Luciano Salgado Ribeiro
Seria pertinente fazer um estudo sobre uma passagem Bíblica
interessante, na única intenção de aclarar a mente de quem realmente quer
conhecer a verdade, analisemos a história sobre os
magos do oriente.
Os magos são só mencionados em apenas um dos quatro evangelhos, o de
Mateus. Nos 12 versículos que trata do assunto, Mateus não especifica o número
deles, sabe-se que são mais de um, pois a citação está no plural. Alguns historiadores
afirmam serem personagens criados pelo evangelista Mateus para simbolizar o reconhecimento de Jesus por
todos os povos. A palavra magoi tem o significado de «mago» [magician], tanto
no Antigo como no Novo Testamento.
No oriente da Palestina, Pérsia, Assíria e Babilônia tem um sacerdócio de Magos do tempo do nascimento de Cristo. Os Magos vieram a partir de alguma parte do Império Parto. Provavelmente cruzaram o deserto da Síria, entre Eufrates e Síria, chegando a Haleb (Aleppo) ou Tudmor (Palmyra), percorrendo o trajeto até Damasco e para o sul, no que agora é a grande rota para a Meca (darbelhaj, «o caminho dos peregrinos»), continuando pelo Mar da Galiléia e o Jordão pelo oeste até interceptar o vale próximo a Jericó.
A religião dos Magos era fundamentalmente a
de Zoroastro e proibia a feitiçaria; sua astrologia e habilidade de interpretar
sonhos foi ocasião de seu encontro com Cristo» (ver aspectos teológicos do
Avesta)
De qualquer forma, a tradição permaneceu
viva e foi apenas no século III que eles receberam o título de reis –
provavelmente como uma maneira de confirmar o contido no Salmo 72, tomado à
conta de uma profecia. “Todos os reis cairão diante dele”. Cerca de 800 anos
depois do nascimento de Jesus, eles ganharam nomes e locais de origem:
Melchior, rei da Pérsia; Gaspar, rei da Índia; e Baltazar, rei da Arábia. Em
hebreu, esses nomes significavam “rei da luz” (melichior), “o branco” (gathaspa)
e “senhor dos tesouros” (bithisarea).
Leiamos em Mateus 2,1-11 “Tendo Jesus nascido em Belém da
Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a
Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém nascido Rei dos judeus? Porque
vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adora-lo
tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes,e , com ele, toda a Jerusalém; então, convocando todos os
principais sacerdotes e escribas do povo indagava, deles onde o Cristo deveria
nascer. Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por
intermédio do profeta: E tu, Belém terra de Judá; porque de ti sairá o guia que
há de apascentar a meu povo, Israel.
Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles
com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera. E, enviando-os a
Belém, disse-lhes: Ide informar-vos
cuidadosamente a respeito do menino; e, quando o tiverdes encontrado,
avisa-me, para eu também ir adorá-lo. Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis
que a estrela que viram no Oriente os precedia, até que, chegado, parou sobre
onde estava o menino. E, vendo eles a estrela alegraram-se com grande e intenso
júbilo. Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe.
Prostrando-se,o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas
ofertas: ouro, incenso, e mirra. Sendo por divina advertência prevenidos em sonho para não voltarem à presença de Herodes,
regressaram por outro caminho a sua terra”.
A colocação “três reis magos”, que não consta no texto, é um
pressuposto por Jesus ter recebido três presentes dos magos, que simbolicamente
significa: O ouro é dado a um rei, o incenso a um sacerdote e a mirra a um
profeta, Jesus realmente foi o rei dos judeus, sacerdote e profeta.
Os personagens não eram reis e sim astrólogos e sábios persas, conheciam muito sobre astronomia que à época
não existia como conceito cientifico, mas como arte de adivinhação, todavia ao
que parece, souberam se guiar através das estrelas até chegar ao local onde
Jesus estava.
O curioso é que existe uma lei promulgada por Moisés, tida como de
inspiração divina, que proíbe o contato com os magos:
"Não vos dirijais aos magos, nem interrogueis os adivinhos,
para que vos não contamineis por meio deles" (Levit.
19:31).
(Dt 18, 14) As nações que você vai conquistar
ouvem astrólogos e adivinhos. Javé seu Deus,
porém, não permite que você faça isso.
[PN1]Como podemos observar nesses versículos a proibição
é clara, entretanto, quando começam os questionamentos, os teólogos dogmáticos
saem pela tangente certo?
Como explicar que justamente estes que faziam coisas
abomináveis foram ter com o próprio Jesus, será que ele se contaminou com a
presença dos magos ou essas práticas deixaram de ser contra a vontade de Deus?
Como conciliar, magos abomináveis se os mesmos foram os primeiros a visitar
Jesus? Por que ninguém recriminou a visita dos magos até hoje? Pelo contrário,
hoje em dia se colocam no presépio suas figuras, como podemos perceber esta é
mais uma contradição das teologias conflitantes, por isso não podemos aceitar
tudo de forma literal. Vejamos o Dt 18,11.
“Quando entrares na terra que Iahvéh, teu Deus, te
dá, não aprendas as fazer as abominações daquelas nações. Não se achará em ti
quem faça passar pelo fogo, nem adivinhador, nem feiticeiros, nem agoureiro,
nem cartomante, nem bruxo, nem mago e semelhante, nem quem consulte o
necromante e o adivinho, nem quem exija a presença dos mortos”.
Se a lei proibia de falar com os magos, como explicar tal visita, certamente Maria e José conversaram com eles, e por que o conceito sobre os magos mudou de uma época para outra?
Segundo a SBB (Sociedade Bíblica Brasileira), no
vocabulário contido no NT, mago quer dizer; “aquele que estuda as
estrelas”. Será que os astrólogos de hoje são considerados pessoas abomináveis?
Como podemos observar, nem os teólogos dogmáticos
sabem o que falam, pois se condenam os magos em um versículo, absolvem no
outro.
Fonte de pesquisa
http://www.nsrasalette.org.br/natal2001/reismagos.htm,
Da Revista Superinteressante – Janeiro de
2002, cidade, editora.
Dez 2005.
O Novo Testamento com Vocabulário SBB P 2004.
Dez 2005