porque, pelo modo que ela foi formulada, fica claro que também
os discípulos acreditavam em vida anterior e na lei do carma (lei de causa e
efeito); caso contrário, a pergunta ficaria sem sentido. Em abono ao nosso
entendimento, ressaltamos a passagem narrada nos versículos 5 a 14 do capítulo
5 de João, em que é dito que Jesus curou um homem – enfermo por 38 anos – e
logo depois, ao encontrá-lo no templo, disse-lhe: ‛Olha que já estás
curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior.’ Será que essa
recomendação de Jesus não explicita a lei do carma?!
Finalizando, esclarecemos que, a exemplo dos autores, concordamos com os
ensinos claros das escrituras; apenas
ressalvamos que preferimos seguir os ensinamentos de Jesus a aceitar aqueles
cuja autoria não conhecemos, como no caso da Epístola aos Hebreus, ainda que
faça parte do texto bíblico.
Por último, agradecemos ao “site” HERMENEUTICA a oportunidade que nos
propiciou com a publicação do texto sob comentário, pois nos fez recordar e
reler a Bíblia, ainda que em parte, o que serviu um pouco mais para
sedimentação do nosso aprendizado.
JOÃO FRAZÃO DE MEDEIROS LIMA
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