Os dez erros da Doutrina Espírita apontados por um adventista

A , portanto, concede a cada um a máxima liberdade de filosofar, de tal modo que se pode, sem cometer nenhum crime, pensar o que se quiser sobre todas as coisas. (ESPINOSA).

Eles dizem que conhecem a Deus, mas negam isso com os próprios atos, pois são cheios de ódio, desobedientes e incapazes de fazer qualquer boa obra. (Tt 1,16)

Introdução

         Temos percebido, ao longo do tempo, que as pessoas, quando não têm nada de bom para oferecer, mas, mesmo assim, querem se manter no poder ou no domínio de outras, usam do nefasto artifício de denegrir aquilo que lhes parece perigoso a seus propósitos.

         Essas pessoas sempre advogam para si o direito de usar o seu livre-arbítrio; entretanto, não dão aos outros esse mesmo direito, provando quão injustas e incoerentes são em sua maneira de pensar. Evidentemente, isso pouco lhes importa, já que o mais importante para elas é que seus pensamentos, suas crenças, enfim, suas idiossincrasias é que devem prevalecer; o que os outros pensam é algo sem valor algum.

         Espinosa tinha plena razão, quando disse:

Inúmeras vezes fiquei espantado por ver homens que se orgulham de professar a religião cristã, ou seja, o amor, a alegria, a paz, a continência e a lealdade para com todos, combaterem-se com tal ferocidade e manifestarem cotidianamente uns para com os outros um ódio tão exacerbado que se torna mais fácil reconhecer a sua por estes do que por aqueles sentimentos. ... logo o amor de propagar a divina religião se transformou em sórdida avareza e ambição; de tal maneira que o próprio templo degenerou em teatro em que não mais se veneravam doutores da Igreja mas oradores que, em vez de quererem instruir o povo, queriam era fazer-se admirar e censurar publicamente os dissidentes, não ensinando senão coisas novas e insólitas para deixarem o vulgo maravilhado. Daí surgirem grandes contendas, invejas e ódio que nem o correr do tempo foi capaz de apagar (ESPINOSA, B. Tratado Teológico-Político, São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 9)

         Um dos pontos principais da Reforma Protestante, liderada por Lutero, foi que: “... a única direção para a vida é a Bíblia, que cada um pode interpretar à vontade...” (BUENO, T. O Espiritismo confirmado pela Ciência, São Paulo: JR Editora, 2006, p. 32). Assim, se cada um pode interpretar a Bíblia à sua vontade, com que direito os líderes protestantes atuais não nos permite interpretá-la com liberdade? Serão eles mais realistas que o rei? Não foi sem motivo que Espinosa falava deles:

Certamente que se eles tivessem uma centelha que fosse da luz divina, não andariam tão cheios de soberba idiota e aprenderiam a honrar a Deus e distinguir-se-iam dos outros pelo amor, da mesma forma que agora se distinguem pelo ódio. Nem perseguiriam com tanta animosidade os que não partilham das suas opiniões; pelo contrário, sentiriam piedade deles (se é, de fato, a salvação alheia e não a própria fortuna que os preocupa). Além disso, se realmente tivessem alguma luz divina, ela se veria pela sua doutrina. (ESPINOSA, B. Tratado Teológico-Político, São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 10).

         E mais adiante arremata categórico:

Como, além disso, os homens são por temperamento bastante diferentes, e, como uns preferem esta, outros aquela opinião, inspirando a uns sentimentos religiosos o que a outros provoca o escárnio, concluo ser necessário deixar a cada um a liberdade de julgar e a possibilidade de interpretar os fundamentos da segundo a sua maneira de ser, e não se ajuizar da de ninguém a não ser pelas suas ações, conforme forem piedosas ou ímpias. assim poderão todos obedecer a Deus de livre e inteira vontade e dar valor apenas à justiça e à caridade. (ESPINOSA, B. Tratado Teológico-Político, São Paulo: Martins Fontes, 2003, pp. 12-13).

         Interessante é como essas coisas, apesar de ditas séculos atrás (Espinosa viveu de 1632 a 1677), são tão atuais, que parecem que as estamos ouvindo agora, neste exato momento.

         Convém lembrar um pensamento de Paulo, que diz: “... onde se acha o Espírito do Senhor existe a liberdade”. (2Cor 3,17); em contrapartida, onde ela não existe, o Espírito do Senhor não se encontra. Nós, Espíritas, temos plena liberdade; então, quem será que não a tem? Se não querem nos dar o direito de interpretar a Bíblia da forma que acharmos melhor, que, pelo menos, nos dêem o direito de defesa, o que iremos exercer a partir de agora.

Erros da Doutrina Espírita pela ótica adventista

         O Sr. Azenilto Brito, aponta desafiadoramente 10 erros da Doutrina; evidentemente, entendemos sua posição de querer impor sua crença aos outros; entretanto, devia seguir o princípio básico da reforma: liberdade de interpretação. Vamos, portanto, analisá-los, sem qualquer pretensão de convencê-lo, já que a essa altura do campeonato nem mesmo o próprio Cristo o convenceria de alguma coisa.

1º. Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: Usar a Bíblia segundo pareça conveniente, incoerentemente segmentando seu texto, usando e abusando de textos, sentenças e mesmo palavras isoladas, sem levar em conta O TEOR GLOBAL de seu ensino, mesmo desqualificando-a como um livro indigno de confiança, quando não pareça conveniente, encontrando "contradições gritantes" em seu texto, o que torna o seu emprego pelos próprios espíritas como injustificável, que é um livro que não serve para defender doutrinas (a não ser as espíritas, em segmentos seletos).

         Interessante ver pessoas nos acusarem com tanta ênfase, naquilo em que se reprovam. Quando a Bíblia diz, por exemplo, que Samuel depois de morto falou com Saul, aí então ela não pode ser considerada. Na prática, só a consideram Palavra de Deus quando convém, pois sua autoridade é rejeitada nesse ponto, em nome de interesses dogmáticos, já enraizados, que se opõem a qualquer evidência de consciência e comunicabilidade entre os vivos e os mortos.

O que os detratores do Espiritismo ainda não conseguiram entender é que somente pelo fato de usarem da Bíblia para nos atacar, é que a usamos para nos defender, mostrando a incoerência em que se encontram; não fizessem isso, não a usaríamos, por isso sempre os alertamos: “não faça da Bíblia uma arma, a vítima pode ser você”.

         A liderança religiosa de antanho, para se impor aos fiéis, usou e abusou da expressão “a palavra de Deus”, aplicando-a à Bíblia, pois foi um meio fácil de encabrestá-los a seus interesses, prática essa que se perpetua com as lideranças atuais, que vêem nisso uma ótima fonte de recursos para se regalarem com os seus lucros.

         Mas por que falamos que não seguimos a Bíblia? Porque, para segui-la, teríamos que abraçar os ensinamentos de Moisés, quando a nossa opção, inarredável, é seguir a Jesus. Isso porque, a bem da verdade, com Jesus, os ensinamentos mosaicos foram revogados, pois foi ele próprio quem disse: A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele”. (Lc 16,16), ou seja, a Lei e os Profetas, reportando-se ao Antigo Testamento, vigorou, isto é, prevaleceu até João, pois, depois do Batista, o que vigora é o Evangelho trazido por Jesus. Vejamos outras passagens que confirmam isso:

Rm 7,4-6: Meus irmãos, o mesmo acontece com vocês: pelo corpo de Cristo, vocês morreram para a Lei, a fim de pertencerem a outro, que ressuscitou dos mortos, e assim produzirem frutos para Deus. De fato, quando vivíamos submetidos a instintos egoístas, as paixões pecaminosas serviam-se da Lei para agir em nossos membros, a fim de que produzíssemos frutos para a morte. Mas agora, morrendo para aquilo que nos aprisionava, fomos libertos da Lei, a fim de servirmos sob o regime novo do Espírito, e não mais sob o velho regime da letra.

2Cor 3,6-14: Foi ele que nos tornou capazes de sermos ministros de uma aliança nova, não aliança da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, e o Espírito é que dá a vida. O ministério da morte, gravado com letras sobre a pedra, ficou tão marcado pela glória, que os israelitas não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa do fulgor que nele havia - fulgor, aliás, passageiro. Quanto mais glorioso não será o ministério do Espírito! Na verdade, se o ministério da condenação foi glorioso, muito mais glorioso será o ministério da justiça. Mesmo a glória que se verificou, não pode ser considerada glória, em comparação com a glória atual, que lhe é muito superior. De fato, se foi marcado pela glória o que é passageiro, com maior razão há de ser glorioso o que é permanente. Fortalecidos por tal esperança, estamos plenamente confiantes: nós não fazemos como Moisés que colocava um véu sobre a face para que os filhos de Israel não percebessem o fim daquilo que era passageiro... No entanto, os espíritos deles se tornaram obscurecidos. Sim, até hoje, quando eles lêem o Antigo Testamento, esse mesmo véu permanece; não é retirado, porque é em Cristo que ele desaparece.

Gl 2,21: Portanto, não torno inútil a graça de Deus, porque, se a justiça vem através da Lei, então Cristo morreu em vão.

Gl 3,23-24: Antes que chegasse a , a Lei tomava conta de nós, à espera da que devia ser revelada. A Lei, portanto, é para nós como um pedagogo que nos conduziu a Cristo, para que nos tornássemos justos mediante a .

Hb 7,18-19: Assim, fica abolida a lei anterior, por ser fraca e inútil; de fato, a Lei não levou nada à perfeição. Por outro lado, introduziu-se uma esperança melhor, graças à qual nos aproximamos de Deus.

Hb 8,6-8.13: Jesus, porém, foi encarregado para um serviço sacerdotal superior, pois é mediador de uma aliança melhor, que promete melhores benefícios. De fato, se a primeira aliança não tivesse defeito, nem haveria lugar para segunda aliança. Mas Deus, queixando-se contra o seu povo, diz: "Eis que virão dias, fala o Senhor, nos quais concluirei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá. Dizendo "aliança nova", Deus declara que a primeira ficou antiquada; e aquilo que se torna antigo e envelhece, vai desaparecer logo.

         Está aí a prova do que dissemos; entretanto, o nosso desafiador segue a Moisés, não a Cristo, que, aliás, nunca se preocupou com a religião que os outros seguiam, para impor sua maneira de pensar.

         Podemos dividir os crentes na Bíblia em duas classes. A primeira é a dos líderes que fazem de tudo para manter seu status de poder ou sua fonte de renda, e, por isso, distorcem os textos às suas conveniências. A segunda são os fiéis, aqueles que, morrendo de medo de questionar seus líderes, se lhes submetem incondicionalmente, não enxergando o que de Jesus já alertara: São cegos guiando cegos!

         Esses líderes ficam indignados conosco, porquanto, “examinamos tudo e retemos o que é bom” (1Ts 5,21) e, com isso, mesmo, sem ser o nosso objetivo, tornamo-nos um obstáculo à suas pretensões, já que jamais abriremos mão do direito de questionar, seja lá o que for, mas, principalmente, o que eles dizem, colocando, assim, em evidência que seguem a seus próprios interesses, não a Jesus.

2º. Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: Ter uma visão distorcida da Divindade, negando que tenhamos um "Deus pessoal" e deixando de entender que Deus é não AMOR, como JUSTIÇA. Esse tipo de Deus "Saci Pererê" do espiritismo (que se apóia sobre uma "perna"--do amor), com a imagem do Deus bíblico condenada por espíritas como injusto por causa de relatos do Velho Testamento que não conseguem entender à luz de sua contextuação cultural, histórica, e dentro do TEOR GLOBAL do ensino bíblico, impede-os de realmente entender que na cruz houve o encontro de AMOR e JUSTIÇA (Salmo 85:10).

         Essa de “o Espírita tem visão distorcida da divindade” é de morrer de rir. Pela visão da Doutrina Espírita Deus é Deus, não de um bando de fanáticos, mas de todos os seres humanos, já que, quer gostem ou não, somos todos seus filhos. E justiça é dar a todos tudo o que se dá a qualquer um, sem estabelecer privilégio de espécie alguma; aliás, uma frase de Jesus deixa isso bem claro: “... porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos(Mt 5,45).

         Somente pela visão Espírita poder-se-á conciliar o amor de Deus e Sua justiça com tantas desigualdades que existem ao nosso redor. Mas se a nossa vida for única, como acredita a maioria dos cristãos, não haverá explicação alguma para essas aparentes distorções, dentro, obviamente, de um senso mínimo e aceitável de justiça.

         Por outro lado, se o destino de alguns for o inferno, ou quem sabe a segunda morte, como outros crêem, somente porque freqüentam determinada Igreja ou seguem determinadas regras, for compatível com justiça, preferimos continuar acreditando num Deus “saci-pererê”, mas que não aplica penas eternas e nem destrói sua própria criação.

         Dos ensinamentos de Jesus concluímos que nada atingirá a Deus; até poderemos dizer que Ele é “inofendível”, já que, para Deus, mil anos são como se fossem um dia (Sl 90,4); portanto não há pena eterna por aquilo que fazemos, uma vez que Ele é infinitamente misericordioso e compassivo; por isso, não repreende perpetuamente, pois não conservando sua ira para sempre (Sl 103,8-10); até mesmo por que a maldade do homem só afeta outro homem (Jó 3,58); bem contrário ao que se prega por aí. Mas, se não fizerem assim, como manter sob domínio seus fiéis? Como extorquir-lhes o dízimo? Ou como mantê-los encabrestados?

         Querendo abrandar os absurdos bíblicos atribuídos a Deus, justifica-se dizendo da contextualização histórica; mas sendo Deus o senhor dos tempos e imutável por natureza, nada do que fazia antes poderá ser mudado. Assim, por coerência, não atribuímos esses absurdos como provindo da divindade, absurdos que amesquinham Deus fazendo a Bíblia perder a couraça de infalível, nós, ao contrário, preferimos atribuí-los aos homens que a escreveram, colocando nela seus próprios pensamentos, uma vez que foram eles que criaram um Deus a sua imagem e semelhança e não o contrário.

3º. Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: A noção de que Cristo veio trazer uma nova e revolucionária legislação, eliminando os 10 Mandamentos como normativos aos cristãos e trocando-os pela "lei áurea" de "amor a Deus" e "amor ao próximo", quando em tal "lei áurea" Ele apenas repete o que Moisés havia dito em Lev. 19:18 e Deu. 6:5, sintetizando a lei divina. Sempre, em todos os tempos, a lei de Deus teve como princípio subjacente o amor--a Deus e aos semelhantes, pelo que Cristo não apresentou nenhuma "novidade cristã" como pensam os espíritas e outros mais.

         E ainda tem o descaramento de acusar a nós Espíritas de distorcer os textos bíblicos; haja paciência! Mas não adianta esconder a verdade, pois Jesus, por várias vezes, disse em alto e bom som “aprendestes o que foi dito (Mt 5,21.27.31.38.43), o que não tem outro significado senão o de “aprendestes com Moisés”. Em algumas de suas recomendações percebe-se que muda radicalmente o que constava na legislação mosaica, como a questão do adultério, a do olho por olho e sobre o divórcio (Dt 19,21; 20,14; 24,1), sem contar aquela em que recomenda amar até os inimigos quando a Lei, ou seja, Moisés, permitia odiá-los (Lv 19,18).

         Vejamos essa passagem:

Mt 22,34-40: Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito os saduceus se calarem. Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus para o tentar: "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" Jesus respondeu: "Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos."

         Assim, quem disse que a Lei e os Profetas se resumem no “amar a Deus” e no “amor ao próximo” não foi outra pessoa que não o próprio Mestre Jesus. Não bastasse isso, até Paulo, o “mestre” a quem segue, também afirmou que: “De fato, os mandamentos: não cometa adultério, não mate, não roube, não cobice, e todos os outros se resumem nesta sentença: 'Ame o seu próximo como a si mesmo'”. (Rm 13,9; Gl 5,14). Entretanto, como um bom fundamentalista, para justificar seus próprios dogmas, contradiz essa verdade; mas como não passa de “cego guiando cegos”... é perfeitamente aceitável isso. Aliás, há um pensamento formidável de Paulo que muito bem lhe aplica: “Fiquem longe deles, porque não servem a Cristo nosso Senhor, mas ao próprio estômago; com palavras doces e bajuladores, eles enganam o coração das pessoas simples (Rm 16,18).

         Quando dos comentários do 1º item nós apresentamos várias passagens que corroboram aquilo que acreditamos, e não aceito pelo autor que ora argumentamos, mas ainda poderíamos acrescentar mais essa: Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo repuxa o pano, e o rasgo fica maior ainda. Também não se põe vinho novo em barris velhos, senão os barris se arrebentam, o vinho se derrama e os barris se perdem. Mas vinho novo se põe em barris novos e assim os dois se conservam.” (Mt 9,16-17). Nessa passagem o Antigo Testamento, é simbolicamente retratado na roupa velha e no odre velho, enquanto que o Novo Testamento o é no pano novo e odre novo; só cego não enxerga isso. Ah! sim,... cego guiando cegos...

         Cristo não apresentou nenhuma novidade cristã? Ele é a própria novidade cristã, apesar dos que ainda insistem em seguir a Moisés. Embora tenha citado isso por várias vezes, vale a pena repetir, para provar a incoerência dos bibliólatras de plantão. Que nos provem que os homens de suas igrejas obrigatoriamente apresentam atestado médico de que estão com todas “as coisas” no lugar; caso não o exijam, então nos digam se fazem um exame “in loco” para ver se eles estão “tinindo”... Não é nenhuma apelação; veja: Aquele a quem forem trilhados os testículos, ou cortado o membro viril, não entrará na assembléia do Senhor”. (Dt 23,2). Deveriam seguir esse absurdo, se ele não foi revogado por Jesus, conforme acreditamos. Se não acreditam que foi revogado, então estão desobedecendo a palavra de Deus, mais uma vez.

4º. Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: A negação do castigo final dos pecadores, e da própria existência de Satanás e demônios a seu serviço, o que torna a Jesus um mentiroso, pois Ele deu testemunho claro da existência de tal ser ao dizer: "Eu via Satanás, como raio, cair do céu" (Luc. 10:18). A negação do castigo final é fruto da tese de salvação universal, uma noção que não inspira ninguém a crescer espiritualmente, que sempre se pode deixar para depois o devido preparo e progresso ético, moral, espiritual, que no final todos terão o mesmo destino, mais cedo ou mais tarde. Jesus não disse para ninguém ser cristão "mais ou menos" e sim desafiou a todos: "Sede vós perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus" (Mat. 5:48).

         Demorou a apresentar um dos “fortes” argumentos para a prática do terrorismo religioso, empregado a mãos-cheias pelos líderes a fim de dominar seus fiéis. Sobre isso, leia o nosso texto Satanás, ser ou não ser eis a questão, onde falamos desse assunto.

         O que questionamos é: tudo quanto se tem no Evangelho deve ser tomado ao pé da letra? Seria interessante que buscássemos algum trecho bíblico para ver isso. Vejamos, então, Zacarias em sua quarta visão:

Depois Javé me fez ver Josué, o chefe dos sacerdotes, parado na frente do anjo de Javé. E Satanás estava em , à direita de Josué, para acusá-lo. E o anjo falou a Satanás: "Que Javé segure você, Satanás, que Javé o segure, pois ele escolheu Jerusalém. Esse não é, por acaso, um tição tirado do fogo?" Josué estava vestido com roupas sujas e parado na frente do anjo. (Zc 3,1-3)

         Ora, percebe-se claramente que satanás não é um ser dedicado ao mal, mas um que exerce a função de acusar as pessoas perante o tribunal divino, seria uma espécie de promotor. Na passagem em que Jesus chama Pedro de satanás, não o estava dizendo um ser diabólico, mas alguém que estava, no momento, querendo desviá-lo de sua missão; por isso o acusa de pedra de tropeço.

         Mas se quer tomar tudo ao pé da letra, então vamos seguir a narrativa: “Vejam: eu dei a vocês o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo, e nada poderá fazer mal a vocês." (Lc 10,19). Então, poderia se submeter a um teste pisando em cobras e escorpiões para ver se nada lhe atinge como está dito aqui? Segundo Marcos (16,17), esses são os sinais que acompanharão aqueles que acreditarem.

         Quanto ao “castigo”, bem entre aspas, nós não o negamos, pois a regra é: “a cada um segundo suas obras (Mt 16,27); só que isso acontecerá todas as vezes que voltarmos ao mundo espiritual; o do final dos tempos, entendemos, aquele julgamento em que todos os espíritos serão julgados para separar o joio do trigo, na época em que Jesus determinar que os maus devam ser afastados do planeta para mundos inferiores, onde “haverá prantos e ranger de dentes” (Mt 8,12), pois os “mansos irão possuir a Terra” (Mt 5,5). A grande diferença entre o “castigo” em que acreditamos e o em que os adventistas acreditam é que, pelo nosso entendimento, se paga até o último ceitil (Mt 5,26), e uma vez pago estaremos livres da dívida, de forma tal que nenhuma das ovelhas se perderá (Mt 18,14), ao contrário do pensamento adventista em que não há possibilidade alguma de remissão do erro. Entendemos por “castigo” apenas o resultado decorrente do funcionamento da lei de causa e efeito, pela qual respondemos, na própria pele, pelo mal praticado contra o próximo; quer dizer, ele é fruto de nossas próprias ações.

         Mentiroso se tornará Jesus se não acreditarmos que poderemos ser perfeitos. O que acontece à nossa volta, em nosso dia-a-dia, deixa isso como praticamente impossível; daí outras vidas serem necessárias para que possamos atingir essa meta. Evolução constante e infinita, até podermos estar junto ao Pai, está é a regra. Certamente, isso, ainda, não desperta os valores morais nas criaturas, devido a seu atraso espiritual; entretanto, o fogo do inferno também não fez grandes coisas, apesar de ter sido pregado nas igrejas por mais dois mil anos. Aliás, pena inócua para muitos, já que, pelo simples fato de acreditarem em Jesus, ou pelo fato dele ter morrido na cruz, acham que isso lhes garante um lugar no reino dos céus, o que contraria e torna inúteis os ensinamentos do Mestre.

5º. Erro da Doutrina Espírita Claramente Definido: A idéia de salvação dever-se às obras humanas, uma impossibilidade que contraria o TEOR GLOBAL do seu ensino, sobretudo diante da exposição clara, didática, insofismável de Paulo [o "codificador dos evangelhos"] quanto ao papel da graça de Deus como única fonte de salvação, sendo as obras mera demonstração da genuinidade da salvadora. Qualquer noção de que obras humanas, imperfeitas como sempre serão, "contem pontos" para a salvação é uma afronta ao Senhor e Salvador Jesus Cristo. É o mesmo que dizer-Lhe que o Seu supremo sacrifício expiatório foi incompleto, daí precisamos acrescentar algo de nossa própria experiência à experiência Dele, num impossível paralelo do humano e imperfeito com o divino e absolutamente perfeito.

         Mas é exatamente essa a grande diferença, porquanto Jesus nunca disse tal absurdo; é Paulo quem vem com essa de salvação de graça, que nos parece mais coisa de pão-duro. Temos não um cristianismo, mas um “paulinismo”, pois o que se segue por aí são os ensinamentos de Paulo, o “desvirtuador dos Evangelhos”; não os de Jesus, certamente. Na parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37), na do juízo final (Mt 25,31-46) fica claro o que devemos praticar e qual será o critério de julgamento.

         Podemos citar, para corroborar nosso pensamento:

Pesquisas recentes relevaram que muitas das epístolas mais tarde atribuídas a Paulo não passavam de pura invenção ou foram produzidas a partir de uns poucos fragmentos autênticos. As epístolas a Timóteo, a Tito e aos Hebreus são consideradas totalmente espúrias, enquanto as epístolas aos Efésios e aos Colossenses, e a segunda carta aos Tessalonicenses, são muito discutíveis. De acordo com as descobertas da pesquisa, os ensinamentos religiosos apresentados nas epístolas de Paulo são fundamentalmente diferentes das autênticas afirmações de Jesus, que serão detalhadamente analisadas neste livro.

O que hoje conhecemos como cristianismo não é o ensinamento contido nessas autênticas palavras; é a teologia disseminada por Paulo e pelos doutrinadores de suas Epístolas – a teologia do pecado original, do sacrifício de Deus na cruz e da administração de seu corpo (e portando da redenção) por uma hierarquia eclesiástica. Com sua lição sobre o sacrifício do primogênito de Deus e da distribuição de seu corpo aos fiéis em comunhão, essa teologia não se fundamenta mais nas palavras de Jesus obre o amor ao próximo, mas nas idéias de antigos cultos tribais mediterrâneos e semíticos, que exigiam do pai o sacrifício sangrento de seu primogênito.

O teólogo Eduard Grimm escreveu: “Não importa com que profundidade esse ensinamento possa ter se enraizado entre os cristãos, o verdadeiro Jesus nada sabia sobre isso”(1) Wilhelm Nestle, um historiador da religião, assim se expressou: “O Cristianismo é a religião fundada por Paulo, que substitui a palavra de Jesus pela palavra sobre Jesus”(2) uma religião que poderia ser chamada de paulinismo. Esse paulinismo é uma interpretação enganosa e uma falsificação dos verdadeiros ensinamentos de Jesus – um fato que também tem sido reconhecido pela moderna pesquisa teológica: “Tudo o que há de belo no cristianismo está ligado a Jesus, e toda a falta de beleza, a Paulo”.(3).

1.       Grimm (1917).

2.       Nestle (1947), p. 89

3.       Overbeck (1919).

(KERSTEN, H. e GRUBER, E. R. O Buda Jesus – as fontes budistas do cristianismo, São Paulo, Best Seller, s/d, pp. 20-21). (grifo nosso).

         Diz-nos ainda o teólogo Holger Kersten:

(...) A insistência na interpretação literal da Bíblia e na cega observância dos dogmas propiciou o declínio do cristianismo eclesiástico, mesmo entre aqueles que não tinham uma postura frontalmente anti-religiosa ou anticristã.

Realmente, o que chamamos hoje de cristianismo tem pouco a ver com os preceitos de Jesus e as idéias que ele desejava difundir. O que temos atualmente seria melhor designado pelo nome de "paulinismo". Muitos princípios doutrinários não se conformam absolutamente com a mensagem de Cristo. São, na verdade, antes de tudo, um legado de Paulo, que tinha um modo de pensar radicalmente oposto àquele de Jesus. O cristianismo que conhecemos desenvolveu-se a partir do momento em que o "paulinismo" foi aceito como religião oficial. O teólogo protestante Manfred Mezger cita, a respeito, Emil Brunner: "Para Emil Brunner a Igreja é um grande mal-entendido. De um testemunho construiu-se uma doutrina; da livre comunhão, um corpo jurídico; da livre associação, uma máquina hierárquica. Pode-se afirmar que, em cada um dos seus elementos e na sua totalidade, tornou-se, exatamente, o oposto do que se esperava". Por isso é válido questionar as bases que alicerçam a legitimidade das instituições vigentes. Uma pessoa que freqüenta uma igreja cristã não pode deixar de assumir uma postura crítica frente à proliferação de obscuros artigos de , e dos deveres e obrigações que a envolvem. Sem termos tido outros conhecimentos, e por