CATOLICISMO PLATÔNICO
José Reis Chaves
O adjetivo platônico significa idealista, puro e casto, mas tem também a
conotação daquilo que é inútil. E é nesse sentido último que o emprego nesta
matéria, ao intitulá-la de “Catolicismo platônico”.
Muitas modificações têm ocorrido no catolicismo nas últimas décadas, dando-lhe
uma clareada, renovando-o e adaptando-o à evolução do mundo atual, o que se
deve ao Concílio Ecumênico Vaticano II (1963-1965), que abriu as portas para
essas reformas da Igreja, mormente no que tange à valorização das doutrinas não
católicas, algumas das quais
já são aceitas por muitos católicos. Até padres e bispos crêem em certas
doutrinas, mas ficam em silêncio, evitando, assim, problemas para eles.
Realmente, ex-padres, independentes que se tornaram da Igreja, ao deixarem o
sacerdócio, falam abertamente e até em público a favor de certas doutrinas
condenadas pelo catolicismo, o que antes, como padres, era-lhes vedado fazerem.
Mas está dentro da própria Igreja um grupo de católicos que resistem às suas
mudanças, ou seja, os adeptos da Renovação Carismática, comandada no Brasil
pela TV e Rádio Canção Nova, que ainda pregam doutrinas
ultrapassadas sobre Deus e a vida após a morte. Os carismáticos leigos, sem o
saberem - a maioria deles é de pouca instrução, praticam, à moda dos
evangélicos fundamentalistas, fenômenos mediúnicos ou espirituais, na linguagem
bíblica, pois recebem espíritos (o arcebispo de Manaus, AM, sabe disso), os
quais eles pensam serem o próprio Deus (que pretensão!) - denominado por eles
de Espírito Santo, que eles, absurdamente, até O chamam também de Pai, como se
Ele fosse Deus, o Javé, o que deixa os teólogos perplexos! E eles pouca
importância dão à prática do
Evangelho do Mestre, dedicando-se se mais a rituais e sacrifícios, quando Jesus
disse: “Misericórdia quero, e não sacrifícios” (Mateus 9,13).E a coisa está
ficando séria, pois Bento XVI - em sua vinda ao Brasil - negou-se a receber os
carismáticos.
Além do mais, estão virando rotina os conflitos entre eles e o clero, o que
leva os carismáticos à condição de jansenistas modernos, cujo catolicismo
platônico, além de inútil, pois relega para um segundo plano a vivência do
Evangelho, prejudica grandemente a Igreja em suas imprescindíveis renovações,
sem as quais ela continuará em declínio!
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