Análise de uma mente azeniltiniana

 

 

Conversamos através de mensagens de correio eletrônico com o professor, de crença adventista Azenilto Brito, quando em uma de suas ultimas manifestações disse que a Bíblia não é um restauranteself-service”, referencia a característica de restaurantes onde os cidadãos servem-se , escolhe a seu bel prazer do que irá se alimentar dizendo que analogamente os espíritas estariam se utilizando da Bíblia com incoerência a fim de que seus ensinos se “ajustem ao seu esquema pré-montado”, passando em seguida a orientar como analisar a Bíblia a fim de que “fiquemos com ela segundo o teor global dos seus ensinos”.

 

Precisamos esclarecer ao leitor que as doutrinas da Igreja Adventista ensinam o “sono da almaonde o espírito não sobrevive com ausência do corpo físico, com a morte do corpo o “espírito deixa de ser”, que analisaremos mais adiante, mas o que importa aos espíritas é saber que para os adventistas, todos os espíritos que se manifestam nos diversos centros de estudos da Doutrina Espírita no mundo, não passam de diabos e satãs, pois os mortos estão “dormindo”.

 

Antes de tratarmos deste assunto precisamos informar ao leigo ou iniciante espírita, que as religiões se firmam em dogmas, que hoje tem o sentido de princípio doutrinário que se exige , pois indiscutível e imutável, não podendo se admitir duvida ou ser contraditado, princípios estes que são rigidamente ensinados e firmados no mundo com as mais desastrosa conseqüências para os espíritos humanos, pois não admite intransigência de opiniões e para uma ilustração atual, temos os conhecidos intransigentes xiitas no oriente médio.

 

Para o Espiritismo a palavra dogma vem no seu sentido original gregoopinião”, muito diferente do dogma religioso, e o Espiritismo sendo também uma filosofia seudogma filosófico” é racional, é principio de uma doutrina racionalmente estruturada, muito diferente do sentido distorcido no dizer do professor Azenilto, de que este é “pré-montado” no sentido de dar a ele falsidade filosófica insustentável pela sua ótica bíblica de ensinos calcados na dogmática religiosa.

 

Nossa época supera a da eletrônica embarcada, estamos vivendo os primeiros momentos da era do espírito liberto, por isso assistimos os efeitos deste nascimento, as dores do parto que se refere João em Apocalipse, da nova humanidade, surgem no mundo os seres que irão desmontar todo o enorme edifício da incredulidade erigido em milênios e recentemente reformado pelos materialistas e ateístas oficializados com o embalo dos efeitos das hipocrisias pragmáticas erigidas pelas religiões do medo.

 

Será que a proposta do professor Azenilto é realizável? Sob que ótica? A da filosófica racional ou da ótica puramente religiosa dogmática, como explicamos?

De antemão percebemos que a proposta parece ser tratar de uma posição eqüidistante a análise, pois deitada em raízes estáticas dificilmente fugirá a oportunidade de sacar de seus princípios mais propiciatórios ao aborto do espírito. Como exemplo do que dissemos acima citamos a abordagem que o professor faz a respeito da parábola contada por Jesus do “Lázaro e o rico”, o articulista Paulo Neto em seu artigo a respeito da imortalidade da alma questiona “Se os mortos não se comunicam a parábola do rico e Lázaro não tem sentido algum, pois o rico pede a Abraão para enviar Lázaro para alertar aos seus irmãos, e Abraão não disse que isso não é possível, mas que não adiantaria nada”, ao que somos obrigados a se contentar com a explicação típica de uma mente azeniltiniana como esta:

 

 Você desconhece uma regra de Teologia que NÃO SE ESTABELECEM DOUTRINAS À BASE DE PARÁBOLAS e textos simbólicos, alegóricos, ou passagens isoladas.”

 

Lembramos que humanidade dos tempos bíblicos era imberbe espiritualmente,  simples no entendimento dos fenômenos para elesexplicáveis” nas formas dos cultos e ritos mágicos, sacramentos e cerimônias mágicas, época em que Deus falava diretamente com seu servo Moisés, cara a cara, ordenando matanças coletivas, genocídios tenebrosos, destruição total dos povos contrários aos hebreus, numa exclusividade até hoje cultivada na expressão das doutrinas da eleição de Deus, os salvos, a pré-destinação, etc.

 

Neste parâmetro se deve “analisar” a Bíblia?

Estas experiências primitivas com a divindade de que se abastecem os dogmas religiosos, retirados de um psiquismo preconceituoso e não raro de ordem patológica de conseqüências sectárias, neste momento se refletem como uma verdadeira heresia cientifica quando vemos esforços de se aplicar aos alunos de escolas públicas o ensino do Criacionismo em detrimento do Evolucionismo.

 

Misturam-se no imaginário religioso dogmático figuras mitológicas que nada possuem de realidade ante as concretas descobertas das possibilidades do espírito. Ao lado de crenças comoanjos”, “demônios”, “satãscaminha a estruturação de um conhecimento que tem raízes no plano do espírito e se assentam lentamente, pois é um processo natural, ao entendimento do homem cósmico que nasce nos dias de hoje. Quando indagamos o professor Azenilto a respeito da manifestação do espírito como ser imortal, fatos estes relatados nos evangelhos, deparamos com as seguintes coletâneas de dizeres compatíveis com o que acabamos de expor, os negritos são nossos:

 

― “Paulo conta que teve uma visão, um ‘‘arrebatamento’’ de espírito, o que simplesmente indica que ele estava vivinho da silva, e não que sua alma desse uma viajada pelo espaço deixando o corpo dependurado em algum cabide.”;

― “O "homem da Macedônia" não é nenhuma alma desencarnada. Onde está dito isso