A prática da invocação
dos mortos
“Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá”. (Jesus, em
Jo 11,25)
Introdução
Esse
nosso texto tem o objetivo
de refutar o artigo intitulado “O
Espiritismo e a prática da invocação
dos mortos”, cujo autor,
que nem se deu ao trabalho
de assinar, o disponibilizou na Internet
pelo link http://www.cacp.org.br/invocacao_mortos.htm.
Vamos,
para efeito de melhor
aproveitamento, fazer nossa
refutação item a item,
conforme a seqüência
colocada por esse autor.
Refutando
os argumentos
Vejamos então
os argumentos contrários.
O ESPIRITISMO
E A PRÁTICA
DA INVOCAÇÃO
AOS MORTOS
Reencarnação, que já falamos acima, e invocação de mortos são as duas principais estacas de sustentação de toda a fraude espiritista. Se ambas forem removidas, o Espiritismo rui irremediavelmente. Mostramos nos textos anteriores como a teoria da reencarnação não suporta ser provada pela Bíblia. Neste texto, porém, trataremos da não menos fraudulenta invocação de mortos.
Embora
temos visto os fanáticos
sempre dizerem que o Espiritismo
é uma fraude, ainda não
encontramos um que
seja honesto o suficiente
para provar suas
alegações. São cópias
pioradas, vamos assim dizer, do
“parapsicátolico” Pe. Quevedo. Aliás,
até mesmo achamos que
esses dogmáticos
de carteirinha nem mesmo
devem saber o que significa uma fraude.
Seria bom
que pudessem refutar principalmente
todos os pesquisadores
do psiquismo humano, dentre
os quais podemos citar, por
exemplo, o Dr. Ian Stevenson, da Universidade
de Virgínia, nos EUA, que
coletou cerca de 2.600 (duas mil
e seiscentas) ocorrências de memória
reencarnatória em crianças,
observadas no mundo todo.
Sua obra “Reincarnation and Biology: A Contribution
to the Etiology of Birthmarks and Birth Defects”, (Reencarnação e Biologia:
Uma Contribuição para a etiologia
das marcas e defeitos
de nascença) em dois
volumes, que possuem nada
mais nada menos
que 2.300 páginas (ANDRADE,
H. G. Você e a Reencarnação, Bauru,
SP: CEAC, 2002, pp. 63 e 100), vê-se, portanto, que
se trata de uma obra monumental
sobre o assunto, que
está à disposição dos “iluminados” para contestação,
embora saibamos que esses
“iluminados” nunca contestarão coisa
alguma com caráter científico,
pois só enxergam e só
lêem a Bíblia.
Na questão
da prova da realidade da comunicação
com os mortos,
citamos William Crookes, físico
inglês, que teve à sua
disposição uma médium de efeito
físico, pela
qual ocorreram inúmeras materializações do espírito
Katie King. E ainda poderemos citar,
para os que tiverem a coragem
ler livros que
não os de sua corrente
religiosa, o Pe. François Brune, autor
de “Os mortos nos falam”, de
onde transcrevemos a sua
opinião:
“Interrogar sobre as origens, no pensamento ocidental, desta recente ideologia do nada, não é o meu propósito. O mais escandaloso é o silêncio, o desdém, até mesmo a censura exercida pela Ciência e pela Igreja, a respeito da descoberta inconteste mais extraordinária de nosso tempo: o após vida existe e nós podemos nos comunicar com aqueles que chamamos de mortos.
Escrevi este livro para tentar derrubar esse espesso muro de silêncio, de incompreensão, de ostracismo, erigido pela maior parte dos meios intelectuais do ocidente. Para eles, dissertar sobre a eternidade é tolerável; dizer que se pode vivê-la torna-se mais discutível; afirmar que se pode entrar em comunicação com ela é considerado insuportável.
O padre e teólogo que sou quis, como se diz, certificar-se completamente da verdade. Por que todos esses testemunhos deveriam ser, a priori, considerados suspeitos? Quando o conteúdo das mensagens e das comunicações gravadas reúne, como eu o demonstro, os maiores textos místicos de diversas tradições, existe nisso mais que uma simples coincidência. Eu acompanhei, pois, e estudei apaixonadamente os resultados das pesquisas mais recentes nesse campo. As conclusões deste trabalho ultrapassam minhas previsões: não somente a credibilidade científica das experiências de comunicação com os mortos encontra-se confirmada e não pode ser mais posta em dúvida, mas a prodigiosa riqueza dessa literatura do além reanimou em mim o que os séculos de intelectualismo teológico haviam extinguido.
(...)
Todos sabem, a Igreja nutre a maior desconfiança em relação a esse tipo de fenômenos: Ela prega a eternidade, é verdade, mas não aceita que se possa vivê-la e entrar em comunicação com ela. Eu mostro que não foi sempre assim. (....)”. (BRUNE, F, Pe. Os Mortos nos Falam, Sobradinho-DF: Edicel, 1991, pp.
15-16).
Qualquer
fiel que se libertar
da viseira imposta pelas
religiões dogmáticas verá que
é grande o número de pessoas
que vem trazendo a sua
contribuição, seja em
pesquisas, seja de ordem
filosófica, quanto à comprovação
desses dois pontos
aceitos pelo Espiritismo. Dia
virá em que a Ciência
ratificará tais princípios,
quem sobreviver verá. Pedimos a
Deus para que
possamos estar vivos quando
isso acontecer, só
para ter o prazer de ver
a derrocada dessas religiões
dogmáticas.
O que diz a Bíblia: “Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dá, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem
quem
consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor, e é por causa destas abominações que o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti. Perfeito serás para com o Senhor teu Deus. Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os
adivinhadores; porém, quanto a ti, o Senhor teu Deus não te permitiu tal coisa” (Deuteronômio 18:9-14). (grifo nosso).
Mas
a Bíblia diz tanta coisa,
não é mesmo? Por
que então não
a cumprem integralmente, já
que apregoam ser ela
a palavra de Deus?
Vejamos algumas determinações interessantes, que
ninguém faz questão de cumprir,
o que faz dela inevitavelmente uma palavra
que não é de Deus:
Ex 21,7: Se um homem vender sua filha para ser escrava, esta
não lhe sairá como saem os escravos.
Ex 21,12: Quem ferir a outro de modo que este morra, também será morto.
Ex 21,15: Quem ferir a seu pai ou a sua mãe, será morto.
Ex 21,17: Quem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto.
Ex 22,19: Quem tiver coito com animal, será morto.
Lv 20,13: Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos
praticaram cousa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles.
Lv 20,18: Se um homem se deitar com a mulher no tempo da enfermidade
dela, e lhe descobrir a nudez, descobrindo a sua fonte, e ela descobrir a fonte do seu sangue, ambos serão eliminados do meio do seu povo.
Dt 21,18-21: Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe, e, ainda castigado, não lhes dá ouvidos,
pegarão nele seu pai e sua mãe e o levarão aos anciãos da cidade, à sua porta, e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz: é dissoluto e beberrão. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; assim eliminarás o mal do meio de ti: todo o Israel ouvirá e temerá.
Dt 23,1: Aquele a quem forem
trilhados os testículos, ou cortado o membro viril, não entrará na assembléia do Senhor.
Dt 25,11-12: Quando brigarem dois homens, um contra o outro, e a mulher de um chegar para livrar o marido da mão do que o fere, e ela estender a mão, e o pegar pelas suas vergonhas, cortar-lhe-ás a mão: não a olharás com piedade.
Ao que
nos parece, será a nossa
missão ficar sempre
repetindo essa lista, já que
a maioria dos fanáticos
não a conhece, mas, apesar
dela ser muito maior,
o que está aqui
colocado já dá para provar,
de forma irrefutável, a incoerência
dos que dizem ser a Bíblia
a palavra de Deus, já
que não a seguem por
inteiro.
É por
isso que dizemos: “Não
faça de sua Bíblia
uma arma, a vítima
poderá ser você”.
Uma
coisa que ainda
não conseguimos entender é porque
essa determinação divina
não consta dos Dez Mandamentos,
já que são
eles realmente o que
podemos aceitar como oriundo
da divindade, abstenção feita
de qual povo os tenha
recebido primeiro, já que,
por outros estudos
que fizemos, não
foram os hebreus certamente.
Essa
legislação é mosaica,
tão evidente que,
na Arca da Aliança, a
única coisa que
colocaram dentro dela foram os Dez
Mandamentos (1Rs 8,9), nada
mais que isso,
o que vem corroborar esse
nosso pensamento.
Vejamos as passagens que
comprovam isso:
“... o Senhor
escreveu nas tábuas, ... os dez
mandamentos,... e pus
as tábuas
na arca ... como o Senhor me ordenou”. (Dt
10,2-5)
“Também o Senhor
me
ordenou ao mesmo
tempo
que
vos
ensinasse estatutos
e preceitos, para que os cumprísseis...” (Dt 4,13-14)
“... tendo Moisés acabado
de escrever
num livro
todas as palavras
desta lei, deu ordem... ponde-o
ao lado
da arca do pacto do Senhor...” (Dt
31,24-26)
Como
a Arca da Aliança era
objeto sagrado, dentro
dela só poderia ser
colocado o que provinha de Deus,
foi por esse motivo
que Moisés colocou do lado
de fora da Arca aquilo
que ele mesmo
reputava não provir de Deus,
ou seja, tudo quanto
estava fora das duas tábuas
com a Lei.
Nós,
os espíritas, apesar
da intolerância religiosa
não querer admitir,
nos consideramos cristãos,
e como tal, só
seguimos a Jesus e a ninguém mais,
deixamos aos incoerentes seguir a
quem quiserem, é problema
deles, não nosso.
Observando
as determinações de Moisés constantes
do Dt 18,9-14, apresentadas como prova
da proibição de evocar os mortos,
veremos que todas elas
se resumem à questão de adivinhação,
incluindo aí o motivo
pelo qual se faziam consultas aos
mortos. Quem pesquisou
o Espiritismo sabe muito
bem que isso
nada tem a ver com
as práticas espíritas,
os que dizem o contrário
ou agem de má-fé ou
por pura ignorância,
mas mesmo que
o motivo seja esse último,
ainda sim é lamentável,
pois o reputamos contrário à ética
de uma crítica séria,
uma vez que ninguém
deveria falar daquilo que não
conhece.
Esse
autor não estudou
Kardec, pois se o tivesse feito
teria visto a grande diferença
entre o texto que
apresenta do Dt 18 com aquele
citado pelo codificador, leiamos:
“Quando houverdes entrado na terra que o Senhor vosso Deus vos há de dar,
guardai-vos; tomai cuidado em não imitar as
abominações de tais povos; - e entre vós ninguém haja que pretenda purificar filho ou filha
passando-os pelo fogo; que use de malefícios, sortilégios e
encantamentos: que consulte os que têm o Espírito de Píton e se
propõem adivinhar, interrogando os mortos para saber a verdade. O Senhor abomina
todas essas coisas e exterminará todos esses povos, à vossa entrada, por causa dos crimes que têm
cometido. (Deuteronômio, cap. XVIII, vv. 9, 10, 11 e 12.)”. (KARDEC, A. O Céu e o Inferno, Brasília, FEB, 1995, p. 156)
Observar
que está dito, sem
margem a ambiguidade, qual
era a situação da
consulta aos mortos, leiamos: “se propõem a adivinhar,
interrogando os mortos para saber
a verdade”. Ora, isso
é coisa tão ridícula
se aplicada ao Espiritismo, que
esperamos que os que assim
pensam possam trazer-nos as suas provas
para comprovar isso.
O escritor
Severino Celestino da Silva, autor
do livro Analisando
as Traduções Bíblicas, estuda
essa questão no Capítulo
intitulado: Deuteronômio 18 – Proibição, de onde
transcrevemos os seguintes trechos:
“E acompanhe agora, a análise do Deuteronômio
18, o mais citado dos textos contra o Espiritismo”:

Texto Hebraico Transliterado
“ki
atá bá él-haaréts asher Iahvéh Eloheichá noten lach lô tilmad la’assôt kto’avôt
hagoim hahém. Lô-imatzê bechá ma’avir benô-uvitô baêsh
kôssen ksamim me’onem umnachêsh
umchashêf: vchover chaver vshoêl ôv veid’oni vedorêsh el-hametim”.
Tradução Literal:
ki
= quando; atá = tu; bá =
fores, chegares ou entrares; él-haárets =
na terra; asher = a qual; Iahvéh = nome próprio dado a Deus; Eloheichá =
teu Deus; noten lach =
te dá; lô tilmad =
não aprendas; la’assôt
= fazer; kto’avôt =
sujeiras, manchas, abominações; hagoim
hahém = daquelas nações estrangeiras; lô-imatzê
bechá = não se achará em ti; ma’vir benôuvitô = quem faça passar seu filho ou sua filha; baêsh = pelo fogo; kossen =