REFUTAÇÃO AO TEXTO
Os espíritos e os fantasmas dos espíritas II
Caro Adilson,
V. Sa. nem se dignou de ler a mensagem por mim remetida, havendo-me ofertado respostas coladas e desconexas. Aliás, V. Sa. me ofertou a mesma resposta em ambos os textos. Tais citações de Qu'est-ce que le Spiritisme conhecem-na todos os espíritas atenciosos à Codificação. Ademais, há no preâmbulo da aludida obra conceito mais amplo de Espiritismo, in verbis: "O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações". Logo em seguida, acrescentara Kardec: "O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza da origem e da destinação dos Espíritos e das suas relações som o mundo corporal".
V. Sa. também retira de contexto as palavras de Kardec ao referir-se ao conceito de espírita, como se pode ler na 7º resposta do lionês ao padre, in verbis: "O Espiritismo, melhor observado depois que se vulgarizou, veio lançar luz sobre uma multidão de questões até aqui insolúveis ou mal compreendidas. Seu verdadeiro caráter, pois, é o de uma ciência e não de uma religião.; e prova disso é que conta entre seus adeptos homens de todas as crenças, que não renunciaram por isso às suas convicções: católicos fervorosos que não praticam menos todos os deveres de seu culto, quando não são repelidos pela Igreja, protestantes de todas as seitas, israelitas, muçulmanos, e até budistas e brãmanes. Ele repousa, pois, sobre princípios independentes de toda questão dogmática (...)". Ser adepto da fenomenologia espírita, creditando-a, não equivale a ser espírita. Naquela época, como ainda hoje, existem aqueles que, malgrado vinculados às respectivas religiões, admitem a fenomenologia espirítica e até consectários de natureza moral. Não devem, no entanto, ser considerados espíritas, porque não a professam como tal.
A obra Qu'est-ce que le Spiritism compõe uma obra propedêutica e não contém em si a abrangência conceitual desenvolvida em toda a Doutrina Espírita (vide, por exemplo, a edição de dezembro da RE de 1868, quanto ao exame do aspecto religioso do Espiritismo pelo próprio Codificador). Então, ser ou não espírita não se resume a crer na manifestação dos espíritos, porquanto a Doutrina Espírita detém a sua parte moral, decorrente da sua natureza filosófica. Desse modo, o simples fato de crer na fenomenologia não transforma ninguém em espírita, em face, por exemplo, das palavras do próprio Kardec, no item 4, in fine, de L'Évangile selon le Spiritisme: "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más". Note-se o fato de ser o ESE de 1864, posterior, logo, às primeiras concepções de Kardec, malgrado o Codificador haver estabelecido uma escala de espíritas, no capítulo III de O Livro dos Médiuns: "espíritas experimentadores; espíritas imperfeitos; espíritas exaltados e, enfim, espíritas verdadeiros ou espíritas cristãos". Ora, não houvesse diferenças, Kardec não teria considerado uma classe de verdadeiros espíritas, os cristãos, porque, lá na passagem da resposta ao padre, o Mestre de Lyon houvera reputado o cristianismo a religião mais propensa à compreensão da fenomenologia espírita.
Outrossim, além de não me haver respondido às perguntas específicas suscitadas nas mensagens, V. Sa. distorceu passagens da Codificação para acomodá-las à sua concepção de Espiritismo. Decerto, a Espiritologia, a Psicosofia e a Animagogia devem ser meios bem mais eficazes para V. Sa. Volto, porém, a questionar por que V. Sa. remete mensagens em que refuga o Espiritismo a um grupo cujo escopo está em defender a Doutrina Espírita. Respeito-lhe as opiniões, mas não posso acordar em que V. Sa. ponha na pena de Kardec o que ele não escrevera. Não lhe perguntei, ademais, quem seria V. Sa., perguntei-lhe se V. Sa. se considera espiritólogo, animagogo ou psicósofo, de acordo à sua própria categorização. De mais a mais, não lhe afirmei ter visto críticas a Drº. Lacerda, mas apenas questionado o porquê de V. Sa. haver necessitado, após 3 anos de estudos na ONG do Círculo do São Freancisco, joeirar primeiro para, depois, adotar a técnica apométrica.
Mas, pelo visto, enfronhado em combater o próprio ego, pois o ego a tudo rege, não lhe devem interessar tais questões. Amplexos fraternais,
Ricardo
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