SACRIFÍCIO VICÁRIO

 Luciano Ribeiro

 

 

       É curioso como as pessoas aceitam certas idéias sem mesmo saber a sua origem. Isso acontece  nas religiões dogmáticas em número muito alto, pois a verdade nem sempre aparece como regra de fé. Aceitam o dogma de que Jesus morreu para nos Salvar dos pecados. Mas sob o ponto de vista racional, isso não tem o menor fundamento. Primeiro que, se fosse verdade, o pecado teria com isso sido banido da face da terra há muito, e os homens não estariam errando até hoje, pois deveriam estar sem pecado. Segundo, porque Jesus disse "Misericórdia quero e não sacrifícios” (Mt 9,13). Ora, se Ele era contra os sacrifícios de animais, por qual motivo seria a favor do de pessoas? E muito menos ele (Jesus) imolar-se-ia a nosso favor, porque isso de nada adiantaria e como realmente nada mudou até hoje, se interpretarmos a sua morte como sendo para nos livrar do pecado. Se isso fosse verdade, então já estamos salvos, portanto, seria apenas esperar a hora da morte para nos dirigirmos  ao céu, conseqüentemente o inferno  virou museu. E não pode ser em relação ao pecado original, primeiro que nada disso esta escrito na Bíblia, segundo, lemos; “Os pais não pagarão pelos erros dos filhos nem os filhos pagarão pelos erros dos pais(...)”.

    Os teólogos fazem a maior confusão,  baseando-se que Deus deu a inteligência para o homem e com isso ele pecou, depois disso Deus percebeu que algo deu errado e “criou um plano de Salvação”, para que os homens pudessem ser resgatados dos seus pecados, mas que foi causado por Ele mesmo e enviou Jesus para ser morto e nos redimir desse pecado. A pergunta é: Onde estava a presciência de Deus no momento em que ele deu a inteligência ao homem? E depois de pecar, Deus teve que criar as pressas “um plano de Salvação?" Por outro lado, como pode o sangue, que é um elemento biológico perecível, constituído de plasma, glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas, que não pensa, que não tem alma, possa redimir a humanidade de todos os seus pecado? E mais, desde quando Deus mataria um filho para salvar outro? É o mesmo que trocar seis por meia dúzia! E o amor de Deus para com Jesus, não existe? Fazer Jesus sofrer por não ter outra condição de redimir os pecados? Ora, Ele é Deus ou não é?

    É evidente que tudo isso é que fruto da cultura judaica, na qual matavam animais para aplacar a irá de Jeová, mas esta crença não faz o menor sentido. O curioso disso tudo é que os fundamentalistas condenam o sacrifício de animais realizados pelos seguidos do Candomblé, mas admitem na sua religião o sacrifico de Jesus! Pode uma coisa dessas?

   Mas tudo isso tem uma explicação, mas como estão algemados aos dogmas até a alma, não podem mover uma linha sequer de suas regras.  Vamos ao texto do teósofo, biblísta e autor do livro "A face Oculta das Religiões", José Reis Chaves, para sabermos a origem desta crença.

 

     "São Paulo converteu-se ao cristianismo, mas continuou com as idéias dos sacrifícios judaicos,  levando-as para o cristianismo. E como os escritos mais antigos do cristianismo, ou seja, do Novo Testamento, são os paulinos, as idéias de São Paulo influenciaram o cristianismo. Veja que Jesus disse: "Basta de sacrifícios, eu quero misericórdia -Mt 9,13".

    Os verdadeiros evangélicos são os católicos e espíritas (os espíritas, principalmente), enquanto que os protestantes são mais paulinos, seguindo mais o Velho Testamento. Porém, a Missa Católica, não podemos negar, é baseada no Sacrifício do Calvário, apesar de ser um sacrifício sem sentido, o que, para mim, é devido à influência de Paulo. A Santa Ceia, de uma confraternização, passou a ser um

 

 

sacrifício simbólico. E saiu da Semana Santa, época de tristeza, para uma época alegre e festiva, isto é, o Natal, tornando-se a conhecida e tradicional "Ceia de Natal". Mas na Semana Santa, a Santa Ceia virou, como vimos, o sacrifício da Missa (Eucaristia).Com o devido respeito à Missa e a Paulo, eu me considero mais evangélico (seguidor do Evangelho) do que os seguidores de sacrifícios (católicos), enquanto que, como espírita, sou, sim, evangélico, mas sem os sacrifícios paulinos".

 

                                                                                      

 

Jan 2007

 

 

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