O Sudário de Turim: um milagre comprovado?
Para
lançar
um
milagre,
basta
um
mentiroso
que
o invente e um
imbecil
que
nele creia (WASHBURN).
Introdução
Vamos analisar parte de um texto disponível na Internet [],
onde o autor fala sobre o Sudário de Turim, nestes termos:
E como em todos as classificações parapsicológicas, EN e PN, também na piro-gravura existem casos SN, milagre, divino, imensamente superior. Abordo agora só uns detalhes: no extraordinário milagre - ou conjunto de milagres - do "Santo Sudário" ao que deveremos dedicar amplo trabalho.
No Sudário aparece que o Corpo de Cristo transformou-se em luz. Uma luz desconhecida no mundo, diferente, brilhantíssima, muito superior à luminosidade gerada pela explosão da bomba atômica de Hiroshima,
Nagasaki... Mas é transformação atômica e é luz. E luz com vida. O Cadáver transformou-se em luz vivente. Isso mesmo que se vislumbrava quando desde o tempo dos Apóstolos se falava em Ressurreição gloriosa.
Essa luz poderosíssima, sobrenatural, queimou a parte Interna do Sudário. Aparece a pirografia de
todo o Corpo, por cima, por trás, pelos lados. Corpo sem peso: na parte correspondente às costas não há maior pressão do que nos lados e na parte da frente.
A imagem ficou gravada em relevo: tanto mais profundamente queimada a superfície das fibras da parte interna da mortalha quanto mais perto estavam ou em contato com o Corpo Sagrado. Tanto menos profundamente queimadas quanto mais afastadas. Em três milionésimos de segundo. Um milionésimo de segundo mais que o Corpo Glorioso tivesse demorado para sair da mortalha, e todo o lençol teria sido volatizado pela luz.
Todo o Corpo de Cristo ressuscitou, tudo inclusive a matéria inerte dos cabelos, da barba, das unhas, o sangue derramado e
coagulado..., menos pequenas partículas de sangue entre o tecido do lençol. Tudo transformou-se em luz.
Imagem estável, resistente à água, ao calor, à luz do mundo. Fluorescente. As análises científicas modernas
provam que a impressão por pirogênese SN foi
realizada com todos os mínimos e inclusive até então desconhecidos detalhes de patologia e história da flagelação, coroação de espinhos, crucificação, morte.
Isso sim é milagre e isso sim é identificação. Impressão por termogênese incomensuravelmente
superior às pirogravuras humanas. Incontestável identificação. Identificação da autenticidade do Sudário. Identificação da meticulosa historicidade dos Evangelhos na narração da Paixão, Morte e Ressurreição. Identificação de que foi precisamente de Jesus (contra a opinião "precipitada"
- mal intencionada - de uns cientistas, contra o que a "máfia" de racionalistas e
sequazes recentemente divulgou).
Todas as pretendidas identificações de "espíritos" dos mortos por fenômenos parafísicos, são documentos essencialmente falsos. No Sudário de Turim, porém, o documento de identificação é perfeito: marcas deixadas pelo Ressuscitado, no momento da Ressurreição, juntamente com todas as marcas que havia no Cadáver impressas Nele durante a Paixão. Identificação global, completa, sem solução de continuidade, da Pessoa de Cristo.
Identificação de um morto? Não é poder dos mortos, é como em todas as manifestações do "outro mundo", poder divino: aquele Morto era e provou, também por estas pirogravuras SN, ser o Filho de Deus. A Boa Nova (= Evangelho), acrescentou seu "autógrafo" no mais estrito sentido do termo: gravado por Ele mesmo.
Análise
O que mais nos chama a atenção nesse texto é que o seu autor, sempre pousando de cientista, quando, na verdade, nada mais é que um fanático, a serviço dos dogmas de sua Igreja.
A autoridade máxima da Igreja Católica, até onde sabemos, ainda não assinou em baixo, dizendo que o Sudário é verdadeiramente a mortalha que envolveu o corpo de Jesus, numa atitude prudente, espera a opinião da ciência [].
Pelo que podemos perceber, quando pesquisamos sobre esse assunto, a coisa é muito mais complexa que imaginávamos, pois existem duas correntes diametralmente opostas. Uma delas é cética não aceita tal peça como verdadeira, a outra, obviamente, compostas
de fiéis da igreja católica, mãos postas ao alto, afirmam que o Sudário é mesmo o lençol que foi usado para envolver o corpo de Jesus, que por um ato “milagroso” reflete a imagem do crucificado. O leitor, já deve ter percebido qual linha segue o autor do texto em análise.
No
texto o autor usando, em algumas partes, de uma linguagem cientificista quer levar o leitor a crer naquilo que fala para justificar o fenômeno: um corpo físico transformado em luz!? Quando a ciência terrena provou que um corpo físico pode ser transformado em luz? Quando a ciência demonstrou que isso é mais potente que a explosão de uma bomba atômica? Quando a ciência conseguiu estabelecer que um milionésimo de segundo a mais, que os três milionésimos de segundos ocorridos durante a “transformação”, o lençol seria volatizado pela luz?
E,
finalmente, quando a ciência provou que a impressão por pirogênese sobrenatural ocorreu no Sudário?
Lembramo-nos
aqui do filósofo Espinosa que, em relação aos milagres, disse dos crentes:
[...] O vulgo, com efeito, pensa que a providência e o poder de Deus nunca se manifestam tão claramente como quando parece acontecer algo de insólito e contrário à opinião que habitualmente faz da natureza, em especial se resultar em seu proveito ou vantagem. [...]
[...] isso agradou de tal maneira aos homens que, até hoje, ainda não pararam de inventar milagres para fazer crer que Deus os ama a eles mais do que aos outros e que são a causa final que levou Deus a criar e a reger continuamente todas as coisas. De quanta presunção se arroga a insensatez do vulgo, que não tem Deus nem da natureza um só conceito que seja correto, que confunde as volições de Deus com a dos homens e que, ainda por cima, imagina a natureza de tal modo limitada que acredita ser o homem a sua parte principal! (ESPINOSA, 2003, pp.
95-96).
E, em relação ao fato em si, afirmou:
Se, por conseguinte, acontecesse na natureza algo que repugnasse às suas leis universais, repugnaria,
necessariamente e igualmente, ao decreto, ao entendimento e à natureza de Deus; por outro lado, se admitíssemos que Deus faz alguma coisa contrária às leis da natureza, seríamos também obrigados a admitir que Deus age em contradição com a sua própria natureza, o que é um absurdo.
[...] Nem sequer há nenhuma razão válida para atribuirmos à natureza uma potência e uma virtude limitadas e concluirmos que as suas leis se aplicam unicamente a certas coisas e não a todas. Porque se a virtude e a potência da natureza são a própria virtude e potência divinas, se as leis e regras da natureza são os próprios decretos de Deus, então somos obrigados a admitir que a potência da natureza é infinita e que as suas leis são tão amplas que se estendem a tudo o que é concebido pelo entendimento divino. De outro modo, teríamos de admitir que Deus criou uma natureza de tal maneira impotente e que as suas leis e regras são tão ineficazes que se vê freqüentemente obrigado a vir de novo em seu auxílio se quer que ela se conserve e que as coisas se passem conforme deseja. Mas isso, presumo, não faz sentido. (ESPINOSA, 2003, pp. 97-98).
Mas se o autor