Espírito agindo na matéria – incógnita da Parapsicologia
“Com relação às coisas notórias, a opinião dos sábios é, com toda razão, fidedigna, porquanto eles sabem mais e melhor do que o vulgo. Mas, no tocante a princípios novos, a coisas desconhecidas, essa opinião quase nunca é mais do que hipotética, por isso que eles não se acham, menos que os outros, sujeitos a preconceitos. Direi mesmo que o sábio tem mais prejuízos que qualquer outro, porque uma propensão natural o leva a subordinar tudo ao ponto de vista donde mais aprofundou os seus conhecimentos: o matemático não vê prova senão numa demonstração algébrica, o químico refere tudo à ação dos elementos, etc.” (KARDEC).
“Não há ciência onde houver espaço para idéias e táticas opostas às apresentadas, tais como: improviso, desordem, preconceito, sectarismo, impossibilidade; ou, então, concepções de origem religiosa ou moral, como: tabus, misticismo, dogmas, entre outras. Mesmo que haja um vasto conjunto de conhecimentos a respeito do assunto, dependendo do modo com que foram gerados, esses não podem ser considerados científicos”. (LOEFFLER)
Introdução
Vamos, nesse estudo, fazer algumas considerações sobre o fenômeno da psicocinese, principalmente, naquilo que consta do livro A Mente e a Matéria, de D. Scott Rogo (1950-1990), pesquisador dos fenômenos parapsicológicos, tendo publicado vários livros sobre o assunto. Neste livro, o autor desenvolve conceitos da Parapsicologia, pelos quais procura demonstrar que a origem dos fenômenos ditos paranormais é a mente. Não admite, puramente por preconceito, que, em tais casos, possa haver interferência de mentes fora do corpo físico, mantendo-se dessa forma a visão reducionista da ciência materialista, em flagrante contradição com aquilo que é objeto de estudo da Parapsicologia, que é a ação do psiquismo humano nos fenômenos produzidos por ele.
Percebemos claramente que o autor, ainda preso a conceitos pré-estabelecidos, passou por cima de detalhes importantes, que dividem esses fenômenos em duas categorias distintas. Acreditamos que, como no linguajar de muitos parapsicólogos, o inconsciente dele, e de muitos de seus pares, que pensam de semelhante modo, “falou” mais alto.
Definições
Em O Livro dos Espíritos, (pp. 58-60) lemos:
22. a) - Que definição podeis dar da matéria?
“A matéria é o laço que prende o Espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação.”
Deste ponto de vista, pode dizer-se que a matéria é o agente, o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual atua o Espírito.
23. Que é o Espírito?
“O princípio inteligente do Universo.”
a) - Qual a natureza íntima do Espírito?
“Não é fácil analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.”
24. Espírito é sinônimo de inteligência?
“A inteligência é um atributo essencial do Espírito. Uma e outro, porém, se confundem num princípio comum, de sorte que, para vós, são a mesma coisa.”
25. O Espírito independe da matéria, ou é apenas uma propriedade desta, como as cores o são da luz e o som o é do ar?
“São distintos uma do outro; mas, a união do Espírito e da matéria é necessária para intelectualizar a matéria.”
a) - Essa união é igualmente necessária para a manifestação do Espírito?
(Entendemos aqui por espírito o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades que por esse nome se designam).
“É necessária a vós outros, porque não tendes organização apta a perceber o Espírito sem a matéria. A isto não são apropriados os vossos sentidos.”
26. Poder-se-á conceber o Espírito sem a matéria e a matéria sem o Espírito?
“Pode-se, é fora de dúvida, pelo pensamento.”
27. Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito?
“Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.”
Considerando que quando falamos que a ciência afirma isso ou aquilo, devemos entender que, neste caso, ciência significa o pensamento ou opinião dos cientistas. Então vamos buscar apoio no físico quântico Amit Goswami, autor do livro A Física da Alma, em cuja capa se destaca: “A explicação científica para a reencarnação, a imortalidade e experiência de quase morte”. Nele defende, usando argumentos do seu campo de conhecimento – Física Quântica –, o espírito como um ser que temporariamente usa a matéria para desenvolver a sua consciência. Não exclui, em nenhuma circunstância, a possibilidade de que, mesmo fora dum corpo físico, ele, o espírito, não possa se comunicar com as consciências ainda presas à matéria.
Buscamos apoiar-nos em Goswami, para que o leitor não leve isso para uma ótica religiosa, uma vez que faz parte das leis naturais, que a consciência (espírito) sobreviva à morte física, e que, nesta condição, estabeleça intercâmbio com outras consciências, independendo da condição em que elas estejam, ou seja, se num corpo ou fora dele.
Em princípio, apenas para nos situarmos mais claramente, estamos colocando espírito e matéria, exatamente, como os dois elementos gerais do Universo. Obviamente, aceitamos que o primeiro, ou seja, o espírito, exerce influência sobre a matéria, até mesmo porque, não fosse isso, não haveria as mínimas condições de sua ação sobre o corpo físico do qual é temporariamente revestido, que não deixa também de ser matéria.
Para corroborar nosso pensamento vamos colocar o que disse Max Planck (1858-1947), prêmio Nobel de Física por sua teoria quântica:
Como físico, isto é, como pessoa que serviu durante toda a vida à ciência mais objetiva, a saber, à investigação da matéria, considero-me livre da suspeita de ser um fantasista. Digo-lhes, portanto, o seguinte, depois de todas as pesquisas que fiz em relação ao átomo: não há matéria em si! Toda matéria provém e é constituída de uma força que põe as partículas atômicas em vibração e as mantém unidas no minúsculo sistema solar que é o átomo. Mas, como em todo o universo não existe nenhuma forma inteligente nem eterna em si, mister se faz que suponhamos por trás dessa força a presença de um espírito inteligente consciente. Esse espírito é a causa primeira de toda a matéira. (CORRÊA, 2003, pp. 69-70). (grifo nosso).
Da mesma forma que um aparelho eletrônico desligado não “tem vida”, o aparelho, em si, só funciona porque existe uma força (eletricidade) que o impulsiona depois de estabelecida uma ligação dele com essa força, e o fato de estar desligado não implica que não exista mais essa força que lhe dá “vida”. Assim, coisa semelhante é o que acontece com o espírito, pois é ele que dá vida ao corpo físico. A morte, portanto, é o seu desligamento do físico, mas ele ainda continua existindo em outra dimensão.
Se o espírito pode agir sobre o seu corpo físico, que é matéria, por que então não poderia agir sobre uma outra matéria? Por outro lado, mesmo ele estando fora da matéria, o corpo físico, alguma coisa o impediria de também agir? Em ambos os casos, o certo é que poderão, fato comprovado pelas pesquisas psíquicas e por alguns parapsicólogos.
Ação sobre a matéria
Duas são as causas em que o espírito pode exercer ação sobre a matéria. Evidentemente, não estamos fechando questão que não possa haver outras, mas, diante daquilo que nos propomos, essas duas nos bastam.
A primeira é a ação mental, onde o espírito, pelo pensamento e vontade, exerce diretamente e de maneira consciente essa ação. Os atos inconscientes, que, se não todos, acreditamos que pelo menos a esmagadora maioria deles, é conseqüência da repetição de atos conscientes que, ao longo do tempo, se transformam em reflexos condicionados, com os quais a vontade passa a produzi-los de forma inconsciente.
Como exemplo dessa ação mental sobre a matéria, podemos citar o caso de pessoas que conseguem fazer que um dado caia num determinado número, usando para isso a concentração de seu pensamento, portanto, uma ação consciente.
A segunda está relacionada à manipulação de energias (matérias), visíveis ou não, com as quais intermedeiam a produção da ação desejada. Com o seu pensamento dirigido à determinada matéria, consegue o espírito fazer uma certa ação. Embora não possamos precisar isso com detalhes e absoluta certeza, mas acreditamos que esse caso se aplica ao espírito fora da vestimenta física.
Um exemplo disso são os fenômenos denominados de materializações de espíritos. O espírito desencarnado, usando uma energia do médium, o ectoplasma, consegue fazer que ela assuma a forma que sua força mental lhe imprime. Atentemos para o fato de que a ação do espírito é consciente, enquanto que a ação do médium, de doar essa energia, pode acontecer até mesmo a contragosto dele. Ainda não se sabe como esse processo se dá, mas, certamente, que, nos dias atuais, sabemos muito mais do que tempos atrás, principalmente, quando se iniciaram as pesquisas psíquicas pela Parapsicologia, que, por preconceito, se manteve mais numa linha filosófica materialista, conquanto não sejam todos os parapsicólogos que pensam dessa forma.
O Ectoplasma
Vamos transcrever do livro Espírito, Perispírito e Alma, do autor Hernani Guimarães Andrade (1914-2003), o significado da palavra ectoplasma, pois sem dizer do que se trata, poderá o leitor não entender do que está se falando.
A palavra “ectoplasma” resulta da combinação de dois vocábulos gregos: ektos = fora, exterior; plásma = dar uma forma. Em Biologia, significa a parte periférica do citoplasma. Em Metapsíquica e em Parapsicologia, o termo “ectoplasma” foi pela primeira vez sugerido por Charles Richet, que, referindo-se aos fenômenos de efeitos físicos provocados pela médium Eusapia Paladino, mencionou as protuberâncias ectoplásmicas com os quais Eusapia atuava sobre alguns objetos pesados, movimentando-os: “São as formações difusas que eu chamo de ectoplasmas; porque elas parecem sair do próprio corpo de Eusapia” (RICHET, Charles – Traité de Metapsychique, Paris: Félix Alcan, 1923, p. 611).
O ectoplasma é uma substância ainda pouco conhecida quanto à sua natureza íntima, embora tenha sido muito observado e estudado em fins do Século XIX e começos do Século XX, na época que denominaríamos de fase Metapsíquica. Hoje são raros ou pouco conhecidos os poderosos “médiuns de efeitos físicos” de outrora, que produziram as célebres materializações de “Katie King” (Florence Cook), de “Bien-Boa” (Marthe Béraud), de “Joey Sandy” e “Ernest” (William Eglinton), de “Yolanda” (Mm. Elizabeht d’Espérance), de “Giusepp Parini” e “Petrucelli” (Carmine Mirabelli), e inúmeros outros.
O ectoplasma assume aspectos extremamente variados, desde uma forma tão rarefeita que o mantém invisível – porém registrável por outros métodos – até o estado sólido e organizado em estruturas complexas, tais como os “espíritos materializados” (agêneres ectoplásmicos). Entre estes dois extremos ele pode passar por estados diversos: gasoso, plasmático, floculoso, amorfo, leitoso, filamento, líquido, etc.
De um modo geral, quando em estado não organizado, o ectoplasma é sensível à ação da luz comum, porém pode suportar bem as radiações pouco energéticas do espectro da luz visível, aos níveis do vermelho e infravermelho. [...]
[...] há pessoas dotadas da singular faculdade de produzir profusamente o ectoplasma. A região da emissão varia, mas, na maioria dos casos, o ectoplasma é liberado através dos principais orifícios do corpo do médium: boca, nariz, ouvidos, etc., bem como os poros da pele.
A sensação táctil varia também conforme o estado da substância ectoplásmica: de teia de aranha, quando filamentosa; untuosa, viscosa, úmida, fria e reptiliana, lembrando tecidos orgânicos desossados. Em estado estruturado, a sensação corresponde à forma do objeto materializado.
[...] a característica mais notável do ectoplasma é o fato de parecer que ele é dócil ao comando mental do médium e talvez dos espíritos e pessoas estranhas àquele que o produz. Nestas condições, vemo-lo assumir as formas mais variadas e exercer inúmeras ações sob a influência do pensamento. Ao mesmo tempo, mostra-se altamente suscetível à ação dos campos organizadores biológicos, tomando as formas e características de um ser vivo completo (agênere ectoplásmico) ou de peças anatômicas parciais, mas com aspecto de objetos com vida, conforme já assinalamos.
Finalmente, com a mesma facilidade com que é emitido, o ectoplasma pode reverter ao organismo do médium, sendo por este reabsorvido. (ANDRADE, 1984, pp. 161-166).
É interessante que apresentemos algo, em que você, leitor, pudesse ter condições para formar uma idéia mais precisa dele. É o que faremos apresentando essas fotos:

Nas fotos, a substância esbranquiçada, com aparência de espuma de barbear, que está saindo do ouvido e da boca da médium, é que é o ectoplasma, na forma condensada. Ela retornará ao médium depois de realizados os fenômenos de efeitos físicos.
Quem já teve oportunidade de ver pessoalmente essa substância, não têm dúvida alguma quanto aos fenômenos produzidos por meio dela, excetuando-se, certamente, os preconceituosos.
Considerações sobre o livro A mente e a matéria
Para efeito de uma melhor visualização daquilo que iremos comentar, os trechos, que iremos transcrever desse livro, estarão sempre sombreados, de modo a diferenciá-los das outras citações que faremos no desenrolar dessas considerações. Embora iremos citar D. Scott Rogo, queremos ressaltar que estaremos fazendo isso não como algo específico a ele, mas apenas o estaremos utilizando como exemplo dos que pensam da mesma forma.
A opinião do Sr. Rogo, parece-nos ser baseada em Louisa E. Rhine (1891-1983):
A Sra. Rhine, resolveu o dilema sugerindo que a mente da testemunha era quem realmente produzia os eventos de PC. Absolutamente não acreditava que a psique ou a mente sobrevivente das pessoas agonizantes ou mortas tivesse algo a ver com eles e, assim, rejeitava os pontos de vista de muitos pesquisadores anteriores, que haviam estudado esses casos. Sua idéia era que a PC na coincidência de morte ocorre quando a mente recebe uma mensagem telepática ou clarividente a respeito de uma morte. Depois, ela “externaliza” a informação, produzindo – inconscientemente, é claro, o evento físico efetivo (PC). (p. 19).
Nesse ponto, em que coloca a opinião da Sra. Rhine, ela falava dos casos em que muitas pessoas recebiam “mensagens” de pessoas que tinham acabado de morrer. Segundo o entendimento da Sra. Rhine, isso acontecia quando uma pessoa, minutos antes de morrer, estabelecia telepaticamente contato com uma outra, portanto, não era uma “comunicação” “pós-mortem”. Obviamente, que, em tese, tal coisa pode mesmo ocorrer, mas a questão é: seria em todos os casos? Qual tipo de pesquisa científica ela, a Sra. Rhine, fez para sair desse impasse? Mas e as provas obtidas por inúmeros cientistas e pesquisadores sobre a realidade da comunicação, irão, todas elas, para a lata de lixo? Teria algum preconceito a Sra. Rhine ou seu pensamento não foi colocado como deveria? Ou teria ela, no decorrer do tempo, mudado de opinião? Essas respostas que só poderemos ter, vendo o pensamento do casal Rhine, que transcrevemos do livro Fundamentação da Ciência Espírita de Carlos Friedrich Loeffler:
RHINE E A SOBREVIVÊNCIA
No que tange à questão da sobrevivência no seio da parapsicologia, é interessante examinar o pensamento de J. B. Rhine, seu idealizador e maior expoente. O estudo de sua obra permite destacar que esse grande estudioso nunca repudiou a possibilidade da ação de agentes inteligentes externos, mais especificamente, a influência dos desencarnados na produção dos fenômenos. Embora por demais prudente, o comportamento do brilhante criador da parapsicologia é bem diferente de muitos de seus pretensos seguidores, que repelem completamente essa possibilidade, movidos por um ceticismo exacerbado ou, então, por questões religiosas ortodoxas. Em sua obra Parapsicologia - fronteira científica da mente, publicado pela editora Hemus, encontra-se:
Mesmo quanto à questão mais fundamental de todas as religiões, há de saber se há uma base válida sobre a realidade espiritual (...) O estabelecimento da psi como capacidade extrafísica pelo menos oferece uma confirmação experimental limitada para essa reivindicação elementar de todas as religiões. (p. 124)
Pode-se conseguir evidência fidedigna de que uma personalidade pode manifestar-se como se existisse ativamente depois da morte de seu corpo? (...) Não há meio conhecido até hoje para testar a hipótese de que a fonte desse conhecimento demonstrado seja desencarnada. (...) O estabelecimento da própria psi naturalmente melhorou, um tanto, a posição da hipótese da sobrevivência do espírito. A possibilidade da sobrevivência de um fator espiritual no Homem parece mais razoável desde o estabelecimento de tal propriedade nos seres racionais vivos. (p. 126-127)
De fato, apesar do reconhecimento de que a sobrevivência é uma hipótese plausível, para qualquer estudioso da ciência espírita, Rhine é excessivamente cauteloso. Ele tenta justificar essa posição indefinida a partir da sua experiência como pesquisador, registrada na passagem seguinte, extraída da mesma obra:
O fato é que a quantidade de informação transmitida nos testes de cartas de PES, pelos pacientes mais notáveis, excederia o conhecimento fornecido em sessões bem controladas, como o médium em transe. (p. 127)
Infelizmente, neste particular, Rhine está equivocado. Por mais espantosos que tenham sido os resultados obtidos por alguns de seus pacientes, Rhine não deu publicidade a nenhum caso cujo sensitivo tivesse aptidões ou realizasse prodígios, tais como foram rigorosamente estudados no período metapsíquico. Nada que pudesse igualar-se às experiências das correspondências cruzadas. Os testes de telepatia e clarividência entre dois agentes encarnados, realizados não somente por Rhine, mas também por muitos outros pesquisadores, revelaram resultados muito interessantes, mas nada que possa se comparar aos casos onde um desses participantes é desencarnado.
Um exemplo importante refere-se aos trabalhos dos físicos Targ e Puthoff, do Stanford Research Institute, de Menlo Park, Califórnia, talvez dois dos mais bem sucedidos pesquisadores nesse mister. Suas experiências mais precisas sobre visão à distância, feitas através da sensitiva Hella Hamid, resultaram em boas identificações de objetos e paisagens escolhidos aleatoriamente. No entanto, em termos de exatidão, são muito inferiores aos casos mais admiráveis da resenha metapsíquica. Também nada impede que, em tais experiências, nas mais bem sucedidas, a sensitiva não tenha tido a colaboração espontânea e imperceptível de algum agente extrafísico, embora nada se possa afirmar nesse sentido.
Observe o leitor que não se trata de menosprezar a possibilidade das ondas telepáticas se transmitirem entre duas pessoas vivas. O que ocorre é que o cérebro físico é uma espécie de amortecedor, dissipando e distorcendo a informação. Quando um dos canais está livre do obstáculo físico, a comunicação ganha em intensidade. Através desse modelo entende-se porque a comunicação nas dimensões extrafísicas, entre os pretensos mortos, é eminentemente telepática, com grande amplitude e potencialidade, conforme atestam diversas obras mediúnicas, como as de André Luiz.
É interessante esclarecer que Rhine exclui de sua casuística qualquer fenômeno ligado ao transe mediúnico, seja de efeitos físicos ou intelectivos, que sabidamente compõem o maior manancial de provas favoráveis à sobrevivência. Em sua trajetória como pesquisador, Rhine não fez experimentos com médiuns ostensivos, embora selecionasse os indivíduos de melhor desempenho nos seus testes de ESP para aprofundamento da sua capacidade. Mas, apesar da sua excessiva cautela acadêmica, respeitava o trabalho de seus antecessores na questão da sobrevivência após a morte.
Em obras posteriores, o criador da parapsicologia parece mais convencido do potencial da hipótese da sobrevivência da alma. Embora nunca enunciasse isso claramente em público, Rhine confessou, em trechos esparsos de sua obra, sua crença na sobrevivência da alma. As passagens seguintes foram retiradas de um livro seu, traduzido para o português sob o título de O novo mundo do espírito, pela editora Bestseller:
A investigação da sobrevivência do espírito tomou principalmente a forma do estudo das comunicações pretensamente provenientes do espírito dos mortos, por meio de pessoas conhecidas como médiuns. As comunicações e manifestações correlatas estendem-se por série tão lata de expressões e realizações mentais e físicas, que seria impossível descrevê-las todas aqui (...) (p. 264)
Pode-se descrever melhor o resultado da investigação científica da mediunidade como um empate. Dificilmente alguém seria capaz de afirmar que as investigações de setenta e cinco anos ou mais tiveram o efeito de refutar alegação que o morto pode de um ou outro modo "viver novamente". Por outro lado, ninguém que estuda seriamente o campo de investigação diria ter-se atingido confirmação clara, defensável, científica da hipótese. (p. 265)
A teoria espírita não era a única explicação possível para os resultados. Havia maior necessidade de exame aprofundado das hipóteses contrárias de telepatia, clarividência e precognição, visto como estas também constituíam processos extra-sensoriais de adquirir conhecimento como aquele em que implicava o médium, tendo melhor fundamento para prova do que os próprios estudos mediúnicos. (p. 266)
A questão da sobrevivência ainda não recebeu resposta aceitável como cientificamente idônea. E qualquer conclusão, a favor ou contra, que se baseie nas provas atuais implicará grande elemento de crença não-critíca. (p. 267)
Existe, pelo menos na opinião de alguns de nós, bom fundamento para permitir se mantenha de pé a questão da sobrevivência. Esse fundamento nada tem que ver com a mediunidade ou com qualquer culto ou credo, prática ou filosofia. (...) É provável, contudo, que a questão da sobrevivência tenha surgido devido ao material que tenho em mira (...) Da coleção de Duke de mais de três mil experiências espontâneas de psi (que é simplesmente uma dentre muitas em que seria possível realizar tal estudo), escolheram-se uns cem casos capazes de sugerir a atuação e certo órgão espiritual como explicação, mais fortemente do que qualquer outra. (...) O tipo que mais prende a atenção é aquele em que o propósito manifesto por trás do efeito produzido é tão especialmente o de personalidade falecida, que não é razoável atribuí-lo à atuação de qualquer outra fonte. Prende ainda mais a atenção quando a manifestação ou expressão do objetivo transmite-se por meio de médium inocente como uma criança ou pessoa inteiramente estranha, que, presumivelmente, seria destituída de qualquer filosofia espiritualista ou qualquer outra motivação ostensiva ulterior, (p. 269-270)
Tudo quanto se descobriu mostrando que existe algo no Homem gozando de propriedades inteiramente diferentes das do corpo físico é fundamental para a hipótese da sobrevivência. (...) A hipótese do espírito parece integrar-se tão inteiramente com todo o programa organizado da parapsicologia, formulado através dos anos, que não há qualquer motivo, ante esse grau de concordância, de torná-lo questão distinta. (p. 274-275)
O fato é que Rhine, juntamente com o auxílio de sua esposa, ao mesmo tempo que realizava seus estudos experimentais, colecionava casos parapsicológicos interessantes, onde a explicação meramente telepática não tinha sustentação científica. Era preciso incluir a ação de um desencarnado como agente. Em diversas partes de sua obra, percebe-se que Rhine incita seus leitores a remeter-lhe casos interessantes de fenômenos paranormais. Isto o municiou de farto material de pesquisa. Curiosamente, essa técnica funciona bem, pois uma iniciativa similar ocorreu no início do século XX, na França, quando Flammarion exortou seus compatriotas a remeter-lhe casos psíquicos incomuns, o que resultou na sua volumosa obra O desconhecido e os problemas psíquicos. No caso da exortação promovida por Rhine, esse material veio a compor a maior parte do livro de sua esposa, sra Louisa Rhine, traduzido para o português sob o título de Os canais ocultos do espírito.
Nesta obra a autora reconhece que uma parte significativa dos fenômenos psíquicos somente pode ser explicada através da hipótese espirítica. Dizem informalmente alguns articulistas que Rhine não quis comprometer sua carreira acadêmica aparecendo como co-responsável pelo referido livro e, por essa razão, cedeu a completa autoria a sua esposa, que sempre acompanhou de perto as pesquisas do marido. De qualquer modo, essa obra é bem diferente das anteriores, pois é composta de narrativas de casos, muito bem analisados e organizados em categorias. Parece um livro de Bozzano! Na realidade, Rhine nunca ignorou a importância da casuística paranormal que ocorre no cotidiano dos indivíduos. Apenas acreditava que não tinham o valor científico devido e eram de confiabilidade difícil de corroborar. Era, portanto, uma questão de critério pessoal. Hoje, com o prosseguimento das pesquisas e o melhor entendimento do papel dos resultados das pesquisas laboratoriais na concepção da natureza, as dúvidas sobre a sobrevivência após a morte são insignificantes.
Voltando-se os olhos sobre a obra da sra Louise Rhine, encontra-se, primeiramente, essa valorização da experiência paranormal espontânea, que ocupou o interesse de inúmeros investigadores e cuja importância não pode ser desprezada:
A experiência tem de ser, de certa maneira, distorção da natureza (...) Impõe-se assim, observar a maneira da natureza, mesmo quando experimentando. (p. 17)
Também é verdade que se impõe a observação dos dados experimentais brutos contra o fundo de situações naturais em que ocorrem. Embora na Parapsicologia, como em qualquer outra ciência, nada se possa provar pelo estudo de casos sem experiências controladas, consegue-se certo resultado observando a maneira pela qual a lei estabelecida ou o fato se ajusta ao processo do mundo natural. Se se descobrissem no laboratório um efeito desprovido de contra partida na natureza, seria anomalia, difícil de justificar-se realmente. (p. 18)
Nas passagens que se seguem, é enfatizado o modo como a hipótese da sobrevivência é avaliada pela sra. Rhine:
Viverá depois da morte alguma parte do Homem? Certas experiências de psi sugerem resposta afirmativa. Realmente, a idéia de vida post mortem viu-se reforçada pelas ocorrências psíquicas que sugerem atuação de pessoas desaparecidas. (p. 233)
É razoável supor que, se existem personalidades desencarnadas capazes de influir sobre os vivos e com eles manter comunicação, assim o farão com certo grau de freqüência. É possível que a prova esteja à mão, sendo necessário tão somente abrir os olhos para vê-la. (p. 254)
À proporção que compreendemos ser o mundo mais vasto do que parece, e que somos mais do que os mortais acorrentados aos sentidos que o estádio mecanicista da ciência pretende nos convencer de que somos, apreciaremos o universo expandido. Veremos que, se dispomos desse potencial, o universo será maior do que se afigura. Compreenderemos que, pelo menos logicamente, há espaço bastante para a continuação de parte da personalidade depois de terem cessado de funcionar os sentidos. (p. 258)
(LOEFFLER, 2003, pp. 309-314) (negrito nosso)
Por outro lado, temos hoje alguma comprovação da comunicação com os mortos com experiências atuais? Certamente. Podemos citar a Transcomunicação Instrumental, objeto de pesquisa por várias pessoas, entre as quais, citamos Sonia Rinaldi, que, em seu livro Espírito – o desafio da comprovação, cita vários casos de gravações reversas, sobre as quais diz:
... se trata de casos em que a voz paranormal surge ao se ouvir a gravação de trás para frente. É bom lembrar que, nas gravações feitas pela tecnologia terrestre, se tentarmos gravar algo em cima de uma gravação prévia, esta desaparecerá (se apagará).
De forma surpreendente, as vozes paranormais são produzidas com uma tecnologia tal, que, inexplicavelmente, ocorrem uma sobre a outra e em modos e sentidos contrários – o que se chama “reverso” – sem se mesclar. Em outras palavras: existem casos de vozes paranormais em que, no sentido normal, tem-se uma mensagem, e, ouvindo esta de trás para frente, a mensagem será outra, clara e coerente. (RINALDI, 2002, p. 92).
Embora muitos cientistas ainda não acordaram para esse tipo de pesquisa, é bom ressaltar que não existe tecnologia humana para produzir gravações desse tipo.
“[...] Às vezes nossa capacidade de PC surge de nossa mente e corpo sem que a percebamos. Ocorre então um virtual ataque de manifestações de PC: objetos são lançados de um lado para outro, móveis são virados, lâmpadas são quebradas, paredes são batidas e inúmeros outros tipos de distúrbios se manifestam. Essas tempestades psicocinéticas constituem o fenômeno de poltergeist, para o qual nos voltaremos agora. (p. 24).
O que ainda não conseguimos entender é como atos conscientes, conforme os citados, podem ser produzidos pelo nosso inconsciente? Para resolver isso, mais à frente o autor, usa a opinião de Marc Thury, para afirmar que: “[...] a mente inconsciente também tem vontade e pode usá-la para dirigir ou manipular PC mesmo sem a ajuda ou conhecimento da mente consciente”. (p. 148). Pronto, de forma tão simples assim, a saída para o inexplicável ficou fácil. Só que nos parece muito estranho o inconsciente produzir atos conscientes, pois se agir assim estará produzindo-os de forma consciente, deixando, conseqüentemente, de ser inconsciente.
Transformam, portanto, o inconsciente numa entidade à parte, com vontade própria e tudo. Entretanto, tudo isso não passa de uma hipótese, uma vez que, faltando a necessária comprovação científica, torna-se apenas suspeição de que é assim.
Então, o que é exatamente um poltergeist?
Manifestações de poltergeists são uma forma de psicocinese espontânea que ocorre geralmente em ambiente familiar.
As perturbações de poltergeist são também sempre ligadas diretamente à família que sofre o ataque. Os fenômenos seguem os membros da família se estes fogem de sua casa. O poltergeist também geralmente se focaliza em um único membro da família e essa pessoa em geral é adolescente. (p. 29).
O autor divide esses fenômenos em diversas categorias de poltergeists: os que dão batidas, os que jogam pedras, os teleportadores, os de água e os de fogo. Duas particularidades nesses casos nos chamou a atenção.
A primeira é em relação ao “Poltergeists que jogavam pedras”, leiamos:
Ainda mais fascinante que esse tipo de poltergeist jogador de pedras é outra forma, que eu costumo chamar de “jogador de pedras interno”. Estes casos ainda mais bizarros, pois as pedras aparecem repentina e misteriosamente dentro de casa, voando de um lado para outro. (p. 33).
O que não foi objeto de atenção de muitos desses pesquisadores parapsicológicos é que o ser humano ainda não conseguiu descobrir um meio de fazer a matéria passar pela matéria. Na mesma linha desses fenômenos, podemos colocar aqueles que foram denominados de poltergeists teleportadores. Diante disso, de duas uma: ou o agente do poltergeist é um “ser” milagroso ou então o agente produz algo fora do conhecimento humano, mas dentro das leis naturais ainda desconhecidas. A primeira hipótese é absurda, a segunda mais plausível, supondo-se que os agentes sejam espíritos, cujos conhecimentos sobrepõem aos da ciência moderna. Tendo em vista que, em tais manifestações, se percebe uma intenção, denunciando que o agente oculto é inteligente, é mais fácil atribuirmo-lo a espíritos que ao inconsciente superpoderoso, uma vez que ninguém ainda provou tal superpoder, tudo ainda não saiu do campo da hipótese.
Vejamos um caso narrado no livro, cujo protagonista é o Sr. Grottendieck:
Pus meu bullsack e mosquiteiro sobre o piso de madeira e logo peguei no sono. Mais ou menos à uma hora da noite, estando meio acordado, ouvi alguma coisa cair ao chão perto de minha cabeça do lado de fora da cortina do mosqueteiro. Depois de alguns minutos, acordei completamente e virei a cabeça para ver o que havia caído ao chão. Eram pedras pretas de um oitavo a três quartos de polegada. Saí do mosqueteiro e acendi a lanterna de querosene, que estava no chão aos pés da cama. Vi então que as pedras caíam através do teto em uma linha parabólica. Caíam ao chão perto de meu travesseiro. Saí e acordei o menino (um nativo) que dormia no aposento ao lado. Mandei que saísse e examinasse a selva até uma certa distância. Ele fez isso enquanto eu iluminava a selva com uma pequena lanterna elétrica. Enquanto o menino estava fora as pedras não pararam de cair. O menino voltou a entrar e eu lhe disse para ver se havia alguém na cozinha. Ele foi à cozinha e eu entrei novamente no quarto para ver as pedras caindo. Ajoelhei-me perto da cabeceira de minha cama e tentei apanhar as pedras que caíam através do ar em minha direção, mas não consegui apanhá-las. Parecia que elas mudavam de direção no ar quando eu tentava pegá-las. Não consegui apanhar nenhuma delas antes que caísse ao chão. Depois, subi na divisória entre meu quarto e o do menino e examinei o teto de onde as pedras estavam voando. Elas atravessavam diretamente o teto, mas nele não havia buracos. Quando tentei apanhá-las no lugar de onde saíam, também não consegui. (p. 34) (negrito nosso).
Se “todo efeito inteligente tem uma causa inteligente” (Kardec), então, por força da lógica, somos obrigados a concluir que se não se conseguia pegar as pedras que caíam, porquanto elas mudavam de direção, é porque havia uma causa inteligente por trás do fenômeno. Essa causa inteligente não poderia ser o Sr. Grottendieck nem o menino que estava com ele, pois ambos certamente não tinham como fazer as pedras surgirem do teto passando “matéria através da matéria” nem a nível do inconsciente. Entretanto, tanto um quanto o outro, poderia ser o elemento doador do ectoplasma para que o invisível agente inteligente produzisse tais coisas.
Na descrição do poltergeist teleportadores é contado um caso ocorrido com um trabalhador, sua esposa e sua filha Brigitte, de treze anos, onde, a certa altura, está dito: “A força lançou móveis de um lado para outro, quebrou ovos, rasgou pano e até mesmo colocou bonecas de Brigitte em poses obscenas”. Fato que demonstra também um agente inteligente, que por sinal, percebe-se sua pouca moralidade.
Um investigador, Sr. Bender, indo ao local, teve seu capote retirado de um armário e estendido fora da casa sobre a neve, sem que se pudesse ver qualquer pegada nas proximidades. E, nas palavras de Rogo: “o poltergeist aparentemente roubara o capote de dentro do armário e levara-o para fora”, pena que não se tenha percebido nisso uma ação inteligente por trás do fato.
Outro caso, que vem corroborar o que estamos dizendo aconteceu com a família de Francis Martin, quando “água jorrou das paredes quase continuamente durante os três dias seguintes e os Martin precisaram finalmente fugir do apartamento”. Só que para onde iam; o fenômeno acompanhavam-nos. Descreve Rogo:
Os jatos de água pareciam seguir um padrão determinado. A sra. Martin, que viu pessoalmente várias vezes esses esguichos de água, declarou aos pesquisadores: “A água jorra durante uns vinte segundos, depois há um intervalo de quinze minutos, e começa em outro lugar. Há um pequeno tremor, depois um “chii” e em seguida a água” (p. 37).
Mesmo tendo se cortado o suprimento de água do prédio, essas ocorrências não pararam de acontecer. Vemos, portanto, que aqui também a água surgia do nada, o que por si só já atesta não ser produzido por ninguém da família Martin. A peculiaridade do fenômeno, induz à conclusão de um agente inteligente como o seu causador.
Esses casos de poltergeist possuíam um epicentro, normalmente um adolescente. O que daí seria fácil concluir que um adolescente não teria a menor capacidade para produção de tais fenômenos, mas era participante, na condição de doador do ectoplasma, com o qual o agente inteligente os produzia. Entretanto, a conclusão a que se chegou, foi:
É mais lógico supor que esses jovens produziam as perturbações (embora inconscientemente) por psicocinese. Longe de ser resultado de espíritos ou demônios, a verdadeira raiz do poltergeist parece ser a própria vítima do poltergeist.. (p. 42).
Com isso nós chegamos à conclusão que o “mais lógico” para uma pessoa não o é para outra. Demonstramos, com os casos aqui apresentados, ser a ação de um agente inteligente, que, em alguns casos, produz fenômenos fora das possibilidades do conhecimento científico atual, levando-os, portanto, para uma esfera outra que a nossa. Por que não poderia ser feita por espíritos? Somente, por conta de preconceito de quem acha que não?!
Falando de uma maneira geral sobre esses fenômenos, diz ainda, Rogo:
Há anos se suspeita que o poltergeist é uma forma de expressão inconsciente. Fortes indícios de que é uma forma de expressão psicológica tiveram repetida confirmação, especialmente nos últimos anos. Esses indícios foram principalmente coligidos, apresentados e discutidos por dois investigadores contemporâneos: W.G. Roll, nos Estados Unidos, e dr. Hans Bender, na Alemanha. Ambos não apenas testemunharam vários episódios modernos, mas em cada caso reuniram detalhadas avaliações psicológicas dos agentes em volta dos quais se focalizava a psicocinese. Mais de duas dúzias de perfis foram registradas. É muito revelador que a maioria desses agentes parece partilhar perfis psicológicos notavelmente semelhantes. A maioria abrigava fortes conflitos e hostilidades inconscientes, revelava agressões que eram geralmente projetadas sobre figuras de autoridade, como pais e empregadores. Mas, para lidar melhor com seus conflitos, esses agentes revelavam simultaneamente um emprego anormalmente forte de mecanismos de defesa, como repressão, sublimação e negação. Em outras palavras, essas vítimas do poltergeist parecem estar empurrando forte ira subjacente de sua mente consciente para o inconsciente. (p. 43).
Observar que está se afirmando “há anos se suspeita”, provando assim que é mera hipótese, sem nenhuma comprovação científica, trata-se apenas de opinião pessoal de alguns cientistas. Um pouco antes, Rogo já havia afirmado que, em volta desses fenômenos, sempre havia adolescentes. O que era então de se esperar se fôssemos levantar o perfil deles? Exatamente aquilo que os psicólogos encontraram, mas cujo entendimento levou o autor a uma conclusão completamente equivocada, pois, em momento algum, foi levado em conta a ação inteligente por trás dos fenômenos. Como esses casos ainda estão fora do alcance da ciência atual, é inconsistente essa conclusão citada por Rogo.
Continuando:
Essa teoria geral explica também a significação psicológica por trás das artimanhas do poltergeist. Quando fica irada, uma criança invariavelmente demonstra sua ira batendo em paredes, jogando coisas furiosamente, batendo portas e mesmo furtando. Note-se como esses são precisamente os mesmos atos a que recorre o poltergeist. Ele também gosta de bater em paredes, arremessar coisas e furtar. Podemos assim dizer que o poltergeist ou força de PC realiza as mesmas ações e perturbações que o agente gostaria de realizar conscientemente, mas não se atreve. (p. 44).
Muito interessante: “significação psicológica por trás das artimanhas do poltergeist”, criou-se mesmo o monstro. Mas não é exatamente isso que faz um adolescente: joga pedra pelo teto, faz água sair das paredes, bota fogo em tudo, etc.? Barbaridade, tchê!
E, na seqüência:
Embora estejamos começando a compreender a psicologia do poltergeist, defrontamo-nos ainda com uma grande questão. Parapsicólogos ainda nem começaram a sondar o mistério por trás da força ou energia física a que recorre o poltergeist. Como ele pode realizar atos aparentemente impossíveis continua sendo um mistério tão grande quanto era quando de atribuíam tais manifestações a espíritos ou demônios. (p. 44).
Pelo menos a teoria dos espíritos explica, sem malabarismo algum, a ação inteligente de tais fenômenos, que embora inconsciente do médium, ela é consciente para o agente causador, permitindo, também, abrir espaço para explicar os fenômenos insólitos e inexplicáveis no nível do atual conhecimento científico, fato por ele mesmo reconhecido de que “não pode explicar objetos que voam em ziguezague, caem do céu ou flutuam de um lado para outro” (p. 45). Fatos que também a teoria do inconsciente não explicará, o que, infelizmente, não foi percebido.
O autor abre um capítulo para discorrer sobre a “idade de ouro” da mediunidade, que, e, logo no início, falando dos fenômenos de Hydesville, ocorrido, em 1848, com a família Fox, diz:
A partir de março e abril daquele ano, John D. Fox – juntamente com sua mulher e duas filhas – anunciaram que estavam sendo continuadamente molestadas por altas batidas nas paredes. Depois de algum tempo, os Fox elaboraram um código com as batidas e começaram a comunicar-se – segundo supunham – com a inteligência que supostamente provocava o barulho. Essa inteligência afirmava ser o espírito de um vendedor ambulante que fora assassinado na casa por um morador anterior. A afirmação nunca foi confirmada, mas alguns jornais logo estavam sustentando que havia sido estabelecida comunicação com os mortos. Outros jornais mostraram-se menos simpáticos à notícia. (p. 46).
Interessante é que o testemunho de inúmeras pessoas deve abrir espaço ao preconceito dos que não estavam presentes, quando dos acontecimentos. É oportuno colocarmos aqui os fatos como acontecidos, para tanto vamos recorrer ao escritor Hernani G. Andrade:
[...], vamos transcrever alguns trechos do depoimento da Sra. Margareth Fox:
Na noite de sexta-feira, 31 de março de 1848, resolvemos ir para a cama um pouco mais cedo e não nos deixamos perturbar pelos barulhos: íamos ter uma noite de repouso. Meu marido, que aqui estava em todas as ocasiões, ouviu os ruídos e ajudou a pesquisa. Naquela noite fomos cedo para a cama, apenas escurecera. Achava-me tão alquebrada com a falta de repouso que quase me sentia doente. Meu marido não tinha ido para a cama quando ouvimos o primeiro ruído naquela noite. Eu apenas me havia deitado. A coisa começou como de costume. Eu o distinguia de quaisquer outros ruídos jamais ouvidos. As meninas, que dormiam em outra cama no quarto, ouviram as batidas e procuraram fazer ruídos semelhantes, estalando os dedos.
"Minha filha menor Kate, disse, batendo palmas 'Sr. pé-rachado, faça o que eu faço'. Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo número de palmadas. Quando ela parou, o som logo parou. Então Margareth disse brincando: 'Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro' e bateu palmas. Então os ruídos se produziram como antes. Ela teve medo de repetir o ensaio. Então Kate disse, na sua simplicidade infantil: 'Oh! Mamãe! Eu já sei o que é. Amanhã é primeiro de abril e alguém quer nos pregar uma mentira. '"
"Então pensei em fazer um teste que ninguém seria capaz de responder. Pedi que fossem indicadas as idades de meus filhos, sucessivamente. Instantaneamente foi dada a exata idade de cada um, fazendo uma pausa de um para o outro, a fim de os separar, até o sétimo, depois do que se fez uma pausa maior e três batidas mais fortes foram dadas, correspondendo à idade do menor, que havia morrido".
"Então perguntei: É um ser humano que me responde tão corretamente?' Não houve resposta. Perguntei: 'É um Espírito? Se for dê duas batidas'. Duas batidas foram ouvidas assim que fiz o pedido. Então eu disse: 'Se foi um Espírito assassinado dê duas batidas.' Estas foram dadas instantaneamente, produzindo um tremor na casa. Perguntei: 'Foi assassinado nesta casa?' A resposta foi como a precedente. A pessoa que o assassinou ainda vive? Resposta idêntica, por duas batidas. Pelo mesmo processo verifiquei que fora um homem que o assassinara nesta casa e os seus despojos enterrados na adega: que a sua família era constituída de esposa e cinco filhos, dois rapazes e três meninas, todos vivos ao tempo de sua morte, mas que depois a esposa morrera. Então perguntei: 'Continuará bater se chamar os vizinhos para que também escutem?' 'A resposta afirmativa foi alta'".
Desse modo foram chamados, os vizinhos, os quais por sua vez convocaram outros de maneira que, mais tarde e nos dias subseqüentes, o número de curiosos era enorme. Naquela noite compareceram o Sr. Redfield, o Sr. e Sra. Duesler e os casais Hyde e Jewell.
"Mr. Duesler fez muitas perguntas e obteve as respostas. Em seguida indiquei vários vizinhos nos quais pude pensar, e perguntei se havia sido morto por algum deles, mas não tive resposta. Após isso, Mr. Duesler fez perguntas e obteve as respostas. Perguntou: 'Foi assassinado?' Resposta afirmativa. ‘Seu assassinato pode ser levado ao tribunal?' Nenhuma resposta. 'Pode ser punido pela lei?' Nenhuma resposta. A seguir disse: 'Se seu assassino não pode ser punido pela lei dê sinais’. As batidas foram ouvidas claramente. Pelo mesmo processo Mr. Duesler verificou que ele tinha sido assassinado no quarto de leste, há cinco anos passados, e que o assassínio fora cometido à meia-noite de uma terça-feira, por Mr. ...; que fora morto com um golpe de faca de açougueiro na garganta; que o corpo tinha sido enterrado; tinha passado pela dispensa, descido a escada e enterrado a dez pés abaixo do solo. Também foi constatado que o móvel fora o dinheiro." ‘Qual a quantia: cem dólares?' Nenhuma resposta. 'Duzentos'? Trezentos? etc. Quando mencionou quinhentos dólares as batidas confirmaram".
Foram chamados muitos dos vizinhos que estavam pescando no ribeirão. Estes ouviram as mesmas perguntas e respostas. Alguns permaneceram em casa naquela noite. Eu e as meninas saímos. Meu marido ficou toda a noite com o Mr. Redfield. No sábado seguinte a casa ficou superlotada. Durante o dia não se ouviram os sons; mas ao anoitecer recomeçaram. Diziam que mais de trezentas pessoas achavam-se presentes. No domingo os ruídos foram ouvidos o dia inteiro por todos quantos se achavam em casa. "(Doyle, 1966, pp. 78-79).
Estes são os principais trechos do depoimento da Sra. Margareth Fox, que mais nos interessam para dar uma descrição viva dos acontecimentos de Hydesville, na sinistra noite de 31 de março de 1848.
AS ESCAVAÇÕES NA ADEGA
Os mais interessados em esclarecer o caso resolveram escavar a adega, visando encontrar os despojos do suposto assassinado. Eis que, através de combinação alfabética com as pancadas produzidas, chegaram à identidade da vítima. Tratava-se de um mascate de nome Charles B. Rosma, o qual tinha trinta e um anos quando, há cinco anos passados, fora assassinado naquela casa e enterrado na adega. O assassino fora um antigo inquilino. Só poderia ter sido o Sr. Bell... Mas onde a prova do fato, o cadáver da vítima? A solução seria procurá-lo na adega, onde estaria enterrado.
As escavações, porém, não levaram a resultados definitivos, pois deram na água, sem que se tivessem encontrado quaisquer indícios. Foram por isso, suspensas.
No verão de 1848, o próprio Sr. David Fox auxiliado por alguns interessados retomou o empreendimento. A uma profundidade de um metro e meio, encontraram uma tábua. Aprofundada a cova, encontraram-se carvão, cal, cabelos e alguns ossos, foram reconhecidos por um médico como pertencentes a esqueleto humano; nada mais.
As provas do crime eram precárias e insuficientes, razão talvez pela qual o Sr. Bell não foi denunciado.
A DESCOBERTA DO ESQUELETO
Em o número de 23 de novembro de 1904, do Boston Journal, foi noticiada a descoberta do esqueleto de um homem que se supunha ter ocasionado os fenômenos na casa da família Fox em 1848.
"A descoberta foi feita por meninos da escola, que brincavam na adega da casa de Hydesville, conhecida como 'a casa assombrada; onde as irmãs Fox tinham ouvido as batidas. William H Hyde, respeitável cidadão de Clyde, e dono daquela casa fez investigações e encontrou um esqueleto humano quase completo entre a terra e os escombros das parede da adega sem dúvida pertencente àquele mascate que, segundo se dizia, tinha sido assassinado no quarto de leste da casa e cujo corpo tinha sido enterrado na adega." (Doyle, 1960, pp. 82-83).
Junto ao esqueleto foi encontrada uma lata, de uma espécie costumeiramente usada por mascates. "Esta lata é agora conservada em Lilydale, a sede central regional dos Espíritas Americanos para onde foi transportada a velha casa de Hydesville”.
Portanto, cinqüenta e seis anos depois, em 22 de novembro de 1904, data do encontro do esqueleto do mascate, ficou plenamente confirmada a veracidade das comunicações obtidas em 1848, na casa assombrada habitada pela família Fox em Hydesville. (ANDRADE, 2002, pp. 104-108) (negrito e itálico do original, exceto o negrito desse último parágrafo, que é nosso).
A “suposição” de que era um espírito, tinha a sua razão de ser, já que foi o próprio barulho, quer dizer, o agente que o causava, quem se identificou como tal, inclusive declinando o seu nome e falando como foi morto e por qual motivo o mataram e que havia sido enterrado na adega. Fato confirmado posteriormente, conforme noticiado na imprensa. Deveria o autor ter pesquisado mais sobre o assunto, para não cometer o equívoco de dizer que tal fato, o do assassinato, não havia sido confirmado.
Pouca dúvida pode haver de que alguma espécie de inteligência estava realmente por trás das batidas. Por exemplo, as batidas podiam responder inteligentemente a perguntas. Muitos dos vizinhos dos Fox testemunharam que haviam desafiado as batidas a dizer-lhes quantos filhos tinham ou quais eram suas idades. Para seu grande espanto, as batidas muitas vezes responderam corretamente. (p. 46-47).
Apesar de que aqui quase se capitulou diante dos fatos, segue adiante ignorando completamente essa sua fala, bem como o testemunho de todos, colocando em evidência seu preconceito inconsciente.
A ciência da parapsicologia ainda estava em seus estágios pré-natais em 1848. A força do inconsciente mal havia sido percebida e qualquer perturbação “psíquica” estranha provavelmente era explicada como resultado de “eletricidade”, demônios ou fraude. (p. 47).
Loeffler, falando sobre os períodos da pesquisa paranormal, diz:
A título de curiosidade, a seguir é apresentado um quadro cronológico, composto originalmente por Charles Richet, aceito pelos metapsiquistas e outros estudiosos dos fenômenos paranormais. São os seguintes períodos:
(1) Período mítico, que varre toda a história do homem até chegar a Mesmer (1778), o grande apologista do magnetismo animal;
(2) Período magnético, que vai de Mesmer às manifestações produzidas pelas irmãs Fox, no episódio de Hydesville (1848);
(3) Período espirítico, que vai desde as irmãs Fox até as experiências de William Crookes (1872)
(4) Período metapsíquico, que vai de Crookes até o surgimento da parapsicologia com Joseph Banks Rhine (1934);
(5) Período parapsicológico, que vai de Rhine até o surgimento da TCI (transcomunicação instrumental), com a publicação das pesquisas de Friedrich Jürgenson (1967);
(6) Período psicobiofísico, tecnológico ou instrumental, que é o período atual.
O período parapsicológico não foi previsto por Richet, mas é plenamente aceito pela comunidade científica. O início do período psicobiofísico ou tecnológico, assim como essa denominação, é pretensão do autor. (LOEFFLER, 2003, pp. 278-279).
Em outras palavras; a Parapsicologia “em seus estágios pré-natais”, a bem da verdade, nasceu justamente dos fenômenos espíritas, negados por vários parapsicólogos, aqueles não comprometidos com a ciência, mas com posições pessoais, inclusive, as de cunho religioso. Será que aqui vale o ditado popular em que se diz “cuspiu no prato que comeu”?
Embora muitos cristãos devotos acreditassem que a coisa toda era trabalho do demônio, nessa época é que foi proclamada a religião do espiritualismo [leia-se Espiritismo]. A nova seita afirmava que a comunicação com os mortos estava cientificamente estabelecida e qualquer pessoa podia falar com os amigos e parentes mortos simplesmente encontrando um canal ou médium adequado. (p. 47).
Fazer ouvidos de mercador para os fatos pesquisados naquela época, por cientistas de renome, é querer tapar o Sol com a peneira. Mesmo no início das manifestações ninguém tinha motivos para não acreditar que os mortos fossem a causa dos fenômenos, já que foram eles, os autores, que disseram isso, fenômenos esses que continuam acontecendo nos dias atuais, muitos dos quais, estão também sendo, felizmente, pesquisados por pessoas que estão compromissadas com a verdade.
Falando sobre a mediunidade do Sr. Home, diz o Sr. Rogo:
Home acabou desenvolvendo uma espantosa variedade de aptidões psicocinéticas, todas as quais ele acreditava serem produzidas por espíritos de mortos que atuavam através dele. As histórias sobre esses poderes não eram meramente afirmações vazias, pois estudiosos do mundo inteiro examinaram-no e testemunharam suas realizações. (p. 50).
Por que razão um médium famoso, examinado por vários estudiosos do mundo inteiro, não diz que ele era a causa dos fenômenos, mas os espíritos dos mortos? Teria tudo para se valorizar, ou queria apenas ser honesto consigo mesmo dizendo a verdade? O detalhe é que Home nunca foi apanhado cometendo fraude, conforme o próprio Sr. Rogo reconheceu.
Vamos transcrever a narrativa do Sr. Rogo dum caso acontecido com o Sr. Home:
...ficamos sentados durante uma hora e um quarto, sem qualquer manifestação. O Sr. Home disse várias vezes: "Sinto em mim forte influência; é estranho que não haja manifestações físicas." Finalmente, eu propus que alguns dos grupos deixassem a sala, pois parecia certo que alguma coisa estava errada. Blackburn e eu saímos. O Sr. Home observou: "Alguns momentos mostrarão se a presença deles era a obstrução." Não houve ainda manifestações. Então ele disse: "Charlie, você e Lawless saiam e mandem os outros de volta." Lawless saiu com a maior relutância. Assim que a porta foi fechada, houve correntes frias, vibrações e batidas. Eu voltei e, mal havia sentado, o alfabeto foi chamado e dada esta mensagem: "Nós gostamos de Freddy, mas ele não se encontra em estado de mente ou corpo propício a manifestações." [*] Wynne foi buscar o acordeão. A sra. Blackburn foi logo depois tocada no vestido e alguma coisa tornou-se claramente visível, movendo-se embaixo da toalha, ao longo da beirada da mesa, erguendo o pano várias polegadas, como aconteceria se houvesse uma mão e um braço embaixo. A mão era visível sobre o pano para o Sr. Home e eu a percebi fracamente uma vez. Ela tocou a mão da sra. Blackburn. Eu fui tocado no tornozelo e várias vezes no joelho. O vestido da srta. Wynne foi puxado com força. A mesa foi belamente levantada no ar, por três impulsos sucessivos, até a altura de dezoito polegadas ou dois pés. O Sr. Home tomou então o acordeão, segurando-o embaixo da beirada da mesa com uma mão, enquanto a outra repousava sobre a mesa. Pouco depois ele começou a soar, tocando com considerável poder, assim como com grande delicadeza, algo como um solo de órgão. Depois, houve sons como ecos, tão finos que mal eram ouvidos. O acordeão foi empurrado em direção à sra. Blackburn, mas não posto em sua mão. Expressei o desejo de que ele fosse tocado sem ser segurado pelo Sr. Home, após o que ele retirou sua mão, colocando-a sobre a mesa. O instrumento estava apenas encostado na parte de baixo da beirada da mesa, onde permaneceu, como se estivesse suspenso. Começou a tocar muito delicadamente. Ele bateu palmas várias vezes para mostrar que não estava tocando o instrumento. A música logo cessou e ele tomou novamente o acordeão. Algumas notas soaram, desafinadas, e eu disse: "Ou notas erradas são tocadas na corda, ou o acordeão está desafinado." "Desafinado", disseram batidas saídas do instrumento. Ele tocou novamente com muita delicadeza e com o efeito trêmulo, o que me comoveu muito.
Logo depois disso, nós todos ouvimos sons fortes que aparentemente provinham de uma grande mesa de escrever oblonga, que estava a vários pés de distância de nós. Pudemos perceber que ela se movia. Parou a um pé de nossa mesa, que então se ergueu em direção a ela. Ouvimos primeiro uma e depois outra gaveta abrirem-se, do lado da mesa mais longe de nós, e um som farfalhante, como se alguém estivesse mexendo em papéis. Depois de uma curta pausa, a seguinte sentença foi transmitida, parcialmente, se não totalmente (eu esqueci como foi), por inclinações da mesa: "Precisamos parar, mas não antes de pedir a Deus que vos abençoe." Durante a sessão, a mesa foi novamente erguida de maneira antes mencionada, lembrando-me muito a ação de foles de órgão quando estão sendo enchidos. É muito notável que isso tenha ocorrido, como se verá na descrição seguinte, imediatamente antes de começar a música. (p. 51-52).
[*] Os participantes recitavam o alfabeto e uma batida soava na letra apropriada ou então a mesa inclinava-se certo número de vezes a fim de indicar a letra certa. Empregando esse processo, muitas mensagens podiam ser tediosamente comunicadas.
Qualquer pessoa de bom senso verá, nesse relato, a ação inteligente e consciente de um agente, que inclusive atende a um pedido feito mentalmente. Ora, é o próprio médium quem diz não ser ele quem fazia isso, mas os espíritos dos mortos, que, conforme afirmara, desde criança os via. Poderíamos até deixar em suspenso, entretanto, tantas pessoas afirmam a mesma coisa que é impossível pensar em fraude ou “combinações” inconscientes, que aceitando isso como realidade não estamos atropelando a razão e a lógica.
Até mesmo uma materialização de uma mão aconteceu, que passou a tocar no corpo das pessoas presentes. Instrumento musical tocado sem que o médium colocasse suas mãos no teclado, ditados ocorridos, enfim, vários fenômenos que não deixariam ninguém que os presenciasse em dúvida. “É claro que a evidência – assim como a beleza – é muitas vezes restritas aos olhos do observador” (ROGO, 1994).
Um fato já constatado é que como pode haver pessoas que potencializam os fenômenos outras, ao contrário, dificultavam ou até mesmo os inibem, como ocorreu neste caso.
Ainda falando da pesquisa experimental com Sr. Home, o Sr. Rogo diz:
Home mostrou-se mais que disposto a ser testado por cientistas. O maior cientista da Grã-Bretanha naquela época talvez fosse William Crookes, fundador do Chemical News, membro da Royal Society e autor de várias invenções científicas. Era extremante cético em relação ao espiritualismo [leia-se Espiritismo] e seus médiuns. Decidiu-se a investigar seus fenômenos mais para desmoralizá-los do que por qualquer outra razão. Crookes iniciou em 1871 uma série de experiências com Home, que ainda hoje é um dos mais engenhosos estudos da psicocinese já realizados.
O primeiro dos relatórios de Crookes sobre D.D. Home foi publicado no número de julho de 1870 do Quarterly Journal of Science. Deve ter chocado os leitores da publicação, bastante convencionais, quando, logo no começo de seu artigo, Crookes admitiu: “Essas experiências parecem estabelecer conclusivamente a existência de uma nova força relacionada de alguma maneira desconhecida com a organização humana, que por conveniência pode ser chamada de força psíquica”. Essas observações indicam que, ao contrário dos espiritualistas, Crookes não acreditava que os espíritos dos mortos tinham alguma coisa a ver com os poderes de Home. (p. 53-54).
Que Crookes não acreditava em espíritos é fato, entretanto, a questão é: será que continuou incrédulo, depois de suas experiências? Vamos tirar a dúvida transcrevendo do livro História do Espiritismo, de Arthur Conan Doyle, o criador do famoso detetive Sherlock Holmes, os seguintes trechos:
Ressalta um fato interessante do diário pessoal de Crookes, quando de sua viagem à Espanha, em dezembro de 1870, com a Expedição do Eclipse. Em data de 31 de dezembro (1), escreve ele:
“Não posso deixar de recordar esta data no ano passado. Nelly (2) e eu estávamos em sessão, comunicando-nos com queridos amigos mortos e, ao soarem as doze horas, eles nos desejaram feliz Ano Novo. Sinto que agora nos olham e, como o espaço não lhes é obstáculo, penso que ao mesmo tempo olham para Nelly. Sobre nós ambos sei que há alguém e que todos nós – Espíritos e mortais – em sua presença nos curvamos como ante um Pai e Mestre; e minha humilde prece a Ele – o Grande Deus, como O chama o Mandarim – é que continue sua misericordiosa proteção sobre Nelly e sobre mim, bem como sobre nossa pequena e querida família... Possa Ele também permitir que continuemos a receber comunicações espíritas de meu irmão, que atravessou os umbrais em alto mar, a bordo de um navio, há mais de três anos”.
Depois acrescente amorosos cumprimentos de Ano Bom a sua esposa e às crianças e conclui:
“E quando os anos terrenos houverem passado, possamos nós viver outros mais felizes no mundo dos espíritos, do qual tenho tido ocasionalmente alguns reflexos”
[1] “Life of Sir William Crookes” by E.E. Fournier d’Albe, 1923.
[2] sua esposa – N. do T. (DOYLE, 1995, p. 203) (negrito nosso).
Em seu relatório presidencial perante a Associação Britânica em 1898, em Bristol, Sir William se refere ligeiramente às suas primeiras pesquisas. E diz:
“Ainda não toquei num outro interesse – para mim o mais sério e o de maior alcance. Nenhum incidente em minha carreira científica é mais conhecido do que a parte que tomei durante anos em certas pesquisas psíquicas. Já se passaram trinta anos desde que publiquei um relatório das experiências tendentes a mostrar que fora do nosso conhecimento científico existe uma força utilizada por inteligências que diferem da comum inteligência dos mortais... Nada tenho de que me retratar. Confirmo minhas declarações já publicadas. Na verdade, muito teria que acrescentar a isto”. (DOYLE, 1995, P. 215). (negrito nosso).
Novamente o Sr. Rogo deixou a desejar em suas pesquisas sobre o pensamento de terceiros, aqui no caso, a respeito da opinião de Crookes. Lamentável, pois deixa a transparecer que somente busca aquilo que vem ao encontro de suas idéias preconcebidas.
Apesar do furor científico provocado pelas experiências de Crookes com D. D. Home e seus fenômenos, a ciência organizada ainda demonstrou pouco interesse pela questão da psicocinese. A razão era simples. Fenômenos psíquicos contradizem a visão mecanicista-reducionista do homem que a ciência vitoriana estava promovendo. Era mais fácil ignorar os relatos sobre psicocinese do que enfrentá-los. (p. 56).
Mutatis mutandis, é o mesmo que muitos parapsicólogos fazem em relação a atribuir tais fenômenos aos espíritos dos mortos. Evidentemente, não podemos atribuir tudo a eles, porquanto, o próprio psiquismo do médium poderá ser mesmo a causa de alguns deles, e neste caso, são chamados fenômenos anímicos.
O médium agora objeto das observações do Sr. Rogo é a Eusapia Palladino, que foi investigada em 1892 por uma comissão de sábios.
A comissão supervisionou uma longa série de sessões com Palladino, embora a psicocinese que testemunhou não tinha sido grande. Consistia principalmente em toques e no movimento das cortinas do aposento escurecido, que se enfunavam para fora misteriosamente. Os pesquisadores testemunharam, porém, uma das mais espetaculares realizações de Palladino – suas materializações parciais. Mesmo quando ela estava cuidadosamente segura, mãos fantásticas se materializavam no escuro e tocavam ou mesmo acariciavam os presentes. A comissão ficou tão impressionada por essas mais desencarnadas, materializadas e que flutuavam na sala de sessão, que concluiu em seu relatório:
É impossível contar o número de vezes que uma mão apareceu e foi tocada por um de nós. Basta dizer que não era mais possível ter dúvida. De fato, era uma mão humana viva que vimos e tocamos, ao mesmo tempo que o busto e os braços da médium permaneciam visíveis e suas mãos eram seguradas por aqueles que estavam de cada um de seus lados. (p. 58).
Aconteceu exatamente conforme seria previsto, ou seja, quem vê pessoalmente uma sessão de materialização não fica com dúvida alguma, embora possa ocorrer que um ou outro ainda continue a duvidar, mas seguramente é por questões íntimas.
Vejamos uma outra experiência com Eusapia Palladino:
Eu senti uma mão aberta pegar-me por trás, delicadamente, pelo pescoço. Instintivamente soltei minha mão esquerda da mão direita do dr. Poso e levei-a para onde sentira claramente essa sensação de contato e encontrei a mão que estava me tocando, uma mão esquerda, nem fria nem quente, com ásperos dedos ossudos, que se dissolveram sob pressão. Não se afastaram produzindo sensação de retirada, mas dissolveram-se, "desmaterializaram-se", derreteram-se.
Pouco depois, a mesma mão foi posta sobre minha cabeça. Levei a minha rapidamente ao local. Senti-a, segurei-a, ela foi eliminada e novamente desapareceu enquanto eu a segurava.
Outra vez, mais tarde, a mesma mão foi colocada sobre meu braço direito, sem apertá-lo. Nessa ocasião, não só levei minha mão esquerda ao local, mas também olhei, de modo que pude ver e sentir ao mesmo tempo. Vi uma mão humana, de cor natural, e senti com a minha os dedos e as costas de uma mão morna, áspera e nervosa. A mão dissolveu-se e (eu a vi com meus próprios olhos) retirou-se, como que para dentro do corpo da sra. Palladino, descrevendo uma curva. Confesso que duvidei um pouco que a mão esquerda de Eusapia tivesse se soltado de minha direita, para alcançar meu antebraço, mas no mesmo instante pude provar a mim mesmo que a dúvida era infundada, pois nossas duas mãos ainda estavam em contato da maneira comum. Se todos os fenômenos observados nas sete sessões desaparecessem de minha memória, este eu nunca poderia esquecer.
Duas aparições de rostos humanos também foram vistas, não escuros, mas em cor natural, muito pálidos, quase diáfanos, e bem iluminados. Toda vez a aparição era anunciada por Eusapia. Desta vez, uma cabeça apareceu em cima dela, mas eu não a vi e relato isto de acordo com o que me foi dito pelos outros. Alguém perguntou: "Quem é?" E Eusapia respondeu com uma voz fina:"É Pepino!" Na segunda vez Eusapia inclinou sua testa sobre a minha e disse imediatamente depois: "Olhem!" Nós olhamos e vimos atrás da beirada da cortina esquerda uma cabeça humana muito pálida, claramente iluminada. (p. 63-64).
Não raras vezes, são relatados aparecimento de mãos humanas, e aqui vemos até de uma cabeça humana, fatos que provam não haver fraudes, e que, por conseguinte, não se poderia atribuir ao médium. Entretanto, a sua presença era necessária para que tais fenômenos ocorressem, uma vez que, são os médiuns os doadores da energia (ectoplasma), com a qual os espíritos faziam as devidas manipulações para produzir o órgão desejado ou até mesmo um corpo inteiro. Observar que na desmaterialização a energia voltou para dentro do corpo do médium, pois, conforme já o dissemos, essa é uma energia do médium.
Na descrição dos fenômenos foi detectado esgotamento físico ocorrido com vários médiuns - (Eusapia Palladino, p. 61; srta. Stanislawa Tomczyk, p. 68; Stella Cranshaw, p. 76; Nina Kulagina pp. 89, 91 e 97; membros de grupo em geral, pp. 76, 145 e 151) - , que, em virtude disso, tiveram necessidade de um descanso, corroborando que essa energia é do próprio médium, apenas manipulada pelas inteligências invisíveis.
Chamou-nos atenção que fato análogo, ou seja, a do esgotamento físico, parece não acontecer nos casos de PES (percepção extra-sensorial), uma vez que não houve nenhuma menção a isso. Certamente, por não ocorrer esse esgotamento. Isso nos leva a concluir que os fenômenos de materializações nada têm a ver com os de PES, embora, nos parece ser a intenção do Sr. Rogo em colocar tudo num balaio só.
Narrativa de um teste com a srta. Tomczky:
Havia muitos enigmas na curiosa forma de mediunidade dá srta. Tomczyk. Durante seus transes, a "Pequena Stasia" dirigia os fenômenos e parecia tornar-se uma verdadeira inteligência, totalmente independente da médium. O professor Ochorowicz a princípio considerou Stasia apenas como uma personalidade secundária, mas depois começou a mudar de idéia. Suas experiências com Tomczyk foram cheias de surpresas e uma delas ocorreu em 17 de janeiro de 1909, quando o psicólogo estava testando para ver se sua jovem paciente era capaz de fazer um pêndulo balançar sem tocá-lo. A srta. Tomczyk podia fazer isso facilmente, mas aqui está o que aconteceu quando o pesquisador tentou realizar novamente os testes:
Antes de tudo, repetimos a experiência da "ação mecânica do olhar".
O grande pêndulo foi sem dúvida parado mecanicamente, depois posto a funcionar nas condições das experiências 2 e 3. Elas só foram mais cuidadosamente observadas. Demorou vinte minutos para efetuar a parada, que foi quase repentina, mal deixando uma oscilação mesmo ligeira. Foi a "mão condensada, sempre invisível", da Pequena Stasia que realizou esse tour de force.
Um momento de repouso. Depois o movimento foi efetuado, mais rapidamente e também repentinamente. Ao fim de dois minutos, o pêndulo recuperou suas oscilações normais sem hesitação. A respiração da médium, que era observada muito cuidadosamente, não entrou em ação. A médium não estava muito fatigada, mas, é estranho dizer, eu estava muito mais fatigado que de costume.
Houve um detalhe curioso esta noitinha. Na maioria das sessões anteriores, meus dois cães participaram como testemunhas silenciosas, um Newfoundland e um Spaniel de raça mestiça. Sendo bem comportados, eles não nos perturbavam de qualquer maneira, mas ficavam quietos no chão, perto de uma poltrona a umas cinco jardas de distância do sofá, onde o maior número dos experimentadores (sic) tomava lugar.
No momento em que a médium declarou que a Pequena Stasia havia chegado e sentado na poltrona, o Spaniel, que estava deitado com a cabeça voltada para a poltrona, rosnou. Virei-me e vi o olhar do cão fixado na poltrona. O Newfoundland dormia e não prestava atenção. Ele não podia ver a poltrona, mas o Spaniel repetiu seus rosnados três vezes. Só se acalmou quando a médium declarou que a Pequena Stasia não estava mais lá. (p. 68).
Pena que não foi colocado em que passou a pensar o prof. Ochorowicz, depois que deixou de considerar o espírito Stasia como uma personalidade secundária, ou seja, supunha ser uma dupla personalidade do médium. Aqui também quase chegaram perto da realidade: “a Pequena Stasia dirigia os fenômenos e parecia tornar-se uma verdadeira inteligência, totalmente independente da médium”, como custam dobrar-se aos fatos as pessoas preconceituosas, não?
Pelo relato, concluímos que estamos diante de um fenômeno que poderia ser considerado PES, não fosse a identificação da Pequena Stasia, que fazia uso de uma mão condensada, sempre visível para produzi-lo.
Muito interessante é também a citação da presença de dois cães, quando um deles, notando a presença espiritual de Stasia, rosna na direção da poltrona, lugar onde estaria sentada, conforme informação da médium. Seria alucinação animal? Ou poderíamos estar diante de uma prova da realidade: o espírito Stasia? Os animais poderiam ter certas percepções que nós os humanos não temos? A possibilidade é grande, já que, entre eles, encontramos os que vêm ou ouvem muito mais que nós, por que não poderiam ter outras percepções além dessas?
Na seqüência desse episódio, vamos encontrar uma coisa que vai corroborar o que foi dito anteriormente. Leiamos:
[...] o dr. Ochorowicz focalizou-se intensamente nessas manifestações, conseguindo muitas vezes examinar os objetos levitados a distâncias extremamente pequenas. Foi então que fez uma excitante descoberta. O psicólogo começou gradualmente a ver fios semelhantes a minúscula teia de aranha emanando das mãos da médium e que se ligavam aos objetos que ela levitava. Alguém poderia chegar facilmente à conclusão de que esses fios eram meramente linhas. Mas dificilmente poderia ser esse o caso, pois aqueles fios tinham algumas propriedades muito estranhas. O dr. Ochorowicz relatou que podia passar as mãos através deles, cortá-los ou fazer o que quisesse com eles. Os raios recuperavam imediatamente sua continuidade quando o pesquisador deixava de perturbá-los. (p. 69).
Quando citamos as propriedades do ectoplasma, uma das coisas que foram ditas é que a sensação tátil poderia ser a de teia de aranha, exatamente, conforme sentido aqui por esse pesquisador. Literalmente, estava diante de suas mãos algo que a esdrúxula explicação do inconsciente não se encaixa.
Mas, já que foi citado o nome do dr. Ochorowicz, vejamos o que encontramos a seu respeito:
Na Itália, teve oportunidade de constatar os extraordinários fenômenos produzidos por Eusápia Paladino. Declarou na “Gazeta Semanal Ilustrada”, o seguinte:
“Quando me recordo de que, numa certa época, eu me admirava da coragem de William Crookes em sustentar a realidade dos fenômenos espíritas; quando reflito, sobretudo, que li as suas obras com o sorriso estúpido que iluminava a fisionomia dos seus colegas, ao simples enunciado destas coisas, eu coro de vergonha por mim próprio e pelos outros”.
(CARNEIRO, 1988, p. 200) (grifo do original).
Seguindo nossa análise:
Vários dos investigadores adotaram, de fato, a teoria espiritualista, acreditando portanto que Palladino estava em contato com agentes espíritas. Mas eram a minoria. A maioria presumia que os poderes dela provinham de alguma espécie de força oculta dentro do seu corpo e que eram controlados por sua mente inconsciente. Alguns desses pesquisadores levavam a sério os controles do transe de Palladino, mas consideravam-no personalidades “secundárias” capazes de emergir de sua mente. (p. 70).
Ao que nos parece da fala acima, Sr. Rogo evoca presunção da maioria para justificar seu pensamento, fato estranho para quem se diz cientista. A maioria da população do globo acredita na reencarnação, mas isso não faz dela uma verdade científica, apesar de que isso deveria ser levado em conta para se aprofundar nas pesquisas a fim de se chegar a um veredicto final. Galileu Galilei, era minoria da minoria, se pudermos assim nos expressar, no entanto, estava coberto de razão. Tantos cientistas e inventores não passaram por situação semelhante à dele? Por outro lado, será que todos esses pesquisadores agiram como tal ou, inconscientemente, o preconceito deles falou mais alto?
D. D. Home – apesar de sua longa e variada carreira – nunca foi surpreendido em um ato de fraude e é difícil imaginar como ele poderia ter fraudado sua imunidade ao fogo, autolevitação e muitos de seus outros feitos Houve mesmo durante sua carreira casos em que toda a sala da sessão tremia e isso tornou-se conhecido como efeito de “terremoto”. (p. 71).
Se foi provada a honestidade do Sr. Home, uma vez que nunca foi surpreendido em fraude, fato que o próprio Sr. Rogo aceita, então, por que não acreditar que ele tenha falado a verdade quando atribuía aos espíritos a origem desses fenômenos? O que ele poderia estar ganhando com isso?
Relato de um incidente acontecido durante uma sessão que Price fez com a médium Stella Cranshaw, leiamos:
Tendo os participantes e a médium formado um círculo em volta da mesa, apenas com as pontas dos dedos tocando o tampo da mesa, desenvolveu-se rapidamente grande poder e seguiram-se logo movimentos da mesa. A mesa foi então completamente levitada diversas vezes, permanecendo no ar vários segundos em cada ocasião. Uma vez a mesa elevou-se completamente acima das cabeças dos participantes, alguns dos quais precisaram levantar-se a fim de continuar mantendo contato com ela. Durante esta levitação, a plataforma inferior da mesa bateu no queixo do Sr. Price (que permanecera sentado e perdera contato) e pousou sobre seu peito. Os participantes afastaram então suas mãos da mesa, permanecendo sobre ela apenas as pontas dos dedos da médium. Os movimentos da mesa ainda continuaram. Os participantes colocaram novamente seus dedos sobre o tampo da mesa, quando se desenvolveu ainda maior poder com crescente violência, duas das pernas separando-se da mesa com um ruído de percussão quando ocorreu a fratura. Nessa ocasião, o Sr. Pigh pediu licença e a sessão prosseguiu sem ele. O coronel Hardwick, a sra. Pratt e o Sr. Price continuaram com os dedos sobre o tampo da mesa, que estava assentada sobre a perna restante. De repente, sem aviso e com um violento estalo, o tampo da mesa partiu-se em duas peças. Ao mesmo tempo, a perna restante e outros suportes da mesa ruíram, com o todo sendo reduzido a pouco mais do que gravetos. A sessão foi então encerrada.
A luz vermelha plena foi usada durante toda a sessão, exceto quando se deixou entrar na sala um pouco da luz do dia. Sob a luz branca, a mesa continuou a mover-se, mas não ocorreu levitação. A médium ficou muito sonolenta durante a última parte da sessão e os outros participantes queixaram-se de exaustão - mas não na mesma escala experimentada na última sessão. Quando o tampo da mesa partiu-se em dois, a sra. Pratt disse ter sentido a "força" subir pela mesa, culminando no tampo, onde ocorreu a fratura. (p.76).
Certamente que aqui não só a médium fornecia a sua energia para a produção do fenômeno, pois fica evidente que também houve a participação efetiva dos componentes da mesa. Num dado momento, quando retornaram com seus dedos sobre o tampo da mesa, o fenômeno adquiriu maior intensidade. Essa participação também pode ser confirmada pela exaustão que sentiram após a ocorrência. Não houvesse nenhuma prevenção contra a real causa de tais fenômenos já teriam percebido que a teoria do inconsciente do médium manipulando a energia (ectoplasma) seria difícil de se aplicar aqui, já que os outros membros da mesa participaram do fenômeno. Poderiam alegar conluio de inconscientes? Seria até engraçado uma saída dessa. Combinaram os seus inconscientes em quebrar a mesa? Ou isso demonstra que essa intenção, para ter sucesso só poderia, no caso, vir de uma só mente? Mas e as outras mentes, não ficou provado, segundo o texto, que participaram do fenômeno? Como sair desse impasse? Fácil, desde que resolvam se abdicar da posição materialista, para admitir a intervenção de uma inteligência invisível, ou seja, um espírito.
Agora narrando sobre Rudi Schneider, outro médium, diz:
O dr. Osty esperava que Rudi conseguisse mover os objetos na sala de sessões sem interromper o raio infravermelho. Mas o físico francês teve uma supressa. No decorrer de várias experiências, a câmara continuou disparando, indicando assim que alguma coisa havia interrompido o raio. Contudo, as fotografias resultantes mostraram claramente que Rudi estava sentado em sua cadeira com as mãos ainda presas pelos investigadores. Osty percebeu logo que estava deixando o corpo de Rudi alguma força que, embora invisível ao olho humano, tinha substância suficiente para absorver cerca de trinta por cento do raio e disparar a câmara. [...] Essa descoberta provava a existência de uma ligação entre a psicocinese e o organismo do médium. (p.82).
Mas quem disse que não há uma ligação entre o médium e o fenômeno? Certamente que há, uma vez que ele é o doador da energia que o produz. Entretanto, não é lícito supor que pelo fato de doar a energia ele, o próprio médium, é quem a manipula. Já vimos, nos vários casos aqui citados, a independência completa desse agente, que, insistentemente, evitam atribuir a um espírito, é mais fácil atribuir ao inconsciente, apesar de nunca terem conseguido provar que ele aja conscientemente, pois tudo não passa de mera suposição da parte dos que acreditam nessa hipótese.
Agora relata fenômenos com a médium Kulagina:
O mais impressionante nessas experiências improvisadas foi que Kulagina parecia não ter muito controle sobre sua psicocinese. Pratt e Keil colocavam sobre a mesa objetos para ela mover e ela acabava movendo um artigo enquanto conscientemente se focalizava em outro. (p. 93).
Isso aconteceu exatamente pelo motivo que acabamos de falar, não era produto da mente do médium, mas de uma força invisível que agia conforme seu próprio interesse. E, a bem da verdade, médium nenhum tem controle sobre sua “psicocinese”, ele apenas doa energia, quem a controla é um outro agente: o agente invisível, no caso, um espírito.
Ao fazer suas considerações sobre a psicocinese em grupo, cita, o Sr. Rogo, uma experiência realizada por membros da Toronto Society for Psychical Research. Para testar se eram capazes de invocar um fantasma, vejamos trechos do relato:
Os membros do grupo perceberam que, para estudar melhor os fantasmas, precisariam ser capazes de produzir um fantasma. Passaram a reunir-se semana após semana – meditando juntos, concentrando-se juntos e formando uma ligação emocional mútua. Usando essa estratégia esperavam conseguir produzir uma “forma pensada” coletivamente, isto é, um fantasma fabricado por suas próprias mentes.
O líder do projeto era Íris Owen, esposa do conhecido parapsicólogo A.R.G. Owen. O resto do grupo consistia em outros moradores de Toronto, cuja profissão variava de contador a engenheiro. Nenhum do grupo se apresentava como tendo qualquer capacidade psíquica. A fim de assegurar que o “fantasma” que invocariam fosse realmente uma projeção de suas mentes, decidiram criar um personagem inteiramente fictício para nele se focalizarem e deram-lhe o nome de “Philip”.
Para ajuda a focalização na personalidade de Philip, um membro do grupo escreveu uma biografia fictícia dele. [...]
Os membros do grupo meditaram juntos semanas e semanas. Estudarem a vida e os amores de Philip, tentando fazer com que ele voltasse à vida em suas mentes. [...]
Finalmente essas sessões de meditação começaram a dar resultado. Às vezes, um ou dois dos membros sentiam alguma espécie de presença intangível na sala de sessões ou recebiam uma vívida imagem mental de Philip. Mas, nem é preciso dizer, nunca se materializou uma aparição.
Depois de meses de sessões geralmente infrutíferas, o grupo decidiu mudar sua estratégia. (pp. 133-135).
Mais fácil do que contatar um fantasma virtual era ter evocado um morto “real”. Será que os resultados seriam idênticos? Impregnada como estavam as mentes dos membros de grupo, mesmo que as informações não fossem verdadeiras, é fácil entender que elas ficaram gravadas no inconsciente de cada um, podendo, certamente, sair pela mente consciente. O preconceito fica evidenciado, quando escolhem “fabricar” um fantasma a ter que tentar se comunicar com um fantasma verdadeiro.
Depois de ler os relatórios de Batcheldor, a sra. Owen mudou os planos de batalha. Os membros do grupo seguiram as sugestões de Batcheldor, sentando-se em volta de uma mesa e fazendo das experiências quase uma função social. [...]
Cada vez mais, sons de batidas saíram da mesa à medida que as sessões prosseguiram, e finalmente a mesa começou a escorregar sob os dedos dos participantes. Quando um dos presentes indagou abertamente se “Philip” era o agente responsável pelos movimentos, um som de batida saiu do tampo da mesa como se fosse uma resposta.
O grupo adotou um código – uma batida significando sim, duas batidas significando não – pelo qual pudessem comunicar-se com a inteligência por trás dos movimentos da mesa e das batidas. Naturalmente, essa personalidade afirmou não ser outro senão o imaginário nobre do século XVII. [...]
Às vezes essas “conversas tornavam-se bastantes animadas à medida que Philip começava a desenvolver uma personalidade distinta. Se o grupo fazia a Philip perguntas sobre sua vida e seus amores, ele poderia responder de diversas maneiras. A mesa batia um “não” alto quando era feita uma pergunta que Philip achava muito indiscreta. Por outro lado, batidas fortes e entusiásticas eram ouvidas quando faziam perguntas sobre seu amor por Margo. Esses sons, que pareciam batidas de madeira, provinham diretamente do tampo da mesa. (pp. 135-136).
Nessa fase da experiência, o grupo passa a se reunir em volta de uma mesa, conforme se fazia à época, e, a partir daí, os tímidos movimentos iniciais da mesa passaram a ter mais vigor. E quando faziam perguntas ao fantasma virtual “Philip”, ele, para espanto do grupo, passou a responder. Com razão estavam os espíritos quando disseram a Kardec “Evoca um rochedo e ele te responderá. Há sempre uma multidão de Espíritos prontos a tomar a palavra, sob qualquer pretexto”. (KARDEC, 1996, p. 368). Certamente, algum espírito assumiu o papel de Philip, o que explicaria que, em algumas situações, ele ter passado a agir por conta própria. Poderia muito bem esse espírito ter respondido todas as perguntas feitas sobre a vida imaginária de Philip, pelo simples fato de que os espíritos conhecem os nossos pensamentos. Leiamos os questionamentos de Kardec aos espíritos:
456. Vêem os Espíritos tudo o que fazemos?
“Podem ver, pois que constantemente vos rodeiam. Cada um, porém, só vê aquilo a que dá atenção. Não se ocupam com o que lhes é indiferente”.
457. Podem os Espíritos conhecer os nossos mais secretos pensamentos?
“Muitas vezes chegam a conhecer o que desejaríeis ocultar de vós mesmos. Nem atos, nem pensamentos se lhes podem dissimular”.
a) - Assim, mais fácil nos seria ocultar de uma pessoa viva qualquer coisa, do que a esconder dessa mesma pessoa depois de morta?
“Certamente. Quando vos julgais muito ocultos, é comum terdes ao vosso lado uma multidão de E