OS MORTOS NÃO SABEM DE NADA?

          Luciano  Ribeiro

 

      A Bíblia é um dos mais antigos livros da humanidade, possui um grande valor histórico por narrar fatos ocorridos num passado distante, trazendo-nos a baila, a cultura dos povos, sua religiosidade, crenças e costumes. Todavia, para muitas pessoas, o que acaba destoando o texto é a literalidade com a qual insistem em manter suas afirmativas, baseada na aceitação sem uma prévia reflexão.

      No livro de Eclesiastes, lemos “.os mortos não sabem de nada (Ecl 9,5)”.

      Se interpretarmos este verso ao pé da letra, veremos que as pessoas após desencarnarem não sabem de nada mesmo, entrando, como muitos acreditam, no sono profundo. A ciência nos mostra, através de modernos testes de datação geológica, que o homem existe no planeta há pelo menos 3 milhões de anos, pelo menos foi o resultado do teste a datação de um esqueleto achado na África. Imagine se todas as pessoas que viveram no orbe terrestre ainda estariam dormindo até hoje! Ora, isso nos foge ao senso.

      Eclesiastes deve ter sido escrito por um Saduceu materialista, pois sabemos que os Judeus não tinham a mínima noção do que seria vida espiritual, e foi o próprio Jesus que veio ao mundo com a missão de esclarecer o povo as coisas do Reino de Deus.

      Tal afirmativa em Eclesiastes é desmentida em tantos outros livros da própria Bíblia, é por isso que temos de entender o espírito da letra e não nos apegarmos à esta, pois a letra mata.

      Encontramos no Dt 18,11, Moisés, proibindo o “seu povo” de se comunicar com os mortos, e se ele fez tal proibição é porque os espíritos dos mortos podiam se comunicar, logo, sabiam de muita coisa.

      Outra passagem é em 1Sm 28,3-25, pela qual vemos o Rei Saul ir até En-dor para fazer uma consulta aos mortos através da pitonisa, foi quando o espírito de Samuel se manifestou. No livro de Mateus (17,1-9), temos o fenômeno da transfiguração, em que, na presença Thiago, João e Pedro, que eram os médiuns que cederam o fluido ectoplasmático, apareceram os espíritos de Moisés e Elias, na frente de Jesus. O próprio Jesus após sua morte, materializou-se aos seus discípulos, ou seja, Jesus após ter morrido voltou em espírito para se comunicar com os vivos.

     São quatro situação claras, nítidas, que provam que os espíritos além de não ficarem dormindo coisa nenhuma, sabem das coisas sim, e tanto sabem que em todas às épocas os homens falaram com eles a torto e a direita.

     Não queiram agora, certos religiosos, tentarem afirmar o contrário nem quererem, ainda que distante, distorcer os fatos para adaptar aos seus dogmas mais que ultrapassados, pois a prova das comunicações hoje é ocular, verbal, e na Bíblia é textual, por parte de seus próprios narradores. Alguns dogmáticos fazem colocações incoerentes, afirmando que foram os demônios que se manifestaram, mas em nenhuma linha no contexto faz menção a estes, pois não existe o vocábulo grego “Daimon” (genio) nem “Pneuma Akartatos” (espírito imperfeito), nas passagens em referência, mas Pneuma e Rúach, espírito em Grego e em Hebraico, respectivamente.

     Portanto, a Bíblia é a prova documental de que os espíritos sempre se comunicaram no passado, da mesma forma que se comunicam hoje, e sempre se comunicarão com o plano terreno, pois se isso ocorre, simplesmente é porque Deus permite, e se permite, é porque os espíritos trabalham a seu favor, e se a Bíblia é a Palavra de Deus, então não poderão contradizê-la certo? 

 

 

 

 Maio 2006.

 

 

 

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