Guanhães, 09 de junho de 2004.

 

À

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Unidade de Serro.

 

Sr. Coordenador,

 

Vimos, pelo presente, na qualidade de participante do movimento Espírita e de Presidente da Fraternidade Espírita Fabiano de Cristo, em Guanhães, nos solidarizar com a freqüentadora de nossa casa Nágila Raquel de Aguiar Ferreira, que é aluna do Curso de Direito junto a PUC-Serro, em relação a fatos lamentáveis acontecido no âmbito dessa Universidade.

Apresenta-nos, a referida aluna, um material entregue pelo Professor da matéria de Cultura Religiosa aos alunos, onde demonstra claramente preconceito quanto ao Espiritismo. Ao que nos informa, esse professor está mais para falar de Cultura Católica do que Cultura Religiosa, isso a nosso ver não condiz com a disciplina, a não ser que se mude o conteúdo e objetivo dela de forma que passe a ser o que ele vem fazendo no momento.

O material relacionado com "As Igrejas Constituídas e os Novos Grupos Religiosos Não-Católicos" e "Parapsicologia" em 12 folhas xerocadas das páginas 175 a 197 de livro não identificado. Percebemos a falta de atualização do livro, pois o autor chega a citar (pág. 179), o INPS, quando sabemos que há muito tempo essa autarquia é denominada de INSS. Ao encerrar o primeiro capítulo mencionado está dito: "Os católicos têm uma grande vantagem: são um povo de culto a santos, de devoções, de procissões, de água-benta, de bênçãos de casa...", numa evidente apologia à Igreja Católica em detrimento dos demais credos religiosos, que são tão respeitáveis quanto esse.

No capítulo dedicado à Parapsicologia, as referências bibliográficas citadas, à pág. 181, em número de três, têm como datas de publicação os anos de 1960, 1968 e 1971, provando, novamente, a falta de atualização do Professor da disciplina, algo incompatível ao nível de informação que deveria passar a alunos universitários, principalmente numa Universidade de renome como a PUC.

As coisas evoluem e, muitas vezes, pensamentos equivocados do passado são atualizados pelo progresso do conhecimento humano. Uma Universidade, como formadora de profissionais e de opiniões, não pode se furtar ao dever de acompanhar esse progresso.

Entre essas três referências é citado um livro do Pe. Quevedo, que, como todo o Brasil sabe, é adversário irredutível do Espiritismo, cuja parapsicologia é pessoal, não condizente com qualquer critério científico, já que defende sua posição religiosa ao invés de realidade científica.

E, para demonstrar ainda mais a falta de atualização do professor, transcrevemos abaixo opiniões retiradas do livro O Além Existe, Testemunho Extraordinário Rigorosamente Documentado, de Lino Sardos Albertini, Edições Loyola, que apesar de não ser atual o é bem mais do que as obras citadas e consultadas.

Apresentação

Falando em meio a cristãos praticantes sobre os riscos que a Fé acarreta, freqüentemente, esquece-se de um que consiste na perda de dimensão. Esse esquecimento, sob o pretexto de fidelidade, tornou míopes teólogos da época de Galileu. Daí ter acontecido tudo aquilo.

Essa miopia, há um século intacta, nós a reencontramos diante da profundidade do fenômeno da vida. Ainda hoje, ela domina mesmo diante de um novo fenômeno que lembra a profundidade meta-histórica da vida, tudo o que ultrapassa as dimensões do espaço-tempo. O católico praticante, todo domingo, conclui seu "Ato de Fé" com aquele admirável "pentagrama" que tem na "vida além da vida" – Creio na Vida Eterna – seu foco, sua plenitude. Mas quando ele deixa o recinto sagrado e entra no mundo, parece se esquecer daquilo que professou.

Entre o ato de fé na Vida Imortal – a vida no sentido pleno – e os atos existenciais, corriqueiros ou extraordinários, interpõe-se não uma porta de comunicação, mas uma barreira.

O véu do templo que, nos diz o Evangelho, se rasgou na morte de Cristo, está se reconstruindo em muitas pessoas como uma membrana, bem diferente da membrana acústica, feita exatamente para por em comunicação dois mundo distintos, mas não estanques: o mundo exterior, sensorial por definição, e o mundo da interioridade, por natureza espiritual e imortal.

A perda das dimensões "do alto e do profundo" – conforme imagem paulina – torna surdos, para não dizer obtusos, muitos incrédulos e não poucos fiéis.

O contato com este livro e com os acontecimentos que constituem a sua essência provocará, com certeza, duas reações imediatas e opostas, análogas a um choque elétrico não muito forte. A reação de quem teme e solta imediatamente a tomada e a reação de quem pede: "Luz! Mais luz!".

Aos míopes geralmente se atribui o medo: "Não me arrisco", dirá sempre o bom positivista, fiel ao pentagrama dos sentidos. Mas como é possível viver segundo o pentagrama, quando a ciência moderna já escreve a própria partitura acima e abaixo das clássicas linhas?

"Não me arrisco", dirão a mulher, o homem de fé, repetindo fórmulas que já viraram chavões e que, como todo lugar-comum, resistem à dinâmica do processo vital: são como pedras dificilmente biodegradáveis.

A circularidade a que se referia Paulo VI, falando de "Evangelho e cultura moderna", exige adoração e, ao mesmo tempo, comunhão: tal como a Eucaristia, ato vital por excelência.

O típico processo vital do homem "criatura de Deus" não é o conhecimento articulado ao amor?

Esse livro fala do amor de um pai que perdeu o filho, sem saber como nem onde.

A sua procura do "como" e do "onde" levou-o para uma dimensão com a qual nunca sonhara. Ele acredita na Vida Eterna. Repetia, como todos os praticantes, as palavras do Creio. Como dirigente da Ação Católica de uma cidade de fronteira, até ajudava os outros a praticar as obras da fé. E, no entanto, não imaginava encontrar-se na fronteira da vida além da vida. Foi preciso que seu filho desaparecesse na noite para que em sua alma pudesse surgir o alvorecer.

Nós, ouvintes e leitores, encontramo-nos ante um drama humano que nos envolve. A comoção é como uma onda do mar agitada pelo vento. Vive as suas modulações de freqüência que são, também, o sinal de participação direta.

Mas o autor deste livro não nos pede compaixão. Pede participação: participação numa Fé que se tornou certeza. Seu filho vive, além da fronteira cercada pelo arame que chamamos de morte.

Não é mais um coração ferido que nos pede uma gota de óleo para suavizar a ferida. É um coração iluminado, como se aquela gota de óleo se tivesse transformado num feixe de luz, como bem o sabiam os cristãos das catacumbas.

"Será?", diz o cético, voltando para a rotina da mediocridade. Às vezes, o coração paterno sabe inventar milagres. Quem recebe as mensagens senão o coração de pai, para transformar a ponta pungente do espinho em um botão de rosa?"

Nossas explicações permanecem autógenas. Mas o homem insiste. E nos convida a considerar as circunstâncias desse reencontro, num plano bem diverso do que inicialmente previmos: não estaria ele buscando consolação segundo as razões do coração, ou ainda, investigar segundo os hábitos culturais da era da televisão?

Nada disso. Trata-se de outra dimensão, da dimensão de uma existência que se faz presença através de uma mediação, às vezes chamada de inspiração. A mão escreve de modo incomum. A pessoa transcreve mensagens que, realmente, não parecem elaboradas pela consciência pessoal ordinária. Como as elaboraria? O horizonte hipotético se abre exatamente para além das fronteiras costumeiras, em um domínio em que a metapsíquica, que ainda não é ciência, está tateando.

Passo a passo poderemos chegar longe.

O que a Fé anuncia com firmeza, e que a teologia das últimas coisas vem indicando como o termo de vida além da vida, já se revela suscetível de renovada reflexão.

É hora de passar do primeiro leite – alimento completo para crianças, como lembra o apóstolo Paulo – para uma alimentação condizente com a nossa idade. A nossa época talvez seja a mais privilegiada. A riqueza dos fenômenos e a perfeição dos instrumentos usados na pesquisa levam-nos a reconhecer na expressão vida além da vida, não só a projeção transfigurante das nossas aspirações, como também nos leva a individuar o núcleo constitutivo do ser, que é imortal.

A luz que une a nossa existência à "transexistêcnia" não constitui o mais alto valor na escala logarítimica dos valores humanos?

Pe. Pascoal Magni

Teólogo, epistemólogo, escritor

(Texto extraído do livro O Além Existe, Testemunho Extraordinário Rigorosamente Documentado, de Lino Sardos Albertini, São Paulo, Edições Loyola, 1989, págs. 7 a 9).

Outro texto constante desse livro, também assinado por um padre.

A IGREJA ANTE OS FENÔMENOS PARANORMAIS

À Igreja, a meu ver, agrada que a verdade anunciada por Jesus Cristo receba hoje, num mundo secularizado, novas confirmações por meio de fatos e provas concretas, aptos a despertar o interesse dos indiferentes e dos agnósticos que, sem ele, dificilmente compreenderiam o valor das motivações mais interiores e profundas da Fé.

Entre os sinais e os indícios, já indicados pelos Santos Padres, de uma vida no Além, em primeiro lugar se apresentam alguns fenômenos paranormais espontâneos, isto é, não-mediúnicos, como as bilocações de viventes e as aparições de mortos (inumeráveis as dos santos). Esses fenômenos, se forem enriquecidos de credibilidade testemunhal e conexos com acontecimentos objetivos (revelações de acontecimentos desconhecidos ou futuros e, em seguida, realizados, curas instantâneas etc.), oferecem um precioso e convincente convite ao homem moderno: aceitar a Fé, como tive oportunidade de ilustrar num livro recente (G. Martinetti, La vita fuori Del corpo, Elle Di Ci, Turim, 1986), do qual estou preparando a segunda edição, com acréscimos de muitos fatos históricos e contemporâneos.

Uma segunda categoria de fenômenos em favor do Além nós é dada pelas comunicações mediúnicas, que constituem um campo delicado e perigoso como a Igreja muitas vezes o declarou, fundando-se na Bíblia.

A Bíblia condena a necromancia (tipo particular de comunicação com presumíveis falecidos, conforme o costume das culturas tribais, mas não ausente nos nossos países), por causa de suas estreitas relações com as religiões mágicas e animistas. Deus, como é apresentado pela Revelação bíblica, quer nos conduzir para uma felicidade supraterrena, por meio do amor e obediência confiante nele e a aceitação de acontecimentos futuros – por nós desconhecidos, mas por ele permitidos para cada um de nós. O homem não pode pretender, servindo-se do poder dos "espíritos" (magia, adivinhação, necromancia), conhecer o próprio futuro, prejudicar, com feitiços, os próprios adversários e construir a seu gosto um destino de sucesso, riqueza e poder. Nas culturas tribais atuais, em que se pratica a magia e a necromancia,, o Criador vem sendo esquecido, enquanto todo o culto é orientado, por meio de feiticeiros, para os falecidos. Eles querem, por meio dos mortos, obter "feitiços" para os inimigos e vantagens materiais para os que pedem.

As proibições do Magistério (a última é de 1971) são motivadas pela condenação bíblica à necromancia (que pode apresentar afinidades com certos tipos de espiritismo) e sobretudo pela possibilidade, não remota e teórica, de que nas comunicações mediúnicas se introduzam, sob nome falso, espíritos negativos, com a intenção de desviar os viventes do caminho certo e até provocar em alguém o fenômeno chamado "possessão".

Com o progresso da parapsicologia científica, os estudiosos e também os que acreditam vêem na maioria das mensagens mediúnicas ordinárias não necessariamente a presença de Satanás, mas reflexos da psique do médium e dos participantes.

Em alguns casos reconhecem somente sérios indícios de contato com seres inteligentes que não vivem neste mundo.

1 – São os casos em que o presumido falecido revela o caráter, a maneira de pensar e de falar que possuía nesta vida aquele que diz ser, os nomes e os costumes de pessoas conhecidas por ele e pelos participantes da sessão, mas, sobretudo, notícias absolutamente desconhecidas dos médiuns e dos participantes, conhecidas somente pelo falecido quando estava nesta vida e verificadas, hoje, como exatas.

2 – Essas revelações possuem notável valor indicial quando se pode constatar a ausência de especiais e extraordinários dotes de clarividência no médium e nos participantes (isto é, nunca mostraram esse dotes em sua atividade ordinária) e, ainda mais, se as revelações acontecem com particularidades paranormais não atribuíveis a eles (como, por exemplo, com uma caneta que escreve sem a guia do médium). As notícias até agora desconhecidas e que se revelaram exatas são, então, um sinal bastante convincente da presença de um espírito que se comunica do além, mas não oferecem ainda fortes probabilidades de que seja verdadeiramente o falecido que diz ser.

Poderiam provir de entes de baixo nível moral que referem notícias exatas e verificáveis para enganar em outros campos que não se podem provar facilmente e assim induzir os viventes para posições que, com o passar do tempo, tornar-se-iam moral e religiosamente desviantes.

3 – Deus pode querer a intervenção de alguns falecidos em nossa vida para nos ajudar a acreditar na Vida eterna e para nos admoestar a que não nos apeguemos às coisas deste mundo (cf. Sto. Tomás, Suma, I, 89,8 ad 2; Supl. 69, 3; e noutros trechos). O Magistério católico, alertando para o perigo do espiritismo, nunca declarou que o mesmo tenha sempre origens diabólicas. A Igreja permite que se tentem experiências neste campo por pessoas competentes (sólida formação religiosa e moral, senso crítico, uma boa cultura em parapsicologia, equilíbrio psíquico), à procura da verdade, com os devidos cuidados (por exemplo: que o médium tenha demonstrado retidão moral e não busque o lucro ou esteja à procura de notoriedade).

Sob tais condições, o Magistério se conforma à opinião que prevalece entre os estudiosos de que os fenômenos mediúnicos são originados, às vezes, por causas infraterrenas (o inconsciente dos participantes ou as fraudes do médium), mas não exclui que, em alguns casos, se manifestem determinados mortos.

Podemos razoavelmente concluir que o presumido morto que se comunica seja exatamente aquele que diz ser somente se apresentar suficientes indícios capazes de convencer que sua comunicação tenha sido autorizada por Deus e realizada em comunhão com ele. Nesse caso, nós, que acreditamos, sabemos que:

  1. o morto nunca negará pontos substanciais do Evangelho e do ensino da Igreja;
  2. poderia até fornecer deles confirmação e aprofundamento;

c) de sua intervenção hão de surgir efeitos positivos do ponto de vista moral e religioso (aproximação da fé, recuperação da paz e da tranqüilidade, oração, perdão, reconciliação, etc.).

Se se verificarem todas as precedentes condições, a exigência, para acreditar na autenticidade das comunicações, de provas científicas, provas tais que excluam absolutamente qualquer possibilidade de erro, embora mínima, e que apresentem a certeza matemática-física, representaria, a meu ver, um posicionamento de excessiva severidade metodológica, capaz de fechar o caminho a qualquer outro resultado e a qualquer outra pesquisa, quer de parapsicologia, quer de todas as outras disciplinas que não estudam exclusivamente os fenômenos físico-químicos.

De fato, o cientista acredita nas pessoas e nos acontecimentos e toma decisões comprometedoras ou até vitais só à base de certezas morais suficientemente meditadas (as relações humanas, os fatos históricos e os relativos testemunhos, os processos indiciários, os valores humanos não oferecem certezas científicas). O cientista que tem fé pode com razão acreditar, como com efeito acontece, nas aparições de Lourdes, de Fátima etc., apesar de esses fenômenos não serem suscetíveis de provas científicas, mas de certezas morais somente.

Até as aparições contadas pelos Atos dos Apóstolos, os milagres de Jesus, as profecias realizadas e as aparições dos Ressuscitado, que os Evangelhos e a Igreja sempre consideraram sinais qualificados da Fé, não podem ser comprovados cientificamente, mas se baseiam em certezas de ordem moral seriamente fundadas.

A intuição pessoal, além do mais, graças à iluminação divina, chega à certeza absoluta da Fé.

Os inúmeros e significativos reflexos positivos nas consciências, obtidos por meio de O Além existe, demonstram a necessidade que tem o homem de sinais exteriores e de provas objetivas que ajudem a Fé, hoje mais difícil, e o dever para nós que acreditamos, de estudar este caso relevante e todo o imenso e complicado campo do paranormal, deixando a atitude de desinteresse e de estranheza que, no último século, por influência do positivismo dominante, caracterizou boa parte da cultura católica.

Pe. João Martinetti

Estudioso da paranormalidade

(Texto extraído do livro O Além Existe, Testemunho Extraordinário Rigorosamente Documentado, de Lino Sardos Albertini, São Paulo, Edições Loyola, 1989, págs. 11 a 14).

A opinião do Dr. Lino Sardos, autor do livro.

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A PARAPSICOLOGIA

Parece-me, antes de tudo, que para avaliar as mensagens de meu filho recebidas durante estes dois anos, devo formar uma opinião geral sobre os fenômenos parapsicológicos, especialmente, das características dos que me dizem respeito diretamente.

Até o desaparecimento de André e o encontro com o padre carmelita do qual falei, eu ignorava completamente esse tipo de fenômenos dos quais tinha uma opinião negativa e preconceituosa, profundamente arraigada.

Só após os acontecimentos acima descritos, nasceu em mim o interesse de aprofundar o assunto.

Baseado nos conhecimentos adquiridos até agora, posso fazer as reflexões que se seguem e que são – insisto

– absolutamente pessoais. Muitos desses efeitos são produzidos por forças físicas desconhecidas. Acredito estarem nessa categoria a mesa que gira, os fenômenos de levitação em geral, o metal que se dobra com a força do pensamento, o quadro que roda sobre si, até os objetos que passam através das paredes, a materialização de objetos vários, e assim por diante.

Também a aparição de fantasmas, inteiros ou parciais, pode ser colocada nessa categoria.

Até agora, não conhecemos a lei física que provoca tais fenômenos nem sabemos como colocá-la em ação.

A crença popular diz que essas forças físicas, desconhecidas dos seres humanos, são ativadas por seres não-viventes mais poderosos do que nós.

Embora não se possa excluir essa hipótese, acredita-se ser o próprio vivente que produz, mesmo que inconscientemente, essas forças, sempre que – é claro – esteja predisposto a tal. Em alguns casos, como no dobrar metais, deve-se considerar a hipótese já demonstrada. Em outros casos, ela se apresenta de maneira menos evidente; em outros mais, ela parece extremamente difícil de explicar.

Há, porém, outra categoria de fenômenos excluídos dessa colocação. Trata-se daqueles cuja manifestação paranormal aparece secundada por uma ação inteligente.

De fato, quando um fenômeno pressupõe um raciocínio, a expressão de um trecho, uma contestação, uma resposta ligada logicamente a uma pergunta, a formulação de idéias mais ou menos profundas, isto, com certeza, não pode ser simples efeito de uma força física, mas fruto da inteligência humana.

Classifica-se nesta categoria o caso do operário que, sem nunca ter sido pintor, se põe diante de uma tela e, sem saber o que vai pintar, acaba compondo um objeto para ele desconhecido e fora do alcance de sua cultura.

Nessa categoria entra também o caso de D. Anita que, diante de perguntas diversas, freqüentemente difíceis, recebe respostas que são sempre o resultado de um raciocínio e sempre com referência à pergunta respectiva, de maneira absolutamente coerente e lógica, e, muitíssimas vezes, até de forma surpreendentemente inteligente.

Excluindo os caos de simulação aberta por parte do sujeito, por lucro ou por desejo de publicidade, também nessa segunda categoria de fenômenos a fonte pode ser humana. O fenômeno pode ser efeito do próprio subconsciente do médium, ou, então, este pode captar telepaticamente as informações dos presentes.

Há casos em que tal hipótese é muito difícil de ser aceita, quando não impossível.

Muitos estudiosos admitem que as respostas recebidas pelo médium são manifestações de entes distintos do mediu, especialmente de falecidos.

O fenômeno é considerado possível até no catolicismo. Na dogmática católica há, de fato, antes de tudo, o princípio da imortalidade da alma e o da Comunhão dos Santos, ou seja, a existência de uma interligação com a Igreja militante – nós, viventes na Terra – e os nossos falecidos da Igreja triunfante ou da Igreja purgante.

Com esta certeza dogmática rezamos em favor de nossos defuntos (Igreja purgante) ou pedimos a eles, se canonizados (Igreja triunfante), ajuda para a nossa vida material e espiritual.

Acreditamos, como católicos, na eficácia da oração desde que feita com fé constante e fervorosa e dirigida para o bem espiritual ou do próximo. Não é impossível, portanto, que Deus, destinatário supremo de qualquer oração, possa acolhê-la, mesmo que de forma excepcional.

Há também a possibilidade – assim nos ensina a dogmática católica – de que as forças negativas, constituídas pelos anjos rebeldes a Deus, possam comunicar-se com os viventes. Há, analogamente, na Bíblia e na história da Igreja, vários exemplos de intervenções na vida humana, também de espíritos eleitos, os Anjos que, em algumas circunstâncias especiais, apareceram aos viventes e não é necessário citá-los.

Segundo o catolicismo, portanto, parece-me perfeitamente ortodoxa a possibilidade de contatos entre vivos e mortos, especialmente quando isso faz parte de um plano divino.

(Texto extraído do livro O Além Existe, Testemunho Extraordinário Rigorosamente Documentado, de Lino Sardos Albertini, São Paulo, Edições Loyola, 1989, págs. 65 a 67).

Dados do Dr. Lino Sardos Albertini: católico, advogado, profissional liberal, exerce atividade em Trieste onde reside na Rua Piccardi, 43. Foi presidente da Academia de Estudos Jurídicos e Econômicos "Cenáculo Triestino" e presidente da Junta Diocesana de Ação Católica de Trieste. É vice-presidente nacional da União Pan-européia Italiana e presidente do Arqueoclube de Trieste. É autor de vários ensaios.

Até aqui já demonstramos que dois padres e um advogado católico não comungam com as idéias do Pe. Quevedo, usada pelo professor quando apresentou o texto a seus alunos.

Podemos ainda trazer algo mais atual. Trata-se do livro Os Mortos nos Falam de autoria do Pe. François Brune, Edicel, 1991, cuja opinião transcrevemos:

Interrogar sobre as origens, no pensamento ocidental, desta recente ideologia do nada, não é o meu propósito. O mais escandaloso é o silêncio, o desdém, até mesmo a censura exercida pela Ciência e pela Igreja, a respeito da descoberta inconteste mais extraordinária de nosso tempo: o após vida existe e nós podemos nos comunicar com aqueles que chamamos de mortos.

Escrevi este livro para tentar derrubar esse espesso muro de silêncio, de incompreensão, de ostracismo, erigido pela maior parte dos meios intelectuais do ocidente. Para eles, dissertar sobre a eternidade é tolerável; dizer que se pode vivê-la torna-se mais discutível; afirmar que se pode entrar em comunicação com ela é considerado insuportável.

O padre e teólogo que sou quis, como se diz, certificar-se completamente da verdade. Por que todos esses testemunhos deveriam ser, a priori, considerados suspeitos? Quando o conteúdo das mensagens e das comunicações gravadas reúne, como eu o demonstro, os maiores textos místicos de diversas tradições, existe nisso mais que uma simples coincidência. Eu acompanhei, pois, e estudei apaixonadamente os resultados das pesquisas mais recentes nesse campo. As conclusões deste trabalho ultrapassam minhas previsões: não somente a credibilidade científica das experiências de comunicação com os mortos encontra-se confirmada e não pode ser mais posta em dúvida, mas a prodigiosa riqueza dessa literatura do além reanimou em mim o que os séculos de intelectualismo teológico haviam extinguido.

(...)

Todos sabem, a Igreja nutre a maior desconfiança em relação a esse tipo de fenômenos: Ela prega a eternidade, é verdade, mas não aceita que se possa vivê-la e entrar em comunicação com ela. Eu mostro que não foi sempre assim. (....) (pág. 15-16).

No segundo texto entregue aos alunos pelo professor da disciplina de Cultura Religiosa, xerocado de livro não identificado, encontramos o assunto Espiritismo, no item 7.1, onde verificamos o seguinte:

À página 152 o autor, falando sobre Allan Kardec, diz: "... Tudo que fez é considerado o 3º revelador de Deus: 1º Moisés; 2º Jesus; 3º Allan Kardec". Isso é totalmente equivocado, pois Kardec nunca se colocou em tal condição, o que disse foi que o Espiritismo é a terceira revelação. O que é bem diferente do que foi colocado.

Como Kardec define o Espiritismo como uma Ciência, uma filosofia e uma religião, o autor, em sua conclusão, traz considerações preconceituosas contra o Espiritismo, senão vejamos:

Quando pensamos a realidade da religião, é muito importante fazermos a pergunta sobre o que é propriamente uma religião. Assim sendo, devemos também ter presente que uma religião não é ciência, que ciência não é filosofia. Embora as três possam andar juntas, cada uma dessas áreas tem seu próprio campo de conhecimento. Cabe à ciência discutir o que lhe é próprio, bem como à filosofia expor seus elementos justificadores e fundamentadores de suas perguntas. O mesmo vale da religião.

Quando estudamos religião, vemos que ela surge como uma resposta para perguntas que não são respondidas por outros campos do conhecimento humano. Por isso, na questão religiosa, não temos a prova como elemento definidor de seu ser. Mas a fé, a crença com bases em determinadas verdades que a religião manifesta.

Assim, não podemos entender uma religião que seja científica, ou que busque fundamentar suas verdades em provas científicas. Hoje muitos fenômenos, atribuídos a manifestações que não conhecíamos no passado, podem ser trabalhados e explicados pela ciência, pela parapsicologia, etc. Fenômenos como, por exemplo os atribuídos por nossos antepassados a manifestações espirituais. Se o mundo sobrenatural se manifesta é por sua própria vontade e fruto de sua liberdade, e não por intermédio de alguém que o faça manifestar. Havendo manifestação, ela se dá a quem quer e como quer e jamais porque alguém a determinada, ou por ser fruto da vontade de alguém.

Precisamos cuidar, quando olharmos uma religião, para que não confundamos os campos do propriamente religioso, com o científico e filosófico.

Assim, em todos os dois textos, o titular da disciplina de Cultura Religiosa apresenta opiniões de pessoas contrárias ao Espiritismo. Será que somente a opinião delas é que vale? Não seria mais científico, caráter intrínseco de uma universidade, mostrar a seus alunos, senão as coisas como realmente são, pelo menos outras opiniões? Qualquer professor comprometido em dar o melhor aos seus alunos, pesquisaria antes de dar sua própria opinião de assunto que não entende, iria até, em algumas situações, chamar para expor pessoas com conhecimento específico sobre o assunto, já que a transmissão do conhecimento sem distorções deveria ser mais importante que a opinião pessoal do professor.

E aqui, nos colocamos à disposição da PUC, para a eventualidade de expor aos alunos o que é realmente o Espiritismo, já que o estudamos e praticamos há dezessete anos, o que nos dá plenas condições de falar do que entendemos, senão na altura de expoentes do movimento Espírita, pelo menos muito mais do que o atual professor de Cultura Religiosa.

E como mais uma justificativa ao que estamos fazendo, poderemos dizer que não desejaríamos que tais fatos lamentáveis não viessem a acontecer no futuro com a nossa esposa que atualmente estuda nessa Universidade.

 

Atenciosamente,

 

 

 

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Bacharel em Ciências Contábeis e

Administração de Empresas pela PUC-BH.

Escritor, autor de "A Bíblia à Moda da Casa"

 

 

C/C: 32ª Subseção da OAB-MG, em Guanhães.

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