Aura

"nem tudo que bilha é ouro"

Introdução

Encontramos no site Veritatis Splendor vários artigos contra o Espiritismo, entre eles o que iremos contra-argumentar agora intitulado "3x4 da Áurea" de autoria de Cledson Ramos (http://www.veritatis.com.br/artigo.asp?pubid=475).

A primeira coisa que nos chama à atenção é a falta de informação do autor, pois se se desse ao trabalho de pesquisar teria visto que o termo correto não é "áurea", mas sim aura, daí podemos concluir que o autor fala do que não teve o trabalho de conhecer. Segundo a definição do Houaiss é: parap suposta manifestação de substância etérea que irradia de todos os seres vivos, somente perceptível por pessoas de sensibilidade especial.

Comentários do texto

Vamos tecer nossas considerações às colocações desse autor.

3X4 DA "ÁUREA"

Dizem os espíritas que o ser humano é formado por corpo, alma e períspirito. Este último seria uma espécie de "grude" ligando o corpo e a alma. Uma análise de tal substância (?!) revelaria preciosas informações sobre o estado de ânimo e mesmo sobre a "evolução espiritual" da pessoa. Assim, é que se fala, por exemplo, em "leitura" da áurea, bioplasma, ectoplasma, períspirito ou coisa que o valha!

Em A Gênese, lemos:

39. - O Espiritismo experimental estudou as propriedades dos fluidos espirituais e a ação deles sobre a matéria. Demonstrou a existência do perispírito, suspeitado desde a antigüidade e designado por S. Paulo sob o nome de corpo espiritual, isto é, corpo fluídico da alma, depois da destruição do corpo tangível. Sabe-se hoje que esse invólucro é inseparável da alma, forma um dos elementos constitutivos do ser humano, é o veículo da transmissão do pensamento e, durante a vida do corpo, serve de laço entre o Espírito e a matéria. O perispírito representa importantíssimo papel no organismo e numa multidão de afecções, que se ligam à fisiologia, assim como à psicologia.

40. - O estudo das propriedades do perispírito, dos fluidos espirituais e dos atributos fisiológicos da alma abre novos horizontes à Ciência e dá a chave de uma multidão de fenômenos incompreendidos até então, por falta de conhecimento da lei que os rege - fenômenos negados pelo materialismo, por se prenderem à espiritualidade, e qualificados como milagres ou sortilégios por outras crenças. Tais são, entre muitos, os fenômenos da vista dupla, da visão a distância, do sonambulismo natural e artificial, dos efeitos psíquicos da catalepsia e da letargia, da presciência, dos pressentimentos, das aparições, das transfigurações, da transmissão do pensamento, da fascinação, das curas instantâneas, das obsessões e possessões, etc. Demonstrando que esses fenômenos repousam em leis naturais, como os fenômenos elétricos, e em que condições normais se podem reproduzir, o Espiritismo derroca o império do maravilhoso e do sobrenatural e, conseguintemente, a fonte da maior parte das superstições. Se faz se creia na possibilidade de certas coisas consideradas por alguns como quiméricas, também impede que se creia em muitas outras, das quais ele demonstra a impossibilidade e a irracionalidade. (KARDEC, A. A Gênese, Brasília: FEB, 1994, pp. 32-33)

17. - O Espiritismo ensina de que maneira se opera a união do Espírito com o corpo, na encarnação.

Pela sua essência espiritual, o Espírito é um ser indefinido, abstrato, que não pode ter ação direta sobre a matéria, sendo-lhe indispensável um intermediário, que é o envoltório fluídico, o qual, de certo modo, faz parte integrante dele. É semimaterial esse envoltório, isto é, pertence à matéria pela sua origem e à espiritualidade pela sua natureza etérea. Como toda matéria, ele é extraído do fluido cósmico universal que, nessa circunstância, sofre unia modificação especial. Esse envoltório, denominado perispírito, faz de um ser abstrato, do Espírito, um ser concreto, definido, apreensível pelo pensamento. Torna-o apto a atuar sobre a matéria tangível, conforme se dá com todos os fluidos imponderáveis, que são, como se sabe, os mais poderosos motores.

O fluido perispirítico constitui, pois, o traço de união entre o Espírito e a matéria. Enquanto aquele se acha unido ao corpo, serve-lhe ele de veículo ao pensamento, para transmitir o movimento às diversas partes do organismo, as quais atuam sob a impulsão da sua vontade e para fazer que repercutam no Espírito as sensações que os agentes exteriores produzam. Servem-lhe de fios condutores os nervos como, no telégrafo, ao fluido elétrico serve de condutor o fio metálico. (KARDEC, A. A Gênese, Brasília: FEB 1994, pp. 213-214).

Aceitaremos de bom grado, e sem nenhum constrangimento, qualquer opinião contrária das demais Ciências acadêmicas, até mesmo porque Kardec já dizia:

"O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita". (KARDEC, A. A Gênese, Brasília: FEB, 1994, p. 40) (negrito nosso).

Mas se as objeções aos princípios da Doutrina forem emanadas de pessoas que não possuem respaldo científico, que apenas defendem princípios dogmáticos de sua religião, então, a esses, não daremos ouvidos.

Pois bem. Eis que na Rússia, médicos, ao examinarem um paciente, através da chamada Câmera Kirlian, viram-se diante de uma certa imagem luminosa envolvendo o paciente.

Aqui o autor conta a história da origem da fotografia kirlian, entretanto em nossa pesquisa não houve concordância com o que foi dito, vejamos:

A Kirliangrafia: Sua Origem e Utilidade

Próximo ao final do ano de 1939, em uma pequena cidade ao sul da antiga União Soviética, Semyon Davidovit Kirlian, um eletricista famoso por seus bons serviços de manutenção em equipamentos eletro-eletrônicos, obtinha acidentalmente (ou não), a primeira Foto Kirlian da história. Ao ser chamado para consertar um aparelho de eletromedicina de um hospital local, Kirlian encostou a mão em uma peça energizada e foi vítima de uma fortíssima descarga elétrica. No momento do choque, ele observou que entre seus dedos e a peça energizada, formavam-se interessantes e maravilhosas "luminescências azuladas". Sem saber o que havia descoberto, e sem se preocupar muito com a dor, ele novamente encostou sua mão na peça energizada, só que desta vez com um filme fotográfico entre eles e na mais completa escuridão. Ele colocou o filme no revelador e a medida que a foto era formada, Kirlian se deparava com maravilhosos matizes e raios, que aos poucos iam tomando a forma de sua mão. É claro que naquela época Kirlian nem se quer imaginava o que havia descoberto, e mesmo sem saber o que aquelas estranhas formas podiam revelar, ele iniciou suas pesquisas, sempre muito bem apoiado por sua esposa Valentina que sempre estava disposta a ser sua "cobaia" nas fotos.

O tempo foi passando e Kirlian desenvolveu aparelhos que pudessem lhe proporcionar as fotos sem a desagradável dor e os malefícios das descargas elétricas. Certa vez se deparou com uma foto estranha, diferente do "padrão" que estava acostumado a obter. Kirlian testou todos os componentes da máquina, tirou novas fotos e as mesmas estranhas formas estavam presentes. Poucos dias depois ele adoeceu com sérios problemas cardíacos, provavelmente conseqüentes das experiências com a alta voltagem, só que a estranha foto que tirou de seu próprio dedo já lhe mostrara isso, mesmo antes dele adoecer. Quando os cientistas ficaram sabendo desse fato, com o aval dos líderes estaduais passaram a dar certa atenção às pesquisas que Kirlian e sua esposa vinham fazendo. Certa vez um cientista levou duas folhas aparentemente de um mesmo vegetal para que Kirlian as fotografasse. Ao revelar as fotos, uma delas apresentava maravilhosos contornos luminescentes, enquanto a outra apenas manchas ou borrões luminosos podiam ser vistos. Somente após chamar o cientista à sua casa é que Kirlian ficou sabendo que o vegetal cuja folha proporcionou a foto ruim já havia até morrido, contaminado com uma doença. Somente então é que o trabalho que Kirlian vinha realizando tornou-se realmente reconhecido e se tornou instrumentos de pesquisas mais sérias.

De lá para cá muita coisa aconteceu, muitas pesquisas foram feitas, muitas dúvidas foram levantadas e muitas especulações foram feitas em cima do que realmente estava se obtendo com as fotos Kirlian. Aqui no Brasil, inclusive, muitas pesquisas já foram feitas, os pioneiros dessas pesquisas foram o Engenheiro Ernani Cardoso e a Dra. Thelma Moss (juntos ao IBPP - Brasília).

Alexandre Costa

(fonte: http://www.syntonia.com/textos/textossaude/textoskirlian/kirliangrafiaorigem.htm)

A história verdadeira vem confirmar que o autor do texto está mesmo falando daquilo que não conhece, lamentável. Mas prossigamos:

Foi o bastante para os espíritas saírem com mais uma de suas fabulosas explicações: era o retrato da áurea. A prova definitiva e irrefutável. Logo pipocam as publicações kardecistas sobre tão importante descoberta! Divulgaram (e ainda há quem divulgue!) o máximo possível aquelas imagens que ficaram conhecidas como "Fotografía Kirlian".

Mas o mal informado autor não sabe que no início não foram os Espíritas que disseram que era a foto da aura, conforme iremos provar. No Brasil, entre vários pesquisadores, podemos citar o prof. Newton Milhomens, pioneiro tupiniquim que estuda e pesquisa as fotos Kirlian. É o autor do livro "Fotos Kirlian como interpretar", São Paulo: IBRASA, 1988, de onde transcrevemos:

"Quando, em 1968, construí minha primeira Máquina Kirlian e obtive as primeiras fotos da Aura Humana, fiquei extasiado ao ver a beleza daquele novo Universo de cores e formas que apareceram nas fotos. Era algo realmente fantástico!" (p. 35)

No século passado, o assunto voltou a ser abordado, de novo, no Ocidente, com o surgimento, em Nova York, da Sociedade Teosófica. O maior divulgador da Aura, em termos teosóficos, no século XIX, foi Charles Leadbeater, colaborador de Mme. Helena Blavatsky, a fundadora da Sociedade Teosófica. Leadbeater escreveu um livro intitulado O Homem Visível e Invisível, onde esgota o assunto do ponto de vista teosófico.

Convém lembrar que a filosofia doutrinária da Teosofia é toda baseada nos conhecimentos orientais, principalmente da Índia, de onde Mme. Blavatsky a trouxe para o Ocidente.

Só com esse conhecimento é que o assunto Aura tomou a ser mencionado no Ocidente e discussões acesas ocorreram em tomo do mesmo.

A Ciência pretensiosa, materialista e preconceituosa daquele século, propunha-se simplesmente a considerar o assunto como uma heresia científica, destituída de qualquer fundamento científico. Os teosofistas e os espíritas, por seu lado, defendiam, por todos os meios, a existência da Aura. Assim, neste estado de ânimo, iniciou-se o século XX e até alguns anos atrás a situação era a mesma.

Em 1960, a União Soviética divulgou ao mundo científico os trabalhos sérios que o pesquisador soviético Semyon Davidovitch Kirlian e sua esposa Valentina Kirlian estavam realizando em Alma Ata, cidade russa onde todas as pesquisas do casal estavam sendo realizadas.

Esse comunicado teve o efeito de uma bomba nos meios científicos ocidentais, principalmente nos Estados Unidos, que, na época, estavam a refazer-se do golpe do Sputnik e dos avanços científicos e tecnológicos da Rússia.

Por esse motivo, grandes cadeias jornalísticas americanas enviaram à U.R.S.S. seus mais credenciados jornalistas para se inteirarem do assunto. Sheila Ostrander e Lynn Schroeder estiveram na Rússia e, in loco, verificaram que as pesquisas sobre o assunto, na União Soviética, eram ainda muito mais avançadas do que a princípio se podia sonhar.

Contactaram com o próprio Kirlian, percorreram diversos laboratórios e institutos de pesquisas oficiais, mantidos pelo próprio governo soviético,. e ficaram assombradíssimas com o que encontraram.

Em seguida, o National Enquirer enviou à Rússia os repórteres Henry Gris e William Dick, que confirmaram e até acrescentaram mais fatos contundentes aos relatos das duas jornalistas.

Além de comprovarem que o casal Kirlian havia inventado uma máquina capaz de fotografar a Aura humana, de animais e de plantas, o assunto Aura era tão sério na União Soviética que as Fotos KirIian estavam sendo utilizadas nos principais hospitais russos como auxiliares no diagnóstico precoce de doenças físicas e mentais, a título experimental.

Henry Gris e WilIiam Dick escreveram um livro intitulado: Novas Descobertas Parapsicológicas: A Experiência Soviética, onde dissecaram exaustivamente o assunto. (pp. 45-46)

Assim, percebemos que no início as fotos Kirlian eram tidas mesmo como fotos da Aura Humana, nós os Espíritas não temos culpa disso, pois nasceu fora do nosso meio.

Visitando o site do Prof. Newton Milhomens (www.kirlian.com.br) percebemos que a postura inicial foi modificada, senão vejamos:

O QUE SERÁ O HALO COLORIDO?

Diversas hipóteses têm sido propostas, mas a que mais consistência apresenta, cientificamente falando, na atualidade, é aquela que é conhecida como O Modelo Bioeletrográfico, ou Modelo GDV (do inglês Gas Discharge Visualization), de autoria do Físico russo, Dr. Konstantin Korotkov, PhD e explicada fisiologicamente pelo Prof. António Marquês, de Portugal.

QUEM DESCOBRIU ESTE PROCESSO?

O Dr. Konstantin Korotkov, PhD, Diretor do Departamento de Física da Universidade de São Petersburgo, na Rússia (à esquerda), descobriu a ionização dos gases e/ou vapores nas Máquinas Kirlian.

O Prof. António Marquês, professor da Escola Superior de Biologia e Saúde, de Lisboa, Portugal, (à direita), explicou em detalhes, a liberação dos gases e/ou vapores, a partir do metabolismo celular.

O QUE NÃO É UMA FOTO KIRLIAN

A Foto Kirlian, em absoluto, não é a Foto da Aura, também não é a Foto dos "Corpos Sutís" (corpo astral, corpo etérico, etc) nem da Auréola dos Deuses Indianos, que aparece em torno de suas cabeças, segundo a Tradição Religiosa dos Indianos.

Também não é a Foto da Auréola ou da Aura que aparece em torno das cabeças dos Santos da Igreja Católica, segundo a Tradição Católica.

Também não é a Foto de um Anjo, de um espírito ou de qualquer outra entidade Sobrenatural e também NÃO É a Foto Kirlian da "incorporação" de qualquer "entidade" em médiuns.

Uma Foto Kirlian ou uma Bioeletrografia ou, ainda, um Bioeletrograma nada mais é do que a fotografia da ionização dos gases e/ou vapores exalados pelo corpo, através dos poros da pele. As cores e as estruturas geométricas que nela aparecem nos permitem diagnosticar problemas de saúde orgânica e/ou psíquica. (grifo nosso).

Observa-se claramente a mudança de postura em relação à questão de ser foto da Aura Humana. E quanto a nós, os Espíritas, estamos orientados pela Codificação a acompanhar as novas descobertas, por isso seguimos, sem pestanejar, essa nova visão, sem nenhum problema.

No entanto, já em 1996, cientistas como o argentino Norberto Loza conseguiam "fotografar a áurea" de plantas e até de chaves metálicas. Sim, na verdade qualquer objeto que conduza calor pode ter sua "áurea fotografada" pelo processo da Câmera Kirlian. Logo se vê que estamos diante de mais um absurdo espírita, pois seria insensatez total considerar, por exemplo, que uma chave metálica possua "períspirito ligando seu corpo a sua alma".

Mais uma vez é a palavra da ciência derrubando os postulados espíritas.

Eis como o Sr. Norberto Loza inicia o seu artigo:

"Realmente surpreende que tantos investigadores de fenômenos paranormais (sérios e não tão sérios) se tenham deixado enganar durante tantos anos por um dispositivo tão simples como este".

Em seguida, passa a demonstrar como funciona o dispositivo das "Fotografías Kirlian". Se uma imagem vale mais do que mil palavras, limitamo-nos a exibir as figuras abaixo:

Bom que está levando por conta de ser a aura é o autor do texto, mas para que pense um pouco, vejamos o que encontramos:

Algumas Fotos Obtidas com a Máquina Kirlian - Alexandre Costa


fotos com característica de "Excesso de Yang" entre outros "Distúrbios Energéticos"

"Conflitos Emocionais" "Energia Intrusa" "Tendência à Depressão"

"Medo ou Fobia" "Total Desequilíbrio Emocional" "Tendência à Tumores"

"Pseudo-Equilíbrio" "Foto de uma moeda" "Foto de uma folha"

Observar que a foto da folha e da moeda não apresentam "Distúrbios Energéticos"
e que seus
"Halos Luminosos" são, de certa forma, homogêneos.
Compare com uma foto de uma pessoa e pense sobre isso...

Está aí a resposta aos interessados, só cego é que não enxerga diferença entre as fotos de objetos e a de um ser humano, mas se é ou não a foto da aura pouco importa.

Podemos colocar aqui uma série de fotos que tiramos a título de experiência, já que uma foto vale por mil palavras:

 

Essas fotos foram obtidas para ver se a influência de um espírito sobre o médium iria afetar a foto Kirlian. Se é aura ou não nenhuma diferença faz, pois é irrefutável a mudança do halo energético. A primeira foto é a do médium em estado normal, as outras em estado de transe, sendo que cada uma delas estava sob influência de um espírito diferente. O tempo gasto entre uma foto e outra foi o necessário para se mudar a área de exposição do filme para a nova foto.

Nesta nova seqüência buscamos ver se o passe teria alguma influência sobre o paciente, foram tiradas uma vez por semana, durante 5 semanas. Observar a estrondosa diferença entre a primeira foto e a última.

Já se passam anos... e as publicações espíritas ainda não vieram se retratar perante seus ávidos leitores. Esperamos que não tardem. Quem foi tão rápido e eficiente para divulgar um acidente (fraude ?) como prova disso e daquilo, também deveria agir de igual modo na hora de se retratar. Fica-se na expectativa.

Autor: Cledson Ramos

Não sabemos se o autor agiu por ignorância ou por má-fé, pois sem ter que rebuscar todas as revistas espíritas para comprovar sua afirmação, uma simples busca na Internet resolveria o problema. Vejamos, então, se as alegações são verídicas.

Buscamos essa entrevista no site o Portal do Espírito:

A foto Kirlian

Ricardo di Bernardi

«Revista de Espiritismo» nş. 32

Julho-Agosto-Setembro 1996

Federação Espírita Portuguesa

O doutor Ricardo Di Bernardi, médico pediatra e homeopata, interessa-se muito pela investigação do chamado efeito-kirlian. Trata-se de uma energia que rodeia os corpos e que é atribuída por muitos à irradiação da aura dos seres vivos. Em circuito de palestras e seminários no nosso país, no passado mês de Junho, encontramo-lo no Porto e a entrevista aconteceu.

Este médico não vem a Portugal pela primeira vez: residindo em Florianópolis, Santa Catarina (Brasil), Ricardo Di Bernardi já visitara Portugal e o seu movimento espírita em Março de 1994. Não é, assim, um novato nesta área, bem pelo contrário, pois note-se que, nos seus tempos livres, há alguns anos, participou na fundação do Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis, sem esquecer que é o bem-quisto autor de dois livros: «Gestação, Sublime Intercâmbio» e «Reencarnação e Evolução das Espécies». No futuro, acalenta a idéia de fundar um Colégio Espírita e a Associação de Médicos Espíritas da sua cidade.

Em Portugal, palestrou sobre dois temas: Efeito-kirlian - fluido vital, a sua movimentação pela homeopatia e pelo passe com estudos kirliangráficos e Gestação, reencarnação e evolução das espécies. Chegando a Lisboa no dia 15 de Junho, conferenciou em 16 de Junho em Loulé, em Lagos, no Hotel Golfinho, a 18 Junho, um dia depois no Porto (Núcleo Espírita Cristão), no dia 19, em Leiria, dia 21 Viseu e dia 22, no auditório da FEP, ministrou um seminário.

A nossa conversa, contudo, estendeu-se em torno das «fotografias da aura». Lembramos que uma das experiências mais interessantes com esta tecnologia ocorreu quando alguns investigadores - como a doutora Thelma Moss, nos EUA - obtiveram fotos do chamado efeito-fantasma: a reconstituição energética de uma ponta de folha cortada a nível kirliangráfico. E aí residiu o apogeu desta pesquisa.

Em Florianópolis, a equipe de trabalho que Ricardo Di Bernardi integra conta uma média de fotos estudadas difícil de contar: 20 mil.

«Revista de Espiritismo» - A kirliangrafia foi abandonada por vários pesquisadores. Por que é que se interessa por ela?

Dr. Ricardo Di Bernardi - A foto-kirlian, na realidade, é questionável. Há muitos factores que interferem na interpretação, na avaliação dessa foto. Ela mede muito a quantidade de água existente no dedo, a maior ou menor pressão do dedo, que altera a foto, e esta foto também representa muito o momento do indivíduo. A foto-kirlian, é bom que se diga, não é a fotografia da alma, nem do perispírito, ela é uma foto de uma emanação energética que o conjunto indivíduo produz, e nesse conjunto existem n factores a considerar.

Apesar disso, nós temos observado que elas são úteis na avaliação antes e após o passe, na transfusão de energia (ver caixilho na próxima página).

Apesar disso, as fotos às 20h00, antes da sessão mediúnica, e às 22h00, após a sessão mediúnica, ela difere de uma forma significativa. Por exemplo, diminuem as irregularidades da foto, as cores tornam-se mais claras, as fotos ficam mais homogêneas e ganham mais em energia, em campo de vibração. Então, como isso se repete, nós continuamos trabalhando, sabendo embora que esses senões subsistem.

Nós temos feito também trabalhos interessantes, apresentados em congressos médicos, antes da prescrição homeopática e após. Nós fazemos a foto antes de ingerir o medicamento homeopático, 5 minutos, 10, 15 e 30 minutos após a ingestão desse remédio. E nós comprovamos que a aura cresce em energia. O diâmetro da energia aumenta significativamente, demonstrando que movimenta o campo de energia da pessoa. Se é o fluido vital, é questionável, eu até acredito que também seja. Mas o que é importante é que eu consigo observar nessas fotos uma ação do remédio homeopático, inclusive apresentei um trabalho, num congresso, com um placebo e com remédio homeopático. Nós colocamos um frasco com água e álcool e outro frasco com remédio homeopático, nem eu, nem o paciente, nem quem bateu as fotos sabia qual era o frasco do remédio (Licopodyum clavato, a 10 mil dinamizado, uma verdadeira bomba energética) e do placebo. Vinte e um dias depois o paciente voltava e tomava outro frasco B, abria-se os envelopes e verificou-se que, quando ele tomava o placebo, a foto dele permanecia igual; quando ele tomava outro frasco com aquele remédio, as fotos-kirlian demonstravam que havia um ganho de energia importantíssimo, aos 5, 10, 15 e 30 minutos. Quer dizer, não é o efeito psicológico que funciona aqui. Outro detalhe: as fotos foram feitas graciosamente, bem como todos os envolvidos nas experiências. Portanto, a foto- kirlian ainda tem utilidade. Há críticas sérias, por pessoas de alto nível, como Guimarães Andrade, que é uma pessoa respeitabilíssima sob todos os pontos de vista. No entanto, não nos parece que este fenômeno mereça ser abandonado em termos de investigação.

É de evitar o que está a acontecer: pessoas inescrupulosas trabalham com foto-kirlian sem nenhuma responsabilidade, comercializando-a de uma forma absurda, com interpretações igualmente absurdas. Então, com isso nós não compactuamos. Mas não podemos generalizar. É como se um médium fraudasse, enganasse, não poderíamos dizer que a mediunidade é, por isso, um mal.

RE - Como é recebido com exposições sobre o efeito- kirlian em congressos médicos?

RB - Nós apresentamo-los só em congressos homeopáticos: num congresso Brasil-Argentina, em Curitiba, e num congresso em Gramado, no Rio Grande do Sul. Nos dois locais houve uma aceitação muito grande e muita dúvida, mas todos ficaram até entusiasmados com os efeitos. A grande maioria dos colegas desconhece completamente o fenômeno, mas em princípio a documentação apresentada impressionou positivamente.

RE - Pode citar um caso da sua clínica em que o efeito kirlian possa ter ajudado a fazer o diagnóstico?

RB - Nós tivemos uma paciente que apresentava um quadro de distúrbio de conduta emocional e que, além do psicólogo, ela procurou-me como médico homeopata. Então foi feita a foto-kirlian e notou-se (pense num relógio, ponteiros na altura das 2h00 da tarde), uma massa avermelhada, de uma energia que lá de fora e adentrava na parte interior da aura dela, assim como uma imagem de amendoim (alguns consideram complexo de culpa, outros chamam a isso energia intrusa). E realmente, a partir desse momento, nós conversamos com a paciente e observamos que ela tinha um processo obsessivo. Então, não estamos convencidos ainda disso, mas parece repetir-se no caso de obsessão. Ainda está em estudo. Mas nesse caso era evidente o processo, e como ela não era espírita, nós abordamos o assunto como energia intrusa, pensamento, magnetismo, mente, e falamos lhe da importância de ela mudar a freqüência do pensamento dela, para não sintonizar com aquela energia. E então ela dizia mas que energia é essa? Eu disse-lhe Nós podemos conversar sobre isso noutra oportunidade, mas agora, precisa mudar de freqüência, etc.. Depois de algum tempo, nós até emprestamos uns livros para ela, adequados para não a assustar com a idéia dos espíritos obsessores. Ela depois veio a entender que aquele processo obsessivo assentava na sua atitude mental.

Entrevistá-la bastava, obter dados anamnésicos, mas se se pode dispor de uma imagem, é mais um dado. Contudo, nós não somos de opinião de se deva usar a foto-kirlian para diagnosticar mediunidade ou obsessão: nós acreditamos que é um dado complementar. É como alguém que pensa Ah, médium agora vai deixar de existir, não vai trabalhar mais «por causa da transcomunicação instrumental» isso é utópico (e há gente que reage à transcomunicação por isso).

A kirliangrafia só por si não vem resolver o problema de ninguém, mas é um dado complementar. Um filho meu esteve com pneumonia e a radiografia estava normal; eu diagnostiquei pneumonia não pela radiografia, mas pelo estado clínico do paciente.

RE - Há quem defenda que a foto-kirlian pode assinalar uma doença antes que ela atinja o corpo físico. Como comenta isso?

RB - Muitos investigadores consideram isso. Na União Soviética foram feitos trabalhos e obtiveram imagens que depois se constataram pragas conseqüentes, que não tinham ainda fisicamente, mas que já eram assinaladas nas kirliangrafias.

No nosso grupo de trabalho, a pessoa principal, mais estudiosa, é o físico Walter Lange. Ele está convencido de que certas imagens na foto-kirlian parecem representar determinados quadros: por exemplo, depressão tem uma imagem específica, há uma lacuna, um buraco na aura; angústia, tristeza, a aura fica estreitinha, fina; em estafa mental ocorre uma dilatação; no conflito emocional vê-se como se fosse um orifício no centro da aura, e assim por diante.

Portanto, repetem-se muito as imagens e há uma correspondência com os quadros clínicos.

Então, se não estamos, neste grupo, convencidos ainda, estamos propensos a admitir que realmente a imagem energética preexiste à imagem física (mesmo que seja electricidade, electrostática, não interessa).

RE - Ao voltar a visitar algumas associações portuguesas, como comenta o movimento espírita?

RB - Vemos, felizes, o movimento a crescer, até pelos periódicos de imprensa espíritas portugueses.

Parece-me que para o norte existem algumas características um pouco diferentes do sul, mas todas elas compatíveis com a doutrina espírita. O pessoal do sul parece-me mais solto, mais aberto para outros assuntos, mas parece-me que os do norte têm mais receio de fugir das bases kardecistas, e longe de nós recomendarmos que fujam, mas acredito que algumas informações adicionais poderão enriquecer essa base.

Eu lembro aquela frase de Kardec que diz que quando a ciência demonstrar que o espiritismo está errado num ponto, o espiritismo se modificará nesse ponto.

O espírita, hoje, não está ao nível de Kardec, está muito abaixo, eu gostaria que fosse só a metade. Quando a ciência demonstrar que o espírita está certo num ponto, ele que use esse ponto, já estava muito bom. Tão avançado como Kardec, ninguém vai ser.

Eu posso até estar errado sobre essas diferenças entre o norte e o sul...

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/fep/foto-kirlian.html

Mas pode haver alguns espíritas que seguindo o exemplo da "infalível" Igreja Católica irão esperar uns 400 anos para se retratarem do que disseram.

Conclusão

Sinceramente quando nos deparamos com textos levianos como esse, ficamos com pena dos autores, pois ao invés de demonstrar aos outros que a sua religião é boa, tentam desesperadamente provar que as outras é que não prestam. Isso tem como causa o fato de não possuírem argumentos.

Estão sempre levando à responsabilidade do Espiritismo opiniões pessoais de adeptos como se a Doutrina fosse também responsável pelo que fala os que a seguem. Se isso for verdade então, cremos que, por justiça, a mesma regra deve ser aplicada a todas as religiões, correto?

Vejamos então, para encerrar, mais uma foto que vale por mil palavras:

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Mai/2005

Referência bibliográfica

KARDEC, A. A Gênese, Brasília: FEB, 1994

MILHOMENS N. Fotos Kirlian como interpretar, São Paulo: IBRASA, 1988

http://www.syntonia.com/textos/textossaude/textoskirlian/kirliangrafiaorigem.htm

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/fep/foto-kirlian.html

http://www.kirlian.com.br

http://www.veritatis.com.br/artigo.asp?pubid=475

 

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