Para entender o Espiritismo

Resposta ao “parapsicatólico

fala sem conhecimento, e às suas palavras falta sabedoria. (Jó 34,35).

o desconhecimento dos fatos impede a sua aceitação. Óbvio que somente a apatia e a ignorância impedem a aceitação dos fatos”. (DOYLE, A. C).

A sabedoria do prudente é entender o seu caminho; porém a estultícia dos tolos é enganar. (Pv 14,8).

... não é um verdadeiro sábio aquele que não se curva perante o poder dos fatos. (RICHET, C.)

Introdução

Primeiramente diríamos que, para entender o Espiritismo, é preciso estudá-lo e muito, pois não é lendo meia dúzia de livros Espíritas que fará de uma pessoa um bom entendedor de tudo quanto abrange seus princípios. Mais ainda, se há interesse real em compreender os seus fundamentos, é imprescindível abandonar preconceitos, sejam conscientes ou inconscientes, porquanto, somente assim poder-se-á efetivamente entendê-los.

Muito bem observou o Prof. Rivail:

Em lógica elementar, para se discutir uma coisa, é preciso conhecê-la, porque a opinião de um crítico não tem valor senão quando fale com perfeito conhecimento de causa; só então sua opinião, ainda que errônea, pode ser levada em consideração; mas de que peso é ela sobre uma matéria que não conheça? O verdadeiro crítico deve provar não somente erudição, mas um saber profundo no que concerne ao objeto que trate, um julgamento sadio, e de uma imparcialidade a toda prova; de outro modo, qualquer rabequista poderia se arrogar o direito de julgar Rossini, e um aprendiz de pintura o de censurar Rafael. (KARDEC, 1996, p. 23).

O Espiritismo não pode considerar como crítico sério senão aquele que tiver visto tudo, estudado tudo, aprofundado tudo, com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que soubesse sobre o assunto quanto o adepto mais esclarecido; que tivesse, por conseguinte, haurido seus conhecimentos em outro lugar do que nos romances da ciência; a quem não se pudesse opor nenhum fato do qual não tivesse conhecimento, nenhum argumento que não tivesse meditado; que refutasse, não por negação, mas por outros argumentos mais peremptórios; que pudesse, enfim, assinalar uma causa mais lógica para os fatos averiguados. Esse crítico está ainda por se encontrar. (KARDEC, 1996, p. 25).

Para se proceder, no ensino do Espiritismo, como se o faria nas ciências ordinárias, seria preciso passar em revista toda a série de fenômenos que podem se produzir, começando pelos mais simples e alcançando sucessivamente os mais complicados; ora, é o que não se pode, porque seria impossível fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um curso de física e de química. Nas ciências naturais opera-se sobre a matéria bruta que se manipula à vontade, e se está quase certo de poder regular seus efeitos; no Espiritismo, trata-se com inteligências que têm liberdade, e nos provam a cada instante, que não se submetem aos nossos caprichos; é preciso, pois, observar, esperar os resultados e apanhá-los de passagem; também dissemos claramente que todo aquele que se gabasse de os obter à vontade, não poderia ser senão um ignorante ou um impostor, por isso ao Espiritismo verdadeiro não se porá jamais em espetáculo, e jamais subirá ao palco. Há mesmo alguma coisa de ilógica em supor que os Espíritos vêm desfilar e se submeter à investigação como objetos de curiosidade. Os fenômenos, portanto, podem faltar quando deles se tem necessidade, ou se apresentar de maneira diferente daquela que se deseja. Ajuntemos, ainda, que, para os obter, é preciso pessoas dotadas de faculdades especiais, e que essas faculdades variam ao infinito, segundo a aptidão dos indivíduos; ora, como é extremamente raro que a mesma pessoa tenha todas as aptidões, há uma dificuldade a mais, porque seria preciso ter sempre sob a mão uma verdadeira coleção de médiuns, o que não é possível. (KARDEC, 1996, pp. 36-37).

O que temos visto é que certos rabequistas de plantão, quer de batina quer engravatados, se arvoram em críticos do Espiritismo, sem ao menos terem se dado ao trabalho de estudá-lo e pesquisá-lo com profundidade suficiente para que possam abranger todas as nuances dos fenômenos mediúnicos. É muito comum, entre eles, o uso do argumento de que tudo é falso, mas, se fosse mesmo esse o caso, não deveriam se dar ao trabalho de combatê-lo, pois: “Se o Espiritismo é uma falsidade, ele cairá por si mesmo; se, porém, é uma verdade, nãodiatribe que possa fazer dele uma mentira” (KARDEC, 2001, p. 55).

Entretanto, fato curioso, é que, nesse quase século e meio de vida, até agora ninguém fez algo que viesse derrubar, dentre outros, seus dois princípios basilares: comunicação com os mortos e reencarnação. Vemos, ao contrário, que os pesquisadores sérios estão justamente comprovando-os, para desespero dos fundamentalistas retrógrados que se apóiam em falácias, mentiras e calúnias como armas para combatê-los.

Por outro lado, tanta preocupação conosco não faz sentido algum, uma vez que não fazemos a mínima questão de recrutar adeptos, como podemos observar nessas judiciosas recomendações do codificador:

O Espiritismo tem por fim combater a incredulidade e suas funestas conseqüências, fornecendo provas patentes da existência da alma e da vida futura; ele se dirige, pois, àqueles que em nada crêem ou que de tudo duvidam, e o número desses não é pequeno, como muito bem sabeis; os que têm fé religiosa e a quem esta fé satisfaz, dele não têm necessidade.

Àquele que diz: “Eu creio na autoridade da Igreja e não me afasto dos seus ensinos, sem nada buscar além dos seus limites”, o Espiritismo responde que não se impõe a pessoa alguma e que não vem forçar nenhuma convicção.

A liberdade de consciência é conseqüência da liberdade de pensar, que é um dos atributos do homem; e o Espiritismo, se não a respeitasse, estaria em contradição com os seus princípios de liberdade e tolerância. (KARDEC, 2001, p. 122)

Mas por que desse falatório todo? Bom, caro leitor, para que você possa ter uma idéia do que se anda dizendo por , vamos apresentar-lhe um texto de um “parapsicatólico”, que tem como único objetivo de vida combater o Espiritismo. Essa pessoa é, como não poderia deixar de ser, um fanático religioso, que nem mesmo poupa sua crítica ferina aos que andam ao seu lado, na crença que abraça, atacando a todos os que dizem algo em contrário ao que ele vem espalhando, aos quatro cantos, contra o Espiritismo.

Quem quiser comprovar isso, ao navegar na Internet, faça uma visita ao seguinte endereço: http://www.catolicanet.com.br/gf/conteudo.asp?pagina=2928, onde está o texto intitulado “Para Entender do Espiritismo”, subtítuloNão têm consciência” (visitado em 17.02.2006, às 13:00 horas). Tenta, o seu autor, provar que tudo não passa de coisas do inconsciente do médium, portanto, nada do que ele produz vem de outras mentes, no caso, de espíritos desencarnados, mas de sua própria, transformando o inconsciente num ser onipotente e onipresente.

Alhos e bugalhos

ouvimos, por incontáveis vezes, a expressão “misturando alhos com bugalhos”, cujo sentido cabe ao texto, do qual estaremos comentando aquilo que julgamos de maior relevância.

Duas pessoas podem estar usando a mesma palavra, mas dizendo coisas completamente díspares. Exemplificando: uma professora pediu a alguns de seus alunos que escrevessem, numa folha de papel, uma palavra iniciada pela letra “m”. Após alguns minutos, ela recolhe as folhas e que na do primeiro aluno estava escrita a palavra manga, na do segundo se lia manga e, na do terceiro, da mesma forma, aparece manga e, finalmente, na do quarto também aparece manga. Será que eles estavam falando da mesma coisa? Obviamente que a palavra que escreveram é a mesma, mas, por conta disso, os apressados concluirão que sim, ou seja, todos estavam falando a mesma coisa. Entretanto, essa não é a verdade, porquanto cada um escreveu essa palavra dentro da realidade do seu dia-a-dia. Para um deles, que morava num sítio, manga era uma fruta, enquanto que para o outro, cuja mãe era costureira, era uma parte de vestuário; para o terceiro, era uma peça de carro, visto estar trabalhando de aprendiz numa oficina mecânica, e, por fim, para o último, cujo pai era criador de bovinos de corte, a entendia como uma área de pastagem totalmente cercada para guardar o gado. Viu que ninguém falou a mesma coisa?

Pois é! É exatamente isso o que acontece com determinadas pessoas, como é o caso desse “parapsicatólico” (e “cia ltda”) que faz de sua vida um campo de guerra contra Espiritismo. Estranho, pois quem estuda Kardec deveria saber de sua opinião a respeito da liberdade e da tolerância para com os adeptos de outras religiões, conforme a citamos um pouco atrás.

estarmos longe dos tempos onde a “liberdade de consciênciaera de domínio das classes dominantes, tanto a civil quanto a religiosa, por isso nãosentido algum que, em pleno século XXI, ainda haja pessoas que querem encabrestar as outras com suas crenças. Se aquilo que crêem é bom para eles, ótimo, mas, pelo amor de Deus, nos deixem em paz, que também nos rogamos no mesmo direito de acreditar naquilo que quisermos.

Por outro lado, percebemos que esses ataques são feitos numa tentativa desesperada de manterem-se no poder, jeito fácil que encontraram para manobrar os seus fiéis, que nem ousam contestá-los, que, dessa forma, usurpam o leite de suas crianças para encherem seus próprios estômagos.

Há uma frase que muito bem situa o Espiritismo: “ se jogam pedras em árvores que dão frutos”, está o motivo de sofrermos tantos ataques. Interessante é que nunca vimos nenhum líder religioso, do tipo desses que, sistematicamente, atacam o Espiritismo, combater, com o mesmo vigor com que nos atacam, o tráfico de drogas, agenciadores sexuais, etc., que tanto mal fazem aos nossos jovens.

Bom, vejamos a palavra que, no presente caso, tem causado essa enorme confusão entre os ignorantes daquilo que realmente ocorre nos fenômenos mediúnicos. A palavra é INCONSCIENTE, leiamos seus significados no Aurélio:

Adj. 2 g.

1.       Não consciente (1); incônscio:

2.       Med. Que está sem consciência (4):

3.       Que procede sem consciência (6) ou com desconhecimento do alcance moral daquilo que praticou:

4.       Leviano, inconsiderado, irresponsável.

5.       Em que se verifica a perda da consciência (4):

6.       Feito sem consciência (5 e 6):

7.       Psic. Pertencente ou relativo ao inconsciente (9).

S. 2 g.

8.       Pessoa inconsciente (3 e 4).

S. m.

9.       Psic. O conjunto dos processos e fatos psíquicos que atuam sobre a conduta do indivíduo, mas escapam ao âmbito da consciência e não podem a esta ser trazidos por nenhum esforço da vontade ou da memória, aflorando, entretanto, nos sonhos, nos atos falhos, nos estados neuróticos ou psicóticos, i. e., quando a consciência não está vigilante. [Cf., nesta acepç., subconsciente (2) e consciente (8).]

Complementando a explicação o Aurélio, trás também, na seqüência, o significado de INCONSCIENTE COLETIVO.

Inconsciente coletivo. Psic.

1.       Parte do inconsciente individual que procede da experiência ancestral e transparece em certos símbolos encontrados nas lendas e mitologias antigas, constituindo os arquétipos [v. arquétipo (3)].

Arquétipo está definido como:

Psic. Segundo C. G. Jung [v. junguiano], imagens psíquicas do inconsciente coletivo (q. v.), que são patrimônio comum a toda a humanidade: O paraíso perdido, o dragão, o círculo são exemplos de arquétipos que se encontram nas mais diversas civilizações.

A questão agora é saber em qual significado é empregado no Espiritismo, visto que sabemos qual é o usado na Psicanálise. É dela que os parapsicólogos o tomam emprestado.

Identificando os alhos, para separá-los dos bugalhos

Quem estuda os fenômenos mediúnicos, sabe perfeitamente quecertos médiuns que são classificados como médiuns inconscientes, tanto os que produzem fenômenos de efeitos físicos quanto os de efeitos intelectuais.

Falando dos vários sistemas engendrados para explicar esses fenômenos, Kardec cita o sistema sonambúlico, explicando-o:

45. Sistema sonambúlico. - Mais adeptos teve este, que ainda conta alguns. Admite, como o anterior, que todas as comunicações inteligentes provêm da alma ou Espírito do médium. Mas, para explicar o fato de o médium tratar de assuntos que estão fora do âmbito de seus conhecimentos, em vez de supor a existência, nele, de uma alma múltipla, atribui essa aptidão a uma sobreexcitação momentânea de suas faculdades mentais, a uma espécie de estado sonambúlico, ou extático, que lhe exalta e desenvolve a inteligência. Não há como negar, em certos casos, a influência desta causa. Porém, a quem tenha observado como opera a maioria dos médiuns, essa observação basta para lhe tornar evidente que aquela causa não explica todos os fatos, que ela constitui exceção e não regra.

Poder-se-ia acreditar que fosse assim, se o médium tivesse sempre ar de inspirado ou de extático, aspecto que, aliás, lhe seria fácil aparentar perfeitamente, se quisesse representar uma comédia. Como, porém, se há de crer na inspiração, quando o médium escreve como uma máquina, sem ter a mínima consciência do que está obtendo, sem a menor emoção, sem se ocupar com o que faz, distraído, rindo e conversando de uma coisa e de outra? Concebe-se a sobreexcitação das idéias, mas não se compreende possa fazer que uma pessoa escreva sem saber escrever e, ainda menos, quando as comunicações são transmitidas por pancadas, ou com o auxílio de uma prancheta, de uma cesta.

No curso desta obra, teremos ocasião de mostrar a parte que se deve atribuir à influência das idéias do médium. Todavia, tão numerosos e evidentes são os fatos em que a inteligência estranha se revela por meio de sinais incontestáveis, que não pode haver dúvida a respeito. O erro da maior parte dos sistemas, que surgiram nos primeiros tempos do Espiritismo, está em haverem deduzido, de fatos insulados, conclusões gerais. (KARDEC, 1996, pp. 61-62). (grifo nosso).

Este sistema se assemelha, em muito, com a opinião pessoal das pessoas que apregoam que tudo tem origem no inconsciente do médium. Kardec, em sua explicação, admite com honradez, que, em certos casos, isso realmente pode acontecer, mas não se aplica indistintamente a todos, daí diz, o codificador, ser necessário buscar uma outra explicação para esses fatos.

Sonambulismo é um estado de emancipação da alma. Uma pessoa dormindo pode acontecer que o seu espírito saia de seu corpo físico, e, nessa condição, tenha acesso a seu arquivo mental, onde estão também registrados os fatos ocorridos em outras vidas, uma vez que, eles ficam gravados no inconscientememória integral, segundo alguns autores -, como também há a possibilidade de que receba mensagens de outros espíritos.

Por um momento, vamos supor que esteja buscando em seu inconsciente, mas será isso o mesmo que alegam os parapsicólogos, seguidores das idéias do francês Robert Amadou? Essa corrente da Parapsicologia tem o “inconscientecomo sendo a causa produtora de todos os fenômenos mediúnicos, portanto, negam a participação de outras inteligências no processo e, nem de longe, sequer admitem a possibilidade de espíritos desencarnados serem a origem de tais coisas. Essa corrente é a que segue a maioria dos padres católicos, por razões óbvias.

Teremos que explicar melhor isso, senão a confusão ainda permanecerá. Como temos absoluta certeza de que tivemos outras vidas e que as experiências que passamos nelas não estão perdidas, uma vez que, elas ficam gravadas em nossa memória integral e podem, em determinadas circunstâncias, serem acessadas por nós. Assim, por exemplo, se numa vida passada o idioma falado por uma pessoa era inglês, ela poderá, num desses momentos de emancipação da alma, acessar esse arquivo e conseguir falar fluentemente o inglês, mesmo sem que o tenha aprendido na sua vida atual. Isso para o Espiritismo é produto do espírito do próprio médium, portanto, não é fenômeno mediúnico, mas anímico.

Essa memória integral nós podemos muito bem dizer, e acreditamos que sem erro, que é o nosso inconsciente. Mas o nosso inconsciente não cria absolutamente nada, apenas retransmite algo que aprendemos ou tivemos contato num certo momento de nossa vida, entendida aqui essa como sendo a do espírito. Se não estivermos enganados, o nosso pensamento está muito próximo daquilo que Jung chamou de inconsciente pessoal, conforme nos informa Hernani Guimarães Andrade. Senão vejamos:

“Tudo o que conheço, mas não penso, tudo aquilo de que já tive consciência mas esqueci, tudo o que foi percebido por meus sentimentos e meu espírito consciente não registrou, tudo o que involuntariamente e sem prestar atenção (isto é, inconscientemente) sinto, penso, relembro, desejo e faço, tudo o futuro que se prepara em mim e que só mais tarde se tornaria consciente, tudo isso é conteúdo do inconsciente”.

“A esses conteúdos se acrescentam as representações ou impressões penosas mais ou menos intencionalmente reprimidas. Chamo de inconsciente pessoal ao conjunto de todos esses conteúdos. (Jung, opus cit. pp. 354 e 355)”. (ANDRADE, 2005, p. 101).

Na definição Jung não diz que o inconsciente é um todo-poderoso, criador de coisas que não sabe ou nunca viu, enquanto que para os parapsicólogos que seguem a corrente francesa, o “inconsciente”, para eles, sim, é um todo-poderoso, que cria uma situação, mesmo que o indivíduo nunca tenha tido, em sua trajetória evolutiva, contato ou adquirido aquela informação. Transformaram-no, a bem da verdade, numa espécie de deus que tudo pode, tudo faz.

Voltando ao assunto, há também os casos de médium que fala ou escreve uma mensagem sem ter a mínima consciência dela, nesse caso dizemos que se trata de médium inconsciente ou mecânico. Mas não é a mesma coisa que dizermos que é produto do inconsciente desse médium. O que acontece é que o espírito comunicante age diretamente sobre o órgão físico do médium, garganta ou braço, por exemplo, sem que a mente do médium capte nada daquilo que ele, espírito, quer falar, é por isso que é inconsciente, ou seja, não tem conhecimento prévio da mensagem que transmite, por via mediúnica. Neste caso, ele age com intermediário, daí se classificar o fenômeno não como anímico, mas como mediúnico, pois está sendo medianeiro entre um espírito desencarnado e os encarnados. E, dependendo da particularidade de sua mediunidade, o médium poderá estar completamente consciente, inclusive, tabulando conversa com os assistentes, e não ter a mínima consciência da mensagem.

Normalmente os médiuns psicopictográficos (pintura mediúnica), quando em transe mediúnico, agem na mais completa inconsciência, se não todos, pelo menos a maioria deles, razão pela qual também dizemos médiuns inconscientes. Isso não significa dizer que o inconsciente deles tenha produzido tais pinturas. Entre os médiuns de psicopictografia podemos citar o baiano José Medrado.

Quem quiser conhecer as pinturas mediúnicas produzidas por ele, é visitar: http://www.cidadedaluz.com.br/pt/medrado/galeria.php.

Neste site poder-se-á ver a sua versatilidade mediúnica, pois, até essa data (17.02.2006), produziu vários quadros por ação espiritual de trinta autores pintores, que, do plano espiritual, querem provar que, após a morte do corpo físico, a vida continua. Alguns quadros pintados por Medrado, inclusive, foram, segundo informações que ouvimos, pesquisados por uma Universidade da França que atestou serem autênticos, baseando-se no que se conhece do estilo do autor por suas pinturas realizadas quando vivo. Uma observação: esse médium fora do transe mediúnico não pinta nem “o sete”, fato que também se verifica com muitos outros com esse tipo de mediunidade.

Para entender o que o Espiritismo fala

Esclarecendo a seus consulentes, o “parapsicatólico” disse:

Diz Allan Kardec em "O Livro dos Médiuns" (nn. 179-180) com referência à psicografia (e à paracinesia: mesa dançante, brincadeira do copo, radiestesia etc.):

"Pode o espírito exprimir suas idéias, quer movimentando um objeto, a mão do médium servindo de simples ponto de apoio, quer acionando a própria mão (...). O que caracteriza o fenômeno é que o médium não tem a menor consciência do que escreve (...). É preciosa esta faculdade por (...). Todavia, é possível reconhecer o pensamento sugerido por não ser nunca preconcebido; nasce à medida que a escrita vai sendo traçada".

Os espíritas kardecistas falam também de mediunidade mecânica. Escreve Allan Kardec (n.45).

"O médium escreve como uma máquina, sem ter a mínima consciência do que está obtendo, sem a menor emoção, sem se ocupar com o que faz, distraído, rindo e conversando de uma coisa e outra".

Bom, o Capítulo XV de O Livro dos Médiuns trata apenas dos médiuns escreventes ou psicógrafos, assim, o que ali está se restringe apenas ao assunto tratado. Como é muito comum encontrarmos certas pessoas tentando distorcer as palavras de Kardec, se nos permite a paciência do leitor, iremos colocar esses dois itens na íntegra, vejamo-los:

Médiuns mecânicos

179. Quem examinar certos efeitos que se produzem nos movimentos da mesa, da cesta, ou da prancheta que escreve não poderá duvidar de uma ação diretamente exercida pelo Espírito sobre esses objetos. A cesta se agita por vezes com tanta violência, que escapa das mãos do médium e não raro se dirige a certas pessoas da assistência para nelas bater. Outras vezes, seus movimentos dão mostra de um sentimento afetuoso. O mesmo ocorre quando o lápis está colocado na mão do médium; freqüentemente é atirado longe com força, ou, então, a mão, bem como a cesta, se agitam convulsivamente e batem na mesa de modo colérico, ainda quando o médium está possuído da maior calma e se admira de não ser senhor de si Digamos, de passagem, que tais efeitos demonstram sempre a presença de Espíritos imperfeitos; os Espíritos superiores são constantemente calmos, dignos e benévolos; se não são escutados convenientemente, retiram-se e outros lhes tomam o lugar. Pode, pois, o Espírito exprimir diretamente suas idéias, quer movimentando um objeto a que a mão do médium serve de simples ponto de apoio, quer acionando a própria mão.

Quando atua diretamente sobre a mão, o Espírito lhe dá uma impulsão de todo independente da vontade deste último. Ela se move sem interrupção e sem embargo do médium, enquanto o Espírito tem alguma coisa que dizer, e pára, assim ele acaba.

Nesta circunstância, o que caracteriza o fenômeno é que o médium não tem a menor consciência do que escreve. Quando se dá, no caso, a inconsciência absoluta; têm-se os médiuns chamados passivos ou mecânicos. E preciosa esta faculdade, por não permitir dúvida alguma sobre a independência do pensamento daquele que escreve.

Médiuns intuitivos

180. A transmissão do pensamento também se dá por meio do Espírito do médium, ou, melhor, de sua alma, pois que por este nome designamos o Espírito encarnado. O Espírito livre, neste caso, não atua sobre a mão, para fazê-la escrever; não a toma, não a guia. Atua sobre a alma, com a qual se identifica. A alma, sob esse impulso, dirige a mão e esta dirige o lápis. Notemos aqui uma coisa importante: é que o Espírito livre não se substitui à alma, visto que não a pode deslocar. Domina-a, mau grado seu, e lhe imprime a sua vontade. Em tal circunstância, o papel da alma não é o de inteira passividade; ela recebe o pensamento do Espírito livre e o transmite. Nessa situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento. E o que se chama médium intuitivo.

Mas, sendo assim, dir-se-á, nada prova seja um Espírito estranho quem escreve e não o do médium. Efetivamente, a distinção é às vezes difícil de fazer-se, porém, pode acontecer que isso pouca importância apresente. Todavia, é possível reconhecer-se o pensamento sugerido, por não ser nunca preconcebido; nasce à medida que a escrita vai sendo traçada e, amiúde, é contrário à idéia que antecipadamente se formara. Pode mesmo estar fora dos limites dos conhecimentos e capacidades do médium.

O papel do médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo age como o faria um intérprete. Este, de fato, para transmitir o pensamento, precisa compreendê-lo, apropriar-se dele, de certo modo, para traduzi-lo fielmente e, no entanto, esse pensamento não é seu, apenas lhe atravessa o cérebro. Tal precisamente o papel do médium intuitivo. (KARDEC, A. O Livro dos Médiuns, Rio de Janeiro: FEB, 1996, pp. 222-223)

45. Sistema sonambúlico. - Mais adeptos teve este, que ainda conta alguns. Admite, como o anterior, que todas as comunicações inteligentes provêm da alma ou Espírito do médium. Mas, para explicar o fato de o médium tratar de assuntos que estão fora do âmbito de seus conhecimentos, em vez de supor a existência, nele, de uma alma múltipla, atribui essa aptidão a uma sobreexcitação momentânea de suas faculdades mentais, a uma espécie de estado sonambúlico, ou extático, que lhe exalta e desenvolve a inteligência. Não há negar, em certos casos, a influência desta causa. Porém, a quem tenha observado como opera a maioria dos médiuns, essa observação basta para lhe tornar evidente que aquela causa não explica todos os fatos, que ela constitui exceção e não regra.

Poder-se-ia acreditar que fosse assim, se o médium tivesse sempre ar de inspirado ou de extático, aspecto que, aliás, lhe seria fácil aparentar perfeitamente, se quisesse representar uma comédia. Como, porém, se há de crer na inspiração, quando o médium escreve como uma máquina, sem ter a mínima consciência do que está obtendo, sem a menor emoção, sem se ocupar com o que faz, distraído, rindo e conversando de uma coisa e de outra? Concebe-se a sobreexcitação das idéias, mas não se compreende possa fazer que uma pessoa escreva sem saber escrever e, ainda menos, quando as comunicações são transmitidas por pancadas, ou com o auxílio de uma prancheta, de uma cesta.

No curso desta obra, teremos ocasião de mostrar a parte que se deve atribuir à influência das idéias do médium. Todavia, tão numerosos e evidentes são os fatos em que a inteligência estranha se revela por meio de sinais incontestáveis, que não pode haver dúvida a respeito. O erro da maior parte dos sistemas, que surgiram nos primeiros tempos do Espiritismo, está em haverem deduzido, de fatos insulados, conclusões gerais. (KARDEC, A. O Livro dos Médiuns, Rio de Janeiro: FEB, 1996, pp. 61-62).

Observar que