Reencarnação e a resposta do pastor

Aqueles que não despertaram para a verdade do "renascimento" não podem ser a isso forçados por argumentos, e aqueles que "crêem" na verdade dele não necessitam de argumentos. (RAMACHARAKA)

Introdução

Iremos comentar um texto que o pastor João Flávio Martinez enviou a um nosso amigo, do qual recebemos uma cópia. Embora já tenhamos enviado ao pastor dezesseis textos de nossa autoria sobre o assunto, vamos mesmo assim analisá-lo.

Texto em análise:

----- Original Message -----

From: CACP - pastor João Flávio Martinez

To: mawricio@ieg.com.br

Cc: vvoley@bol.com.br; tavaresjr@yahoo.com.br; sntctba@bol.com.br; pauloneto@ghnet.com.br; lebarros@bacaninha.com.br

Sent: Monday, December 29, 2003 3:23 PM

Subject: POR QUE UNS NASCEM...Cegos, aleijados, retardados, pobres e outros não?

POR QUE UNS NASCEM...Cegos, aleijados, retardados, pobres e outros não?

Quem nunca parou para pensar nestas questões? Talvez você mesmo já tenha pensado por que uns nascem aleijados e outros com saúde, uns nascem inteligentes e outros com problemas mentais, uns pobres e outros ricos? Por que tantas desigualdades? Não é isto uma tremenda injustiça?

Estas perguntas tem feito parte do pensamento do homem a muito tempo sem contudo achar uma explicação satisfatória às mesmas. Enquanto a humanidade sofre diariamente seus efeitos dolorosos, parece que os espíritas acharam uma explicação satisfatória para todas elas.

Ficamos a pensar: será que certos indivíduos, que tanto se preocupam com os que acreditam na reencarnação, ficam enviando e-mails a todas as pessoas de todas as religiões ou somente os enviam aos espíritas? Por que tanta preocupação sobre esse assunto? Tem que haver alguma coisa que os incomoda muito a ponto de gastar tempo e dinheiro nessa desesperada tentativa de convencer os espíritas que a reencarnação não existe.

Informamos que nós não acreditamos na história de Adão e Eva, mas apesar disso não temos a mínima preocupação com os que acreditam, é problema deles e não nosso. Não movemos nenhuma palha para convencê-los do contrário, já que é direito de cada um acreditar no que melhor lhe convier.

O fato de alguém acreditar em alguma coisa não a faz se tornar uma verdade, mas quando ficam insistentemente querendo nos provar que algo é mentira, acontece justamente o contrário do que querem, pois cada vez mais fortalecemos nossa convicção de que estamos no caminho certo, já que para nós a verdade é tão óbvia que não necessita de qualquer tipo de prova. Normalmente quem se preocupa em provar é porque está querendo convencer mais a si mesmo do que aos outros.

Existem inúmeras religiões em que o princípio da reencarnação é aceito naturalmente, muitas delas anteriores ao Espiritismo, será que estarão todas erradas? Estima-se que dois terços da população mundial acredita na reencarnação, fato que deveria levar os adversários a pensar seriamente nessa possibilidade.

Podemos afirmar que a explicação racional para as desigualdades que encontramos nesse mundo só poderá vir do princípio da reencarnação. "Fora da reencarnação não há salvação", é o que podemos dizer, convictos dessa verdade.

Por outro lado, sabemos que esse princípio se trata de uma lei natural, a qual todos os seres humanos estão sujeitos, como caminho para chegar à perfeição. Portanto, não se trata de uma questão religiosa, mas de uma lei da natureza.

Plagiando um amigo, diremos que "101 por cento" das pessoas que combatem a reencarnação o fazem por motivos de crença religiosa, absolutamente nada sabem das pesquisas científicas realizadas nesse campo, nem da opinião de intelectuais que ao se debruçarem sobre esse assunto passaram a ter convicção dessa realidade, que brevemente se tornará incontestável. Como suas correntes religiosas não lhes permitem ler nada que não tenha o selo de sua igreja, continuam completamente ignorantes sobre o que, na atualidade, se desenvolve em termos de pesquisas sobre a reencarnação. Isolados culturalmente, pensam exatamente como quer a sua liderança religiosa.

Pela explicação Espírita, como se diz no texto, podemos ver que Deus dá a todos nós o mesmo destino, variando apenas quanto ao tempo que gastaremos para chegar a ele. Entretanto, o que nos apresentam as religiões dogmáticas como situação para o após a morte? Dizem que teremos um dos dois destinos: céu ou inferno. Querem de todas as maneiras que o Supremo Criador do Universo não tenha o mínimo senso de justiça e sobriedade, quando coloca eternamente em castigo alguém que poderia viver em erro por no máximo cento e poucos anos. Transferem ao Criador sentimentos humanos, que não se coadunam definitivamente com a magnitude de Deus.

Antes de continuarmos, seria interessante uma reflexão sobre a passagem: "A duração da vida é de cem anos no máximo. Como gota no mar e grão na areia, tais são os seus poucos anos frente a um dia da eternidade. É por isso que o Senhor tem paciência com os homens, e derrama sobre eles a sua misericórdia. ... A misericórdia do homem é para o seu próximo, porém a misericórdia do Senhor é para todos os seres vivos. Ele repreende, corrige, ensina e dirige, como pastor conduz o seu rebanho" (Eclo 18,8-13).

Aos que acreditam no inferno fazemos dois questionamentos. Primeiro, quando Deus criou o inferno? Uma época oportuna seria quando estabeleceu regras para seguirmos, os Dez Mandamentos; entretanto, qualquer bom observador verá que não há mínima referência a esse destino para os que não os cumprissem. Segundo, como conciliar a teoria das penas eternas com: "O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno. Não repreende perpertuamente, nem conserva para sempre a sua ira" (Sl 103, 8-9).

A SOLUÇÃO DO ESPIRITISMO

Para o espiritismo todas as mazelas e vicissitudes da vida encontram a explicação em uma só palavra - reencarnação. As perguntas acima já levaram muitas pessoas a ingressarem no Kardecismo por julgar a resposta espírita a mais satisfatória de todas. De fato, para os espíritas, tudo funciona segundo uma lei, a lei de causa e efeito. A doutrina espírita frisa que todo pecado cometido é uma divida contraída que deve ser paga numa ou em várias reencarnações. Assim sendo, as pessoas que passam por estes problemas não devem fazer nada além de esperar por mais reencarnações até que por fim será purgada de suas faltas que foram contraídas em vidas passadas. Destarte, o consolo do espiritismo consiste apenas em adiar os problemas do ser humano. Além de que a ajuda que outros fossem prestar para sanar a dor do sofrimento alheio estaria indo contra essa suposta justiça de Deus.

Segundo sabemos, há uma lei da física que diz mais ou menos isso: para toda ação haverá sempre uma reação em sentido contrário e de igual intensidade. Isso, em outras palavras, é o que denominamos de lei de ação e reação. Sendo uma lei que rege os acontecimentos da natureza, por que motivo não regeria também as nossas ações? Dessa forma concluímos que todas as nossas ações geram conseqüências imediatas ou remotas, das quais não temos como fugir. Se não fosse a misericórdia divina estaríamos fadados a sofrer exatamente o mal que tivermos feito ao nosso semelhante, entretanto Deus nos oferece a alternativa de fazer o bem ao próximo como o único meio de anular os mecanismos automáticos dessa lei. Essa alternativa não é senão a que nos diz que "a caridade cobre multidão de pecados" (1Pe 4,8) ou "... os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou" (Lc 7, 47).

Engano dos que pensam que não devemos fazer nada além de esperar; podemos e muito, pois na ação no bem é que iremos minorando as inevitáveis conseqüências de nossos atos do passado. Ele, o castigo - carma, se torna fatal apenas para os que ficam de braços cruzados, não fazendo absolutamente nada para mudar a situação. Além desse motivo, encontramos mais um que nos diz da necessidade de fazer o bem ao próximo, pois quem poderá saber se Deus não colocou justamente em nossas mãos o fim do sofrimento dos que jornadeiam conosco rumo à perfeição? São por esses motivos que devemos fazer todo o bem ao nosso alcance, daí muito acertadamente Kardec colocar como máxima do Espiritismo "fora da caridade não há salvação", inspirado, é claro, nos ensinamentos de Jesus, principalmente na parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37) e da simbólica passagem sobre o dia do juízo, quando a ação no bem foi o fator que separou os espíritos, para a direita ou para a esquerda, conforme foram suas ações boas ou más, respectivamente (Mt 25,31-46).

Assim, muito ao contrário do que pensa o pastor quem presta ajuda ao semelhante está cumprindo a vontade do Pai, que saberá com justiça quando ou qual é o momento apropriado para libertar um filho do sofrimento por que está passando.

RESPOSTAS SENSATAS

Não é preciso recorrer á reencarnação para encontrarmos respostas para as questões do sofrimento e desigualdades entre os seres humanos. Os fatos nos falam de maneira inequívoca:

" Por que uns nascem pobres?

Ora, todos sabemos que isto depende da condição social em que se encontra a família. Se as explicações são as faltas na vida pregressa da pessoa, sendo que em outra vida ela foi uma pessoa rica egoísta e usou mal seu dinheiro e por isso agora nasceu pobre para pagar este karma adquirido, então perguntamos: que explicação dar à vida de Cristo? Decerto segundo esta doutrina, ele foi um dos maiores pecadores para nascer pobre e morrer na miséria como um criminoso! E as pessoas que se enriquecem da noite para o dia? Uma série de circunstancias podem influenciar a vida financeira das pessoas, até mesmo as condições geográficas dos paises. Não precisamos recorrer à reencarnação.

" Por que uns nascem doentes?

Este também tem sua explicação nos seguintes fatos: mães que não cuidam bem de sua gravidez tomando medicamentos sem controle médico. Como conseqüência os bebês que nasceriam saudáveis, nascem doentes. Relações sexuais entre pessoas que tem doenças venéreas produz cegueira nos filhos. Junte-se a isto as diferenças sanguíneas e outras. E os animais que nascem doentes? Eles também tiveram vidas passadas por nasceram desta maneira? Claro que não!

A resposta para o sofrimento é encontrada nesta vida sem precisar recorrer a vidas passadas.

Poderia o pastor ter colocado que o egoísmo humano é que provoca a desigualdade da riqueza, cuja conseqüência são pobres de um lado e ricos de outro. Entretanto, a questão da reencarnação é muito mais profunda do que isso. O que nós queremos saber é por que Deus coloca um espírito para nascer num meio onde será rico ou pobre, já que não podemos culpar Deus da situação em que a nossa sociedade vivência?

Antigamente se dizia que o espírito era criado quando do nascimento da criança; hoje já se diz que é no momento da fecundação, para nossos argumentos a seguir, iremos pressupor que seja assim. Então, como explicar que Deus faz um espírito recém-criado nascer pobre quando poderia muito bem tê-lo feito nascer em berço de ouro? Se todos nós somos filhos de Deus e criados no mesmo momento porque motivo coloca um numa situação e outro em outra? Qual pai humano, que tivesse em suas mãos as condições de dar aos seus filhos plenas condições financeiras, deixaria um filho viver na pobreza e outro na riqueza? Assim, podemos ver que as coisas não são tão simples como coloca o pastor, pois não conseguiu explicar o essencial. Há um ditado popular que diz "Deus escreve certo por linhas tortas"; isso não deixa de ser uma verdade, pois usando fatos, acontecimentos ou situações criadas pelo próprio homem, Deus as utiliza para produzir o bem que deseja, assim podemos explicar o porquê um espírito nasce pobre ou rico, situações em que cada um de nós fatalmente deverá passar para conquistar valores espirituais que cada uma dessas pode proporcionar ao nosso espírito imortal. Daí precisamos recorrer sim à reencarnação, única explicação racional para fim útil a essa desigualdade.

A explicação dada para justificar porque uns nascem doentes, da mesma forma que na anterior, ficou na superfície. E, mutatis mutandis, podemos tecer os mesmos argumentos, que não estariam fora de propósito. Mas aqui podemos fazer um questionamento: e nos casos em que fatores citados não são a causa da situação em que se encontra o espírito, como por exemplo, casos de cegueira, aleijões, síndrome de Down, idiotice, surdez, mudez, etc, qual seria a explicação para os que nascem nessa condição? Foi dito que a resposta do sofrimento é encontrada nessa vida, então nos diga como isso pode ocorrer nesses casos que acabamos de citar.

Na literatura Espírita não há nada que diz que os animais reencarnam doentes provenientes de carma. E além do mais, nenhum ser humano reencarna para pagar coisa alguma; a reencarnação, para os que não sabem, é para o progresso do espírito, nada mais que isso. E nessa caminhada o espírito aproveita para se reconciliar com a justiça divina. E como talvez muitos não sabem, algumas reencarnações são programadas a pedido do próprio espírito que quer de alguma maneira provar que já possui essa ou aquela qualidade, fazendo da atual existência uma reencarnação de provas. Não podemos deixar de citar também os casos de reencarnações por missão, onde espíritos mais evoluídos vêm por amor aos que se encontram na retaguarda, de modo a ajudar-lhes no progresso.

Falta-nos explicar o questionamento sobre a vida do Cristo. Primeiro devemos dizer que Cristo apenas encarnou aqui na Terra uma única vez. Segundo, encarnou com uma nobilíssima missão de revelar a todos a vontade de Deus. Sendo essa missão o mais importante, todo o resto assume papel secundário, por isso já desde o berço o Mestre vem nos dar exemplo de humildade ao nascer num estábulo. Ele é o guia e modelo que o Pai nos enviou, entretanto a liderança religiosa de seu tempo resolveu calar a voz da verdade. De igual modo fazem as lideranças de nossos dias, quando querem silenciar a voz dos espíritos que trazem a mensagem de Jesus, livre da deturpação feita por eles mesmos.

COMO TUDO COMEÇOU

A Bíblia nos diz que nesta vida o que o homem plantar ele colherá (cf. Gl. 6:7). Quando Deus colocou o homem no jardim do Éden, havia uma vida abundante para todos, sem sofrimentos, sem dor, desigualdades ou doenças. Mas o Homem veio rejeitar a vida que Deus lhe ofereceu e escolher viver sua própria vida. Aí então começou o que a Bíblia chama de pecado. O pecado diz o apóstolo Paulo, passou para toda a humanidade e como sentença contra o pecado veio a morte.

Vejamos o texto citado conforme a Bíblia Anotada, Ed. Mundo Cristão: "Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6, 7). Não sabemos de onde foi tirado que é nesta vida, já que o texto não diz isso. É uma interpretação equivocada por parte do pastor. Entretanto, suponhamos que assim seja, perguntamos: não vemos tantos criminosos morrerem, cujos crimes não foram pagos, será que eles corromperam a justiça divina? Esses não colheram o que plantaram nesta vida, então como fica a passagem citada? Coloquemos nessa situação a reencarnação, não pagaram nesta vida, mas fatalmente pagarão em outra vida, de modo que o criminoso nunca ficará sem colher o que plantou.

É oportuno lembrar que essa passagem consagra exatamente a lei de causa e efeito, contestada um pouco atrás. E na Bíblia não é só nessa passagem que iremos encontrar nitidamente essa lei, os interessados podem verificar, entre outras, as seguintes passagens: "A cada um segundo suas obras" (Mt 16, 27), "todos os que lançarem mão da espada, pela espada morrerão" (Mt 26, 52) e "olha que já estás curado; não peques mais, para que não te suceda cousa pior" (Jo 5,14).

Considerando que em Dt 24, 16 se diz que: "Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais: cada qual será morto pelo seu pecado", isso nos deixa claro que ninguém paga pelo pecado alheio, assim como explicar que todos nós soframos a pena de morte imposta a Adão e Eva? Seria uma contradição da Bíblia, já que não é justo alguém pagar pelo erro do outro? Claro que não. Preferimos ficar com a impropriedade das interpretações das religiões dogmáticas. Como o pastor deve acreditar que todos nós levamos o castigo de "ao pó" e considerando que ele relacionada o carma com a doença dos animais, como explicaria o porque os animais também morrem? Será que estão sofrendo o mesmo castigo aplicado aos homens?

E gostaria que alguém pudesse nos identificar onde se localiza o jardim do Éden, pois até hoje ninguém o encontrou, nem aos querubins com a espada inflamada que andava ao seu redor. Adão e Eva não rejeitaram absolutamente nada, o crime que cometeram foi terem desejado sair da ignorância, razão pela qual comeram o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. O que, segundo a Bíblia, causou a ira de Deus. Para nos é doloroso aceitar que podemos encontrar os que acreditam nisso.

Será que a tentativa de trazer o pensamento de Paulo teria o sentido de dizer que o pecado é hereditário ou será que foi um vírus que o transmitiu às gerações posteriores? Se é hereditário, seria acaso por transmissão de caracteres adquiridos? (isso é anticientífico!) E a passagem Dt 24,26, onde fica?

Novamente: por que os animais tiveram a mesma sentença dada aos homens?

UM CONVITE

Mas a Bíblia nos diz que mesmo o homem rejeitando o amor de Deus, Ele enviou seu único filho para todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Aos cansados e oprimidos Jesus diz, "Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei" (Mt. 11:28-30). Aos que cometeram faltas ou pecados ele lhes oferece o perdão e o "sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado" (I Jo. 1:7) porque Ele veio trazer "vida e vida com abundancia" (Jo. 10:10). Milhares de pessoas que outrora eram cativas por filosofias religiosas como estas e continuavam presas pelo sofrimento esperando que mais algumas reencarnações fossem solucionar seus problemas obtiveram a solução e a paz tão almejadas através da pessoa do Filho de Deus - Jesus Cristo.

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Quando será que os teólogos irão esclarecer aos fiéis que a Bíblia, de capa a capa, não pode ser, propriamente falando, a palavra de Deus, com tantas incoerências, contradições, lendas e mitologias que contém suas páginas. Sinceramente pensamos que nunca, pois ficariam sem instrumento para amedrontar seus fiéis e com isso adeus o "ganha-pão" que fazem tanta questão de exigir desses incautos.

Não iremos longe, para não alongar demais esse texto, mas vejamos alguns exemplos:

è Dt 5, 9: "... porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem", comparar com: Dt 24, 16: "Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais: cada qual será morto pelo seu pecado".

è Pv 26, 4: "Não respondas ao insensato segundo a sua estultícia, para que não te faças semelhante a ele", comparar com: PV 26, 5: "A insensato responde segundo a sua estultícia, para que não seja ele sábio aos seus próprios olhos".

è Jo 5, 31: "Se eu testifico a respeito de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro", comparar com: Jo 8, 14: "Posto que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro...".

è Alguém poderá nos informar pelo menos um dentre os profetas que tenha dito a profecia citada por Mateus em 2, 23.

è Quem poderá provar, sem mudar a geografia, que Moisés atravessou o Mar Vermelho, dividindo-o em duas muralhas, quando pela rota traçada pela própria Bíblia nem passou perto do Mar Vermelho?

Se pegarmos passagens isoladas, poderemos cair no erro de uma interpretação equivocada, pois se Jesus oferece o perdão, como fica o "a cada um segundo suas obras"? Se "Deus jamais inocenta um culpado" (Na 1, 3), como iria, sem contradizer-se, simplesmente perdoar?

Outra questão que ainda nos traz certa dificuldade em compreender é que querem fazer de Jesus o bode expiatório da humanidade, dizendo que sua morte na cruz ou seu sangue derramado nos livrará dos nossos pecados. Se isso for verdade "comamos e bebamos", já que estamos todos salvos. Gostaria de saber se um pai sacrificaria um filho a favor dos outros. Essa lei do menor esforço não se coaduna com os ensinamentos de Jesus.

E mais, talvez esse pastor não saiba, mas nós seguimos a Jesus. Entretanto, não damos a mínima bola a interpretações equivocadas ou dogmas teológicos arcaicos. Interessa-nos separar o joio do trigo, de tal forma que a pureza dos ensinamentos de Jesus sobressaia límpido como foi passado aos discípulos, sem adulterações, interpolações, por interesse financeiros e de poder, que os homens fizeram ao longo do tempo.

O que muitos não conseguem entender é que cada um de nós tem o direito de seguir Jesus do jeito que achar melhor. Há os que não aceitam nenhum tipo de encabrestamento religioso, principalmente por parte das religiões tradicionais.

Conclusão

Justificamos que nossas citações Bíblicas foram feitas porque o pastor a busca como elemento de convicção de suas idéias contra a reencarnação. Entretanto, como dissemos no princípio, a reencarnação é uma lei natural.

As pesquisas feitas na atualidade por pesquisadores renomados vêm, cada dia mais, somando milhares de evidências da reencarnação, de tal sorte que, num futuro próximo, a comunidade científica se renderá, aceitando-a plenamente como uma lei natural. Assim, podemos citar, para exemplo, o pesquisador Dr. Ian Stevenson, que já possui catalogado 2.600 casos de crianças que se lembraram espontaneamente de reencarnação anterior, cujos dados foram posteriormente comprovados.

Por outro lado, nascem seres humanos, que fora de qualquer fator atual que possa justificar o conhecimento que possuem, deixam-nos conscientes da realidade da reencarnação. Ninguém consegue fazer algo que não tenha aprendido anteriormente, isso é um fato. Se uma criança faz excelentes pinturas, sem ter aprendido essa arte nesta vida, quando foi que aprendeu? É comum encontrarmos crianças em tenra idade que demonstram possuir um ódio extremado por um dos pais, de onde proveio esse ódio? Como explicar os gênios, sem acreditar em vidas anteriores? Assim, apresentamos vários fatores que nos conduzem à aceitação plena desse princípio, que se baseiam em argumentos que não fogem à razão e à lógica.

Os contrários só nos apresentam a Bíblia como argumento. Mas não entendem que a reencarnação era um conceito aceito à época de Jesus, - o que poderá ser comprovado com o que o historiador judeu Flávio Josefo nos deixou registrado. No cristianismo primitivo era crença plenamente aceita sem problema algum. Mas por interesse da liderança católica, o princípio da reencarnação foi anatematizado posteriormente, e na reforma protestante foi mantido o mesmo erro dos teólogos anteriores. É só pesquisar a história e ver que isso tudo é verdade.

 

 

 

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Fev/2004.

 

 

Referências bibliográficas

JOSEFO, F. História dos Hebreus, Rio de Janeiro, CPAD, 1990.

Bíblia Anotada, São Paulo, Mundo Cristão,1994.

Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, São Paulo, Paulus, 1990.

 

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