DEUS NÃO QUER NADA
José Reis Chaves
Dou resposta aos vários comentários de alguns leitores sobre minha
coluna "Papa põe Deus na berlinda", em O TEMPO de 12-6-2006, dentre
eles o
do Sr.Eustáquio Duarte, que agradeço.
Deus, quando criou o homem com intelecto e livre-arbítrio, fê-lo
senhor de seus atos e ações. E é por isso que, de acordo com todas as
escrituras sagradas, nós colhemos o que plantamos (Gálatas 6,7).
Temos dois destinos. O propínquo ou imediato, que é o do nosso tempo
("kronos" em grego) das reencarnações no mundo físico. E temos um
destino
longínquo determinado por Deus, que é a nossa felicidade plena, e que é do
tempo espiritual ou divino ("kairos" em grego). São Pedro nos dá uma
idéia
desse tempo do mundo espiritual: "Para com o Senhor, um dia é como mil
anos,
e mil anos como um dia" (2 Pedro 3,8).
Mas o que isso tem a ver com o assunto desta matéria? No fim, ou de
acordo com o tempo espiritual ("kairos"), tudo o que Deus planejou -
e Ele
planejou tudo com sabedoria e amor - vai dar certo, inclusive sua obra-prima
no planeta Terra, o homem, pois no computador de Deus não entra vírus! Nós,
porém, com nosso livre-arbítrio, criamos destinos bons ou maus temporários
para nós em nosso tempo ("kronos"), através dos quais vamos caminhando
para
a perfeição. Assim, a palavra castigo (do latim "castigare")
significa
purificação (purgatório) e não vingança. Também o vocábulo castidade da
mesma etimologia significa pureza. E o carma de dor ou de recompensa tem,
pois, por objetivo a nossa aprendizagem e não punição ou recompensa
propriamente ditas. Porém vale a pena praticarmos o bem e o perdão, pois,
além de evitarmos para nós carmas de sofrimento, vamos ampliando a nossa
colheita de bons carmas ou de felicidade, a qual é fruto de mossa evolução
moral e espiritual.
E Deus não quer nada, é neutro, pois, se o quisesse, o que e quem
poderiam barrar a sua vontade? Ademais, sua perfeição infinita não permite
que Ele interfira em nosso livre-arbítrio e no conseqüente funcionamento da
lei cármica, que é de sua autoria, sim, mas cujo funcionamento é de nossa
total e exclusiva responsabilidade, pois depende inteiramente de nossa
vontade ou livre-arbítrio!
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