PADRE QUEVEDO
Nem tudo que reluz é ouro.
Demonstração de como é o outro lado da moeda.
A casuística de Pe Quevedo
O Espiritismo e seus Agressores
"Ouça quem tem ouvidos de ouvir"
Padre Quevedo e a Missão do Espiritismo
Testemunho de um Pastor Evangélico
Pe Quevedo: Os Melhores Livros de Parapsicologia do Mundo???!!!
O inconsciente ante as manifestações espíritas
Uma revisão crítica dos livros do Padre Quevedo
Depois de termos identificado correta e suficientemente o padre Quevedo, que fala em nome da Parapsicologia mas nunca foi, de fato e de direito, um cientista, e após termos de igual modo identificado sua estratégia de combate sem trégua ao Espiritismo, cumpre-nos agora proceder indispensável exame da casuística que ele manipula para alcançar o seu objetivo.
Neste particular impõe-se-nos logo de saída chamar a atenção para um aspecto da sua obra impressa, especialmente os volumes que ostentam o Imprimatum da Igreja: nada contém de original.
Ele, o padre Quevedo, não apresenta qualquer pesquisa experimental feita por si mesmo, com metodologia minimamente científica. Aproveita-se do vasto acervo dos fenômenos descritos nos anais da Metapsíquica, antecessora da parapsicologia, e em torno de tais fenômenos, que não produziu e nem sequer presenciou para poder avaliar as condições de controle, monta o seu discurso jactancioso, distorcendo fatos e fazendo insinuações maldosas sobre médiuns autênticos e os pesquisadores confiáveis que, historicamente, confirmaram as hipóteses espíritas. Freqüentemente descamba para a ofensa pessoal recorrendo até ao deboche.
Não só classifica Conan Doyle como "fanático" (página 61 do volume 5 do tratado OS MORTOS INTERFEREM NO MUNDO? – Edições Loyola, São Paulo, 1993).
Não só diz que: "Allan Kardec chegou à extrema esquizofrenia" (página 183 do mesmo tomo).
Não só atribui também "fanatismo" a sábios de reputação científica imaculável, como Oliver Lodge (página 295 do volume 4).
Atinge o máximo de indelicadeza, de descortesia, de falta de educação, de incivilidade, para não dizer insanidade, chamando de "impagável mestre espírita brasileiro" o Dr. Carlos Imbassahy, um homem de excepcional cultura, que o tratou de forma tão distinta e tão gentil quando com ele entrou em polêmica.
Como se tudo isso não bastasse, generaliza, proclamando: "O leitor já está saturado de saber com quanta facilidade os mestres do Espiritismo mentem..." (página 158 do volume 5).
Mas, deixemos de lado essas ofensas e vejamos a qualidade da casuística do padre Quevedo. Ele começa o volume 3 do seu tratado colocando na página de abertura (nº 7) estas palavras: "Como sempre, damos preferência aos casos mais venerados pelos espíritas, casos selecionados pelos grandes mestres... Apesar de um tanto antigos. Há muita ingenuidade.
"J. Huertas Lozado foi um célebre espírita espanhol. Antes de sua sincera conversão ao catolicismo, aprendera a praticar em larga escala os mais notáveis fenômenos do espiritismo. Era muito considerado e famoso. Depois de sua conversão, porém, ele mesmo reconhecia:
"Outras vezes eu tinha visões. Juro que nunca vi coisa alguma. É tão fácil iludir os homens! (...)
"Se um espectador desejava falar com um morto que eu não conhecera, procurava habilmente averiguar seu nome, sem que o consulente percebesse. Depois dizia ou escrevia o que me parecia mais agradável ao consulente, e no fim declinava o nome do espírito evocado".
Analisemos este primeiro exemplo da casuística do padre Quevedo.
Primeiro, ele afirma que dará preferência aos casos "mais venerados" pelos espíritas, e imediatamente escolhe o caso de um sujeito de nós desconhecido, de atitudes abomináveis e não veneráveis.
Segundo, ele deixa mal a sua pátria de origem, a Espanha, pois no Brasil gente com J. Huertas Lozado, mistificadora e safada, engana os tolos mas não se torna célebre, considerada e famosa nos meios espíritas.
Terceiro, ele em nada engrandece a sua Igreja, pretendendo honrá-la com a conversão de um vigarista.
E o mais grave aqui vai em uma simples pergunta:
- Como pode o Padre Quevedo julgar tal sujeito digno de figurar em um tratado de Parapsicologia como elemento de peso contra a autenticidade dos fenômenos mediúnicos?
A única explicação para tamanho descuido do esperto jesuíta encontra-se quase no fim do citado volume, na página 263, onde ele escreve:
"É sabido que entre os santos, os místicos, e mesmo entre os pseudomísticos católicos, sempre houve mais e melhores fenômenos parapsicológicos do que em ambiente espírita. No espiritismo, pelo ambiente mórbido, de "além-túmulo", desequilibrado e desequilibrante, os fenômenos "retorcidos", baixos... são quase regra; mas qualidade, e mesmo quantidade, é no catolicismo. De todos os tipos de fenômenos. Em todas as épocas".
Eis aí. Não precisamos dizer mais nada relativamente a este assunto. Fazê-lo seria até faltar com o devido respeito à inteligência dos leitores.
Nazareno Tourinho
Autor do livro: Padre Quevedo de Acusador Anti-Espírita a Culpado, DPL.
Fonte: Jornal Espírita, nº 305, Janeiro de 2001, página 3, coluna Em defesa do Espiritismo, Órgão da Federação Espírita do Estado de São Paulo.
A quem interessar possa, venho, como aluno que fui do Centro Latino-Americano de Parapsicologia, registrar tópicos do curso que freqüentei, assiduamente, ministrado pelo padre Oscar González Quevedo SJ (jesuíta) em tradicional educandário de Porto Alegre, de 18 a 22 de agosto de 1980. Afirmações do padre Quevedo: "Já fui espírita. Vocês não precisam ler as obras de Allan Kardec, pois já li todas; queimem os livros espíritas!" "Há dez anos venho desafiando oradores espíritas para debates e todos me evitam e fogem..." "Já tive um debate com Chico Xavier e o Dr. Waldo Vieira. Chico titubeou e não soube responder. Waldo Vieira fugiu e voltou um dia após minha partida de Uberaba, todo assustado". "O Brasil é o país, no mundo todo, com o maior número de loucos. Principal culpado disso? O Espiritismo de Allan Kardec!" "O Espiritismo de Allan Kardec é uma verdadeira fábrica de loucos". "Todo curandeiro é perigoso; quando cura é criminoso". "Chico Xavier jamais escreveu, psicograficamente, uma linha sequer em inglês ou outro qualquer idioma, a não ser em português". "A reencarnação é impossível, pois o espírito jamais se separa do corpo após a morte deste. O corpo vai para o túmulo e o espírito entra na Eternidade, onde não conta tempo, pois a realidade é a ressurreição da carne" (?) "A comunicação dos espíritos dos mortos é impossível". "O fenômeno psi-theta (psi = mente; theta = morto), tido como comunicação do espírito do morto, há vários anos está desacreditado, pois J. B. Rhine pulverizou a tal comunicação dos mortos". "O Espiritismo de Allan Kardec, a Umbanda e outros do gênero são crenças de ignorantes, de burros, burrinhos mesmo...".
Há ainda muitos outros disparates. Diante disso, permito-me fazer algumas considerações.
A) Aparteei, de público, o Pe Quevedo, indagando-lhe sobre a data, a hora, o local do aludido debate com o Chico Xavier. Foi então que o padre titubeou e não soube responder, alegando não lembrar-se desses detalhes (estranho esquecimento).
B) Autorizado, subi ao palco e provei-lhe, com o Dicionário de Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo, que Chico Xavier não só havia psicografado em inglês, mas às avessas, isto é, para se ler, tem-se que usar um espelho (mediunidade especular). Conforme lhe disse, trata-se de um fenômeno que nem ele, Quevedo, nem outro mágico qualquer consegue imitar.
C) Com referência ao fenômeno psi-theta (comunicação dos mortos), esclareço que Dr. J. B. Rhine, fundador da parapsicologia, à página 270 de O novo mundo do espírito, assim discorre: "O caso que mais prende atenção é aquele em que o propósito manifesto por trás do efeito produzido é tão especialmente o de personalidade falecida, que não é razoável atribuí-lo à atuação de qualquer outra fonte"
Ante isso e muito mais que não caberia neste espaço, redigi uma carta endereçada ao padre Quevedo, visando com ele colaborar para encontrar-se com os oradores fujões. Entreguei-a pessoalmente ao destinatário, no palco, perante algumas centenas de alunos do curso, no dia 22 de agosto de 1980, às 22h50. Sintetizei, de público, seu conteúdo:
1) propus que ele elaborasse uma agenda, dentro de dois meses, indicando datas e horários para, num período de 12 meses consecutivos, uma vez por mês, enfrentar oradores espíritas;
2) eu escolheria os oradores, os locais e providenciaria os eventuais patrocinadores;
3) os debates seriam aqui em Porto Alegre, pela TV e rádio, com permissão ao público de formular perguntas.
O Pe Quevedo não aceitou. Ponderei que viesse menos vezes, mas que não recusasse, porque o desafio havia partido dele. De microfone em punho, reiterou: "Não aceito debate!" Afinal, quem é fujão? Finalizando, recomendo ao Pe Quevedo mais cautela e moderação em suas afirmações, pois o povo anda em busca da verdade e, embora seja tolerante, não é bobo e poderá acabar concluindo que os cursos ministrados pelo padre Oscar González Quevedo é o mais recente "conto do vigário".
Nelson Santana
Autor do livro: Uma Fraude Parapsicológica
Fonte: Visão Espírita, ano 2, nº 20, página 14, Editora SEDA.
"No dia 18 de julho de 1999, encontrei no jornal O Imparcial, de Araraquara, um artigo do eminente médico e advogado Sr. Guaracy Lourenço da Costa, fazendo suas apreciações a respeito de um Curso de Parapsicologia que ele próprio assistiu, (ministrado) pelo padre jesuíta Oscar González Quevedo, e como Quevedo vai estar presente a cada quinze dias no programa do Fantástico para confundir a mente dos telespectadores, seria importante que a revista Visão Espírita publicasse na íntegra esse artigo, para alertar os dirigentes espíritas da necessidade do conhecimento que nasça do estudo edificante e metódico e com qualidade que decorra das atitudes firmes na regeneração de nós mesmos".
Prof. Ruy Gibim – Presidente do Grupo de Estudos Psíquicos Profª Anália Franco.
Durante dois longos dias, das 14 às 21 horas, juntamente com cerca de 300 pessoas, fiz um curso de Parapsicologia, pelo qual paguei trinta reais. Minha decepção começou quando, entremeando nos termos técnicos, o conhecido professor já foi dizendo que as universidades estão todas erradas, chamando-as "ignoréticas" para significar que todos os que militam nelas são ignorantes... De forma imprevista, ele malhou todas as religiões existentes, que ele afirmou serem 11 mil, e disse que os que militam no Catolicismo são todos ignorantes e que todos os padres, menos ele, é claro, deveriam estudar, ao invés de ficar dizendo bobagens aos fiéis. Disse que o Espiritismo não é religião e que Allan Kardec, com culpa ou sem culpa, enganou o povo.
Dos milagres, ele nos disse que somente ocorreram entre os que militam no Catolicismo isto, não sei com que base, pois milagres podem acontecer para todos indistintamente. Sobre a Bíblia, ele afirmou que todos os que a interpretam ou estudam os fatos o fazem de maneira errada, na base do que ele chamou jocosamente de "achologia" (ciência do acho que...), menos ele, é claro! Ele se mostrou estudioso, mas a maioria dos alunos o considerou mais ousado, irreverente e "espetaqueiro" do que estudioso. E para que, ao invés de nos ensinar apenas a Ciência da Parapsicologia, tinha ele que dar seu pequeno show enfiando a haste dos óculos no próprio nariz? E o outro show, ao vendar os olhos e adivinhar os objetos que estavam no chão, fazendo depois uma demonstração de memória, na chamada Mnemotécnica, que não tem nada a ver com Parapsicologia?
Também não teve cabimento forçar os alunos a comprar pelo menos um dos livros dele para ajudar, sob pena de maldição dele contra todos, justamente ele, que passou horas dizendo que os feiticeiros e curandeiros são todos falsos, mentirosos, criminosos. Ele foi taxativo ao dizer que curandeiros não conseguem curar, mas apregoou o pode da mente sobre o corpo e teve a ousadia de atravessar o braço de uma jovem com uma agulha que esfregou na sola do sapato, desafiando a natureza viva dos micróbios! Se ele, diante de nós, cometeu tal nojeira, como poderia Ter afirmado que outros homens ou mulheres não podem induzir alguém à cura de certas enfermidades através da sugestão sobre sua mente? Contradição pura!
Os brasileiros foram todos rotulados de "achologistas" e o povo mais ignorante do mundo. Os alunos não tiveram a oportunidade de apresentar seus depoimentos pessoais. Exigüidade de tempo? Acho que não, porque houve tempo para que o professor apresentasse os mencionados shows. E com que direito pode um palestrante atirar a tampa da caneta dele na cabeça dos alunos que cochilavam? Ainda bem que não cochilei, pois se fosse atingido, na certa revidaria...
O show final do professor foi horrível! Lá no palco, ele provocou a catalepsia num dos jovens alunos, dizendo que iria matá-lo e depois ressuscitá-lo. Esticando-o sobre duas cadeiras, apoiado apenas sobre duas cadeiras, apoiado apenas na cabeça e nos pés, mandou que outro jovem, pesando 115 quilos, sentasse sobre o corpo desse rapaz. Para ficar mais "interessante", martelou e quebrou várias pedras e tijolos sobre a barriga do paciente, cujo rosto cobriu, para evitar que algum de nós pudesse detectar o evidente transe hipnótico... A catalepsia é um estado de contratura e rigidez dos músculos, semelhante ao estado de morto. Ela ocorre espontaneamente em pessoas com graves afecções no cérebro ou em raros casos de histeria. Para provocá-la, é através do hipnotismo em seu grau mais profundo, conforme explanou classicamente o grande neurologista Jean Martin Charcot, da famosa Clínica Salpêtrière, da França.
Se o jovem aluno entrou em catalepsia é porque foi hipnotizado,embora o professor tenha dito que não se deve dar espetáculos hipnóticos. Hypnos, do grego, quer dizer sono, mas há manifestações hipnóticas que podem ocorrer sem sono aparente, embora o professor tenha mandado o moço fechar os olhos... Ela é obtida no estágio mais profundo do transe hipnótico, podendo, em dois casos especiais, ser obtida rapidamente. Primeiro, se o paciente já foi hipnotizado antes e a catalepsia tiver sido provocada por sugestão pós-hipnótica. Segundo, se o paciente tiver sido "preparado" pela sugestão coletiva, naquilo que os cientistas americanos chamam "horses" (cavalos da sugestão), incutindo na mente dos jovens que eles teria poderes especiais. Acontece que qualquer pessoa pode hipnotizar outrem, mediante o conhecimento das técnicas e o devido treino, não carecendo possuir estranhos poderes, sendo apenas recomendável e legal que o hipnotizador seja médico.
O fato foi que, médicos presentes, tivemos que nos silenciar diante de um espetáculo ridículo de hipnotismo de forma velada, que ele próprio por lei!... Ao final, ganhei um certificado onde veio escrito: "Curso de Parapsicologia e Religião"!...
Guaracy Lourenço da Costa
Fonte: Visão Espírita, ano 2, nº 20, página 12, Editora SEDA.
O Espiritismo e seus Agressores
Na vida, tudo o que é agredido se defende, e na defesa se fortalece. Essa é uma das leis na qual, como em todas, encontramos a presença disso que chamamos de Deus. E, novamente, a linguagem dos fatos desafia a contestação. Nos primórdios do Cristianismo, a perseguição era implacável, e o cristão ia para a fogueira, para a boca dos leões, para as cruzes, confirmando sua crença. Que lástima que nos dias de hoje, principalmente no Brasil, um tirano não imponha aos cristãos esse aval de fé. Tenho certeza que, entre católicos e protestantes, nenhum negaria sua condição de cristão. O País ficaria despovoado, e só os materialistas, ou os de outras crenças, como os umbandistas, continuariam com a nacionalidade brasileira. Ou não aconteceria isso?
Com o comunismo o mesmo sucedeu. Marx até que tentou uma aproximação com Kardec, como está em "Obras Póstumas": rejeitada pelo Mestre e advertido pelos espíritos, tal união gorou. Senão, quem sabe? Teríamos espírita comuna, e também esses iriam, pelo mesmo passaporte, para a outra dimensão. Depois, que como com os cristãos, os comunistas passaram a não ser perseguidos, o mundo deste também se desagregou. Hoje em dia existem antigos comunistas capitalistas, e muitos que se intitulam cristãos, na mais deslavada sem-vergonhice.
Bons tempos os primitivos do Espiritismo. Época dos heróis que, com ardor e sacrifícios, semearam e cuidaram das primeiras instituições da Codificação. Agora é fácil ser espírita, ou melhor, dizer-se tal. A agressão de fora fortalece a defesa, mas as agressões de dentro corroem o edifício. Estamos vivendo perigosamente essa época. São espíritas que se intitulam como tais, a denegrir, poluir e achincalhar a seara de forma escrita ou falada. Claro que a Codificação, que é evolucionista, exige permanentes atualizações. Mas, devem ser feitas consoante os postulados básicos que nos foram legados.
Que saudades eu tenho dos tempos em que um Frei Boaventura dizia, em carta pastoral, ser proibido, ilícito e pecaminoso "professar as doutrinas ou princípios do espiritismo, ou entregar-se às práticas espíritas"; "defender ou apoiar o espiritismo ou prestar-lhe qualquer auxílio moral ou material"; "assistir sessões ou conferências, ouvir rádio, mesmo passivamente, porque isso são coisas injuriosas e perigosas à própria fé" (tenho toda a documentação). E dizia muito mais: que não podemos "tentar a Deus", que isso é um "sacrilégio e simonia". Acho que chega. Quando ele foi nomeado bispo em Salvador, afirmou que iria terminar com o sincretismo religioso, com a miscigenação baiana de catolicismo-umbanda e ainda com os Filhos de Gandhi. Voltou para o Sul sem conseguir seu intento.
Uma criatura que devemos louvar é, sem dúvida, o padre Oscar Gonzalez Quevedo S.J. A ele eu devo certa projeção. Agredia o Espiritismo de todas as formas, em conferências, pelo rádio e televisão. Salutar, a reação dos agredidos. Carlos Imbassahy, Herculano Pires, Hernani Guimarães Andrade, Dr. Lira e eu partimos para o contra-ataque. Eram ferozes seus anátemas contra a mediunidade e a reencarnação. Então, o nosso querido Chico era chamado de um mundo de adjetivos qualificados, que descambavam para os desqualificativos. Foi chamado de tudo. Só que o Chico cresceu, e o Quevedo resvalou para o anedotário e desqualificação. Ele usava a parapsicologia para agredir, quando, na realidade, essa ciência é neutra e suas constatações, muito pelo contrário, abonam os postulados espíritas. Quevedo sumiu porque jamais se prendeu à ciência. Há um caso pitoresco que relatamos a seguir.
As caras de Belmez de la Moraleda
Conforme fotos comprovantes que tiramos no local, numa casa construída em terreno de antigo cemitério de igreja, de propriedade de Dona Maria, na saleta de solo cimentado começaram a aparecer caras, rostos humanos. Isso principiou a suceder no pequeno povoado de Belmez de la Moraleda, na província de Jaén, sul da Espanha. Padre Quevedo, dizendo ter estado lá, denunciou, na imprensa espanhola, o fenômeno como embuste, truques a fim de atrair curiosos ou adeptos do Espiritismo. Sabedor disso, quando estava também em Madrid, fui com o professor Don Germán de Argumosa a esse povoado.
Ali estava eu, na porta da casa de D. Maria, tirando fotos no solo onde indiscutivelmente as caras aparecem. Lá esteve também o professor Hans Bender, do Institut für der Psychologie und Psychohygiene, da universidade de Friburgo (Alemanha). Esse cientista respeitável constatou a autenticidade não só das imagens, de suas formações e de várias identificações de "defuntos do antigo cemitério". Em longa declaração que fez na Rádio de Madrid, em 3 de fevereiro de 1975, por carta lida por ele e da qual tenho uma cópia, dentre outras coisas dizia (faço a tradução):
"Nunca o encontrei, em nenhum congresso de parapsicologia, nem na Europa nem nos EE.UU. Não compreendo como o padre Oscar Gonzáles Quevedo pode permitir-se um julgamento (juízo) porque jamais esteve em Belmez. As caras de Belmez (teleplastias) são o que se chama um fenômeno espontâneo". A carta é longa, mas fica à disposição de quem a queira.
Como espírita, tive que partir para aquilo que em juízo se diz "o agrafo". Tirei a foto que consta desta reportagem, com D. Manuel Rodrigues Rivas, alcaide-presidente do Ayuntamiento de Belmez. E mais: a declaração, em papel timbrado, da qual não faço tradução, em que a autoridade local diz, entre outras coisas, que "o padre Oscar Gonzáles Quevedo S.I. não esteve nesta cidade, em nenhum tempo, nem sequer de passagem" (no texto, ni tan siquiera de paso).
Que saudades tenho do Quevedo, dos tempos que ele ia malhar Chico, espíritas e o Espiritismo. Volte, padre Quevedo, agrida, porque na defesa vamos ficar mais fortes. Bons tempos aqueles. Num vídeo o Hernani tem, ele, eu e o Dr. Lira, fizemos o Quevedo passar maus momentos. Tempos em que meu amigo Hernani me municiava, e eu partia para aqui e para além, com a munição "made in H.G.A.".
O risco, agora, é a munição dos espíritas, que deveriam ter mais responsabilidade; falam, em auditórios para chanchadas, de assuntos merecedores de ambientes sérios, de mais alto nível. A TVP, por exemplo, precisa de uma assistência não-carnavalesca. Os fenômenos mediúnicos, como os pressupostos de João Paulo e do Leandro, sua veracidade, suposições ou fantasias, não podem ir para a chacota de quem apenas deseja audiência no IBOPE. É preciso ter cuidado e recusar tais convites. Não se pode, em tais ambientes, dissertar com seriedade, e o Espiritismo sofre com isso. É material que dão para os eternos adversários da Doutrina.
A publicação das reencarnações do Chico, desde quando ele habitou a personalidade do monge druida Allan Kardec, passando por Platão, por Flávia, a filha de Publius Lentulus – hoje conhecido como Emmanuel -, por João Huss, por Alcione, do livro "Renúncia", por Jeanne Dalencourt, Joana a Louca, depois, uma empregadinha de Catarina de Médicis, nosso valoroso Denizard Rivail e, finalmente, Francisco Cândido Xavier, o nosso Chico. Como conseguem penetrar em tantas encarnações que se passaram em mais de dois mil e quinhentos anos?... Coisas assim podem levar o Espiritismo para o anedotário!
A anexa mensagem de Emmanuel, através do Chico, condena veementemente a regressão, por "questões de curiosidade vazia". Não sou eu que estou dizendo, mas o intermediário de Emmanuel, ao afirmar: "exibir grandeza ilusória". Tenhamos cuidado com o retorno dos Quevedos. Por ele ter negado a existência do diabo, foi condenado ao silêncio. Em cópia de carta que tenho dirigida aos amigos, diz textualmente: "Mas a 31 de agosto de 1984 foi fechado o CLAP ( e eu também). Completamente. Confiamo-nos ao Juízo de Deus".
Henrique Rodrigues
Fotos:
Fonte: Visão Espírita, ano 1, nº 6, setembro/1998, páginas 24 a 27, Editora SEDA.
Está na hora de esquecermos o padre Oscar González Quevedo como astro de televisão, "caçador de enigmas" parapsicológicos. Infelizmente não podemos esquecer por completo o inimigo nº 1 do Espiritismo nesta nação. Ele não é apenas um ator de talento e um esperto mágico. No palco de arena da cultura brasileira contemporânea o irrequieto jesuíta espanhol representa também o papel de escritor, maquiado de cientista. A partir de 1964 publicou nada menos de quinze obras, todas com a finalidade específica de por no descrédito os mais famosos fenômenos mediúnicos, criteriosamente documentados por sábios de renome universal, e de ridicularizar, em conseqüência, a Doutrina codificada por Allan Kardec. Um só de tais livros, A Face Oculta da Mente, teve a justa refutação pela pena corajosa e competente do nosso saudoso mestre Carlos Imbassahy, autor de A Farsa Escura da Mente.
Vamos, pois, sem mais delongas, à análise lógica, honesta e paciente das brochuras quevedianas, algumas com mais de quatrocentas páginas (uma tendo 786 páginas). Convém antes de tudo identificar sua fonte editorial: oito delas foram dadas a lume pela Igreja Católica, oficialmente; as outras não. Expliquemos este sutil detalhe: A Face Oculta da Mente, única da qual não necessitamos nos ocupar pelo motivo retrocitado, e os tomos 1 e 2 da As Forças Físicas da Mente, ostentam o Imprimatum de um Vigário Geral em Belo Horizonte, os volumes 1, 2, 3, 4 e 5 do Tratado Os Mortos Interferem no Mundo? Exibem Imprimatum de um Bispo de São Paulo – Região Ipiranga. Sete das brochuras a lume em parte pelo Centro Latino – Americano de Parapsicologia – CLAP (Curandeirismo: Um Mal ou um Bem?, Antes que os Demônios Voltem, Os Milagres e a Ciência, O que é Parapsicologia e Nossa Senhora de Guadalupe) e pelas Edições Loyola (Milagres – a Ciência Confirma a Fé e O Poder da Mente na cura da Doença). O selo das Edições Loyola consta de todos os volumes, mas só nestes dois últimos, pelos menos nas impressões por nós adquiridas, deixam de figurar ora o Imprimatum da Igreja, ora a chancela do CLAP.
Ressalta do exporto, irretorquivelmente, que uma parte dos livros do padre Quevedo tem a sua divulgação feita pela Igreja Católica em termos oficiais, outra parte tem a divulgação feita pela mesma Igreja em termos oficiosos, através de uma editora a ela ligada, ambas fontes não científicas, porque declaradamente religiosas. Resta saber se a outra fonte geradora da parte restante das brochuras quevedianas, o Centro Latino-Americano de Parapsicologia – CLAP, possui caráter científico como pretende, o que daria ao padre Quevedo autoridade moral e técnica para dizer o que diz e fazer o que faz.
O mencionado Centro de Parapsicologia se apresenta como uma entidade de "Pesquisa, Ensino e Clínica".
Padre Quevedo, todos sabem, sob a égide de tal Centro o CLAP, pontifica como parapsicólogo, fazendo "experiências" na maioria das vezes teatrais, ministrando cursos e tratando de pessoas enfermas em ser médico nem psicólogo (é doutor em Teologia, de Psicologia cursou somente Licenciatura, o que não lhe dá o direito de clinicar sobre a saúde de ninguém, um tanto mais quando combate tanto a medicina alternativa e pede cadeira para os médiuns espíritas que curam melhor do que ele, sem cobrar consulta...)
Se o CLAP, é efetivamente, um Centro Científico como Quevedo propala, o seu discurso de escritor torna-se digno de respeito, se não é constitui uma fraude muito maior do que aquela que ele atribui aos médiuns da categoria de Francisco Cândido Xavier, a quem acusa de ter sido "pego em truque".
Lancemos uma luz definitiva sobre esta delicada e importante questão.
O Centro Latino-Americano de Parapsicologia – CLAP, dirigido pelo padre Quevedo, é de fato um instituto Científico? Tem fins científicos em seus estudos e emprega métodos científicos em suas práticas? Ou é um órgão religioso disfarçado, que engana as pessoas desejosas de um conhecimento científico autêntico e imparcial em assuntos parapsicológicos?
Eis como respondemos a estas perguntas utilizando as palavras do próprio padre Quevedo. Leiamos o que ele escreveu em dois livros. No volume 4 do Tratado Os Mortos Inferem no Mundo?, página 99, há o seguinte trecho ilustrativo dos critérios, interesses a condutas do Centro Latino-Americano de Parapsicologia:
"Nisso temos muita experiência no CLAP. Nosso Museu está cheio de roupas e de toda classe de estatuetas de exus e orixás que ex-médiuns nos deram, ao se verem livres dessa perniciosa superstição. A conversa pode ter sido relativamente rápida, em pessoas não fanatizadas e de grande inteligência, mas às vezes também o tratamento para reequilibrar os nervos e o psiquismo foi demorado e difícil... Inclusive alguns ex-médiuns passaram a ser professores de Parapsicologia".
Sem comentários porque o melhor vai adiante.
No livro Nossa Senhora de Guadalupe, página 9, o padre Quevedo se descuida, escorrega, tomba e a máscara científica do Centro Latino-Americano de Parapsicologia – CLAP se rompe por inteiro nesta curta frase:
"Com muito orgulho e súplica, o CLAP, desde a sua fundação, proclama a Nossa Senhora de Guadalupe como sua Padroeira".
Com tal proclamação como pode ser científico o laboratório onde Padre Quevedo produz seu evento teórico, com o qual sonha matar o Espiritismo?
A esta pergunta responda diferentemente de nós quem puder, com ou sem batina!
Nazareno Tourinho
Fonte: Jornal Espírita, nº 306, fevereiro de 2001, página 3, coluna: Em Defesa do Espiritismo, Órgão da Federação Espírita do Estado de São Paulo.
O desinteresse dos meios universitários e das instituições científicas no Brasil pelo desenvolvimento mundial da Parapsicologia deixou-nos expostos à invasão da charlatanice. É uma lei do progresso cultural, já bastante conhecida. Em todos os campos em que a Ciência se recusou a entrar com a sua frágil mas eficiente lanterna, surgiram os charlatães de tocha em punho. Os fenômenos paranormais ocorrem entre nós, tanto como entre todos os povos. Mas devem haver algumas circunstâncias que nos favorecem nesse terreno. Possuímos, talvez, maior número de médiuns que qualquer outro país. Muitos deles se transformaram em charlatães porque não encontraram amparo e orientação e nem mesmo a mais leve atenção de parte das organizações científicas, a não ser para perseguí-los e processá-los.
O caso Arigó teria sofrido essa metamorfose, não fosse a simplicidade rústica e a honestidade natural do médium. Os nossos meios científicos tudo fizeram para converter Arigó num charlatão e depois metê-lo na cadeia. Como a transformação foi impossível, insistiram até os seus últimos dias em prendê-lo mesmo assim. Parodiando conhecido ditado popular, pensam os nossos homens de Ciência que mais vale um médium na cadeia do que mil em liberdade. Mas por mais que fizeram, Arigó resistiu. Foi uma rocha de inabalável minério. E além disso os médiuns em liberdade se multiplicaram por toda parte. A ciência indígena se desespera e pede ajuda à religião. Já que não é possível acabar com os médiuns, pelo menos possamos exorcizá-los. É aí que entram em cena os padres mágicos.
Louis Pawels e Jacques Bergier entenderam que estávamos no momento do despertar dos mágicos. O livro de ambos, traduzido e publicado no Brasil, não fez o sucesso esperado. Porque entre nós os mágicos já haviam despertado antes. E o fizeram de maneira mais apropriada, respeitando a mais antiga tradição espiritual: no meio sacerdotal. Num ambiente cultural subdividido por numerosos conflitos, os padres mágicos surgiram sob aplausos. Vinham explicar aquilo que Pawels e Bergier explicavam em seu livro: que o fantástico é uma realidade natural, acessível aos que não dormem o sono intelectual. E o faziam de maneira muito mais simples, através de cursos populares ilustrados por exibições hipnóticas e mágicas de teatro.
De um momento para outro vimos surgirem algumas figuras curiosas que ensinavam a doutos e incultos, a cientes e incientes, várias ciências novas. Frei Boaventura Klopemburg, por exemplo, Irmão Vitrício, "introdutor da letargia no Brasil", que se esparramou em espetáculos de teatro e televisão, "provando" que os fenômenos mediúnicos nada mais eram do que encenações letárgicas. Até hoje ninguém conseguiu uma prova de que a letargia seja uma ciência diferente da hipnologia. Mas para que provas, quando temos as exibições teatrais? O Padre-jesuíta Oscar Gonzalez Quevedo invadiu escolas superiores, estações de televisão, auditórios e páginas de jornais e revistas para ensinar uma nova parapsicologia "made in Madri" que fez furor em todos os setores. O iluminado sacerdote dava cursos de comunicações de além-túmulo e provava que médiuns e estudiosos do Espiritismo não passavam de beócios e ingênuos. A verdade escorria dos dedos do padre como chuva de verão, fácil e passageira: O inconsciente é um gênio desconhecido; quem faz tudo isso é o inconsciente.
Simpático, sorridente, estribado numa auto-suficiência de espantar mouros da costa, o P. Quevedo distribuiu os seus cursos pelo meio universitário, concedeu entrevistas farfalhantes a jornais, revistas ilustradas e estações de televisão e acabou publicando um calhamaço que reúne a sua profunda sabedoria: A Face Oculta da Mente. O que há de oculto nesse grosso volume foi revelado pelo conhecido estudioso do assunto, o metapsiquista e espírita Carlos Imbassahy, com seu livro A Farsa Escura da Mente. Basta confrontar os dois volumes para se ver a que despropósitos chegou a ciência infusa do P. Quevedo, no seu afã de provar a genialidade do inconsciente.
No fundo, as conclusões do padre são mais otimistas que as do famoso doutor Pangloss. Não existem fenômenos espíritas, mas, em compensação, todos nós somos geniais. Que importa se não podemos provar a sobrevivência do homem após a morte? Temos uma prova muito mais valiosa: a de que cada um de nós carrega um gênio oculto no inconsciente. É verdade que, conscientemente, podemos ser uns pobres diabos. Mas isso é passageiro. Lá dentro, nas criptas e furnas secretas do inconsciente, que o pobre Dr. Freud não foi capaz de penetrar, dorme sempre o gênio desconhecido. O P. Quevedo penetra nas furnas, sacode o dorminhoco, desperta-o, admira-se ele mesmo da sua façanha e exclama, como na conhecida anedota: "Che vedo!".
Somos uns gênios incubados. Talvez a morte nos desperte para a genialidade inconsciente. Não basta isso? Não, o P. Quevedo ainda não se contenta com isso. Seu otimismo encontra apoio nas teorias do maravilhoso Dr. Giuseppe Galigaris: Podemos refletir o Universo na pele! Seria possível maior maravilha? Que campo novo para os dermatologistas! Antigamente podíamos ter o diabo na pele. Hoje, podemos ter o Universo. O P. Quevedo explica a ração dessas coisas espantosas: "... a manifestação das faculdades paranormais é o resíduo do extraordinário poder que possuía a natureza humana quando foi criada, poder que desfrutaria num paraíso terrestre" (A Face Oculta da Mente, pág. 329). Dessa maneira, o padre nos revela uma herança que desconhecíamos. Até agora, só nos haviam ensinado que herdamos o pecado. O padre descobre e nos conta que herdamos também os poderes celestes de nosso pai Adão, o pecador. Podemos recuperar um pouco do paraíso perdido através das mágicas geniais do nosso inconsciente.
Na verdade, as mágicas não são do inconsciente, são do padre. Ou melhor, dos padres mágicos que andam fazendo exibições de palco e televisão, no afã de negar a possibilidade da comunicação espiritual com os que partiram da Terra. Curiosas contradições humanas! Quem diria que justamente os sacerdotes, incumbidos de lembrar aos homens a sua natureza imortal, iriam voltar-se contra as provas da sobrevivência e apelar até mesmo para os truques de magia e os passes hipnóticos a fim de provarem que os fenômenos espíritas não existem? Pois é o que temos aí, aos nossos olhos. Padre e frades faquirizando contra o Espiritismo, organizando grupos de sensitivos previamente treinados para exibições teatrais, fazendo artes em público e afirmando que somos herdeiros de poderes paradisíacos, puramente materiais.
Mas surgem, às vezes, coisas inesperadas. O P. Quevedo declarou insistentemente que entendia de magia teatral. Mas como afirmou, muitas vezes mais, que pelo poder da mente dominava o corpo, impedia o fluxo sangüíneo nos ferimentos e suprimia a dor, ninguém pensou nos seus poderes mágicos. Até que alguns mágicos de verdade, mágicos profissionais, que trabalham em palcos e circos, ganhando honestamente a vida na prática de uma velha arte, tão nobre como qualquer outra – sem jamais enganarem a ninguém, pois todos sabem que se trata de uma arte e não de poderes estranhos - resolveram assistir os cursos do padre. Assistiram, viram tudo e ficaram indignados. Sim, porque o padre fazia mágicas e dizia que estava fazendo ciência! Então, modestamente, os mágicos de verdade resolveram protestar. E o fizeram com o maior respeito pela genialidade inconsciente dos ilustres reverendos.
A revista "Miríade Mágica", órgão do Núcleo Mágico de Niterói, resolveu tratar do assunto em seus números 9 e 10, de abril-maio de 1965. Num artigo sério, intitulado A propaganda e seus efeitos, os mágicos aplaudem as habilidades do padre mas discordam de certos exageros. Vejamos um trecho, com a devida vênia:
"Ainda agora, com o objetivo de adquirirmos alguns conhecimentos, para melhoria de nossos trabalhos, freqüentamos as conferências proferidas pelo ilustre professor de parapsicologia P. Oscar Gonzáles Quevedo, S.J., no curso intensivo dessa ciência, e ficamos convencidos de que se deve apoiar e colaborar no sentido de combater as superstições e crendices que levam a humanidade a inferiorizar-se, acreditando em fraudes conscientes e inconscientes".
Até aqui, como se vê, a maior boa vontade, a intenção de aprender e o evidente respeito para com o ilustre professor. Mas, a seguir, os mágicos reagem na defesa da profissão e também na defesa da lealdade mágica, como se vê neste trecho:
"... embora reservemo-nos o direito de discordar de certas afirmativas do reverendo professor, como a de que o ilusionismo frauda, principalmente pela sua declaração de ser cultor de nossa Arte e havê-lo demonstrado efetivamente, em todas as ilustrações do curso, como sejam: visão paraótica, estrada hipnótica, visão através dos corpos opacos, baralho-rosário, pantominesia, mnemotecnia, adivinhação extra-sensorial, cumberlandismo ou crime simulado, hipnose teatral e um pouco de faquirismo, espetando um estilete no braço".
Está aí o rol de mágicas que o P. Quevedo oferece aos seus alunos de parapsicologia. No curso acima referido, segundo o articulista, o padre declarou "alto e bom som" que se tratava de experiências científicas entre aspas. Na maioria dos cursos, e mesmo em programa de televisão, não aparecem essas aspas. Pelo contrário, tivemos a oportunidade de ver apenas as aspas do touro da verdade vacilando ante as negaças do toureio espanhol. Mas voltemos aos mágicos. Ouçamo-los:
"... em o Jornal do Brasil vimos uma fotografia com o estilete espetado no braço, e no histórico a afirmativa de diâmetro, sem sangrar e sem que o paciente sofresse qualquer dor. Ora, embora não pratiquemos esta faceta do ilusionismo, sabemos como é praticada, por havermos auxiliado a apresentá-la e conhecemos os seus truques "científicos". Acreditamos que a alegação (mentirosa) do buraco, pode gerar crendice até em pessoa ilustrada. Quanto à dor, a letargia apresentada entre nós pelo Irmão Vitrício já a explicou suficientemente (para empregarmos um termo também bastante pretensioso), além de devermos considerar que o maior dorimento é o da periferia, e, por isso mesmo, o estilete é biselado (o truque)".
A seguir, o articulista explica que o ilusionista não pretende fraudar, iludir ou enganar, mas apenas ilusionar. E acentua:ilusionista que não ilusiona comete fraude. Assinala ainda que o ilusionismo não pretende atacar nenhuma religião, nenhuma crença. É apenas uma arte. Todos os que vão assistir a um espetáculo sabem que estão vendo artifícios e não fenômenos de qualquer espécie. Que bonita lição de honestidade profissional nos dão os mágicos, em sua modesta revista! Ouçamo-los ainda:
"Se alguém faz a levitação sem truques (os corpos celestes aí estão para comprovar) não se depreende daí que o contestemos. Apenas declaramos que usamos truques para simularmos o que é, ou o que asseveram ser real".
Para encerrar o artigo, que se refere especialmente ao problema da publicidade, o articulista de "Miríade Mágica" exclama, certamente aturdido com as "maravilhas" que havia presenciado: "Cuidado pois com a publicidade! Não permitamos os exageros que nos poderão prejudicar". E nada mais foi dito. Mas significativamente recebemos um exemplar desse número da revista, cuja distribuição é feita apenas entre os mágicos profissionais. Esperamos que o remetente não se aborreça com a publicidade eventual que estamos fazendo da sua revista e da sua profissão. Não temos outra intenção senão aquela mesma que o orientou: a de mostrar aos homens de boa-fé que, segundo a lição evangélica, devemos ser mansos como as pombas mas não podemos esquecer a prudência das serpentes.
De tudo quanto aí fica, tire o leitor as suas conclusões. Os padres mágicos constituem um dos capítulos mais curiosos da história da Parapsicologia no Brasil. Não podíamos deixar de registrá-lo neste volume, como uma contribuição para os futuros historiadores. E também (porque não?) como uma justa homenagem à habilidade dos padres mágicos, que têm dominado platéias numerosas e conquistado auditórios ilustres. Aliás, o Livro de Atos refere-se a alguns mágicos da era apostólica, como o caso de Elymas, o encantador (13, 6-12), a quem Paulo advertiu que não continuasse a perturbar os retos caminhos do Senhor, e o tão conhecido caso de Simão, o mago (8: 9-24), a quem Pedro repreendeu, por não ter o coração reto diante do Senhor.
Novo livro do P. Quevedo foi publicado recentemente, em dois volumes, com o título de As Forças Físicas da Mente. Afirma o autor que existem duas forças nos fenômenos paranormais: "... umas vezes há exteriorização de força material, outras vezes de força espiritual". Isto é o que se chama descobrir a pólvora, pois tanto no Espiritismo, quando na Metapsíquica e na Parapsicologia todos os autores sabem disso. Os dois volumes do padre não vão além do emaranhado de contradições de seu livro anterior: A Face Oculta da Mente. Sua finalidade é apenas combater o Espiritismo.
O curioso é um padre publicar dois volumes para contradizer a principal descoberta científica do século, feita e proclamada pela escola de Rhine: a de que a mente não é física. A mente, pois, não possui forças físicas, e como ensina Rhine, age "por vias não físicas sobre a matéria". Nos fenômenos físicos paranormais exteriorizam-se forças físicas do médium sob a ação das forças mentais ou espirituais do próprio médium ou dos Espíritos. Essa interação mente-corpo é princípio básico bastante estudado e confirma cientificamente a relação alma-corpo que é fundamento das religiões. Gustave Geley explicou a emissão do ectoplasma como o resultado da ação de "controladores espirituais" sobre os médiuns. Este problema só continua a ser problema para os materialistas.
J. Herculano Pires
Fonte: Parapsicologia Hoje e Amanhã, páginas 199 a 212, Edicel, SP, 9ª edição, 1987.
"Ouça quem tem ouvidos de ouvir"
Assistimos, ontem, dia 23/01/2000 no programa "Fantástico" a reportagem com o Pe. Quevedo. O tema foi a transcomunicação instrumental, onde o pesquisador Clóvis Nunes mostrou algumas imagens de espíritos obtidas por meio da TV, a quem o Pe. Quevedo disse ser apenas fotografia de pensamento.
Notamos que, a certa altura, ele disse, senão textualmente, algo próximo disto: "O espírito sem o corpo físico não pode se manifestar". Achamos muito estranha esta afirmativa partindo de um padre, pois todos eles têm a Bíblia como verdade insofismável, e nela com certeza, vemos que os espíritos de quem já morreu se comunicam com os vivos. Há uns tempos atrás, fiz um artigo, de que reproduzo algumas partes:
Os mortos voltam para se comunicarem com os vivos?
O programa "Você Decide", da Rede Globo de Televisão, realizado no dia 26.05.1994, teve como tema central: "Se o testemunho de um morto poderia ser aceito num tribunal". Com o desenrolar do programa ficou bem nítido que a questão fundamental era, na verdade, se um morto poderia comunicar-se com os vivos.
Ao final do programa, o resultado apurado foi: Sim 48.359 = 69% e Não 21.926 = 31%.
Observamos que a grande maioria das pessoas acredita na possibilidade da comunicação dos "mortos" com os vivos. Aliás, os católicos comunicam-se com os santos que são espíritos.
Se uma pessoa disser que não acredita, de forma alguma, que os "mortos" se comunicam com os vivos, não me importaria, pois, muitas vezes, a falta de conhecimento, o misticismo, o medo, os princípios religiosos que abraça, podem tolher a visão de modo que não consegue enxergar a verdade, por mais óbvia que seja. Temos um exemplo disso, não muito longe de nosso tempo, quando Galileu Galilei veio, com uma nova teoria, dizer que a Terra não era o centro do Universo, o que quase lhe custou a vida numa fogueira.
O que não posso aceitar são as afirmações de que na Bíblia não há a comunicação dos mortos com os vivos. Para estas pessoas que afirmam isso, só poderemos dizer que não possuem nenhum conhecimento da Bíblia ou que apenas conhecem alguma parte dela, mas não conhecem o conjunto, pois que a visão do conjunto, muitas vezes, nos leva à compreensão de uma verdade que não aparece num simples enunciado.
Um telespectador que é um exemplo do que falo, cita que Paulo disse que somente morremos uma vez; que iremos aguardar o juízo final.
Analisando esta citação, vamos ver se ela têm sentido. Se aceitarmos que somente morremos uma vez, chegaríamos à conclusão de que Jesus e os apóstolos não poderiam ter ressuscitado ninguém, pois, para estas pessoas, haveria duas mortes, o que é contrário à citação. Mas o verdadeiro sentido é de que, neste corpo físico, somente morreremos uma vez. e em definitivo.
E, finalmente, vamos agora buscar dentro das Escrituras algumas passagens que podem sustentar ou evidenciar a comunicação com os mortos. A mais evidente do Novo Testamento, fora as de Jesus entre nós, depois que havia morrido, é a narrada por Mateus (17, 1-4): "Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou a um lugar à parte, sobre um alto monte. Transfigurou-se diante deles: seu rosto brilhava como o sol e sua roupa tornou-se branca como a luz. Então lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Ele. Pedro interveio, dizendo a Jesus: "Senhor, como é bom estarmos aqui! Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias." Trata-se de um fenômeno de materialização, onde os espíritos de Moisés e Elias apareceram a Jesus, Pedro, Tiago e João. Repetimos espíritos, pois Moisés e Elias já haviam morrido, e, nesta passagem, é relatada a comunicação deles, pois conforme fala Mateus, estavam estes espíritos conversando com Jesus.
Em Atos 16, 16-18: "Certa vez, enquanto nos dirigíamos para o lugar de oração, veio ao nosso encontro uma jovem criada, que possuía um espírito adivinhador. Com suas adivinhações, ela conseguia muito lucro aos seus senhores. Ela começou a seguir Paulo e a nós, gritando: "Estes homens são servidores do Deus Altíssimo; eles vos ensinam o caminho da salvação." E assim procedeu por muitos dias. Finalmente Paulo, aborrecido, virou-se para ela e disse ao espírito: "em nome de Jesus Cristo, eu te ordeno que saias dela." E ele saiu no mesmo instante." Paulo, na ordem que deu ao espírito para que saísse daquela moça, estava, na verdade, se comunicando com este espírito, que há algum tempo vinha o elogiando, e que para isso se utilizava do corpo da moça, o que vulgarmente se chamaria de incorporação.
Em Atos 8, 26-29: "O anjo do Senhor dirigiu a Filipe estas palavras: "Tu irás rumo ao Sul, pela estrada que desce de Jerusalém a Gaza. Ela está deserta." Filipe partiu imediatamente. Ora, vinha chegando um etíope, eunuco e alto funcionário da corte de Candace, rainha da Etiópia que lhe tinha entregue a guarda de todos os seus tesouros. Ele tinha ido a Jerusalém adorar a Deus. Agora voltava, lendo o Profeta Isaias, sentado em sua carruagem. O Espírito disse a Filipe: "Aproxima-te e acompanha essa carruagem." Mais uma comunicação, onde um espírito orienta a Filipe sobre como ele deveria agir.
E para que não reste mais nenhuma dúvida sobre a comunicação dos mortos com os vivos, vamos agora ver isso no Antigo Testamento. A passagem é bem nítida sobre a comunicação dos mortos. Iremos então ler em I Samuel 28, 7-20: "O rei disse aos seus servos: "Procurai-me uma necromante para que eu a consulte." – "Há uma em Endor", responderam-lhe. Saul disfarçou-se, tomou outras vestes e pôs-se a caminho com dois homens. Chegaram à noite à casa da mulher. Saul disse-lhe: "Predize-me o futuro, evocando um morto; faze-me vir aquele que eu te designar." Respondeu-lhe a mulher: "Tu bem sabes o que fez Saul, como expulsou da terra os necromantes e os adivinhos. Por que me armas ciladas para matar-me? Saul, porém, jurou-lhe pelo Senhor: "Por Deus, disse ele, não te acontecerá mal algum por causa disto." Disse-lhe então a mulher: "A quem evocarei?" – "Evoca-me Samuel." E a mulher, tendo visto Samuel, soltou um grande grito: "Por que me enganaste?" – Disse ela ao rei. "Tu és Saul!" E o rei: "Não temas! Que vês? – A mulher: "Vejo um deus que sobe da terra" – "Qual é o seu aspecto?" – "É um ancião, envolto num manto." – Saul compreendeu que era Samuel, e prostrou-se com o rosto por terra. Samuel disse ao rei: "Por que me incomodaste, fazendo-me subir aqui? – "Estou em grande angústia, disse o rei. Os filisteus atacam-me e Deus se retirou de mim, não me respondendo mais, nem por profetas, nem por sonhos. Chamei-te para que me indiques o que devo fazer." - Samuel disse-lhe: "Por que me consultas, uma vez que o Senhor se retirou de ti, tornando-se teu adversário? Fez o Senhor como ele o tinha anunciado pela minha boca. Ele tira a realeza de tua mão para dá-la a outro, a Davi. Não obedeceste à voz do Senhor e não fizeste sentir a Amalec o fogo de sua cólera; eis porque o Senhor te trata hoje assim. E mais: o Senhor vai entregar Israel, juntamente contigo, nas mãos dos filisteus. Amanhã, tu e teus filhos estareis comigo, e o Senhor entregará aos filisteus o acampamento de Israel". Saul, atemorizado com as palavras de Samuel, caiu estendido por terra, pois estava extenuado, nada tendo comido todo aquele dia e toda aquela noite."
Mais claro do que isto é impossível. Entretanto, como diz Jesus: "ouça quem tem ouvidos de ouvir." Pela narrativa, Saul vai procurar uma necromante a fim de consultar o espírito de Samuel sobre o que aconteceria na batalha com os filisteus. Ouve, via "incorporação", de Samuel que Deus o entregaria aos filisteus, o que de fato aconteceu.
Por fim, citaremos Deuteronômio, 18, 9-12: "Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá, não te porás a imitar as práticas abomináveis da gente daquela terra. Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à evocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações."
Ao proibir a evocação dos mortos, Deus, partindo-se do pressuposto de que essa ordem é Dele, nos dá o maior atestado de que a comunicação com os mortos é real, pois não haveria sentido nenhum proibir algo que não existisse. Quanto ao termo Espiritismo, trata-se de uma grosseira adulteração dos textos, pois é um neologismo criado em 1857 por Allan Kardec, quando, aos 18 dias do mês de abril, lança o "Livro dos Espíritos". De mais a mais, para os leigos Espiritismo e evocação dos mortos são a mesma coisa, e não haveria sentido proibir a mesma coisa duas vezes.
O que fica, e é para nós, irrefutável, é que a comunicação dos mortos é possível, desde muito tempo atrás, apesar das mentes fechadas que não quererem ver o óbvio.
Para os que têm a Bíblia como palavra de Deus, procurem sair-se da incoerência em que se encontram, e vejam que, com seus próprios argumentos, a palavra de Deus fala incontestavelmente da comunicação dos mortos com os vivos. E novamente recordamos o que disse Jesus: "ouça quem tem ouvidos de ouvir."
Paulo da Silva Neto Sobrinho
Maio 1994
(Publicado no Jornal Espírita, Julho de 2000, nº 299, Órgão da Federação Espírita do Estado de São Paulo).
Padre Quevedo e a Missão do Espiritismo
A única reação plausível que compete aos espíritas é trabalhar ainda mais, usando todos os recursos disponíveis para realizar uma ampla divulgação dirigida a população em geral, sobre o que é o Espiritismo.
Muitos espíritas, ao tomarem conhecimento da participação do padre Quevedo no programa do "Fantástico", levado quinzenalmente pela TV Globo, demonstraram uma certa preocupação com os efeitos que isso poderia causar na opinião pública com relação ao espiritismo. Recebi uma grande quantidade de telefonemas e e-mails vindos de diversas localidades do nosso país, manifestando essa preocupação.
Minha reação foi adversa, senti-me feliz, pois com esse evento, foi colocado em pauta através de um veículo poderoso de comunicação, um assunto que, mesmo abordado de forma contraditória, vai trazer grandes benefícios a nossa doutrina, a menos que, alguns espíritas menos avisados, se proponham a duelar, tentando provar alguma coisa através de fenômenos. Confesso que me assustei ao ver o companheiro Clovis Nunes apresentando o seu material, ainda bem que não extrapolou, limitou-se apenas a mostrar o que tinha, isso tranqüilizou-me, embora sua participação nada tenha acrescentado em favor do espiritismo.
O espiritismo tem por missão, revelar ao homem, a sua imortalidade e aproximá-lo da sua real natureza. Portanto, o espírita não deve estar preocupado em provar nada a ninguém, à ciência compete essa missão.
A título de análise, convido os leitores, principalmente aqueles que estão preocupados com a posição da ciência, a imaginar junto comigo o seguinte: vamos supor que em uma bela manhã, deparamos com uma manchete estampada em todos os jornais e na imprensa em geral de todo o mundo, com os seguintes dizeres: "Finalmente os cientistas comprovaram a reencarnação e a existência do espírito!". Ainda imaginando... à noite, deste mesmo dia, diante dos homens de ciência frente às câmeras de televisão, vários espíritos se materializassem e suas imagens fossem transmitidas para todos os habitantes do planeta. Já pensaram quais seriam as conseqüências geradas por esse fato?
As pessoas, em todo o mundo, estariam preparadas para assimilar essa realidade e compreendê-la?
Qual o comportamento que assumiriam os religiosos sectários e fanáticos?
A igreja milenar, agora sem o poder das fogueiras para queimar os descobridores da verdade, estaria disposta a reconsiderar seus conceitos?
E os espíritas, estariam preparados para atender a demanda em suas instituições?
Analisem profundamente a questão e, com certeza, concluirão que, conforme o que aprendemos com a doutrina espírita, para tudo existe um tempo certo, e que, se isso realmente acontecesse prematuramente, com certeza, estabeleceria um caos social e moral, prejudicando a evolução planetária.
Portanto, aquietemos nossos ânimos e procuremos em nossos próprios núcleos os únicos elementos que realmente podem retardar a marcha do espiritismo. Os detratores de toda a sorte não poderão jamais ofuscar a luz que emana do Consolador Prometido, ao contrário, farão com que brilhe ainda mais.
Apoio Indireto
A presença do padre Quevedo no Fantástico, estimulará outras emissoras de TV a trazer para suas telas, programações abordando assuntos semelhantes, o que, na certa, acabará despertando naqueles que estão a procura da verdade, o interesse pelo assunto, promovendo uma ampla divulgação favorável ao espiritismo.
A doutrina espírita, não é uma doutrina fundamentada em fenômenos, prescinde deles, é fundamentada na razão. Assimilá-la, é uma questão de discernimento. A lógica profunda contida nas leis universais que revela,, é a ferramenta a ser usada pelos espíritas para contrapor à ignorância. Basta um pouco de raciocínio para desmontar completamente a teoria do nosso amigo Quevedo.
Vejamos, sendo ele de formação católica, suas convicções religiosas estão fundamentadas no Evangelho, portanto, admite a sua veracidade.
Como ele explicaria o episódio da transfiguração, quando Elias e Moisés foram vistos pelos apóstolos ao lado de Jesus? Estariam vendo imagens emitidas pelo próprio subconsciente?
Será que naquele momento, estavam todos pensando exatamente nos mesmos personagens?
Como poderiam, através do subconsciente, projetar simultaneamente as imagens de pessoas que não conheceram e nem ao menos sabiam como eles eram fisicamente?
Não foi uma aparição restrita à visão de uma única pessoa, foram vários apóstolos que presenciaram as imagens. Eram tão reais que eles até cogitaram em preparar tendas para acomodar os ilustres visitantes.
É compreensível a posição do nosso irmão Quevedo. Hoje sabemos que, embora submetidos à uma convivência irrestrita, nem todos estamos transitando na mesma faixa de compreensão e discernimento. Muitos, apesar do brilho aparente, são espíritos dotados de um discernimento muito restrito, o qual, não pode ser ampliando apenas absorvendo cultura, é necessário muito mais que isso, é preciso que se acumulem muitas experiências de vida através de inumeráveis reencarnações marcadas por um razoável aproveitamento.
Falta de aprofundamento
Talvez, o discernimento do nosso irmão, esteja limitado apenas à cultura adquirida e aos preconceitos religiosos provavelmente sustentados a cada reencarnação. Hoje através do seu "subconsciente", "inconscientemente", tenta reviver um período da história da humanidade onde a Igreja era "dona absoluta" da verdade, incapaz de fazer prevalecer seus dogmas religiosos e sentindo a pressão da verdade, tenta desmenti-la. Sem a autoridade religiosa de que era revestido em outras eras, tenta agora, através da Parapsicologia tendenciosa que pratica, impor as suas teorias, entretanto, desconhece que, na ciência, uma teoria não é o suficiente para desmentir outra. É preciso a comprovação material do fato. Não podemos colocar um espírito na proveta para provar à ciência que ele existe e nem tão pouco, a ciência, dispõe de fatos concretos que possam desmentir a sua existência. Nesse impasse, fica o dito pelo não dito, até que se prove o contrário.
Até hoje, nada do que o espiritismo revelou foi desmentido pela ciência, entretanto, muitas das coisas que a Igreja que o nosso irmão defende, e que, outras tantas, adotaram como verdades, há muito foram desmentidas pela ciência e se tornaram até certo ponto, ridículas.
A única reação plausível que compete aos espíritas, é trabalhar ainda mais, usando todos os recursos disponíveis para realizar uma ampla divulgação dirigida a população em geral, sobre o que é o espiritismo.
Precisamos aprender a conviver com os fatos, e nós espíritas, não compete a missão dos laboratórios acadêmicos, mas sim, a dos laboratórios da alma, preparando a humanidade para essa verdade que, em momento oportuno, será comprovada de forma incontestável.
Até lá, cuidemos para que as portas dos nossos núcleos de trabalho estejam abertas aos viajantes do caminho a fim de que possam encontrar o reconforto para os seus corações e o esclarecimento para suas consciências, de forma simples, e acessível à todos os níveis de entendimento.
Nelson Moraes
Fonte: Revista Cristã de Espiritismo, ano 01, nº 5, páginas 40/41.
Quando o Quevedo apresenta-se como parapsicólogo, comete heresia, comportamento que a "Santa Igreja" pune com os rigores do inferno. Ainda bem que o Quevedo não acredita, como nós, espíritas, na existência dos "tinhosos", mas quando ele publicamente afirmou isso, foi punido pela Cúria do Rio e dos escalões superiores com a proibição de falar. Sofremos nós mais do que ele, porque diz tantas mentiras e tolices que os espíritas ficaram privados de tão farto material para nosso divertimento. O que ele diz equivale a esterco, que serve para alimentar as plantas através das raízes, e fortalece o Espiritismo em seus magníficos frutos e coloridas flores. Tivemos a honra de receber dele a comunicação da "pena de silêncio" (que pena). As iras da Igreja foram engrossadas pela reação da líder católica em Belo Horizonte, Maria Isabel Adami Carvalho Potenza, que em coluna de testemunho cristão, num dos jornais mineiros, sem mencionar o nome do padre jesuíta, por caridade, identifica-o muito bem. Dentre outras coisas, ela recomenda que o "sapateiro não vá além do chinelo".
Em São Paulo, no Anhembi, nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1992, estivemos, juntamente com os amigos Clóvis Nunes e Ney Prieto Peres, no 1º Congresso Brasileiro de Parapsicologia e Religião, para serem estudados, conforme o subtítulo dos certificados que temos, "os fenômenos parapsicológicos e a comunicação com os mortos". Participamos como palestrante e debatedor na mesa-redonda, na presença, dentre outros, do Quevedo. Fomos por convite que inavertidamente nos fizeram, por acreditarem que o Quevedo poderia calar-nos. No que me tocou, mostrei os slides que tenho e que já cedi a alguns confrades sobre o Museu das Almas do Purgatório (já abordado nesta revista), que há em Roma, na Lungo Travere Pratti, nº 12, Igreja do Sagrado Coração do Sufrágio. Lá existem 280 provas da manifestação dos chamados mortos, coletadas pela própria Igreja Católica, em igrejas, conventos, mosteiros... e unicamente com padres, cardeais, bispos, freiras, irmãs da mesma ordem. Quevedo viu, ouviu detalhes, imagens, nomes, locais... e silenciou! Porque, das duas, uma: ou confirmava o fenômeno mediúnico, ou teria que classificar os envolvidos como tolos, charlatães, picaretas. Dolorosa situação. E teve que ouvir a declaração que tenho do jesuíta, como ele, Quevedo, Pe. Ernesto, que tinha o controle do museu, textualmente: "A Igreja condena a possibilidade de evocar os espíritos dos defuntos mediante a prática dos médiuns. Aqui se trata de outra coisa. São espíritos que espontaneamente se manifestaram para pedir sufrágios e deixaram marcas de sua passagem".
Então, manifestam-se ou não?
Em matéria anteriormente publicada nesta revista, mostramos fotos do Museu das Almas, citando também o fenômeno das caras de Belmez de la Moraleda, na província de Jaén, Espanha. Padre Quevedo nunca esteve lá, nem sequer de passagem, como afirma Don Manuel Rodriguez Rivas, alcaide-presidente da villa. Pois bem, Quevedo foi logo dizendo que aquilo era uma fraude. Isso provocou a reação do professor Dr. Hans Bender, do Insitut fur Grenzgebiete der Psychologie und Psychohygiene, da cidade de Friburgo, Alemanha. Uma das maiores autoridades em parapsicologia do Rádio Madrid, da Espanha, que "não compreendo como o padre Oscar González Quevedo pode permitir-se esse julgamento, porque jamais esteve em Belmez. Eu nunca o encontrei em nenhum congresso de Parapsicologia, nem na Europa nem nos Estados Unidos, e assim não posso fazer nenhuma idéia da atitude do padre Quevedo para formular tal julgamento. As caras de Belmez são o que se chama um fenômeno de teleplastia, espontâneo". Terminado o documento, o professor Bender afirma: "Se o padre González Quevedo continuar com a hipótese de fraude, que demonstre isso de forma contundente. Mas isso ele não pode demonstrar. Em vista disso, parece-me correto que, de agora em diante, ele se contivesse em seus julgamentos".
Temos muita coisa, ainda, sobre o Quevedo. É só ele aceitar um debate público, mas disso ele foge, como fugiu quando estávamos em Córdoba e ele, em Buenos Aires. A televisão cordobeza o chamou, e ele apenas alegou que não iria porque nós éramos um "espiritista fanático". Devia ter ido, para mostrar a falência do Espiritismo. Perdeu a oportunidade... Teve medo de se sair mal, como aconteceu num programa conosco, intitulado Bibi ao Vivo, apresentado pela atriz Bibi Ferreira, na extinta TV Tupi.
Essa mania de apelar para o inconsciente prática do Quevedo, a fim de justificar o que não se sabe, é argumento velho. O ser humano tem uma percepção sensorial de tempo, espaço e massa. No momento que conseguimos provar, com a matemática, que o Homem tem outra percepção que independe desses três fatores, então caracteriza-se a percepção extra-sensorial. Que contestem também com ela, a matemática. Garantimos que o Pe. Quevedo nada entende disso. É só colocá-lo à prova. Esse tal de "inconsciente" é uma espécie de conta bancária que paga qualquer cheque. O cheque é sem fundos, e a conta bancária, também. Vamos mudar algumas palavras numa certa quadrinha para encerrar o assunto:
"Se ignoras, atribui ao inconsciente
O inconsciente é um sábio mudo.
Atribui tudo ao inconsciente,
Que o inconsciente explica tudo".
Não sabemos quem é o autor. Trocamos tempo por inconsciente e, como vêem, tudo está resolvido.
Henrique Rodrigues
Fonte: Visão Espírita, ano 2, nº 20, páginas 10/11, Editora SEDA.
Testemunho de um Pastor Evangélico
Bispo Primaz e Pastor de uma Igreja Luterana, Dinei Dias conta neste depoimento como o Espiritismo trouxe respostas para suas dúvidas.
Meu nome é Dinei Dias Navarro, nasci em berço evangélico em 18 de outubro de 1953. Minha família toda é oriunda da igreja evangélica, minha bisavó já pertencia à igreja presbiteriana na Espanha, enquanto que meus avós e pais freqüentavam a Assembléia de Deus. Foi nesta igreja que nasci e permaneci por quase 30 anos. Depois, fui membro de outras igrejas evangélicas e, por último, fundei meu próprio ministério.
Fiz seminário e foi ali que o Espiritismo me chamou a atenção pela primeira vez. Estava estudando ciências religiosas e meus professores falavam muito a respeito de Allan Kardec. Diziam eles sofre o perigo do envolvimento com o Espiritismo, que todas as literaturas provenientes de tal religião jamais poderiam ser sequer tocadas por um evangélico, uma vez que tais obras tinham procedimento diabólico e, por isso, deveríamos repudiá-las.
Na ocasião, comecei a ler alguns livros, inclusive um psicografado por Chico Xavier. Li poucas páginas e logo o abandonei. Comecei a ter visões, inclusive com meu pai, que já havia morrido. Fiquei preocupado, pois aprendi a vida inteira que sonhar ou ver pessoas mortas não era bom, pelo contrário, era maligno. Procurava até mesmo evitar comentários sobre isso e somente minha esposa, Maria Augusta, sabia. Muitas vezes, ele me surpreendia quando eu acabava de ter visões, dizia que eu ficava todo transfigurado, muito embora tentasse não transparecer.
Assim aconteceu em muitas oportunidades e ainda acontece. Várias vezes estou no púlpito pregando e vejo coisas nas pessoas dentro do salão, chego até mesmo a omiti-las, pois são cenas que atemorizam. Porém, depois do fato consumado, fico com um peso na consciência por não ter falado o que vi para a pessoa envolvida.
Encontrando Respostas
Voltando ao Espiritismo, a segunda vez que ele me chamou a atenção foi em um curso de parapsicologia que fiz com o famoso Padre Quevedo, quando ele ainda não estava na mídia. Procurei o Centro Latino-Americano de Parapsicologia, entidade que o tinha com presidente, e percebi que repudiavam o Espiritismo. Então, procurei saber o porquê dos evangélicos e dos padres combaterem tanto a doutrina.
No Hospital Sírio-Libanês, conheci uma pessoa que mais tarde se tornou minha amiga e que era adepta do Espiritismo. Foi exatamente com ela que tirei algumas dúvidas. Essa minha amiga me mostrou que a doutrina espírita é a única religião a informar e esclarecer muitos assuntos para os quais os evangélicos não dão respostas e até mesmo evitam tocar, inclusive os fenômenos ocorridos com minha pessoa.
A parapsicologia do Padre Quevedo não conseguiu fazer com que eu aceitasse as teorias propostas, suas teses não me contentavam. Então, comecei a procurar e ler matérias e livros espíritas e holísticos. Felizmente, deparei com a Revista Cristã de Espiritismo, que me trouxe tudo aquilo que faltava para completar e preencher meu saber. A revista tem me oferecido uma nova visão das coisas. Posso falar, sem medo de errar, que ela tem me direcionado para o verdadeiro caminho.
Com muita sutileza, tenho comentado sobre isso na comunidade. Inclusive falei várias vezes pela rádio Antena Livre (103,5 FM), uma emissora comunitária onde tenho um espaço de duas horas diariamente, que as igrejas e o povo evangélico de modo geral, antes de combaterem o Espiritismo, taxando centros espíritas de "fábrica de loucos", precisam conhecer um pouquinho da doutrina, pois assim chegariam á real conclusão: a verdadeira caridade, quem a pratica?
A epístola de São Tiago diz: "A verdadeira religião é visitar o órfão e a viúva em suas necessidades". Então, qual é a verdadeira religião? Nós, da igreja evangélica, só falamos em dízimos e ofertas, inclusive usamos canais de televisão pregando isso. Mas será que praticamos a verdadeira religião?
Fonte: Revista Cristã de Espiritismo, ano 03, nº 15, página 41.
Padre Quevedo: Os Melhores Livros de Parapsicologia do Mundo ? ? ? ! ! !
O Pe. Quevedo é um dos mais conhecidos auto-denominados "parapsicólogos" do Brasil. Polêmico, sempre a defender seus pontos de vista com o seu peculiar "calor de imaginação" espanhol, Quevedo é dotado boa erudição, e isso poucos contestariam. Paradoxalmente, a ele pode-se considerar também uma incomum capacidade de "torcer" a realidade quando deseja ampliar a força de seus argumentos.
O Porto-riquenho, Dr. Dr.Alfonso Martinez-Taboas, psicólogo e pesquisador de Psi (primeiras letras da palavra grega "psiche". É um símbolo para designar os fenômenos ou faculdades paranormais), faz uma breve demonstração dessa "capacidade" quevediana de distorcer os fatos, em um artigo publicado na Revista Virtual de Pesquisa Psi, na seção "Artigos". Outro exemplo pode ser encontrado nesta seção Polêmica. É reproduzida a carta de outro eminente psicólogo e pesquisador de Psi, o americano, Dr. Charles T. Tart, que, ao contrário das afirmações de Quevedo, nega peremptoriamente ter demonstrado qualquer correlação entre psicopatologia e Psi.
Neste artigo, é apresentado outros documentos, estes relacionados à alegação feita pelo Padre Quevedo, de que seus livros haviam sido considerados os melhores livros de Parapsicologia do mundo. Apesar de tal afirmação já ter sido publicada na orelha de alguns de seus livros, recentemente ela volta a aparecer na página do CLAP - Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Site Oficial do Pe. Quevedo, na Internet. Para aqueles(as) que tiverem a curiosidade de lerem por si mesmos, o trecho está exatamente no final do texto encontrado no Site do CLAP, patrocinado por uma Instituição Católica, no seguinte endereço : http://www.catolicanet.com/clap/conteudo.asp?pagina=43
De qualquer forma, reproduzo o mesmo:
"Os livros do Padre Quevedo foram considerados pela Fundação Internacional de Parapsicologia, de Nova York (Dr. Weiant) e pela Sociedade de Investigação Parapsicológica, de Londres (Dr. Zorab) como os melhores livros de Parapsicologia no mundo, publicados até o momento."
Para verificar sua autenticidade, enviamos uma mensagem ao Diretor de Programas Domésticos e Internacionais da Parapsychology Foundation - New York, o Dr. Alvarado, inquirindo-o a respeito da veracidade da mesma no que tange à posição da PF. Perguntamo-lhe se o Dr.Weiant representava a Parapsychology Foundation e se poderia emitir opiniões oficiais pela referida Instituição.
Abaixo reproduzimos a mensagem (em espanhol e sua versão em português) que nos foi enviada pelo Dr. Alvarado, a quem queremos agradecer a gentileza e a rapidez com que respondeu. Depois disso, apresentamos a opinião de Zorab sobre dois dos livros escritos pelo Pe. Quevedo: "A Face Oculta da Mente" e "As Forças Físicas da Mente", para que o leitor possa formar sua opinião.
Mensagem Original (Em Espanhol)
De: Carlos S. Alvarado, Ph.D.
Para: Wellington Zangari
Data: Quinta-feira, 22 de Março de 2001 20:40
Estimado Sr. Zangari:
En respuesta a su carta le informo que consulté con la Sra. Eileen Coly, Presidenta de la Parapsychology Foundation, sobre lo que me preguntó. Ella me asegura que el Dr. C.W. Weiant nunca fue parte del staff de la Parapsychology Foundation y en ningún momento representó la opinión de la Fundación sobre los libros del Padre Oscar Gonzalez Quevedo.
La Parapsychology Foundation nunca emite opiniones oficiales sobre libros u otras materias. La Fundación representa todos los puntos de vista en el estudio de la parapsicología y se limita a publicar revistas en las cuales algunos autores ofrecen sus opiniones personales, lo cual es el caso que discutimos aqui. Lo que Weiant dijo no pasa de ser una opinión personal y no representa a la Parapsychology Foundation.
La Fundación le otorgó una beca a Weiant en el 1966 para traducir al inglés el libro del Padre Quevedo A Face Oculta da Mente (Annual report for the year 1966. Newsletter of the Parapsychology Foundation, Inc., 1967, 14(1), p. 3). En el 1966 la Fundación estaba negociando la adquisición de los derechos del libro para publicarlo en ingles (South American Jesuit presents major study. Newsletter of the Parapsychology Foundation. Inc., 1966, 13(2), p. 5). Sin embargo, el libro nunca se publicó.
En resumen, no es correcto decir que Weiant representaba a la Parapsychology Foundation cuando escribió su evaluación del libro del Padre Quevedo. Tal evaluación no pasa de ser una opinión personal de Weiant.
Atentamente, Carlos S. Alvarado, Ph.D.
Chairman: Domestic and International Programs
Parapsychology Foundation, Inc.
228 East 71st Street
New York, NY 10021,
USA
TEL: 1-212-628-1550 FAX: 1-212-628-1559
Email: alvarado@parapsychology.org
Tradução da Mensagem Original
De: Carlos S. Alvarado, Ph.D.
Para: Wellington Zangari
Data: Quinta-feira, 22 de Março de 2001 20:40
Caro Sr. Zangari :
Em resposta à sua carta, informo que consultei a Sra. Eileen Coly, Presidente da Parapsychology Foundation, sobre o que me perguntou. Ela me assegura que o Dr. C. W. Weiant nunca fez parte do staff da Parapsychology Foundation e em nenhum momento representou a opinião da Fundação sobre os livros do Padre Oscar Gonzales Quevedo.
A Parapsychology Foundation nunca emite opiniões oficiais sobre livros ou outras matérias. A Fundação representa todos os pontos de vista no estudo da Parapsicologia e se limita a publicar revistas nas quais alguns autores oferecem suas opiniões pessoais, que é o caso que discutimos aqui. O que o Sr. Weiant disse não passa de uma opinião pessoal e não representa a opinião da Parapsychology Foundation. (Destaque nosso)
A Fundação outorgou uma bolsa ao Sr. Weiant em 1966 para traduzir o livro do Padre Quevedo, "A Face Oculta da Mente", para o inglês. (Annual report for the year 1966. Newsletter of the Parapsychology Foundation, Inc., 1967, 14(1), p. 3). Em 1966 a Fundação estava negociando a aquisição dos direitos do livro para publicá-lo em inglês (South American Jesuit presents major study. Newsletter of the Parapsychology Foundation. Inc., 1966, 13(2), p. 5). Entretanto, o livro nunca foi publicado, em inglês. (Por que será ? - Destaque nosso)
Em resumo, não é correto dizer que o Sr. Weiant representava a Parapsychology Foundation quando escreveu sua avaliação do livro do Padre Quevedo. Tal avaliação não passa de uma opinião pessoal do Sr. Weiant.
Atenciosamente,
Carlos S. Alvarado, Ph.D.
Chairman: Domestic and International Programs
Parapsychology Foundation, Inc.
228 East 71st Street
New York, NY 10021, USA
TEL: 1-212-628-1550 FAX: 1-212-628-1559
Email: alvarado@parapsychology.org
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A carta do Dr. Alvarado, portanto, não deixa dúvidas de que, seja qual tenha sido a opinião do Sr. Weiant a respeito dos livros do Pe. Quevedo, essa não teve qualquer endosso e nem representava a posição da Parapsychology Foundation.
Na realidade, o Sr. Weiant não afirma que os livros de Quevedo são os melhores do mundo, em que pese considerar o autor como detentor de grandes predicados. Além disso, a opinião dele jamais representou a da Parapsychology Foundation.
Mas, o leitor deve estar se indagando quanto a Zorab, também citado no trecho extraído do site oficial do Pe. Quevedo, como outra pessoa a favor de que os livros do jesuíta Quevedo seriam os melhores do mundo.
Em um texto extraído da crítica escrita por G. Zorab de dois dos livros do Pe. Quevedo, "A Face Oculta da Mente" e as "Forças Físicas da Mente", publicada no JSPR - Journal of Society for Psychical Research, Vol. 46, nº 748, junho de 1971, páginas 141 a 144, Zorab, com relação aos livros de Quevedo, NÃO afirma serem os melhores do mundo. Considerar tais livros abrangentes e de boa qualidade para a época (década de 1960) e seu autor de grande erudição, não significa o mesmo que considerá-los os melhores do mundo, ainda que reconhecê-los tão abrangentes quanto os trabalhos de Richet e Moser. Abrangência não significa, necessariamente, maior qualidade.
Há que se mencionar, ainda, que a revisão de Zorab, em que pese o elogio feito, não poupa da crítica os livros de Quevedo. Apresentamos aqui, o original em Inglês e sua respectiva tradução :
"Before ending my review of Quevedo's book on psi-gamma phenomena, I would like to point out that the author's conceptions on the functioning of telepathy remain rather old-fashioned. It seems to me that in this matter Quevedo loses sight of the fact that the greater part of quantitative ESP experiments conducted at Duke University and elsewhere based on the hypothesis of clairvoyance. This may well indicate that the significant results were not obtained by way of telepathy (thought-transference, thought-reading, etc.) but by some form of clairvoyance. Clairvoyance, however, is apparently considered rather improbable by Quevedo and so he hardly mentions it." (JSPR, Vol. 46, nº 748, junho de 1971, página 142-143)
TRADUÇÃO:
Antes de finalizar minha revisão do livro de Quevedo sobre os fenômenos de psi-gamma, eu gostaria de afirmar que a concepção do autor sobre o funcionamento da telepatia está mais do que ultrapassado. Parece-me que nesta questão, Quevedo perde de vista o fato de que a maior parte dos experimentos de ESP (Extrasensory Perception ou Percepção Extra Sensorial ) realizados na Duke University, entre outros centros, basearam-se na hipótese da clarividência. Isto pode bem indicar que os resultados significativos não foram obtidos pela forma de telepatia (transmissão do pensamento, leitura do pensamento, etc), mas por alguma forma de clarividência. Clarividência, entretanto, é aparentemente considerada mais que improvável por Quevedo e, assim, ele dificilmente a menciona". (JSPR, Vol. 46, nº 748, junho de 1971, página 142-143).
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Como em qualquer crítica, o trabalho analisado é elogiado em seus aspectos positivos e criticado em seus aspectos que, na visão do revisor, parecem menos acertados. Zorab encontrou nesses dois trabalhos de Quevedo a amplitude de um guia que tinha a característica de ser de qualidade, apesar de criticar a concepção ultrapassada com que Quevedo compreende o processo subjacente à ESP. Zorab não afirmou, em hipótese nenhuma, que tais livros eram os melhores do mundo !
A que conclusão podemos chegar? Quanto à posição da Parapsychology Foundation, a carta do Dr. Alvarado nos dá conta de um equívoco ( para sermos polidos ) por parte de Quevedo. Em relação à posição de Zorab, falsamente colocada, pelo Sr. Quevedo, como representativa da SPRL - Society for Psychical Research de Londres, podemos concluir que : ou Quevedo detém algum documento não-publicado de Zorab e/ou da Society for Psychical Research de Londres; ou Ele detém algum documento publicado que não nos foi possível conseguir; ou, também se "equivocou" quanto a opinião de Zorab e da SPRL.
A Revista Virtual de Pesquisa Psi foi colocada à disposição do Pe. Quevedo para que ele possa, caso queira, apresentar sua posição a respeito dessa questão e/ou apresentar o(s) documento(s) que possa(m) embasar a afirmação de que seus livros foram realmente considerados como os melhores do mundo pela Parapsychology Foundation/Weint e pela Society for Psychical Research de Londres/Zorab.
OBS: O texto acima é de autoria do Sr. Wellington Zangari, Coordenador / Inter Psi, CEPE, COS, PUC-SP.
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Uma revisão crítica dos livros do Padre Quevedo
Alfonso Martinez Taboas
Os escritos e os trabalhos realizados pelo Padre Oscar González Quevedo são muito conhecidos e divulgados tanto na Espanha quanto na América Latina. Além de ser autor de várias obras parapsicólogicas, é diretor do CLAP – Centro Latino Americano de Parapsicologia, em São Paulo.
Seus escritos, à primeira vista, impressionam por sua volumosa documentação e por oferecerem a seus leitores uma série de argumentos e observações que parecem esclarecer muito da confusão que impera nos fenômenos paranormais.
Dissemos "à primeira vista" porque, ainda sem negar que em suas obras se recompila uma abundante quantidade de trabalhos clássicos, se lhe fazemos uma revisão crítica e detida em seus argumentos e documentação, nos defrontaremos com algo que nos causa estranheza. O que pareciam ser citações fidedignas de documentos, em ocasiões não infreqüentes, são distorções dos originais ! Seus raciocínios se debilitam consideravelmente ao nos depararmos com a sutileza com que usa diversas falácias. O que parece ser uma conclusão irrefutável, ao tratar-se de verificá-las nos documentos citados, mostrou-se insustentável, devido à manipulação de documentos.
O fato de que nos livros de um autor que se tem em tão alta estima se encontrem freqüentes contradições, omissões, distorções, erros e falácias, não é fácil de se pensar. E mais, teria o leitor toda razão em exigir, sem ambigüidade nenhuma, a quem faz tal asserção, que apresente evidência clara e consistente de que isso é assim. É meu propósito, pois, apresentar ao leitor parte das inconsistências que tenho encontrado nos escritos do Padre Quevedo.
Digo "parte", já que em meu fichário tenho listados, apenas do livro "As Forças Físicas da Mente", mais de 70 erros ou manejos indevidos de evidência. Os erros encontrados em "O que é Parapsicologia?" e " A Face Oculta da Mente", ainda que consideráveis, não alcançaram o número alarmante que encontramos em "As forças Físicas da Mente ".
Esclareço que meu interesse em revisar a documentação apresentada pelo Pe.Quevedo vem se realizando desde o ano de 1972. Em 1973, publiquei privadamente o ensaio que intitulei "Katie King", onde faço constar que González-Quevedo, em mais de duas dezenas de ocasiões, manipula a evidência a seu gosto, além de cometer erros crassos. Entre os anos 1973-1976, publiquei privadamente mais três ensaios sobre as obras do Pe. Quevedo, de onde continuava o trabalho de investigação de suas fontes. Finalmente, em 1977 publiquei meu ensaio "Uma revisão crítica dos escritos de Oscar González Quevedo, S.J.", onde enumero 50 erros ou distorções do material do Sr. Quevedo.
Sobre o material que me permitiu expor uma continuação, decidi dividi-lo em cinco partes. Estas são: contradições, omissões, distorções, erros e dogmatismo.
Às vezes, sua classificação é difícil porque em um só parágrafo pode haver dois dos ditos fatores. Desejo, em último lugar, enfatizar e advertir que a dita lista não pretende ser exaustiva. Só nos adverte sobre a necessidade de nos acercarmos de cautela e desconfiança, quando se trata do material que nos apresenta o Pe.Quevedo. ( nota : Enquanto não se indique o contrário, todas as referências são ao livro "As Forças Físicas da Mente" ).
Contradições :
1. Sobre o Médium Guzik, na página 159, tomo I, nos diz: "Otro gran médium que se presenta muchas veces como fraudulento, pero que tal vez deba entrar tambiém entre los que ‘al menos probablemente’ van en pro de la telecinesia real, es el polaco Jean Guzic." (página 162, tomo I, na edição em português : "Outro grande médium, que é muitas vezes apresentado como fraudulento, mas que se bem analisados os argumentos, ‘provavelmente’, ao menos, está de acordo com a telecinesia real ( Deslocamento ou movimentação de objetos à distância, sem interferência física - Destaque nosso ) , é o polaco Jean Guzik."). Na página 18, tomo II, esse "talvez" se converte em "creemos que sus qualidades parapsicológicas están fuera de duda". (página 325, tomo II, na edição em português: "cremos que suas qualidades parapsicológicas foram incontestáveis".) Evidência-se a divergência.
2. Nas páginas 80-87, do tomo I, (páginas 88 a 92 na edição em português), Quevedo diz que as irmãs Fox eram totalmente fraudulentas. Em outro capítulo (pág.71 – Ed. Espanhol e pag. 75 – Ed. Português) Ele referencia o Cientista Crooks, o qual é categórico ao dizer que os fenômenos relacionados às irmãs Fox são genuínos, e o Sr. Quevedo, concorda com Crooks! O mesmo ocorre na página 240 e na 96 (242 e 84 na edição em português) onde novamente cita Crooks, dizendo que suas experiências de tiptologia (comunicação dos espíritos por meio de pancadas - Destaque nosso) são genuínas. E tal citação é precisamente de Crooks referindo-se às irmãs FOX !
Omissões:
1. González Quevedo, ao esboçar sua teoria da ectoplasmia, alega que essa misteriosa e controversa substância chamada ectoplasma, o máximo que ela pode conseguir é formar membros ou figuras "rudimentares" e "imperfeitas".
Sobre o médium D. D. Home, diz o Pe. Quevedo que "jamais poderia imputar um truque". E é sintomático que as ectoplasmias do bem-dotado Home sempre tenham sido rudimentares". Quevedo passa a fundamentar sua asserção citando extensamente a Sir William Crooks ( p.281 ), onde parece demonstrar que as "mãos" que costumavam apresentar-se em suas sessões eram vagas e pouco precisas.
No entanto, é inquietante pensar por que o Pe.Quevedo não transcreveu o parágrafo seguinte do testemunho de Crooks, que é de sumo interesse e importância para fundamentar ou rejeitar sua teoria. Diz Crooks : " Ao toque, a mão às vezes parece fria como o gelo e como morta; em outras ocasiões, sensível e animada, e aperta minha mão com uma pressão firme, da mesma forma como faria um velho amigo."
Não cremos que o Pe. Quevedo tenha sido muito afortunado em omitir este parágrafo. Justamente onde o próprio Crooks desmente as características que González Quevedo arbritariamente atribui ao ectoplasma ! Mais estranho ainda é notar que nas biografias de Home, tais como a de Burton ("Heyday of a Wizard") e a da senhora Home ("D. D. Home: his life and His Mission"), detalham-se observações parecidas com as de Crooks, onde o suposto ectoplasma tomou formas precisas e definidas, inclusive sensíveis ao toque. É difícil pensar porque o Pe. Quevedo omite toda essa documentação, ainda mais quando o faz seletivamente, como no caso de Crooks.
2. Em "A Face Oculta da Mente", páginas 356-357, o Pe.Quevedo trata de desacreditar a hipótese espírita ao atribuir a senhora Piper, uma das mais renomadas médiuns mentais, a seguinte "confissão" : "Não creio que os espíritos dos mortos falem por intermédio de mim quando estou em estado de transe… A telepatia me parece mais plausível e a mais justa solução para o problema."
Essa citação é importante para a tese de Quevedo, e assim ele diz: "Ela mesma, como temos visto, auto-analisando-se, afirma que tudo quanto percebe está na memória inconsciente de alguém."
A "confissão" citada pelo Pe.Quevedo, para informação do leitor, apareceu originalmente no periódico "New york Herald" em 20 de outubro de 1901. É interessante notar que a própria senhora Piper desmentiu parcialmente a entrevista para o dito periódico. Isto o sabemos porque a senhora Piper declarou cinco dias depois ao "The Boston Adviser" : "Eu não fiz nenhuma declaração como a publicada pelo New York Herald ao fato de que os mortos não me controlam... Minha opinião é hoje a que tem sido nos últimos dezoito anos. Pode ser que os espíritos tivessem me controlado, ou pode ser que não tenham feito. Confesso que não sei." Mas isso, o Padre Quevedo não quis colocar em seu livro... Por que será ?
Ainda que haja indícios de que a senhora Piper não simpatizasse muito com a hipótese espírita, é um procedimento duvidoso ao máximo apresentar ao leitor a "confissão" de Piper do "New York Herald" sem advertir ao leitor da correção desta "confissão" em "The Boston Adviser". E ainda mais quando o Pe. Quevedo dá tanto peso a isto.
Distorções :
1. O Pe.Quevedo trata de desacreditar o caso da senhora Piper, médium mental, não só omitindo-nos dados relevantes à sua avaliação, como também desacreditando seus investigadores. Assim por exemplo, nos diz de Lodge: "Lodge, que também fez experimentos com Piper, reconheceu ( antes que o rude golpe não superado da morte de seu filho lhe debilitasse o sentido crítico e lhe fizesse inclinar-se ao espiritismo )..." (Veja "A Face Oculta da Mente", pp.355-356.)
Vejamos quão certo é isso. Sir Oliver Lodge manteve sessões com Piper desde 1889, e chegou a participar inclusive das sessões mais bem controladas. O filho de Lodge, de nome Raymond, morreu em 14 de setembro de 1915. No entanto, já em um Proceedings da Society for Phychical Reserch ( parte 58, p.284 ) de 1909, ou seja, seis anos antes da morte de seu filho, Lodge declarou : "A antiga série de sessões com Piper me convenceram da sobrevivência após morte, por razões que me seriam difíceis de formular, mas este foi seu efeito em mim." E, mais adiante, diz: "A hipótese da sobrevivência da personalidade... é a mais simples e a mais certa, e a única que se encaixa com tudo o que ocorreu."
A distorção a que se dá ao luxo o Pe.Quevedo, de querer fazer ver a Lodge como limitado criticamente pela morte de seu filho é outra das muitas que se evidenciam, ao conhecer as fontes originais.
2. Outro exemplo claro onde pegamos o Pe.Quevedo em flagrante é em sua menção a uma sessão de Aksakoff com Florence Cook ( tomo 2, pp70-71 ), onde Luxmoore e Aksakoff amarram a médium de forma pouco usual. De fato, tão extenso é o relato das amarras, que ocupam 110 palavras do testemunho de Aksakoff. O Pe.Quevedo, no relato que cita, não só omite todo o concernente às complicadas amarras como também, além disso, em uma parte do relato em que se faz indispensável conhecer sobre estas, corta a oração sem nem sequer colocar as reticências. Comparemos os relatos :
QUEVEDO: "Encontrei-me na presença da médium sentada na poltrona, submersa em um profundo transe."
AKSAKOFF: "Encontrei-me então só e em presença da médium, que se encontrava sentada em uma poltrona em um profundo transe, com as mãos amarradas atrás de suas costas."
Omitindo parte desta oração, e todo o relato anterior das amarras, Quevedo distorce o propósito da sessão e fica fácil explicá-la a seu gosto.
Erros:
Erros de dados, datas, nomes, etc., são numerosos. Ilustraremos com três exemplos.
1. Na página 11, tomo 2, González Quevedo afirma que os componentes do Círculo Minerva, (Clube Minerva, em Genebra ) onde vários homens nobres da Ciência se reuniam e faziam experimentos com a médium italiana Eusapia Palladino, eram todos "espirítas declarados". Aqui há um grave erro, pois nem o cientista Morselli nem o Professor Porro eram "espíritas". De fato, Sir Lombroso em seu livro "After Death – What ?" ataca fortemente a Morselli por seu anti-espiritismo. O Professor Porro, da Universidade de Gênova, em sua famosa declaração, especificou claramente que não aceitava a hipótese espírita. Outros dos que formaram o Círculo Minerva, como Vassallo, se converteram ao espiritismo após as sessões, não antes.
2. Na página 90, tomo 2, Quevedo resume dizendo que Crooks abandonou a hipótese espírita rapidamente em seus estudos. Aqui há um erro, pois sabemos bem que Crooks morreu acreditando no Espiritismo e acreditando que havia se comunicado com sua esposa. Veja o estudo de Medhurst e Goldney, em que se demonstra isto através de cartas.
CONCLUSÃO
O que diria sobre tudo isso, um Parapsicólogo sério e que estime a ciência? Primeiro, tem que esclarecer que o Pe. Quevedo só está expressando sua opinião particular ao dizer que "a Parapsicologia teórica" tem rechaçado o Espiritismo. Como bem assinala Scott Rogo: "Atualmente não há opiniões, reconhecidas em geral na Parapsicologia, sobre a sobrevivência após a morte.", ou seja, os parapsicólogos em geral, não opinam quanto à possibilidade de sobrevivência, depois que uma pessoa morre. ( Destaque nosso )
Segundo, sua insistência de que "Deus", "a Virgem" e a "Ordem Sobrenatural", têm se manifestado abertamente, e que isto está "cientificamente" demonstrado, é mais uma asserção teológica e apressada, que científica. Em nenhum de seus livros encontramos nem sequer as razões mínimas para dar apoio a estas informações tão categóricas. No entanto, Ele diz que elas estão "provadas", e nada menos que pela ciência ! O Padre Quevedo só não diz qual ciência, quando, como, quais cientistas, etc. Talvez Ele ache isso um detalhe sem importância. ( Destaque nosso )
Da mesma forma, outras muitas conjecturas, as quais costumam passar como "princípios" e "leis" sobre como deve atuar o ectoplasma, os limites da percepção extra-sensorial, etc, não nos parecem estar fundadas na razão e em firme documentação.
A obra de Quevedo não é fácil de ser julgada. Por um lado, seus conhecimentos sobre a história da Parapsicologia parecem ser vastos e impressionantes. No entanto, há razões mais que suficientes para concluir que Quevedo utiliza tal conhecimento para justificar seus fortes preconceitos ideológicos e teóricos, os quais evidentemente guardam certo compromisso com determinadas doutrinas da Igreja Católica. Portanto há, justificativa suficiente para rotular o Pe.Quevedo não como parapsicólogo, mas sim como um autor proselitista que deseja impulsionar de maneira desmedida sua ideologia católica.
Tratadistas como Gillispie (1958), Russel (1930) e White (1896) enfatizaram que a história da ciência conta com inúmeros exemplos de como uma ideologia religiosa implacável e apaixonada (como a do Sr. Quevedo) costuma ser incompatível com o espírito cientifíco. Na ciência, as conclusões costumam expôr-se como tentativa e sempre tendo em conta a falibilidade que tanto Popper (1962) enfatizou. Para o Pe.Quevedo, no entanto, a ordem do dia são as declarações categóricas, a formulação de "leis" arbitrárias e a impaciência e o desdém ante autores e investigadores que defendem posturas diferentes. É óbvio que seu proceder o separa do campo da Parapsicologia científica.
Na verdade, o Padre Quevedo deveria ser intitulado como um "Parapsicólogo Católico", pois estranhamente, muitas das suas teorias parapsicológicas coincindem com os Dogmas da sua Igreja. (Destaque nosso)
Isto que assinalamos também tem sido notado por outros autores. Por exemplo, Hess (1987) indicou recentemente que " Oscar Gonzalez Quevedo reinterpretou a Parapsicologia dos Estados Unidos e da Europa à luz da doutrina da Igreja Católica ... para obstaculizar as bases científicas do Espiritismo.
Além disso, Rueda (1991) em um artigo recente no Journal of Parapsychology, faz o importante assinalamento de que Quevedo "tem usado a Parapsicologia como uma arma ideológica em uma briga para marcar sua perspectiva conceitual particular... De fato, para atingir suas metas, o Pe.Quevedo tem distorcido a Parapsicologia em seus livros, querendo, a maior p