Espiritismo e Cristianismo

Continuação do debate “Tentativa de resposta”

 

 

Temas abordados:

 

=> Conceito de Inerrância Bíblica

=> Métodos de Estudo e Interpretação da Bíblia

=> Espiritismo e sua relação com a Bíblia

=> Saul, Samuel e a pitonisa

=> Sacrifício de Jesus

=> Deidade de Jesus

 

 

OBJEÇÕES:

 

  Olá Mauricio,reforço meus cumprimento e desejo de saúde e paz para você e sua familia.Agradeço o desejo reciproco.Entendo que no minimo os homens podem manter um relacionamento amigavél,isso melhoraria muito o nosso mundo.

  Queria pedir desculpas pois no fim do meu e-mail, que enviei a você,usei um termo não muito feliz ao dizer que você teria um 'fascinio pelos mortos !'Um amigo meu ,disse que eu não precisava ter dito isso,pois as crenças suas são baseadas em uma perspectiva honesta,e usar o termo como fiz não tem procedência pratica.

Estarei usando esse e-mail dessa vez.Mas é eu mesmo !

 

  Eu gostaria de lhe dizer que, quando é dito que a Biblia é 'inerrante e infalível',a idéia é a 'confiabilidade da informação concedida' independentemente de "COMO" ou "SE" entendemos a passagem em apreço !Assim sendo meu amigo Mauricio,não existe real razão para você suspeitar da posição de Norman Geisler.Eu até mesmo fiz alusão a isso quando disse que "independente de qual posição adotada".

  Acho que aqui está o centro nervoso de nossa discusão.Você diz que quer falar na ótica dos fundamentalistas e mostrar que existe algo errado no modo de pensar deles (meu também),e esse erro repousa numa ideia logica sua ,mas que não existe na pratica !

  Ora Mauricio qual 'fundamentalista' nega a inspiração dessa passagem Biblica ?

Sua refutação está sobre o "'monstro' de palha"  !

  Não existe,nem mesmo entre os teólogos cristãos que aceitam ter sido Samuel(a identidade !),essa incongruência !

  A inerrãncia,repito,não depende de "COMO" ou "SE" entendemos a passagem em discusão.O seu artigo depende de algo como se segue,logo abaixo.Caso fosse realmente encontrado entre os cristãos ortodoxos.Nesse sim existe um erro, pois se trata de modo não muito cândido de usar algo para se benificiar,por causa de sua popularidade e depois descarta-lo.Isso é feito pelo o espiritismo Kardecista,enfatizo Kardecista pois existe espiritas mais 'coerêntes' e não tem nada ver com a Biblia.São mais como os ateus em relação a biblia.

 

                               'O USO ARBITRARIO DA BIBLIA'

 

"a Biblia não pode ser usada como produto de inspiração divina - Cristianismo e Espiritismo p 130

 

"  o espiristismo nada ensina em contrario ao que ensinou o Cristo"- Evangelho segundo o Espiritismo cap 1

 

"eles (os evangelhos) possivelmente tenham se enganado quanto ao sentido das palavras do Senhor, ou dado interpretação falsa aos seus pensamentos " A Gênese pg 386

 

  Então Mauricio ficamos a mercê do que Allan Kardec quis que fosse verdade nos evangelhos e consequentemente no resto da Biblia ?Quais foram os metodos usados por ele para tal peneiração ?Não afirmou ele mesmo que existe espiritos que precisam serem codificados,pois são enganadores mentirosos e baixos?Não poderia ser esse o caso 'dele'?

 Onde ele descobriu que houve um homem chamado Jesus o Cristo ? Rep.Da mesma fonte que ele ,como um juiz que produz suas proprias leis determina o que lhe interessa.Não acho isso um modo honesto,Mauricio,de rejeitar a Biblia.Mas cada um tem seus criterios e, para alguns,esse é um modo legitimo de negar a inerrância Biblica.Para mim, é desonesto.

 

Você diz ter a liberdade de aceitar e rejeitar parte da Biblia (como se ela pode-se dividida essencialmente)mas você faz isso com os escritos de Allan Kardec ? Por exemplo o que você acha da informação que ele deu sobre a Lua ?

 

Quero agora fazer uma avaliação da sua percepção de minha resposta.Eu particularmente não sou do tipo que afirma;'eu te respondi e você não me respondeu !'.Pois o julgamento de um debate quem deve fazer são outros e não os oponentes.Assim só vou seguir uma confrontação de informações,para que haja sintonia nas respostas.Mais nada,pois esse gera outro e outro pressuposto em torno do mesmo assunto,o que deixa o debate um pouco repetitivo.

 

"dos três modos apenas um"   : Eu não acho isso Mauricio.Todos comportam-se dentro da postura da inerrâcia Biblica.Eu particulamente acho que a proposta da 'farsa' seja a melhor ,embora não livre de dificuldades.No fim da sua resposta você me indicou um material de um 'fundamentalista',e sem duvida nenhuma ele não faz a peneiração que L.H.Denizard Rivail fez.

 

"ela não afirma ter visto Samuel"  ;Sim,mas isso não resolve a questão pois ela perguntou para Saul "Quem quer que eu faça subir" vers.11.Saul pediu Samuel. Depois,ela, teve uma boa chance de encantar Saul quando esse perguntou"Que vês subir"vers.13,"Como é sua figura" vers.14.

Aqui meu amigo Mauricio,eu entendo, sem nenhum prejuizo para inerrância Biblica,que a construção serve-se da pespectiva da necromante e a de Saul.

 

"é estranho que a Biblia não diz que seja o demonio..." ; É estranho mas não impossivel,certo ?O silêncio não deve ser tomado para nenhum partido,etendo.Pois se aqui ela se silencia em outras passagens ela esclaresse.Se a proposta que diz ser um demonio se orientar pelo que diz em II Cor.11.14,15 o caso levantado por você fica vazio,pois a Biblia chega afirmar que Satanas pode se apresentar de maneiras variadas,até como anjo,o que dizer por um homem.

  Outra coisa, nem sempre,o narrador é interprete.Mesmo que inspirado nem sempre surge a nessecidade de uma explanação do relato.Exigir um modo de expor a ideia simplismente por que achamos que seria conveniente,é desprovido de sentido.Um fato também a ser observado é que o Velho Testamento não relata muito o mundo espiritual e seus agentes.Existe poucas vezes a exposição da influencia demoniaca no VT.

 

"tudo se cumpriu" ;Que o SENHOR  já não falava mais com Saul é confirmado também em I Cronicas 10.13,14.Você reconhece isso,então faz-se necessario uma pergunta Mauricio; Da parte de quem falou o suposto Samuel ? Ou foi uma farsa ou foi o Diabo,pois Deus esta fora dessa questão.(Estou fazendo avaliação em cima da sua afirmação ).

Não se cumpriu nada que ela falou !Antes ,sobre o termo amanhã no heb. não achei nem uma afirmação que ele pode ser considerado um futuro.Embora não acho que tal ideia descarta-se, pois a palavra eterno no hebraico tem variações.Mas eu não achei,e até mesmo o dicionario W.E.Vine deu uma definição ao contrario da sua,porém foge da minha capacidade discutir em torno da etimologia dessa palavra,pelo menos agora, mas verificarei.

No entanto o 'amanhã' ficou muito vazio no caso em apreço, pois Saul morreu dezoito dias depois.E a maioria das vezes que a palavra aparece no VT o sentido é de amanhã mesmo,o proximo dia,e não num sentido mais esticado ou simbolico.No vers.19 foi dito que Saul seria entregue aos Filisteus,ele se suicidou I Sam 31.4,5.Outra coisa Saul tinha seis (6) filhos e morreram tres (3).

 

  Mauricio estou apenas expressando alguns fatos que observei sobre o espiritismo,mas com certeza não sei muito sobre o mesmo.Estou certo de que podemos ser bons amigos,mesmo vivendo em lados opostos,opostos mesmos !!!

  Eu creio que a verdade está em descansarmos no sacrifio do Senhor Jesus,como unico modo de salvação deixado para o homem.Creio como afirma a Biblia que Ele é Deus completamente como é homem e Ele pode te salvar assim como nos mostra a Biblia.

Ele te ama.

(João 1.1,14;3.16,36;Tito 2.13).

Um abraço, de seu novo amigo e opositor (rsrs) Luciano.

 

 

CONSIDERAÇÕES:

 

Oi, Luciano

 

Com meus cumprimentos, e apesar da demora, estou agora finalmente deixando meus comentários, ao seu último email.

 

Você se desculpou por ter mencionado o suposto “fascínio pelos mortos”. Na verdade, não me senti de forma alguma ofendido com isso. Nem prestei atenção na expressão. Tratei apenas de coletar e discutir suas idéias, sem me preocupar com chavões. Sua intenção não era ofender, é claro que não duvido disso, mas há um fundo de verdade no que você disse. Sabemos que isso pode existir na vida de algumas pessoas, porém, felizmente e graças a estudos contínuos que venho fazendo em torno da Bíblia e dos escritos de Kardec, considero essa atitude imprópria para o espírita cristão. Tanto a Bíblia quanto Kardec nos encorajam a questionar todas as coisas. O único fascínio que deveríamos cultivar é o fascínio pela busca da verdade.

 

Você defende que a idéia de ser a Bíblia infalível e inerrante, ou da “confiabilidade da informação”, não dependeria de como entendemos a passagem em apreço. Segundo você mesmo disse: “aqui está o centro nervoso de nossa discussão”. Mais adiante, você acusa Kardec de fazer, em relação à Bíblia, uso “não muito cândido para se beneficiar, por causa de sua popularidade e depois descartar”. E justamente isso que você chama “monstro de palha”, é que compromete o “COMO ou SE”, desde que esse “COMO ou SE” coloque em dúvida aquilo que presumimos seja verdadeira: a necessariamente infalível e inerrante opinião do narrador. Será que poderíamos dizer que para a Bíblia ser infalível, o ponto de vista do narrador também deverá sê-lo? Se um narrador falhar em sua descrição, perderá a credibilidade, é o que penso, além de se mostrar falível. Não sei se vc chegou a ler meu outro texto, pois nele faço citações da “Declaração de Inerrância de Chicago”, aceita por esmagadora maioria dos teólogos, naturalmente dentro do grupo que crê na inerrância. Lembra de minha pergunta acima, no destaque? Pois bem, vamos ver o que pensam os inerrantistas sobre a inerrância. Pode ser que estes respondam a tal pergunta. Veja trecho abaixo, retirado do meu outro texto:

 

Se o ponto de vista dos narradores está errado, então errado fica o texto bíblico, reputado Infalível. De acordo com a famosa “Declaração de Chicago sobre a Inerrância das Escrituras”:

 

4. Tendo sido na sua totalidade e verbalmente dadas por Deus, as Escrituras não possuem erro ou falha em tudo o que ensinam..."

 

"5. A autoridade das Escrituras fica inevitavelmente prejudicada, caso essa inerrância divina absoluta seja de alguma forma limitada ou desconsiderada, ou caso dependa de um ponto de vista acerca da verdade que seja contrário ao próprio ponto de vista da Bíblia; e tais desvios provocam sérias perdas tanto para o indivíduo quanto para a Igreja. "

(Uma Breve Declaração, quesitos 4 e 5)

 

Deste modo, não há como aceitar possível falha de seus autores, sem limitar ou desconsiderar de alguma forma a autoridade das Escrituras. Ou aceitamos essa limitação do texto bíblico à opinião errônea de seus autores, e então seremos livres e coerentes para aceitar ou rejeitar a identidade do espírito comunicante, ou então acreditamos nessa Infalibilidade, da forma como foi descrita, sem poder negar, em prejuízo do bom senso, que o espírito comunicante foi Samuel, de fato. Não há como fugir a este impasse.

 

Adentrando, agora, ao que vc chama de “O USO ARBITRÁRIO DA BÍBLIA”, vejamos as citações:

 

"a Biblia não pode ser usada como produto de inspiração divina - Cristianismo e Espiritismo p 130

 

"  o espiristismo nada ensina em contrario ao que ensinou o Cristo"- Evangelho segundo o Espiritismo cap 1

 

"eles (os evangelhos) possivelmente tenham se enganado quanto ao sentido das palavras do Senhor, ou dado interpretação falsa aos seus pensamentos " A Gênese pg 386

 

Tanto no meu livro virtual quanto no meu livro impresso “Cristianismo e Espiritismo”, o trecho primeiro citado acima omite um contexto que é fundamental e ao mesmo tempo determinante para entendermos, com exatidão, o pensamento de León Denis. Ele começa falando do avanço do protestantismo em relação ao catolicismo:

 

O Protestantismo estabelece o livre-exame, a livre interpretação das Escrituras. Com isso desenvolve o entendimento e favorece a instrução, em todos os tempos considerada perigosa pela Igreja Romana. O protestante se mantém, portanto, livre e aprende a dirigir-se por si mesmo, ao passo que o católico abdica sua razão e sua liberdade nas mãos do sacerdote.

 

Na sequência, ele prossegue seus comentários, descrevendo esse processo de acordo com sua opinião:

 

Entretanto, por maior que seja a obra da reforma do século XVI, ela não poderia satisfazer as necessidades atuais do pensamento. 0 Protestantismo conservou, da bagagem dogmática da Idade Média, muitas coisas inaceitáveis. A autoridade do papa, substituiu a do livro; mas a Bíblia, interpretada mediante o livre-exame, não pode ser considerada produto da inspiração divina(91). As consciências que conseguiram subtrair-se ao jugo de Roma, não se poderiam colocar sob o de uma obra, sem dúvida respeitável e que é preciso tomar em consideração, mas de origem puramente humana, semeada de ficções e alegorias, sob as quais o pensamento filosófico se dissimula e desaparece o mais das vezes”.

 

Veja os destaques, e atenção aos verbos no seu tempo verbal: conservou, substituiu e pode. Todos no pretérito. O narrador está apenas descrevendo os acontecimentos. 

 

Mais acima, eu havia dito “opinião” ao falar de Léon Denis, porque ao final do mesmo livro, como “NOTA DA EDITORA”, também podemos encontrar um importante lembrete que acredito deveria valer para todos os livros: espíritas e não espíritas. Segue abaixo:

 

Diversas passagens, interpretativas desta obra, nas quais Léon Denis alude à autenticidade dos Evangelhos e à presença do Cristo na Terra, encerram opinião pessoal do autor, contagiado pelo espírito da época em que foram escritos e que, de certa forma, ainda hoje são objeto de controvérsia.

 

Esclarecido este ponto, é importante deixar claro que não estou defendendo que a Bíblia seja ou não inspirada, já que este não é o ponto-chave (ou “monstro de palha”), se o pressuposto onde gravita a discussão é justamente a inerrância. Você pode até questionar os critérios e decidir se são ou não honestos para você. Eu também não vou tentar demovê-lo de sua opinião, mas faço a minha parte, mostrando porque acho estranho um biblicista taxar isso de desonestidade, uma vez que a própria Bíblia recomenda a “julgar todas as coisas e reter o que é bom” (Ts.5,26). Não se impressione se eu disser que também faço isso com as obras de Kardec, pois ele também recomendava isso. Veja algumas declarações:

 

Livro dos Espíritos (LE):

 

Se é certo que, entre os adeptos do Espiritismo, se contam os que divergem de opinião sobre alguns pontos da teoria, menos certo não é que todos estão de acordo quanto aos pontos fundamentais.

 

(...)

 

O homem que julga infalível a sua razão está bem perto do erro.

 

Dirigimo-nos, pois, aos ponderados, que duvidam do que não viram, mas que, julgando do futuro pelo passado, não crêem que o homem haja chegado ao apogeu nem que a Natureza lhe tenha facultado ler a última página do seu livro. (Conclusão, sobre a teoria da intervenção dos espíritos)

 

 

Evangelho segundo o Espiritismo (ESE):

 

Opinião dos espíritos:

 

Sabe-se que os Espíritos, em virtude da diferença entre as suas capacidades, longe se acham de estar, individualmente considerados, na posse de toda a verdade; que nem a todos é dado penetrar certos mistérios; que o saber de cada um deles é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares mais não sabem do que muitos homens; que entre eles, como entre estes, há presunçosos e sofômanos, que julgam saber o que ignoram; sistemáticos, que tomam por verdades as suas idéias; enfim, que só os Espíritos da categoria mais elevada, os que já estão completamente desmaterializados, se encontram despidos das idéias e preconceitos terrenos; mas, também é sabido que os Espíritos enganadores não escrupulizam em tomar nomes que lhes não pertencem, para impingirem suas utopias. Daí resulta que, com relação a tudo o que seja fora do âmbito do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um possa receber terão caráter individual, sem cunho de autenticidade; que devem ser consideradas opiniões pessoais de tal ou qual Espírito e que imprudente fora aceitá-las e propagá-las levianamente como verdades absolutas.

 

O primeiro exame comprobativo é, pois, sem contradita, o da razão, ao qual cumpre se submeta, sem exceção, tudo o que venha dos Espíritos. (Introdução, Autoridade da Doutrina Espírita)

 

Teorias, como lidar com elas:

 

Toda teoria em manifesta contradição com o bom senso, com uma lógica rigorosa e com os dados positivos já adquiridos, deve ser rejeitada, por mais respeitável que seja o nome que traga como assinatura.

 

Uma garantia séria existe para o ensino dos Espíritos: a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares.

 

Essa a base em que nos apoiamos, quando formulamos um principio da doutrina. Não é porque esteja de acordo com as nossas idéias que o temos por verdadeiro. Não nos arvoramos, absolutamente, em árbitro supremo da verdade e a ninguém dizemos: "Crede em tal coisa, porque somos nós que vo-lo dizemos." A nossa opinião não passa, aos nossos próprios olhos, de uma opinião pessoal, que pode ser verdadeira ou falsa, visto não nos considerarmos mais infalível do que qualquer outro.

 

Também ressalta que as instruções dadas pelos Espíritos sobre os pontos ainda não elucidados da Doutrina não constituirão lei, enquanto essas instruções permanecerem insuladas; que elas não devem, por conseguinte, ser aceitas senão sob todas as reservas e a título de esclarecimento. Daí a necessidade da maior prudência em dar-lhes publicidade; e, caso se julgue conveniente publicá-las, importa não as apresentar senão como opiniões individuais, mais ou menos prováveis, porém, carecendo sempre de confirmação. Essa confirmação é que se precisa aguardar, antes de apresentar um princípio como verdade absoluta, a menos se queira ser acusado de leviandade ou de credulidade irrefletida. (Introdução, Autoridade da Doutrina Espírita)

 

 

Existem muitas outras recomendações, e trazê-las para cá irá tornar minha resposta mais extensa do que está. Seus outros argumentos, sobre trechos do que escrevi, acho interessante destacar e depois comentar, conforme abaixo:

 

 

SUAS PALAVRAS:

 

"dos três modos apenas um"   : Eu não acho isso Mauricio.Todos comportam-se dentro da postura da inerrâcia Biblica.Eu particulamente acho que a proposta da 'farsa' seja a melhor ,embora não livre de dificuldades.No fim da sua resposta você me indicou um material de um 'fundamentalista',e sem duvida nenhuma ele não faz a peneiração que L.H.Denizard Rivail fez.

 

CONSIDERAÇÕES: O autor a que fiz referência, realmente não faz a peneiração de Kardec, nem mesmo a sua e de outros que negam “O que a Bíblia diz” sobre o caso. Observe que a “postura de inerrância”, necessariamente deve existir dentro de parâmetros que ela mesma defina, delimite e circunscreva. E a postura definida, segundo a Declaração de Chicago, não admite questionar a autoridade de um autor, sem comprometer a autoridade do livro, no caso a Bíblia.

 

SUAS PALAVRAS:

 

"ela não afirma ter visto Samuel"  ;Sim,mas isso não resolve a questão pois ela perguntou para Saul "Quem quer que eu faça subir" vers.11.Saul pediu Samuel. Depois,ela, teve uma boa chance de encantar Saul quando esse perguntou"Que vês subir"vers.13,"Como é sua figura" vers.14.

Aqui meu amigo Mauricio,eu entendo, sem nenhum prejuizo para inerrância Biblica,que a construção serve-se da pespectiva da necromante e a de Saul.

 

CONSIDERAÇÕES: Em resposta anterior, você mesmo disse que ela viu Samuel e o narrador discutia partindo de sua perspectiva. Eu apenas disse o que ela fez, seguindo rigorosamente o relato. Mas o problema não é a pitonisa. Personagens podem ter atitudes e opiniões equivocadas, isso sabemos, mas a questão é COM BASE EM QUÊ podemos julgá-los? Com base justamente no que diz o narrador. São os dados de que dispomos. Enfatizei o que dizia o narrador desde o início do relato, e você não explicou como ele pode, ao mesmo tempo, ser inspirado e cometer tamanha gafe, se o que ele diz é diametralmente oposto ao que alguns pretendem concluir. Veja o pressuposto de inerrância sobre os quais me baseio:

 

De “Uma Breve Declaração”:

4. Tendo sido na sua totalidade e verbalmente dadas por Deus, as Escrituras não possuem erro ou falha em tudo o que ensinam , quer naquilo que afirmam a respeito dos atos de Deus na criação e dos acontecimentos da história mundial, quer no testemunho que dão sobre a graça salvadora de Deus na vida das pessoas.

5. A autoridade das Escrituras fica inevitavelmente prejudicada, caso essa inerrância divina absoluta seja de alguma forma limitada ou desconsiderada, ou caso dependa de um ponto de vista acerca da verdade que seja contrário ao próprio ponto de vista da Bíblia ; e tais desvios provocam sérias perdas tanto para o indivíduo quanto para a igreja.

Do Artigo VI:

Afirmamos que a totalidade das Escrituras e todas as suas partes, chegando às próprias palavras do original, foram dadas por inspiração divina.

Negamos que se possa corretamente falar de inspiração das Escrituras, alcançando-se o todo mas não as partes, ou algumas partes mas não o todo.

Do Artigo VII:

Negamos que se possa reduzir a inspiração à capacidade intuitiva do homem, ou a qualquer tipo de níveis superiores de consciência.

Do Artigo IX:

Afirmamos que a inspiração, embora não outorgando onisciência, garantiu uma expressão verdadeira e fidedigna em todas as questões sobre as quais os autores bíblicos foram levados a falar e a escrever.

Negamos que a finitude ou a condição caída desses escritores tenha, direta ou indiretamente, introduzido distorção ou falsidade na Palavra de Deus.

Fonte: http://www.teuministerio.com.br/BRSPORNDESAGSA/vsItemDisplay.dsp&objectID=86DBA89E-E1A0-4AD7-82C11DC966958B17&method=display

 

(*) Na presente data, o link não abre. Tenho o texto completo, se quiser me avise.

 

SUAS PALAVRAS:

 

"é estranho que a Biblia não diz que seja o demonio..." ; É estranho mas não impossivel,certo ?O silêncio não deve ser tomado para nenhum partido,etendo.Pois se aqui ela se silencia em outras passagens ela esclaresse.Se a proposta que diz ser um demonio se orientar pelo que diz em II Cor.11.14,15 o caso levantado por você fica vazio,pois a Biblia chega afirmar que Satanas pode se apresentar de maneiras variadas,até como anjo,o que dizer por um homem.

  Outra coisa, nem sempre,o narrador é interprete.Mesmo que inspirado nem sempre surge a nessecidade de uma explanação do relato.Exigir um modo de expor a ideia simplismente por que achamos que seria conveniente,é desprovido de sentido.Um fato também a ser observado é que o Velho Testamento não relata muito o mundo espiritual e seus agentes.Existe poucas vezes a exposição da influencia demoniaca no VT.

 

"tudo se cumpriu" ;Que o SENHOR  já não falava mais com Saul é confirmado também em I Cronicas 10.13,14.Você reconhece isso,então faz-se necessario uma pergunta Mauricio; Da parte de quem falou o suposto Samuel ? Ou foi uma farsa ou foi o Diabo,pois Deus esta fora dessa questão.(Estou fazendo avaliação em cima da sua afirmação ).

 

CONSIDERAÇÕES: Os comentários do fundamentalista que citei, acredito também serem oportunos para o momento. Seguem abaixo:

 

Dos que acreditam que Saul não se comunicou com Samuel, há quem acredite que Saul foi enganado pela necromante. Outros afirmam que foi um espírito enganador, talvez até um demônio que se comunicou com Saul. Evidentemente, uma das preocupações dos intérpretes é com a possibilidade de reconhecer que a comunicação com os mortos é possível .
Apresentaremos os indícios que nos levam a crer que de fato Saul falou com o espírito do profeta morto Samuel.
(...)

As Evidências
a. A evidência da Palavra
A evidência mais convincente de que Saul de fato se comunicou com o profeta morto Samuel é o testemunho da própria Bíblia. Veremos esta evidência com uma análise do próprio texto da passagem. Às vezes os intérpretes esquecem de um dos princípios básicos da interpretação – o exame detalhado do texto. Como resultado, alguns começam a atribuir, sem fundamento, palavras ou conceitos ao texto que jamais existiam na Palavra. Na nossa análise da passagem veremos que um exame objetivo do texto, mesmo em tradução, revelará que de fato Saul se comunicou com o espírito do falecido Samuel.
(...)

Em nenhum momento nos versículos posteriores há qualquer indício de que aquilo que é relatado seja fruto apenas da imaginação de Saul ou que a mulher o enganou. Não há palavras como “entendeu” ou “imaginou” descrevendo o que aconteceu. Em v. 15, por exemplo, quando a passagem relata as primeiras palavras do ser que apareceu, o versículo não diz “Aquele que Saul pensou ser Samuel disse...” ou “Aquele que Saul entendeu ser Samuel falou ...”. A passagem diz “Samuel disse a Saul...”. Estas palavras são as mesmas nas traduções de Almeida Atualizada e Corrigida e na Bíblia de Jerusalém. A NVI apenas muda para “Samuel perguntou a Saul”. Ou seja, as principais traduções em português dão a entender que aquilo que é relatado se baseia em fatos verídicos. Portanto não há evidências no texto que apóiam a interpretação de que Saul se confundiu ou que a necromante o enganou .
Logo em v.12 vemos o primeiro indício de que aquele que apareceu foi de fato Samuel. v.12 - “Vendo a mulher a Samuel, gritou em alta voz...” Lendo a passagem em português fica evidente que a mulher viu o próprio Samuel. A passagem não diz “A mulher disse que era Samuel” nem “A mulher fez de conta que era Samuel” , mas “Vendo a mulher a Samuel...”. O texto da própria Bíblia dá a entender que o que a mulher viu foi Samuel. Isso fica claro no português da Almeida Revista e Atualizada. Mas, para quem tiver dúvidas ainda, apresentamos em seguida o texto no original em hebraico e na tradução para grego da Septuaginta com interlinear em português:
(...)
Em seguida, todos os versículos que tratam do ser que apareceu o chamam de Samuel: v. 15 - “Samuel disse a Saul...”
v.16 - “Então disse Samuel...”
v. 20 - “... Saul ... foi tomado por grande medo por causa das palavras de Samuel...”
Vejamos o texto do início de 1 Samuel 28:15 no original em hebraico e na tradução para grego da Septuaginta com interlinear em português:
(...)

Embora seja difícil para alguns aceitarem, é preciso perguntar, quem é que a Bíblia diz que a mulher viu? [Veja v.12.] Quem é que a Bíblia diz que falou com Saul? [Veja vv.s 15 e 16.] A Bíblia diz que Saul foi tomado por grande medo por causa das palavras de quem? [Veja v. 20.] A resposta a todas estas perguntas, segundo a própria Bíblia é Samuel. De acordo com a própria Bíblia a mulher viu Samuel. Segundo a Bíblia, Samuel falou com Saul e foram as palavras de Samuel que Saul ouviu e temeu. Se a Bíblia chama este ser de Samuel, quem tem autoridade superior para negar esta afirmação?
Alguns alegam que aquilo que apareceu foi um espírito maligno ou enganador. Mas, nas Sagradas Escrituras, quando um profeta falso ou espírito maligno ou enganador está atuando, é revelado eventualmente quem aquele espírito representava (Juizes 9:23; 1 Reis 13:18; 22:22-23; 2 Crôn. 18:21-22). Observamos que no caso do evento relatado em 1 Samuel 28 a Bíblia nunca chama aquele que apareceu de um “espírito enganador” ou um “demônio mentiroso” . De fato, a Bíblia sempre chama aquele que apareceu de Samuel.
Podemos debater se seria justo ou lógico Deus permitir Samuel voltar para falar com Saul. Mas, no final, temos que decidir se vamos basear nossas conclusões no nosso raciocínio e lógica, ou naquilo que a própria Bíblia diz. Neste caso, a Bíblia diz que quem apareceu e quem falou foi Samuel. Quem se sente apto para falar contra o que a própria Bíblia diz neste caso?

Fonte: http://www.hermeneutica.com.br/estudos/1samuel28-01.html

 

SUAS PALAVRAS:

 

Não se cumpriu nada que ela falou !Antes ,sobre o termo amanhã no heb. não achei nem uma afirmação que ele pode ser considerado um futuro.Embora não acho que tal ideia descarta-se, pois a palavra eterno no hebraico tem variações.Mas eu não achei,e até mesmo o dicionario W.E.Vine deu uma definição ao contrario da sua,porém foge da minha capacidade discutir em torno da etimologia dessa palavra,pelo menos agora, mas verificarei.

 

CONSIDERAÇÕES: Se o dicionário der definição contrária ao termo “machar”, procure outras ocorrências do termo e o que dizem outros dicionários. Verá que os dois sentidos são usados, dependendo do contexto. Alguns exemplos:

 

Josué 22: 24,27 - E, se antes o não fizemos por receio disto, dizendo: Amanhã vossos filhos virão a falar a nossos filhos, dizendo: Que tendes vós com o SENHOR Deus de Israel? (...)Mas para que, entre nós e vós, e entre as nossas gerações depois de nós, nos seja em testemunho, para podermos fazer o serviço do SENHOR diante dele com os nossos holocaustos, e com os nossos sacrifícios, e com as nossas ofertas pacíficas; para que vossos filhos não digam amanhã a nossos filhos: Não tendes parte no SENHOR.

 

Isaías 22:13 - Porém eis aqui gozo e alegria, matam-se bois e degolam-se ovelhas, come-se carne, e bebe-se vinho, e diz-se: Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos.

 

 

Lucas 12:28 - Se, pois, Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais vós, homens de pouca fé?


I Coríntios 15:32 - Se, como homem, combati em Éfeso com as feras, que me aproveita isso? Se os mortos não são ressuscitados, comamos e bebamos, porque amanhã morreremos.

 

E mais, o que determina significado não quem tem maior número de ocorrências, e sim o contexto. O significado amplo do termo, admitido como fato, torna a profecia infalseável neste aspecto. Dennis Downing, teólogo por mim citado, em seu estudo sobre “As Evidências”, vai mais a fundo e nos diz que:

 

é preciso saber que a palavra “amanhã” no grego da LXX é aurion que pode ser literalmente “no dia seguinte” (Num 16:16; At. 23:20). Mas, esta palavra pode também significar “logo” (Mat 6:30; 1 Cor 15:32) ou algum tempo ainda indefinido do futuro (Gen 30:33; Deut 6:20). O mesmo se vê no hebraico, que usa a palavra machar, que pode significar literalmente “amanhã” (Num, 16:16), ou um tempo ainda indefinido do futuro (Gen 30:33; Deut. 6:20). Sabendo isto, uma interpretação possível do que o ser disse é, como traduzido por várias versões, “amanhã tu e teus filhos estareis comigo...”. Porém, uma outra tradução ainda perfeitamente aceitável do mesmo versículo seria “logo tu e teus filhos estareis comigo”. Dentro do contexto, tanto no grego como no hebraico, uma tradução que dá a entender que Saul e seus filhos morreriam “em breve” é totalmente aceitável.

 

SUAS PALAVRAS:

 

No entanto o 'amanhã' ficou muito vazio no caso em apreço, pois Saul morreu dezoito dias depois.E a maioria das vezes que a palavra aparece no VT o sentido é de amanhã mesmo,o proximo dia,e não num sentido mais esticado ou simbolico.No vers.19 foi dito que Saul seria entregue aos Filisteus,ele se suicidou I Sam 31.4,5.Outra coisa Saul tinha seis (6) filhos e morreram tres (3).

 

CONSIDERAÇÕES: Tente comprovar biblicamente que se passaram dezoito dias. Verá que é impraticável qualquer tentativa de determinar datas. Há algum tempo, fiz uma pesquisa nesse sentido e não há como determinar. Mesmo que o sentido de “amanhã” fosse literal (a melhor das hipóteses para sua tese), se você rever paralelismo Davi e Saul, verá não há meios para definir quantos dias se passaram neste ínterim, do cerco ao ataque. E embora não se possa determinar de forma taxativa o número de dias, não há bases para negar que o final do relato de Saul (consultando a pitonisa) coincide cronologicamente com o final do relato de Davi (no final do cap.30), pois se são paralelos é natural e razoável esperar que pelo menos o início e o fim sejam convergentes sob o ponto de vista cronológico. Isto vem a revelar que, mesmo sob a hipótese literal, não há como provar ou alegar descumprimento da profecia. Quanto aos filhos de Saul, também há quem discorde que se tratava de seis. Mas independente disso, o texto não diz que seriam todos os filhos de Saul que morreriam. A expressão “filhos de Saul” se referia aos que estavam com ele na batalha, perecendo, segundo a Bíblia, “toda sua casa juntamente” (I Cr. 10:6). Essa expressão depende muito do contexto, e ora se referem a três (I Samuel 14:49; 31:2 e 6), ora se referem a quatro (I Crônicas 9:39) de seus filhos. Não vejo por que nos cobrarem todo esse rigor quando os próprios narradores não se preocuparam com isso. E se a expressão "Saul e seus filhos", na Bíblia, nunca foi usada para todos, porque deveria ser neste caso?

 

Não vou querer desanimá-lo, se quiser realmente tratar outros assuntos, vamos tornar essas respostas cada vez maiores.

 

Quanto ao sacrifício de Jesus, cabe fazer algumas indagações: Foi realmente necessário? Foi da vontade de Deus que ele morresse crucificado? Quem exigiu esse sacrifício? A quem foi ele oferecido em holocausto: a Deus ou ao Diabo? Este sacrifício foi destinado para salvar a todos ou só um número reduzido de pessoas? Se o sacrifício de Jesus é tão fundamental, por que em muitos textos e oportunidades, onde se falou em salvação, ele não foi citado como requisito? Existem algumas implicações contidas nessas perguntas. Estarei desenvolvendo elas de acordo com as respostas. Sabemos que ele pode nos salvar, mas temos que fazer alguma coisa para abraçar isso. Se nada fizermos, de nada valerá todos os sacrifícios que ele fez em sua jornada terrena. Como disse Paulo: “a fé sem obras está morta”. Quanto a Jesus ser Deus, acho que ninguém melhor do que ele, poderá nos dar respostas sobre quem é Deus. Por exemplo, há um momento, no evangelho, em que Jesus identifica claramente o "único Deus Verdadeiro". A quem se refere?  E novamente, que consequências podemos tirar do que ele disse? Você sabe a que texto eu me refiro, certo?

 

Para maiores informações sobre A PALAVRA OFICIAL do Espiritismo, veja Estudo sobre a Natureza do Cristo.

 

Vou parar por aqui, depois que você responder, prosseguimos nossa troca de idéias.

 

 

 

Abraços,

Maurício C.P.

 

 

CLIQUE AQUI, para acessar a nova resposta do leitor Luciano Sena.

 

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