REFUTAÇÃO AO TEXTO
Os espíritos e os fantasmas dos espíritas
Prezado Srº. Adílson,
Eis o excerto da mensagem canalizada, no qual, em vermelho, o Espírito comunicante anônimo ou anonimizado alude à hipótese de que Allan Kardec firmara a supremacia do Espiritualismo em relação ao Espiritismo. Onde está uma tal assertiva na Codificação? Na introdução de O Livro dos Espíritos? Decerto, enquanto humanista, o Codificador não pregaria outra coisa, senão a paz inter-religiosa, interdoutrinária e interfilosófica, mas não chegara a ponto de subordinar o Espiritismo ao Espiritualismo, a não ser numa relação entre gênero e espécie. Assim como o todo não pode reduzir-se à parte, a parte aí também não pode resumir-se ao todo. A parte é específica e o todo é genérico. O que existe, isto sim, é a multivisão de uma realidade presentada no universo e apresentada ao homem. Ora, fosse, para Kardec, o Espiritualismo mais importante do que o Espiritismo, o Mestre de Lyon não haveria cunhado o vocábulo Spiritism, pois que, do contrário, simplesmente lhe impenderia publicar Le Livre des Esprits somente como um livro de Filosofia Espiritualista. Esta expressão aparece como gênero da obra e não como indicativo de grau de importância.
Ademais, o próprio Kardec elucidara o problema às escâncaras no 1º parágrafo da introdução à obra inaugural: "Em lugar das vozes espiritual e espiritualismo, empregamos, para designar esta crença, os termos espírita e espiritismo, cuja forma lembra a sua origem e o sentido radical [de radix, radicis=raiz] e, por isso mesmo, tem a vantagem de ser perfeitamente inteligível e de deixar ao vocábulo espiritualismo a sua acepção própria (anotações nossas entre colchetes e grifos originais em itálico e nossos em negrito/sublinhado)".
V. Sa., a seu turno, faz a mesma coisa quando se utiliza do vocábulo Espiritologia para designar uma outra coisa entendida de modo particular, sendo, porém, o vocábulo já averbado em dicionário especializado há muitíssimos anos. Em uma das mensagens remetidas ao GAE, V. Sa. se reporta ao Espiritismo como um ismo a mais, como se a Espiritologia não fosse também uma logia a mais. Qual a diferença ontológica, a não ser a de preferibilidade semântica condicionada a uma exegese pessoal? Outrossim, se o Espiritismo não é Espiritologia, aquele também não faz questão de ser este. No sítio, por exemplo, da ONG do Círculo de São Francisco, há texto sobre apometria no qual existe alusão à separação entre "joio e trigo", depois de um estudo de 3 anos. Por quê? Por que o Drº. José Lacerda de Azevedo, criador da técnica na Casa do Jardim, era espírita? Dê-se ao Espiritismo o lugar por ele merecido, mas não por distorções de leitura, atribuindo-se a Kardec o que ele não escrevera nem afirmara. Pelo seu conceito, V. Sa. se considera um espiritólogo ou um animagogo? Amplexos fraternais,
Ricardo
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