Em virtude daquele mesmo email remetido pelo Célio Gouveia a vários espíritas, respondido em nosso outro artigo Analisando “Erros do Espiritismo”, reproduzimos agora uma outra resposta, a de Marcos Arduin.

 

 

Examinando “Erros do Espiritismo”

 

 

Fiz uma resposta geral em  vermelho, intercalada com o texto do Célio Gouveia.

  

O espiritismo comete diversos erros no que toca a ciência (física, biologia, química etc.).

Tem razão: o Espiritismo caminha com a Ciência e se na época em que Kardec fez seus trabalhos a Ciência tinha por correto coisas que depois se mostraram incorretas, a culpa não é do Espiritismo, que não trata de assuntos que não são da sua alçada. O máximo que se pode fazer é o que Kardec fez: repetir o que os cientistas de sua época diziam.

Certa vez li em um livro de Kardec a seguinte classificação: seres ognânicos e seres inorgânicos. Completamente errado, pois, em 1828 já havia sido derrubada a teoria da "força vital" e que os elementos orgânicos poderiam ser extraídos de elementos não orgânicos como é o caso da uréia.  A partir daí vários elementos orgânicos foram extraídos sem depender de seres vivos.

Acho que o Sr Gouveia está exagerando um pouco. É certo que a teoria do Vis Vitalis veio abaixo quando se sintetizou uréia a partir de compostos minerais, mas nem por isso o conceito de orgânico e inorgânico ficou necessariamente inválido em sentido geral. O que se derrubou foi a idéia de que em laboratórios se poderia sintetizar compostos inorgânicos, mas jamais os orgânicos pois esses dependiam de uma força vital. Isso é o que se derrubou, mas os seres orgânicos continuam existindo e o que se entende por inorgânico ou mineral seriam os seres inanimados.

Ou seja, o que o Kardec chama de seres orgânicos deve ser substituído por seres vivos, já que o que é orgânico é o que possui o elemento carbano organizado, segundo a química orgânica.

Mas, mesmo assim o erro permance. Segundo Kardec, é a força vital que dá movimento aos seres vivos. Ora, as esponjas são seres vivos, porém, são animais fixos, ñão possuem movimentos.

De novo o Sr Gouveia está extrapolando os conhecimentos da época. A verdade é que as esponjas, embora fixas, contêm células que fazem movimentos que provocam o fluxo de água em seu interior. Esse rigorismo científico acaba por ir além do que se entendia pelo contexto da época.

Já o vírus, que nem um ser vivo é, considerado pela maioria dos cinetistas, se movimento e não possui a força vital. Além do mais, o que seria o tal "princípio vital" senão a água e as células? E os erros continuariam.

Esse Sr Gouveia escreve mal. Parecem faltar letras e o sentido fica prejudicado. Vamos entender como força vital um princípio lógico de energia que manteria funcional o ser vivo. Ninguém sabia (ou sabe até hoje) definir o que era realmente, mas entendia-se como uma força que manteria funcional o ser vivo.

Diz, ele também, que os animais possuem alma. Ora, nem todos poderiam possuir já que grande parte dos animais não possuem cérebro ou glândula cerebral, como as esponjas, as amebas etc. E o que dizer dos seres vivos nunca referidos na doutrina espírita como as bactérias, os fungos e os protozoários?

Não percebi a ilação: que falta fazem o cérebro e glândula pineal para se determinar então que o ser sem tais estruturas não teria uma alma? Bem, vamos colocar um pouco de ordem nessa ignorância do Sr Gouveia sobre o assunto:  Antes de mais nada, sob a Doutrina Espírita, chamamos ALMA, o espírito quando está em condição encarnada. Acontece que os animais não seria animados por alma e sim pelo princípio inteligente, que é o espírito na condição pré-racional. Então, a rigor, os animais não teriam alma no sentido que damos a essa palavra, mas sim o princípio inteligente.

E vamos a mais erros. Os "espíritos" não são seres vivos, porém, precisam da matéria pra ter vida, o que torna a matéria muito mais importante que as coisas "amateriais" (se assim podemos dizer). Por não ser um ser vivo, os espíritos jamais poderiam ser providos de sentidos, já que é o cérebro ou os glânglios cerebrais que são responsáveis por isso, ou seja, um espírito

O espírito não seria um ser vivo no sentido de que não possui um corpo material, mas segundo os relatos deles próprios, têm sensações e sentidos mais aguçados e amplos do que quando estão em condição encarnada. Os sentidos estariam em TODO o corpo espiritual e não restritos aos órgãos dos sentidos materiais. Devia estudar melhor antes de criticar, ô meu caro Gouveia.

não pode falar, sentir dor, enxergar, sentir gosto, ouvir e nem sonhar. Até pq "ele" precisaria da matéria para isto.

Suponho que o Sr Gouveia seja um bom cristão, pois no Cristianismo se defende a idéia de que sem corpo físico, a alma está em condição de vazio e impotência, pois não consegue ver, ouvir, sentir, nada. A única forma de receber informação é pela sabedoria infusa de Deus. Bem, meu caro, comece separando as coisas: Espiritismo é uma coisa, Cristianismo é outra.

Se um elefante possui alma, o que torna possível ele um dia reencarnar em outro animal ou num ser humano?

O princípio inteligente do elefante reencarna de preferência em outros elefantes, até que atinja um estágio no qual possa encarnar em animais mais capacitados. Mas NUNCA reencarna em corpos humanos, pois seu estágio evolutivo está muito abaixo dessa condição.

Os espíritos se reproduzem, pois, o número de seres humanos se mutiplicou desde o primeiro humano na Terra.

De acordo com a doutrina espírita há migrações espirituais e portanto espíritos de outros mundos poderiam vir encarnar aqui. Mas fora isso, estamos testemunhando o fenômeno da ressurreição dos mortos. As reencarnações em geral eram mais espaçadas no passado. Um espírito demorava mais para encarnar, até por desconhecimento dessa condição. Note que os países mais populosos do mundo são a China e a Índia, onde o conceito de renascimento sempre foi mais divulgado. Além disso, estamos chegando a um momento próximo de regeneração da Terra, onde os espíritos que não atingiram a cristificação, ou seja, não aprenderam a ser bons como manda o figurino, terão de deixar esse mundo e ir para outro mais inferior (do tempo da idade do galho) e recomeçar tudo de novo. Assim, se os espíritos temiam reencarnar pelo fato de terem de encarar suas faltas e seus desafetos, acabam por vencer esse medo, pois aqui na Terra ainda dá para comer um Big-Mac de vez em quando, ao passo que no outro mundo na idade do galho, o melhor manjar será carne crua e sem sal. Assim, portanto, há reencarnações maciças nesta época. Na Bíblia isso é chamado de a ressurreição dos mortos.

Como pode um espírito ser o princípio de inteligência se é o cérebro o fator da inteligência. Se não fosse, por que dizer que as plantas não possuem alma já que possuem o "pincípio vital". Os cegos de nascença não sonham com imágens, então, significa que eles estão em sua primeira encarnação?

Sabemos que o espírito é o portador da inteligência porque quando espíritos de falecidos se manifestam através de médiuns, revelam conhecimentos e coisas que o médium não teria como saber e que o falecido sabia. Portanto a inteligência, o conhecimento, a personalidade do defunto sobreviveu de alguma forma. E esta forma é o que chamamos de espírito. O espírito quando está encarnado só pode fazer ver e funcionar no cérebro encarnado aquilo que puder obter e transmitir através dele. Fazendo uma comparação grosseira, um programa avançado pode mostrar todos os seus recursos num computador mais bem equipado; mas se posto para rodar num computador limitado, pode não fazer rodar todos os seus recursos. Entendeu?

Poderia-se escrever um livro com todos os erros cometidos pelos espíritas ao tentar defender a sua doutrina, mas, não há a necessidade de escrever nada, pois, que afirma é que tem que provar, ou seja, os espíritas é que devem provar a existência de espíritos. Contudo, vemos que não será possível pois é fácil dismistificar os contos espíritas.

Eu já li mais de 50 obras cristãs anti-espíritas e ultimamente tenho lido e discutido com gente cético-científica a respeito do assunto. E não consegui me deparar com ninguém suficientemente bem equipado para desmistificar os contos espíritas.   Quero deixar claro, Sr Gouveia, que os espíritos são entes que animaram seres humanos e CONTINUAM HUMANOS, ou seja, não é porque lhes falta um corpo físico que agora são donos da suprema sabedoria e suprema moralidade. Nada disso. Continuam tais como eram, a menos que cuidem de se melhorar. Portanto, pegar uma ou outra picuinha científica falha para mostrar a falência científica do Espiritismo é coisa para a nós espíritas não nos incomoda nem um pouquinho.  O que cientificamente é da alçada do Espiritismo é a fenomenologia mediúnica. Durante os 80 anos que se passaram entre 1850 e 1930, mais de 200 cientistas pesquisaram esses fenômenos e chegaram à conclusão de que aconteciam e vários desses cientistas chegaram à conclusão de que a intervenção espiritual era a única hipótese capaz de fechar todos os casos onde NADA MAIS SE PODIA APRESENTAR COMO EXPLICAÇÃO.  A fé cristã e a fé cética têm sido ambas da mais lamentável indigência para refutar todo o trabalho feito nesta época. Se estudasse mais, saberia disso, Sr Gouveia.

Allan Kardec usa a ciência para mostrar os equívocos da bíblia (livro dos espíritos), porém, nega a mesma quando usada para mostrar que o espiritismo é um erro. Pura falácia, subterfúgio, retórica, não?

Célio Gouveia

Bem, não sei do que está falando, pois  não me consta que a Ciência tenha mostrado a Kardec que o Espiritismo estivesse errado naquilo que lhe compete. Kardec só repetia o que a Ciência da época dizia, mais nada. Se não estava plenamente atualizado com tudo o que se dizia na época, é porque não era ele um cientista e sim um pedagogo. Por outro lado, já na época de Kardec a Ciência já tinha provado que a Bíblia, a Palavra de Deus exata e infalível é inexata e falha quando ensina que a Terra é plana e o Céu é sólido. Posso confiar numa revelação divina tão falha?   

 

Marcos Arduin

 

 

 

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