José Reis Chaves
A
misericórdia divina é infinita. Assim, ela, como que se
nos impondo à força, beneficiar-nos-á a todos
nós num determinado momento das eternidades, nas quais,
aliás, já estamos, já que somos espíritos
imortais. “Deus não é Deus de mortos, mas de vivos.”
Certamente, me contestarão, alegando que Deus afrontaria o nosso
livre-arbítrio, se desse a salvação para quem
não a quer. Eu gostaria de que os teólogos me mostrassem
um só indivíduo que, pelas eternidades afora, não
quisesse a salvação! Há doentes espirituais que,
temporariamente, são indiferentes a ela. Mas por eles, Jesus
diz: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem!”
A expressão teológica mérito
“de condigno” significa que nós somos incapazes de merecermos
condignamente a salvação. Mas, felizmente, os
teólogos aceitam também o mérito “de congruo”,
isto é, o valor de nossas boas obras, o que cheira um pouco a
Pelágio, e contradiz Lutero. Já Huberto Rohden chamou de
“antidromia” a nossa tendência para caminharmos em
direção contrária à de Deus. Mas essa
tendência, por ser finita, como tudo de nós o é,
será também superada pela poderosa misericórdia de
Deus. Destarte, podemos concluir que a nossa salvação
depende de nós, do ponto de vista temporal. Mas jamais ela
deixará de se concretizar, pois esse é o projeto divino.
E para Deus não violentar o livre-arbítrio temporal de
alguém, que ainda não cuida satisfatoriamente de sua
salvação, Ele nos deu a imortalidade espiritual e o
conseqüente fenômeno da reencarnação, com os
quais Deus nos proporciona tantas oportunidades de
salvação, quantas nos forem necessárias,
neutralizando, assim, os inconvenientes de nosso livre-arbítrio.
Aliás, a misericórdia divina, justamente por ser
infinita, abrange a reencarnação.
Trigueirinho
afirmou que um grande erro nosso é ignorarmos que a
misericórdia de Deus é maior do que os nossos pecados. E
São Dom Orioni, canonizado agora em 16-5-2004, ensinou que a
misericórdia de Deus é tão grande, que por maior
que seja o pecador, se ele pedir perdão a Deus, ele se
salvará. Mas eu afirmo que, por ser a misericórdia divina
infinita, todos os seres humanos se salvarão, um dia, pois que,
se um só se perdesse, irremediavelmente, Deus teria falhado em
seu projeto humano, o que jamais ocorrerá, pois, por essa mesma
poderosa misericórdia divina - não importa quando -,
todos se iluminarão e abandonarão o pecado, como nos
mostra a Parábola do Filho Pródigo. Ademais, se Deus quer
que todos se salvem, quem poderá contra Ele, o demônio?
Seria ele mais poderoso do que Deus?