Fatos que nos lançam no rumo da tese reencarnacionista
Jorge Hessen (Reformador/out/2004)
Ele poderia ser um pré-adolescente comum se já não
estivesse prestes a cursar um doutorado em Matemática em Oxford. É um
norte-americano de 13 anos de idade e sua precocidade surpreende. Aos 14 meses
Gregory Robert Smith resolvia problemas simples da sua matéria preferida, aos
10 anos começava a graduação pela Randolph-Macon College, em Washington. É
presidente de uma fundação, a Youth Advocates, dedicada à defesa de jovens
carentes; já esteve com Bill Clinton, Michail Gorbachev e a Rainha Noor, da
Jordânia, discutindo o futuro da Humanidade; e foi indicado para o Nobel da Paz
de 2002. (1)
Gregory tem Q.I. muito acima de 200 e pertence a uma classe
de superdotados que representam apenas 0,1% da população mundial. Da estirpe
dele, lembramos Amadeus Mozart, que tocava piano aos 2 anos, falava três
idiomas (alemão, francês e latim) aos 3 anos, tocava violino aos 4, compunha
minuetos aos 5 anos e escreveu sua primeira ópera aos 14. John Stuart Mill
aprendeu o alfabeto grego aos 3 anos de idade. Dante Alighieri dedicou aos 9
anos um soneto a Beatriz. Goethe sabia escrever em diversas línguas antes da
idade de 10 anos. Victor Hugo, o gênio maior da França, escreveu Irtamente com
15 anos de idade. Pascal, aos 2 anos, sem livros e sem mestres, demonstrou em
Geometria até a 32 a proposição de Euclides; aos 16 anos, escreveu um tratado
de “seções cônicas” e logo adiante escreveu obras de Física e de Matemática. Miguel Ângelo, com a idade de 8 anos, foi dispensado pelo
seu professor de escultura porque este já nada mais tinha a ensinar-lhe. Allan
Kardec, examinando a questão, perguntou aos Benfeitores como entender
este fenômeno e estes responderam: “Lembrança do passado; progresso anterior
da alma (...)”.(2)
Gregory começou a falar com apenas 2 meses de idade. Quando
completou 1 ano, já resolvia problemas de álgebra e memorizava o conteúdo de
livros volumosos – tinha na cabeça a coleção inteira de Júlio Verne. Aos 5,
terminou o colegial e era capaz de dissecar tudo sobre a Terra, de sua
pré-história aos dias atuais. Virou estrela: capa do The Times Magazine,
manchete do New York Times e do Washington Post. Foi sabatinado por David
Letterman e Oprah Winfrey, anfitriões de dois dos programas de maior audiência
nos Estados Unidos. “Nunca vi um caso como esse em 40 anos de profissão”,
disse, recentemente à ABC News, Linda Silverman, diretora do Centro de
Desenvolvimento de Superdotados, de Denver, no Colorado. (3)
O próximo alvo acadêmico de Greg é o doutorado em
Matemática, Biomedicina, Engenharia Espacial e Ciência Política. Para o futuro,
duas pretensões: primeiro, fazer carreira na diplomacia internacional e,
depois, sentar na cadeira que hoje é de George W. Bush. “Na presidência, poderei
trabalhar muito pelo meu país e pelos pobres de todo o mundo”, ele antecipa.
(4)
“Nos testes de inteligência, os gênios precoces costumam
estar anos à frente dos colegas de classe”, diz Zélia Ramozzi Chiarottino, 46
anos, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Ela aponta o
adolescente Fábio Dias Moreira como exemplo. Aos 14 anos, ele conquistou 11
medalhas de ouro em olimpíadas de Matemática, quatro delas em disputas
internacionais. Aluno da segunda série do curso médio do Colégio PH, da Tijuca,
Zona Norte do Rio, o filho temporão prefere estudar a ir a festas com colegas e
não gosta de esportes. Sob nenhuma hipótese troca os livros de Matemática por
uma pelada com os colegas, mas ganhou a simpatia da turma, de quem tira todas
as dúvidas de matemática. (5)
A revista ISTOÉ registra ainda que o
excepcional desempenho escolar, o vocabulário rico e as conversas de “adulto”
levaram outro superdotado, Pedro Henrique de Souza Rendt, 8 anos, a uma classe
reservada para gênios-mirins. Na segunda série, ele quer ser veterinário quando
crescer e adora música clássica. “Prefiro as sinfonias de Beethoven a jogar com
os amigos” (6) , confessa o garoto. Casos de crianças precoces sempre despertam
a atenção.
A Academia de Ciência não possui uma
explicação consistente sobre o tema, atribui a uma “miraculosa” predisposição
biogenética potencializada por estímulos de ordem externa. Outra enorme
dificuldade encontrada na Academia é a não concordância na definição do termo
“superdotação”.Alguns pesquisadores distinguem superdotado de talentoso, sendo
o primeiro considerado como aquele indivíduo de alta capacidade intelectual, ou
acadêmica, e o segundo como possuindo habilidades superiores nas áreas das
artes, música, teatro. O debate sobre o que é realmente a inteligência nunca
foi tão promissor como atualmente. Muitas teorias têm ampliado o conceito de
inteligência, fugindo ao esquema ultrapassado de medição dela pelo Quociente
Intelectual, o Q.I., mediante aplicação do Teste de Binet. Gênios como Gregory
teriam Q.I. acima de 200, mas o que esse número responderia sobre a origem
desta “anormalidade”? Se há consenso entre especialistas sobre a maneira de
tratar os superdotados, há divergências em relação aos testes de inteligência.
Um polêmico estudo publicado no final da
década de 80 pelo cientista político James Flynn, da
Nova Zelândia, revelou que o Quociente de Inteligência (Q.I.) medido nos testes
de avaliação aumentou 25 pontos em uma geração. A dúvida é se os jovens de hoje
seriam mais inteligentes que seus pais ou se os métodos de avaliação da
inteligência precisam ser repensados.
Segundo a Dra.
Barbara Clark, da Universidade da Califórnia, EUA, dois indivíduos com
aproximadamente a mesma capacidade genética para desenvolver inteligência podem
ser considerados potencialmente superdotados ou retardados educáveis,
dependendo do ambiente em que interagem; para compreender como alguns
indivíduos se tornam superdotados e outros não, precisam familiarizar-nos com a
estrutura básica e a função do cérebro humano. Ao nascer, declara Clark, o
cérebro humano tem cerca de 100 a 200 bilhões de células. Cada célula tem seu
lugar e está pronta para ser desenvolvida e para ser usada e realizar os mais
altos níveis do potencial humano. Apesar de não desenvolvermos mais as células
neurais, isso não se faz necessário porque as temos; se usadas, permitiriam que
processássemos vários trilhões de informações durante nossas vidas. Usamos
estimadamente menos de 5% dessa capacidade.
A maneira como usamos esse sistema
complexo é crucial para o desenvolvimento da inteligência e personalidade, e da
própria qualidade de vida que experimentamos enquanto crescemos.” (7) Para alguns pesquisadores, os genes são os agentes
fisiológicos e da conduta; o fenótipo é o resultado da interação do meio com o
genótipo. Destarte, os genes determinam os limites das capacidades ou
potenciais do organismo, de qualquer aprendizagem, e deve ocorrer,
necessariamente, dentro dos limites dados pelos genótipos, que sofrerão
influência do meio, o qual dará a expressão final das características. Howard
Gardner, professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, afiança que
não existe inteligência absoluta. Gardner mapeou várias formas de inteligência
e para demonstrar a multivariedade de expressão intelectual desenvolveu a
Teoria das Inteligências Múltiplas, que permite compreender a manifestação da
inteligência humana pelas capacidades verbal-lingüística, lógico-matemática,
visual espacial, rítmica musical, corporal sinestésica, interpessoal,
intrapessoal e naturalista dos indivíduos.
Outro professor da
Universidade de Harvard, Robert Coles, defende a teoria da existência do que chamou de
Inteligência Moral, isto é, a capacidade de refletir sobre o certo e o errado.O
grande embaraço dessas teses é desconsiderar o fato de a inteligência ser
atributo ou conquista do próprio indivíduo, resultante da soma de conhecimentos
e vivências de existências anteriores. Nesse sentido, admitindo-se a
reencarnação, as idéias inatas são apenas lembranças espontâneas do patrimônio
cultural do ser, em diferentes esferas de expressão, alguns em estado mais
latente como nas crianças-prodígio.
Desse modo, ficaria bem mais fácil
compreender toda essa complexidade da mente humana. Só a pluralidade das
existências pode explicar a diversidade dos caracteres, a variedade das
aptidões, a desproporção das qualidades morais, enfim, todas as desigualdades
que alcançam a nossa vista. Fora dessa lei,
indagar-se-ia inutilmente por que certos homens possuem talento, sentimentos
nobres, aspirações elevadas, enquanto muitos outros só tiveram em partilha
tolices, paixões e instintos grosseiros.
A influência do meio, a hereditariedade,
as diferenças de educação não bastam, obviamente, para explicar esses
fenômenos. Vemos os membros de uma mesma família, semelhantes pela carne e pelo
sangue, pelo histórico genético e educados nos mesmos
princípios, diferençarem-se em muitos pontos.Mais recentemente, o Doutor
Richard Wolman, também de Harvard, incorporou às demais teorias em voga o
conceito de Inteligência Espiritual, que seria a capacidade humana de fazer
perguntas fundamentais sobre o significado da vida e de experimentar
simultaneamente a conexão perfeita entre cada um de nós e o mundo em que
vivemos. Não é exatamente o que define a Doutrina Espírita, mas já é um avanço
no entendimento integral do indivíduo. Os fatos nos lançam, inevitavelmente, no
rumo da tese reencarnacionista.
Nos últimos anos, com o desenvolvimento
e o reconhecimento crítico do papel da Ciência como expressão cultural de uma
época, particularmente como conjunto de teorias e sistemas conceituais
coerentes com uma determinada visão de mundo (8), o homem tem-se lançado ao
estudo de si mesmo com maior maturidade e maior equilíbrio quanto ao papel dos
modelos e mapas teóricos e científicos sobre a realidade, sempre relativa. Em
especial, a partir do movimento da contra-cultura dos anos sessenta, a visão de
mundo acadêmica e tradicional, moldada nos rígidos parâmetros do Positivismo,
teve de tornar-se mais flexível ante novos questionamentos
e abrir-se, pelo menos em parte, a idéias e pesquisas que, a rigor, não são, ou
melhor, não eram bem aceitas pelo paradigma cartesiano de nossa ciência
tecnicista, apoiada e financiada por uma sociedade industrialista e mecanicista
e, portanto, ligada a uma visão de mundo igualmente mecanicista.
Se nascem gênios, por que também nascem crianças
com sérios distúrbios congênitos como hidrocefalia, síndrome de Down,
esquizofrenia, cardiopatias graves, autismos? Na reencarnação vemos a Justiça
Divina corrigindo os tiranos, os suicidas, os homicidas, os viciados e
libertinos de vidas passadas.
No século XIX, numerosos pensadores
reuniram-se à reencarnação: Dupont de Nemours, Charles Bonnet, Lessing,
Constant Savy, Pierre Leroux, Fourier, Jean Reynaud. A doutrina das vidas
sucessivas foi vulgarizada para o grande público por autores como Balzac,
Théophile Gautier, George Sand e Victor Hugo. Pesquisadores como Ian Stevenson
9 , Brian L. Weiss, H. N. Banerjee, Raymond A. Moody Jr., Edite Fiore e outros
trouxeram resultados notáveis sobre a tese reencarnacionista. É possível que
num futuro não muito longínquo os estudos nesta direção chegarão aos mesmos
resultados já afirmados pelo Espiritismo, porém, de todo o vasto leque de
tentativas de se estudar superdotados sem considerar a existência do Espírito,
a maior parte tem esbarrado em resultados ou em dificuldades em que se faz
necessário considerar esta hipótese, sem a qual se entra num beco sem saída...
Referências:
1 Revista Veja, edição 1800, de 30 de abril de 2003, p. 63.
2 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 219, Ed.
FEB, RJ, 1987.
3 Entrevista à Revista Magazine . Por João
Magalhães. Disponível em<
http://www.vegetarianismo.com.br/artigos-revistas/genio.Html Acesso em
10/6/2004.
4 Idem.
5 Revista ISTOÉ in : “Cérebro Mentes geniais”,
seção: CIÊNCIA E TECNOLOGIA, publicada em 28/3/2002.
6 Idem.
7 B. Clark. (1997), Growing Up
Gilted.
8
Kuhn, 1962; Prigogine & Stangers, 1993.
9 Stevenson, Ian. Vinte casos sugestivos de reencarnação .
Difusora Cultural, São Paulo, 1978 e Vida antes da vida, Livraria Freitas
Bastos, Rio de Janeiro, 1988.
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