Contra-resposta à TV Canção Nova

José Reis Chaves

 

 

 

Prezado Sr. Pedro Augusto (da Canção Nova) e colegas do GAE,

São Paulo tem muitas coisas de difícil compreensão (2 Pedro 3,16).


Ademais, ele achava, a princípio, que o final dos tempos viria antes de ele e sua geração irem para o mundo espiritual, depois desistiu dessa idéia.


Também no tocante à ressurreição, ele fala algumas coisas, que deixam, sim, dúvidas. Não devemos-nos esquecer de que a ressurreição é do espírito, inclusive a do próprio Jesus: “Morto na carne, ressuscitado no espírito” (1 Pedro 3,18). Obs.: Algumas traduções trazem no lugar de “ressuscitado” a palavra “vivificado”, para deixar a idéia da ressurreição propriamente dita
oculta ou imperceptível pelo leitor. Mas vivificar significa justamente reanimar ou viver de novo. Destarte, Jesus morreu em corpo, mas ressuscitou em espírito, mesmo porque o espírito é imortal. “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita” (João 6,63). “Há dois corpos, um animal e outro espiritual; ressuscita corpo espiritual” (1 Coríntios 15,44). “Carne e sangue não podem herdar o reino dos céus” (1 Coríntios 15,50). “Os ressuscitados são como anjos” (Mateus 22,30). E anjos, antes de mais nada,
são espíritos, o que quer dizer que os ressuscitados são também mesmo espíritos. Ademais, o maior teólogo católico da atualidade: o espanhol André Torres Queiruga, “Repensar a Ressurreição”, Ed. Paulinas, afirma que a ressurreição é do espírito, inclusive a de Jesus. Quando Paulo diz que seremos transformados, ele quer dizer que teremos forma espiritual e não
material. E, quando ele afirma que o corpo corruptível tem que se tornar incorruptível na ressurreição, é como se ele dissesse que só se aproveita aquilo que é incorruptível, ou seja, o espírito, pois o corpo é corruptível por natureza, pelo que carne e sangue não podem herdar o reino dos céus. Em outra parte ele fala em “quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7,24), ou seja, ele coloca corpo na morte. E falamos hoje em “corpo docente”, “corpo discente” etc. “E quando semeias, não semeias o corpo que há de ser, como o simples grão... mas Deus dá-lhe o corpo que lhe aprouve dar, e a cada uma das sementes seu corpo apropriado” (1 Coríntios 15,37 e 38). Continuemos a leitura do capítulo 15 de 1 Coríntios: “Semeia-se o corpo na corrupção (em matéria), ressuscita na incorrupção (em espírito), semeia-se o indivíduo em fraqueza (matéria corrupta), ressuscita-se o indivíduo em poder (em espírito). “Semeia-se corpo animal (no cemitério), ressuscita corpo espiritual (o espírito). Comparemos tudo isso com o que foi dito anteriormente por São Paulo, São Pedro e o próprio Jesus. E atentemos-nos para o último texto paulino já citado antes, ou seja, aquele em que ele afirma de modo contundente e com uma clareza meridiana que o que ressuscita é o corpo espiritual e não o material (1 Coríntios 15,44).

 

O espírita não força a manifestação de espíritos, mesmo porque não tem capacidade para tal. Ademais, não consulta espíritos para saber das coisas. Se alguma coisa é profetizada por um espírito é porque ele qui-lo, e não porque alguém o forçou a falar.


Sobre a condenação da CNBB do Espiritismo, dos espíritas e dos católicos que freqüentam centros espíritas, ela caducou, pois é de 1953, como também caducou aquele livro: “Espiritismo” do Dom Boaventura. A Igreja, depois do Concílio Vaticano 2º (1963) tem outra postura diante das religiões (Veja-se a “Lúmen Gentium” (“Luz dos Povos”), como caducou, há muito, o ensino de Santo Tomás de Aquino, que mandar matar todo o herege.

 

O Espírito Santo era totalmente desconhecido por São Paulo. Assim, quando afirma que somos templos dum (conforme o original grego, e não do) Espírito Santo, ele se refere à nossa alma ou espírito encarnado. O Espírito Santo só foi criado pelos teólogos a partir do Concílio de Constantinopla (381), que criou as bases, também, para a Santíssima Trindade, como ficou entendida pelo cristianismo. Também no Velho Testamento não se fala em Espírito Santo, a não ser como sendo um espírito humano. “Farei levantar-se entre vós um homem de um Espírito Santo chamado Daniel” (Daniel 13,45). As polêmicas continuaram até 1274, no Concílio de Lion, quando se instituiu a doutrina do “Filioque”, ou seja, de que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, com o que não concordam a Igreja Ortodoxa Oriental e boa parte dos cristãos, mesmo na época da Inquisição, embora nesse período ficassem em silêncio. As coisas ficaram, pois, mais complicadas. Também Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino têm divergências quanto à Santíssima Trindade (nosso livro: “A Face Oculta das Religiões”, Ed. Martin Claret, São Paulo, SP, e EBM Ed., Santo André, SP.

 

Não vejo por que Maria seria ofendida, se o Espírito Santo (evoluído, angélico) que se manifestou a ela não foi o Espírito Santo do dogma da Trindade. Aliás, Jesus disse que ninguém jamais viu a Deus. Assim, pois, se dizem que o Espírito Santo é Deus, como Ele poderia falar face a face com Maria?

 

Quanto ao Papa São Gregório Magno ser reencarnacionista, permita-me dizer-lhe, Sr. Pedro Augusto, que o Sr. não entendeu bem o texto da homilia de São Gregório Magno. Ele afirma justamente o contrário do que entendeu o Sr. São Gregório Magno diz que João Batista nega que seja Elias, e que ele está certo, pois o diz apenas em pessoa, enquanto que Jesus afirma o contrário dele, pois ensina que João Batista é Elias em espírito. Dizendo de outro modo: João Batista nega ser Elias como pessoa. Já Jesus afirma que João Batista é Elias em espírito, ou seja, o espírito de Elias é o mesmo espírito reencarnado em João (“A Face Oculta das Religiões” e ver também Pastorino – ex-padre e doutor em Bíblia, em Roma -, “Sabedoria do Evangelho”). João Batista estava certo em negar que ele fosse Elias, pois não tinha lembrança de sua vida passada como Elias. “Somos de ontem e nada sabemos” (Jó 8,9). Mas vejamos o que disse Jesus sobre isso: Falava Jesus de Elias, e os discípulos entenderam que Ele lhes falava na verdade de Elias (São Mateus 17,13). E agora em outro episódio, referia-se Jesus a João Batista: E se o quereis reconhecer, ele mesmo é o Elias que estava para vir; quem tem ouvidos para ouvir ouça (São Mateus 11, 14 e 15). Também o Velho Testamento afirma que Elias voltaria como o Precursor João Batista de Jesus (3,1 e 4,5). João Batista é de fato a reencarnação do espírito de Elias, como o reconheceu São Gregório Magno e vários outros personagens importantes do cristianismo (nosso livro: “ Reencarnação na Bíblia e na Ciência”, 7a edição, EBM Ed.). E por que não foi dito “no espírito e poder de Deus”, mas “no espírito e poder de Elias?” (Lucas 1,17). É óbvio que se trata do espírito de Elias reencarnado em João Batista. E lembremos-nos de que Elias, no tempo do rei Acabe (8 séculos antes de Cristo), mandou degolar 450 sacerdotes de Baal. E como João Batista teve o seu carma de ser também degolado!.E Elias não foi para o mundo espiritual no episódio da carruagem de fogo, pois depois disso, ele escreveu uma carta para o rei Jeorão (2 Crônicas 21,12). E veja-se também este texto: Porque eu era um bom menino, eu caí (reencarnei) num corpo perfeito. Temos aqui a doutrina da preexistência do espírito, do reencarnacionista Orígenes, o maior teólogo do cristianismo primitivo, cognominado de o Adamantino ou o Santo Agostinho do Oriente. Estão também claros, nesse texto, o carma ou a Lei de Causa Efeito e a idéia da reencarnação (Sabedoria 8,19 e 20).

 

Sr. Pedro Augusto, não confunda materialização de espírito (fenômenos ectoplásmicos) com ressurreição de carne. O Espírito de Jesus se materializou, para mostrar que era Ele mesmo de fato e não um outro espírito. E pergunto-lhe: o Consolador, o Espírito de Verdade, Espírito Santo, Advogado, Defensor não é um espírito enviado por Jesus ou o Deus Pai? E eles só podem manifestar-se através de um médium, materializando-se, incorporando-se ou simplesmente imantando-se, como querem uns. Moisés e Elias materializaram-se na Transfiguração. E não podemos confundir as leis mosaicas com as leis do Decálogo. Moisés proibiu, sim, o contato com os espíritos. Mas justamente o proibiu porque esse contato existe. E, em outra parte, ele elogiou o recebimento de espíritos por Medade e Heldade (Números 11,26 a 30). Veja também 1Samuel, capítulo 28, em que Samuel já desencarnado comunica-se com Saul através da médium de En-Dor. E para os que dizem que se trata do tal de demônio, temos o texto bíblico contra eles. E qual vale mais a palavra deles ou da Bíblia? E Espiritismo, a reencarnação e a mediunidade não são invenções de Kardec, que simplesmente criou regras para o estudo desses fenômenos. Por isso ele é chamado de o Codificador do Espiritismo.


Desde o homem da caverna já existiam os fenômenos mediúnicos (espirituais para São Paulo). Aliás, descobriram primeiro os espíritos. Depois é que descobriram Deus, “O Pai dos Espíritos” (Hebreus 12,9). Já o fenômeno da reencarnação é aceito hoje por cerca de quatro bilhões e trezentos milhões de pessoas do nosso Planeta, isto é, mais de dois terços da população terrestre. E ninguém segura mais essa verdade, pois não há mais Inquisição e a reencarnação tem, na atualidade, o respaldo de vários segmentos científicos, ou seja, de praticamente a maioria de todos os cientistas espiritualistas de todas as religiões ou sem religiões. As grandes universidades do mundo estudam hoje os fenômenos mediúnicos e a reencarnação, o que demonstra que se trata de um assunto sério. E a reencarnação foi condenada, de modo polêmico, no Concílio de Constantinopla (553), por influência do imperador Justiniano e sua esposa Teodora. Se foi condenada, é porque ela, até então, existia no cristianismo. E por que a tiraram do cristianismo?

 

Se alguma questão ficou sem resposta, cobre-ma. Fico aqui com o meu abraço fraterno.

(Não estou tendo tempo de reler o texto, desculpem-me, pois, as possíveis falhas).

 

 

 

José Reis Chaves.

 

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