JOÃO BATISTA ERA ELIAS REENCARNADO?
No “site” http://www.cacp.org.br/joao_batista_era_elias.htm, sob o título acima, li um artigo no qual é afirmado
que João Batista jamais poderia ter sido Elias. Inicialmente, esclareço que as
partes constantes do texto sob comentário foram transcritas do original
mediante a utilização das teclas “ctrl+c” e “ctrl+v” e estão sombreadas. Para defender o seu ponto de vista o articulista, Prof.
João Flávio Martinez, afirma “que a Bíblia não apóia a absurda teoria espiritista da
reencarnação."
Começa ele assim:
“Dizem os espíritas: A noção de
que João Batista era Elias e de que os profetas podiam reviver na terra,...(O
Evangelho segundo o Espiritismo).
“Quem quiser estudar a Bíblia terá
que seguir uma regra básica de interpretação que é: “A Bíblia interpreta a
própria Bíblia”. Portanto, somos impedidos de laçar mão de interpretações
subjetivas para consubstanciar as nossas próprias idéias. Os Espíritas, como
eles mesmos já afirmara (leia no tópico anterior), interpretam a Bíblia ao seu
bom prazer e de acordo com convicções pré-concebidas. Entretanto, não é assim
que se faz para se tirar uma real interpretação. É preciso analisar o texto e o
seu contexto, de Gênesis a Apocalipse e depois concluir o que realmente diz a
Bíblia. Se você quer entender sobre o tema referido pegue uma Bíblia e nos
acompanhe em nessa explicação, pois para os evangélicos toda a Bíblia é
inspirada e não usamos somente o que interessa como fazem os espíritas.
“Sobre João Batista, diz Lucas
1:17: E irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para converter os
desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo
preparado. Isto não quer dizer, de forma nenhuma, que João fosse Elias, mas
que no seu ministério profético, haveria peculiaridades do ministério de Elias.
De fato, a Bíblia não trata de nenhum outro caso de dois homens tão parecidos
como João Batista e Elias. Lembra o refrão popular: Tal pai, tal filho. Isto não
quer dizer que o filho seja absolutamente igual ao pai, ou que seja a
reencarnação do outro, mas sim, que existe hábitos comuns a ambos.”
São esses os termos do que lá é dito,
ipsis litteris.
Em seguida ao acima transcrito, o
articulista apresenta 5 razões porque não crê que João Batista não era Elias,
que serão analisadas, ponto a ponto, mais adiante.
Cabe, inicialmente, esclarecer que, por
uma questão de ordem, comentarei o que foi dito por ele sobre a forma de
interpretação da Bíblia, no sentido de que “Quem quiser estudar a Bíblia terá
que seguir uma regra básica de interpretação que é: ‘A Bíblia interpreta a
própria Bíblia’. Portanto, somos impedidos de lançar mão de interpretações
subjetivas para consubstanciar as nossas próprias idéias.” (o destaque não
é do original)
Conseqüentemente, o articulista, ao
afirmar isso, impõe a si próprio uma regra muito rígida. No entanto, ao citar
Lucas 1:17 (E irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para converter os
desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo
preparado), diz o referido articulista: “Isto não quer dizer, de forma nenhuma,
que João fosse Elias, mas que no seu ministério profético, haveria
peculiaridades do ministério de Elias. De fato, a Bíblia não trata de nenhum
outro caso de dois homens tão parecidos como João Batista e Elias”. (o
destaque não é do original) Como se vê, quando é para combater a idéia dos
outros ele diz que a Bíblia interpreta a própria Bíblia; mas quando é em
favor das suas idéias ele esquece dessa regra a que se auto impôs. Não é
interessante?! Como ele citou um refrão para justificar suas idéias,
literalmente mandando para o espaço o que ele afirma, isto é, a Bíblia
interpreta a própria Bíblia, lá vai um refrão que ficará muito próprio para
ele, no caso aqui enfocado, pois é isso o que ele está praticando: Faça o
que digo, mas não faça o que faço. Não é mesmo?!
Mas não ficou só por aí; a citação de
Lucas 1:17 refere-se ao diálogo entre um anjo do Senhor e Zacarias que viria a
ser o pai de João, o batista, anjo esse que manda Zacarias dar o nome de João a
esse filho. E em nenhum outro trecho do capítulo 1 do livro de Lucas é citado
que João é Elias. Mas as semelhanças entre um e outro são tamanhas que o
próprio articulista não deixa de reconhecer e cita uma delas que é a do
versículo 17 de Lucas 1. Entretanto, esquece-se do que é citado em Mateus
11:13-15: “13 Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João. 14 E, se
quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. 15 Quem tem ouvidos,
ouça.” Como se vê, enquanto, em Lucas 1:13, o anjo do Senhor manda Zacarias dar
o nome de João ao filho, em Mateus 11:13-15 Jesus diz que o filho de Zacarias é
Elias. Tanto assim, que enfatiza: Quem tem ouvidos, ouça. Ou seja: Jesus (a
Bíblia) não deixa vago que João é Elias, ele afirma com todos os “efes” e
“erres” que João é Elias! Não será o caso de lembrar que a Bíblia interpreta
a própria Bíblia? Além disso, Deus promete em Malaquias (3:23 em umas
traduções e 4:5 em outras) que mandará Elias, promessa que se cumpre com a
vinda de João, conforme Mateus 11:13-15.
Feitas essas observações preliminares,
passemos aos tópicos específicos.
Diz ele:
“PONTOS A CONSIDERAR
Dentre as muitas razões porque
cremos que João Batista não era Elias, queremos citar apenas cinco:
1) – Os judeus criam que João Batista fosse Elias
ressuscitado, não reencarnado (Lucas 9:7,8).
2) – Se a reencarnação é o ato ou efeito de
reencarnar, pluralidade de existência com um só espírito, é evidente que um
vivo não pode ser reencarnação de alguém que não morreu. Fica claro assim que
João não era Elias já que este não morreu, tendo sido arrebatado vivo para Deus
(II Reis 2:11).
3) – João Batista disse abertamente, sobre essa
questão, quando lhe perguntaram: “És tu Elias?”, ele respondeu
desembaraçadamente: “Não sou” (João 1:21). Parece que, se a reencarnação
existe, Jõao Batista foi um dos que nunca creu nela.
4) Se João Batista fosse Elias, no momento da
transfiguração de Cristo teriam aparecido Moisés e João (que já era morto
também) e não Moisés e Elias (Mateus 17:1-8).
Fica mostrado, portanto, que a Bíblia não apóia a
absurda teoria espiritista da reencarnação. Até mesmo os chamados “fatos
comprovados” de reencarnação apresentada pelos defensores do Espiritismo, não provam
coisa alguma.
Embora só tenha numerado 4 razões,
deixando a última sem numeração, consideremos esta como a 5ª, já que aí foi
exposta a conclusão do articulista.
Passemos à
analise de cada uma delas.
“1) – Os judeus
criam que João Batista fosse Elias ressuscitado, não reencarnado (Lucas 9:7,8).”
Para aclarar o que deve ser entendido
como ressuscitar na concepção dos hebreus, transcrevo o texto citado utilizado
para a justificativa acima, de que os judeus acreditavam que Elias havia
ressuscitado e não reencarnado. Vejamos em Lucas 9:7-8: “7 Ora, o tetrarca
Herodes soube de tudo o que se passava, e ficou muito perplexo, porque diziam
uns: João ressuscitou dos mortos; 8 outros: Elias apareceu; e outros: Um dos
antigos profetas se levantou”. Lendo somente os versículos 7 e 8 citados,
tem-se a impressão de que realmente é a respeito de João o que ali está
escrito. Entretanto, lendo-se o versículo 9, que diz: “9 Herodes, porém, disse:
A João eu mandei degolar; quem é, pois, este a respeito de quem ouço tais
coisas? E procurava vê-lo”, verifica-se que é a respeito de Jesus a narração de
Lucas. Portanto, a dúvida dos hebreus não é se João é Elias, mas, sim, se Jesus
é João ou é Elias. Não quero crer que o articulista tenha feito uma citação
errônea (ou praticado uma omissão) intencionalmente, mas que, inadvertidamente,
tenha lido apenas o texto, sem verificar o contexto, que ele tanto faz
questão de divulgar que os espíritas não observam quando analisam a Bíblia.
Mesmo assim, vê-se que a palavra ressurreição, para os hebreus, tinha o mesmo
significado que tem hoje a palavra reencarnação, neologismo divulgado por
Kardec só em meados do século XIX. Tanto assim era entendido, que o próprio
Herodes descartou que Jesus fosse João, pois disse que João fora degolado a
mando dele, Herodes. E mais: Jesus não poderia ser João por terem eles sido
contemporâneos e quando João morreu Jesus já (e ainda) vivia. Logo,
ressurreição sempre teve o significado de reencarnação, pois o Evangelho fala
que disseram que João ressuscitou dos mortos ou que Jesus era um dos antigos
profetas que se levantou; e levantar, em relação aos antigos profetas, era
sinônimo de ressuscitar e ressuscitar era retornar da morada dos mortos. Assim,
como fica o a Bíblia interpreta a própria Bíblia?
Como se vê, Elias retornou da morada
dos mortos. Portanto, não vale a suposição de que Elias não morreu... Morreu,
sim, porque ninguém deixa de morrer – vide ECLESIÁSTICO 14:17 (valendo, também,
para o item 2 abaixo). Além disso, se Jesus, que é Jesus, veio e morreu, por
que outros, ainda que tenham vindo com a missão de profeta, tiveram o
privilégio de não passar pela porta normal de retorno ao plano espiritual, que
é a morte? Até por uma questão de lógica e, acima de tudo, de justiça, é de se
entender que Deus não iria conceder privilégios a uns em detrimento de outros;
principalmente em se tratando de seu filho unigênito, como uma grande
parcela dos chamados cristãos considera Jesus. Ora, qual é o pai que, tendo um filho
único, dará tratamento melhor a outra pessoa em detrimento de seu filho? Se
existir esse pai, na minha concepção, e na de qualquer outro ser humano normal,
esse pai não poderá ser considerado pai; mormente pelo princípio de justiça e
por conhecer as qualidades do seu filho! E já que a Bíblia interpreta a própria
Bíblia o articulista deveria ter lido: “Deus não faz acepção de pessoas” (At
10,34; 15,9; Rm 2,11; Gl 2,6; 3,8; Ef 6,9; Cl 3,25 e 1Pe 1,17).
E não se utilize o já famoso chavão de
“mistérios de Deus”, porque basta de ser jogada, nos “mistérios de Deus”, a
culpa pela falta de capacidade que alguns dirigentes e seguidores de
determinados ramos do cristianismo têm em “arranjar” argumentos para justificar
os sofismas utilizados contra determinadas verdades constantes dos textos da
Bíblia; e a reencarnação não tem fugido dessa prática.
“2) – Se a
reencarnação é o ato ou efeito de reencarnar, pluralidade de existência com um
só espírito, é evidente que um vivo não pode ser reencarnação de alguém que não
morreu. Fica claro assim que João não era Elias já que este não morreu, tendo
sido arrebatado vivo para Deus (II Reis 2:11).”
Informo que, seguindo a orientação do
articulista de que “é preciso analisar o texto e o contexto”, continuei lendo
na seqüência do relatado no versículo 11 sobre o ocorrido com Elias e
verifiquei, no versículo 16, do mesmo capítulo 2, que lá é dito: “...pode ser
que o Espírito do Senhor o tenha arrebatado e lançado nalgum monte, ou nalgum
vale.”
Logo, pelo texto e contexto, preceito
que o articulista tanto apregoa (mas não usou aqui), o leitor verá que, à
época em que aconteceram os fatos lá narrados, a palavra arrebatamento
identificava um fenômeno em que a pessoa que era objeto dele sempre era levada
para um local ermo (certamente para meditar e lá ficar até o final da sua vida
na terra, final esse que, talvez, já devesse estar próximo). E Jesus também foi
objeto de um “arrebatamento” (embora Ele tenha reaparecido porque ainda não
havia chegado o seu tempo), conforme consta em Mateus 4:1 - “Então foi conduzido
Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo.” Semelhantemente
consta em Marcos 1:12-13. Portanto, os judeus criam que o arrebatamento sempre
era efetuado por um espírito, tendo esse fato acontecido até com Jesus. Isso
aconteceu para confirmar que o arrebatamento sempre foi para levar
alguém a algum local ermo e (acrescento) imediatamente; ou será que, por ter
ocorrido com Jesus, esse fenômeno não foi um “arrebatamento”? Se não foi um
arrebatamento, por que Deus iria permitir a utilização desse fenômeno com duas
finalidades diferentes: uma para levar ao céu e outra para levar a algum lugar
aqui na terra?
Ainda quanto à morte: pelo que me
consta, Deus jamais criou alguma coisa inútil ou injusta, pois até seu filho unigênito
não escapou dela. Assim, alegar que outros teriam dela escapado, como se
pretende em relação a Elias, é querer trazer Deus ao baixo nível dos humanos;
não é?! E não vale alegar, também, que são “mistérios de Deus”...
Para confirmar que após algum tempo da
morte o espírito retorna em outro corpo, relembro LUCAS 9,7-8: “7 Ora, o
tetrarca Herodes soube de tudo o que se passava, e ficou muito perplexo, porque
diziam uns: João ressuscitou dos mortos; 8 outros: Elias apareceu; e outros: Um
dos antigos profetas se levantou”. Como se vê, repita-se, os hebreus sempre
entenderam dessa maneira. Tanto que uns diziam: João ressuscitou dos mortos;
outros que Jesus era um dos antigos profetas que se levantou; e levantar, em
relação aos antigos profetas, era sinônimo de ressuscitar e ressuscitar era
retornar da morada dos mortos. Logo, não vale essa de que Elias não morreu e
que João não é Elias reencarnado, pois em Mateus 11:14-15 está dito: “14 E, se
quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. 15 Quem tem ouvidos,
ouça”! E quem somos nós, eu, o articulista, o leitor e todos os evangélicos e
os não-evangélicos, para contestar a palavra de Deus?... Não é mesmo? Além
disso, se Deus desejasse mostrar que a vinda de Elias tivesse o significado que
o articulista entende que os hebreus davam à palavra ressuscitação não teria
mandado ZACARIAS dar ao filho deste o nome de JOÃO, mas, sim, de Elias; não
teria sido mais simples?! Entretanto, como Deus quis demonstrar que Elias
realmente voltou, com o mesmo significado de sempre e que hoje tem o nome de
reencarnação, mandou Zacarias dar ao filho dele, Zacarias, o nome de João, e
não o de Elias. Tanto assim foi, que confirma esse fato através de Jesus, em
Mateus 11:14-15, conforme transcrito linhas atrás. E foi muito fácil chegar a
esse entendimento. Bastou-me seguir o conselho do articulista de analisar o
texto e o contexto relativos aos fatos aqui mencionados. E aqui também
apliquei o a Bíblia interpreta a própria Bíblia, porque me foi
suficiente utilizar o processo dedutivo direto de entendimento do que lá está
escrito, isto é, João é Elias, porque Jesus diz que João é Elias! Podemos
duvidar de Jesus?
“3) – João
Batista disse abertamente, sobre essa questão, quando lhe perguntaram: “És tu
Elias?”, ele respondeu desembaraçadamente: “Não sou” (João 1:21). Parece que,
se a reencarnação existe, Jõao Batista foi um dos que nunca creu nela.”
Pela resposta de João, acima citada, o
leitor concluirá que a resposta de João foi a mais lógica possível, já que
apenas lhe foi perguntado se ele, João, era Elias. Daí o articulista tirar a
conclusão de que João não acreditava na reencarnação, convenhamos, é fazer
pouco caso da inteligência do leitor. Por que digo isso? Por uma simples razão:
é sabido que os cristãos chamados de espíritas, e uma boa parcela de outros
cristãos não fanatizados, acreditam na reencarnação. Suponhamos, agora, que se
pergunte a alguma dessas pessoas se ela é reencarnação, vamos supor, do doutor
Bezerra de Menezes. Essa pessoa, ainda que convicta da existência da
reencarnação, responderá, fatalmente, que não. Seguindo o raciocínio do
articulista, pergunto: poder-se-á publicar em todos os meios de comunicação que
essa pessoa não acredita em reencarnação? Da mesma forma, suponhamos que o
Dalai-Lama pergunte ao Papa e a algum dos líderes atuais dos Evangélicos se
estes são, respectivamente, reencarnação de Pedro e de Lutero e tanto o Papa
quanto o líder evangélico, por serem delicados ou, cristã e ecumenicamente, por
respeitarem a crença do Dalai-Lama, simplesmente respondam que não são nem
Pedro nem Lutero reencarnados. Pergunto: é correto sair por aí informando a
todos os meios de comunicação que o Papa e esse líder evangélico acreditam em
reencarnação, simplesmente por que eles responderam que não são a reencarnação
de Pedro nem de Lutero? Lógico que não! Da mesma forma, não há embasamento para
uma afirmação do tipo desta, de que João não acreditava na reencarnação,
somente porque lhe perguntaram se ele era Elias e João respondeu que não!
Além disso, João não poderia saber se
era ou não Elias, em virtude de faltar essa aptidão ao ser humano, pelo menos
naquela época, conforme afirma Jesus no diálogo com Nicodemos, constante de
JOÃO 3:8: - “O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde
vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”. Logo,
ele não poderia ter respondido de outra forma, visto que ele não poderia saber
quem teria sido em vida anterior.
Nesse caso, em que devemos acreditar:
1)
na resposta de João Batista, que não
poderia saber quem fora em vida anterior, em função do estágio evolutivo do ser
humano, repita-se, em conformidade com a afirmativa de Jesus, contida em João
3:8, acima transcrita?
2)
na opinião do articulista, negando o que
afirma Jesus em Mateus 11: 13-15? ou
3)
nas afirmações de JESUS contidas em João
3:8 e Mateus 11: 13-15?
Agora, vejamos o que é dito em Mateus
11:2-6:
“2 Ora, quando João no cárcere ouviu
falar das obras do Cristo, mandou pelos seus discípulos perguntar-lhe: 3 És tu
aquele que havia de vir, ou havemos de esperar outro? 4 Respondeu-lhes Jesus:
Ide contar a João as coisas que ouvis e vedes: 5 os cegos vêem, e os coxos
andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são
ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho. 6 E bem-aventurado é
aquele que não se escandalizar de mim.”
Como podemos ver, se João, por ocasião
da pergunta que lhe fizeram, e que motivou a sua resposta a que se refere o
articulista (João 1:21), já tivesse conhecimento dos fatos que Jesus lhe mandou
contar, certamente ele teria respondido que sim, posto que assim o informou
Jesus, Aquele a respeito de quem João sabia que vinha anunciar. E fatalmente
teria dito que era Elias, porque assim o dissera JESUS, Aquele sobre cuja vinda
ele, Elias (com o nome e corpo de João), recebera a incumbência de anunciar.
Nesse ponto, alguém poderá pensar que
esse nosso argumento é falho, em função do diálogo de João com Jesus (Mateus
3:11-17), em que João afirma que ele é que deveria ser batizado por Jesus. Mas
essa afirmação de João não caracteriza que ele sabia quem era Jesus; apenas que
sabia que Ele era um espírito superior, filho de Deus, como todos nós; tanto
assim, que, quando, posteriormente, no cárcere, toma conhecimento das obras de
Jesus, manda-lhe mensageiros para saber quem Ele era, realmente. Logo, mesmo
que se pretenda argumentar que João foi encarcerado bem depois do diálogo do
batismo, lembro que este diálogo ocorreu um dia depois da respostada dada por
João aos sacerdotes e levitas (João 1:19-21). Portanto, esse fato não pode
servir de suporte ao argumento utilizado pelo articulista para justificar a sua
afirmativa de que João não acreditava na reencarnação.
Ainda em atenção à orientação do
articulista de analisar o texto e o contexto continuei a leitura do Capítulo 11
de Mateus e verifiquei que João é Elias reencarnado, nos termos dos seus
versículos 14 e 15: “14 E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de
vir. 15 Quem tem ouvidos, ouça”. É preciso ser mais claro do que Jesus foi?... Portanto,
fica eliminada a “velha história” de que João veio com o mesmo ministério
profético de Elias, porque João é o próprio Elias, conforme confirma o próprio
Jesus. E mais: quando Deus disse em Malaquias (3:23 em algumas traduções e em
outras 4:5) “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande
e terrível dia do Senhor”, Ele não disse que mandaria um profeta indeterminado,
Ele já determinou quem seria esse profeta, ou seja, seria Elias. E Deus, que é
onipotente, por ser onipresente e onisciente, já disse que o profeta seria
Elias e não um profeta qualquer. E quem somos nós, eu, o articulista, o leitor
e todos os evangélicos e os não-evangélicos, para contestar o que Deus diz?
Como se vê, Ele receitou o remédio e, no momento aprazado, o forneceu conforme
o prometido e não um similar; nem o genérico, como se
diz atualmente. Isso porque Ele só trabalha com produto original! Além disso,
se for aceito o ponto de vista do articulista quando diz que “Isto não quer
dizer, de forma nenhuma, que João fosse Elias, mas que no seu ministério profético,
haveria peculiaridades do ministério de Elias”, em contraposição ao que é dito
em Malaquias (em algumas traduções 3:23 e em outras 4:5) e em Mateus (11:14-15
e 17:12-13), só poderemos deduzir que Deus nos enganou porque prometeu que
enviaria Elias e enviou outro profeta, e que Jesus mentiu ao afirmar que João
era Elias. Desculpe-me o leitor se achar que estou sendo um blasfemo, mas Deus
entenderá essa minha colocação. Esclareço que cheguei a essa conclusão,
relativamente ao fato aqui enfocado, mais uma vez aplicando as sugestões feitas
pelo articulista (analisar o texto e o contexto) e acatando o seu
conselho de que a Bíblia interpreta a própria Bíblia.
“4) Se João
Batista fosse Elias, no momento da transfiguração de Cristo teriam aparecido
Moisés e João (que já era morto também) e não Moisés e Elias (Mateus 17:1-8).”
Aqui, peço a atenção do
leitor para o fato de que o articulista diz no item “2”, acima comentado, que Elias não morreu, enquanto neste ele
afirma textualmente: “Se João Batista fosse Elias, no momento da transfiguração
de Cristo teriam aparecido Moisés e João
(que já era morto também) e não Moisés e Elias (Mateus 17:1-8)”.
(destaquei) Ora, se o articulista aplica o advérbio “também” relativamente ao
fato de João estar morto, é porque ele considera que Elias igualmente estava
morto. Em função disso, pergunto: afinal de contas, Elias morreu ou não
morreu?!
Independentemente dessa
contradição, pela leitura isolada desse item o leitor verificará que a
inconsistência da afirmação do articulista está na dedução de que quem deveria
participar do fenômeno da transfiguração seria João Batista e não Elias, porque
João Batista já estava morto. Isso porque o articulista só poderia estar
correto em sua afirmação se João ainda estivesse vivo no momento da
transfiguração, posto que jamais Elias poderia ser João, estando João ainda
vivo, já que o espírito não poderia estar encarnado e desencarnado ao mesmo
tempo, isto é, vivo e morto, como se costuma dizer.
Além disso, se o articulista tivesse
seguido o seu próprio conselho, de que é preciso analisar o texto e o contexto,
teria continuado lendo o Capítulo 17, onde encontraria os seguintes dizeres nos
versículos 9 a 13:
“9 Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou: A
ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja levantado dentre os
mortos. 10 Perguntaram-lhe os discípulos: Por que dizem então os escribas que é
necessário que Elias venha primeiro? 11 Respondeu ele: Na verdade Elias havia
de vir e restaurar todas as coisas; 12 digo-vos, porém, que Elias já veio, e
não o reconheceram; mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho
do homem há de padecer às mãos deles. 13 Então entenderam os discípulos que
lhes falava a respeito de João, o Batista.”
E certamente não teria feito a afirmação
que fez porque, a exemplo de Pedro, João e Tiago, teria entendido que Jesus
falara a respeito de João, o batista. Assim, creio que, realmente, ele tenha
esquecido de continuar a leitura; caso contrário, não me restaria outra
alternativa senão a de dizer ao articulista que, nesse caso específico, não é
um espírita que está “interpretando a Bíblia ao seu bom prazer”, mas, sim, um
evangélico.
Caso o leitor tenha a curiosidade de
ler Mateus 17, versículos de 1 a 13, verificará que Jesus quis eliminar toda e
qualquer dúvida a respeito do fato de que, tanto sob o aspecto espiritual,
quanto sob o aspecto material, Elias realmente seria o precursor da
vinda de Jesus à Terra, guardando, assim, coerência com o que o próprio Jesus
diz em MATEUS 5:17: - “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não
vim destruir, mas cumprir”.
Em função disso, pergunto: qual a forma
mais convincente para Jesus demonstrar que veio cumprir a Lei, a não ser
estabelecendo um liame entre a fase antiga da religião dos hebreus e a nova
fase que Ele veio implantar (embora os substitutos dos seguidores originais de
Jesus tenham-na transformado em uma nova religião sob a denominação de
Cristianismo, ainda que o Mensageiro da BOA NOVA tenha tido o nome de JESUS,
quando esteve fisicamente entre nós)?
Respondo com toda a convicção:
1 - sob o aspecto espiritual, com
Moisés e Elias, sim! Moisés como codificador do Judaísmo e Elias como símbolo
dos profetas hebreus e precursor do que deveria ser a nova fase da
religião judaica que, por não ter sido aceita pelos dirigentes de então do
judaísmo, foi dele desligada, tendo os seguidores da doutrina proposta por
Jesus mantido os ensinamentos do Judaísmo e passado a chamar essa nova doutrina
de Cristianismo;
2 - sob o aspecto material, com Elias
vindo fisicamente como João, o batista, conforme prometido em Malaquias (em
algumas traduções 3:23 e em outras 4:5) e confirmado por Jesus em Mateus
11:7-15, em que transcrevemos 14 e 15 - “14 E, se quereis dar crédito, é este o
Elias que havia de vir. 15 Quem tem ouvidos, ouça”.
Apenas por curiosidade apresento os
seguintes dados que, coincidentemente, foram obtidos, há alguns anos, no “site”
do próprio CACP:
|
ELIAS |
JOÃO BATISTA |
|
Elias foi
perseguido por uma mulher (Jezabel) e por um rei (Acabe). I Reis 21:20 e I Reis 19:1-3 |
João Batista também
foi perseguido por uma mulher (Herodias) e por um rei (Herodes). Marcos 6:18-20 e Mateus 14:3-5 |
|
Elias usava vestes
de pelos. I Reis 19:19 |
João Batista também
usava vestes de pelos. Mateus 3:4 e Marcos 1:6 |
|
Elias era
destemido. I Reis 18:27 |
João Batista também
era destemido. Mateus 3: 7 e Lucas 3:7 |
|
Elias simboliza os
profetas por ser o anunciador prometido. em algumas traduções 4,5 e n’outras 3,23 |
João Batista foi a
materialização do cumprimento da promessa. Mateus 11, 7-15 e Mateus 17, 12-13 |
NOTA: para atualização deste trabalho
pesquisei novamente no “site” (que está com nova configuração), visando
eventualmente atualizar a tabela retro e, para minha surpresa,
coincidentemente, também não a encontrei. Será que foi retirada porque ela
evidencia a reencarnação?...
Como se vê, Elias foi o elo da corrente
judaico-cristã, tanto no aspecto espiritual, participando do episódio da
transfiguração, como no material, vindo como João, o batista, fechando, assim,
essa corrente.
Para não restar dúvidas de que João
Batista é Elias, ainda em Mateus 17:12-13 está escrito: “12 digo-vos, porém,
que Elias já veio, e não o reconheceram; mas fizeram-lhe tudo o que quiseram.
Assim também o Filho do homem há de padecer às mãos deles. 13 Então entenderam
os discípulos que lhes falava a respeito de João Batista.” Vejam que também os
apóstolos, pelo menos os que estavam presentes no momento da ocorrência do
fenômeno da transfiguração (Pedro, Tiago e João), aceitavam a reencarnação;
tanto assim, que entenderam que Jesus lhes falara a respeito de João
Batista, como dito no versículo 13, retro. E pela forma como está dito será
forçar demais afirmar-se que os apóstolos disseram que estavam entendendo que
era a respeito de João, o batista, que Jesus lhes falara, apenas para não
desagradar a Jesus!
Nesse ponto ouso fazer uma correlação
entre a situação descrita no final do versículo 12 de Mateus 17 e os religiosos
daquela época verso Jesus, com os ditos cristãos modernos verso espiritismo.
Vejam: enquanto os apóstolos aceitavam e seguiam a nova doutrina, os “donos” da
religião de então, para não perderem o controle do poder sobre ela e sobre seus
fiéis, chegaram ao ponto de levar o mensageiro da então nova doutrina, Jesus, às
barras da justiça e à conseqüente condenação Dele à morte, visando impedir a
propagação dessa então nova doutrina; o mesmo tentaram fazer com o espiritismo,
quando queimaram os livros espíritas em fogueiras, pensando os idealizadores e
executores dessas fogueiras que, com isso, iriam intimidar os seus seguidores e
impedir a propagação do espiritismo; mas esqueceram-se de que os mensageiros
dessa nova doutrina são os espíritos, que, a exemplo do vento, sopram onde
quer, e ouve-se a sua voz; mas não se sabe donde vêm, nem para onde vão. É aí
que cai como uma luva o diálogo entre o rico e Abraão, citado por Jesus em
Lucas 16:22 a 31, culminando, no versículo 31, com a afirmação de Abraão: “Se
não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite
alguém dentre os mortos”.
Como se vê, nem com o alerta de Jesus
(ao citar o diálogo do rico com Abraão), os religiosos que se achavam (e os que
ainda se acham) os “donos” da VERDADE e da religião atentaram para o verdadeiro
sentido do alerta contido no versículo 31, em forma da parábola proposta por
Jesus, porque continuam não aceitando os alertas dos enviados de DEUS a este
mundo chamado TERRA, nem as afirmações feitas pelo próprio JESUS, citadas em
Mateus 11:14-15 e acima transcritas. É NÃO QUERER TER OUVIDOS PARA OUVIR... NÃO
É MESMO?!
Entretanto, resta um consolo: Deus, por
ser eterno e misericordioso, tem uma paciência também eterna e espera, por toda
a eternidade, que, independentemente da quantidade de reencarnações
necessárias, retornemos ao seu seio, após absorvermos os ensinamentos por Ele
enviados através dos seus Mensageiros, de eternidade em eternidade...
Já com relação ao que seria a quinta
razão abordada pelo articulista, em que ele expôs a sua conclusão sobre a
reencarnação, a fim de que o leitor não tenha que voltar ao início para
relê-la, eu a transcrevo. Diz ele:
“Fica mostrado, portanto, que a Bíblia não apóia a absurda
teoria espiritista da reencarnação. Até mesmo os chamados “fatos comprovados”
de reencarnação apresentada pelos defensores do Espiritismo, não provam coisa
alguma.”
Por essa afirmação, e pela forma
incisiva de imposição da sua idéia, poderíamos dizer tratar-se de um certo
jesuíta que muitos espíritas conhecem, famoso por concluir sem demonstrar, caso
o articulista não fosse evangélico. Isso porque, ao afirmar que “a Bíblia não
apóia a absurda teoria espiritista da reencarnação”, o articulista
esquece-se de que a Bíblia também não a condena. Logo, como não apóia nem
condena, é de se entender que a reencarnação pode ou não ser aceita por quem lê
a Bíblia. Entretanto, levando em consideração a promessa divina feita em
Malaquias (em algumas traduções 3:23 e em outras 4:5), o que Jesus afirma em
Mateus 11:14-15 e 17:12-13 e o que consta em Marcos 9:2-13 e em Lucas 9:28-36,
é de se concluir que a reencarnação está na Bíblia, sim! E mais: Deus iria
dizer que enviaria o profeta Elias e mandaria outro?! Jesus diria que João era
Elias, sem ser?! Se sim, a razão estará com o articulista e, neste caso, da
mesma forma que eu, o leitor terá que deduzir que Deus nos enganou, pois
prometeu que mandaria Elias e mandou outro profeta, e Jesus nos mentiu, já que
disse que João é Elias, enquanto o articulista afirma que não é. Em função do
que digo, o leitor que tire as suas conclusões...
E que Deus nos abençoe.
JOÃO FRAZÃO DE MEDEIROS LIMA
P.S.
Perdoe-me o articulista se de uma forma
ou de outra fui ofensivo; mas não poderia deixar de tentar estabelecer o que
entendo ser a verdade, pelo menos a minha verdade, e também defender um ponto
de vista sob outro enfoque, que entendo obedecer à lógica e, acima de tudo, à
Justiça Divina.
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