Teologia do sangue ou boas obras?
Em texto de Leonardo Boff (Opinião
14.3.08), vemos: "A interpretação teológica da morte de Jesus na cruz,
como sacrifício por nossos pecados, fez-nos esquecer com demasiada pressa os
reais motivos históricos que O levaram ao tribunal religioso e político e, por
fim, ao assassinato na cruz."
Em Mt 7,21-27, o Divino Rabi
fala-nos que: não adianta pronunciar Senhor, Senhor, pois, somente entrará no
reino celestial, aquele que fizer a vontade do Pai, ou seja, que praticar boas
obras. Este se assemelhará ao homem prudente, que edifica a casa sobre a rocha.
Enquanto o que não fizer o gosto de Deus, se comparará ao insensato, que
edifica a casa na areia, onde fatalmente ruirá. Perguntamos: Onde está o sangue
salvador?
Em Mt 19,16-17, o Sublime
Messias responde a um jovem rico, falando-lhe que conseguirá a vida eterna guardando
os mandamentos. Complementa dizendo em Mt 19,21, que se distribuir sua fortuna
entre os pobres e O seguir, conquistará a eternidade. Noutros termos, será salvo
se agradar a Deus. Perguntamos: Onde está o sangue salvador?
Na Bíblia, não há melhor
síntese para nossa chamada salvação, a qual nos mostra o último julgamento, em
que Jesus fala-nos simbolicamente, que apenas se assentará à direita de um rei
(lado representativo do bem, do bom, do certo), aqueles que agirem
benevolamente com o próximo (Mt 25,31-46). Perguntamos: Onde está o sangue
salvador?
Jesus, em Lc 10,28, confirma a
um doutor da lei, que, a salvação virá com o cumprimento dos mandamentos. Em
seguida, conta-lhe a “Parábola do bom samaritano” (Lc 10,30-35), onde as obras
de auxílio de um samaritano a um moribundo, foram superiores ao descaso
demonstrado por um sacerdote e um levita, que também passaram pelo agonizante.
Foi justamente este bondoso samaritano que, com obras, provou estar mais
elevado que os outros dois. Perguntamos: Onde está o sangue salvador?
Como disse J. R. Chaves em um
texto chamado “Teologia do sangue” escrito há tempos idos neste jornal: “Será
que foram mesmo necessárias tanta crueldade e tanta dor de um ser humano
inocente, justo e bondoso, para que a humanidade fosse salva?” Respondemos:
Claro que não! Esta “teologia do sangue”, vai de encontro com as próprias
palavras do Cristo que disse: “... a cada um segundo suas obras.” (Mt 16,27).
Hugo
Alvarenga Novaes.
Publicado
no jornal “O Tempo”, caderno Opinião, em: 20/03/2008.