VARIAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI

                                                          

                                                             Luciano Salgado Ribeiro

 

 

        Muito se tem discutido sobre vida em outros planetas e por incrível que pareça ainda tem muita gente que afirma de pé junto que não exista. Os que assim pensam desconsideram sua própria condição de pensar e acabam indiretamente afirmando que Deus é criador de algo que não serve para nada, no caso o Universo.

        Os homens que pensam tudo saber querem se dar ao luxo de serem os únicos seres viventes neste cosmo infinito, como se o planeta terra fosse lá grande coisa na imensidão do espaço, mas que não passa de um simples grão de areia em relação a todo o universo. A terra que é habitada por seres imperfeitos, onde milhares de pessoas morrem de fome, frio, sede,  e a fraternidade quase não existe. Não seria muita pretensão dessas pessoas, querer ser os privilegiados de Deus? Pobre mente que ainda não começou a pensar de forma mais profunda, achando que o universo foi criado somente para si, se não tem condições nem de cuidar do próprio planeta onde vive.

       Temos de aprender a raciocinar com a lógica, com a inteligência que Deus nos deu, afirmamos que matematicamente, filosoficamente e biblicamente que existem seres inteligentes em outros orbes sim, analisemos a questão sem preconceito ou fanatismo, já que para muitos o raciocínio não é coisa muito usual.

 

Matematicamente

 

Se pudéssemos colocar apenas uma das incontáveis galáxias existentes, dentro de um saco, e se cada planeta dessa galáxia fosse representado por uma bola colorida, teríamos nada menos que por baixo, um milhão de bolas. Ao retiramos uma bola de forma aleatória e esta fosse da cor azul a probabilidade matemática de encontrarmos uma outra bola da mesma cor é muitíssimo grande,  semelhante é a comparação de existir vida em outros planetas.

 

Filosoficamente

 

Se Deus é a inteligência suprema, criador Universal, soberanamente perfeito, por qual motivo criaria um universo infinito se não tivesse uma utilidade? Se assim for,  não seria criação de um Deus perfeito, pois se Ele criou, o fez por algum propósito, que com certeza, não seria para agradar os nossos olhos, já que existem galáxias que sequer conseguimos enxergar, logo, esta criação certamente não foi para o homem terreno, mas para que outros filhos de Deus possam habitá-lo, e cada qual com o seu grau de evolução.

 

 

 

 

 

Biblicamente 

 

Na própria Bíblia Jesus afirma que “Há várias moradas na casa de meu pai” (João 14,2), ora, se o Pai é onipresente, logo está em todo o universo e as várias moradas são os mundos habitados tanto físico quanto espirituais, e não há outra explicação. 

Não importa se ciência ainda não tenha descoberto vida em outro planeta, já que em marte e em uma das luas de Saturno foi encontrado água,  o bom senso assim nos diz, que a vida extraterrestre pode existir, portanto, nos aspectos analisados e não podemos desconsiderar esta condição em nome de posições dogmáticas que em nada pode se opor a esta idéia, pois qualquer afirmativa contrária será inócua senão infrutífera.

 

Encerrarei, deixando para reflexão as sábias palavras escritas pelo mestre lionês em 1865:

 

Nessa imensidade ilimitada, onde está o Céu? Em toda parte. Nenhum contorno lhe traça limites. Os mundos adiantados são as últimas estações do seu caminho, que as virtudes franqueiam e os vícios interditam.

Ante este quadro grandioso que povoa o Universo, que dá a todas as coisas da Criação um fim e uma razão de ser, quanto é pequena e mesquinha a doutrina que circunscreve a Humanidade a um ponto imperceptível do Espaço, que no-la mostra começando em dado instante para acabar igualmente com o mundo que a contém, não abrangendo mais que um minuto na Eternidade!

 

E, prosseguindo:

 

Como é triste, fria, glacial essa doutrina quando nos mostra o resto do Universo, durante e depois da Humanidade terrestre, sem vida, nem movimento, qual vastíssimo deserto imerso em profundo silêncio! Como é desesperadora a perspectiva dos eleitos votados à contemplação perpétua, enquanto a maioria das criaturas padece tormentos sem-fim! Como lacera os corações sensíveis à idéia dessa barreira entre mortos e vivos! As almas ditosas, dizem, só pensam na sua felicidade, como as desgraçadas, nas suas dores. Admira que o egoísmo reine sobre a Terra quando no-lo mostram no Céu?

Oh! quão mesquinha se nos afigura essa idéia da grandeza, do poder e da bondade de Deus! Quanto é sublime a idéia que dEle fazemos pelo Espiritismo! Quanto a sua doutrina engrandece as idéias e amplia o pensamento! Mas, quem diz que ela é verdadeira? A Razão primeiro, a Revelação depois, e, finalmente, a sua concordância com os progressos da Ciência. Entre duas doutrinas, das quais uma amesquinha e a outra exalta os atributos de Deus; das quais uma só está em desacordo e a outra em harmonia com o progresso; das quais uma se deixa ficar na retaguarda enquanto a outra caminha, o bom-senso diz de que lado está a verdade. Que, confrontando-as, consulte cada qual a consciência, e uma voz íntima lhe falará por ela. Pois bem, essas aspirações íntimas são a voz de Deus, que não pode enganar os homens. Mas, dir-se-á, por que Deus não lhes revelou de princípio toda a verdade? Pela mesma razão por que se não ensina à infância o que se ensina aos de idade madura.

 

(Céu e Inferno – Cap. III – nº18)

 

 

Março 2006

 

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