O RACISMO "BRUTAL E GROSSEIRO" DE KARDEC

 

Muito embora eu não tenha acompanhado, nem lido todos os textos expostos no site católico Monfort, Associação Cultural, os poucos que li foram o bastante para se perceber que estamos diante de pessoas cegas pelo fanatismo, a ponto de justificarem a Inquisição e a riqueza material do Vaticano e da Igreja em geral.

Também fazem a sua apologética, do DIC Michaelis: Apologética: 1 Parte da Teologia destinada a defender a religião contra os ataques dos adversários. 2 Defesa argumentativa sistemática ou discurso em defesa de alguma doutrina, teoria ou idéia. 3 Apologia ou justificação formal.

Mas é uma apologética de ataque, que tende a agredir sem apresentar argumentos consistentes. Apenas ataques gratuitos. E entre eles, ataques ao Espiritismo, Doutrina Espírita e às suas figuras, Chico Xavier e Kardec. Orlando Fedeli pinça alguns textos de Kardec, retirados do contexto, tanto da obra, como de sua época e o apresenta como um racista brutal e grosseiro. Na pressa de julgar e opinar, O. Fedeli não dá nem margem ao leitor para que tire suas próprias conclusões. Já vai escrevendo, descrevendo, opinando e julgando.

Lendo o seu texto, eu, Marcos Arduin, decidi tecer alguns comentários, escritos em vermelho. Em preto está o texto de Orlando Fedeli, tal como se encontra no site: http://www.montfort.org.br/veritas/index-igreja.html

ALLAN KARDEC, UM RACISTA BRUTAL E GROSSEIRO
Orlando Fedeli

É bem sabido que o darwinismo suscitou uma grande onda racista. Pois se a luta pela sobrevivência causava a seleção das espécies, a luta entre as raças causaria o aperfeiçoamento da espécie. Assim, o nazismo foi um dos efeitos do darwinismo.

Pode me dizer como ficou bem sabido isso, Sr Orlando? Os europeus já se consideravam racialmente superiores desde o tempo da Grécia Antiga. Aristóteles havia dividido os povos da Humanidade em duas categorias: os gregos e os outros. Os outros eram os bárbaros. Coisas boas, só se encontravam nos gregos; coisas ruins, só nos bárbaros. O racismo, portanto, não foi algo surgido por conta do Darwismo.

O que, porém se deixa à sombra, é a influência do darwinismo no racismo de Allan Kardec, o fundador do espiritismo "moderno".

Kardec, cujo verdadeiro nome era Hypolite Léon Dénizard Rivail, foi um homem que aprendeu bem mal a Gnose típica das sociedades secretas a que pertenceu. Nessas sociedades do século XIX, se ensinava uma doutrina mais ou menos influenciada pelo romantismo, doutrina em geral originada do cabalista Jacob Boehme. Se Kardec aprendeu mal essa doutrina teosófica e romântica, ensinou-a pior ainda. Daí nasceu o sistema gnóstico grosseiro e cheio de contradições do espiritismo moderno.

Kardec lançou o Livro dos Espíritos antes de Darwin lançar o Origem das Espécies e daí questiono o Darwinismo ter influenciado o “racismo” de Kardec. E a quais sociedades secretas Kardec pertenceu? Nome, ano de filiação e documentos de prova, por favor. Sempre que perguntei isso, descobri que quem fazia essas afirmações, faziam-nas na base do SCC – se colar, colou. Ou então dizia-se que isso é perfeitamente conhecido, mas era tão perfeito que ninguém sabia me dizer como se chegou a essa perfeição. Vejamos se o senhor preenche a lacuna.

Lendo os livros de Kardec, tem-se a impressão de ler textos de um aluno de ginásio que, não tendo compreendido bem a lição que recebeu, e com presunção própria aos ignorantes, escreve obras sem nexo, contraditórias e mal feitas. O resultado é uma Gnose de "basse cour", isto é, uma "gnose de galinheiro".

Por ela se passa pisando como em "lama" pseudo intelectual.

Espírito de seita e extremo fanatismo leva a conclusões assim. Não me surpreende, portanto. Na falta de argumentação séria, substitui-se a tranquilidade e segurança que um bom argumento proporciona por ataques apaixonados, grosseiros, estúpidos e sem base... Aliás, tenho visto tanto disso em discussões nas quais participo, que apresento tais ataques como provas da fragilidade e inconsistência da fé cristã.

Pois lendo -- com repugnância -- o livro A Gênese de Allan Kardec (Ed . Lake, São Paulo, 1a edição, comemorativa do 300 aniversário dessa obra) pode-se encontrar o seguinte texto, escandalosamente racista, do fundador do espiritismo moderno:

Como é? Kardec mal nasceu há 200 anos e a Gênese, escrita por ele já comemora 300 anos de aniversário? Explique-me esse milagre.

"O progresso não foi, pois, uniforme em toda a espécie humana; as raças mais inteligentes naturalmente progrediram mais que as outras, sem contar que os Espíritos, recentemente nascidos na vida espiritual, vindo a se encarnar sobre a Terra desde que chegaram em primeiro lugar, tornam mais sensíveis a diferença do progresso(sic!). Com efeito, seria impossível atribuir a mesma antiguidade de criação aos selvagens que mal se distinguem dos macacos, que aos chineses, e ainda menos aos europeus civilizados" (Allan Kardec, A Gênese, ed. cit. p. 187, o sublinhado e o negrito são meus).

Kardec afirma aí o mais grosseiro e brutal racismo

Chegamos ao ponto. O Sr Orlando, e também vários outros apologistas cristãos que já li, por incapacidade de refutar o Espiritismo no que se refere ao seu padrão intelectual e moral existente nos dias de hoje, recorre a textos ou frases tiradas do seu contexto e em cima dela constróem o seu próprio espiritismo e depois o refutam. Analisemos então a grosseira e brutalidade do racismo kardecista.

Kardec (1804-1869) viveu na França do século XIX. Consequentemente, quaisquer que fossem os recursos antropológicos, biológicos, científicos, religiosos e sociais de que pudesse se servir, teriam de ser os de sua época. Que há de estranho nisso? Como viam os europeus aos outros povos e outras raças? De forma óbvia e ululante: os europeus vivam em casas de alvenaria ou de pedra, em geral, muitas delas construídas em cidades, vestiam roupas produzidas em fábricas, viajavam de trem, de bonde, de navio, tinham produção industrial, científica e filosófica abundante, etc e tal. E o que tinham outros povos ou raças? Os negros viviam em cabanas de palha e vestiam peles de animais... quando se vestiam; os índios americanos, idem; os aborígenes, melanésicos e polinésicos também. Os chineses eram um pouco mais refinados, mas como não rezavam pela mesma cartilha das idéias européias, também isso eram considerado sinal de inferioridade, por comparação. Isso levava os europeus e americanos a se considerarem superiores aos outros povos. Detalhes comparativos de culturas eram coisas que não se passavam na cabeça dos estudiosos europeus do tempo em que Kardec viveu.

Tudo isso era o óbvio ululante. Outras maneiras de se ver os povos e raças de forma a se tirar visões positivas deles, de sua cultura e modo de vida só seriam incluídas na Antropologia na segunda metade do século XX. Portanto, Kardec disse das outras raças e povos o que diziam os seus pares europeus. De onde ele iria tirar outra forma de ver esses povos e suas culturas? Colocando a frase de Kardec no contexto de sua época e de seu povo, pode-se entender porque ele disse aquilo.

Lembra-me um artigo, tratando do assunto em que mulheres foram submetidas a esterilização forçada, sob alegações espúrias, onde havia a reprodução de um folheto de 1850 com as figuras de um chimpanzé e um gorila e ao lado o desenho de um negro aborígene e de um negro argelino. Abaixo havia a frase: “Tipos superiores de macacos e tipos inferiores de homens dispensa comentários”. Esta era a Europa cheia de muita fé cristã e amor ao próximo em que Kardec viveu...

ALLAN KARDEC, UM RACISTA BRUTAL E GROSSEIRO – 2

Orlando Fedeli

Vimos já várias citações escandalosamente racistas de Allan Kardec, frutos de sua doutrina caudatária do evolucionismo darwinista.

Se viu, esqueceu de nos mostrar. No seu texto anterior, só apareceu uma.

Hoje, queremos apresentar mais um texto desse autor, que, embora tendo baixíssimo nível intelectual, vem causando muito mal, particularmente no Brasil.

E o senhor e sua Igreja não me parecem muito aptos a demonstrar isso. Quanto nível intelectual sai dos dogmas da sua Santa Madre Igreja? Os senhores do Monfort, inclusive, deram-me a impressão de estarem retornando ao Criacionismo, que nada tem de científico, nem de intelectual. E qual é o mal que o Espiritismo vem causando ao Brasil? Diga com todas as letras e enquanto aguardo, peço confirmação sobre uma coisa me que contaram: quando um navio contendo imigrantes aportava no Brasil, subia a bordo um padre e só permitia o desembarque de quem rezasse o Padre Nosso e Ave Maria, benzendo-se seguidamente. Digamos assim: não se permitia a entrada em solo brasileiro de quem não fosse católico. Isso até o dia em que se separou Estado de Igreja, mas aí já era tarde: muito imigrante que poderia ter nos trazido maior riqueza cultural e intelectual se perdeu por conta da intolerância da fé católica, a qual o senhores aplaudem em pé, pelo que andei deduzindo do que li no site Monfort. Certo?

Na obra intitulada O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta:

É patente, nas frases citadas, que Allan Kardec considerava a raça branca -- a caucásica -- superior à raça hotentote.

E Kardec chega ao absurdo de levantar a hipótese de que um hotentote não seria um homem!

Hitler aprovaria a doutrina racista de Kardec.

E os espíritas tupiniquins, repudiam eles esse racismo grosseiro e brutal, ou o aceitam?

Certamente repudiamos, até porque hoje temos um conhecimento científico e intelectual que Kardec não dispunha em sua época.

Se o repudiam, como poderão continuar aceitando a doutrina espírita de Kardec como revelada por "espíritos superiores"?

Kardec não fez nenhuma doutrina em seu próprio nome. Ele atribuía a doutrina como sendo dos espíritos. E há o que se distinguir entre o que disseram os espíritos DENTRO DO PRINCÍPIO DA GENERALIDADE E CONCORDÂNCIA e o que disse Kardec pessoalmente e que disseram espíritos que também emitiram opiniões pessoais. Se eu fosse seguir o raciocínio do Sr Orlando, seria como eu pegasse o texto da Bíblia que diz “O justo viverá de sua fé” e concluir que só a fé salva. Tal como fez Lutero.

E será que esses "espíritos superiores" eram "caucásicos", isto é, arianos?

Não há dúvida, pois:

Allan Kardec era um racista grosseiro e brutal.

E a doutrina espírita é racista.

Repetição constante do dislate é com o propósito de manter acesa a indignação dos leitores e fazê-los não perceber os dislates cometidos pelo autor da crítica. Boa estratégia.

Daí, o orgulho que ela suscita em seus seguidores, que -- se são caucásicos -- se julgam superiores aos demais mortais, quer porque os consideram de raças inferiores, quer - quando se comparam a outros brancos -- os julgam pouco evoluídos espiritualmente.

Sabe o que eu acho engraçado? Nunca senti tal clima no ambiente espírita que circulei: nele vejo a convivência pacífica entre gente de todas as raças e povos. Ninguém se achando superior a ninguém. Quer dizer, esses textos de Kardec, nos dias de hoje, passam batido e ninguém mais os leva a sério hoje em dia, exceto os Orlandos Fedelis da vida, que na falta de um argumento melhor, desenterra defuntos para ver se assustam com eles...

Como católico, repudio totalmente essa doutrina herética e racista.

Como espírita repudio essa verdadeira fé católica, que também já teve sua época racista (vou falar disso mais adiante) e pior ainda, com graves consequências para as raças ditas inferiores. E pior ainda, é uma fé desumana e assassina. Taí a Noite de S. Bartolomeu, que não me deixa mentir. Sabiam que o papa da época _ Gregório XIII, foi junto com um séquito de cardeais e outros dignatários eclesiásticos até a igreja de São Luís e lá o cardeal de Lorena cantou o Te Deum em comemoração à matança dos huguenotes?

"6 --Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomarmos uma criança hotentote recém nascida e a educarmos nas melhores escolas, fareis dela, um dia, um Laplace ou um Newton?" (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Instituto de Difusão Espírita, Araras, São Paulo, sem data, capítulo V, p. 126).

Já a pergunta denota um certo racismo, pois supõe que uma criança hotentote, ainda que educada nas melhores escolas, não teria possibilidade natural de alcançar o nível de um cientista branco.

O Sr Orlando por acaso sabe o que é um hotentote? É o membro de um povo africano de mesmo nome e os estudos antropológicos, feitos por Alfonse Berlitron (infelizmente não tenho a data) dizem que eles são de uma preguiça incrível, a ponto de nem mesmo a fome torná-los diligentes. Os filhos tomam do pai o pátrio poder, vencendo-o numa luta: é a lei do mais forte. Um missionário tentou passar-lhes a noção de consciência, que eles absolutamente não tinham. Falou do remorso que acompanha o faltoso. Depois tentou saber o que tinham apreendido de seu ensinamento e constatou que os hotentotes entenderam que remorso deve ser cólicas. Em um grupo próximo aos hotentotes, os buchimas, se os leões começam a rondar próximo a suas cabanas, os pais lhes entregam os filhos para apaziguá-los; se morre uma mulher com filhos pequenos, estes são enterrados junto com ela, pois nenhuma outra assumiria a guarda deles. As crianças fatalmente morreriam de fome.

Posso até concordar que a incapacidade de um hotentote em se tornar um doutor não é absoluta, mas como o senhor cantou a bola, caro Orlando, então porque não nos traz alguns exemplos? Seria um bom desmentido a Kardec que nos apresentasse algo assim: 500 hotentotes foram levados a Europa e uns 350 deles estudaram bem e finalmente se tornaram doutores em Oxford, Cambridge, Sorbonne e em outras universidades européias; os 150 restantes tornaram-se cidadãos comuns, nem mais, nem menos dotados do que os outros europeus comuns. Eu, pessoalmente, não ficaria surpreso com isso, mas fico no aguardo desses exemplos.

E mais uma coisa: não misture alhos com bugalhos. O texto escolhido é da introdução do Livro dos Espíritos, escrita por KARDEC e não um ensinamento dos espíritos superiores.

Allan Kardec explicita seu racismo brutal e grosseiro na resposta que dá a essa pergunta, por ele mesmo feita:

"Em relação à sexta questão, dir-se-á, sem dúvida, que o Hotentote é de uma raça inferior; então, perguntaremos se o Hotentote é um homem ou não. Se é um homem, por que Deus o fez, e à sua raça, deserdado dos privilégios concedidos à raça caucásica? Se não é um homem, porque procurar fazê-lo cristão ?" (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Instituto de Difusão Espírita, Araras, São Paulo, sem data, capítulo V, p. 127).

Como é possível se imprimir e difundir, ainda hoje, uma doutrina racista tão brutal e tão grosseira?

O Sr Orlando, com sua vista enevoada pelo espírito de seita não viu nada do que está escrito no texto. Dir-se-á que... Quem disse? Se Kardec quisesse afirmar que o hotentote é uma raça inferior, ou seja, que realmente acreditasse nisso, então diria: “Em relação à sexta questão, não há dúvida de que o Hotentote é de uma raça inferior;” Nesse caso a frase estaria indubitavelmente racista, mas do jeito que escreveu Kardec é forçar a barra acusá-lo de racismo.

Quanto ao resto, está tudo no condicional. Kardec não disse ali que o hotentote não é humano. É só ler desapaixonadamente. O que o Sr Orlando não coloca, obviamente porque não convém à idéia que quer defender, é o contexto: Kardec comparava as situações observadas na vida humana com a justiça de Deus. E aí é que vinha o grave: não se tinha dúvidas de que o hotentote era um povo selvagem e de bárbaros costumes. Ele é assim porque Deus os fez assim ou é assim porque ali estão encarnados espíritos atrasados? Daí é que vem as frases que Kardec colocou: na forma condicional. Elas seriam perfeitamente entendidas dentro do contexto de sua época. Mas se as tiramos desse contexto e queremos vê-las com os nossos conceitos de hoje, então se conclui pelo racismo. É o que o Sr Orlando faz.

Para o racista grosseiro e bruto que foi Allan Kardec também os chineses seriam de uma raça inferior.

Eis a prova do que estou afirmando, retirada de outro livro de Allan Kardec:

"Um chinês, por exemplo, que progredisse suficientemente e não encontrasse na sua raça um meio correspondente ao grau que atingiu, encarnará entre um povo mais adiantado" (Allan Kardec, O que é o Espiritismo, Edição da Federação Espírita Brasileira, Brasília, 32a edição, sem data, pp. 206-207. A edição original de Qu'est ce que le Spiritisme é de 1859).

Portanto, para Kardec e para os espíritas, também os amarelos (japoneses, chineses, etc.), teriam que se reencarnar em raças superiores ou mais adiantadas. Hitler não diria muito diferente.

Como sempre o Sr Orlando tira as frases do contexto e dá sua própria interpretação. Um chinês que progredisse o suficiente... Suficiente no quê? Digamos que o espírito “chinês” já aprendeu tudo o que podia na cultura que o povo chinês lhe podia oferecer até a época em que ele encarnara. Ele deseja continuar aprendendo, mas naquele momento o seu povo chinês não podia lhe oferecer mais nada de significativo. Então o jeito é ir aprender em outro povo. Ele quer, por exemplo, aprender sobre cultura cinematográfica hollywoodiana. Certamente, sob essa condição, não vai poder encarnar no meio dos hotentotes... Terá de aprender isso num povo mais “adiantado”.

Qual é o conceito de adiantado, Sr Orlando? Os escandinavos tem excelente progresso econômico e social, mas espiritualmente estão na miséria. Lembra-me uma jovem testemunha de Jeová, com parentes na Finlândia, que perguntada se preferia ficar no Brasil ou ir para a terra de seu pai, ele disse que preferia muito mais aqui, pois aquele povo finlandês é muito materialista. Em resumo, podemos dizer que coisas boas e ruins existem em todos os povos e raças da Terra, dependerá do que o espírito quer aprender (ou ensinar) escolher o povo ou raça mais adequado ao que se propõe.

E novamente lembro o contexto da época, que o Sr Orlando omite, mas vou cobrar mais adiante quando for falar do racismo da Santa Madre Igreja Católica. Em um artigo sobre a trissomia do cromossomo 21, que resulta na chamada Síndrome de Down. Ouvi comentários de que era preconceituoso e incorreto chamar o indivíduo com essa doença de mongolóide ou idiota mongólico e à doença de Mongolismo (as pessoas com essa doença apresentam os olhos semelhantes aos dos orientais). A maneira correta seria dizer: _ É um indivíduo síndrome de Down. É muito correto, não? Mas o lance é o seguinte: o médico inglês John Down foi quem descreveu essa doença no século XIX e como foi que ele a descreveu? Considerou que essa doença era um... retorno à raça primitiva!

Pois bem. A ciência do século XIX tinha elementos de sobra para considerar inferiores as raças não caucásicas... infelizmente. E Kardec só tinha essa ciência para servir de referência. Que podia fazer ele?

E Allan Kardec, esse racista bruto e grosseiro, pretendia que sua palavra fosse superior à palavra de Deus, na Sagrada Escritura,. pois ele escreveu:

A reencarnação fazia parte dos dogmas judaicos sob o nome de ressurreição; só os Saduceus, que pensavam que tudo acabava com a morte, não acreditavam nela. As idéias dos Judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não estavam claramente definidas, porque não tinham senão noções vagas e incompletas sobre a alma e sua ligação com o corpo. Eles acreditavam que um homem que viveu podia reviver, sem se inteirarem com precisão da maneira pela qual o fato podia ocorrer; designavam pela palavra ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação " (Allan Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo, Instituto de Difusão Espírita, Araras 1978, p. 59. O negrito e o sublinhado são meus. O itálico é do autor).

Portanto Allan Kardec se considerava mais "judicioso" do que a Bíblia, porque, naquilo que os autores inspirados por Deus erraram, ele Kardec elucidou.

Além de ser, então, um racista brutal e grosseiro, Allan Kardec era um presunçoso soberbo, que se colocava até mesmo acima da Bíblia.

Do dicMichaelis: judicioso - adj (lat judiciu) 1 Que tem juízo e prudência. 2 Que procede com acerto. 3 Feito com sensatez; sensato. 4 Que indica bom senso. 5 Sentencioso.

Os autores inspirados... Por quem? Por Deus? Será a inspiração divina desses autores um fato demonstrado e verificado ou só um dogma de fé? Ou seja, os senhores clérigos cristãos dizem que eles eram divinamente inspirados e querem que nós, os leigos, os aceitemos sob palavra? Se quem escreveu a Bíblia foi divinamente inspirado, como fica quando nos deparamos com os absurdos científicos da Bíblia? A Bíblia ensina que a Terra é plana (confiram a tentação de Jesus), que o Universo foi feito em 6 dias literais há 6000 anos (uns cristãos dizem isso, outros dizem que não é isso que a Bíblia diz... Por acaso Deus não soube dar clareza à Sua Inspirada Palavra?), que o céu é sólido (confiram em Jó). Se os autores divinamente inspirados pisaram na bola dessa maneira, porque estaria sendo soberbo o Sr Kardec ao “corrigi-los”? Além do mais, Kardec não corrigiu nada: não existe edição de Bíblia sob a Doutrina Espírita com as devidas “correções”. Kardec apenas emitiu suas opiniões e interpretações. Não fez mais do que muito teólogo, exegeta e hermenêuta tem feito por aí.

ALLAN KARDEC, UM RACISTA BRUTAL E GROSSEIRO – 3

Orlando Fedeli

Allan Kardec foi de fato um racista grosseiro e bruto, acrescentando ao evolucionismo darwiniano a sua doutrina gnóstica, muito mal aprendida e pior explicada. Seus textos indicam um homem cheio de contradições e de baixo nível intelectual.

Quero citar dele novos textos, comprovantes desse evolucionismo bruto e grosseiro do espiritismo kardecista.

No mesmo livro A Gênese, que já mencionei, se pode ler o seguinte:

"Esses Espíritos dos selvagens, entretanto pertencem à humanidade; atingirão um dia o nível de seus irmãos mais velhos, mas certamente isso não se dará no corpo da mesma raça física, impróprio a certo desenvolvimento intelectual e moral. Quando o instrumento não estiver mais em relação ao desenvolvimento, emigrarão de tal ambiente para se encarnar num grau superior, e assim por diante, até que hajam conquistado todos os graus terrestres, depois do que deixarão a Terra para passar a mundos mais e mais adiantados (Revue Spirite, abril de 1863, pág. 97: Perfectibilidade da raça negra, in Allan Kardec, A Gênese, Lake _ Livraria Allan Kardec editora, São Paulo, p. 187. O negrito é do original e o sublinhado é meu).

Nesse texto do fundador do espiritismo moderno, está explicita a tese de que Kardec considerava os selvagens e a raça negra como inferiores.

Sou obrigado a concordar, mas só que não retiro essa declaração do contexto de sua época.

Para quem quiser ver o texto completo, acessem o site: http://www.criticandokardec.hpg.ig.com.br/biblioteca.htm8

Mas mesmo não havendo má-fé, os cientistas e antropologistas de sua época não tinham meios ou recursos suficientes para contestar a frase acima. Isso só aconteceu depois que foi liquidada a escravidão negra e se permitiu aos negros progredirem entre os caucasóides. Isso não foi da noite para o dia, nem aconteceu na época em que Kardec vivia.

O que é racismo bruto e grosseiro.

Existe por acaso algum racismo refinado e gentil?

Se algum espírita ousar defender esse racismo kardecista, hoje, estará cometendo uma violação das leis anti-racistas vigentes no Brasil.

E não apenas por isso que nenhum espírita defende essa tese hoje em dia. Mas o que temos hoje e o que Kardec não tinha em sua época? Estudos científicos sérios, desprovidos de preconceito, que só vieram muito depois dele.

Mas há uma coisa ainda melhor, que fala mais alto e dá de lavada em qualquer estudo científico sério: A REALIDADE.

Negros, japoneses, índios etc e tal, ao romperem as barreiras impostas pelos caucasóides, que os impediam de mostrar seu potencial, provam que são capazes de trabalhos intelectuais e administrativos tão ou melhores até do que os caucasóides. O pior golpe no orgulho e a prova de que o homem branco não era superior foi dado pelos japoneses. Eles “chutaram o balde” em 1904, quando venceram os russos na guerra nipo-russa, isso já punha fim ao mito da invencibilidade do homem branco. Mas não abalou tanto assim o vedetismo dos caucasóides, pois entre eles há o racismo “intra-raça”. Há caucasóides que e acham superiores a outros. Os germânicos consideravam-se superiores aos judeus e eslavos (Nazismo) e ainda hoje há grupos europeus que se acham superiores a italianos e ibéricos. Conta um sobrevivente de campo de concentração que os judeus alemães se consideravam superiores aos outros judeus porque... falavam alemão. E até no Brasil, tão democraticamente racial, isso existe: não teve um ministro do Lula que se “queimou” por falar que a presença de nordestinos em São Paulo aumenta a criminalidade?

Foi na Segunda Guerra Mundial, que a ruína caucasóide desmoronou de vez. As colônias inglesas e holandesas da Indonésia foram conquistadas pelos japoneses. O orgulhoso inglês, branco, bem armado e cavalheiresco, não foi capaz de derrotar o supostamente inferior e sub-humano amarelo japonês. Ora, os colonizados indonésicos, orientais semelhantes aos japoneses, logo viram que os brancos não eram invencíveis. Os japoneses posteriormente foram derrotados, mas pelos americanos. O asiático agora não via mais o branco cristão como o invencível e superior senhor de antes. O lugar dos caucasóides na Ásia nunca mais seria o mesmo. Mas tudo isso foi muito posterior à época de Kardec. Só há racismo nas suas frases se as tiramos do contexto de sua época. Se Kardec pudesse ver os japoneses de hoje, que fizeram do seu país a 3ª potência industrial do mundo e vários negros atingindo postos de comando em empresas e forças armadas, saberia que as supostas limitações de inteligência e capacidade atribuídas à condição racial eram só erro de observação.

O espírita nem pode se permitir ser racista, pois dentro do contexto reencarnacionista espírita, não há restrição para sexo, raça ou povo. Quem é hoje homem, pode reencarnar mulher ou já ter sido encarnado em mulher; quem é branco pode vir a ser negro e vice-versa. O espírita, portanto, tem um fator técnico que o inabilitaria a ser racista (o que não quer dizer que nada, pois isso é uma questão de sentimento; um espiritualista americano pode perfeitamente inventar o seu próprio sistema reencarnacionista, separando homens das mulheres; brancos de negros, etc e tal; mas isso é eles: no Espiritismo tal tese inexiste).

Aliás, Kardec no livro dos Espíritos já havia deixado claro que os espíritos poderiam encarnar como mulheres ou homens indistintamente. Só isso já era altamente revolucionário na sociedade machista e sexista em que vivia.

E Allan Kardec considerava raças inferiores não só os indígenas e negros, mas também os indivíduos de raça amarela.

Raça superior seria só a branca.

Orlando Fedeli

CONCLUSÃO DE MARCOS ARDUIN

Não lhe dou os parabéns, Sr Orlando, pelo seu texto distorcido e preconceituoso. Agora vem uma parte que agora me desagrada escrevê-la, pois me leva a descer ao seu nível: quando temos um telhado de vidro, devemos pensar duas vezes antes de se jogar pedras nos telhados dos outros.

Então o senhor coletou alguns textos de Kardec, escravo que era de sua época, nos quais inferiu racismo. Muito que bem. Vejamos então o que é que a sua fé católica tem de melhor nisso... Nada. Até pelo contrário: tem de pior. Muito pior! Dos séculos XV ao início do XIX, serviram-se os bons católicos (e protestantes também) da escravidão negra. Sim, seres humanos de pele negra eram capturados na África e trazidos para a América onde eram forçados a trabalhar até a morte, sem direito a nada. E quem os submetiam a isso? Bons cristãos, fiéis seguidores de sua fé, tanto católica, como protestante.

Qual o papel da fé católica neste caso? Combateu ela essa escravidão? Eram excomungados os donos, os traficantes e os feitores de escravos, pelo simples fato de serem escravocratas? Eram excomungados os soberanos dos países e colônias por se serviram da escravidão?

Eu acho que não. Sua fé e sua Igreja nada protestaram contra isso, pelo menos até onde sei. Se o fizeram, foi só quando a escravidão negra já era condenada como estorvo econômico e não mais como fato consumado. Nesse particular, como espírita eu ao menos posso dizer alto bom som: Kardec NUNCA teve escravos negros; já bons católicos latino-americanos, ingleses e franceses os tiveram e foram abençoados pela fé católica. Uma pena.

Se daqueles textos de Kardec se infere racismo, ao menos podemos ver que em nenhum momento ele sugeriu que os negros ou qualquer outra pessoa, de qualquer outra raça devesse ser tratada de forma injusta apenas por esse fator. Se nem o senhor achou isso nos livros de Kardec, presumo que não exista tal coisa. O mesmo já não se pode dizer de muito clérigo cristão... e dos profitentes cristãos.

Eu repudio essa omissão criminosa da fé católica (e também da protestante)

Lembra-me aqui um caso triste, o do capitão Dreyfus. Esse militar francês, trabalhador e honesto, foi vítima de uma conspiração de bons e dedicados generais católicos, que não podiam admitir ter no meio da oficialidade do exército francês um capitão judeu. Houve um caso de espionagem que foi descoberto e, sem prova alguma, acusaram o Dreyfus. Lembra desse caso, sr Orlando? E quem foi que pegou a luva e batalhou pela reabilitação do Dreyfus? Algum padre? Algum bispo? Algum católico sincero que percebeu a injustiça? Não: foi um ateu, Emile Zola.

Se Kardec era escravo de sua época, que dizer dos Espíritos Superiores? Seriam eles sujeitos a moral temporal também? Ora, Sr Orlando! Esses espíritos eram demônios em sua opinião. Certo? Então não dariam a Kardec a orientação certa quanto ao racismo. Deviam ter dado, pois assim o senhor não teria esse argumento de racismo para usar... Mas se podemos (ou não) perdoar Kardec pois este só tinha demônios, o mesmo perdão não pode ser dado à Igreja Católica. Afinal esta tem TRÊS DEUSES: O Pai, o Filho e o Espírito Santo! Têm Maria, a tal Virgem Santíssima; tem bilhões de anjos e milhares de santos. Ora, com todo esse arsenal, não apareceu nenhum deles para dizer aos católicos que a escravidão era algo errado e injusto?

Kardec nunca feriu ninguém assim, mesmo sendo “racista”. No fim, os seus textos e dizeres “racistas” perdem-se no tempo, e são desconsiderados pelos próprios espíritas.

E para terminar: a fé católica patrocinou uma certa santa, chamada Santa Inquisição, cuja tarefa era perseguir, torturar e queimar hereges, bruxas, descrentes, judeus, muçulmanos... Portanto, seguindo o seu mesmo raciocínio, Sr Orlando, sentencio:

Repudio a fé católica por ser bruta, desumana, grosseira e assassina.

Se os católicos hoje defendem que essa fé deve ser assim mesmo, então estariam sujeitos ao nosso código penal por preconceito, violação da liberdade de consciência e incursos nos crimes de tortura e assassinato. Posso dizer isso baseado no mesmo raciocínio usado pelo senhor, caro Orlando Fedeli?

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