Quando foi criado o inferno?

 

Vemos tantos líderes religiosos afirmarem a existência do inferno que ocorreu-nos perguntar: quando foi que Deus criou o inferno?

No livro Gênesis, encontramos Deus criando os "céus e a terra". Mas, qual a razão de não ter também criado o inferno neste momento? Céus, segundo se acreditava, era a morada de Deus.

A primeira vez que a palavra inferno aparece na Bíblia Católica é no Salmo 41:9, e significava o lugar para onde iriam todos os mortos, tanto os bons quanto os maus. Não é o conceito que temos hoje dessa palavra, foi modificado após a influência cultural dos persas, passando a ser um lugar só para os maus. Na Bíblia Protestante, curiosamente, aparece em maior número de vezes, está aí a razão de se falar tanto nele nesse meio.

Por qual motivo Deus, ao instituir os Dez Mandamentos, não disse que iriam para o inferno todos que não os cumprissem. Não seria esse o momento para se criá-lo? Por outro lado, isso não seria uma injustiça? Afinal, os que viveram antes desse código não tinha o inferno como "castigo", somente os que vieram depois. Que justiça é essa? Justiça desse tipo só mesmo produzida pela ignorância humana, que ainda não percebeu que Deus "não faz acepção de pessoas". Ora, as penas instituídas aos infratores nada têm a ver com inferno, mas com situações terrenas, ou seja, todas elas estão relacionadas com coisas do dia a dia. Isso prova que o inferno, na verdade, é uma criação humana. Até mesmo porque se Deus "não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira"- Salmo 103:9-, não há como se falar em inferno eterno.

O Instituto Vox Populi, ao final de 2001, realizou uma pesquisa sobre a religiosidade dos brasileiros, por encomenda da Revista Veja:

Perguntas

Católicos

Evangélicos

Acreditam no diabo

44%

81%

Crêem na vida eterna no Paraíso

84%

96%

A crença do diabo está intimamente ligada a do inferno. Entretanto, a maioria não admite que irá para lá. "(...) A pesquisa Vox Populi encontrou uma realidade surpreendente: muitos brasileiros (34%) acreditam que irão para o céu. Uns poucos, 11%, que passarão um período de penitência no purgatório. Mas nem um só admitiu a possibilidade de ir para o inferno", concluiu a revista Veja. Qual é a utilidade prática, se ninguém admite ir para lá?

Apesar das transformações acontecerem a passos de tartaruga, um dia mudarão esse discurso. Vejamos o que diz na Revista Veja: "Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica retirou discretamente de seus ensinamentos as terríveis histórias de punição após a morte. Há dois anos, o Papa João Paulo II decidiu que o inferno não é um lugar físico, onde as pessoas seriam cozidas em fogo eterno, como se apregoou durante séculos, mas um ‘estado da alma’, em que o sofrimento do pecador seria causado não mais pelas chamas e sim pela ausência de Deus". Parabéns para a Igreja Católica pela mudança de rumo, e, mesmo que agindo discretamente, esperamos que as igrejas evangélicas possam um dia conhecer essa verdade.

Mas, qual o interesse em manter essa idéia? Tudo leva a crer que é apenas para dominar os fiéis. Pois ameaçando-os com as labaredas do "fogo do inferno", tiram-lhes o dízimo, disfarçado em "doação", como forma de pagamento, em "suaves prestações", do seu lugar no "céu". Passam a seus fiéis a idéia de que é "uma forma de retribuir por tudo que Deus nos dá", frase afixada dentro de um templo religioso.

Se Jesus voltasse hoje, não temos dúvida, novamente "expulsaria os vendilhões do templo" e diria a muitas instituições religiosas: "Vá vende tudo o que tens, e dá-o aos pobres, depois vem e segue-me".

Depois desse estudo respiramos mais aliviados, pois agora, com mais absoluta certeza, sabemos que não iremos para o inferno, lugar para onde, segundo o desejo de muitos, irão os espíritas.

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Bibliografia

Revista Veja, Editora Abril, edição 1731, ano 34, nº 50 de 19/12/2001.

A Bíblia Anotada, Trad. Carlos Oswaldo Cardoso Pinto, São Paulo: Mundo Cristão, 1994.

 

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