Vida após a morte

 

 

Concordo com o sr. Eustáquio Duarte quando diz que "o instinto nos prende à vida" (Dos Leitores, 17.1). Entretanto, divirjo frontalmente do autor, pois ele fala que há o "nada" após a morte do corpo. Devemos considerar que a maioria da população brasileira é católica, e os profitentes dessa religião acreditam que, ao morrermos, nossa alma vai para o céu ou o inferno, dependendo daquilo que fizeram enquanto viviam. Eu, particularmente, prefiro crer em Jesus que disse: "a cada um segundo suas obras" (Mt 16,27). Quanto ao céu ou inferno, acho que não existem esses lugares circunscritos, mas sim que ambos são um "estado de espírito". É normal ouvir: "estou no Céu, meu casamento, minha vida, estão ótimos"; ou "minha vida está um verdadeiro inferno, estou devendo muito, eu e minha mulher vamos de mau a pior, estou com doença na família, está difícil". Portanto, a dedução do sr. Eustáquio de que não existe coisa alguma após a morte é simplesmente uma opinião pessoal, assim como é a lamentável condição humana e que os mortos são mais felizes que os vivos. Isso não é uma verdade absoluta.

 

 

Hugo Alvarenga Novaes.

Publicado no jornal “O Tempo”, coluna Dos leitores, em 27/01/2008.



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